Sinopse

Os recém-casados Roberto e Marina Steen enfrentam dificuldades em sua relação por conta da memória da ex-mulher de Roberto, Alice Steen. Cultuada num retrato, mesmo depois de morta, Alice exerce um fascínio todo especial em todos com quem conviveu, principalmente na governanta Juliana, absolutamente fiel à antiga patroa e apaixonada pelo patrão.

Vendo em Marina uma intrusa que está ocupando um lugar que não lhe pertence, Juliana mantem na mansão um clima de mistério e cria intrigas para separar o casal, chegando a levantar uma suspeita quanto a um relacionamento de Marina com Lopes, ex-capataz da fazenda onde a moça vivia.

Mas outras pessoas também torcem pela desunião do casal, como Miguel, eternamente apaixonado pela prima. Ainda, Marina, jovem criada com toda a simplicidade do campo, é obrigada a defrontar-se com um mundo repleto de etiquetas e francesismos, como mandava a sociedade do Rio de Janeiro, capital do país na década de 1920.

Globo – 18h
de 9 de outubro de 1978
a 2 de março de 1979
126 capítulos

novela de Manoel Carlos
baseada no romance homônimo de Carolina Nabuco
direção de Herval Rossano, Gracindo Júnior e Sérgio Mattar
direção geral de Herval Rossano

Novela anterior no horário
Gina

Novela posterior
Memórias de Amor

SUSANA VIEIRA – Marina
RUBENS DE FALCO – Roberto Steen
NATHALIA TIMBERG – Juliana
PAULO FIGUEIREDO – Miguel
ARLETE SALLES – Germana
KADU MOLITERNO – Vasco
LIZA VIEIRA – Adélia
MÁRIO CARDOSO – Pedro Monte
BEATRIZ VEIGA – Dona Emília
CÉLIA BIAR – Prima Filomena
ROSANA PENNA – Lúcia de Góes
FRANCISCO DANTAS – Dr. Moretti
SÔNIA DE PAULA – Isabel
MIRIAN PIRES – Dona Guilhermina
TETÊ PRITZL – Luísa
HELOÍSA HELENA – Madame Sanches (Violeta Sanches)
JORGE CHERQUES – Lopes (Antenor Lopes)
ARY COSLOV – Munhoz
CARMEM MONEGAL – Vanice
PATRÍCIA BUENO – Laurita Menezes
SIDNEY MARQUES – Tião
PAULO PINHEIRO – Antônio
MUNIRA HADDAD – Ondina
MARCUS TOLEDO – Arthur Neves
ANKITO – Edmundo Macedo
PATRÍCIA PARKER – Branca
REGINALDO DANIEL – Edu
JOTA BARROSO – Benedito
APOLO CORRÊA – Carlos
TELMA LIMA – Leonor
JOANA ROCHA – Ana
D’ARTAGNAN MELLO – José
LUÍS VASCONCELOS – Pedro
LOLY NUNES – Olívia
e
ALCEBÍADES BANDEIRA – Júlio (copeiro na mansão Steen)
ALESSANDRA VIEIRA – Alice (menina órfã de quem Marina cuida)
CAHUÊ FILHO – Padre Manfredo (da paróquia próxima à fazenda Santa Isabel)
CELI PETERSON – Aparecida (manicure de Germana)
GRACINDO JÚNIOR – Epaminondas
IRENE PEREIRA – empregada na mansão Steen
LOURDES COIMBRA – empregada na mansão Steen
PIETRO MÁRIO – Padre Eládio (amigo dos Steen)

– núcleo de ROBERTO STEEN (Rubens de Falco), homem rico que sempre viveu na cidade, ao lado de tudo o que é requintado e sofisticado. Nutre uma adoração pela falecida esposa, Alice, cultuada em um quadro em sua mansão:
a irmã GERMANA (Arlete Salles), mulher voluntariosa e de personalidade forte que contraria os padrões de comportamento da sociedade carioca na época. Sustenta e domina o marido, um homem muito mais jovem do que ela
o cunhado VASCO (Kadu Moliterno), marido de Germana, jovem e bonito, é de origem pobre, mas tornou-se um tenista famoso, bancado pela mulher, que o domina. Gosta de carros esportivos, festas e badalação
a prima FILOMENA (Célia Biar), viúva rica, sem papas na língua, fala o que pensa. É a única da família que não tem por Alice a admiração exagerada dos outros
a governanta JULIANA (Nathalia Timberg), cuida de todos os detalhes para manter o perfeito funcionamento da mansão. Séria e metódica, nutre um sentimento secreto pelo patrão e esconde segredos do passado envolvendo os Steen.

– núcleo de MARINA (Susana Vieira), moça simples criada em uma fazenda, habituada a uma vida saudável e sem artifícios. Educada de forma tradicional, é culta, inteligente e sensível. Casa-se com Roberto Steen e muda-se para o Rio de Janeiro, onde vai morar na mansão dele. Na casa, ela é vítima das intrigas de Juliana, ressentida por ela ter ocupado o lugar deixado por Alice, sua antiga patroa:
a mãe EMÍLIA (Beatriz Veiga), viúva, vive na fazenda, que dirige com segurança e amor. É intransigente com a moral e não perdoa leviandades
o administrador LOPES (Jorge Cherques), procurador da família de Marina. Cuida da fazenda Santa Rosa, junto a Dona Emília
a empregada da fazenda ISABEL (Sônia de Paula), amiga de Marina. Esperta e atrevida, faz observações inteligentes sobre as pessoas. Acaba indo trabalhar para Marina, na mansão dos Steen, no Rio
o capataz da fazenda BENEDITO (Jota Barroso), pai de Isabel
o funcionário TIÃO (Sidney Marques), esperto, vivo e simpático, mora e trabalha na fazenda
o PADRE MANFREDO (Cahuê Filho), confessor da família de Marina na fazenda
as outras empregadas na fazenda ANA (Joana Rocha) e LEONOR (Telma Lima).

– núcleo de MIGUEL (Paulo Figueiredo), primo de Marina, apaixonado por ela, não aceita o seu casamento. Jornalista político, inteligente e de ideias firmes, bate de frente com o liberalismo de Roberto:
a irmã mais nova, ADÉLIA (Liza Vieira), espevitada, seu maior desejo é casar-se com um homem rico. Mora no Rio de Janeiro, adora festas e comprar roupas. Depois do casamento de Marina, infiltra-se no seleto e sofisticado grupo dos Steen e da sociedade carioca
a senhoria da casa onde mora no Rio, DONA GUILHERMINA (Mirian Pires)
a sobrinha de Dona Guilhermina, LUÍSA (Tetê Pritzl), desperta o interesse de Miguel.

– núcleo dos amigos de Roberto Steen, que frequentam sua mansão:
LÚCIA DE GÓES (Rosana Penna), culta e inteligente, foi a melhor amiga de Alice e sabe de segredos do passado do casal Steen
PEDRO MONTE (Mário Cardoso), amigo de Vasco. Apesar de ser pobre, é aceito no grupo por ser divertido e exímio dançarino de salão. Aproveita para comer, beber e se divertir nas festas. Apaixona-se por Adélia, mas ela o ignora por ele ser pobre
MADAME SANCHES (Heloísa Helena), viúva rica. Grande amiga de Roberto e Alice, procura aceitar Marina como nova esposa e integrante do grupo. Está sempre carregada de joias e exageradamente maquiada. Acaba arrebatada pelo amor do sr. Lopes
MUNHOZ (Ary Coslov), diplomata, culto, inteligente e agradável
LAURITA MENEZES (Patrícia Bueno), mulher afetada, de uma beleza artificial. Detesta conversas sérias, só fala amenidades e comenta sobre a vida dos outros
VANICE (Carmem Monegal), cuida de obras assistenciais, apaixona-se por Miguel, que a ignora
BRANCA (Patrícia Parker), sobrinha de Madame Sanches, sua tutora, que vive a vigiá-la, principalmente por causa de seu namoro com o jovem EDU (Reginaldo Daniel)
EDMUNDO MACEDO (Ankito), um velho ator, descendente do romancista Joaquim Manuel de Macedo. Conhece Marina e Roberto durante uma viagem e passa a frequentar as festas na mansão do casal
ARTHUR NEVES (Marcus Toledo), engenheiro que trabalha para Roberto
PADRE ELÁDIO (Pietro Mario), amigo e conselheiro da família Steen

– núcleo dos empregados na mansão Steen:
o mordomo ANTÔNIO (Paulo Pinheiro)
a arrumadeira e copeira ONDINA (Munira Haddad)
o jardineiro CARLOS (Apolo Correia)
o motorista JOSÉ (D’Artagnan Mello)
o motorista PEDRO (Luís Vasconcelos), de Filomena
o empregado JÚLIO (Alcebíades Bandeira)
as empregadas (Irene Pereira) e (Lourdes Coimbra)
a manicure de Germana e Marina, APARECIDA (Celi Peterson).

Segunda novela de Manoel Carlos na TV Globo. No mesmo ano (1978), o novelista apresentara Maria Maria, com relevante sucesso.

A Sucessora foi uma das melhores produções de época para o horário das 18 horas da Globo até então, com perfeita reprodução do Rio de Janeiro da década de 1920, em cenários, figurinos, caracterizações e direção de arte.

“Trouxe para o horário o clima psicológico, conseguiu argumento para indecifráveis enigmas e deu base para a criação do suspense ao estilo de Hitchcock”, citou Ismael Fernandes em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”.

Na verdade, A Sucessora tem muito a ver com um filme de Alfred Hitchcock Rebecca, a Mulher Inesquecível, de 1940, baseado no livro da inglesa Daphne du Maurier (1907-1989), publicado em 1938 – que, ao que consta – teria plagiado Carolina Nabuco (1890-1981), a autora do romance “A Sucessora”, lançado em 1934, no qual a novela inspirou-se.
As semelhanças entre as duas histórias foram destacadas em artigo publicado no The New York Book Review e, no Brasil, pelo crítico literário do Correio da Manhã, Álvaro Lins (fonte: site Memória Globo)
Entretanto, tanto a história de Carolina Nabuco quanto a de Daphne du Maurier contêm elementos de “Jane Eyre”, famosa obra literária de Charlote Bronté, publicada em 1847.

Suspeitas à parte, vale salientar que o texto de Manoel Carlos foi impecável e que Susana Vieira, Rubens de Falco e Nathalia Timberg brilharam em seus personagens.
Susana Vieira sempre cita a sua Marina Steen como um de seus melhores trabalhos na televisão.

Destaque também para a personagem de Arlete Salles, Germana, uma mulher à frente de seu tempo, de personalidade forte, que sustentava e dominava o marido mais jovem que ela, Vasco (Kadu Moliterno).

Ana Maria Magalhães, responsável pela pesquisa histórica, teve o apoio da romancista Carolina Nabuco, na época com 88 anos de idade, que lhe narrava fatos importantes da década de 1920, como a construção dos hotéis Glória e Copacabana Palace, em 1922. Carolina era filha do diplomata e abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910). (*)

Pelas mãos de Zenilda Barbosa, o figurino de A Sucessora chamava a atenção pela fidelidade com que reproduzia a moda e os costumes dos anos 1920. Nas festas, houve detalhamento nos chapéus, joias, cabelos e roupas com muito brilho, seda, rendas e plumas. (*)

As externas foram gravadas na Fazenda Indiana, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e na Universidade Federal Rural, em Seropédica (RJ). (*)

Vinte e cinco cartões postais românticos, originais da década de 1920, compuseram a abertura da novela. Foram cedidos pela jornalista e colecionadora Ismênia Dantas, mulher do ator Nelson Dantas, mãe dos também atores Daniel e Andrea Dantas.
Foi convivendo com sua avó que Ismênia aguçou a curiosidade por coisas da belle-époche, quando esses cartões eram os meios de comunicação para tudo, dos pêsames aos parabéns.
A abertura, criada por Hans Donner, Sérgio Liuzzi e Nilton Nunes, mostrava uma sequência desses cartões ao som de Odeon, de Ernesto Nazareth e Vinicius de Moraes, cantada por Nara Leão.

A novela apresentou cenas de romance real entre Susana Vieira e Rubens de Falco, que namoraram na época.

Estreia na Globo dos atores Paulo Figueiredo e Liza Vieira (vinham da Tupi), que ganharam papeis de destaque na novela: os irmãos Miguel e Adélia, primos de Marina.

Em 1967, Glória Magadan escreveu a novela A Sombra de Rebeca, que teve como ponto de partida o romance de Daphne du Maurier e a ópera Madame Butterfly, de Puccini (esta última, com a qual A Sucessora nada tem a ver).

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo de 17/11/1980 a 08/05/1981.
E lançada em DVD, em 2014, num box com 9 discos.

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora
sucessorat
01. ONTEM AO LUAR – Fafá de Belém (tema de Miguel)
02. SANTA MARIA – Hermes Aquino (tema de locação: fazenda Santa Isabel)
03. ODEON – Nara Leão (tema de abertura)
04. MAL ME QUER – Maria Creusa (tema de Adélia)
05. COMO SE FOSSE – Lucinha Araújo (tema de Miguel e Luísa)
06. GADU NAMORANDO – Os Carioquinhas (tema de Germana)

Sonoplastia: Guerra Peixe Filho.
Pesquisa de Repertório: Arnaldo Schneider
Produção Musical: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: ODEON – Nara Leão
Ai quem me dera o meu chorinho
Tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia ele fazer tanto chorado
Ele me lembra tanto, tanto
Todo o encanto de um passado
Que era lindo, era triste, era bom
Igualzinho ao chorinho chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
O meu chorinho se desata
Tira da canção no violão esse bordão
Que me dá vida e que me mata
É só carinho o meu chorinho
Quando pega e chega assim devagarzinho
Meia luz, meia voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ai vem depressa chorinho querido, vem
Mostrar a graça que um choro sentido tem
Quanto tempo passou, quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ai quem diria que um dia, chorinho meu
Você viria com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer não faz mal, tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar por vocês

Chora bastante, meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda persigo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece que sai só do coração
Se eu pudesse recordar e ser criança
Se eu pudesse renovar minha esperança
Se eu pudesse me lembrar como se dança
Esse chorinho que hoje em dia ninguém sabe mais…

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