Sinopse

A Inconfidência Mineira é retratada, tendo como linha de frente o Mártir da Independência, Tiradentes.

Como pano de fundo, o triângulo amoroso entre Marília, Dirceu e Carlota.

Excelsior – 19h30 / 20h30
de 4 agosto de 1969
a janeiro de 1970

novela de Ivani Ribeiro
direção de Gonzaga Blota, Reynaldo Boury e Gianfrancesco Guarnieri

Novela anterior no horário
Os Estranhos

CARLOS ZARA – Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier)
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Visconde de Barbacena
NATHÁLIA TIMBERG – Bárbara Heliodora
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga)
MARIA ISABEL DE LIZANDRA – Marília
ARLETE MONTENEGRO – Carlota
STÊNIO GARCIA – Joaquim Silvério dos Reis
LEILA DINIZ – Pompom
REGINA DUARTE – Pompom
GRACINDO JÚNIOR – Maciel
OSMANO CARDOSO – Cônego Vieira
FERNANDO TORRES – Cláudio Manoel da Costa
JOVELTY ARCHÂNGELO – Bilac
CLEYDE BLOTA – Eugênia
FÁBIO CARDOSO – Padre Rolim
RITA CLEÓS – Maria I
EDSON FRANÇA – Alvarenga Peixoto
GERALDO LOUZANO – Conselheiro Martinho de Mello
JOÃO JOSÉ POMPEO – Vice-Rei
OSWALDO MESQUITA
VERA NUNES – Viscondessa de Barbacena
NEWTON PRADO – Inácio
SILVIO FRANCISCO – Tomé
ANTÔNIO PITANGA – José do Patrocínio
ABRAHÃO FARC
RUTHINÉIA DE MORAES
SILVIO DE ABREU – Silas
MARCUS TOLEDO
MARIA APARECIDA ALVES – Quitéria
PEIRÃO DE CASTRO – carcereiro

Última das treze novelas consecutivas que Ivani Ribeiro escreveu para o horário das 19h30 na TV Excelsior (desde janeiro de 1965, com Onde Nasce a Ilusão).

Para Dez Vidas, a autora traçou um perfil da época com pesquisa realizada no livro Caminho da Liberdade, de Wanderley Torres.

De acordo com a revista Veja nº 42, publicada em 25/06/1969, a TV Excelsior promoveu um concurso dois meses antes da novela entrar no ar. O público tinha que adivinhar qual ator iria fazer o papel principal, o Tiradentes. As opções eram: Carlos Zara, Paulo Goulart, Francisco Cuoco, Henrique Martins e Gracindo Júnior. O telespectador que acertasse o ator principal da trama, concorria a um automóvel de luxo zero quilômetro antes do lançamento de Dez Vidas. A resposta correta era Carlos Zara.

Na mesma reportagem da Veja, Ivani Ribeiro comentou sobre sua mais nova obra:
“O título será Dez Vidas aproveitando uma frase de Tiradentes: ‘Dez vidas eu daria, se as tivesse, para salvar as deles!’. E aproveitarei todos os grandes conspiradores para criar um grande clima dramático.”

Porém, de acordo com Carolline Rodrigues no livro “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, ao final Dez Vidas foi a novela que mais angustiou Ivani. A autora desabafou:
“Depois do glorioso apogeu, chegou uma fase de extrema crise administrativa e financeira, em que as condições de trabalho eram cada vez mais precárias. Com a ruína da TV Excelsior (…), foram sendo eliminados gradativamente todos os elementos materiais e humanos, numa evasão imprevisível, o que determinava cortes e supressões de toda natureza nos capítulos que eu redigia, a ponto de a história terminar quase num monólogo. Se não fosse heresia, eu diria que sofri tanto quanto o Tiradentes!”

A censura da Ditadura Militar interveio, não aprovando a temática para aquele horário por considerá-la subversiva.
O diretor Waldemar de Moraes narrou (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”):
“Tudo preparado: cenários, divulgação, roupas de época, tudo. E quase na mesma semana de seu lançamento, a censura federal entrou em ação e autorizou a novela para o horário das 22 horas. Uma tragédia!”
O maior índice de audiência era entre 19 e 20 horas. A direção da emissora fez de tudo para a censura mudar de opinião.

De acordo com o livro “Glória in Excelsior”, de Álvaro de Moya:
“Num jantar oferecido a um político, o diretor Waldemar de Moraes sentou-se ao lado de um coronel da censura federal e tentou convencer o militar que a censura não devia interferir tanto no texto da novela, atrapalhando a produção. O coronel respondeu: ‘Meu filho não adianta. Tiradentes foi um subversivo e ponto final’.”

A novela mudou de horário e teve vários cortes. Mas a atribulação maior foi o seu encerramento. A TV Excelsior estava em crise e Dez Vidas terminou apressadamente. Mesmo no ar, a novela deixou transparecer a situação difícil da emissora, com os atores abandonando a produção (por contratações em outras emissoras ou por falta de pagamento de salários) e a encenação tornando-se cada vez mais pobre.
Ivani comentou: “Até que não foi mais possível desenvolver a novela e o próprio diretor se encarregava de suprimir cenas, no momento da gravação, por falta de intérpretes.” (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”)

Último trabalho de Regina Duarte na TV Excelsior. Ela vivia a personagem Pompom, mas deixou a novela logo no início, descontente com os salários atrasados e atendendo o chamado da TV Globo (contratada, foi fazer a novela Véu de Noiva).
Regina foi substituida em Dez Vidas por Leila Diniz.

Segundo o livro “Glória in Excelsior”, de Álvaro de Moya:
Sobre Dez Vidas, esclareceu Gianfrancesco Guarnieri: ‘… a gente já estava em crise absoluta, não tinha dinheiro para nada… Nós fizemos uma parada militar com dez pessoas, focando os pés. Os atores corriam por trás da câmera e entravam de novo na fila e a câmera continuava apenas mostrando os pés. Depois fazia alguns closes de rostos, evitando planos gerais e dando a ideia de muitos soldados’.
Referindo-se à mesma novela, o ator Peirão de Castro informou que os atores, por não receberem o pagamento, foram abandonando a emissora e no final só restaram cinco: Carlos Zara, que era o Tiradentes, Fábio Cardoso, Gianfrancesco Guarnieri, Oswaldo Mesquita e ele, Peirão de Castro, que era um carcereiro.

Outra novela que teve a Inconfidência Mineira como pano de fundo foi Liberdade Liberdade, exibida pela Globo em 2016.

Trilha Sonora
dezvidast
Manuel Marques
TEMA DE TIRADENTES E ANA
POMPOM
MARÍLIA E DIRCEU
FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO

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