foto: divulgação

Perdemos Ruth de Souza, grande dama dos palcos, do cinema e da televisão. De acordo com o noticiado pelo UOL, ela faleceu no Rio de Janeiro neste domingo (28/07). Ruth estava internada para tratar de uma pneumonia e seu quadro se agravou. Nascida Ruth Pinto de Souza, no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1921, a atriz sai de cena aos 98 anos.

Em 1945, Ruth de Souza entrou para o Teatro Experimental do Negro. Foi a primeira atriz negra a ganhar notoriedade no Brasil. Participou do primeiro grupo de teatro negro a subir ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a peça O Imperador Jones, de Eugênio O’Neill. Sua estreia no cinema foi em 1948, com o filme Terra Violenta. Entre os filmes em que atuou, Falta Alguém no Manicômio (1948), Também Somos Irmãos (1949), Ângela (1951), Terra É Sempre Terra (1952), Sinhá Moça (1953, pelo qual foi a primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema, no Festival de Veneza), Bruma Seca (1961), O Assalto ao Trem Pagador (1962), O Homem Nu (1968), Jubiabá (1987), Um Copo de Cólera (1999), As Filhas do Vento (2004), O Vendedor de Passados (2015,), Primavera (2018, o último), e outros.

Com Milton Gonçalves em O Bem Amado (foto: Acervo TV Globo)

No teatro, a atriz destacou-se em peças como O Filho Pródigo (1947), Calígula (1950), Vestido de Noiva (1958), Quarto de Despejo (1961), O Milagre de Anne Sullivan (1967), Passageiros da Estrela (1980), Réquiem para uma Negra (1963) e Anjo Negro (1994), entre outras.

Na década de 1950, atuou no rádio e na televisão. Sua primeira personagem de destaque em novela foi a criada Narcisa em A Deusa Vencida, na TV Excelsior, em 1965. Entre 1968 e 1969, atuou em duas produções da TV Globo: Passo dos Ventos e A Cabana do Pai Tomás, na qual viveu Cloé, mulher do protagonista Pai Tomás, vivido por Sérgio Cardoso (pintado de negro, em um dos mais controversos casos de black face da história da TV brasileira).

Com Adriana Lessa em O Clone (foto: divulgação) | Em Sétimo Sentido (foto: Acervo TV Globo)

Ao longo de seu trabalho em televisão, Ruth de Souza viveu muitas criadas e escravas. Em depoimento ao projeto Memória Globo, ela declarou que os melhores papeis em novela lhe foram dados por Janete Clair e Dias Gomes – como Chiquinha do Parto em O Bem Amado (1973). Na novela Sinhá Moça, Ruth viveu um trabalho marcante: a desmemoriada escrava Balbina, formando uma dupla emocionante com Grande Otelo. A atriz, aliás, participou em três diferentes produções de Sinhá Moça: o filme de 1953, a novela de 1986 e o remake dessa novela, em 2006.

Com Grande Otelo em Sinhá Moça (foto: Acervo TV Globo)

Dona Mocinha, na novela O Clone (2001-2002), é outro trabalho muito lembrado de Ruth de Souza – a avó do clone Léo (Murilo Benício). Destacou-se também nos papeis de duas damas de companhia: Albertina em O Grito (1975-1976), contracenando com Tereza Raquel, e Jerusa em Sétimo Sentido (1982), com Eva Todor. A minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, exibida neste ano de 2019, foi seu último trabalho na TV.

Foram mais de 25 novelas com papeis fixos, mas, lamentavelmente, a grande maioria como coadjuvante. Não é exagero afirmar que a televisão ficou lhe devendo grandes papeis. Ruth de Souza foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz no carnaval carioca de 2019, com o enredo “Ruth de Souza – Senhora liberdade. Abre as asas sobre nós“.

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