Sinopse

Rio de Janeiro, década de 1950. Os jovens Lurdinha e Marcos se apaixonam à primeira vista. Ela estuda no Instituto de Educação; ele, no Colégio Militar – duas tradicionais instituições de ensino da Tijuca, na Zona Norte. Porém, os pais de Lurdinha – os conservadores Dr. Carneiro e Celeste – rejeitam o rapaz por ele ser filho de pais separados e tentam, de todas as maneiras, afastá-lo da filha. Sem diálogo com a família, Lurdinha não consegue defender o amor que sente por Marcos, mas, mesmo assim, não deixa de encontrá-lo às escondidas.

Marcos, sem saber que a jovem omite dos pais o namoro, insiste em conhecê-los. Ela sempre inventa uma desculpa até que, um dia, Marcos aparece sem avisar em sua casa e pergunta a Celeste e Carneiro se eles veem com simpatia o namoro dos dois. Desconcertados ao descobrirem a mentira da filha, eles inventam que Lurdinha está de castigo por causa de notas baixas e, por isso, não poderá vê-lo. Os pais de Lurdinha, influenciados por uma professora da jovem, decidem, então, aceitar o namoro dos dois. Acreditavam que ela logo se desinteressaria dele.

Com o tempo, Lurdinha e Marcos enfrentam outro tabu da época: a virgindade. A jovem chega a perguntar para a mãe se é normal sentir desejo pelo namorado e Dona Celeste, sempre repressora, responde: “Sexo é pecado. A mulher só pratica o sexo depois de casada, para satisfazer o marido”. As dúvidas de Lurdinha sobre o assunto levam Marcos a se envolver com Rosemary, amiga dela. Ao contrário da doce e tímida normalista, Rosemary é ousada e tem ideias avançadas, embora também seja virgem. Lurdinha flagra os dois aos beijos e rompe com Marcos.

Glória, mãe de Marcos, foge do estereótipo feminino da época: além de desquitada, trabalha em uma boate, o que estarrece o casal Carneiro, que reforça o cerco sobre o namoro da filha. Uma das decepções de Glória é o major Dorneles, por quem se apaixona sem saber que é casado. Dorneles vive um dilema: como enfrentar a mulher, Beatriz, os filhos e a sociedade para viver seu amor com Glória? Quando descobre a verdade, Glória fica arrasada e se afasta do major. No final, ele se separa de Beatriz e assume o relacionamento com Glória.

Globo – 22h
de 5 a 30 de maio de 1986
20 capítulos

minissérie de Gilberto Braga
direção de Roberto Talma

MALU MADER – Lurdinha
FELIPE CAMARGO – Marcos
BETTY FARIA – Glória
JOSÉ DE ABREU – Dorneles (Major Paulo Roberto Dorneles)
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Carneiro
YARA AMARAL – Celeste
NÍVEA MARIA – Beatriz
JOSÉ LEWGOY – Brigadeiro Campos
MILTON MORAES – Morreu (Cláudio)
TAUMATURGO FERREIRA – Urubu
ISABELA GARCIA – Rosemary
ANTÔNIO CALLONI – Claudionor (Clau-Clau)
RODOLFO BOTTINO – Lauro
BIANCA BYNGTON – Marina
PAULA LAVIGNE – Marly
LÚCIA ALVES – Vitória
JECE VALADÃO – Gracindo
TÂNIA SCHER – Marieta
PAULO VILLAÇA – Joel
DENISE BANDEIRA – Laís
HELBER RANGEL – Rodolfo
MARIA LÚCIA DAHL – Abigail
ROSANE GOFMAN – Lenida
ROBERTO PIRILO – Rafael
ISABELA BICALHO – Solange
ARTHUR COSTA FILHO – Olivério
TONICO PEREIRA – Ronaldo
FERNANDO AMARAL – Delegado Acioli
JOSÉ CARLOS SANCHES – Chico
VERA GIMENEZ – Lílian
ANSELMO VASCONCELLOS – Capitão Serpa
JUAN DANIEL – Padre Rodrigues
LYS BELTRÃO – Marlene
ALEXANDRE ARRAES – Fernando
GLÓRIA ALVES – Rosita
NORMA GERALDY – Tia Pequetita
JOHN HERBERT – Coronel
CININHA DE PAULA – prostituta
DANIEL FONTOURA – Pedrinho (Pedro Paulo)
DIÊGO SANGIRARDI – Wálter
LUÍS DELFINO – Antunes (proprietário da boate onde trabalha Glória)
Dr. Herculano Valverde (advogado de Marcos)
colegas de Lurdinha
ALICE SERRANO – Gracinha
ANA BEATRIZ VILTGEN – Mariana
ARLETE COELHO – Maria Luiza
BEATRIZ BARROS – Juliana
CLÁUDIA MESSINA – Isabel
CLÁUDIA SCHER – Aline
CRISTIANA BITTENCOURT – Glecir
CRISTIANA DREUX MARIANI – Beatriz
DENISE MAYER – Magda
GABRIELA LINS E SILVA – Mimi
ISA DO EIRADO – Mara
MÁRCIA FARIA – Maria do Carmo
MARISE FARIAS – Mariângela
PATRÍCIA FELIPPE MAURO – Maria Inez
PATRÍCIA SANTOS – Débora
PAULA MÓFREITA – Maria Clara
RENATA ANDRADE – Sueli
RITA CALAZANS – Alice
ROSANA BILLARD – Tetê
colegas de Marcos
DANIEL HERZ – Godofredo
DEMÉTRIO BEZERRA – Luís Augusto
FELIPE MARTINS – Betinho
GILBRAN CHALITA – Rodolfo
MARCELO NÓBREGA – Cadu
MARCELO SZNAIDER – Bruno Gil
MARCO ANTÔNIO CAMPOS – Getúlio
MARCOS JARDIM – Teotônio
MARCOS NORONHA – Gustavo
RAUL TOLEDO – Vicente
ROBERTO LIMA – Francisco
ROGÉRIO DIÓGENES – Zé Augusto
RÔMULO DEL DUQUE – João Paulo
RUBEM FARIA – Roger
PEDRO PIMENTEL – Tony
SÉRGIO MACIEL – Ernesto

– núcleo de MARCOS (Felipe Camargo), jovem estudante do Colégio Militar. No decorrer da trama é acusado injustamente de ter matado um homem:
a mãe GLÓRIA (Betty Faria), mulher desquitada que trabalha como caixa na boate Glamour
o pai MORREU (Milton Moraes), separado de Glória. Músico cheio de problemas financeiros, vive numa pensão
DR. HERCULANO VALVERDE, advogado de Marcos.

– núcleo de LURDINHA (Malu Mader), normalista do Instituto de Educação. Romântica, apaixona-se por Marcos, mas sua família, muito tradicional, é contra:
os pais moralistas CARNEIRO (Cláudio Corrêa e Castro), pediatra, e CELESTE (Yara Amaral)
o irmão menor PEDRINHO (Daniel Fontoura).

– núcleo de DORNELLES (José de Abreu), major da Aeronáutica casado que viverá uma paixão tumultuada com Glória:
a esposa BEATRIZ (Nívea Maria), mulher da sociedade
os filhos LAURO (Rodolfo Bottino), engenheiro recém-formado que se apaixona por Lurdinha,
MARINA (Bianca Byington), amiga de Lurdinha, e SOLANGE (Isabela Bicalho), a mais nova
o sogro BRIGADEIRO CAMPOS (José Lewgoy), militar bem sucedido
LENIDA (Rosane Gofman), amiga de Beatriz
CAPITÃO RAFAEL (Roberto Pirilo), amigo de Dornelles
LÍLIAN (Vera Gimenez), amante eventual de Dornelles.

– núcleo de ROSEMARY (Isabela Garcia), colega de classe de Lurdinha. A menos convencional das normalistas, envolve-se com o Capitão Rafael:
os pais RODOLFO (Helber Rangel) e ABIGAIL (Maria Lúcia Dahl)
a tia PEQUETITA (Norma Geraldy, numa participação), velhinha rica.

– núcleo de URUBU (Taumaturgo Ferreira), melhor amigo de Marcos. Divertido, quase um cafajeste, é superligado em sexo:
os pais GRACINDO (Jece Valadão), um mulherengo, e MARIETA (Tânia Scher)
o irmão mais novo WÁLTER (Diego Sangirardi)
o amigo CLAUDIONOR (Antonio Calloni) – também amigo de Marcos
a empregada MARLENE (Lys Beltrão), alvo da cobiça de Urubu.

– núcleo de MARLY (Paula Lavigne), amiga de Lurdinha e Marina:
os pais liberais JOEL (Paulo Vilaça) e LAÍS (Denise Bandeira), professora do Instituto de Educação
FERNANDO (Alexandre Arraes), torna-se noivo de Marly.

– núcleo da Boate Glamour:
a crooner VITÓRIA (Lúcia Alves), melhor amiga de Glória
o proprietário OLIVÉRIO (Arthur Costa Filho), é assassinado e a culpa recai sobre Marcos
o gerente ANTUNES (Marcos Waimberg)
o músico CHICO (José Carlos Sanches), envolve-se com Vitória.

– outros personagens:
RONALDO (Tonico Pereira), mora na mesma pensão de Morreu
ROSITA (Glória Alves), professora que flagra um encontro de Marcos e Lurdinha
CAPITÃO SERPA (Anselmo Vasconcellos), professor do Colégio Militar
DELEGADO ACIOLI (Fernando Amaral), amigo de Gracindo, investiga a morte de Olivério
PADRE RODRIGUES (Juan Daniel), pároco da igreja do bairro
CORONEL (John Herbert), do Colégio Militar
PROSTITUTA (Cininha de Paula), com quem Marcos tem sua primeira experiência sexual.

Bem-sucedido trabalho de Gilberto Braga em sua primeira experiência em minissérie. Tudo muito envolvente, bem realizado e mais uma mostra do talento do autor ao transformar suas histórias em capítulos. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Uma primorosa reconstituição de época: o Rio de Janeiro da década de 1950, os anos dourados do título.

Ambientada em uma época de controle do comportamento e de repressão sexual, a minissérie retratou os preconceitos e as regras ditadas pela família e pela escola, gerando choques entre pais e filhos e evidenciando a hipocrisia da sociedade moralista da época. Foram abordados tabus como virgindade, aborto, a situação da mulher desquitada, masturbação e casos extraconjugais.

Daniel Filho mencionou em seu livro “O Circo Eletrônico”:
Anos Dourados é um excelente exemplo de drama e de pesquisa histórica. Eu dei esse título porque possivelmente foram os meus anos dourados, os anos da minha juventude. Depois escolhemos Gilberto Braga para escrevê-la. Foi uma obra de encomenda, mas acho que juntou a fome com a vontade de comer. Pois era uma coisa que já estava na cabeça do Gilberto.”

Gilberto Braga revelou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, que a ideia da minissérie veio da Casa de Criação Janete Clair:
“Me perguntaram se eu gostaria de escrever uma história ambientada nos anos 1950. Eu achei o máximo, adoro essa época, que é da minha infância. E apresentei a sinopse.”
Sobre a repercussão da minissérie, o autor disse que recebia muitos telefonemas com elogios:
“Cheguei a ficar arrogante (…) fiquei meio bestinha! (…) Há coisas relacionadas ao sucesso de Anos Dourados que acho que poucos escritores viveram. (…) Houve uma mulher na Avenida Vieira Souto que, quando me viu, bateu com o carro, deixou o carro batido e veio falar comigo: ‘Eu queria lhe dar um beijo porque estou adorando Anos Dourados!’ Quando você faz um trabalho sério, tocante, positivo, com esperança, você faz muito sucesso.”

O triângulo amoroso Glória-Dorneles-Beatriz (Betty Faria, José de Abreu e Nívea Maria) era uma reedição da trama central do Caso Especial As Praias Desertas, que o autor escreveu em 1973, com Dina Sfat, Juca de Oliveira e Yoná Magalhães no papeis correspondentes.

Antes de cada capítulo, fazia-se uma retrospectiva do anterior, narrada por Paulo César Pereio. Na cena final de cada episódio, também era mostrada de forma compacta o que havia acontecido.

Gilberto Braga acumulava as funções de autor e produtor musical da minissérie. A trilha sonora era apresentada de forma diferente da habitual nas produções da emissora na época: nenhum personagem tinha tema musical e as melodias acompanhavam o clima de cada cena.
“Sempre participei muito da escolha da trilha das minhas novelas e minisséries, mas nunca havia feito a produção musical de um programa. Adorei! Voltei a fazer isso em Anos Rebeldes [em 1992]” (Gilberto para o livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”)

O primeiro título pensado para a minissérie foi Par Constante. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Anos Dourados foi reapresentada de 05/10 a 05/11/1988, na íntegra;
de 06 a 17/08/1990, em 10 capítulos, no Festival 25 Anos;
de 03 a 14/01/2005, em 10 capítulos, no Multishow (canal de TV paga pertencente à Rede Globo), em comemoração aos 40 anos da emissora;
e também no Viva (outro canal de TV paga pertencente à Globo), na íntegra, em duas ocasiões: entre 2 e 27/05/2011, às 23h, e entre 29/04 e 24/05/2013, às 23h15.

Também foi compactada em vídeo, pela Globo Vídeo, em 1990. Em abril de 2003, foi lançado o DVD da minissérie.

Fato curioso é que, nas três primeiras reprises que a minissérie teve, a narração do destino dos personagens nas décadas seguintes foi editada – estando presente apenas na edição em DVD. Em 1988, na primeira reprise, este corte foi duramente criticado pelo público, conforme o Jornal do Brasil de 09/11/1988:
“Quem assistiu ao último capítulo da reprise da minissérie Anos Dourados, sexta-feira passada, não soube do destino de cada um dos personagens, revelado no final da primeira exibição da série. A reedição cortou tal desfecho e irritou telespectadores que, inconformados, telefonaram para a Central de Atendimento Telefônico da emissora. As reclamações bateram até na casa do autor da série, Gilberto Braga. Quem telefonou para o CAT, ouviu a explicação ‘ordens da direção’. A versão extraoficial considerou desnecessária a edição do final já conhecida do público (com imagens congeladas dos personagens, um locutor dizia o que aconteceria com eles nos anos 60 e 70).”

Trilha Sonora

anosdouradost
01. WHEN I FALL IN LOVE – Nat King Cole
02. FRANQUEZA – Maysa (tema de Beatriz *)
03. TU ME ACOSTUMBRASTE – Roberto Yanes
04. POR CAUSA DE VOCÊ – Dolores Duran
05. I APOLOGIZE – Billy Eckstyne (tema de Marcos e Lurdinha *)
06. PATRICIA – Perez Prado
07. ALL OF YOU – Ella Fitzgerald
08. ALGUÉM COMO TU – Dick Farney (tema de Glória e Dorneles *)
09. WHAT A DIFFERENCE A DAY MAKES – Dinah Washington
10. ACCAREZZAME – Teddy Renno
11. AS PRAIAS DESERTAS – Elizeth Cardoso (tema de Glória e Dorneles *)
12. SMOKE GETS IN YOUR EYES – The Platters (tema de Rosemere *)
13. MON MANÈGE A MOI (TU ME FAIS TOURNER LA TÊTE) – Edith Piaf
14. ANOS DOURADOS (instrumental) – Tom Jobim (tema de abertura **)

* Apesar de, oficialmente, a trilha não distribuir as músicas para personagens, essas foram mais executadas para os personagens em questão.
** O tema de abertura era uma versão instrumental da música.

Sonoplastia: Adirson Sansão
Produção musical: Gilberto Braga
Direção musical: Sérgio Saraceni

Tema de Abertura: ANOS DOURADOS – Tom Jobim

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões no gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo? Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais…

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