Sinopse

Ficção e realidade se fundem em agosto de 1954, no Rio de Janeiro. A ação tem início no primeiro dia do mês, quando o empresário Paulo Gomes de Aguiar é assassinado em seu luxuoso apartamento, durante o sexo. O comissário de polícia Alberto Matos é o encarregado do caso que, a princípio, pode parecer banal, mas envolve muito mais do que aparenta, vai muito além de um mero crime sexual.

Esse crime isolado, ao final, está intimamente ligado ao Atentado da Rua Tonelero, em Copacabana, contra o jornalista e político Carlos Lacerda, no qual é morto o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz. Fecha-se o cerco em torno do então presidente Getúlio Vargas, em meio a uma forte campanha oposicionista, liderada por Lacerda. Na noite do dia 23 de agosto, quando o comissário Matos finalmente descobre o assassino de Paulo, realiza-se a última reunião ministerial. Na manhã seguinte, Vargas se mata.

O comissário Matos é um homem ambíguo e de personalidade complexa. Um policial honesto e íntegro, sem meias palavras, em uma polícia corrupta. Matos não é bem visto em seu ambiente de trabalho e suas investigações afetam o cotidiano das propinas que circulam pela delegacia. Consumido por uma úlcera e por conflitos amorosos, ele se divide entre duas belas mulheres: Alice, sua namorada da juventude, e Salete, a quem não consegue amar plenamente.

A bela e ingênua Salete, ex-prostituta que vive com o político corrupto Luiz Magalhães uma relação sem estrutura emocional, não sabe se comportar na reluzente sociedade, por ser uma moça simples e sem estudo, sentindo-se deslocada e só. Ainda mais porque, totalmente apaixonada por Matos, não o vê retribuir o sentimento.

De família rica, Alice é uma mulher desequilibrada emocionalmente. Na juventude, foi proibida pelos pais de se casar com Matos, tendo de se unir ao empresário Pedro Lomagno. Em meio às investigações, Alice e Matos se reencontram e voltam a se relacionar, mas ela acaba sendo internada em uma clínica psiquiátrica pelo marido. Pedro Lomagno e a amante Luciana Gomes de Aguiar, foram os mandantes do assassinato de Paulo, marido de Luciana.

Matos é ainda designado para investigar a morte de Getúlio Vargas. E, após constatar o suicídio do presidente, fica transtornado. Em um ato inesperado, sob a emoção dos acontecimentos, permite a fuga dos presos de sua delegacia. Ao final, Matos se declara a Salete, mas ambos são assassinados. Pádua, comissário na mesma repartição, prossegue investigando a morte de seu colega.

Globo – 22h30
de 24 de agosto a 17 de setembro de 1993
16 capítulos

minissérie de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil
baseada no romance homônimo de Rubem Fonseca
direção de Paulo José, Denise Saraceni e José Henrique Fonseca
direção geral de Paulo José

JOSÉ MAYER – Comissário Alberto Matos
LETÍCIA SABATELLA – Salete
VERA FISCHER – Alice
JOSÉ WILKER – Pedro Lomagno
LÚCIA VERÍSSIMO – Luciana Gomes de Aguiar
NORTON NASCIMENTO – Chicão
TONY TORNADO – Gregório Fortunato, o Anjo Negro
MARCOS WINTER – Cláudio Aguiar
SÉRGIO MAMBERTI – Senador Victor Freitas
RODOLFO BOTTINO – Clemente
HUGO CARVANA – Luiz Magalhães
CARLOS VEREZA – Comissário Pádua
STÊNIO GARCIA – Delegado Ramos
ELIAS GLEIZER – Rosalvo
PAULO GRACINDO – Emílio
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Ilídio
LIMA DUARTE – Turco Velho (Ibrahim Assad)
MÁRIO LAGO – Aniceto
MILTON GONÇALVES – Euzébio
ARY FONTOURA – Ipojuca
OTHON BASTOS – Dr. Galvão
SILVIA BANDEIRA – Laura
RÉGIS DE SORI – Alcino João do Nascimento
ARTUR FARIA – Climério Euribes de Almeida
TADEU DI PIETRO – Nelson Raimundo de Souza
FRANCISCO DE CARVALHO – Raimundo (zelador do prédio onde Pedro Gomes de Aguiar foi encontrado morto)
SOLANGE COUTO – Tereza (mulher de Raimundo)
NELSON DANTAS – Carlos
IVAN CÂNDIDO – Miro
LÉA GARCIA – Sebastiana (mãe de Salete)
CARVALHINHO – Almeidinha (copeiro no bordel de Laura)
FRANCISCO DE ASSIS – Teodoro
CLEMENTE VISCAÍNO – Inspetor Valente
NILDO PARENTE – Delegado Pastor
FERNANDO EIRAS – José Silva
MÁRIO BORGES – Pascoal
FLORIANO PEIXOTO – Capitão Ranildo
ANTÔNIO GONZALEZ – Major Dorneles
WALNEY COSTA – Major Fittipaldi
CLÁUDIO GRADIM – Major Fraga
THELMA RESTON – Dona Maria
CARLOS GREGÓRIO – Maia
ANTÔNIO PETRIN – Dr. Leonídio

e
ADELE FÁTMA – Zuleika
ADRIANA CARNEIRO – Nilda
AFONSO DUMONT – advogado do casal na delegacia
AGUINALDO ROCHA – garçom que dá informações a Rosalvo
AMIR HADDAD – amolador de facas testemunha do “suicídio” do Cláudio Aguiar
ANA JULIÃO – Honorina
BRÁULIO SERNEDO – veterano
CARLITO FERREIRA – Russo
CARLOS BERNARDO FERREIRA – Presidente Getúlio Vargas
CARLOS CABRAL – Carlos Lacerda
CARMEM CAROLINE – Aninha
CARMEM COSTA – Mãe Ingrácia (mãe de santo)
CHAGUINHA – vizinho de Matos
CHICO HIGINO – Celso
CLÁUDIO DE FREP – enfermeiro
COLÉ – Kid Terremoto
CREUZA DE CARVALHO – Dona Dulce
CRISTINA RAIBOLT – Abigail
EDUARDO ARBEX – Papa-Defunto
ELDER REIS – soldado
ELIO PENTEADO – Genivaldo
EXPEDITO BARREIRA – Genésio
FERNANDA LOBO
FRANCISCO DANTAS – síndico do prédio onde mora o Senador Victor Freitas
FRANCISCO OITICICA – contínuo do Palácio do Catete
GUILHERME CORRÊA – conversa com Matos no local da morte de Cláudio
GUILHERME MARTINS – médico que trata a úlcera de Matos
GUTO SINVAL – Nogueira
HUMBERTO CAULO – Severino
ISABELA REINERT – Helena
IVAN DE ALMEIDA – motorista de Ilídio
IVO FERNANDES – Adil
IVONE GOMES – faxineira
JAIME LEIBOVITCH – Dr. Arnoldo Coelho (médico de Alice)
JOMBA – José
JORGE COUTINHO – Pai Miguel (pai de santo)
JORGE LUCAS (JORGE COSTA) – Feijoada Completa
JURANDIR OLIVEIRA – Simplício
LEÔNIDAS AGUIAR – Oscar
LUÍS SÉRGIO LIMA E SILVA – preso
MARCELO BRAGANÇA – Cegueta
MARIA ADÉLIA FERREIRA – Cida (amiga de Salete)
MARIA CEIÇA – Cleyde
MÁRIO ROBERTO – Oliveira (escrivão da delegacia)
MARLY BUENO – modista
MIGUEL ABRÃO – garçom da churrascaria
MIGUEL ROSEMBERG – lidera uma reunião na empresa com Pedro Lomagno
MIGUEL ROSEMBLIT – Rafael
OTÁVIO BRASIL – capitão
OTÁVIO DE CARVALHO – Fuinha
PAULO FERNANDO – Paulo Gomes de Aguiar (marido de Luciana, assassinado no primeiro capítulo)
PAULO VESPÚCIO – Maranhão
PAULO VILANUEVA – Egon
PAULO WEUDES – porteiro
PEDRO PAULO PUGLIESE – barbeiro
RAUL LABANCA – Naval
REGIANA ANTONINI – recepcionista
RODRIGO BRUNO – jornalista
ROGÉRIO FRANÇA – soldado no Palácio do Catete
RÔMULO MARINHO – Niemayer
ROSITA TOMAZ LOPES – mãe de Alice
SAMIR MURAD – Murilo
SEBASTIÃO LEMOS – Manoel (copeiro do Palácio do Catete)
SHIMONN NAHMIAS – homem no dancing, quando Rosalvo tira Cleyde para dançar
SONAIRA D’ÁVILA – mulher na delegacia
TÂNIA DIAS – empregada
THOMAS BAKK – Odorico
VERA PÁDUA – Cremilda
VITOR FABIANO – maître
WALDEMAR BERDITCHEVSKY – garçom
WALDIR AMÂNCIO – Robledo
WILSON RABELO – homem na delegacia
ZÉLIA CERICOLA – mãe de Turco Velho

Em perfeita reconstituição de época, a minissérie Agosto, baseada no livro homônimo de Rubem Fonseca, misturou ficção e realidade em uma trama policial histórica, tendo como ponto de partida o Atentado da Rua Tonelero e abrangendo o último e traumático mês de governo do Presidente Getúlio Vargas, que culminou com o seu suicídio, com um tiro no coração, no dia 24 de agosto de 1954.
A minissérie estreou em 24/08/1993, exatos 39 anos após a morte de Vargas.

Com um roteiro fantástico, adequadamente adaptado, e com direção segura, Agosto é um desses produtos televisivos capazes de imortalizar todos os que fizeram parte da minissérie. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Grande e perfeito projeto da Rede Globo que recriou a vida cotidiana do Rio de Janeiro dos anos 1950, com perfeição absoluta na cenografia, figurinos e comportamento.

Os únicos personagens históricas que ganharam intérpretes foram os que acabaram condenados pelo Atentado da Rua Tonelero: Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Vargas, magistralmente interpretado por Tony Tornado; Climério Euribes de Almeida (Artur Faria), membro da guarda do presidente; e o pistoleiro Alcino João do Nascimento (Régis de Sori); além de Nelson Raimundo de Souza (Tadeu di Pietro), motorista de táxi que conduziu os dois últimos até o local do crime.
Para representar Carlos Lacerda e Getúlio Vargas – que apareceram na minissérie apenas de relance -, foram contratados os figurantes Carlos Cabral, como Lacerda, e Carlos Bernardo Ferreira, muito parecido com o ex-presidente.

Indignado com a reconstituição do atentado a Carlos Lacerda, o assassino confesso do major Rubens Florentino Vaz, Alcino João do Nascimento, entrou com um pedido de liminar na 1º Vara Cível do Rio de Janeiro para suspender a exibição de Agosto, alegando uso indevido de imagem. O juiz Amaral Gualda acolheu o pedido. Porém, diante dos argumentos da emissora – de que a minissérie era baseada em fatos históricos e em depoimentos registrados -, o juiz desconsiderou a decisão e revogou a liminar.

O elenco, de grandes nomes, muitos veteranos, teve atuações marcantes. Destaque para as participações especiais de Paulo Gracindo, Lima Duarte, Mário Lago, Milton Gonçalves e Ary Fontoura.
A minissérie foi o último trabalho de Paulo Gracindo, que faleceu dois anos depois, em 04/09/1995, aos 84 anos, vítima de câncer na próstata.

Agosto contou com mais de 136 atores e centenas de figurantes, além de cerca de 400 pessoas trabalhando diretamente na minissérie, que foi gravada em mais de 70 locações. (*)

O trabalho de reconstituição de época envolveu a construção de vários cenários e a camuflagem de locações (para apagar vestígios da modernidade), além da restauração de prédios por meio de efeitos visuais.
Por computação gráfica, foi possível fazer com que o mar chegasse novamente ao Flamengo, sem o aterro, e trazer de volta o Palácio Monroe, antiga sede do Senado, demolido em 1960, e a fachada impecável do Palácio do Catete, sede do governo do país até 1960, mas maculado por pichações quando a minissérie foi gravada. (*)

Para as gravações, a produção de arte, dirigida por Isabel Pancada, selecionou quatro mil peças de época em antiquários do Rio de Janeiro e de São Paulo, e alugou quarenta automóveis das décadas de 1930, 1940 e 1950 – entre os quais um Plymouth 1939, uma Mercedes 1952 e um Austin 1947. (*)

O diretor de fotografia, Walter Carvalho, fez utilização de um filtro de luz que eliminava o excesso de contraste e permitia maiores possibilidades no jogo de luz e sombra. A película em preto e branco foi um recurso empregado pelo diretor para conseguir a fusão com as imagens históricas. (*)

A dramaturgia inspirada na literatura tem o mérito de movimentar as livrarias. No mês em que Agosto foi exibida, o livro de Rubem Fonseca teve mais 30 mil exemplares vendidos.

A minissérie foi reapresentada de 14 a 24/02/1995, compactada em 8 capítulos, em comemoração aos 30 anos da emissora.
Reprisada também entre 10 e 31/08/2011, na íntegra, às 23h15, pelo Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo).

Agosto foi lançada comercialmente em vídeo, ainda nos anos 1990, e em DVD, em 2005.

(*) Site Memória Globo

Trilha Sonora

01. SHOW DO NIGHT AND DAY NO TABULEIRO DA BAIANA / KALU / AQUARELA DO BRASIL – Alberto Rosenblit
02. AT LAST – Dave Gordon
03. VALSA DE UMA CIDADE – Be Happy
04. TEMA DO CATETE – Alberto Rosenblit (tema de abertura)
05. SEGREDO – Dalva de Oliveira
06. UNA FURTIVA LACRIMA – Beniamino Gigli
07. IN THE MOOD – Rio Jazz Orchestra
08. SOMOS DOIS – Dick Farney
09. VOUS QUI PASSEZ SANZ ME VOIR – Cristina Santos
10. NINGUÉM ME AMA – Nora Ney
11. DÓ RÉ MI – Dóris Monteiro
12. SANTA LUCIA (SUL MARE LUCCICA) – Enrico Caruso
13. VALSA DA MUSETTA – Alberto Rosenblit

Sonoplastia: Guerra Peixe Filho
Produção Musical: Alberto Rosemblit
Direção Musical: Mariozinho Rocha

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