Sinopse

A trajetória corajosa de Ana Jacinta de São José, a Dona Beija, na cidade mineira de São Domingos do Araxá, no século 19. Por sua personalidade controversa e destemida, ela encarna a essência das mulheres que ultrapassam os limites impostos socialmente, desafiando os costumes e a moral, e, consequentemente, chamando a atenção para si, despertando interesse, curiosidades, paixão e ódio.

Aos quinze anos de idade, Beija já estava noiva de Antônio Sampaio, homem de família conservadora e tradicional, o grande amor de sua vida. Mas é vítima do desejo de Mota, o ouvidor do Rei em visita a Araxá. Depois de presenciar a morte de seu avô, ela é raptada e levada à Vila de Paracatu, onde o ouvidor mora num belo casarão e a mantem como sua amante. Para vingar-se de seu algoz, enquanto ele está fora de casa, Beija serve aos homens que a desejam em troca de jóias e ouro. Chamado pelo Imperador a instalar-se na Côrte, Mota deixa Beija, que a essa altura já juntara uma grande fortuna. Ela parte de volta a Araxá para reencontrar sua antiga paixão, Antônio.

Mas Antônio já não esperava mais por Beija. Desiludido e não compreendendo as atitudes de sua amada, ele casou-se com a doce Aninha, moça frágil e delicada que sempre o amou. Com a recusa de Antônio, Beija promete não amar a nenhum outro homem e funda a Chácara do Jatobá, um refinado bordel onde ela se transforma num mito como cortesã, escandalizando todas as famílias conservadoras de Araxá. Seu intuito maior era ferir Antônio. A Chácara de Beija recebia homens que iam lá para se divertir, conversar, dançar, além de sonhar com a companhia de sua anfitriã, que a cada noite escolhia um dos convidados para dormir com ela, o verdadeiro prêmio dos que frequentavam o bordel.

Apesar de tudo isso, Beija reconquista Antônio e tem com ele uma filha, Teresa. Os dois evoluem para uma relação extremamente conflitante, pois Dona Beija não abre mão de sua liberdade e mantem um caso com outro homem, o promotor João Carneiro, que lhe dá outra filha, Joana. O triângulo é estabelecido e os ciúmes de Antônio crescem de maneira explosiva, até que culmina em um episódio decisivo: Antônio manda chicotear Beija quase até a morte. Beija se vinga de maneira total, um ano depois de seu suplício: manda matar o grande amor de sua vida, abalando a sociedade e Araxá. Beija, através de sua influência junto a João Carneiro, o promotor, consegue ser absolvida. Mas sem conseguir paz após a morte de Antônio, abandona Araxá e sua vida passada, procurando em outra cidade recuperar a paz e a tranquilidade.

Manchete – 21h30
de 7 de abril a 11 de julho de 1986
(o livro “Memória da Telenovela Brasileira”, de Ismael Fernandes, informa que estreou em 07/04. Já no acervo da Folha, existe uma reportagem que anuncia a estreia uma semana antes, em 31/03)
89 capítulos

novela de Wilson Aguiar Filho
baseada nos romances Dona Beija, a Feiticeira de Araxá, de Thomas Leonardos, e A Vida em Flor de Dona Beija, de Agripa Vasconcelos
colaboração de Carlos Heitor Cony
direção de Herval Rossano e David Grimberg
direção geral de Herval Rossano

Novela posterior no horário
Novo Amor

MAITÊ PROENÇA – Dona Beija (Ana Jacinta de São José)
GRACINDO JÚNIOR – Antônio Sampaio
CARLOS ALBERTO – Mota (ouvidor-mor Joaquim Inácio Silveira da Mota)
BIA SEIDL – Aninha
MARCELO PICCHI – João Carneiro de Mendonça
ABRAHÃO FARC – Coronel Paulo Sampaio
MARIA FERNANDA – Cecília
MAYARA MAGRI – Maria
EDWIN LUISI – Padre Melo Franco
SÉRGIO BRITTO – Padre Aranha
SÉRGIO MAMBERTI – Coronel Elias Felizardo
ARLETE SALLES – Genoveva
LAFAYETTE GALVÃO – Costa Pinto
MARILU BUENO – Augusta
VIRGÍNIA CAMPOS – Carminha
JONAS MELLO – José Carneiro de Mendonça
MARIA ISABEL DE LIZANDRA – Josefa
JAYME PERIARD – Avelino Serra
FERNANDO EIRAS – Professor Gaudêncio
ARY COSLOV – Juca
CASTRO GONZAGA – Coronel Francisco Botelho
MONAH DELACY – Idalina
BRENO BONIN – Joaquim Botelho
MÁRIO CARDOSO – Clariovaldo
RENATO BORGHI – Fortunato
ISAAC BARDAVID – Delegado Belegard
ANGELITO MELLO – Messias
JOÃO SIGNORELLI – Brigada
GUILHERME KARAN – Hans Fucker
ELISA FERNANDES – Liliane
ROBERTO OROSCO – Afonso
NINA DE PÁDUA – Candinha da Serra
JUCILÉIA TELLES – Severina
ANTÔNIO PITANGA – Moisés
LÉA GARCIA – Flaviana
HAROLDO DE OLIVEIRA – Ramos
IVAN DE ALMEIDA – Tião
JOSIAS AMON – Josué
EDSON SILVA – Honorato
RENATO NEVES – Vespasiano
CLÁUDIA FREIRE – Rosely
ANA RAMALHO – Lúcia
SANDRA SIMON – Olívia
SHULAMITH YAARI – Dorothéia
ADEMILTON JOSÉ – Padre José Maurício Nunes
ÂNGELA REBELLO – Maria Bernarda
BIA SION – Emerenciana
JACQUELINE LAURENCE – Madame Constança
CLEONIR DOS SANTOS – João Isidoro
EDSON GUIMARÃES – Deputado Guimarães
GUILHERME CORRÊA – Governador Geral de Goiás
LEONARDO JOSÉ – Procurador do Governador de Goiás
SÍLVIA BUARQUE – Tereza Tomásia
ALDO CÉSAR – João Alves
MIRIAN PIRES – Sinhana
JORGE CHERQUES – D. João VI
XUXA LOPES – Carlota Joaquina
TARCÍSIO FILHO – D. Pedro I
ODETE BARROS – Dona Michella
PATRÍCIA BUENO – Siá Boa
MIGUEL ROSEMBERG – Inquisidor
HÉLIO RIBEIRO – Heleno da Fonseca
FELIPE WAGNER – Martin Ferreira
ARNALDO WEISS – Coronel Lourenço
GISELE FRÓES – Dolores
JOFRE SOARES – Profeta
ÂNGELA LEAL – Madre Superiora
CAMILO BEVILÁCQUA – Clementino Borges
HAROLDO BOTTA – Quarentinha
CRISTIANE LAVIGNE – Joana de Deus de São Tomé
MARIAH DA PENHA – Aparecida
KADU KARNEIRO – Felício (escravo de Hans)
JULIANA PRADO – Luzia (criada de Josefa)
ZENI PEREIRA – Maria
JORGE COUTINHO – jagunço que chicoteou Dona Beija a mando de Antônio
DILL COSTA – escrava
SIDNEY MARQUES – escravo
CRISTOVAN NETTO – escravo de Idalina
CLÁUDIO DOLIANE – cidadão de Paracatu
MOACIR PRINNA – freqüentador da chácara
MARCUS VINÍCIUS
DIRCEU RABELLO
ILEANA SASKA
JAIR DELAMARE
MARCELO VECCHI
MÁRIO GUSMÃO
SHEILA MATOS
HENRIQUE NUNES – porteiro do tribunal
ORION XIMENES – soldado

Importante e bem sucedida atração da TV Manchete. A emissora resolveu investir pesado no gênero telenovela e fez sua primeira superprodução com figurinos requintados e cenas externas enriquecendo o visual da obra. O autor traçou um aprimorado perfil da época, tendo como base os romances Dona Beija, a Feiticeira do Araxá de Thomas Leonardos e A Vida em Flor de Dona Beija de Agripa Vasconcelos.

Em seu ensaio Dona Beija: Análise de um Mito, Ovídio de Abreu Filho estabelece uma versão polêmica acerca de sua existência, referindo-se a ela como se fosse uma lenda. Mas, tanto as obras de Agripa Vasconcelos como a de Thomas Leonardos – para não citar Maria Santos Teixeira e seu O Solar de Dona Beija – são versões diferentes de uma mesma fonte: o velho farmacêutico araxense Sebastião Affonseca da Silva, que não a conheceu mas apaixonou-se por uma imagem de mulher que ele mesmo ajudou a construir.

O forte entrecho novelístico e a ousada direção de Herval Rossano colaboraram muito para o grande sucesso.

E já naquela época, a Manchete apostava no erotismo para chamar a atenção, como nas cenas da nudez de Maitê Proença em banhos de cachoeira.

Mas a repercussão se deve mesmo a Maitê Proença, belíssima e realizando o seu melhor trabalho na TV. Uma de suas cenas, onde aparece nua em cima de um cavalo, foi uma das mais marcantes da novela.

Dona Beija foi reprisada de 09/05 a 20/08/1988, em 89 capítulos, de segunda a sábado, às 21h30,
e de 05/10/1992 a 11/03/1993, em 102 capítulos, de 2ª a 6ª feira, às 21h30.

Em 2009 o SBT reprisou a novela, entre 06/04 e 04/07, entre as 22h30 e 23h.
Depois da polêmica reexibição de Pantanal, durante semanas, anúncios sobre uma suposta “arma secreta” do SBT davam a entender que a emissora reprisaria (logo depois de Revelação) A História de Ana Raio e Zé Trovão, trama exibida em 1990, também da TV Manchete. Mas a escolhida foi Dona Beija, produzida em 1986.
Assim como aconteceu em Pantanal, os próprios profissionais envolvidos na produção ficaram surpresos. Alguns nem sabiam que ela havia ido ao ar na noite anterior.
A exibição de Dona Beija foi ainda mais surpreendente na medida que estava previsto que o SBT faria em breve um remake da novela (e, com isso, estaria fora dos planos). Outros motivos estavam relacionados às qualidades (precárias) das fitas adquiridas pela massa falida.

Um resumo da novela Dona Beija foi lançado em VHS nos anos 90 – em três fitas.

Trilha Sonora
beijat1
01. TEMA DE DONA BEIJA – Wagner Tiso e Viva Voz (tema de abertura e tema de Beija)
02. POENTE II – João de Aquino e Maurício Carrilho (tema de Beija e Antônio)
03. LUZ E SOMBRA – Ivor Lancellotti (tema de Clariovaldo)
04. VIOLA E MEL – 14 Bis (tema de Antônio)
05. A PROMESSA – Marisa Gata Mansa
06. FACHO DE LUZ – João de Aquino e Maurício Carrilho (tema de Aninha)

Trilha Sonora Complementar: NO TEMPO DE DONA BEIJA – Quarteto Bessler Reis
beijat2
01. SUÍTE DONA BEIJA – Carlos Cruz
ARRAIAL DOS ARAXÁS
NA FONTE
CHÁCARA DO JATOBÁ
IDOLATRADA (tema de Mestre Avelino e Dona Josefa)
FESTAS NO PALACETE
02. ASTUCIOSOS OS HOMENS SÃO… (autor anônimo)
03. CONSELHO AOS HOMENS – Raphael a Albano Cordeiro
04. DUAS DANÇAS CAMPESTRES – Ludwig Van Beethoven
05. DANÇAS ALEMÃS – Franz Schubert
06. DUAS VALSAS – Carl Maria Von Weber
07. VEM AOS MEUS BRAÇOS (autor anônimo)
08. CONSELHOS ÀS MOÇAS – Raphael e Macedo
09. QUANDO AS GLÓRIAS QUE GOZEI… – Cândido Ignácio da Silva

Tema de Abertura: TEMA DE DONA BEIJA – Wagner Tiso e Viva Voz
Beija flor, Beija menina
Quem a fez assim tão divina
Quem a fez tão bela e tão fera
Chuva e sol de primavera

Senhora de tantos amores
A dona de Araxá
Por ela sonham os homens
Quem a Beija beijará

Senhora também das dores
Do povo de Araxá
Por ela sofrem os homens
Quem a Beija vai desprezar

Que mistério, basta um olhar
Ela vai nos enfeitiçando
Todo homem perde o rumo
E se entrega ao seu domínio
Que poder terá essa tal mulher
Com seu doce mortal veneno
Ela ama, ela odeia
Mas eu não sei se é feliz…

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