Sinopse

Com a intenção de casarem-se, o padre Vitor Mariano decide largar a batina enquanto a jovem Nívea desfaz seu namoro com o inconsequente Ricardinho, que, por sua vez, não se conforma de ser preterido. Porém, Nívea, misteriosamente, aparece morta na praia. Alguns dias antes, o pai dela, Emiliano, que trabalhava no banco do milionário Oliveira Ramos, teve descoberto pelo patrão um desfalque no valor de vinte milhões de cruzeiros. O banqueiro exigiu a reposição do dinheiro em dois dias e o bancário, desesperado, tentou inclusive matar-se com um tiro.

Nívea, para ajudar o pai, acaba aceitando o convite do bon vivant Renatão para, por dez milhões, posar nua para uma revista masculina estrangeira. Juntos os dez milhões conseguidos por Nívea aos outros dez das economias de Emiliano, o dinheiro de Oliveira Ramos é devolvido e o banqueiro esqueceria o ocorrido, mantendo-o no emprego. Enquanto Vitor, o jornalista Araquém Teixeira e o delegado Zélio Fontoura investigam a morte de Nívea, o ex-padre e Helô, respectivamente noivo e melhor amiga da falecida, se apaixonam e casam.

Muitos são os suspeitos do crime: Ricardinho, o namorado rebelde que não aceitou o fim da relação; Renatão, com medo de que Nívea revelasse como conseguiu os dez milhões; Oliveira Ramos, querendo se vingar de Emiliano; o malandro Samuca, intermediário nas negociações das fotos com a revista estrangeira; Suzy, temendo que seu caso com Renatão chegasse aos ouvidos de Oliveira Ramos, seu noivo; Helô, em um de seus surtos de transtorno psicológico; e a atriz Jurema de Alencar, enciumada pela relação de Nívea com seu amante, Ricardinho.

Enquanto isso, Renatão luta contra a ex-mulher, Marisa – que ele chama de Madame X – pela guarda da filha, Carlinha; Elisa, a primeira esposa de Oliveira Ramos e mãe de Helô, que passou os últimos anos em um sanatório, volta para conviver com a filha; Samuca, com seus sonhos de enriquecer, se casa com a mexicana Consuelo, visando o golpe do baú, embora não saiba estar a velha falida; Leopoldo Reis, ator famoso no passado, pai de Ricardinho, sai da cadeia após quinze anos; e Jurema é injustamente presa e condenada pela morte de Nívea.

Globo – 22h
de 20 de julho de 1970
a 23 de março de 1971
170 capítulos

novela de Dias Gomes
direção de Wálter Campos

Novela anterior no horário
Verão Vermelho

Novela posterior
O Cafona

FRANCISCO CUOCO – Vitor Mariano
DINA SFAT – Helô (Heloísa de Oliveira Ramos)
RENATA SORRAH – Nívea
JARDEL FILHO – Renatão (Renato Itararé de Souza)
PAULO JOSÉ – Samuca
MÁRIO LAGO – Carlos Eduardo de Oliveira Ramos
MARIA CLÁUDIA – Suzy
CARLOS VEREZA – Ricardinho
ARLETE SALLES – Jurema de Alencar (Leontina)
OSMAR PRADO – Mariozinho (Mário Maluco)
ARY FONTOURA – Rodolfo Augusto (Gugú)
PAULO PADILHA – Emiliano Louzada
VANDA LACERDA – Marieta
URBANO LÓES – Delegado Zélio Fontoura
HELOÍSA HELENA – Danuza
PAULO GONÇALVES – Leopoldo
MARIA LUIZA CASTELLI – Elisa
LÍDIA MATTOS – Miss July
DJENANE MACHADO – Verinha
JOÃO PAULO ADOUR – Marcos
SUZANA MORAES – Joaninha
SANDRA BRÉA – Babi
VERA IBRAHIM – Maria Regina
RUTH DE SOUZA – Isabel
LAJAR MUZURIS – Konstantinópolus
AGNES FONTOURA – Adelaide
MARIA POMPEU – Marisa Heden (Madame X)
CARLA CAVALCANTI – Carlinha
ESTELITA BELL – Consuelo
JUAN DANIEL – Dom José
GRACINDA FREIRE – Dona Didi
ADALBERTO SILVA – Zé Gregório
AIZITA NASCIMENTO – Maria Lúcia
IVAN CÂNDIDO – Araquém Teixeira
FERNANDO JOSÉ – Gouveia Neto
CARLINHOS OLIVEIRA – Lauro Lemos
NELSON MOTTA como ele mesmo
HENRIQUETA BRIEBA – Tia Coló
LÉA GARCIA – Vespertina
SÓLON DE ALMEIDA – Detetive Jonas
ANTERO DE OLIVEIRA – Mãozinha de Veludo
ROGÉRIO FRÓES – Dr. Leivas
CLEMENTINO KELÉ – Jesuíno
RÔMULO D’ANGELO – Perseu
JOSÉ STEIMBERG – Dr. Israel
SCILLA MATOS – Sandra
CARLOS NOBRE – Josmar
e
ALEX ANDRÉ – Dom Eliseu
ÁLVARO AGUIAR – Bispo
CLÓVIS BORNAY como ele mesmo
ELZA GOMES – Dona Zu
HERVAL ROSSANO – Dr. Otto
JONATHAS JÚNIOR – oficial de justiça
LINA COSTA
LUÍS DALE
SÉRGIO DE OLIVEIRA – Dr. Celso Barroso
SÔNIA SILVA
WILZA CARLA – Lindaura

– núcleo do padre VITOR (Francisco Cuoco):
a jovem NÍVEA (Renata Sorrah), assassinada misteriosamente no início da trama. Vitor larga a batina para se casar com ela. Após o assassinato, ele sai em busca da resolução do mistério e termina se unindo à melhor amiga dela
os pais de Nívea, EMILIANO (Paulo Padilha) e MARIETA (Vanda Lacerda)
DOM ELISEU (Alex André), superior de Vitor na hierarquia da igreja.

– núcleo do banqueiro OLIVEIRA RAMOS (Mário Lago):
a filha HELÔ (Dina Sfat), que se casa com Vitor
a primeira mulher, ELISA (Maria Luiza Castelli), mãe de Helô, que vive numa clínica de repouso
a noiva SUZY (Maria Cláudia)
a governanta MISS JULY (Lídia Mattos).

– núcleo de RICARDINHO (Carlos Vereza), namorado de Nívea no início, um dos suspeitos do crime:
a mãe DANUZA (Heloísa Helena)
o pai LEOPOLDO (Paulo Gonçalves), que no início da trama está preso por ter matado um amante da mulher
JUREMA (Arlete Salles), uma atriz com quem tem um caso
o costureiro RODOLFO AUGUSTO (Ary Fontoura), que faz vestidos para Danuza.

– núcleo do delegado ZÉLIO FONTOURA (Urbano Lóes), responsável pelas investigações da morte de Nívea
a mulher ADELAIDE (Agnes Fontoura)
os filhos MARIOZINHO (Osmar Prado) e VERINHA (Djenane Machado)
MARCOS (João Paulo Adour), namorado de Verinha.

– núcleo de RENATÃO (Jardel Filho), o “quarentão simpático”:
a ex-mulher MARISA (Maria Pompeu), que ele chama de MADAME X
a filha CARLINHA (Carla Cavalcanti)
o mordomo KONSTANTÓPULUS (Lajar Muzuris)
BABI (Sandra Bréa), moça em quem Renatão investe mas que termina com Oliveira Ramos
MARIA ISABEL (Vera Ibrahim), um dos casos de Renatão.

– núcleo de SAMUCA (Paulo José), um malandro espertalhão:
a namorada JOANINHA (Suzana de Moraes)
CONSUELO (Estelita Bell), uma senhora mexicana em quem Samuca quer dar o golpe do baú
DON JOSÉ (Juan Daniel), amigo de Consuelo.

– núcleo da Pensão Primavera:
a dona da pensão, DONA DIDI (Gracinda Freire)
o marido ZÉ GREGÓRIO (Adalberto Silva)
a filha MARIA LÚCIA (Aizita Nascimento).

– núcleo dos jornalistas:
ARAQUÉM (Ivan Cândido), parceiro de Vitor na busca pela verdade
GOUVEIA NETO (Fernando José), diretor do jornal
LAURO LEMOS (Carlinhos Oliveira), colunista social
NELSON MOTTA (como ele mesmo).

Assim na Terra Como no Céu foi a primeira novela das atrizes Renata Sorrah e Sandra Bréa.
E marcou a estreia na TV Globo de Francisco Cuoco, que vinha para o Rio de Janeiro com status de grande galã das novelas da TV Excelsior, de São Paulo.

Renata Sorrah, no papel de Nívea, deveria aparecer somente no começo da trama. No capítulo 20, Nívea era assassinada e Dias Gomes lançou então o “quem matou?” Descobrir o assassino de Nívea ficou sendo um dos melhores suspenses da novela. Porém, o público não gostou da saída de Renata, que passou então a aparecer em flashback, nas cenas em que os demais personagens lembravam de Nívea.

O próprio autor, Dias Gomes, apareceu em cena no final da novela levantando três hipóteses com os principais suspeitos do assassinato. (“Almanaque da Televisão Brasileira”, Bia Braune e Rixa)

Depois de meses de espera foi revelado o assassino: Mário Maluco, vivido por Osmar Prado. O personagem foi pedir satisfações a Nívea por ela ter dado um fim ao seu relacionamento com Ricardinho (Carlos Vereza), melhor amigo dele. Na discussão, Nívea caiu no precipício para morrer no mar.

Jardel Filho e Paulo José deram um excelente toque de humor à trama com seus personagens, Renatão e Samuca.

A novela tinha ainda outros personagens marcantes, como Ricardinho (Carlos Vereza), filho de um ex-presidiário que matara o amante da mãe; e o costureiro Rodolfo Augusto, o Gugu (Ary Fontoura), considerado uma das primeiras representações de um homossexual na televisão brasileira.

Outros abordagens do enredo: as transgressões praticadas por um grupo de jovens desajustados, a apatia urbana, a discussão sobre o voto de castidade imposto pela Igreja Católica aos religiosos, e o problema das drogas, pela primeira vez inserido em uma telenovela.

Dias Gomes escrevia os últimos capítulos quando recebeu uma intimação do Comando do Primeiro Distrito Naval para depor sobre supostas atividades subversivas. O autor tentou adiar o processo, mas o capitão-tenente encarregado do caso recusou o pedido. No dia do depoimento, marcado no antigo Ministério da Marinha (no Rio de Janeiro), o oficial disse que aceitaria o pedido se Dias lhe revelasse o nome do assassino de Nívea. Na ocasião, o autor brincou com a inusitada situação: “Isso eu não confesso nem sob tortura.” (Site Memória Globo)

Sobre o título da novela, narrou o diretor Régis Cardoso em seu livro “No Princípio Era o Som”:
“(…) Dias Gomes apresentou uma novela sem título. Não sei se foi o Borjalo [Mauro Borja Lopes, executivo da Globo] ou alguém que, muitas horas depois de uma reunião sem resultados positivos, resolveu, já que a novela era católica ou falava de padres, pedir a todos que começassem a rezar porque talvez encontrassem alguma ideia. Quando o Padre Nosso estava quase no final da primeira parte, que diz o seguinte: assim na terra como no céu… Borjalo então grita: – É esse o título, gente!”

No elenco, a curiosa participação de Nelson Motta, com um personagem fixo na história – na verdade, ele vivendo ele mesmo.
Nelson Motta já participava da novela como produtor musical da trilha sonora, juntamente com Roberto Menescal, pela gravadora Philips (ainda não existia a Som Livre). Ao todo, foram seis trilhas da época produzidas por Nelson neste esquema: também Véu de Noiva, Verão Vermelho, Pigmalião 70, Irmãos Coragem e A Próxima Atração.

No rastro do sucesso de Assim na Terra Como no Céu, chegou às bancas a versão romanceada da novela, adaptada por Natalício Norberto, publicada em 1971 pela Editora Bruguera.

Por seus trabalhos na novela, Jardel Filho e Renata Sorrah foram premiados com o Troféu Imprensa de melhor ator e revelação feminina na televisão em 1970, respectivamente.

Também a primeira novela das atrizes Lídia Mattos, Estelita Bell e Léa Garcia e dos atores Ivan Cândido e Clementino Kelé.

Lamentavelmente não existem mais imagens dessa novela. A hipótese mais provável é que as fitas tenham-se perdido em um dos incêndios posteriores que ocorreram na TV Globo (em 1971 ou em 1976).

Trilha Sonora
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01. MON AMI – José Roberto
02. ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU – Tim Maia
03. QUEM VIU HELÔ? – Claudette Soares (tema de Helô)
04. TEMA DE SUZI – Umas & Outras
05. TOMARA – Maria Creuza (tema de Joana)
06. AMIGA – Claudette Soares e Ivan Lins (tema de Vitor e Helô)
07. SEI LÁ – A Tribo (tema de Maria Lúcia)
08. QUARENTÃO SIMPÁTICO – Umas & Outras (tema de Renatão)
09. TEMA DE ZORRA – Orquestra CBD (tema dos jovens rebeldes)
10. TEMA VERDE – Denise Emmer (tema de Nívea)
11. QUE SONHOS SÃO OS MEUS? – Milton Santana (tema de Jurema)
12. TREM NOTURNO – Umas & Outras (tema de Samuca)
13. ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU – Roberto Menescal (tema do Padre Vitor)

Temas das novelas Assim na Terra Como no Céu, Irmãos Coragem e Passo dos Ventos
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01. TEMA DE ABERTURA – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu – tema de abertura *)
02. BANDINHA – Waltel Blanco (Irmãos Coragem)
03. DIANA – Waltel Blanco (Irmãos Coragem)
04. TEMA DE RICARDINHO – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
05. TEMA DE AMOR – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
06. 200MPH – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
07. I GIORNI DELL’IRA – Riz Ortolani (Irmãos Coragem)
08. FRUSTRAÇÃO – Arlete Salles (Assim na Terra Como no Céu)
09. BACK GROUND – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
10. ZORRA – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
11. TEMA DE SUSPENSE – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
12. BENAMIE – Waltel Blanco (Passo dos Ventos)

* o tema de abertura da novela é a versão instrumental da música, creditada a Waltel Blanco, e que não consta na trilha oficial da novela

Sonoplastia: Milton Porto
Produção Musical: Roberto Menescal e Nelson Motta

Veja também

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Verão Vermelho

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Bandeira Dois

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O Bem-Amado (a novela)

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O Espigão