Sinopse

Há catorze anos, a Tecelagem Santa Isabel sofreu um incêndio, deixando apenas dois teares e uma parede. A filha do antigo dono – que faleceu no incêndio -, Isabel, reconstrói a fábrica. Quando as atividades voltam ao normal, o gerente Pádua começa a enfrentar difíceis problemas.

Barros, antigo operário, é demitido por uma falta que, ao que parece, teria sido cometida pelo seu genro César. Este se mostra de imediato um mau caráter ao se oferecer a Pádua para ocupar a vaga do sogro. É o pretexto que faltava para os operários iniciarem uma greve. Pádua não se compadece com as reivindicações e despede todo mundo. Instalada a crise, Isabel tenta contorná-la, prometendo indenizar todos os operários.

Para amenizar os ânimos, Isabel conta com a ajuda de Fábio, o operário líder. E acaba se envolvendo emocionalmente com ele. Até que Fernando, seu então marido – dado como morto no incêndio de catorze anos atrás – ressurge para ocupar seu lugar na direção da fábrica.

Também a bonita história de amor entre Pepê e Nina, seu casamento e as diferenças sociais. Ele, um operário baiano, de seus 40 anos, pobre e feio, rústico mas de bom coração, que estudava por correspondência. Ela, também pobre e feia, mas com um verniz cultural, já que era prima de Isabel e havia sido criada com ela.

Tupi – 19h
de 1º de março de 1971
a 11 de março de 1972
288 capítulos

novela de Geraldo Vietri
direção de Geraldo Vietri

Novela anterior no horário
Simplesmente Maria

Novela posterior
Na Idade do Lobo

ARACY BALABANIAN – Isabel Pires de Camargo
JUCA DE OLIVEIRA – Fábio
HÉLIO SOUTO – Pádua
GEÓRGIA GOMIDE – Ângela
LIMA DUARTE – Pepê (Ariovaldo)
LÚCIA MELLO – Nina
LOURIVAL PARIZ – Fernando
BIBI VOGEL – Renata
DINA LISBOA – Dona Marta
JOANA FOMM – Maria Cecília
GIAN CARLO – Elói
MARINA FREIRE – Emilinha
XISTO GUZZI – Alfredinho
JOSÉ PARISI – Dr. Aranha
GRAÇA MELLO – Augusto Barros
DIRCE MIGLIACCIO – Maria
PAULO FIGUEIREDO – César
PATRÍCIA MAYO – Clara
ELIAS GLEIZER – Ernesto
MARISA SANCHES – Lúcia
FLAMÍNEO FÁVERO – Bruno
MARCOS PLONKA – Joca
UCCIO GAETA – Gianni
MYRIAN MUNIZ – Balbina
GILDA VALENÇA – Maria das Graças
CARLOS DUVAL – João
SÉRGIO GALVÃO – Erasmo
ELIZABETH HARTMANN – Ziza (Adalgisa)
CARMEM MARINHO – Zuleica
VLADIMIR NIKOLAIEF – Ricardo
GUIOMAR GONÇALVES – Vitória
ÁUREA CAMPOS – Olinda
GUY LOUP – Iolanda
JOSÉ BUCK – Artur
PEDRO CASSADOR – Filó (Filomeno)
TEREZA SANTOS – Agripina
FELIPE LEVY – Alípio
CLENIRA MICHEL – Célia
JOÃO MONTEIRO – Lourenço
ROSAMARIA SEABRA – Rosinha
GIANETE FRANCO
ELÓI SANTANA
PEDRO CASSADOR
GILBERTO BAROLLI
OSWALDO CAMPOZANA – recepcionista a pensão onde Fábio mora
OSVALDO ÁVILA
NADIR FERNANDES
PAULETTE BONELLI
ANTON ERNEST RUNGE
e
NICETTE BRUNO – Leonor (professora de Fábio que se apaixona por ele)
BETE CARUSO – Bete (irmã de Leonor)
GILBERT – Gilbert (cantor do navio em que Isabel viaja para esquecer tudo, os dois ficam juntos

– núcleo de ISABEL (Aracy Balabanian), dona da fábrica de tecelagem que herdou do pai quando este morreu num incêndio. Apaixona-se por um operário e não sabe se mantem-se como patroa ou entrega-se ao amor:
a governanta MARTA (Dina Lisboa), sua confidente desde que seus pais morreram
a filha rebelde de Marta, MARIA CECÍLIA (Joana Fomm), não se conforma em ser filha da empregada, mas vai mudando quando se apaixona
o tio ALFREDINHO (Xisto Guzzi), encostado e parasita
a tia EMILINHA (Marina Freire), meio lunática e quatrocentona
a prima NINA (Lúcia Mello), filha de Emilinha, feia e solteirona, à noite pula a janela do quarto da mansão e se esbalda na gafieira
ARIOVALDO, o PEPÊ (Lima Duarte), operário simplório, simpático e cômico. Na gafieira conhece Nina e se apaixona sem saber que ela é prima de sua patroa, Isabel. Casados, começa um lado cômico e sentimental dos dois: ele não sabe como se portar na sociedade e não esquece a dura vida no nordeste
o motorista ALÍPIO (Felipe Levy), fiel e companheiro
o marido dado como morto, FERNANDO (Lourival Pariz), está vivo e deformado, usando um colete no pescoço. Une-se a alguns funcionários da fábrica para tomá-la de Isabel
a falsa amiga ZULEICA (Carmem Marinho), que tem um caso com um gerente da fábrica e está envolvida no complô para tirar a fábrica de Isabel.

– núcleo da fábrica:
o gerente PÁDUA (Hélio Souto), amante de Zuleica, está envolvido no plano para tomar a fábrica de Isabel
a funcionária ADALGISA, a ZIZA (Elizabeth Hartmann), trabalha no escritório, amiga de Isabel, viúva cortejada pelo chefe
a filha de Ziza, (Gianete Franco), adolescente rebelde
o chefe de Ziza, ERASMO (Sérgio Galvão), tímido e engraçado, é apaixonado por ela mas não consegue se declarar
o médico da fábrica e de Isabel, DR. ARANHA (José Parisi), envolvido no complô contra Isabel e sua fábrica, lhe dá sedativos quando ela é raptada
o operário problemático FILÓ (Pedro Cassador), está sempre querendo enganar o patrão
a telefonista CÉLIA (Clenira Michel), por ouvir os telefonemas, descobre ao final onde está Isabel.

– núcleo de ÂNGELA (Geórgia Gomide), secretaria de Isabel, ama Pádua e envolve-se no complô para roubar Isabel. Mora na vila com a mãe e a empregada, a quem discrimina por sua cor negra:
a mãe VITÓRIA (Guiomar Gonçalves), vive sofrendo com a empregada e lhe dando conselhos. Aos poucos vai se revelando o mistério: a empregada é a verdadeira mãe de Ângela
a empregada OLINDA (Áurea Campos), sofre tentando agradar Ângela que a rejeita.

– núcleo do restaurante do italiano GIANE (Uccio Gaeta):
a mulher BALBINA (Myrian Muniz), portuguesa ferrenha que morre do coração
a cunhada MARIA DA GRAÇAS (Gilda Valença), portuguesa irmã de Balbina, que chega de Lisboa e se apaixona pelo cunhado. Casa-se com ele após a morte da irmã
o sogro JOSÉ MARIA (Carlos Duval), pai de Balbina e Das Graças. Vem com Das Graças para o Brasil e vai trabalhar no restaurante
o inquilino FÁBIO (Juca de Oliveira), para quem Giane aluga um quarto. Operário líder da fabrica, a ele todos recorrem em caso de injustiças ou abusos trabalhistas. Apaixona-se por Isabel e sente a barreira social entre eles. É alvo das investidas de Zuleica, a falsa amiga de Isabel. Começa a estudar no curso noturno de Madureza para ter uma posição melhor na vida.

– núcleo de AUGUSTO BARROS (Graça Mello), chefe químico da fábrica, descobre que o genro está cometendo falcatruas no laboratório e resolve voltar para o nordeste
a mulher MARIA (Dirce Migliaccio), mãe abnegada e preocupada com a família
a filha CLARA (Patrícia Mayo), grávida, briga com o marido sempre por não concordar com suas atitudes
o genro, CÉSAR (Paulo Figueiredo), químico da fábrica. Não se conforma em ser pobre e falsifica produtos químicos. Depois do escândalo, a família
vai para o nordeste
o filho BRUNO (Flamíneo Fávero), também trabalha na fábrica
o inquilino JOCA (Marcos Plonka), mora no quartinho dos fundos, também trabalha na fábrica, um tipo cômico.

– núcleo de ERNESTO (Elias Gleizer), trabalha na fábrica. Pai preocupado que sempre está disposto a ajudar os vizinhos:
a mulher LÚCIA (Marisa Sanches), mulher desagradável e faladeira que, aos poucos, vai se tornando mais humana
a filha IOLANDA (Guy Loup), mocinha fútil, que só pensa em casar
o namorado de Iolanda, ARTUR (José Buck)
o filho ELÓI (Gian Carlo), estuda para o vestibular, íntegro e consciente, apaixona-se por Maria Cecília e não concorda com suas atitudes, vivem brigando
o falso amigo de Elói, RICARDO (Vladimir Nikolaief), estudam juntos. Vive dando em cima de Maria Cecília, que não revela nada a Elói para evitar confusão
a empregada AGRIPINA (Teresa Santos), negra, engraçada, quando Lúcia e Ernesto se mudam para uma casa maior, Joca e Bruno vão morar nos fundos e disputam engraçadamente a moça.

– núcleo do Curso de Madureza onde Fábio se matricula:
a professora LEONOR (Nicette Bruno), solteirona que se apaixona por Fábio
a irmã de Leonor (Liza Vieira), mocinha estudante
a estudante (Bete Caruso), amiga da irmã de Leonor.

A Fábrica tinha por missão tirar a Tupi de sua má fase em novelas, na época. O autor-diretor Geraldo Vietri reuniu um pouco das temáticas de Nino, o Italianinho e outras de Antônio Maria. Novamente Juca de Oliveira e Aracy Balabanian, principal par romântico de Nino, eram os protagonistas com propósitos de repetir o sucesso do trabalho anterior. (**)

A ideia para escrever A Fábrica nasceu de uma viagem de Vietri à Europa, logo após o término de Nino, o Italianinho. Em Milão, na Itália, lhe chamou a atenção o momento social no país, marcado por greves e reivindicações trabalhistas. O autor voltou ao Brasil decidido a escrever uma novela sobre a luta do operário por melhores salários, por uma condição melhor de vida. (*)

A vida dos operários e dirigentes da fábrica do título era narrada tomando por base temas sociais: o movimento sindical, o salário mínimo e o combate aos tóxicos. A ideia inicial tropeçou com a realidade brasileira, com a falta de liberdade dos trabalhadores – em tempos de ditadura militar, ele jamais poderia dizer que um operário não conseguiria viver com um salário mínimo.
Pouco antes do lançamento da novela, Vietri esteve em Brasília, com alguns atores do elenco, para um bate-papo com Jarbas Passarinho, então ministro da Educação, que lhe aconselhou prudência e justiça ao abordar os temas sociais. (**)

O que seria uma luta de classe operária se transformou numa história de amor entre a dona da fabrica e um operário. Vietri desabafou:
A Fábrica foi uma frustração! No começo eu me propus a abordar um determinado tema, que de repente não dá para ser abordado. Eu não discuto se está certo ou errado, mas na verdade, não dava!”. (*)

Em plena ditadura militar, uma novela tratando de assuntos sérios como a greve – no primeiro capítulo, uma era deflagrada – não passou despercebida. À espera da liberação da censura, Vietri e seus astros Juca e Aracy foram à Brasília, conversar com Júlio Barata, ministro do Trabalho e Previdência Social do Governo Médici. Passaram uma tarde na capital federal, inclusive explicando e comentando muitas cenas da novela. A ousadia do tema nada tinha a ver com as posições políticas de Vietri.
O ministro recomendou cuidados em certas abordagens, como no caso de greves, no relacionamento entre empregados e patrões, e nas críticas a instituições. “O INPS, por exemplo, você pode apontar suas falhas, desde que não o desmoralize como instituição.” (Revista Veja, 17/02/1971)

Com 288 capítulos, A Fábrica foi uma das mais longas novelas produzidas pela Tupi.
A novela da emissora com maior número de capítulos é O Machão, (1974-1975): 371; a segunda colocada é Simplesmente Maria (1970-1971): 315; e a terceira é Nino, o Italianinho (1969-1970): 304.

Aproximando-se do final, as tramas paralelas já estavam resolvidas com alguns maus elementos já mortos ou presos. Restava apenas solucionar o clímax maior: a união ou não da milionária com o operário (os personagens de Aracy e Juca).
Prevista para durar 208 capítulos, A Fábrica foi espichada, por ordens da direção, em mais 80, ficando pouco mais de um ano no ar. É que a morte da atriz Glauce Rocha obrigou o encerramento de Hospital, a novela das 20 horas, em que ela trabalhava. Só que Hospital ainda não tinha substituta e a que entraria no lugar de A Fábrica – que dava mais audiência, às 19 horas – já estava sendo produzida, e veio a ordem de continuar a história.
Com o pouco que restou, Vietri reergueu quase uma nova novela, destacando os personagens cômicos criados por Lima Duarte e Lúcia Mello. A boa audiência que a novela havia tido, não atingiu essa segunda fase. (*)

Ao final, uma novidade: Vietri não uniu o par romântico central. A ricaça dona da fábrica e o operário pobretão não terminaram juntos. Vietri era da opinião de que novela não tem fim, ela é apenas interrompida numa determinada fase dos personagens.
“É por isso que o final não pode ser sempre feliz, o mocinho casando com a mocinha. (…) precisamos mostrar que nem tudo dá certo!”, explicou o autor numa entrevista. (*)

As externas da novela – feitas em uma fábrica no bairro do Tatuapé em São Paulo – foram filmadas em 35mm, reduzidas posteriormente para 16 e depois dubladas. (**)

Chamada da novela:
“Aracy Balabanian é a proprietária; Juca de Oliveira, o operário; Geórgia Gomide, a secretária; Lima Duarte é também operário e mais um elenco com os maiores nomes da televisão. Com um pessoal desta categoria, A Fábrica garante uma produção de primeira qualidade, nível exportação!

(*) “Geraldo Vietri, Disciplina é Liberdade”, Vilmar Ledesma, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
(*) “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva, Giz Editorial, 2007.

Trilha Sonora
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01. CANÇÃO DA ALEGRIA – Arranjo e Regência de Portinho / Arranjo do Coral de Léo Peracchi
02. TEMA DA SINFONIA Nº40 EM SOL MENOR DE MOZART – Arranjo e Regência de Léo Peracchi (tema de abertura)
03. CONCERT FOR A LOVER’S ENDING – Francis Lai
04. CINISMO – Argonauta e Aarão Bernardo
05. TEMA DE ISABEL – Elizabeth
06. NOSSO PRIMEIRO AMOR – Milton Rodrigues
07. OPUS Nº3 – Omar Fontana
08. OPUS Nº4 – Omar Fontana
09. A FORÇA DO AMOR – Uccio Gaeta
10. OR-NAN – Yohann Zarai
11. A CANÇÃO ANTI-TÓXICO – Dom & Ravel

Trilha Sonora Complementar: Músicas da novela A Fábrica
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01. ESPINGARDA PÁ – Zé do Norte
02. SÔDADE, MEU BEM, SÔDADE – Zé do Norte

Tema complementar
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01. LOVE IS A FUNNY THING – Francis Lai
Música que consta no compacto juntamente com temas das novelas Simplesmente Maria e Os Deuses Estão Mortos.
Curiosamente, deve haver um erro na grafia, já que a música CONCERTO FOR A LOVER´S ENDING, aqui creditada à novela Simplesmente Maria, consta na trilha oficial da novela A Fábrica. Muito provavelmente, as músicas foram trocadas na capa do disco. CONCERTO FOR A LOVER´S ENDING deveria ser de A Fábrica e LOVE IS A FUNNY THING deveria ser de Simplesmente Maria.

Sonoplastia: Salatiel Coelho
Coordenação de produção: Salatiel Coelho

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