Sinopse

Andréia, uma mulher ambiciosa e sem nenhum escrúpulo, se casa por interesse com o milionário Antero Souza e Silva. Para herdar a fortuna do marido, ela planeja a sua morte: sabota o iate em que Antero estava, que explode em alto-mar. O testamento do milionário é aberto e, para desespero de Andréia, ele designou como única herdeira Leonarda Furtado, uma filha bastarda, desaparecida.

Leonarda Furtado, a Naná, com a ajuda do compadre Jerônimo Machado, o Jejê, aplica cambalachos para sobreviver e manter os estudos na Suiça da filha Daniela, que não vê há mais de uma década. Para aliviar a culpa por suas trapaças, Naná leva para casa crianças que recolhe nas ruas. Apesar de viverem de trambiques, Naná e Jejê são boas pessoas. Ela só não imagina que herdou uma fortuna.

O filho legítimo de Antero, Thiago, volta ao Brasil para o funeral do pai. Bailarino, ele não recebeu herança, porque Antero o havia deserdado, intransigente com a profissão que o filho escolhera. Thiago conhece Ana Machadão, filha de Jejê, uma jovem bonita, porém descuidada e masculinizada, que trabalha como mecânica. Os dois se estranham, mas logo se apaixonam, apesar de suas diferenças.

Determinada a reaver a fortuna do marido, Andréia contrata o advogado Rogério, marido de sua irmã Amanda, por quem é apaixonada. Ele é um machão, que vive tendo relacionamentos passageiros fora do casamento. Quando Amanda, também advogada, percebe que está sendo traída, decide defender Naná na disputa pela herança de Antero, batendo de frente com o marido e a irmã.

A trama sofre uma reviravolta com a chegada de Daniela, suposta filha de Naná, que ficou sabendo da herança quando a mãe lhe ligou para contar a novidade. Daniela chega ao Brasil acompanhada do noivo, Jean-Pierre, e do sogro, o duque Armand Grimaldi Delacroix, nobres franceses. Aos poucos, nota-se que Daniela não passa de uma aproveitadora, apenas interessada na herança da mãe.

No Brasil, Daniela reencontra Thiago, com quem se envolvera na Europa, e está disposta a melar o romance do ex com Ana Machadão. Logo descobre-se que Daniela, que se dizia filha de Naná, é uma impostora. Jean-Pierre e Armand, por sua vez, também são dois trapaceiros de olho na fortuna de Naná. Disfarçados de nobres, eles, na realidade, chamam-se João Pedro e Armandinho.

O falso nobre Jean-Pierre atrai o interesse de Tina Pepper, ou melhor, Albertina Pimenta, sobrinha de Jejê. Ela é fã de Tina Turner, sonha em ser uma cantora famosa e sair da vila pobre onde mora com a mãe, Lili Bolero, irmã da falecida esposa de Jejê. Eterna apaixonada pelo cunhado, Lili é uma cantora frustrada que vive a reclamar que Ângela Maria prejudicara sua carreira.

Globo – 19h
de 10 de março a 4 de outubro de 1986
173 capítulos escritos, 179 exibidos

novela de Sílvio de Abreu
direção de Jorge Fernando e Antônio Rangel
direção geral de Jorge Fernando

Novela anterior no horário
Ti-ti-ti

Novela posterior
Hipertensão

FERNANDA MONTENEGRO – Naná (Leonarda Furtado) / Madame Narda
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Jejê (Jerônimo Machado)
NATÁLIA DO VALLE – Andréia Souza e Silva
CLÁUDIO MARZO – Rogério Guerreiro
SUSANA VIEIRA – Amanda Pereira Guerreiro
EDSON CELULARI – Thiago Souza e Silva
DÉBORA BLOCH – Ana Machadão
FLÁVIO GALVÃO – Athos Trancoso
REGINA CASÉ – Tina Pepper (Albertina Pimenta)
CONSUELO LEANDRO – Lili Bolero (Liliana Pimenta)
OSWALDO LOUREIRO – Dinho / Armandinho da Cruz (Duque Armand Grimaldi Delacroix)
LOUISE CARDOSO – Daniela
EMILIANO QUEIRÓZ – Seu Biju (Claudionor Trancoso)
ROSAMARIA MURTINHO – Céci (Cecília Pereira)
ROBERTO BONFIM – Vanderlei Pereira
MARCOS FROTA – Ricky Romano
CHRISTINE NAZARETH – Debbie Day
FÁBIO SABAG – Olívio / Ovídio de Oliveira
JACQUELINE LAURENCE – Dominique Montmartre
PAULO CÉSAR GRANDE – Aramis
MAURÍCIO MATTAR – Portos
ANDRÉA AVANCINI – Julinha
LUIZ FERNANDO GUIMARÃES – João Pedro (Jean Piérre)
DUSE NACARATTI – Cibele
LEINA KRESPI – Dona Dedé (Ademilde Antunes)
MARIA HELENA PADER – Matilde Rebello
MARCUS VINÍCIUS – Michelin
as crianças
GABRIELA BICALHO – Bepa
FERNANDO VANUCCI JR. – Chiquito
JOÃO REBELLO – Maneco
CRISTIANE LOPES – Mena
KIKO OLIVETTI – Miltinho
DANIEL MARQUES – Betinho
MALIK DOS SANTOS – Tico
e
ADELAIDE CHIOZZO – mulher do príncipe em lua-de-mel no hotel onde Tina e Jean-Pierre se hospedam, no Rio
ALCIONE MAZZEO – mulher na platéia do tribunal
ALEXANDRE FROTA – assedia Julinha na festa de São Jerônimo
ÂNGELA MARIA como ela mesma, num show beneficente na festa de São Jerônimo
ÂNGELA RABELO – Maria Helena (empregada na casa de Amanda)
ANKITO – taxista contratado por Armandinho
ANTÔNIO CARLOS PIRES – Antunes (marido desaparecido de Dona Dedé)
ANTÔNIO GONZALEZ- piloto de motocross, corre com Fábio
ANTÔNIO PEDRO – maestro português que Olívio paga para produzir o disco de Lili Bolero
ARTHUR COSTA FILHO – juiz
AUGUSTO OLÍMPIO – repórter que entrevista as mulheres que se apresentam na mansão de Antero como suas filhas
AURICÉIA ARAÚJO – candidata à filha de Antero
BERTA LORAN
BETH CASTRO – repórter que entrevista as mulheres que se apresentam na mansão de Antero como suas filhas
BIA MONTEZ – funcionária da Physical
CARLOS GREGÓRIO – amigo de Rogério, maestro na orquestra em que ele toca saxofone
CARLOS KROEBER – delegado
CARLOS ZARA – Hoffman (decide patrocinar Athos em corridas de motocross)
CATALANO (HUMBERTO CATALANO) – recepcionista do hotel em que Tina e Jean-Pierre se hospedam no Rio
CLÁUDIA RAIA – Maria Antonieta Félix y Armendariz (suposta milionária portenha contratada por Rogério para enganar Vanderlei)
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Bóris Duarte (ex-marido de Joana)
CLAUDIONEY PENEDO – Delegado Paixão (amigo de Jejê)
CLÁUDIO GAYA – Juliano (amigo de Rogério, delegado que investiga a morte de Antero)
CRISTINA PEREIRA – Daniela (a verdadeira filha de Naná, no final)
DANIEL FILHO – agente da Interpol que prende Andréia, no final
DAYSE TENÓRIO – funcionária do banco em Genebra
DILL COSTA – modelo que tenta seduzir Vanderlei
EDYR DE CASTRO – Dorotéia da Silva (vigarista que tentou tomar Betinho, um dos filhos adotivos de Naná)
EDUARDO LAGO – Fábio (amigo de Athos que está prestes a receber um patrocínio mas é passado para trás por ele)
EMILINHA BORBA – hóspede do hotel no Rio onde Tina e Jean-Pierre também se hospedam
EMÍLIO SANTIAGO como ele mesmo, cantando a música tema da Amanda e Rogério para eles, num barzinho
ERNANI MORAES – patrocina Athos numa corrida de motocross a pedido de Amanda
EVANDRO MESQUITA – Alcebíades da Silva (Tina o confunde com Evandro Mesquita e os dois cantam uma música de Tina Turner na festa de São Jerônimo)
GERALDO DEL REY – Carlos Calux
GIÁCOMO PINOTTI – com Naná e Jejê tenta aplicar um cambalacho no Duque Armand
GILDA CRUZ – empregada na mansão de Antero
GUARACY VALENTE – um dos capangas que cobram uma dívida de Jejê
GUEL ARRAES como ele mesmo, diretor do comercial de relógio em que Thiago participa
GUILHERME CORRÊA – Palhares (contratado por Vanderlei para enganar Céci, que acreditava que ele era um cliente seu)
HEMÍLCIO FRÓES – executivo da empresa que fez a peça de moto desenhada por Ana Machadão
HENRIQUETA BRIEBA – Dona Ubiratânia (mãe de Naná, que ela desconhecia, no último capítulo)
INÊS GALVÃO – prostituta contratada por Rogério
INGO HOFFMAN como ele mesmo
IVAN MESQUITA – padre da paróquia em que Naná e Jejê tentam aplicar um golpe, no início
IVON CURY – príncipe em lua-de-mel no hotel no Rio onde Tina e Jean-Pierre se hospedam
JACONIAS SILVA – carteiro
JEANINE MORENO – empregada na mansão de Antero
JOANA FOMM – Joana Duarte (ex-mulher de Bóris, prima de Cibele, amiga de Andréia, envolveu-se com Athos, no início)
JORGE FERNANDO – Pirulito (palhaço no circo onde Ricky e Debbie se apresentam como trapezistas)
JOSÉ SACRAMENTO – locutor de rádio
LÍCIA MAGNA – cliente de Madame Narda
LUIZA BRUNET – contratada por Rogério para seduzir Vanderlei
LUÍS CARLOS ARUTIN – delegado
LUIZ CARLOS BURUCA – Ariovaldo (advogado)
MARCO ANTÔNIO CAMPOS – auxiliar do veleiro
MARCUS TOLEDO – padre da paróquia da Rua da Ponte, onde moram Naná, Jejê, Bijú e Dedé
MARIA LÚCIA DAHL – prostituta amiga de Athos que tenta seduzir Portos a pedido dele
MÁRIO CÉSAR CAMARGO – Professor Antúrios
MÁRIO LAGO – Antero Souza e Silva (pai de Thiago, milionário que casa-se com Andréia, morto por ela)
MÁRIO PETRÁGLIA – um dos capangas que cobram uma dívida de Jejê
MAURO MENDONÇA – testamenteiro de Antero
MILTON CARNEIRO
MILTON GONÇALVES – Tião
MOACYR DERIQUÉM – Eurives (gerente do banco que administra o patrimônio de Antero)
MÔNICA FEIJÓ – Isabel (secretária de Rogério, acaba demitida por uma armação de Andréia)
MONIQUE EVANS – Bárbara (contratada por Rogério para seduzir Vanderlei)
NÁDIA NARDINI – mulher que seduz Jejê por uma armação de Armandinho
NICE MEIRELLES – mulher que cobra o aluguel de Céci
PAULO ESPÓSITO – motorista no circo onde Ricky e Debbie se apresentam
PAULO GOULART – amigo de Antero, no início
PAULO GUARNIERI – sacristão na igreja da cidadezinha onde Naná e Jejê aplicam um golpe, no início
PEDRO FARAH (FARNETTO) – ricaço que Debbie Day dá em cima numa festa de Naná
RENATO COUTINHO – padre
RICARDO HERMANNY – diretor americano de teatro
ROBERTO BOMTEMPO – um dos policiais que faz a busca de Naná em sua mansão
ROGÉRIO FRÓES – juiz
RÔMULO ARANTES – namorado espanhol de Andréia, no final
ROSEMARY – Maria Vargas (artista que faz um espetáculo com Thiago)
RUTH DE SOUZA – Dona Aparecida (cartomante que atende Naná, no início)
SÉRGIO MOX – malandro
SILVIO DE ABREU – padre que celebra o casamento de Naná e Jejê, no final
TÂNIA NARDINI – coreógrafa de Thiago
WILSON GREY – Lacraia (um dos capangas que perseguem Jean-Pierre e Tina no Rio, a mando de Armandinho)
WILSON VIANNA – Zé Piolho (um dos capangas que perseguem Jean-Pierre e Tina no Rio, a mando de Armandinho)
WILZA CARLA – Marilena (cliente da Physical, dona do livro da Salamandra)
YARA AMARAL – Dinorah Melina Souza e Silva (candidata a filha de Antero)
ZECA BEZERRA – um namorado de Tina, no início
ZEZÉ MACEDO – camareira do hotel no Rio onde Tina e Jean-Pierre se hospedam
ZILKA SALABERRY – juíza no tribunal no caso da herança de Antero
Rosecler (funcionária da Physical, amiga de Tina)

– núcleo de LEONARDA FURTADO, a NANÁ (Fernanda Montenegro), cambalacheira que vive de aplicar pequenos golpes para sustentar crianças abandonadas, que recolhe das ruas, e a filha biológica, que mantem em um colégio na Suíça e não vê há mais de uma década. Descobre que é herdeira de uma grande fortuna, deixada pelo pai milionário que desconhecia. Vai lutar na justiça contra a viúva do pai falecido pela posse desses bens:
os filhos de criação: JULINHA (Andréa Avancini), a mais velha, jovem romântica e simples, de bom coração
e as crianças BEPA (Gabriela Bicalho), CHIQUITO (Fernando Vanucci Jr.), MANECO (João Rebello), MENA (Cristiane Lopes), MILTINHO (Kiko Olivetti), BETINHO (Daniel Marques) e TICO (Malik dos Santos)
a filha biológica DANIELA (Cristina Pereira), a verdadeira, que aparece no último capítulo
a assistente social MATILDE (Maria Helena Pader), faz visitas para ver como estão as crianças
a vizinha fofoqueira DEDÉ (Leina Krespi), dona de um boteco na vila. Foi abandonada pelo marido e nunca mais soube notícias, por isso só se veste de preto.

– núcleo de JERÔNIMO MACHADO, o JEJÊ (Gianfrancesco Guarnieri), compadre, parceiro e cúmplice de Naná em seus cambalachos. Viúvo, é apaixonado por ela, que o vê apenas como um amigo. Sujeito de bom coração, apesar de viver de ludibriar os outros:
a filha ANA MACHADÃO (Débora Bloch), garota masculinizada que trabalha em uma oficina mecânica. Aos poucos, seu lado feminino vai sendo despertado. Não vê com bons olhos a vida de golpes que o pai leva
a cunhada LILI BOLERO (Consuelo Leandro), apaixonada por ele, odeia Naná porque a vê como uma rival. Figura exagerada, tragicômica. Foi abandonada pelo marido, um malandro, e teve que criar sozinha a única filha. Vive a mágoa de ter tido sua carreira musical interrompida e credita a culpa à cantora Ângela Maria, por crer que ela lhe passou a perna
a sobrinha ALBERTINA PIMENTA, a TINA PEPPER (Regina Casé), filha de Lili, garota sem noção (como a mãe), interesseira e carreirista, que se acha irresistível. Fã de Tina Turner, sonha em ser cantora, ficar famosa e rica e sair da vila onde mora, que detesta.

– núcleo de ANTERO SOUZA E SILVA (Mário Lago), velho milionário que se casou com uma moça bem mais jovem. Vive em atrito com o filho do primeiro casamento, que mora no exterior. Quer descobrir o paradeiro de uma filha desaparecida. Morre no início:
a segunda mulher ANDRÉIA (Natália do Valle), bem mais jovem, casou-se por interesse, de olho em sua fortuna. Mata o marido durante um passeio de iate. Descobre que o testamento dele deixa boa parte dos bens para a filha desaparecida. Fará de tudo para impedir que ela fique com a herança
o filho THIAGO (Edson Celulari), morava no exterior e retorna ao Brasil para rever o pai, que acabou falecendo. Bailarino, apaixona-se por Ana e a faz descobrir seu lado feminino
os empregados OLÍVIO (Fábio Sabag), o mordomo, seu fiel escudeiro, cuida de seu patrimônio
e a preceptora francesa DOMINIQUE (Jacqueline Laurence), contratada para ensinar os filhos pequenos de Naná quando ela se muda para a mansão de Antero como herdeira dele. Aliada de Olívio, na verdade é uma agente internacional infiltrada para desvendar o assassinato de Antero.

– núcleo de AMANDA (Susana Vieira), irmã de Andréia, com quem tem uma relação difícil porque ela vive dando em cima de seu marido. Proprietária de um famoso spa/academia, o Physical, onde Tina trabalha e onde Thiago vai dar aulas de dança. Retoma a carreira de advogada quando decide defender Naná nos tribunais contra a irmã:
o marido ROGÉRIO (Cláudio Marzo), advogado por quem é apaixonada, mas, por causa de suas infidelidades e das intrigas de Andréia, acabam se separando. Um tipo machão e mulherengo. Seduzido por Andréia, toma partido dela e vai defendê-la nos tribunais contra Naná, travando assim também uma batalha contra a mulher, que resolveu tomar as dores de sua cliente
a funcionária CIBELE (Duse Nacaratti), gerencia o Physical. Vive batendo de frente com Tina

– núcleo de VANDERLEI (Roberto Bonfim), irmão de Andréia e Amanda. Melhor amigo de Rogério, com quem trabalha, tenta acobertar suas puladas de cerca:
a mulher CÉCI (Rosamaria Murtinho), melhor amiga de Amanda. Uma dondoca que decide ir à luta. Tem uma relação tumultuada e engraçada com o marido
o enteado RICKY (Marcos Frota), artista de circo, para o desespero da mãe. Divide o apartamento com Thiago, seu amigo, quando ele vem morar no Brasil. É apaixonado por Ana
a dançarina americana DEBBIE DAY (Christine Nazareth), tivera um caso com Rogério em Roma, quando ele esteve de passagem pela cidade. Veio atrás dele no Brasil e acabou se envolvendo com Ricky, indo trabalhar em seu circo.

– núcleo de SEU BIJU (Emiliano Queiróz), vizinho de Naná e Jejê. Alfaiate da vila, criou os sobrinhos com sacrifício e dentro da mais rígida moral:
os sobrinhos: ATHOS (Flávio Galvão), o mais velho, corredor de rally. Mau caráter, para o desespero do tio, trapaceia para conseguir o que quer. Aliado de Andréia, com quem tem um caso, é seu cúmplice no assassinato de Antero. Era o alvo do amor platônico de Ana, mas ele sempre a enxergou como uma criança,
ARAMIS (Paulo César Grande), o mais bonitão, trabalha na Physical. Assediado por Tina, acaba envolvendo-se com Amanda quando a relação dela com Rogério vai mal,
e PORTOS (Maurício Mattar), trabalha na mesma oficina mecânica que Ana. No início, é apaixonado por ela, mas acaba se rendendo ao amor de Julinha. Sofre de uma doença congênita
o colega de trabalho de Portos e Ana na oficina mecânica, MICHELIN (Marcus Vinícius).

– núcleo de ARMANDINHO, o DINHO (Oswaldo Loureiro), um malandro de marca maior, antigo amor de Lili Bolero, pai de Tina, abandonou-as há muito tempo. Planeja um golpe para roubar a herança de Naná: surge como ARMAND, um falso duque francês que se hospeda na mansão de Antero:
seus comparsas DANIELA (Louise Cardoso), a falsa, que se passa pela filha de Naná que mora na Suíça. Tivera um caso com Thiago no exterior e tenta engendrá-lo novamente, disputando-o com Ana
e JOÃO PEDRO (Luiz Fernando Guimarães), ou JEAN-PIERRE, falso noivo nobre de Daniela. Apaixona-se por Tina.

Mais uma mostra do espírito inventivo de Sílvio de Abreu ao transformar tramas folhetinescas em deliciosas e divertidas comédias. Muitas ideias excelentes, perfeita integração do texto com o elenco e direção. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Cambalacho foi a primeira novela que Silvio de Abreu escreveu sem censura. Por isso ele conseguiu fazer de dois trambiqueiros – Naná e Jejê (Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri) – os protagonistas. Na verdade anti-heróis.

Silvio de Abreu também pôde discutir a moral do país, o que seria inconcebível em tempos de repressão. Por meio da novela, o autor criticou o comportamento condescendente frente a falcatruas e à corrupção, uma maneira de combater a ideia de que se pode levar vantagem em tudo. Silvio comentou em entrevista:
Cambalacho falava da falta de vergonha geral no Brasil. O país era tão corrupto que as pessoas se sentiam no direito de serem corruptas. Mas essa mensagem não passou na novela. O tom de comédia, as situações engraçadas, foram mais fortes.”

Ótimos momentos de Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri e Natália do Valle – esta, como a vilã Andreia Souza e Silva, a “perigosa” – como repetia o refrão do tema musical da personagem.

Por sua atuação na novela, Fernanda Montenegro foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz de 1986.

Destaque também para as presenças hilariantes de Regina Casé e Consuelo Leandro, que viveram Tina Pepper e Lili Bolero, mãe e filha na novela. Cambalacho foi a única novela na Globo de Consuelo Leandro.

A pretensiosa Tina – Albertina Pimenta, na verdade – se achava bela, sedutora e irresistível. Fã da cantora Tina Turner (no auge da popularidade na época), ela usava uma peruca para imitá-la. No decorrer da trama, Tina Pepper gravou um disco e ficou rica e famosa, tendo inclusive se apresentado no Cassino do Chacrinha. Sua música “Você Me Incendeia” virou um hit dentro e fora da novela.
Lili Bolero, sua mãe, passava todo o tempo a queixar-se da carreira de cantora que lhe fora roubada por Ângela Maria. Em virtude disso, a cantora surgiu em uma participação especial.

Com o par romântico Thiago (Edson Celulari), um bailarino, e Ana Machadão (Débora Bloch), uma mecânica de automóveis, o autor invertia profissões tradicionalmente masculinas e femininas e discutia os preconceitos relacionados à escolha de carreiras.

As primeiras chamadas aguçavam a curiosidade do telespectador: “Você sabe o que é ‘cambalacho’?”. Com a novela, o termo popularizou-se e nunca mais saiu do vocabulário do brasileiro, tornando-se expressão comum para designar golpe, trapaça – bem como “cambalacheiro” para trapaceiro.

Poucos antes de a novela estrear, o governo do presidente Sarney lançou o Plano Cruzado. Por causa disso, algumas cenas de Cambalacho tiveram de ser adaptadas, pois os personagens faziam referência a valores cotados em cruzeiro, a moeda anterior. A solução foi mostrar na tela a conversão de valores de cruzeiros para cruzados, a nova unidade monetária que entrou em vigor no período entre o início das gravações e a estreia da novela.

Cambalacho era ambientada em São Paulo e tinha as passagens de tempo e troca de cenas marcadas por animações de letreiros luminosos, criados por computador e inseridos eletronicamente no alto dos prédios da cidade que apareciam nas imagens. Nesses painéis, surgiam desenhos e frases do tipo “Cai a noite” e “Enquanto isso…”.

Silvio de Abreu pretendia gravar o encontro de Debbie Day (Christine Nazareth) e Rogério (Cláudio Marzo) em Las Vegas, nos Estados Unidos. Entretanto, a locação foi em Roma, na Itália, onde a equipe de produção poderia usar a infraestrutura da Tele Monte Carlo, emissora pertencente à Rede Globo entre os anos 1985 e 1993. (Site Memória Globo)

O encerramento de Cambalacho fugiu do tradicional. Com imagens gravadas de um helicóptero – ao som da música “Armando Eu Vou” (cantada por Cida Moreira) -, as sequências finais contaram com a participação de um corpo de balé caracterizado com figurinos dos personagens da novela. No final da coreografia, vistos do alto, os bailarinos formavam a palavra “cambalacho” pelas ruas de São Paulo.

Participação especial do piloto Ingo Hoffman, que, em um certo momento da trama, patrocinou o personagem Athos (Flávio Galvão), que passava a ser piloto de motos na empresa de Ingo, a Hoffman & Hoffman.

Também a participação do autor, Sílvio de Abreu, como o padre que celebra o casamento de Naná e Jejê, no último capítulo.
E do diretor, Jorge Fernando, que surge como um palhaço no circo em que Ricky e Debbie Day (Marcos Frota e Christine Nazareth) se apresentam.
Daniel Filho também gravou para Cambalacho, como o agente da Interpol que prende Andréia, ao final.

Cláudia Raia fez uma participação especial na novela (dois capítulos) como uma falsa milionária portenha, desfiando um sotaque espanhol. Participação aguardada há tempo, porque, segundo Cláudia, Silvio de Abreu escreveu especialmente para ela o papel de Debbie Day, mas a atriz teve que recusar porque Roque Santeiro – novela na qual atuava – se estendeu (o papel acabou ficando com Christine Nazareth).

Joana Fomm interpretava a personagem Joana, mas problemas de saúde a levaram a sair da novela logo depois do capítulo 30. Para explicar sua ausência, Silvio de Abreu fez Joana se reconciliar com o ex-marido, Bóris (Cláudio Corrêa e Castro), e os dois embarcaram em uma viagem para o exterior. Na tarefa de reescrever os capítulos que contavam com a participação da atriz e não deixar que a frente de texto se perdesse e prejudicasse a produção, Silvio contou com a colaboração de Daniel Más, à época integrante da equipe de roteiro da série Armação Ilimitada.
Joana Fomm declarou que a saída da novela se deveu a males de saúde e não a descontentamento com a personagem, a qual quis interpretar mesmo sabendo que não tinha chances de alçar maiores voos na história, a princípio, apenas para enfim trabalhar com Silvio de Abreu, novelista que admirava. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

Silvio de Abreu escreveu o personagem Athos, um piloto de motocross mau-caráter, pensando em Carlos Alberto Riccelli para interpretá-lo. Mas o ator não pôde aceitar, por compromissos com cinema. Flávio Galvão foi então escalado. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

A academia de dança e ginástica Physical foi um dos principais cenários da trama. De propriedade de Amanda (Susana Vieira), era lá que trabalhavam Tina e Cibele (Regina Casé e Duse Nacaratti) e onde Thiago (Edson Celulari) dava aulas de dança. Em 2005, Silvio de Abreu voltou com uma academia com o mesmo nome em sua novela Belíssima.

Primeira novela de João Rebello (com 6 anos na época), sobrinho do diretor Jorge Fernando, que fez vários trabalhos na televisão quando era criança e adolescente.

Na contramão do que se fazia na época, a trilha sonora nacional foi produzida especialmente para a novela. O autor Silvio de Abreu e o produtor musical Zé Rodrix optaram por músicas compostas de acordo com o contexto da trama, em um processo semelhante ao das primeiras trilhas de novelas feitas pela Som Livre (no início dos anos 70). O projetou resultou em uma ótima trilha, sem hits para as rádios, mas com a cara da cidade de São Paulo, onde a trama era ambientada.
“Eu e o Silvio não queríamos que ficasse aquela coisa paulista pela ótica do carioca, porque ficaria pouco verdadeiro. (…) Então, para dar uma cor local forte, fui atrás de artistas típicos da cidade. Era a primeira vez que se fazia uma trilha que lidava com esse universo,”, contou Zé Rodrix a Guilherme Bryan e Vincent Villari para o livro “Teletema, a História da Musica Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”.

Silvio de Abreu disse ao livro “Teletema” que buscou inspiração para criar os dramas do casal Amanda e Rogério (Susana Vieira e Cláudio Marzo) na música “Thanks for the Memories”, (composta em 1938):
“Era a história de um casal se separando e a mulher lembrando as coisas boas, até que descobriu a infidelidade dele. A gravação que me inspirou foi a da Susannah McCorkie. Mas não conseguimos os direitos [para usar a música na novela]. Então sugeri ‘Someone to Watch Over Me’. O Zé [Rodrix] conseguiu os direitos e ele e o Miguel Paiva fizeram uma versão para o Emílio Santiago [gravar]. Ficou uma gravação bonita e eu queria depois usar, quando chegasse a trilha internacional, mas também não conseguimos. E aí eles [os personagens] não tiveram tema internacional.”

Cambalacho teve 173 capítulos escritos, mas 179 exibidos. O pesquisador Duh Secco, em seu blog no portal do canal Viva, explicou os capítulos a mais da novela:
“Cambalacho exibiu capítulos “A” – denominação que surge na vinheta, ao lado do número do capítulo, sempre que um único episódio escrito pelo autor é desmembrado em dois pela edição. No caso da novela, tal edição foi necessária por causa da Copa de 1986 (do México). Foram seis “A” ao todo (66, 68, 73, 76 e 86); logo, embora o último capítulo seja o de número 173, foram 179 exibidos.”

Cambalacho foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 08/07 e 13/12/1991.
Ganhou outra reprise no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 24/08/2015 e 19/03/2016, às 14h30 (com reprise à 1 da manhã).

Trilha Sonora Nacional

01. PERIGOSA – Syndicatto (tema de Andréia)
02. ARMANDO EU VOU – Cida Moreira (tema de Naná)
03. JERÔNIMO – Germano Mathias (participação especial de Canto a Canto) (tema de Jejê)
04. PARECE MAS NÃO É – Carbono 14 (tema de Ricky)
05. ESTRELA DE BASTIDOR – Ângela Maria (tema de Lili Bolero)
06. VILA CURIOSA – Passoca (participação especial de Papavento) (tema de locação: Carandiru)
07. CAMBALACHO – Wálter Queiróz (tema de abertura)
08. FILHO DA CIDADE – Sérgio Dias (tema de Athos)
09. SÓ EU SEI – Gilliard (tema de Ana Machadão)
10. O GANSO QUE DANÇA – Zona Sul (tema de Thiago)
11. JARDINS – A Voz do Brasil (tema de locação: Jardins)
12. DEUS NOS ACUDA – Fundo de Quintal (tema de Vanderlei e Céci)
13. ALGUÉM QUE OLHE POR MIM – Emílio Santhiago (tema de Amanda e Rogério)

Trilha Sonora Internacional

01. THE CAPTAIN OF HER HEART – Double (tema de Thiago e Ana Machadão)
02. BAD BOY – Miami Sound Machine (tema de locação: São Paulo)
03. DON’T YOU LOVE ME ANYMORE – Joe Cocker (tema de Vanderlei e Céci)
04. LET’S DANCE – Chris Rea (tema de Naná e Jejê)
05. GREATEST LOVE OF ALL – Whitney Houston (tema de Amanda e Rogério)
06. DON QUICHOTTE – Magazine 60 (tema geral)
07. SOMEBODY WON’T SLEEP TONIGHT – Frederick
08. ON MY OWN – Patti LaBelle and Michael McDonald (tema de Portos e Julinha)
09. SOMETHING ABOUT YOU – Level 42 (tema de locação: São Paulo)
10. MANIC MONDAY – Bangles (tema de Ana Machadão)
11. CHERISH – Kool & The Gang (tema romântico geral)
12. BETTER BE GOOD TO ME – Tina Turner (tema de Tina Pepper)
13. ROUGH BOY – ZZ Top (tema das cenas de corrida de motocross)
14. I’M LOOSING YOU – Ven-Uto (tema de Amanda e Aramis)

Sonoplastia: Jenny Tausz
Seleção de repertório da trilha internacional: Sérgio Motta
Produção musical: Zé Rodrix

Tema de Abertura: CAMBALACHO – Wálter Queiróz

Sereno eu caio
Pois é tudo do mesmo balaio
Você vai eu fico
Pega no chão, tico-tico

Se você me der eu quero
Se você pedir eu deixo
E a gente vai levando
Pirulito e quebra-queixo
Pois a vida é mais gostosa
Meu amor, no remelecho

É tudo banana
Oh, eu acho que é do mesmo cacho
É tudo farinha
Oh, eu acho que é do mesmo saco

Uma hora tão por cima
Outra hora tão por baixo
E a gente vai lavando
Roupa suja no riacho
E a gente vai levando
Meu amor, cambalacho

Apertou, afrouxe
Oh, eu acho que é tudo deboche
Seja pobre ou rico
Acho que tudo se leva no bico

Se você me der eu quero
Se você pedir eu deixo
E a gente vai levando
Pirulito e quebra-queixo
Pois a vida é mais gostosa
Meu amor, no remelecho…

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