Sinopse

Aritana é um forte e sensível índio, filho de um branco e uma índia. Seu tio, o rico fazendeiro Nhonhô, não quer dividir com ele a herança: as terras que pretende negociar com um grupo americano.

Aritana vive no Xingu e, quando começa a sentir que não só as suas terras, como também a existência de sua tribo, estão sendo ameaçadas pela ambição e prepotência do homem branco, procura resolver os problemas com os meios que tem ao seu alcance. Ele confia no ser humano, é puro, incorruptível, e mesmo quando passa a viver na cidade, não se deixa vencer pelas suas tentações.

Do lado dos interessados na negociata de Nhonhô, está a Drª Estela Bezerra, uma médica veterinária por quem Aritana se apaixona. Mas a princípio, ela zomba dele, pois, desiludida, teve um noivado frustrado com o playboy Lalau.

Também a história de Lígia, a ex-miss desligada das responsabilidades domésticas e infeliz no casamento com o Professor Homero, que abandona a família para acompanhar um marginal, Julião.

Tupi – 20h / 21h
de 13 de novembro de 1978
a 30 de abril de 1979
120 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
direção de Luiz Gallon, Antonino Seabra, Álvaro Fugulin e Atílio Riccó

Novela anterior no horário
Roda de Fogo

Novela posterior
Como Salvar Meu Casamento

CARLOS ALBERTO RICCELLI – Aritana
BRUNA LOMBARDI – Estela Bezerra
JAIME BARCELOS – Nhonhô Correia
TONY CORRÊA – Lalau
JOHN HERBERT – Danilo
GEÓRGIA GOMIDE – Lígia
CARLOS VEREZA – Julião
FRANCISCO MILANI – Homero
JORGE DÓRIA – Boaventura
CLEYDE YÁCONIS – Elza
MÁRCIA REAL – Guiomar
WANDA STEPHÂNIA – Yara
OTHON BASTOS – Mateus
ANA ROSA – Ana Maria
MARIA ESTELA – Inês
ARLETE MONTENEGRO – Violeta
SERAFIM GONZALEZ – Comendador Seabra
CARMINHA BRANDÃO – Fani
MARCOS CARUSO – Marcelino
AMILTON MONTEIRO – Ademar
CRISTINA MULLINS – Paula
DENIS DERKIAN – Tuta
SUZY CAMACHO – Magali
ROBERTO ROCCO – Alaor
WÁLTER SANTOS – Ramalho
HAROLDO BOTTA – Marquito
MARIA VIANA – Celina
HILKIAS DE OLIVEIRA – Pagano
CARLOS ARENA – Dr. Caruso
MARCELO PINDORF – Zoca
PAULO MAIA – Bidu
EUNICE MENDES – Margarida
JOÃO FRANCISCO GARCIA – Wálter
VERA PAXIE – Verinha
WILSON RABELO – Pinguim
MARCOS LANDER – inspetor do Xingu
VERA LIMA – Taís
YARA GREY – Lola
JANETE SOARES – diretora do asilo onde Elza é internada
DINÁ RIBEIRO
YARA IGNÁCIO – Fátima
ELAINE FONZARA
RUTH PEREZ
WILMA GUERREIRO
e
RILDO GONÇALVES – delegado

ARITANA (Carlos Alberto Riccelli), um forte e sensível índio, filho de um branco e uma índia, que luta pelo seu povo e pelas terras de sua tribo, os Kamaiurás, às margens do rio Xingu.

– núcleo de NHONHÔ CORREIA (Jaime Barcelos), o tio rico de Aritana, um fazendeiro que não quer dividir com o sobrinho índio a sua herança: as terras que pretende negociar com um grupo americano:
a irmã GUIOMAR (Márcia Real)
a sobrinha MAGALI (Suzy Camacho), órfã
a oportunista YARA (Wanda Stefânia), que aproveita de sua surdez e ingenuidade e torna-se sua noiva – para o desagrado de Guiomar
o capataz MATEUS (Othon Bastos), que se perde de amores por Yara e não vê sua maldade – os dois têm um caso
a empregada VIOLETA (Arlete Montenegro), que ama Mateus e resolve lutar contra Yara.

– núcleo de ESTELA BEZERRA (Bruna Lombardi), médica veterinária interessada na negociata que envolve as terras da tribo de Aritana. O índio se apaixona por ela e a princípio Estela resiste a esse amor, mas aos poucos vai se rendendo:
o irmão DANILO (John Herbert), maior interessado nas terras do Xingu, incita Estela a se aproximar de Aritana
a cunhada INÊS (Maria Estela), mulher de Danilo
o sobrinho MARQUITO (Haroldo Botta), filho de Danilo e Inês, deficiente mental, desprezado pelo pai
a empregada MARGARIDA (Eunice Mendes).

– núcleo de LALAU (Tony Correa), noivo de Estela no início, passa a disputá-la com Aritana quando descobre que ela apaixonou-se pelo índio:
o pai COMENDADOR SEABRA (Serafim Gonzalez), dono do hotel que o filho gerencia.

– núcleo de LÍGIA (Geóriga Gomide), ex-miss São Paulo inconformada de viver numa cidade pequena e da vida pacata que leva ao lado de sua família:
o marido HOMERO (Francisco Milani), professor
os filhos TUTA (Denis Derkian), playboy inconsequente, e PAULA (Cristina Mullins)
a mãe ELZA (Cleyde Yáconis), que toma conta da casa da filha e é praticamente uma empregada em casa. Acaba sendo internada no asilo por acharem que ela está velha
a assistente de Homero, CELINA (Maria Viana), apaixonada por ele.

– núcleo de JULIÃO (Carlos Vereza) um mau-caráter que seduz Lígia lhe prometendo uma vida melhor e a leva embora para São Paulo, onde ela sofrerá em suas mãos:
o amigo e cúmplice RAMALHO (Wálter Santos).

– núcleo de BOAVENTURA (Jorge Dória), fazendeiro bon-vivant amigo de Nhonhô. Gosta de uma paquera e vive cantando Dona Elza, que morre de vergonha. Ao final ela se rende aos seus encantos:
o funcionário ALAOR (Roberto Rocco), apaixonado por Magali, mas o amor dos dois é proibido por causa de sua condição social.

– núcleo de ANA MARIA (Ana Rosa), a outra filha de Elza, irmã de Lígia, viúva:
os filhos ZOCA (Marcelo Pindorf) e BIDU (Paulo Maia)
o pretendente ADEMAR (Amilton Monteiro), farmacêutico que Ana Maria custa a aceitar como namorado, pois sua sobrinha Paula é apaixonada por ele e passa a disputá-lo com a tia.

– núcleo da cafetina FANI (Carminha Brandão), dona de um bordel, irmã de Yara:
o empregado PAGANO (Hilkias de Oliveira)
as prostitutas FÁTIMA (Yara Ignácio), (Elaine Fonzara), (Ruth Perez) e (Wilma Guerreiro).

– deamis personagens:
MARCELINO (Marcos Caruso), dono da lanchonete
PINGUIM (Wilson Rabelo), funcionário da lanchonete
WÁLTER (João Francisco Garcia), funcionário do cartório
VERINHA (Vera Paxie), funcionária do cartório
DR. CARUSO (Carlos Arena)
o DELEGADO (Rildo Gonçalves)
TAÍS (Vera Lima)
(Diná Ribeiro)
a diretora do asilo onde Elza é internada (Janete Soares)
o inspetor do Xingu (Marcos Lander)
e os índios Kamaiurá.

A diferença social entre o indígena e a sociedade civilizada era o centro das atenções da novela. A autora, Ivani Ribeiro, foi assessorada pelos irmãos indigenistas Cláudio, Orlando e Álvaro Villas Boas e contou com a colaboração do professor Olympio Serra, administrador do Parque Indígena do Xingu (MT) na época.
As gravações, que só foram possíveis com o apoio da Funai, foram feitas em Posto Leonardo, em plena selva; na localidade de Embu, na Grande São Paulo; e nos estúdios da TV Tupi, na Vila Guilherme.
Dentre as diversas tribos do Xingu, duas, especialmente, ajudaram nas gravações: os Yawalapitis e os Kamaiurás. (*)

A autora esclareceu que, antes de enviar os capítulos para a emissora, as falas do protagonista Aritana eram revistas por Cláudio Villas Boas.
“Ele vem à minha casa, lê as perguntas e respostas de Aritana e muitas vezes me alerta a certas palavras que uso, advertindo ‘Aritana não reagiria assim’. Essas orientações tenho seguido à risca”, disse Ivani à Revista Amiga, edição de 27/12/1978. (**)

Entretanto, a autora enfrentou uma série de problemas com sua novela, vindos de dentro e de fora da produção.

A princípio, Ivani Ribeiro foi mal interpretada por aqueles que sentiam seus interesses ameaçados com as reivindicações dos índios e pelos que condenavam a exposição dos índios. Por causa de críticas recebidas, a Tupi levou ao ar o especial O Caso Aritana, uma Novela à Parte, onde atores do elenco, o diretor artístico da emissora, Carlos Zara, e representantes de órgãos ligados aos direitos dos índios, como os irmãos Villas Boas, defenderam as intenções da autora. O especial também apresentou depoimentos de populares e de índios.

Por sua temática, a novela foi criticada pela Censura antes mesmo de estrear. O pesquisador Cláudio Ferreira narrou no livro Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar:
Aritana, novela que abordava o universo indígena, foi acusada de tratar o tema levianamente. A crítica é do censor Dalmo Paixão, ironicamente mais de um mês antes da estreia. ‘Deve-se aí observar o caráter nitidamente ingênuo de quem pretende focar um tema sem conhecê-lo devidamente: o caminho está aberto, portanto, à desinformação e à deturpação.’ (…) ele sugere que se ouça a posição da Funai sobre a questão indígena e a política governamental adotada para inserir o conteúdo na trama de Ivani Ribeiro.”

A colunista Cinira Arruda criticou duramente a novela na revista Amiga (edição de 21/02/1979):
“Se a proposta é alertar e defender o índio, por que essa rede de televisão invade o Parque do Xingu, com equipes técnicas, atores, máquinas e máquinas conturbando o sossego dessa gente tão tumultuada? (…) Aplaudo a linha sutil na qual, inteligentemente, Ivani mostra que nós civilizados somos muitas vezes mais selvagens. Entretanto, abomino vê-los transformados em extras de TV. A Tupi mostra claramente, com o apoio da Funai, que os índios, mais uma vez, estão sendo desrespeitados. E agora via Embratel.” (**)

Porém, em nenhum momento Ivani Ribeiro deixou de reivindicar os direitos dos índios brasileiros. Principalmente no tema central, em que Aritana deseja a posse total das terras para abrigar a sua tribo.

Outro problema enfrentado pela produção foi o atraso no pagamento dos atores, em um momento em que a TV Tupi passava por sua pior crise (a emissora fechou as portas pouco mais de um ano após a novela). Atores fizeram greve e pararam as gravações. O diretor Luiz Gallon lembrou:
“Chegou ao ponto de eles não gravarem para não deixar fechar o capítulo. Aí eu combinei com o [Carlos] Zara [então diretor artístico da emissora]: não pode deixar de ir capítulo para o ar. Não importa se o capítulo vai ter 45 minutos ou só 15. Então, em vez de eu gravar um capítulo inteiro, gravo quatro partes, não fecho capítulo. A gente na segunda-feira passa uma parte, e na terça passa outra, sem nada, sem intervalo.”
Assim, houve capítulos de 15 minutos. A novela chegou ao fim com algumas imagens colhidas pelo diretor no início das gravações. As cenas de índios ganharam mais espaço.
“Como o casal Bruna e Riccelli não quis gravar, tive que virar a história. Fui na casa da Ivani convencê-la a mudar a história para ficar em cima de outros personagens. Então nós criamos uma outra história e largamos o índio lá. Inventei um negócio de sarampo e o índio ficou na rede”, completou Gallon. (**)

Na lauda do último capítulo da novela, Ivani desabafou em uma mensagem:
“Da batalha, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, segundo se espera. Apesar de tudo, chegamos ao final. Reitero que a minha intenção ao escrever Aritana foi a melhor possível – pretendendo um trabalho sério, pesquisado, verdadeiro, dependendo muito da cooperação e boa vontade. Talvez o voo fosse mais alto que as nossas forças. Mas valeu a pena tentar, com o exemplo da obstinação do índio.” (**)

Excelente criação de Carlos Alberto Riccelli, transformado num perfeito índio do Xingu. E trabalho memorável de Jaime Barcelos como o velho Nhonhô.

Bruna Lombardi custou a aceitar o convite, inclusive vindo da própria Ivani Ribeiro, para estrelar a novela.
“Bruna, estou escrevendo essa novela pensando em você. Não consigo imaginar outra pessoa!”, teria dito a autora à atriz.
Quando Ivani informou que conseguiu uma viagem ao Xingu, Bruna aceitou. A viagem só foi possível por intermédio dos irmãos Villas Boas, então responsáveis pela reserva.
“Ir para o Xingu era impossível. Ninguém podia ir. O objetivo era preservar os índios para não virarem atração turística, nem se misturarem e terem uma miscigenação com o mundo contemporâneo e branco”, informou Bruna. (**)

Em Aritana, Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi se conheceram e viveram o par romântico dentro e fora dos estúdios. Nunca mais se separaram.
“Seguimos para o Xingu, em um aviãozinho particular, de bandeirante. Eu conheci o Ri no avião. Nos vimos de relance na Tupi. E, no avião, pela primeira vez, sentamos um ao lado do outro e nos conhecemos. E aí mudou a história da minha vida!”, disse a atriz.
Os atores gravaram durante um mês o Xingu. (**)

Nhonhô Correia, o personagem de Jaime Barcelos em Aritana, nada tem a ver com outro famoso personagem de Ivani Ribeiro, com nome muito parecido: Nonô Correia, vivido por Ary Fontoura em Amor com Amor se Paga (Globo, 1984).

O descaso aos idosos foi tratado na novela por meio da personagem Elza (Cleyde Yáconis), senhora que é abandonada pelas filhas em um asilo.

A Tupi, percebendo o interesse do público pela trama de Aritana, mudou o seu horário de apresentação para evitar um confronto direto com o sucesso da novela concorrente na Globo, Dancin´ Days. A novela da Tupi passou a ser apresentada depois da exibição da trama global, e, com o fim desta, voltou ao seu horário original.

Para escrever Aritana para a Tupi, Ivani Ribeiro foi “emprestada” à emissora por Silvio Santos. Em 1976, a novelista assinou contrato com os Estúdios Silvio Santos e escreveu a novela O Espantalho. Seu compromisso com o “homem do baú” só terminou em 1980. Entre 1977 e 1979, Ivani foi emprestada à Tupi – onde Silvio tinha seu programa dominical – e escreveu duas novelas: O Profeta e Aritana.

Aritana foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor tema de novela de 1978. Carlos Alberto Riccelli e Jaime Barcelos levaram o prêmio de melhores atores, e Cleyde Yáconis a melhor atriz (juntamente com Joana Fomm, Yara Amaral e Gracinda Freire, pela novela Dancin´ Days).

(*) “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva, Giz Editorial, 2007.
(**) “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, Carolline Rodrigues, Editora Novo Século, 2018.

Trilha Sonora
aritanat
01. INDAUÊ TUPÃ – Fafá de Belém
02. MAIS SELVAGEM QUE VOCÊ – Iranfe e César Augusto
03. KRAHÔ – Marlui Miranda (tema de abertura)
04. PACARÁ – Paulo André Barata
05. AMÉLIA DE VOCÊ – Ângela Maria (tema de Lígia)
06. PEGADAS – Neuber
07. CARA DE ÍNDIO – Djavan (tema de Aritana)
08. NATIVO – Paulo André Barata (participação especial Fafá de Belém) (tema de Aritana e Estela)
09. FAMA DE HERÓI – Iranfe e César Augusto
10. QUANTO MAIS TE VEJO – Marizinha
11. COISAS DA VIDA – Lula Carvalho
12. MEU DESTINO É VOCÊ – José Augusto

Seleção de Repertório: José Moura
Coordenação Geral: Roberto Corte Real

Veja também

  • espantalho_logo

O Espantalho

  • profeta77_logo

O Profeta (1977)

  • inocentes_logo

Os Inocentes

  • viagem75_logo

A Viagem (1975)