Sinopse

Sertão paulista, início do século 18. Através da família de Dom Braz Olinto, narram-se os fatos que levaram à Guerra dos Emboabas, por extensão, o choque dos paulistas que conquistaram terras e minas e os forasteiros de diversas procedências, principalmente baianos e portugueses, que queriam se apossar delas. A muralha significa a serra como obstáculo às incursões dos bandeirantes, nas suas buscas de novas terras e riquezas.

Na fazenda Lagoa Serena, rodeada pela “muralha” e desbravada pelos bandeirantes, mora Dom Braz, líder de uma bandeira, sua mulher, Mãe Cândida, e seus filhos: Basília, Tiago, Rosália e Leonel, que vive com a esposa, Margarida. Ainda uma sobrinha, Isabel, e um índio mestiço, Aimbé.

Ao redor desses personagens flui toda a trama, iniciada com a chegada de Portugal de outra sobrinha de Dom Braz, Cristina, que se apaixonará por Tiago, apesar de latentes diferenças de cultura e mentalidade. Mas a jovem portuguesa terá de disputá-lo com Isabel, o braço direito de Dom Braz que o acompanha em suas bandeiras, uma menina que foi criada entre o convívio da família e dos índios, moldando, assim, uma personalidade arredia e selvagem. Mas o conflito maior será gerado por Rosália, ao se apaixonar pelo líder dos emboabas, o aventureiro e traidor Bento Coutinho.

Excelsior – 19h30
de julho de 1968 a março de 1969
216 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiróz
direção de Sérgio Britto e Gonzaga Blota

Novela anterior no horário
O Terceiro Pecado

Novela posterior
Os Estranhos

MAURO MENDONÇA – Dom Braz Olinto
FERNANDA MONTENEGRO – Mãe Cândida
ROSAMARIA MURTINHO – Isabel
EDGARD FRANCO – Tiago
ARLETE MONTENEGRO – Cristina
GIANFRANCESCO GUARNIERE – Leonel
NICETTE BRUNO – Margarida
NATHÁLIA TIMBERG – Basília
PAULO GOULART – Bento Coutinho
MARIA ISABEL DE LIZANDRA – Rosália
STÊNIO GARCIA – Aimbé
SERAFIM GONZALEZ
CLEYDE BLOTA
PAULO CELESTINO – Mestre Davidão
GILBERTO SÁLVIO
SÍLVIO DE ABREU – Abreu
VALDO RODRIGUES – Tuiú
ALDO DE MAIO
ALEX ANDRÉ – Padre Fabiano
NESTOR DE MONTEMAR – Parati
MARCUS TOLEDO – Toledo
ANTÔNIO CARLOS
ANTÔNIO GHIGONETTO – Dom Júlio
SILVANA LOPES
e
CARLOS ZARA
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Dom Manoel Nunes Viana
CLEYDE YÁCONIS – bandeirante
EDSON FRANÇA – Manuel Borba Gato
MARIA APARECIDA ALVES – freira
OSMAR PRADO
OSMANO CARDOSO
GONZAGA BLOTA

Memorável trabalho da TV Excelsior. Superprodução orçada inicialmente em 200 milhões de cruzeiros mensais, uma fortuna para a época, em se tratando de orçamento para a TV. E possivelmente aumentou, dada as proporções que a novela tomou.
Excepcional resultado final: adaptação explicando a História, sem deixar de criar um cuidadoso e envolvente clima novelístico. Apurado trabalho dos atores, perfeita produção de época e excelentes tomadas externas.
Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A Muralha foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1968. Por seus trabalhos, Sérgio Britto e Gonzaga Blota foram eleitos os melhores diretores de novela, Stênio Garcia o melhor ator e Fernanda Montenegro a melhor atriz.

Duas sequências inesquecíveis: o ataque dos índios, quando se encontravam só as mulheres em casa; o cerco dos paulistas ao arraial da Ponta do Morro, onde estavam fortificados os emboabas. Com esta sequência, a telenovela atingiu um estágio de produção nunca alcançado pelo cinema nacional. Foram mobilizadas 400 pessoas numa luta simultânea para mostrar, em 20 minutos de cena, o que fora o confronto entre paulistas e emboabas.

No livro “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções” (de Carolline Rodrigues), a atriz Fernanda Montenegro contou que a produção da novela trouxe índios que moravam na beira-mar em Itanhaém, litoral de São Paulo, para uma das gravações:
“Eles vieram para servir de intérpretes reais na tomada da batalha para conquistar a fazenda do bandeirante quando ele saía com sua tropa nas bandeiras.”

A atriz Cleyde Yáconis apareceu num único capítulo, numa participação especial marcante: uma mulher de São Paulo que insufla as outras mulheres a não receberem seus maridos em casa enquanto eles não voltassem para a guerra contra os emboabas para vingarem os mortos paulistas.

Gianfrancesco Guarnieri comentou em depoimento ao livro “Glória in Excelsior”, de Álvaro de Moya:
A Muralha foi uma novela realista, com cuidados muito grandes de reconstituição… de levantamento histórico, inclusive de figurinos (…) Ela foi muito bem dirigida pelo Sérgio Brito que valorizava tudo o que tinha… ele conseguia dar a ideia de espaço… você via a tropa lá no morro, contra a luz, mostrando a silhueta, depois outra câmera, lá em cima, mostrava de perto… a televisão não estava habituada a isso… A Muralha deu uma nova valorização ao uso da externa na TV.”

Segundo a atriz Arlete Montenegro, no mesmo livro:
A Muralha tinha cenários de dois andares, foi um trabalho de ator, de cenários, uma produção inesquecível… Imagine que o ator norte-americano Larry Hagman [que fazia sucesso na época com a série Jeannie é um Gênio] (…) veio passar umas férias no Brasil. Visitando São Paulo e a TV Excelsior ele viu o cenário de A Muralha e não entendia que aquilo pudesse ser só televisão. Ele perguntava: ‘Mas é filme o que vocês estão fazendo? É para vender?’ (…) ele não sabia o que era novela e dizia que aquele cenário, aquela multidão era só para fazer filmes, pois devia ser muito caro… Ele não se conformava com uma produção tão cara ser local e novela, coisa que não dava retorno financeiro.”

Em Carapicuíba, arredores de São Paulo, foi montado uma réplica do porto de Santos do século 18 para receber o navio português que trazia a personagem Cristina (Arlete Montenegro).

Como a novela ainda era em preto e branco, Rosamaria Murtinho, que viveu Isabel, uma branca criada entre os índios, usou lentes de contato coloridas como artifício da personagem para se diferenciar dos índios. (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”)

Silvio de Abreu, na época ator (bem antes de iniciar sua carreira de novelista), contou sobre sua participação em A Muralha:
“No decorrer dos capítulos, Ivani observou o meu trabalho e meu personagem foi crescendo e ganhando importância na trama. Como não fazia parte da sinopse original, foi batizado como Abreu. E assim ficou até o final da novela.” (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”)

Anteriormente, duas versões simplistas da história haviam sido levadas ao ar: a primeira em 1958, na TV Tupi, e a segunda em 1963, pela TV Cultura – época em que as telenovelas ainda não eram diárias.

Em 2000, a Globo apresentou uma nova adaptação do livro em forma de minissérie (escrita por Maria Adelaide Amaral), onde a história foi transportada para o século 17 e novos personagens e tramas foram criados.

Mauro Mendonça, com 37 anos de idade em 1968, interpretou na novela da Excelsior o protagonista Dom Braz Olinto, um homem com cerca de 70 anos na trama, o que exigiu amplos recursos de maquiagem para caracterizá-lo como tal. Em 2000, na minissérie da Globo, o ator voltou a viver o personagem: com 67 anos na ocasião, se encontrava com a idade ideal para interpretá-lo.

compacto com duas canções da novela
compostas por Paulo Goulart e Antonio Fonseca
e interpretadas por Paulo Goulart

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01. EU, ELA E O AMOR
02. LINDA MENINA

Trilha Sonora Complementar: Manuel Marques e sua Guitarra *
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01. A MURALHA
02. FESTA EM LAGOA SERENA
03. QUANDO VEM A NOITE
04. NO FIM DA TARDE
05. UMA LÁGRIMA CAÍDA

* inclui também temas da novela Antônio Maria

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