Sinopse

Adriano (Rodrigo Lombardi) é um agente penitenciário que luta dia após dia contra a possibilidade de infringir a lei, de sair do trilho, de perder o controle e as rédeas da vida – dentro e fora do presídio. Os muros que o cercam diariamente podem explodir a qualquer momento, seja pela efervescência natural daquele ambiente ou por sua incapacidade de lidar com o que o espera do outro lado. É com este emaranhado de sentimentos que ele tem de lidar em sua rotina, por vezes confundida com a de um preso.

O semblante de Adriano traz consigo histórias de uma vida muito correta e marcada pela dureza dos dias vividos dentro deste sistema. Por mais que não pareça, recai sobre ele a esperança de que é possível ser honesto, justo e, acima de tudo, humano, mesmo ali dentro. Sua maior arma para solucionar qualquer conflito é a palavra. Foi isso que aprendeu com seu pai, Tibério (Othon Bastos), que foi carcereiro a vida toda, mas que hoje, aposentado, começa a sofrer com o processo de senilidade.

Filha do primeiro casamento de Adriano, a adolescente Lívia (Giovanna Ríspoli) sonha encontrar a mãe que desapareceu sem deixar rastros – talvez daí a relação truncada com a madrasta, Janaína (Mariana Nunes). Desde que entrou para a família de Adriano, Janaína tem a intenção de construir a sua própria. Os dias ao lado do marido são permeados por uma tensão constante por conta do ofício nada tranquilo dele. Assim, a paixão do casal foi tomada por uma rotina cansada, presa ao desejo dela de engravidar.

Com Adriano, estão alguns companheiros comprometidos, em maior ou menor escala, na causa da recuperação dos detentos. Valdir (Tony Tornado), o veterano, que acredita na reeducação dos presos, Juscelino (Aílton Graça), diretor de segurança, que não tem muita habilidade no trato com o outro, Isaías (Lourinelson Vladmir), da mesma idade de Adriano, e Vinícius (Jean Amorim), o mais jovem de todos.

Globo – 22h30
estreia: 26 de abril de 2018
15 episódios

série de Fernando Bonassi, Marçal Aquino e Denisson Ramalho
inspirada no livro homônimo de Drauzio Varella
escrita com Marcelo Starobinas
direção do documentário de Pedro Bial e Fernando Grostein Andrade
direção geral e artística de José Eduardo Belmonte
coprodução Gullane Filmes e Spray Filmes

RODRIGO LOMBARDI – Adriano
MARIANA NUNES – Janaína
OTHON BASTOS – Tibério
GIOVANNA RÍSPOLI – Lívia
TONY TORNADO – Valdir
AÍLTON GRAÇA – Juscelino
LOURINELSON VLADMIR – Isaías
JEAN AMORIM – Vinícius
NINA DE OLIVEIRA – Dona Vilma

e
SAMANTHA SCHMUTZ – Solange
CHICO DIAZ
BUKASSA KABENGELE
MATHEUS NACHTERGAELE
CAROL CASTRO
CACO CIOCLER
GABRIEL LEONE
LETÍCIA SABATELLA
GUSTAVO FALCÃO
THOGUN TEIXEIRA
PROJOTA
DIOGO SALLES
MARIA CLARA SPINELLI

Depois de ter escrito “Estação Carandiru”, o médico e escritor Drauzio Varella se debruçou sobre a vida daqueles que foram seus companheiros por muitos anos e que trabalhavam constantemente sob pressão, em condições precárias. Um universo desconhecido do grande público foi, então, apresentado pelo médico no livro “Carcereiros”, com detalhes de um ofício que exige jogo de cintura e frieza.

Inspirados pela obra, os autores da série – Fernando Bonassi, Marçal Aquino e Denisson Ramalho – buscaram, com isso, ampliar o horizonte do espectador.
“Queremos propor a ele identificar-se com um profissional numa situação diária de alto risco, mas que precisa voltar todos os dias para casa, para a família. O estresse e a barbárie transbordam para o lar? Que tipo de pai, de filho, de marido um agente penitenciário consegue ser?”, questionou Denisson.

A série intercala a trama com depoimentos dos atores e de profissionais reais gravados para o documentário sob a direção de Pedro Bial e Fernando Grostein Andrade. Muitos dos agentes penitenciários entrevistados prestaram assessoria à série ou até mesmo participaram dos episódios, como atores.

Marçal Aquino narrou como surgiu a ideia de Carcereiros:
“Em 2013, o Eduardo Figueira (diretor de Produção da Globo) pediu ao Bonassi, que já havia trabalhado com material do autor [Drauzio Varella], que lesse o novo livro, visando sua eventual transformação numa série ou num filme. Os direitos do livro haviam sido adquiridos pela Globo, a pedido do Pedro Bial, que fez um documentário com o Fernando Grostein. Finalmente, no segundo semestre de 2015, começamos a trabalhar no projeto”.
“Além de assistir a muitas horas de depoimentos de agentes penitenciários, estivemos em mais de uma ocasião reunidos com um grupo desses profissionais, com quem o Drauzio Varella mantém relações de amizade. Essas experiências foram muito mais ricas do que assistir a este ou àquele seriado ou filme como base de inspiração.”

“Assim como os detentos estão da porta para dentro por determinadas situações, o carcereiro também está do portão para dentro. (…) A função do cidadão é poder entender o que se passa ali. A gente não está aqui para glamurizar, mas, sim, mostrar como é a realidade. O Adriano é parte desse sistema e é só um cara que poderia ser seu vizinho”, comentou o ator Rodrigo Lombardi, intérprete de Adriano, o protagonista.

“O lance na vida deles é sentir medo e superar esse medo. O carcereiro vive com vários presos e vive sem arma. A força dele é a palavra, que ‘vale mais que um fuzil’. Dá para imaginar o ‘herói da palavra’ nos dias de hoje?”, declarou o diretor geral José Eduardo Belmonte.

A diretora de arte Claudia Calabi contou sobre esse trabalho:
“Inicialmente, tínhamos de fazer uma pesquisa do sistema carcerário atual, porque o livro do Drauzio foi escrito num momento antes do massacre do Carandiru e, depois disso, tudo mudou. Eu vim com um repertório muito mergulhado na realidade e tive de desapegar para entrar na ficção.”.
Tendo visitado diferentes presídios para entender todo o conceito dos presídios atuais, a equipe de arte injetou as doses de ficção esperadas pelo diretor-geral.
“O Belmonte fez um mergulho profundo no roteiro e nos pediu a construção de um presídio que não pertence a um estado ou momento real, mas a um lugar ficcional”, explicou.

O local encontrado para servir de locação foi o presídio feminino de Votorantim, interior de São Paulo, ainda em processo de construção. A partir de estruturas reais, foram realizadas adaptações. A arquitetura do espaço tinha de apresentar austeridade, rigidez, dureza, com muros e grades representando todo um sistema.
“Nós tínhamos o eixo principal do presídio, todo em gradações de cinza, do mais claro ao mais escuro. Da entrada da penitenciária, passando pela revista, pela triagem, pelo castigo até chegar ao ‘seguro’ (solitária); as cores e o clima vão caminhando para uma coisa mais densa, soturna, pesada, mofada”, descreveu a diretora de arte.

Carcereiros foi lançada primeiro no Globo Play (plataforma sob demanda), em junho de 2017. E estreou na TV a cabo antes de passar na TV aberta: no canal Mais Globosat, pertencente à Rede Globo. A estreia no horário nobre da Globo foi adiada em mais de um ano, mas ganhou três episódios inéditos, totalizando 15.

Em abril de 2017, Carcereiros foi premiada na segunda edição do MIPDrama Screenings, evento que marca a abertura do MIPTV, uma das principais feiras do mercado de televisão do mundo que acontece em Cannes, na França. A série concorreu na categoria ‘Full Episodes’ e foi escolhida pelo ‘Grand Jury’, composto por renomados escritores, diretores e produtores executivos da indústria televisiva.

O ator Domingos Montagner estava escalado para viver o protagonista Adriano, mas faleceu antes de iniciar as gravações (em setembro de 2016, enquanto atuava na novela Velho Chico). Rodrigo Lombardi foi chamado para substituí-lo e gravou a primeira temporada de Carcereiros antes da novela A Força do Querer.

Aílton Graça, que vive o carcereiro Juscelino, viveu os dois lados da prisão nas histórias de Dráuzio Varella. Em 2003, ele deu vida ao presidiário Majestade no filme Carandiru, também baseado na obra do médico.

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