Sinopse

As aventuras e desventuras de dois caminhoneiros durante seu percurso em um caminhão de carga pelas estradas brasileiras.

Pedro e Bino têm personalidades fortes mas bem diferentes. Pedro é um sujeito extrovertido, fala alto, é estabanado, briguento e, ao mesmo tempo, engraçado. Anda com a camisa aberta e a barba por fazer, além de ter implantado um dente de ouro. Já Setembrino, o Bino, é casado e pai de um filho pequeno. Sensato e querendo sempre contemporizar, ele se prende a questões mais realistas, como as contas a pagar e a saudade de sua família.

Os dois transportam várias cargas Brasil afora, em estradas de asfalto, terra batida ou caminhos improvisados. Assim, mostram as situações enfrentadas pelos caminhoneiros de todo o país. As histórias exploram a natureza humana frente as adversidades de uma vida sem muitos recursos, isolados na estradas ou cidades, dependendo apenas de seus instintos e da solidariedade humana para sobreviver.

Globo – 22h
de 22 de maio de 1979
a 2 de janeiro de 1981
54 episódios

criação de Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Wálter George Durst, Ferreira Gullar e Carlos Queiroz Telles
supervisão de texto de Dias Gomes
direção de Gonzaga Blota, Milton Gonçalves, Ary Coslov, Paulo José e outros

ANTÔNIO FAGUNDES – Pedro
STÊNIO GARCIA – Bino (Setembrino)

1979
adeus dequinha
moralidade se conquista
operação limpeza
a estrada
a enchente
a fuga
a noite do demo
a suspeita
a penca
vingança tardia
arapuca
o velho viana
pagamento contra entrega
o malfazejo
a explosão
o caso do titio
a procura
a aposta
o arrocho
a santa
algemas (2 partes)
br futebol clube
carga lírica
a lei dos carreteiros

1980
cotidiano
mão cinzenta
a rinha
bode expiatório
em nome da santa
o foragido
sangue do meu sangue
posto esperança
o grande assalto
na estrada da vida não tem retorno
a barricada
o último olhar
assombração
perdão, dadá
feito mancha na estrada
a disputa
bem-querer
a vaca talhada
o professor
frete carioca
o casamento de pedro
os filhos de bino
prá morrer basta estar vivo
lance final
peru de natal
o anjo da morte (último episódio, ao ar no dia 02/01/81)

Em maio de 1979, a Globo lançou às 22 horas o projeto Séries Brasileiras, com Carga Pesada, exibida às terças-feiras, Malu Mulher, às quartas, e Plantão de Polícia, às sextas.

Protagonizada por Antônio Fagundes e Stênio Garcia, Carga Pesada ficou no ar por dois anos: 1979 e 1980. Foi a primeira produção a mostrar na televisão os problemas dos caminhoneiros pelas estradas do Brasil. A ideia do seriado surgiu em 1978, com o Caso Especial Jorge, um Brasileiro, de Oswaldo França Jr., estrelado pelo próprio Antônio Fagundes. A trama narrava as aventuras de um caminhoneiro que transportava cargas pelo interior de Minas Gerais.

Fagundes e Stênio escreveram alguns episódios, como O Fantasma e A Barricada. Dos 54 episódios, 12 foram escritos pela dupla.

A dupla de atores esteve perfeita na caracterização de seus personagens, Pedro e Bino. Os dois voltaram a trabalhar juntos nas novelas Corpo a Corpo (1984-1985), O Dono do Mundo (1991) e O Rei do Gado (1996), e no remake da série, em 2003, numa nova versão, mostrando o paradeiro de Pedro e Bino 22 anos depois.

Por sua atuação, Stênio Garcia foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor ator de 1980 (juntamente com Jardel Filho, pela novela Coração Alado).
No ano anterior, o ator José Dumont, por sua participação no seriado (estreando em televisão), levara o prêmio de revelação na TV em 1979 (juntamente com Narjara Turetta, por Malu Mulher).

A produção exigia muita logística, porque muitas externas eram realizadas em regiões distantes do centro de produção da Globo, obrigando a um planejamento para o deslocamento de equipamentos e de toda a estrutura técnica. Flávio Ricco e José Armando Vannucci em “Biografia da Televisão Brasileira”.

O programa teve grande variedade de locações. Cerca de 90% dos episódios foram gravados em externas, com muitas cenas noturnas.
Convidados e figurantes mudavam a cada semana, num total nunca inferior a 30 pessoas por capítulo.
A Scania Vabis do Brasil patrocinou 26 episódios, cedendo caminhões para uso dos personagens. Depois foi a vez da Chrysler brasileira manter parte da produção para ter sua marca exposta no programa. Site Memória Globo.

Antônio Fagundes declarou a Flávio Ricco e José Armando Vannucci para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”:
“Era um programa muito popular, porque a cada semana trazia realidades sociais totalmente diferentes de um país extenso como o nosso.”

Perguntado de algum episódio marcante, Stênio Garcia declarou:
“Vários. Mas o maior sufoco foi nas gravações de um episódio chamado Enchente, que teve inclusive a participação do Gianfrancesco Guarnieri. Foi gravado no interior do Rio, estava chovendo muito e uma barragem naquela cidade estourou. Conclusão: houve uma enchente de verdade. Foi um sufoco (risos), mas no final deu tudo certo.”

Em março de 1990, durante o Festival 25 Anos da TV Globo, foram reprisados 5 episódios. Cinco anos depois, no Festival 30 Anos, mais 5 episódios do programa foram reapresentados.

Trilha Sonora
carga79t
01. O FRETE – Renato Teixeira (tema de abertura *)
02. EU VOU PARTIR – Os Filhos de Goiás
03. CAMINHEIRO – Sérgio Reis
04. NEW WHISKY, NEW CERVEJA – Rock e Ringo
05. A VIDA DO VIAJANTE – Luiz Gonzaga Jr. e Luiz Gonzaga
06. MOTORISTA DE CAMINHÃO – Léo Canhoto e Robertinho
07. CHEGA MORENA – Dominguinhos
08. MOTORISTA BRASILEIRO – Teixeirinha
09. MAS QUEM NÃO É – Jacó e Jacozinho
10. PESCADOR E CARTIREIRO – Cacique e Pajé
11. QUEM SOU EU – Duduca e Dalvan
12. FESTIVAL DE EMBOLADA – Riberti

Seleção de Repertório: Guto Graça Mello
Pesquisa: Rúbens A. Bastos e Arnaldo Schneider

Tema de Abertura: O FRETE – Renato Teixeira *

Eu conheço cada palmo desse chão
É só me mostrar qual é a direção
Quantas idas e vindas,
Meu Deus quantas voltas
Viajar é preciso, é preciso
Com a carroceria sobre as costas
Vou fazendo frete, cortando o estradão

Eu conheço todos os sotaques
Desse povo todas as paisagens
Dessa terra todas as cidades
Das mulheres todas as vontades
Eu conheço as minhas liberdades
Pois a vida não me cobra o frete

Por onde eu passei deixei saudades
A poeira é minha vitamina
Nunca misturei mulher com parafuso
Mas não nego a elas meus apertos
Coisas do destino e meu jeito
Sou irmão de estrada e acho muito bom
Mas quando eu me lembro lá de casa
A mulher e os filhos esperando o pão
Sinto que me morde a boca da saudade
E a lembrança me agarra e profana
O meu tino forte de homem
E é quando a estrada me acode…

* O tema de abertura era uma versão instrumental da música

Veja também

  • malumulher_logo

Malu Mulher

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Plantão de Polícia

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O Bem Amado (a série)

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Carga Pesada (2003)