Sinopse

Alexandre (Ewerton de Castro) é um playboy inconsequente que matou um homem em um assalto. Ao tentar fugir da polícia, foi delatado pelo irmão Raul (Adriano Reys) e pelo cunhado Téo (Tony Ramos). O famoso criminalista César Jordão (Altair Lima) não aceita defendê-lo nos tribunais, pois a vítima era um amigo pessoal. Para ajudá-lo, Alexandre conta apenas com a irmã mais velha, Diná (Eva Wilma), mulher de Téo, que luta para defendê-lo. Até mesmo a namorada Lisa (Elaine Cristina) o abandonou. Condenado, o rapaz acaba cometendo suicídio na prisão, amaldiçoando todos que o traíram.

A personalística Diná é casada com Téo, um rapaz mais jovem e boa pinta que sofre com o ciúme doentio da mulher, o que coloca o casamento em xeque. A mãe doente, Dona Isaura (Carmem Silva), tenta se recuperar da perda do filho caçula com a amizade do médico da família, o Dr. Alberto (Rolando Boldrin). Ele é um médico espiritualista, apaixonado por Estela (Irene Ravache), a outra filha de Isaura, uma mulher sofrida. Abandonada pelo marido Ismael (Serafim Gonzalez), um mau caráter, Estela criou sozinha a filha Maria Lúcia (Suzy Camacho), uma garota que sonha em reencontrar o pai. Raul, irmão de Alexandre, Diná e Estela, tem um casamento feliz com Andreza (Joana Fomm) e uma boa relação com a sogra, Dona Guiomar (Carminha Brandão), que o trata como um filho. Para completar a felicidade do casal, falta um bebê, que os dois lutam para conseguir.

O advogado César Jordão é também amigo do Dr. Alberto. Viúvo, é pai de dois filhos: Júnior (Carlos Alberto Riccelli), que quer seguir sua carreira, e o garoto Dudu (Haroldo Botta). Após a morte de Alexandre, a vida de todos esses personagens muda drasticamente. O espírito do rapaz planeja uma vingança contra os que o fizeram sofrer. Seus principais alvos são o irmão Raul, o cunhado Téo e o advogado César Jordão. Dona Guiomar, a sogra de Raul, influenciada pelo espírito de Alexandre, transforma o casamento do genro e da filha em um inferno, até que consegue separá-los. O filho de César, Júnior, deixa de lado os estudos e se torna um delinquente, tal qual Alexandre fora um dia. E Téo passa a sofrer de surtos que o deixam violento, principalmente depois que se separa de Diná e se envolve com Lisa, a antiga namorada de Alexandre.

Mas Alexandre não contava que Diná, a única que lhe estendeu a mão, fosse se apaixonar por César, o seu maior desafeto. Quem percebe tudo o que está acontecendo é o Dr. Alberto, adepto do Espiritismo, a doutrina de Allan Kardec. Através de reuniões mediúnicas, ele tenta livrar o espírito atormentado de Alexandre do mal que causa às pessoas. O clímax é a morte de César, em um acidente. Diná e ele passam a viver um amor transcendental que a tudo supera. Mas ela acaba por adoecer e também morre. Finalmente juntos em outro plano, em um lugar conhecido como Nosso Lar, os dois tentam neutralizar a má influência de Alexandre sobre suas vítimas.

Tupi – 20h
de 1º de outubro de 1975
a 27 de março de 1976
141 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
direção de Edison Braga e Atílio Riccó
supervisão geral de Carlos Zara

Novela anterior no horário
Ovelha Negra

Novela posterior
Xeque-Mate

EVA WILMA – Diná Veloso
ALTAIR LIMA – César Jordão
TONY RAMOS – Téo
ELAINE CRISTINA – Lisa
EWERTON DE CASTRO – Alexandre
ROLANDO BOLDRIN – Alberto
IRENE RAVACHE – Estela
ADRIANO REYS – Raul
JOANA FOMM – Andreza
CARMINHA BRANDÃO – Dona Guiomar
CARMEM SILVA – Dona Isaura
SERAFIM GONZALEZ – Ismael
ANA ROSA – Carmem
LÚCIA LAMBERTINI – Cidinha
ABRAHÃO FARC – Tibério
DANTE RUI – Agenor
CARLOS ALBERTO RICCELLI – Júnior
TEREZINHA SODRÉ – Nenê
SUZY CAMACHO – Maria Lúcia
RICARDO BLAT – Hélio
FRANCISCO DI FRANCO – Mauro
YOLANDA CARDOSO – Dona Josefina
HAROLDO BOTTA – Dudu
LEONOR LAMBERTINI – Luísa
ARNALDO WEISS – João
WILMA AGUIAR – Fátima
OSWALDO CAMPOZANA – Jurandir
CARMEM MARINHO – Renata
MARIA VIANA – Edméa
OSWALDO MESQUITA – Duarte
GERVÁSIO MARQUES – Queiróz
TERRY WINTER – Rui
ANITA COUSSEIRO – Maria
JUDI TEIXEIRA – Francisca
ANTÔNIO PITANGA – Damião
ELZA MARIA – Zulmira
ELIZABETH HESSELBARTH – Dolores
CARLOS EDUARDO (KADU MOLITERNO) – Caíto
JOSÉ PARISI JR. – Lula
ARNALDO JOSÉ PINTO – Zeca
a menina ANDRÉA MORALES – Patrícia
e
ANNAMARIA DIAS – Verônica (do Nosso Lar, primeira mulher de César)
ARLETE MONTENEGRO – Mariana (do Nosso Lar)
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Sombra
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Daniel (do Nosso Lar)
CLEMENTE VISCAÍNO
CUBEROS NETO – Desconhecido
ELISA D´AGOSTINO
EUDÓSIA ACUÑA – Natália (do Nosso Lar)
GUILHERME CORRÊA – advogado de defesa no julgamento de Alexandre
JACK MILITELLO
KATE HANSEN – Carlota (do Nosso Lar, dama do Brasil Colonial 2)
LUÍS AMÉRICO
LUIZ ANTÔNIO PIVA – Dr. Tobias
MÁRCIA MARIA – Carlota (do Nosso Lar, dama do Brasil Colonial 1)
NEUZA BORGES – do Nosso lar, escrava de Carlota
RÉGIS MONTEIRO – Zé Luiz (do Nosso Lar)
RICARDO DIAS – Tião Dedo-Mole
RILDO GONÇALVES – promotor no julgamento de Alexandre
ROGACIANO DE FREITAS – Germano (do Nosso Lar)
RÚBENS PIGNATARI
SÉRGIO GALVÃO
SILVIO ROCHA – Lourenço (do Nosso Lar)
Antônia (babá de Patrícia)
Glória (empregada de Diná)

– núcleo de DINÁ (Eva Wilma), mulher bela, charmosa e de temperamento forte:
o marido TÉO (Tony Ramos), arquiteto, mais jovem e boa pinta, de quem tem um ciúme doentio, o que põe o casamento em crise
a filha pequena PATRÍCIA (Andréa Morales)
a mãe DONA ISAURA (Carmem Silva), mulher idosa que necessita de cuidados contantes
o irmão caçula ALEXANDRE (Ewerton de Castro), delinquente que após ter matado um homem, é condenado. Suicida-se na prisão e seu espírito passa a perseguir as pessoas responsáveis por sua condenação
a sogra DONA JOSEFINA (Yolanda Cardoso), mãe de Téo, com quem vive implicando
a babá de Patrícia, ANTÔNIA
a empregada GLÓRIA.

– núcleo de CÉSAR JORDÃO (Altair Lima), um dos maiores advogados criminalistas do país. Foi o responsável pela condenação de Alexandre. A princípio, Diná o vê como um inimigo, mas os dois acabam apaixonados depois que ela e Téo se separam. Morre no decorrer da trama, vítima de um acidente de carro:
os filhos JÚNIOR (Carlos Alberto Riccelli), um bom rapaz que deseja seguir a carreira do pai, mas que acaba tornando-se um delinquente por interferência do espírito de Alexandre,
e o adolescente DUDU (Haroldo Botta), o caçula
o amigo QUEIRÓZ (Gervásio Marques), advogado
a governanta LUÍSA (Leonor Lambertini), que ajudou a criar os seus filhos
o jardineiro JOÃO (Arnaldo Weiss)
a empregada DOLORES (Elizabeth Hasselbarth), tem uma quedinha por Júnior
os amigos de Júnior, CAÍTO (Carlos Eduardo) e LULA (José Parisi Jr.).

– núcleo de ESTELA (Irene Ravache), irmã de Diná, mulher sofrida que criou a filha sozinha após ter sido abandonada pelo marido mau-caráter. Trabalha em um escritório:
a filha adolescente MARIA LÚCIA (Suzy Camacho), que sonha em encontrar o pai, o que gera um conflito com a mãe
o amigo ALBERTO (Rolando Boldrin), médico da família, apaixonado por ela. Adepto da doutrina kardecista, ora pelo espírito de Alexandre, tentando neutralizar o mal que ele faz às pessoas
o ex-marido ISMAEL (Serafim Gonzalez), um mau-caráter que abandonou a família no passado. Reaparece para conquistar a filha e tentar uma reaproximação com Estela, que o rejeita veementemente
as colegas de trabalho: RENATA (Carmem Marinho), fútil e interesseira, envolve-se com Ismael, e EDMÉA (Maria Viana), mulher supersticiosa
o chefe no escritório, DUARTE (Oswaldo Mesquita).

– núcleo de RAUL (Adriano Reys), irmão de Diná, que, juntamente com Téo, entregou Alexandre à polícia. Vive um casamento feliz e sonha em ter um filho, até que o espírito de Alexandre passa a prejudicá-lo:
a esposa ANDREZA (Joana Fomm), sócia de Diná em uma butique. Sofre por não poder ter filhos
a sogra DONA GUIOMAR (Carminha Brandão), a princípio sua amiga, o trata como um filho. Passa a sofrer a interferência do espírito de Alexandre e inferniza a vida do casal até conseguir separá-los
a empregada FRANCISCA (Judi Teixeira)
os caseiros da fazenda de Dona Guiomar, o casal DAMIÃO (Antônio Pitanga) e ZULMIRA (Elza Maria).

– núcleo de LISA (Elaine Cristina), namorada de Alexandre no início. Cabeleireira, de família humilde. Com boa índole, não aceita o comportamento do namorado, por isso o abandona, gerando a antipatia de Diná consigo. Acaba apaixonada por Téo. O namoro dos dois põe fim ao casamento dele com Diná:
o pai AGENOR (Dante Ruy), aposentado, folgado, vive reclamando que não pode trabalhar
o irmão HÉLIO (Ricardo Blat), que tem um conjunto musical, apaixonado por Maria Lúcia
o amigo de Hélio, ZECA (Arnaldo José Pinto)
o DESCONHECIDO (Cuberos Neto), que torna-se amigo de Agenor e os dois encontram-se na praça para conversar.

– núcleo de CARMEM (Ana Rosa), amiga e confidente de Lisa. Trabalha na butique de Diná e Andreza, onde se passa por feia para preservar o emprego, pois sabe que a patroa Diná tem ciúmes de toda mulher bonita que se aproxima do marido Téo:
o mau-caráter MAURO (Francisco di Franco), com quem se envolveu no passado. Continua a assediando. É colega de trabalho de Téo
RUI (Terry Winter), a disputa com Mauro.

– núcleo da pensão de DONA CIDINHA (Lúcia Lambertini), mulher engraçada e supersticiosa. Solteirona, ainda sonha com um amor. Os pensionistas:
SEU TIBÉRIO (Abrahão Farc), por quem é apaixonada, mas ele nem percebe. Homem reservado e tímido, tem uma paixão platônica por Estela, com quem trabalha
FÁTIMA (Wilma de Aguiar), dona do salão de beleza onde Lisa trabalha. Sua amiga, disputa com ela as atenções de Tibério. Agenor tem uma queda por ela
NENÊ (Terezinha Sodré), moça honesta, do interior. Trabalha no mesmo escritório que Tibério e Estela. Cortejada por Júnior, os dois começam a namorar
JURANDIR (Oswaldo Camponaza), passa a namorar Fátima.

– núcleo do Nosso Lar, para onde vão os espíritos desencarnados, cenário que surge na trama com a morte de César:
VERÔNICA (Anamaria Dias), primeira mulher de César
DANIEL (Cláudio Corrêa e Castro) e seu assessor LOURENÇO (Silvio Rocha), recebem os espíritos desencarnados
CARLOTA (Márcia Maria / Kate Hansen), mulher que foi uma dama do Brasil colonial, e sua escrava (Neuza Borges)
MARIANA (Arlete Montenegro), NATÁLIA (Eudosia Acuña), ZÉ LUIZ (Régis Monteiro) e GERMANO (Rogaciano de Freitas).

A novela tratou da vida após a morte, baseando-se no Espiritismo, a filosofia de Allan Kardec (1804-1869). A autora, Ivani Ribeiro, usou de sua história e personagens para apresentar detalhes da doutrina kardecista. Foram levantadas todas as dimensões da crença, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos. Também a comunicação entre vivos e mortos através da mediunidade, espíritos encarnados e desencarnados, possessões, crendices populares, etc.

As irmãs Diná e Estela (Eva Wilma e Irene Ravache), por exemplo, pressentiam quando estavam próximas uma da outra. Tibério (Abrahão Farc) conversava com um espírito amigo que ficava todo o tempo ao seu lado. Dona Cidinha (Lúcia Lambertini) era uma mulher do povo, supersticiosa e cheia de crendices. Dona Guiomar, Téo e Júnior (Carminha Brandão, Tony Ramos e Carlos Alberto Riccelli) sofriam a possessão do espírito maligno de Alexandre (Ewerton de Castro). O Dr. Alberto (Rolando Boldrin) era um sensitivo que fazia reuniões e rezava pela alma atormentada de Alexandre.

Ivani Ribeiro baseou-se nos livros E a Vida Continua e Nosso Lar ditados pelo espírito de André Luiz a Chico Xavier (1910-2002). Também teve a colaboração do professor Herculano Pires (1914-1979), considerado um dos maiores escritores e estudiosos da doutrina kardecista. Ele revisava os capítulos escritos, apontando textos de diálogos ou cenas incompatíveis com a verdade espírita. (**)

A princípio, a autora pensou em adaptar um livro de Chico Xavier. Mas foi o próprio Chico que sugeriu a Ivani que ela desenvolvesse uma trama própria que abordasse o tema. (*)
Chico Xavier, Herculano Pires e a autora se reuniram com o elenco antes da estreia. (**)

Naquele ano de 1975, a proibição da novela Roque Santeiro fez com que a Globo reprisasse Selva de Pedra. A Tupi aproveitou o acontecido e, depressa, lançou A Viagem. Não mediu esforços, chegando a sacrificar a atração anterior no horário, Ovelha Negra, que acabou encurtada.
A campanha promocional de A Viagem contava com um slogan nos cartazes de rua que dizia: “Assista a uma novela inédita com capítulos inéditos”. Referia-se ao fato de Selva de Pedra, na emissora concorrente, ser uma reprise.

Ivani Ribeiro reescreveu A Viagem para a Globo em 1994. Este remake tornou-se um grande sucesso da emissora. Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Maurício Mattar, Andréa Beltrão e Guilherme Fontes viveram os personagens que foram originalmente interpretados na Tupi por Eva Wilma, Altair Lima, Tony Ramos, Elaine Cristina e Ewerton de Castro.

A Tupi teve dificuldades em encontrar uma igreja para realizar o casamento entre Téo e Lisa (Tony Ramos e Elaine Cristina). Na época, a Cúria Metropolitana baixou uma ordem negando qualquer colaboração com a novela, alegando que a história se voltava contra os princípios católicos. (*)
Jorge Rizzini, no livro “J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec”, relatou:
“A reação do clero católico foi imediata, mas inútil. Conta nosso confrade jornalista Zair Cansado que em visita ao interior de Minas Gerais soubera que os padres ‘visitavam casa por casa advertindo os moradores que não assistissem à diabólica novela da TV Tupi.’ Poderia haver publicidade melhor?”

Ivani Ribeiro em entrevista a Marcilene Caetano para a Revista Melodias nº 216: (*)
“Com A Viagem quis desvendar o mundo espiritual. Acredito muito em Deus e procurei, antes de tudo, aproximar o homem dele. Mostrando o outro lado da vida, procurei provar que as pessoas não precisam cultivar esse pavor imenso da morte. Torno a dizer: A Viagem é uma novela para ser assistida por católicos, protestantes, espíritas e pessoas de qualquer outra religião, porque sua mensagem maior é caridade, amor a Deus, pureza.”

Primeira novela do ator Ricardo Blat, na sequência contratado pela Globo.

Último trabalho de Lúcia Lambertini, que faleceu em 23/08/1976, poucos meses após a finalização da novela. Em A Viagem, Lúcia viveu a engraçada Dona Cidinha, um tipo que caiu no gosto popular com o bordão “fala a verdade!”.

Ewerton de Castro interpretou o atormentado Alexandre, cujo espírito inferniza alguns personagens. O ator teve que convencer Ivani Ribeiro a ganhar o papel. A princípio, Alexandre lhe foi negado porque ele tinha “cara de bonzinho”. Para Ewerton, havia sido reservado Júnior, o bom filho do advogado César Jordão (Altair Lima). Ao livro “Ewerton de Castro, minha vida na arte, memória e poética” (de Reni Cardoso), o ator revelou:
“Não tive dúvidas. Se o problema é a minha cara, vou ao encontro dela [de Ivani] com a cara de Alexandre. Fui até a sala de maquiagem, coloquei um bigode, botei o cabelo para trás, com gomalina no topete, à la Elvis Presley, blusão de couro, peguei a moto que seria do Alexandre – que eu ainda não sabia dirigir – e fui para a casa da Ivani.
– Quem é? – perguntou a moça que atendeu a porta.
– Diga que é o Alexandre.
Ivani abriu a porta, olhou e disse:
– Ewerton?
– Sim.
– Pode entrar, Alexandre!
E ganhei o papel!”

A atriz Márcia Maria já havia gravado quando caiu doente. Acabou substituída por Kate Hansen. O diretor Carlos Zara apareceu em off no capítulo da substituição explicando a mudança de atriz.

O ator Kadu Moliterno (do elenco), antes de ser definitivamente contratado pela Globo (em 1978), assinava Carlos Eduardo nas novelas onde trabalhou (na Tupi, Record e na própria Globo anteriormente).

A menina Andréa Morales, que deu vida a Patrícia, a filhinha de Diná e Téo (Eva Wilma e Tony Ramos), era sobrinha-neta de Ivani Ribeiro.

Rogaciano de Freitas, então repórter da Revista Amiga, estreava como ator em A Viagem. Na ocasião, recebeu o apelido de “gari celestial”, pois em uma das cenas, seu personagem aparecia varrendo o Nosso Lar, local onde moravam os espíritos do bem. (*)

Não confundir A Viagem com outra novela de Ivani Ribeiro: A Grande Viagem (Excelsior, 1965) – são tramas completamente distintas.

A Viagem foi a última novela de Ivani Ribeiro como contratada da TV Tupi. Em 1976, a autora assinou com os Estúdios Silvio Santos e escreveu O Espantalho (exibida nas TVs Record e Tupi, que transmitiam o programa dominical de Silvio). Seu compromisso com o “homem do Baú” terminou em 1980 e Ivani migrou para a TV Bandeirantes. Apesar de um contrato com Silvio Santos, Ivani foi “emprestada” à Tupi entre 1977 e 1979, e escreveu duas novelas para a emissora: O Profeta e Aritana.

O jornal “Mensagem”, do Grupo Espírita Cairbar Schutel, dirigido por Herculano Pires, publicou na edição de janeiro e fevereiro de 1976:
“Apesar das muitas facilidades que a televisão oferece, não é fácil transmitir aos telespectadores a imagem real, sem deformações fantasiosas, de um momento de captação extrassensorial. Mas a técnica do Canal 4 [a Tupi], num esforço de comunicação verídica, servindo-se dos recursos de iluminação e efeitos sonoros, vem conseguindo apresentar de maneira convincente as variações mediúnicas da personalidade do médium.” (**)

Pouco mais de um mês antes do término da novela, em 15/02/1976, Chico Xavier enviou de Uberaba (MG), onde morava, um telegrama para Ivani Ribeiro:
“Deus abençoe sua nobre iluminada criação, a novela A Viagem, repleta de significação espiritual para nós todos seus patrícios, irmãos e admiradores. Jesus inspire seu elevado trabalho dando reconforto, esperança, paz, esclarecimentos que está distribuindo. Grande abraço, muito respeito, apreços afetuosos e felicitações.” (**)

Com o consentimento de Ivani Ribeiro, Herculano Pires transpôs o enredo da novela para um livro. Dois meses após o fim da trama, chegou às livrarias a versão romanceada de A Viagem, lançada pela editora Bels.

Por seus trabalhos na novela, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) premiou Rolando Boldrin o melhor ator de 1975 (juntamente com Tarcísio Meira, por Escalada) e Eva Wilma e Irene Ravache as melhores atrizes (juntamente com Susana Vieira, por Escalada).
Eva Wilma também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz de 1975.

A Viagem foi reprisada às 20 horas (em substituição à inédita Como Salvar Meu Casamento, que não teve seu final exibido), de 3 de março a meados de julho de 1980, quando a emissora fechou definitivamente as suas portas, deixando essa reprise inacabada. Para esta reprise, a Tupi criou uma nova abertura, com outro tema musical.

(*) “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva, Giz Editorial, 2007.
(**) “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, Carolline Rodrigues, Editora Novo Século, 2018.

Trilha Sonora Nacional

viagem75t1
01. MOÇA CRIANÇA – Agepê
02. GANHAR E PERDER – Adriana
03. NOCHE DE RONDA – Gregório Barrios
04. ASSIM, TUDO ESTÁ BEM – Gilbert
05. TENHO – Wilson Miranda
06. BECO SEM SAIDA – Sílvio Caldas
07. PECADO – Gregório Barrios
08. CARTA DE ALFORRIA – Luiz Américo
09. TRISTE ADEUS – Gilbert
10. SE VOCÊ VAI – Márcio Prado
11. PULSARS – Kate Lyra
12. TEMA R – Aloísio Silva (tema geral)

Trilha Sonora Internacional

viagem75t2
01. TORNADO – The Wiz (tema de abertura *)
02. GOODBYE MY LOVE, GOODBYE – Danny Stinger (tema de Júnior e Nenê)
03. IO TI PROPOGNO – Iva Zanicchi (tema de Lisa e Téo)
04. YOU WON’T HAVE TO TELL ME GOODBYE – Blue Magic (tema de Diná)
05. SANS AMOUR – Gilbert (tema de Diná e César)
06. PECCATO D’AMORE – Tommy Cooper & The Supersound Crew (tema de Alexandre)
07. NOI INNAMORATI… D’IMPROVVISO – Fred Bongusto (tema de Téo)
08. JUST AS SOON AS THE FEELING’S OVER – Margie Joseph (tema de Alberto e Estela)
09. JUST LIKE YESTERDAY – Sebastian (tema de Júnior e Nenê)
10. I LOVE YOU (NATALIE) – Rosemary (tema de Alexandre e Lisa)
11. AMMAZZATE OH! – Luciano Rossi (tema do núcleo de Lisa)
12. PAOPOP – Enrico Intra (tema de Tibério)

* Em 1980, por ocasião da reprise da novela, a Tupi fez uma nova abertura, com outra música-tema, que não consta nos LPs lançados comercialmente: um mix de duas músicas da banda The Alan Parsons Project, “Voyager” e “The Eagle Will Rise Again”.

Sonoplastia e seleção musical: Laurindo Salvador
Coordenação de produção musical: Alberto Ferreira
Supervisão musical: Cayon Gadia

Veja também

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O Profeta (1977)

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Mulheres de Areia (1973)

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Os Inocentes

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A Barba Azul

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A Viagem (1994)