Sinopse

Helena deu a luz a meninos gêmeos, mas não pôde criá-los ao lado do pai, Joaquim Gama, um amor do passado. Entregou um deles a Quim, que partiu para Portugal, e criou o outro com seu marido, o médico Plínio Miranda. Os gêmeos idênticos, João Victor e Quinzinho, cresceram sem que um soubesse da existência do outro.

Quim é um rico empresário casado com Marta, uma mulher fútil e orgulhosa. João Victor, moço sério, tímido e responsável, dedicou-se aos negócios da família. Quinzinho, rapaz expansivo, de temperamento oposto ao do irmão, é bancário e leva uma vida simples ao lado da mãe Helena, mulher sofrida e batalhadora, e do suposto pai, Plínio, agora médico aposentado.

A saúde de Quim obriga a família Gama a retornar ao Brasil e faz com que o empresário se interesse pelo paradeiro de seu outro filho – para o desespero de Helena, que se sente culpada por ter abandonado João Victor e por nunca ter revelado a Quinzinho que ele tinha um irmão. Enquanto mentiras impossibilitam a aproximação dos gêmeos, algumas confusões ocorrem devido à semelhança entre os dois.

Globo – 20h
de 16 de março a 26 de setembro de 1981
163 capítulos

novela de Manoel Carlos
direção de Roberto Talma e Paulo Ubiratan
direção geral de Roberto Talma

Novela anterior no horário
Coração Alado

Novela posterior
Brilhante

TONY RAMOS – Quinzinho (Joaquim Seixas Miranda) / João Victor Gama
LÍLIAN LEMMERTZ – Helena Seixas
FERNANDO TORRES – Plínio Miranda
RAUL CORTEZ – Quim (Joaquim Gama)
FERNANDA MONTENEGRO – Silvia Toledo
NATÁLIA DO VALLE – Lúcia Fernandes
CARLOS ZARA – Caio Fernandes
TEREZA RACHEL – Marta Tereza Frey Gama
BETTY FARIA – Joana Lobato
LÍDIA BRONDI – Mira Maia (Semíramis Maia)
REGINALDO FARIA – Saulo Martins
CHRISTIANE TORLONI – Lia Seixas Miranda
ARLETE SALLES – Dolores Moreira
LAURO CORONA – Caê (Carlos Eduardo Maia)
BETH GOULART – Débora Gama
CLÁUDIO CAVALCANTI – Guilherme Fonseca
SUSANA VIEIRA – Paula Vargas Leme
OTÁVIO AUGUSTO – Mauro Leme
MILTON GONÇALVES – Otto Rodrigues
BEATRIZ LYRA – Letícia
TEREZINHA SODRÉ – Corina
CARLOS GREGÓRIO – Sandro
CLÁUDIA COSTA – Leiloca (Ivete Andrade)
LADY FRANCISCO – Ondina
SUZANA QUEIRÓZ – Bebel
MARIA HELENA PADER – Zu (Zuleide)
MÍRIAN PIRES – Cândida
JONAS MELLO – Álvaro França
SUELY FRANCO – Rosa
GILBERTO MARTINHO – Antenor Gomide
MARIA ALVES – Conceição
LEINA KRESPI – Carmela Coelho (Carmem Carmim)
MARGA ABI RAMIA – Margô
ALCIONE MAZZEO – Laurinha
MARCOS ALVISI – Oscar
HAYLTON FARIAS – Miguel
FÁBIO PILLAR – Marcelo
TONY FERREIRA – Edmundo
a menina
MONIQUE CURY – Cris (Cristina Moreira Gomide)
e
ADA CHASELIOV – paciente do Saulo
ADELAIDE CONCEIÇÃO – Ruth (atendente na cantina da academia de Caio)
ALFREDO MARTINS – do casal que atropela Plínio
ANA LUIZA FOLLY – cliente da livraria atendida por Leiloca
ANA MARIA MARTINS – Sandra (recepcionista do apart-hotel em que Joana e João Victor moram)
ANA MARIA SAGRES – Mercedes (empregada de Marta)
CARMEM SILVA – Dona Carolina (paciente de Saulo com quem ele conversa na praça em Porto Alegre)
CARLOS KROEBER – gerente do Banco Nacional, em que Caê trabalha e Quinzinho trabalhou
CAUBY PEIXOTO como ele mesmo, canta em uma boate frequentada por Mauro
CHAGUINHA – Kamikaze (empregado na empresa de táxi aéreo de Quim)
CHRIS COUTO – Soninha (filha do dono da banca de jornais, tem uma queda por Caê)
DENISE DUMONT – Xuxa (envolve-se com Caê quando o namoro dele com Débora vai mal)
DINA FLORES – Fátima (empregada de Paula)
ED HEATH – médico homônimo de Plínio Miranda que João Victor encontra em Porto Alegre
ELIANA ARAÚJO
FERNANDA TORRES – Fauna (uma das duas filhas de Álvaro e Rosa, prima de Leiloca)
GABRIELA BICALHO – Mariana, depois chamada de Gabriela (menina que levou sua boneca para Otto consertar)
GERMANO FILHO – gerente de hotel que expulsa Álvaro
GLÓRIA ALVES
HEMÍLCIO FRÓES – homem que atropela Quinzinho no final do primeiro capítulo
HENRI PAGNOCELLI – médico que atende Quim quando ele tem um ataque do coração
IVAN SIMÕES – Pedrão (capanga de Caio que surrou João Victor pensando tratar-se de Quinzinho)
JAYME PERIARD – aluno da academia de Caio (figuração)
JOANA FOMM – mulher com quem Mauro dança em uma boate
JORGE BOTELHO – Wanderley (publicitário que faz uma campanha para a academia de Caio)
JORGE FERNANDO – Jorginho (ator e diretor de teatro, amigo de Silvia)
LAFAYETTE GALVÃO – Castro (gerente da joalheria em que Dolores vai trabalhar depois que se muda para o Rio)
LUCY MAFRA – Rita (secretária no consultório de Saulo)
MANOEL ELIZIÁRIO – Geraldo (copeiro no apartamento de Caio)
MARCELO FARIA – garoto que joga uma bola acidentalmente em Saulo, no parquinho
MARIA DO CARMO VELOSO – Dona Leonor, depois chamada de Dona Dolores na mesma cena (paciente do Dr. Plínio)
MÁRIO LAGO – paquera Helena na praça
MÁRIO POLIMENO – chefe de Caê no banco
MAURÍCIO NABUCO – Oswaldo (chefe de Helena e Corina na caderneta de poupança Delfin, onde elas trabalham)
MÔNICA SCHIMIDT – Célia (secretária no consultório de Lúcia)
NARDEL RAMOS – policial que ajuda o gerente a expulsar Álvaro do hotel
NARJARA TURETTA – Flora (uma das duas filhas de Álvaro e Rosa, prima de Leiloca)
NORMA GERALDY – Dona Eufêmia (primeira paciente de Saulo no Rio)
ORION XIMENES – detetive contratado por Marta para descobrir o paradeiro dos verdadeiros pais de João Victor
PAOLETTE (PAULO BACELAR) – Felipe (amigo de Lia, trabalha com ela)
PEDRO CASSADOR – Afonso (motorista de Silvia)
ROSAMARIA MURTINHO – Alice (paciente de Lúcia, morre após o parto)
SÓLON DE ALMEIDA
VICTOR LOPES – dublê de Tony Ramos quando os gêmeos contracenam
WALDIR SANTANNA – Ernesto (namorado de Conceição)
Alceu (recepcionista na academia de Caio)
Chico (garçom na lanchonete/pizzaria onde os jovens se encontram)
Clélia (secretária da empresa de Quim em Brasília que recebe Quinzinho)
Dona Berenice (enfermeira que cuida de Plínio depois que ele é atropelado)
Isolda (secretária de Quim)
João (marido de Alice)
Dr. Moretti (médico que mede a pressão de Quim)
Rose (mulher do publicitário Wanderley)
Vicente (dono da banca de jornais, pai de Soninha)

– núcleo de HELENA (Lílian Lemmertz), mulher sofrida, teve gêmeos no passado mas, por força das circunstâncias, teve que entregar um dos meninos para o pai criar. Ele o levou para fora do país e Helena nunca mais teve notícias do menino. Os irmãos cresceram sem que um soubesse da existência do outro. Sente-se culpada por ter permitido que um filho fosse levado e por não revelar a verdade ao outro:
o atual marido PLÍNIO MIRANDA (Fernando Torres), médico hoje aposentado. Ajudou-a quando as crianças nasceram e acabou se casando com ela. Criou um dos meninos como se fosse seu filho
o filho QUINZINHO (Tony Ramos), um dos gêmeos, rapaz simpático, expansivo, sonhador, de bem com a vida e meio inconsequente. Não sabe da existência do irmão gêmeo. Bancário, mora com os pais, mas almeja a independência. Quer ser piloto de avião
a filha com Plínio, LIA (Christiane Torloni), bonita, de personalidade forte, batalha desde cedo pela independência. Trabalha em um laboratório de análises clínicas
a colega de trabalho CORINA (Terezinha Sodré), que aluga um quarto em sua casa
a empregada CONCEIÇÃO (Maria Alves)
o namorado de Conceição, ERNESTO (Waldir Santanna)
o amigo e colega de trabalho de Lia, FELIPE (Paulo Bacelar).

– núcleo de JOAQUIM GAMA, o QUIM (Raul Cortez), de origem humilde, enriqueceu por meio de um casamento de interesse, apesar de ter amado Helena no passado. Com ela, teve os filhos gêmeos, mas apenas um foi reconhecido por ele. Convenceu a atual mulher a adotá-lo ainda pequeno, escondendo que era o pai verdadeiro da criança. Morou em Portugal durante muitos anos e, após um enfarte, volta ao Brasil com a família e faz um balanço de sua vida:
o filho JOÃO VICTOR (Tony Ramos), o outro gêmeo, filho com Helena, criado por ele e sua esposa. Não sabe da existência do irmão. O oposto de Quinzinho, é um rapaz sisudo, tímido, responsável nos negócios da família. No Brasil, é envolvido em várias confusões por causa da semelhança física com o irmão
a mulher MARTA (Tereza Rachel), de origem aristocrática, é fútil, esnobe, arrogante e orgulhosa. Não ama o marido, mas não perdoa suas infidelidades conjugais. Desconhece a origem de João Victor: pensa que ele foi abandonado pelos pais verdadeiros antes de ser adotado. É quem revela a João Victor que ele é adotado
a filha com Marta, DÉBORA (Beth Goulart), moça tímida e introspectiva. A princípio, não suporta a ideia de deixar a vida que leva em Portugal para ir morar no Rio de Janeiro
o braço-direito nos negócios GUILHERME FONSECA (Cláudio Cavalcanti), homem prático e objetivo, defende seus interesses
o motorista EDMUNDO (Tony Ferreira)
a empregada MERCEDES (Ana Maria Sagres).

– núcleo de LÚCIA (Natália do Valle), jovem médica pediatra. Envolve-se com Quinzinho, para a desaprovação do pai ciumento, que não aceita dividi-la com ninguém:
o pai CAIO FERNANDES (Carlos Zara), um bon-vivant, mau-caráter, enriqueceu enganado seu sócio, Quim, na empresa de táxis aéreos. Esportista, vaidoso, mulherengo, metido a ser mais jovem do que é. Capaz de tudo pela filha, a quem vigia com certo exagero. Também é dono de uma academia de dança e ginástica
o colega de trabalho e ex-namorado MARCELO (Fábio Pillar), ainda apaixonado por ela
a secretária em seu consultório CÉLIA (Mônica Schmidt)
o copeiro em sua casa GERALDO (Manoel Eliziário).

– núcleo de SILVIA TOLEDO (Fernanda Montenegro), ex-mulher de Caio, mãe de Lúcia. Foi uma atriz de teatro de sucesso e está pensando em retomar a carreira. Separada do marido há muitos anos, permitiu que a filha fosse criada pelo pai. Tem um romance com Quim:
a amiga CARMELA COELHO (Leina Krespi), ex-atriz de teatro de revista, conhecida como CARMEM CARMIM, seu nome artístico. Trabalhou ao lado de Sílvia, por quem é sustentada e de quem é a maior admiradora
a secretária e camareira MARGÔ (Marga Abi Ramia), amiga e fiel
o amigo JORGINHO (Jorge Fernando), ator e diretor de teatro
o namorado, no início, MIGUEL (Haylton Farias), mais jovem que ela
o motorista AFONSO (Pedro Cassador).

– núcleo de MIRA MAIA (Lídia Brondi), jornalista temperamental, com faro para confusão. Independente, batalhadora, audaciosa e petulante. Tem vergonha de seu nome verdadeiro, SEMÍRAMIS, que esconde de todos. Amiga de Quinzinho, vive provocando ciúmes em Lúcia de propósito. Apaixona-se por João Victor quando o conhece:
o irmão CAÊ (Lauro Corona), melhor amigo de Quinzinho, com quem trabalha no banco. Apaixonado por velocidade, carros e fortes emoções. Apaixona-se por Débora, mas o namoro é atrapalhado por Marta, que é contra o envolvimento
a mãe LETÍCIA (Beatriz Lyra), doceira, mulher abnegada e trabalhadora
o padrasto OTTO (Milton Gonçalves), com quem tem uma relação superficial e complicada. Artesão, mantém uma oficina de consertos de brinquedos
o chefe de Caê, (Carlos Kroeber), gerente do banco onde ele trabalha
a moça da banca de revistas vizinha à sua casa SONINHA (Chris Couto).

– núcleo de SAULO MARTINS (Reginaldo Faria), médico homeopata, acomodado e sem maiores ambições. Divide-se entre a mãe viúva e as namoradas. Morava em Porto Alegre mas muda-se para o Rio de Janeiro quando conhece Lia, com quem inicia um romance:
a mãe CÂNDIDA (Mírian Pires), mulher exigente e antipática, não aprova a forma indolente com que ele leva a vida. Nem as suas escolhas amorosas
a secretária em seu consultório RITA (Lucy Mafra).

– núcleo de DOLORES (Arlete Salles), namorada de Saulo no início. Inconstante, tem altos e baixos. Vive às turras com Dona Cândida, que não a suporta. Não aceita ser trocada por Lia. Descobre-se grávida e decide morar no Rio de Janeiro para ficar perto de Saulo:
o ex-marido ANTENOR GOMIDE (Gilberto Martinho), com quem tem uma relação difícil, já que ele a odeia, não facilita a relação dela com a filha dos dois e recusa-se a dar-lhe o divórcio
a filha pequena CRIS (Monique Cury), que ignora a mãe por influência do pai, mas ao final fica sua amiga. Introvertida, transforma-se com a ida para o Rio
o irmão SANDRO (Carlos Gregório), sujeito introspectivo, hipocondríaco e depressivo, aluga um quarto na casa de Helena e Plínio. Acaba se envolvendo com Corina, mais por insistência dela
o casal amigo: PAULA (Susana Vieira), deslumbrada, ambiciosa e leviana, seu maior desejo é subir na vida e ter status. Muda-se para o Rio de Janeiro para trabalhar na empresa de Quim. Envolve-se com Caio por meio de uma armação de Guilherme a fim de conseguir provas das tramoias dele,
e MAURO LEME (Otávio Augusto), que tem ciúme doentio da mulher. Trabalha na empresa aérea de Quim, como piloto. No decorrer da trama, enlouquecido de ciúmes de Caio, joga o seu avião em cima dele e os dois morrem.

– núcleo da academia de Caio:
a professora de dança JOANA LOBATO (Betty Faria), alvo das atenções de Caio, Quim e João Victor. Não consegue se apegar emocionalmente a nenhum homem, já que preza sua independência, inclusive afetiva
a administradora ZU (Maria Helena Pader), que faz tudo para agradar Caio e conseguir uma promoção. Mulher não muito feminina, firme e amarga, antipatizada pelas alunas
a zeladora ONDINA (Lady Francisco), cuida também da lanchonete onde os alunos se reúnem. Mora com a filha adolescente em um pequeno aposento na academia. Envolve-se com Edmundo
a filha de Ondina, BEBEL (Suzana Queiroz), garota meio inconsequente, tem uma paixonite por Caê
a aluna LAURINHA (Alcione Mazzeo), amiga de Lúcia, vive com problemas financeiros, pedindo dinheiro emprestado, já que gasta mais do que tem
o professor OSCAR (Marcos Alvisi), por quem Laurinha nutre uma forte antipatia
a atendente na cantina RUTH (Adelaide Conceição).

– núcleo de IVETE (Cláudia Costa), a mais gorda das alunas da academia, mais conhecida como LEILOCA, numa alusão a uma das integrantes do conjunto musical As Frenéticas. Torna-se modelo no final da trama:
os tios: ÁLVARO (Jonas Mello), quarentão atlético. Amante da natureza e adepto da alimentação natural, abre um restaurante do gênero. Muda-se com a família dos arredores do Rio de Janeiro para a cidade grande,
e ROSA (Suely Franco), luta contra o controle e os exageros do marido. Fuma escondida dele
as primas FAUNA (Fernanda Torres) e FLORA (Narjara Turetta), aparecem no meio da trama, vão morar com os pais quando eles já estão estabelecidos no Rio.

A primeira novela solo de Manoel Carlos no horário nobre da Globo. O autor vinha de dois sucessos às 18 horas, Maria Maria e A Sucessora (entre 1978 e 1979), e da colaboração a Gilberto Braga em Água Viva (em 1980). Também fez parte da equipe de roteiristas do seriado Malu Mulher (entre 1979 e 1980).

Depois da soturna e melodramática Coração Alado, a Globo apostava novamente na estética e estilo de Água Viva, com uma atração solar, realista, propondo um crônica de costumes da sociedade carioca do início dos anos 1980. Com o texto sofisticado de Manoel Carlos, Baila Comigo tornou-se um dos maiores sucessos da televisão em 1981, lançando modismos entre a juventude e divulgando as praias cariocas.
Também de Água Viva, além do roteirista e dos diretores (Roberto Talma e Paulo Ubiratan), parte do elenco: Betty Faria, Raul Cortez, Reginaldo Faria, Natália do Valle, Cláudio Cavalcanti, Arlete Salles, Terezinha Sodré e Maria Helena Pader.

“O roteiro inicial pressupunha que viria pela frente um impiedoso folhetim. Um engano! A novela surpreendeu a todos com o requintado e belo discurso de Manoel Carlos sobre o relacionamento das pessoas em diversos níveis.”
Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

O momento mais marcante foi o esperado encontro dos gêmeos que não se conheciam, depois de vários desencontros durante toda a trama. Os irmãos se conheceram no capítulo 146 (a 17 do final), exibido no feriado de Sete de Setembro (de 1981).
Para gravar a cena, o vídeo foi dividido em duas partes, metade para as cenas de Quinzinho e metade para as de João Victor. Enquanto o primeiro falava, com o suporte de um dublê (Victor Lopes), só a sua metade ficava descoberta. A outra parte só se abria quando era a vez de João Victor. Gravada a sequência, juntavam-se as partes, e o público assistia à interação entre os irmãos. (*)

Tony Ramos recebeu aplausos da crítica pelo desafio de fazer o duplo papel dos gêmeos, recorrendo apenas à caracterização e a recursos técnicos de voz, postura corporal e respiração para viver personalidades tão diversas. Sobre sua interpretação, o ator comentou em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 05/04/1981 (TV Pesquisa PUC-Rio):
“Quando vou interpretar o Quinzinho, me preparo fazendo ginástica, dando uma corrida. Procuro me exercitar ao nível físico, até transpirar um pouco. Busco seu clima caloroso conversando com os colegas, contando piadas, essas coisas. Na hora do João Victor, faço o exercício de forma inversa. Procuro ficar sozinho num canto, me recolho. Busco uma postura mais reservada, um temperamento mais fechado, contido.”

Destaque também para o casal Plínio e Helena, interpretados com sensibilidade por Fernando Torres e Lílian Lemmertz.
A atriz viveu a primeira da série de Helenas perpetuadas por Manoel Carlos em seus trabalhos posteriores. Curiosamente, a última das Helenas de Maneco foi vivida por Júlia Lemmertz, filha de Lílian, 33 anos depois, na novela Em Família (2014).

Foi a estreia de Lílian Lemmertz, Fernando Torres e Fernanda Montenegro nas novelas da Globo, como atores. Fernando já havia trabalhado na emissora como diretor, no início da década de 1970. E Fernanda havia atuado apenas no Caso Especial Medeia, em 1973.

Fernanda Montenegro fora inicialmente convidada pelo autor para viver o papel de Helena. Contudo, a direção preferiu escalar Lílian Lemmertz para interpretar a personagem. Em função disso, Manoel Carlos criou uma personagem especial para Fernanda: a atriz Silvia Toledo.
Porém, ela saiu antes do término de Baila Comigo pois fora escalada para a novela substituta no horário, Brilhante, de Gilberto Braga, na qual interpretou a vilã Chica Newman.

Primeira novela de Fernanda Torres, ainda que sua participação tenha sido pequena. Mas a jovem atriz não contracenou com seus pais – Fernando Torres e Fernanda Montenegro -, que atuavam em núcleos diferentes. Fernanda Torres também foi escalada para Brilhante, na qual viveu a neta de Chica Newman (sua mãe Fernanda Montenegro).

Assim como o autor lançou em Baila Comigo a sua primeira Helena, também deu início com esta novela a um perfil de personagem recorrente em sua obra: a garota sem papas na língua, inconveniente, inconsequente, voluntariosa, mimada ou egoísta. Mira Maia, vivida por Lídia Brondi, é a precursora de Joice (Carla Marins) de História de Amor, Laura (Vivianne Pasmanter) de Por Amor, Íris (Deborah Secco) de Laços de Família, Dóris (Regiane Alves) de Mulheres Apaixonadas e Isabel (Adriana Birolli) de Viver a Vida.

A relação entre o negro Otto (Milton Gonçalves) e a branca Letícia (Beatriz Lyra) chamou a atenção para o problema do preconceito racial. Após a exibição da cena de um beijo entre os dois personagens, a atriz chegou a ser hostilizada na rua. (*)

A censura do Governo Federal prejudicou o bom andamento da novela. Várias foram as intervenções de Manoel Carlos para adequar o texto ao gosto do pessoal de Brasília. Um dos bons temas inicialmente abordados na trama sumiu sem mais nem menos: os problemas ligados ao sexo na maturidade, discutidos pelo casal Helena e Plínio (Lílian Lemmertz e Fernando Torres).
Em entrevista, o autor queixou-se:
“O maior problema com a novela é a censura, que cortou todo o relacionamento dos personagens interpretados por Raul Cortez e Fernanda Montenegro, absolutamente necessários ao seguimento da história. Também impediu o tiro levado pelo personagem do Carlos Zara. Deixa que um marido seja enganado durante 60 capítulos mas corta sua vingança obrigando um salto no enredo que se tomou quase incompreensível para o público.”
Jornal do Brasil, 05/07/1981 (TV Pesquisa PUC-Rio).

A cena em que Mauro (Otávio Augusto) atira em Caio (Carlos Zara) e atinge sua mão foi gravada mas não foi exibida. No ar (no capítulo 70), a sequência ficou truncada.

Aliás, os personagens Mauro e Caio protagonizaram em Baila Comigo uma das sequências mais originais de nossa Teledramaturgia: louco de ciúme, o piloto Mauro comete suicídio ao lançar seu avião sobre Caio, liquidando assim seu desafeto.

Reginaldo Faria, intérprete do médico homeopata Saulo Martins, lembra que buscou a assessoria de uma médica para viver seu personagem. O ator passou a fazer tratamento homeopático por causa do papel. (*)
Da mesma forma, a procura pela Medicina Homeopática cresceu entre o público com a divulgação na novela.

No capítulo 41, Reginaldo Faria contracena rapidamente com seu filho Marcelo (então com 9 anos), que futuramente se tornou ator. Na cena, o garoto jogava futebol com amigos no parquinho quando o personagem de Reginaldo leva uma bolada acidentalmente.

Embora Reginaldo Faria tivesse seu nome creditado por primeiro na abertura da novela, seu personagem Saulo não passava de um coadjuvante. Isso não incomodava o ator, mas seu nome abrir os créditos sim, uma vez que Tony Ramos, o legítimo merecedor da primazia, vinha em segundo. Reginaldo chegou a reclamar diretamente com Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, superintendente da Globo na época), sugerindo inclusive que seu nome fosse para um setor dos créditos como “participações especiais” ou coisa do tipo, se a intenção da emissora era destacá-lo. Mas nada feito.
Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

O personagem Guilherme Fonseca foi desenvolvido de maneira bastante diferente do que previa a sinopse original da novela e do que foi proposto ao ator Cláudio Cavalcanti, seu intérprete. Conforme o inicialmente planejado, Guilherme se aliaria à vilã Marta (Tereza Rachel) em uma vingança pessoal contra Quim (Raul Cortez), já que este abandonaria a mulher para unir-se a Helena (Lílian Lemmertz), que ficaria viúva de Plínio (Fernando Torres). Mas o público não gostou de saber da morte de Plínio, um dos personagens mais queridos da novela, e a reação fez com que o autor o mantivesse vivo durante toda a trama. Isso desviou a rota do personagem Guilherme, que ficou sem função na história, desagradando Cláudio Cavalcanti.
Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Por pouco, Baila Comigo não estreou no dia previsto (16/03/1981), apesar das chamadas no ar. Na noite anterior, como habitualmente acontecia em todos os lançamentos, Boni foi assistir ao primeiro capítulo editado e finalizado. Era o que ia ao ar. Tinha ao seu lado, na ilha de edição, Mário Lúcio Vaz e os diretores da novela Roberto Talma e Paulo Ubiratan. Logo ao apertar o play, Boni foi se transformando. Ficou em silêncio, sem nenhuma reação, até o momento em que explodiu: “Isto aqui está uma merda! Sem ritmo nenhum. Tem que editar tudo de novo.”
Mário Lúcio ainda tentou argumentar, mas não houve jeito. Talma e Ubiratan se trancaram na ilha de edição, viraram a noite e só no fim da tarde conseguiram ir embora. No dia seguinte ao da estreia, os dois receberam em casa flores, vinhos da melhor qualidade e bombons. E um bilhetinho curto e objetivo: “Obrigado. Boni.”
Flávio Ricco e José Armando Vannucci em “Biografia da Televisão Brasileira”
.

Manoel Carlos criou duas personagens — Fauna e Flora — que deveriam aparecer, no máximo, a partir do 30º capítulo da novela. Os nomes de suas intérpretes, Fernanda Torres e Narjara Turetta, foram creditados na abertura desde o início. No entanto, só foram aparecer em Baila Comigo no capítulo 92. A razão: a Globo não tinha meios de realizar mais um cenário para a novela e o autor teve que aguardar até que isso pudesse acontecer. (Revista Cláudia ou Revista Nova, agosto de 1981, extrato do blog “Porcos, Elefantes e Doninhas”)

Os primeiros capítulos tiveram cenas gravadas no Rio Grande do Sul. Uma equipe foi ainda a Portugal rodar sequências com os atores Tony Ramos, Raul Cortez, Beth Goulart, Cláudio Cavalcanti, Susana Vieira e Otávio Augusto. Durante quatro dias, foram realizadas gravações em lugares como a Alameda D. Afonso Henriques, as imediações do Castelo de São Jorge e o Hotel Ritz, próximo à Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, e o Cassino Estoril e o Mosteiro da Batalha. Site Brinca Brincando.

A produção exigiu a montagem de uma academia completa – a academia de dança de Caio (Carlos Zara) – cenário que ocupou 300 metros quadrados, a maior parte do estúdio onde se passava a trama.

A personagem Joana Lobato, vivida pela atriz e bailarina Betty Faria, não tinha maior função em Baila Comigo a não ser difundir a dança moderna.
A novela vinha no rastro da onda fitness, que espalhou academias de ginástica mundo afora, e do sucesso no Brasil do filme Fama, de Alan Parker (1980). Daí se justificava a academia de dança como pano de fundo e cenário de Baila Comigo.
Em consequência, a moda dos bailarinos do filme se popularizou no Brasil por meio da novela, com as polainas de lã e collants usados por Betty Faria e os dançarinos na trama.
Também as faixas ou lenços torcidos na testa, como os usados por jogadores de tênis, caíram no gosto do público – para elas e para eles, pois tanto Betty quanto Lauro Corona usaram o acessório na novela.

Para o título, foi escolhida a música de Rita Lee e Roberto de Carvalho, do disco dela de 1980. Porém, a gravação suave de Rita não serviu para ilustrar a abertura, na qual o bailarino Lennie Dale (um dos fundadores do Dzi Croquettes) comandava uma ágil coreografia. A solução para manter a música (e, consequentemente o título) foi encomendar aos arranjadores Robson Jorge e Lincoln Olivetti uma versão instrumental mais frenética, com base eletrônica, a qual embalou a abertura.
Guilherme Bryan e Vicent Villari em “Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”.

O primeiro título pensado por Manoel Carlos para sua novela era Quadrilha, uma referência ao famoso poema de Carlos Drummond de Andrade que canta o amor em cadeia: “João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim…”.

A capa do LP internacional de Baila Comigo foi ilustrada com uma foto romântica de Reginaldo Faria e Natália do Valle. Estava inicialmente previsto que os atores formassem um par romântico na trama, o que acabou não acontecendo por causa das várias mudanças de rumo que o autor Manoel Carlos se viu obrigado a administrar. Soou estranho confrontar a capa do disco com o que se viu na novela, uma vez que os personagens Saulo e Lúcia pouco contracenaram.

A APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) elegeu Tony Ramos e Fernando Torres os melhores atores da televisão em 1981 (juntamente a Rubens de Falco, pela novela Os Imigrantes, da TV Bandeirantes). Já Lílian Lemmertz foi eleita a melhor atriz (juntamente com Fernanda Montenegro, por seu trabalho em Brilhante, Yoná Magalhães, por Os Imigrantes, e Kate Hansen, por sua atuação nos tele-romances da TV Cultura).
Tony Ramos foi ainda premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1981.

Estreia na Globo dos atores Lílian Lemmertz, Fernando Torres e Fernanda Montenegro. Primeira novela dos atores Fernanda Torres, Marcus Alvisi, Fábio Pillar e Cláudia Costa.

Baila Comigo foi a primeira novela brasileira apresentada na França (com o título Danse Avec Moi). Compactada em 55 capítulos, lá estreou em outubro de 1984, no canal TF-1, com boa audiência. Além disso foi vendida para mais de 30 países.

Reprisada no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) a partir de 20/08/2018, às 14h30 (com reprise à 01h15).

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora Nacional

bailat1
01. O LADO QUENTE DO SER – Maria Bethânia (tema de Lúcia)
02. DEIXA CHOVER – Guilherme Arantes (tema de Joana)
03. LUA E ESTRELA – Caetano Veloso (tema de Mira)
04. CORAÇÕES A MIL – Marina (tema de Caê)
05. LOUCURA – Cauby Peixoto (tema de Mauro e Paula)
06. PANO DE FUNDO – Fafá de Belém (tema de Silvia)
07. BAILA COMIGO – Robson Jorge e Lincoln Olivetti (tema de abertura)
08. VIAJANTE – Ney Matogrosso (tema de João Victor)
09. VIDA – Beth Goulart (tema de Helena)
10. BICHO NO CIO – Marcos Valle (tema de Saulo)
11. RIO SINAL VERDE – Júnior Mendes (tema de Quinzinho)
12. VIRA VIROU – Kleiton e Kledir (tema de João Victor)
13. RAPTE-ME CAMALEOA – Naila Skorpio (tema de Zu)

Trilha Sonora Internacional

bailat2
01. WITHOUT YOUR LOVE – Roger Daltrey (tema de Joana)
02. 9 TO 5 – Dolly Parton
03. LIVING INSIDE MYSELF – Gino Vannelli (tema de Débora e Caê)
04. CRYING – Don McLean (tema de Helena)
05. EXPLOSION – I. C. Bell
06. ANGEL OF MINE – Frank Duval (tema de Ondina e Edmundo)
07. AS TIME GOES BY – George Reagan Orchestra (tema de Silvia e Quim)
08. REALITY – Richard Sanderson (tema de Mira e João Victor)
09. SANTA MARIA – Newton Family
10. TIME – The Alan Parsons Project (tema de Lúcia e Quinzinho)
11. LET’S HANG ON – Salazar
12. COME BACK TO ME – Leslie, Kelly & John Ford Coley (tema de Lia e Saulo)
13. WHAT’S IN A KISS – Gilbert O’Sullivan
14. LOSING SLEEP OVER YOU – Patrick Hernandez

ainda
FAME – Irene Cara (nas aulas da academia de Caio)
THIS MASQUERADE – George Benson

Temas Instrumentais – músicas de Robson Jorge e Lincoln Olivetti

bailat3
01. BAILA COMIGO e FESTA BRABA
02. GINGA
03. ALELUIA
04. ALEGRIAS

Sonoplastia: Antônio Faya e Guerra Peixe Filho
Efeitos Sonoros: Jair Pereira
Pesquisa de Repertório: Arnaldo Schneider
Direção de Produção: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: BAILA COMIGO – Robson Jorge e Lincoln Olivetti *

Se Deus quiser
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado, pintado de verde
Num eterno domingo
Ser um bicho preguiça
Espantar turista
E tomar banho de sol
Banho de sol! Banho de sol! Sol!…

Se Deus quiser
Um dia acabo voando
Tão banal assim como um pardal
Meio de contrabando
Desviar do estilingue
Deixar que me xingue
E tomar banho de sol
Banho de sol! Banho de sol! Banho de sol!…

Baila comigo!
Como se baila na tribo
Baila comigo!
Lá no meu esconderijo
Ai! Ai! Ai!
Baila comigo! (ah! ah! uh! uh!)
Como se baila na tribo
Oh! Oh! Baila ba, ba, baila comigo!
Lá no meu esconderijo…

Se Deus quiser
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah! Eu fico contente
E na primavera
Vou brotar na terra
E tomar banho de sol
Banho de sol! Banho de sol! Sol!…

Se Deus quiser
Um dia eu morro bem velha
Na hora “H” quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote
De camarote…
E tomar banho de sol
Banho de sol! Banho de sol! Sol!…

Baila comigo!
Como se baila na tribo
Uh! Uh! Uh! Baila ba, ba, baila comigo!
Lá no meu esconderijo
Ai! Ai! Ai!…

* O tema de abertura é uma versão instrumental da música

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