Sinopse

Alexandre Veloso é um rapaz inconsequente e arruaceiro que matou um homem em uma tentativa de roubo. Ao fugir da polícia, é delatado pelo irmão Raul e pelo cunhado Téo. O famoso criminalista César Jordão não aceita defendê-lo nos tribunais, pois a vítima era um amigo pessoal. Para ajudá-lo, Alexandre conta apenas com a irmã mais velha, Diná, mulher de Téo, que luta para livrá-lo da cadeia. Até mesmo a namorada Lisa o abandona. Condenado, ele comete suicídio na prisão, amaldiçoando todos que o traíram.

A temperamental Diná Veloso é casada com Téo, um rapaz mais jovem e boa pinta que sofre com o ciúme doentio da mulher, o que coloca o casamento em xeque. Raul Veloso tem um casamento feliz com Andreza e uma boa relação com a sogra, Dona Guiomar, que o trata como filho. Para completar a felicidade do casal, falta um bebê, que os dois lutam para conseguir. Estela Veloso, irmã de Alexandre, Diná e Raul, foi abandonada pelo marido Ismael, um mau-caráter, e criou sozinha a filha Maria Lúcia, que sonha em reencontrar o pai.

A matriarca da família Veloso é Dona Isaura, viúva idosa que tenta se recuperar da perda do filho caçula com a amizade do médico da família, o Dr. Alberto. Espiritualista, Alberto apaixona-se por Estela, mas a relação tem uma barreira: a volta de Ismael, para a alegria de Maria Lúcia. O advogado César Jordão é também amigo do Dr. Alberto. Viúvo, César é pai de dois filhos: Júnior, que quer seguir a sua carreira, e o adolescente Dudu. Após a morte de Alexandre, a vida de todos esses personagens muda drasticamente.

O espírito de Alexandre planeja uma vingança contra os que lhe viraram as costas. Seus alvos são o irmão Raul, o cunhado Téo e o advogado César Jordão. Dona Guiomar, sogra de Raul, influenciada pelo espírito de Alexandre, transforma o casamento do genro e da filha em um inferno até conseguir separá-los. O filho de César, Júnior, deixa de lado os estudos e torna-se um delinquente, tal qual Alexandre fora um dia. E Téo passa a sofrer de surtos que o deixam violento, principalmente depois que se separa de Diná e se envolve com Lisa, ex-namorada de Alexandre.

Contudo, Alexandre não contava que Diná, a única que lhe estendeu a mão, fosse se apaixonar por César Jordão. O Dr. Alberto, adepto do Espiritismo – a doutrina de Allan Kardec -, tenta, por meio de reuniões mediúnicas, conscientizar o espírito de Alexandre do mal que causa às pessoas. O clímax é a morte de César, em um acidente. Diná e ele passam a viver um amor transcendental. Porém, ela adoece e também morre. Juntos em outro plano, em um lugar conhecido como Nosso Lar, os dois tentam neutralizar a má influência de Alexandre sobre seus entes queridos.

Tupi – 20h
de 1º de outubro de 1975
a 27 de março de 1976
141 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
direção de Edison Braga e Atílio Riccó
supervisão geral de Carlos Zara

Novela anterior no horário
Ovelha Negra

Novela posterior
Xeque-Mate

EVA WILMA – Diná Veloso
ALTAIR LIMA – César Jordão
EWERTON DE CASTRO – Alexandre Veloso
TONY RAMOS – Téo (Teófilo)
ELAINE CRISTINA – Lisa
ROLANDO BOLDRIN – Alberto Rezende
IRENE RAVACHE – Estela Veloso
ADRIANO REYS – Raul Veloso
JOANA FOMM – Andreza
CARMINHA BRANDÃO – Dona Guiomar
CARMEM SILVA – Dona Isaura
SERAFIM GONZALEZ – Ismael
SUZY CAMACHO – Maria Lúcia
CARLOS ALBERTO RICCELLI – Júnior (César Jordão Jr.)
ANA ROSA – Carmem
FRANCISCO DI FRANCO – Mauro
DANTE RUI – Agenor
RICARDO BLAT – Helinho
TEREZINHA SODRÉ – Nenê
LÚCIA LAMBERTINI – Cidinha
ABRAHÃO FARC – Tibério
WILMA DE AGUIAR – Fátima
YOLANDA CARDOSO – Dona Josefina
HAROLDO BOTTA – Dudu (Eduardo Jordão)
LEONOR LAMBERTINI – Luísa
ARNALDO WEISS – João
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Daniel
SILVIO ROCHA – Lourenço
ANNAMARIA DIAS – Vera
ARLETE MONTENEGRO – Mariana
CARMEM MARINHO – Renata
MARIA VIANA – Edméa
OSWALDO CAMPOZANA – Jurandir
GERVÁSIO MARQUES – Queiroz
CARLOS EDUARDO (KADU MOLITERNO) – Caíto
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Sombra
JOSÉ PARISI JR. – Lula
TERRY WINTER – Rui
ARNALDO JOSÉ PINTO – Zeca
CUBEROS NETO – Desconhecido
JUDI TEIXEIRA – Francisca
ANTÔNIO PITANGA – Damião
ELZA MARIA – Zulmira
ANITA COUSSEIRO – Glória
ELIZABETH HESSELBARTH – Dolores

a menina ANDRÉA MORALES – Patrícia

e
CLEMENTE VISCAÍNO
ELISA D´AGOSTINO
EUDÓSIA ACUÑA – Natália (do Nosso Lar, irmã de Zé Luiz)
GUILHERME CORRÊA – advogado de defesa no julgamento de Alexandre
JACK MILITELLO – Estevão (do Nosso Lar)
KATE HANSEN – Carlota (do Nosso Lar, dama do Brasil Colonial 2)
LUÍS AMÉRICO
LUIZ ANTÔNIO PIVA – Dr. Tobias
MÁRCIA MARIA – Carlota (do Nosso Lar, dama do Brasil Colonial 1)
NEUZA BORGES – do Nosso lar, escrava de Carlota
OSWALDO MESQUITA – Duarte (chefe de Estela na repartição)
RÉGIS MONTEIRO – Zé Luiz (do Nosso Lar, irmão de Natália)
RICARDO DIAS – Tião Dedo-Mole
RILDO GONÇALVES – promotor no julgamento de Alexandre
ROGACIANO DE FREITAS – Germano (do Nosso Lar)
RUBENS PIGNATARI
SÉRGIO GALVÃO
Antônia (babá de Patrícia)
Isabel (viúva de Waldomiro)
Mãozinha (companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção)
Waldomiro (amigo e compadre de César assassinado por Alexandre)

– núcleo de DINÁ VELOSO (Eva Wilma), mulher bonita e charmosa, muito ligada à família. Sócia de uma butique com a cunhada. Temperamental e impulsiva, vive uma relação conturbada com o marido, bonito e mais jovem, por causa de seu ciúme extremo, o que causa o fim do casamento. Recusa-se a enxergar os maus passos do irmão caçula, a quem sempre defende:
o irmão caçula ALEXANDRE VELOSO (Ewerton de Castro), rapaz rebelde, arruaceiro e inconsequente, mesmo assim protegido por Diná. Matou um homem em uma tentativa de roubo. Preso, foi condenado e suicidou-se na cadeia jurando vingança contra os que o traíram. Em outro plano, seu espírito passa a perseguir aqueles que julga responsáveis pela sua condenação
a mãe DONA ISAURA (Carmem Silva), mulher idosa que necessita de cuidados constantes. Criou quatro filhos, mas tem predileção por Diná, com quem mora, e sofre muito com os problemas causados por Alexandre
a filha pequena PATRÍCIA (Andréa Morales), paparicada por todos da família
a babá de Patrícia, ANTÔNIA, cuida bem da menina
a empregada GLÓRIA (Anita Cousseiro), sempre criticada por Isaura.

– núcleo de CÉSAR JORDÃO (Altair Lima), homem íntegro e justo, viúvo, adorado pelos dois filhos. Descobre que tem uma doença incurável e pouco tempo de vida, mas esconde de todos. Um dos maiores advogados criminalistas do país, atuou na promotoria pela condenação de Alexandre já que a vítima era um amigo pessoal. A princípio, Diná o vê como um inimigo, mas ele acaba apaixonado por ela. Após a separação, Diná passa a aceitar a corte de César e os dois iniciam um romance, que culmina com a morte dele, vítima de um acidente de carro:
os filhos: JÚNIOR (Carlos Alberto Ricceli), bom rapaz, tem o pai como um amigo e ídolo e deseja seguir a sua carreira. Porém, começa a sofrer as interferências do espírito de Alexandre, que quer se vingar de César por meio do filho. Júnior torna-se então um delinquente rebelde, tal qual Alexandre fora em vida,
e DUDU (Haroldo Botta), o caçula. Adora o pai e sente ciúmes quando ele começa a se interessar por Diná, pois a princípio não gosta dela. Porém, Diná acaba lhe conquistando
o amigo e compadre WALDOMIRO, vítima de Alexandre, assassinado no primeiro capítulo
o amigo QUEIROZ (Gervásio Marques), advogado que trabalha em seu escritório
os amigos de Júnior: CAÍTO (Carlos Eduardo-Kadu Moliterno), de caráter duvidoso, uma má influência para Júnior, e LULA (José Parisi Jr.)
a governanta LUÍSA (Leonor Lambertini), dedicada à família, ajudou a criar seus filhos
o jardineiro JOÃO (Arnaldo Weiss), também dedicado ao patrão
a empregada DOLORES (Elizabeth Hasselbarth), tem uma quedinha por Júnior.

– núcleo de TÉO (Tony Ramos), advogado, marido de Diná no início, doze anos mais jovem que ela. Bonito, alegre e carismático, sofre com os ciúmes exagerados da mulher, de quem acaba se separando. Foi uma das pessoas que entregou Alexandre à polícia. Por influência do espírito de Alexandre, começa a sofrer de surtos que lhe causam mudança repentina de humor, deixando-o violento às vezes:
a mãe JOSEFINA (Yolanda Cardoso), enfermeira, com quem Diná tem uma relação distante. Na verdade, Josefina nunca aprovou o casamento do filho e Diná sabe disso
o amigo MAURO (Francisco Di Franco), com quem é sócio em um escritório de advocacia. Bon vivant, mulherengo e de caráter duvidoso. Passa por cima dos outros se for preciso, inclusive de Téo.

– núcleo de LISA (Elaine Cristina), namorada de Alexandre no início. Com seu trabalho de cabeleireira, sustenta a casa, já que o pai não consegue trabalho e o irmão é um sonhador. Moça de boa índole, mas inconformada com seu destino. Deixa-se levar por Alexandre, como fuga dos problemas de casa. Cai em si e passa a não mais aceitar o comportamento do namorado, abandonando-o quando ele vai preso. Chega a namorar Mauro, mas logo conhece Téo, no momento em que o casamento dele e Diná passa pela pior crise. Os dois se apaixonam e precisam enfrentar primeiro Diná e Mauro e, depois, o espírito de Alexandre:
o pai AGENOR (Dante Ruy), de certa idade, não consegue arrumar trabalho e às vezes bebe. Folgado, preguiçoso, reclamão, interesseiro e indolente, vive na dependência da filha
o irmão HELINHO (Ricardo Blat), um tipo sonhador, tem uma banda de música, mas não consegue fazer sucesso nem dinheiro
a melhor amiga CARMEM (Ana Rosa), jovem e bonita, trabalha na butique de Diná e Andreza, mas se disfarça de feia para manter o emprego, pois sabe que a patroa Diná tem ciúmes de qualquer mulher bonita apresentada ao marido Téo. Batalhadora e confiante, é o maior apoio de Lisa. No passado, foi namorada de Mauro, relação que a traumatizou quando descobriu que ele era um mau-caráter
o SOMBRA (Carlos Augusto Strazzer), figura misteriosa que esconde o rosto. No decorrer da trama, é revelado que trata-se de um antigo amor de Carmem que teve o rosto desfigurado em um acidente e a abandonou
os amigos de Helinho na banda: RUI (Terry Winter), com quem a princípio ele rivaliza, e ZECA (Arnaldo José Pinto)
o DESCONHECIDO (Cuberos Neto), que torna-se amigo de Agenor e os dois encontram-se na praça para conversar.

– núcleo de ESTELA VELOSO (Irene Ravache), irmã de Diná com quem tem uma forte ligação, amorosa e sensorial: por telepatia, uma sente quando a outra está próxima. Mulher abnegada, sofrida e orgulhosa que criou a filha sozinha após ter sido abandonada pelo marido mau-caráter. Vigia a filha de perto. Trabalha em uma repartição:
a filha adolescente MARIA LÚCIA (Suzy Camacho), que rebela-se contra a mãe que nunca lhe contou a verdade sobre o pai tê-las abandonado. Idealiza a figura paterna e sonha reencontrar o pai. Quando o pai reaparece, fica do seu lado. Envolve-se com Júnior
o amigo ALBERTO (Rolando Boldrin), médico da família Veloso, primo de Mauro. Já foi apaixonado por Diná, mas acaba arrebatado por Estela. Iniciam uma relação, mas Maria Lúcia é contra porque deseja a mãe ao lado de seu pai. É também o melhor amigo de César. Adepto da doutrina kardecista, faz reuniões mediúnicas em que ora pelo espírito de Alexandre, tentando neutralizar o mal que ele faz às pessoas
o ex-marido ISMAEL (Serafim Gonzalez), mau-caráter que abandonou a família no passado. Vive de negócios escusos. Reaparece disposto a conquistar a confiança da filha, embora não tenha apego por ela, e tentar uma reaproximação com Estela, que o rejeita veementemente. Por sua influência, Maria Lúcia passa a fazer tudo o que Estela condena
a amante de Ismael, RENATA (Carmem Marinho), moça vulgar e interesseira, colega de trabalho de Estela que vive implicando com ela
o chefe na repartição em que trabalha, DUARTE (Oswaldo Mesquita).

– núcleo de RAUL VELOSO (Adriano Reys), irmão mais velho de Diná. De princípios rígidos, entregou Alexandre à polícia juntamente com Téo. Vive um casamento feliz, é adorado pela sogra e sonha em ter um filho. Até que o espírito vingativo de Alexandre passa a prejudicá-lo por meio da sogra, que começa a odiá-lo, minando seu casamento:
a mulher ANDREZA (Joana Fomm), sócia de Diná na butique. Um tanto mimada e insegura. Sofre por achar que não é capaz de ter filhos. Não entende o comportamento da mãe, que muda drasticamente de uma hora para outra
a sogra DONA GUIOMAR (Carminha Brandão), mora na fazenda de sua propriedade, mas visita a filha em São Paulo constantemente. A princípio sua amiga, o tratava como um filho, cobrando do casal um neto. Porém, muda de uma hora para outra e ninguém entende a razão. Com a interferência do espírito de Alexandre, começa a infernizar a vida do casal até conseguir separá-lo
a empregada FRANCISCA (Judi Teixeira)
os caseiros da fazenda de Dona Guiomar, o casal DAMIÃO (Antônio Pitanga) e ZULMIRA (Elza Maria).

– núcleo da pensão de DONA CIDINHA (Lúcia Lambertini), mulher engraçada e supersticiosa. Fofoqueira, não tem papas na língua e mete-se na vida de seus inquilinos. Solteirona, ainda sonha com um amor:
os inquilinos: SEU TIBÉRIO (Abrahão Farc), por quem Cidinha é apaixonada, mas ele nem percebe. Homem reservado e tímido, a princípio tem uma paixão platônica por Estela, com quem trabalha. Todos o acham “esquisitão” porque ele ouve vozes e fala sozinho. Diz que conversa com seu “protetor”, um espírito amigo que está sempre ao seu lado
FÁTIMA (Wilma de Aguiar), dona do salão de beleza onde Lisa trabalha. Bonitona e despachada, disputa com Cidinha as atenções de Tibério,
NENÊ (Teresinha Sodré), namora Helinho no início, mas a relação não vai adiante. Em seguida envolve-se com Júnior. Trabalha na repartição com Estela, Tibério e Renata
EDMÉA (Maria Viana), colega de trabalho de Estela, Tibério, Renata e Nenê. Muito supersticiosa, conhece simpatias e joga o tarô para os amigos
JURANDIR (Oswaldo Campozana), tem uma queda por Fátima.

– núcleo do Nosso Lar, para onde vão os espíritos desencarnados do bem, cenário que surge na trama com a morte de César:
DANIEL (Cláudio Corrêa e Castro), espécie de mentor do lugar
VERA (Annamaria Dias), falecida mulher de César, mãe de Júnior e Dudu
LOURENÇO (Silvio Rocha), MARIANA (Arlete Montenegro) e ESTEVÃO (Jack Militello), assessores de Daniel
CARLOTA (Márcia Maria / Kate Hansen), mulher que foi uma dama do Brasil colonial, e sua escrava (Neuza Borges)
NATÁLIA (Eudósia Acuña), seu irmão ZÉ LUIZ (Régis Monteiro), GERMANO (Rogaciano de Freitas) e outros.

Novela que abordou a vida após a morte baseada na filosofia de Allan Kardec (1804-1869), o codificador do Espiritismo. A autora Ivani Ribeiro usou de sua história e personagens para apresentar detalhes da doutrina kardecista. Foram levantadas e discutidas várias dimensões da crença, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos. Também a comunicação entre vivos e mortos por meio da mediunidade, espíritos encarnados e desencarnados, obsessões, crendices populares, etc.
As irmãs Diná e Estela (Eva Wilma e Irene Ravache), por exemplo, pressentiam quando estavam próximas uma da outra e se comunicavam por telepatia; Tibério (Abrahão Farc) conversava com um espírito que ficava o tempo todo ao seu lado; Dona Cidinha (Lúcia Lambertini) era uma mulher supersticiosa e cheia de crendices; Dona Guiomar, Téo e Tato (Carminha Brandão, Tony Ramos e Carlos Alberto Riccelli) sofriam a influência do espírito maligno de Alexandre (Ewerton de Castro); e o Dr. Alberto (Rolando Boldrin) era um sensitivo que realizava sessões mediúnicas nas quais orava pela alma atormentada de Alexandre.
O ceticismo também foi um debate constante e importante para o desenrolar da trama, principalmente por meio dos personagens Raul e Téo (Adriano Rey e Tony Ramos).

Para escrever a trama da novela, Ivani baseou-se em dois livros psicografados por Chico Xavier (1910-2002), narrados pelo espírito André Luiz: “Nosso Lar” e “E a Vida Continua”, primeira e última obras, respectivamente, da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”, publicada pelo médium entre 1944 e 1968. Também teve a colaboração do professor Herculano Pires (1914-1979), um dos maiores escritores e estudiosos da doutrina kardecista. Ele revisava os capítulos escritos, apontando textos de diálogos ou cenas incompatíveis com a verdade espírita. (**)
A princípio, a autora pensou em adaptar um livro de Chico Xavier. Porém, foi o próprio Chico que sugeriu a Ivani que ela mesma desenvolvesse uma trama que abordasse o tema. (*)
Chico Xavier, Herculano Pires e a autora se reuniram com o elenco antes da estreia. (**)

A TV Tupi aproveitou uma brecha da Globo para rapidamente estrear A Viagem. Naquele ano de 1975, a proibição da novela Roque Santeiro fez com que a Globo reprisasse Selva de Pedra, o que levou a Tupi a apressar o lançamento de sua nova novela, não medindo esforços, chegando a sacrificar a atração anterior no horário, Ovelha Negra, que, como já ia mal de audiência, acabou encurtada.
A campanha promocional de A Viagem contava com um slogan nos cartazes de rua que dizia: “Assista a uma novela inédita com capítulos inéditos”. Referia-se ao fato de Selva de Pedra, na emissora concorrente, ser uma reprise.

Ivani Ribeiro reescreveu A Viagem para a Globo em 1994. Este remake tornou-se um grande sucesso da emissora. Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Guilherme Fontes, Maurício Mattar e Andréa Beltrão viveram os personagens que foram originalmente interpretados na Tupi por Eva Wilma (Diná), Altair Lima (César/Otávio Jordão), Ewerton de Castro (Alexandre), Tony Ramos (Téo) e Elaine Cristina (Lisa).
O ator Cláudio Corrêa e Castro foi o único nas duas versões da novela: na primeira, viveu Daniel, mentor do Nosso Lar, e, na segunda, fez uma participação como o advogado de defesa de Alexandre.

A novela espírita da Tupi enfrentou forte boicote da igreja católica. A emissora teve dificuldades em encontrar uma igreja para realizar o casamento entre Téo e Lisa (Tony Ramos e Elaine Cristina) porque a Cúria Metropolitana de São Paulo havia baixado uma ordem negando qualquer colaboração, alegando que a história se voltava contra os princípios católicos. (*)
Jorge Rizzini, no livro “J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec”, relatou:
“A reação do clero católico foi imediata, mas inútil. Conta nosso confrade jornalista Zair Cansado que, em visita ao interior de Minas Gerais, soubera que os padres ‘visitavam casa por casa advertindo os moradores que não assistissem à diabólica novela da TV Tupi.’ Poderia haver publicidade melhor?”

Ivani Ribeiro se justificou em entrevista a Marcilene Caetano para a revista Melodias (nº 216): (*)
“Com A Viagem quis desvendar o mundo espiritual. Acredito muito em Deus e procurei, antes de tudo, aproximar o homem dele. Mostrando o outro lado da vida, procurei provar que as pessoas não precisam cultivar esse pavor imenso da morte. Torno a dizer: A Viagem é uma novela para ser assistida por católicos, protestantes, espíritas e pessoas de qualquer outra religião, porque sua mensagem maior é caridade, amor a Deus, pureza.”

O jornal “Mensagem”, do Grupo Espírita Cairbar Schutel, dirigido por Herculano Pires, publicou na edição de janeiro e fevereiro de 1976:
“Apesar das muitas facilidades que a televisão oferece, não é fácil transmitir aos telespectadores a imagem real, sem deformações fantasiosas, de um momento de captação extrassensorial. Mas a técnica do Canal 4 [a Tupi], num esforço de comunicação verídica, servindo-se dos recursos de iluminação e efeitos sonoros, vem conseguindo apresentar de maneira convincente as variações mediúnicas da personalidade do médium.” (**)

Em 15/02/1976, faltando pouco mais de um mês para o término da novela, Chico Xavier enviou de Uberaba (MG), onde morava, um telegrama para Ivani Ribeiro:
“Deus abençoe sua nobre iluminada criação, a novela A Viagem, repleta de significação espiritual para nós todos seus patrícios, irmãos e admiradores. Jesus inspire seu elevado trabalho dando reconforto, esperança, paz, esclarecimentos que está distribuindo. Grande abraço, muito respeito, apreços afetuosos e felicitações.” (**)

Com o consentimento de Ivani Ribeiro, Herculano Pires transpôs o enredo da novela para um livro. Dois meses após o fim da trama, chegou às livrarias a versão romanceada de A Viagem, lançada pela editora Bels – dentro da coleção “Grandes Novelas da TV”, que trazia outras cinco adaptações de novelas ou reedições de romances que viraram novelas.

Por seus trabalhos em A Viagem, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) premiou Rolando Boldrin o melhor ator de 1975 (juntamente com Tarcísio Meira, pela novela Escalada), e Eva Wilma e Irene Ravache as melhores atrizes (juntamente com Susana Vieira, por Escalada).
Eva Wilma também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz de 1975.

A Viagem foi a última novela de Ivani Ribeiro como contratada da TV Tupi. Em 1976, a autora assinou com os Estúdios Silvio Santos e escreveu O Espantalho (exibida nas TVs Record e Tupi, que transmitiam o programa dominical de Silvio na época em que ele não tinha ainda o seu próprio canal em rede nacional, o SBT).
O compromisso de Ivani com o “homem do Baú” terminou em 1980 e ela migrou para a TV Bandeirantes. Apesar de um contrato com Silvio Santos, Ivani foi “emprestada” à TV Tupi entre 1977 e 1979, e escreveu duas novelas para a emissora: O Profeta e Aritana.

Último trabalho de Lúcia Lambertini, que faleceu em 23/08/1976, aos 50 anos, vítima de uma parada cardíaca, poucos meses após a finalização da novela. Em A Viagem, Lúcia viveu a engraçada Dona Cidinha (personagem de Nair Bello no remake), um tipo que caiu no gosto popular com o bordão “Fala a verdade!”.

Primeira novela do ator Ricardo Blat, na sequência contratado pela Globo.

Ewerton de Castro interpretou o rebelde e atormentado Alexandre, cujo espírito infernizou alguns personagens. O ator teve de convencer Ivani Ribeiro a ficar com o papel. A princípio, Alexandre lhe foi negado porque ele tinha “cara de bonzinho”. Para Ewerton, havia sido reservado Júnior, o bom filho do advogado César Jordão (Altair Lima). Ao livro “Ewerton de Castro, minha vida na arte, memória e poética” (de Reni Cardoso), o ator revelou:
“Não tive dúvidas. Se o problema é a minha cara, vou ao encontro dela [de Ivani] com a cara de Alexandre. Fui até a sala de maquiagem, coloquei um bigode, botei o cabelo para trás, com gomalina no topete, à la Elvis Presley, blusão de couro, peguei a moto que seria do Alexandre – que eu ainda não sabia dirigir – e fui para a casa da Ivani.
– Quem é? – perguntou a moça que atendeu a porta.
– Diga que é o Alexandre.
Ivani abriu a porta, olhou e disse:
– Ewerton?
– Sim.
– Pode entrar, Alexandre!
E ganhei o papel!”

A atriz Márcia Maria já havia gravado quando caiu doente. Acabou substituída por Kate Hansen no papel de Carlota. O diretor Carlos Zara surgiu em off no capítulo da substituição explicando a mudança de atriz.

O ator Kadu Moliterno (do elenco), antes de ser definitivamente contratado pela Globo (em 1978), assinava Carlos Eduardo nas novelas em que atuou (na Tupi, Record e na própria Globo, anteriormente).

A menina Andréa Morales, que deu vida a Patrícia, a filhinha de Diná e Téo (Eva Wilma e Tony Ramos), era sobrinha-neta de Ivani Ribeiro.

Rogaciano de Freitas, então repórter da revista Amiga, estreava como ator em A Viagem. Na ocasião, recebeu o apelido de “gari celestial”, pois em uma das cenas, seu personagem aparecia varrendo o Nosso Lar, local onde, na trama, moravam os espíritos do bem. (*)

Chegaram às lojas duas versões do LP com a trilha internacional da novela. Houve duas prensagens, uma com a música “You Won´t Have To Tell Me Goodbye” e outra substituindo-a por “Chasing Rainbows”, da mesma banda, Blue Magic. Apesar da substituição nos discos, as capas e os selos dos LPs não foram atualizados: continuaram creditando a faixa como “You Won´t Have To Tell Me Goodbye”, apesar de tocar “Chasing Rainbows”. As duas músicas foram usadas como tema de Diná (Eva Wilma).

A Viagem foi reprisada às 20 horas (em substituição à inédita Como Salvar Meu Casamento, que não teve seu final exibido), de 03/03 a 11/07/1980 (uma semana antes de a emissora fechar definitivamente as suas portas – 18/07/1980).
Para a reapresentação, a Tupi criou uma nova abertura, com imagens surrealistas do artista plástico alemão Paul Wunderlich, com outro tema musical, que não consta nos LPs lançados comercialmente: um mix de duas músicas da banda de rock progressivo The Alan Parsons Project, “Voyager” e “The Eagle Will Rise Again”.

Não confundir A Viagem com outra novela de Ivani Ribeiro: A Grande Viagem, exibida em 1965 pela TV Excelsior – são tramas completamente distintas.

(*) “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva.
(**) “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, Carolline Rodrigues.

Trilha Sonora Nacional

01. MOÇA CRIANÇA – Agepê
02. GANHAR E PERDER – Adriana
03. NOCHE DE RONDA – Gregório Barrios
04. ASSIM, TUDO ESTÁ BEM – Gilbert
05. TENHO – Wilson Miranda
06. BECO SEM SAIDA – Sílvio Caldas
07. PECADO – Gregório Barrios
08. CARTA DE ALFORRIA – Luiz Américo
09. TRISTE ADEUS – Gilbert
10. SE VOCÊ VAI – Márcio Prado
11. PULSARS – Kate Lyra
12. TEMA R – Aloísio Silva (tema geral)

Trilha Sonora Internacional

01. TORNADO – The Wiz (tema de abertura *)
02. GOODBYE MY LOVE, GOODBYE – Danny Stinger (tema de Júnior e Nenê)
03. IO TI PROPOGNO – Iva Zanicchi (tema de Lisa e Téo)
04. YOU WON´T HAVE TO TELL ME GOODBYE – Blue Magic ** (tema de Diná)
04. CHASING RAINBOWS – Blue Magic ** (tema de Diná)
05. SANS AMOUR – Gilbert (tema de Diná e César)
06. PECCATO D’AMORE – Tommy Cooper & The Supersound Crew (tema de Alexandre)
07. NOI INNAMORATI… D’IMPROVVISO – Fred Bongusto (tema de Téo)
08. JUST AS SOON AS THE FEELING’S OVER – Margie Joseph (tema de Alberto e Estela)
09. JUST LIKE YESTERDAY – Sebastian (tema de Júnior e Nenê)
10. I LOVE YOU (NATALIE) – Rosemary (tema de Alexandre e Lisa)
11. AMMAZZATE OH! – Luciano Rossi (tema do núcleo de Lisa)
12. PAOPOP – Enrico Intra (tema de Tibério)

* Em 1980, por ocasião da reprise da novela, a Tupi fez uma nova abertura, com outra música-tema, que não consta nos LPs lançados comercialmente: um mix de duas músicas da banda The Alan Parsons Project, “Voyager” e “The Eagle Will Rise Again”.

** Chegaram às lojas duas versões do LP internacional da novela, uma com a música “You Won´t Have To Tell Me Goodbye” e outra substituindo-a por “Chasing Rainbows”, da mesma banda, Blue Magic. Apesar da substituição nos discos, as capas e os selos dos LPs não foram atualizados: continuaram creditando a faixa como “You Won´t Have To Tell Me Goodbye”, apesar de tocar “Chasing Rainbows”.

Sonoplastia e seleção musical: Laurindo Salvador
Coordenação de produção musical: Alberto Ferreira
Supervisão musical: Cayon Gadia

Veja também

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