Sinopse

A vida de sete amigas dos tempos de colégio não será mais a mesma com um reencontro vinte anos depois. Márcia (Eva Wilma) é uma dondoca entediada que tem a ideia de reunir suas antigas companheiras de colégio: Wanda (Sandra Bréa), Natália (Joana Fomm), Helena (Aracy Balabanian), Adriana (Esther Góes), Carmem (Maria Helena Dias) e Marlene (Mila Moreira). Para isso, entra em contato com cada uma delas e promove uma brincadeira de amigo secreto em sua casa. Todas comparecem exceto Natália, que manda um presente estranho numa caixa: um pássaro morto.

Natália é uma mulher atormentada por lembranças do passado. Ainda nos tempos de colégio, um de seus dois irmãos, Zé Roberto, morreu ao cair do alto de uma pedra. Ela tem certeza de que uma amiga empurrou o menino e está decidida a arrancar a verdade da responsável. Para tanto, manipula o outro irmão, o galante Carlos (Herson Capri), induzindo-o a se envolver com Marlene e Wanda, as únicas ainda solteiras, para tentar arrancar delas alguma confissão.

Marlene é uma mulher que vive o estigma da solidão. Não se entrega fácil a relações amorosas e seus namoros nunca duram muito tempo – para o desespero da mãe, Dona Vilma (Lupe Gigliotte), que não suporta ver a filha, quase uma quarentona, ainda solteira. Marlene não resiste aos encantos de Carlos e se apaixona pelo rapaz. Mas ele está mesmo é interessado em Wanda.

Wanda é uma mulher bela e independente, apaixonada por um rico empresário, Átila Lopes Pereira (Mauro Mendonça). Só que ele é casado. O reencontro com Márcia trará uma desagradável surpresa para ela: a amiga é a mulher de seu amante. Desesperada, Wanda cobra de Átila uma posição. Mas uma tragédia acontece: num quarto de motel, depois de uma discussão, Átila tem um enfarte e morre. Com receio de ser descoberta, Wanda foge do local.

Márcia, que nem desconfia da amiga, está disposta a descobrir a identidade da amante do marido, a que estava com ele no motel quando faleceu. Para isso, contrata os serviços de um detetive: Mário Cury (Luiz Gustavo), ninguém menos que o irmão de Wanda. Acuada, Wanda teme que o irmão venha a desmascará-la a qualquer momento. Porém, para sua sorte, Mário é um sujeito completamente atrapalhado e incompetente, que nunca conseguiu solucionar um caso sequer. Não é à toa que o detetive atende pela alcunha de Mário Fofoca. O convívio com Mário fará com que Márcia esqueça a razão de sua contratação e que o veja com outros olhos.

Mas Mário Fofoca só tem olhos para Cláudia (Christiane Torloni), uma moça bela e ingênua que namora o mulherengo Renê (Reginaldo Faria), seu melhor amigo, um advogado sem projeção. A aproximação de Mário com a família de Márcia fará com que Renê conheça Ieda (Cristina Pereira), a filha mais velha dos Lopes Pereira, uma jovem complexada por se achar muito feia e, portanto, não ser capaz de atrair a atenção de nenhum homem. Renê se interessa por Ieda, mas é logo acusado de mal intencionado, de querer dar o golpe do baú. Quem acha que pode lucrar com esse envolvimento é Mário, que vê o caminho livre para paquerar Cláudia. Já a moça não se conforma de ser trocada por uma “feiosa”.

Renê mora com a família do irmão, Rubão (Ivan Cândido): os sobrinhos Elton (Cássio Gabus mendes) e Vic (Ana Helena Berenger), e a cunhada ranzinza, Carmem, uma das amigas de Márcia. Carmem é uma mulher sofrida e batalhadora, dona-de-casa abnegada, que desaprova as atitudes do cunhado e vive pegando em seu pé. A morte súbita de Rubão fará Carmem reconhecer em si um interesse bem maior pelo cunhado, algo mais do que uma aparente implicância.

Enquanto a jovem Vic se interessa pelo filho de MárciaIvan (André de Biasi) -, seu irmão Elton é paquerado pela outra filha de Márcia, Cris (Thaís de Campos). Mas Elton se interessou mesmo por Míriam (Tássia Camargo), a filha de Adriana – outra das sete amigas. Míriam é uma garota rebelde e geniosa, que não se conforma com a vida simples que leva ao lado da mãe viúva, dona de uma clínica veterinária. Os olhos de Míriam brilham ao conhecer Gil (Lauro Corona), um rapaz bonito e rico, filho único de Helena, a última das amigas. Mas Helena desaprova o namoro entre o filho e Míriam, porque, além de não simpatizar com a garota, não quer uma aproximação entre as duas famílias, mais especificamente entre Adriana e seu marido Jaime (Carlos Zara), já que eles foram namorados na juventude.

Entretanto, esse encontro entre Míriam e Gil esconde um problema bem maior para Miguel Aranha (Mário Lago), o rico pai de Helena. Os destinos de Helena e Adriana haviam se cruzado em outra ocasião, em circunstâncias que as duas desconheciam. Após o casamento de Jaime e Helena, Adriana casou-se também, e as duas amigas, já separadas, engravidaram ao mesmo tempo e deram à luz no mesmo dia, na mesma maternidade. Miguel pagou uma enfermeira, Eva (Nathalia Timberg), para que, caso o filho de Helena fosse uma menina, a enfermeira fizesse a troca por um menino, pois o velho queria um neto homem para ser herdeiro de suas empresas.

Sem que ninguém soubesse, Eva trocou a filha de Helena pelo filho de Adriana. E, assim, uma criou o filho da outra sem nunca saberem da verdade. Como se não bastasse o namoro dos jovens Míriam e Gil, e a consequente aproximação das duas famílias, Eva está de volta para chantagear Miguel e ameaçar revelar tudo às partes interessadas. Em troca, ela quer um emprego como governanta na mansão da família Aranha.

Por causa de incidentes ocorridos no passado, as vidas dessas sete amigas estão agora novamente entrelaçadas. E nem um detetive atrapalhado conseguirá desatar esses nós. No final, tudo ficará como começou, elas por elas!

Globo – 19h
de 10 de maio a 27 de novembro de 1982
173 capítulos

novela de Cassiano Gabus Mendes
colaboração de Carlos Lombardi
direção de Paulo Ubiratan, Wolf Maya e Mário Márcio Bandarra
direção geral de Paulo Ubiratan

Novela anterior no horário
Jogo da Vida

Novela posterior
Final Feliz

LUIZ GUSTAVO – Mário Fofoca (Mário Cury)
EVA WILMA – Márcia Furtado Lopes Pereira
REGINALDO FARIA – Renê
SANDRA BRÉA – Wanda Lúcia Cury
JOANA FOMM – Natália Cardoso
ARACY BALABANIAN – Helena Aranha Muniz
CARLOS ZARA – Jaime Muniz
ESTHER GÓES – Adriana Ferraz
MÁRIO LAGO – Miguel Aranha
NATHÁLIA TIMBERG – Eva
LAURO CORONA – Gil (Gilberto Aranha Muniz)
TÁSSIA CAMARGO – Míriam
CHRISTIANE TORLONI – Cláudia
CRISTINA PEREIRA – Ieda
MARIA HELENA DIAS – Carmem Ferreira de Sousa
MILA MOREIRA – Marlene Rozéli
HERSON CAPRI – Carlos Cardoso / Ivo de Camargo
FELIPE CARONE – Evilásio
ANA ARIEL – Raquel
LAERTE MORRONE – Roberto
MARCO NANINI – Décio
CÁSSIO GABUS MENDES – Elton
THAÍS DE CAMPOS – Cris
ANDRÉ DE BIASI – Ivan
ANA HELENA BERENGER – Vic
IVAN CÂNDIDO – Rubão (Rubens de Sousa)
PAULO GONÇALVES – Silvio
LUPE GIGLIOTTE – Vilma
CARMEM MARINHO – Maria
e
ANA MARIA MAGALHÃES – Analice (amiga de Mário)
ANA MARIA MARTINS – empregada de Helena
ANDRÉA BELTRÃO – amiga de Cris
ANTÔNIO CARLOS – motorista de Márcia
BEATRIZ LYRA – Bia (amiga de Márcia)
BETTY FARIA – Ieda em seus sonhos
CARLOS GREGÓRIO – Juca (novo namorado de Marlene, no final)
CARMEM MONEGAL – amiga de Márcia
CISSA GUIMARÃES – Tereza Madalena (cliente de Mário seduzida por Amoroso)
CLÁUDIA COSTA – amiga de Mário
DÉBORA DUARTE – Debbie (cliente de Mário)
DILMA LÓES – amiga de Mário
FÁBIO SABAG – Mateus Galvão (empresário amigo de Átila que conheceu a “Patinha”)
FERNANDO JOSÉ – amigo de Rubão
FRANCISCO MILANI – Jorge Pietá (empresário amigo de Átila que conheceu a “Patinha”)
GERMANO FILHO – amigo de Rubão
HELOÍSA MILET – Suzane
ILKA SOARES – amiga de Mário
IRENE RAVACHE – amiga de Márcia
JORGE CHERQUES – delegado do IML para onde o corpo de Átila foi enviado
JOSÉ MIGUEL – motorista de Helena
JOYCE DE OLIVEIRA – Jô (cliente de Mário)
JUÇARA QUINTINO – empregada de Natália
LINCOLN ABELEIRA – mordomo de Helena
LUIZA BRUNET – Ieda em seus sonhos
MAITÊ PROENÇA – Ieda em seus sonhos
MANOEL ELIZIÁRIO – copeiro de Márcia
MARCOS FROTA – Otávio
MARIA CRISTINA NUNES – Andressa (amiga de Cris)
MANOLO OTERO como ele mesmo, canta em uma casa noturna
MAURO MENDONÇA – Átila Lopes Pereira (marido de Márcia, morre num motel, no início, quando estava acompanhado da amante)
MÔNICA TORRES – Lurdeca (seduzida por Amoroso)
NEUZA AMARAL – amiga de Mário
NEY LATORRACA – porteiro do motel onde Átila foi encontrado morto
NORMA BLUM – Marieta (falsa “Patinha” contratada por Roberto para enganar Márcia)
PATRÍCIA BUENO – amiga de Renê
ROBERTO AZEVEDO – Amoroso (sedutor de mulheres investigado por Mário)
STÊNIO GARCIA – faxineiro do motel que encontrou Átila morto
SUSANA VIEIRA – Vanessa (ex-secretária de Átila que conhece a identidade da “Patinha” e chantageia Wanda)
TONY RAMOS – Renê nos sonhos de Ieda
VICTOR BRANCO – namorado de Vic
XUXA MENEGHEL – Ieda em seus sonhos
Zé Roberto (falecido irmão de Natália, em suas lembranças do passado)

– as sete amigas:
MÁRCIA (Eva Wilma)
WANDA (Sandra Bréa)
NATÁLIA (Joana Fomm)
HELENA (Aracy Balabanian)
ADRIANA (Esther Góes)
CARMEM (Maria Helena Dias)
e MARLENE (Mila Moreira).

– núcleo de MÁRCIA FURTADO LOPES PEREIRA (Eva Wilma), dondoca entediada que resolve reunir seis amigas dos tempos de colégio, com as quais havia perdido contato. Ao ficar viúva, descobriu que o marido tinha um caso com outra mulher. Não conformada com o duro golpe, fica obcecada em descobrir quem estava com ele na hora da morte. Por isso contrata os serviços de um detetive particular:
o marido ÁTILA LOPES PEREIRA (Mauro Mendonça), rico industrial, morre no início: tem um ataque cardíaco fulminante num quarto de motel, onde estava com a amante;
os filhos IEDA (Cristina Pereira), moça romântica, mas insegura, complexada por se achar muito feia e incapaz de atrair ou despertar o interesse em algum homem,
IVAN (André de Biasi), playboy que curte se divertir com os amigos sem se fixar a algum compromisso sério,
e CRIS (Thaís de Campos), a caçula, patricinha;
o advogado ROBERTO (Laerte Morrone), muito próximo da família. Secretamente apaixonado por Márcia, não concorda com a insistência dela em descobrir quem era a amante do falecido marido.

– núcleo de WANDA LÚCIA CURY (Sandra Bréa), bela, solteira e independente. Teve um caso secreto com Átila, a quem amava. Ele a chamava de PATINHA. Estava com o amante quando ele morreu no motel, mas teve que abandoná-lo lá com medo de ser descoberta:
o irmão MÁRIO CURY (Luiz Gustavo), também conhecido como MÁRIO FOFOCA, rapaz confuso, desajeitado, ingênuo e esquecido. É o detetive contratado por Márcia para descobrir a identidade da Patinha. Ele nem desconfia que trata-se de sua irmã, e Wanda morre de medo de ser descoberta. Mas Mário é absolutamente atrapalhado e incapaz de resolver qualquer missão. Márcia acaba apaixonando-se por ele à medida que vai conhecendo-o melhor e, por fim, esquece o real motivo de contratá-lo. Roberto faz de tudo para afastá-lo de Márcia, por ciúmes;
os pais EVILÁSIO (Felipe Carone), aposentado bonachão e crédulo. Acredita que o filho será um famoso detetive particular e dá todo apoio à sua carreira, defendendo-o sempre, mesmo diante das evidências contrárias,
e RAQUEL (Ana Ariel), dona de casa, ranzinza, implica com o marido e com o filho, por causa de sua profissão e suas trapalhadas. Por outro lado, preocupa-se muito com a filha e percebe que ela esconde um segredo que a atormenta.

– núcleo de NATÁLIA CARDOSO (Joana Fomm), de família abastada. Solteirona, retraída e amargurada, é taxada pelas amigas de neurótica, já que desconfia que uma delas foi a responsável pela morte de seu irmão, ZÉ ROBERTO, no passado, quando eram colegiais. Não descansa enquanto não descobrir quem foi. Desconfia de todas e faz de tudo para arrancar uma confissão:
o outro irmão CARLOS (Herson Capri), o caçula, rapaz charmoso e bonito. De temperamento expansivo, não entende sua obsessão pela morte do irmão. Envolve-se com Wanda e Marlene, as amigas solteiras, a pedido dela. Acaba apaixonado por Wanda, mas não é correspondido. Para se aproximar dela, inventa uma identidade, IVO DE CAMARGO, e oferece um negócio a Evilásio, pai da moça;
o pretendente DÉCIO (Marco Nanini), psicanalista interessado em suas neuroses. Aos poucos, vai conquistando sua confiança e coração. Tenta curar seus traumas e a ajuda a desvendar o passado.

– núcleo de HELENA ARANHA MUNIZ (Aracy Balabanian), mulher rica, geniosa, ciumenta e de personalidade forte:
o marido JAIME MUNIZ (Carlos Zara), de origem humilde, enriqueceu ao entrar para a família da mulher, mas a ama de verdade. Administra as indústrias do sogro. Não concorda com certas atitudes de Helena, mas procura não contrariá-la;
o filho único GIL (Lauro Corona), rapaz romântico de dezessete anos. Quando nasceu, foi trocado na maternidade sem que os pais soubessem;
o pai MIGUEL ARANHA (Mário Lago), rico industrial, hoje aposentado. De princípios firmes, sempre desejou um herdeiro homem. Como Helena é sua filha única, esperava que ela lhe desse um neto, o que acabou não acontecendo. Por isso subornou uma enfermeira para que ela trocasse o bebê no parto caso nascesse uma menina;
a ex-enfermeira EVA (Nathália Timberg), no passado foi paga por Miguel para fazer a troca dos bebês. Ressurge na vida do velho chantageando-o: ele a emprega como governanta em sua mansão, caso contrário ela revela à família que Gil não é filho legítimo de Helena.

– núcleo de ADRIANA FERRAZ (Esther Góes), viúva, veterinária, de origem humilde. Dócil e romântica. Apaixonada por Jaime no passado, foi preterida por Helena, de família abastada. Ao reencontrar Jaime, o passado vem à tona e Helena teme uma reaproximação:
a filha MÍRIAM (Tássia Camargo), garota de dezessete anos, temperamental e determinada, e também interesseira. Não se conforma com a vida simples que leva ao lado da mãe. Foi trocada na maternidade, mas a mãe nunca desconfiou. Envolve-se com Gil, por interesse, para o desespero de Helena, que antipatiza com ela à primeira vista e teme a proximidade de Jaime e Adriana. E para o desespero de Miguel, que sabe que Míriam é, na realidade, a filha legítima de Helena, sua neta, e Gil, o filho de Adriana;
a empregada de sua clínica veterinária MARIA (Carmem Marinho), sua amiga.

– núcleo de CARMEM FERREIRA DE SOUSA (Maria Helena Dias), dona-de-casa abnegada, um tanto quanto amargurada. Pobre, vive para o lar e a família, sem tempo para arrumar-se ou divertir-se:
o marido RUBÃO (Ivan Cândido), trabalha duro para sustentar a casa. Morre no decorrer da trama;
o cunhado RENÊ (Reginaldo Faria) irmão mais novo de Rubão, mora com eles. Advogado sem projeção, amigo de Mário, seu escritório é ao lado do dele. Vez ou outra, Mário o envolve em alguma confusão sua. Charmoso e meio cafajeste, não resiste em se envolver com suas clientes. Carmem vive implicando com ele, porém, após a morte do marido, descobre-se apaixonada pelo cunhado. Mesmo com uma namorada, Renê envolve-se com Ieda, o que faz todos pensarem que ele quer dar o golpe do baú, já que a moça é rica e feia;
a namorada de Renê, CLÁUDIA (Christiane Torloni), bela, sensual, mas ingênua e pouco inteligente. Apaixonada por Renê, é alvo do amor platônico de Mário, mas ela o vê apenas como amigo. Não se conforma de Renê trocá-la por uma “feiosa”;
os filhos ELTON (Cássio Gabus Mendes), rapaz esperto e debochado. Apaixona-se por Míriam e percebe que ela está com Gil apenas por interesse. Acaba namorando Cris, que se interessa por ele quando o conhece
e VIC (Ana Helena Berenger), garota deslumbrada, envolve-se com Ivan.

– núcleo de MARLENE ROZÉLI (Mila Moreira), de família humilde. Solteira e tímida, acha que não tem sorte no amor. É o principal alvo das neuroses de Natália, que tenta dominá-la. Apaixona-se por Carlos quando ele envolve-se com ela a pedido de Natália. Também namorou Décio, que a trocou por Natália ao interessar-se pelos problemas dela:
os pais SILVIO (Paulo Gonçalves) e VILMA (Lupe Gigliotte), que faz de tudo para “desencalhar” a filha;
o namorado JUCA (Carlos Gregório), rapaz tímido, surge no final da história e arrebata seu coração.

Com uma trama sedutora, divertida e bem-amarrada, Cassiano Gabus Mendes lançava mais um sucesso do horário das sete da Globo.
O elenco aliado à qualidade do texto e à direção apurada fizeram desta uma das novelas de maior sucesso da década de 1980.

Cassiano revelou em entrevista (ao jornal O Globo, publicada em 30/05/1982, TV Pesquisa PUC-Rio) que a ideia para a novela surgiu na casa da então sogra de seu filho Tato Gabus Mendes, Marilena Arambasic:
“Estávamos jantando, quando ela contou que havia conseguido reunir treze antigas amigas de colégio. Na mesma hora, soube que tinha encontrado o que eu procurava e comecei a amadurecer a ideia.”

Apesar do irrepreensível elenco feminino e da trama centrada nos dramas das sete amigas que se reencontram, foi Luiz Gustavo quem obteve o maior destaque, chegando a desbancar as protagonistas. Seu personagem, o atrapalhado detetive Mário Fofoca, marcou sua carreira – assim como outros criados por Cassiano para o ator, como Beto Rockfeller, da novela homônima, o cego Léo de Te Contei? e o costureiro Victor Valentim de Ti-ti-ti.

Por incrível que pareça, Cassiano criou o personagem para participar por apenas 5 ou 6 capítulos, e nem havia pensado em um ator de peso para interpretá-lo. A princípio, Mário Fofoca seria apenas uma participação, já que o foco da novela era o reencontro das sete amigas protagonistas.
Cassiano, ao contar sobre sua próxima trama ao amigo Luiz Gustavo, fez o ator interessar-se pelo personagem. Luiz Gustavo narrou a Elmo Francfort para o livro “Gabus Mendes, Grandes Mestres do Rádio e Televisão”:
“Falei [a Cassiano]: deixa eu fazer esse personagem, desse detetive, mas não me mata no sexto capítulo, não me tira fora. Eu quero fazer esse detetive atrapalhado, um personagem que seja gago mentalmente.”
Mário Fofoca ficou a novela inteira, roubou a cena e tornou-se um dos maiores sucessos das carreiras do ator Luiz Gustavo e do novelista Cassiano Gabus Mendes.

A melhor definição para Mário Fofoca é o tipo “gago mentalmente”, como disse Luiz Gustavo. Tendo como uma das referências o atrapalhado Inspetor Clouseau (personagem de Peter Sellers no cinema), o detetive era desastrado, esquecido, trocava as palavras, não terminava as frases, confundia as pessoas e era cheio de manias e demasiadamente ansioso. Talvez por isso nunca conseguiu resolver nenhum caso. Seu apertado escritório (em um prédio na Praça da Sé) era todo bagunçado, a cadeira para os clientes estava sempre ocupada com pastas ou papel, e ele guardava garrafa térmica, pão e salame dentro do cofre.
Entre as várias gags que divertiram o público, estava o fato de Mário atender ao telefone quando tocava a campainha e atender à porta quando tocava o telefone.

O personagem ficou marcado também pelo figurino: o indefectível paletó xadrez lilás com uma gravata colorida. Complementando a caracterização, a pasta de trabalho sempre debaixo do braço e o fusca mambembe, com o qual tirava onda de carrão de James Bond.
Embora o personagem tenha sido criado por Cassiano, Luiz Gustavo contribuiu muito para a composição de Mário Fofoca. O paletó xadrez foi um achado do ator no guarda-roupa da Globo. Para ele, o personagem deveria usar o mesmo traje o tempo todo. Inicialmente, os produtores da novela não aprovaram a ideia, mas Luiz Gustavo lembrou de grandes heróis – como Charles Chaplin, o Gordo e o Magro – para justificar o figurino.

Mário Fofoca ainda rendeu a Luiz Gustavo a protagonização de um filme – As Aventuras de Mário Fofoca, de Adriano Stuart – e de um seriado de TV – Mário Fofoca -, ambos em 1983, porém, sem grande repercussão.

Luiz Gustavo voltou a viver o personagem no humorístico Sai de Baixo (no episódio Uma Morta Muito Viva, em 1996), no qual já fazia parte do elenco fixo (como Vavá).
Também apareceu na mini-novela Expresso Brasil, em 1987, que reunia vários personagens famosos de novelas.
E, novamente, em 2010, no remake de Ti-ti-ti, assinado por Maria Adelaide Amaral – que homenageava Cassiano Gabus Mendes com a aparição na novela de vários personagens criados pelo novelista.

Em depoimento ao Projeto Memória Globo, Eva Wilma afirmou que muitas cenas entre sua personagem e Mário Fofoca foram improvisadas. Segundo ela, a fogosa Márcia tentava agarrar o detetive a todo custo. A atriz citou uma cena do final da novela em que ela finalmente conseguia o que queria, apanhando Mário pela gravata, quase o enforcando. Os dois atores terminaram a sequência caídos atrás do sofá.

O diretor Wolf Maya narrou ao Memória Globo que preparava surpresas para os atores durante as gravações. Certa vez, deixou, propositalmente, uma cadeira bamba no cenário para que Luiz Gustavo levasse um susto quando se sentasse. O diretor aproveitava a reação do ator e a solução que ele encontrava para seguir a cena sem interrompê-la. Isso, somado ao talento do elenco, segundo Wolf, dava maior espontaneidade às cenas.

Eva Wilma estava a todo vapor na época da novela. Quando Elas por Elas estreou, a atriz podia ser vista também nos cinemas, no filme Asa Branca, um Sonho Brasileiro, de Djalma Limongi Batista, e em meio à turnê de sua peça Desencontros Clandestinos, na qual atuava com o marido Carlos Zara – que também estava no elenco da novela.

Ambientada na capital paulista, Elas por Elas teve gravações em lugares típicos de São Paulo, como o Mirante da Lapa, a região da Boca do Lixo, as boates da região do Baixo Augusta, o elegante bairro do Morumbi, onde morava Márcia (Eva Wilma), e a Praça da Sé, onde ficavam os escritórios de Mário e Renê (Luiz Gustavo e Reginaldo Faria). Site Memória Globo.

A censura proibiu o uso da música Falando Sério de Roberto Carlos, que Mário Fofoca cantava para uma de suas paqueras, por causa do trecho “e apenas ser mais um na sua cama”.
E também vetou uma chamada de estreia que anunciava: “Wanda é solteira e ama um homem casado!”.

A abertura de Elas por Elas – produzida pelo designer Hans Donner e sua equipe – foi uma das mais criativas já feitas para a televisão. Exibia, em preto e branco, uma festa jovem nos anos 1960. A imagem de uma moça da festa era congelada após um efeito de flash de câmera fotográfica. A cena se transformava numa foto. Por fim, a moça fotografada “saía” da foto, fundindo-se com a imagem de uma atriz do elenco, na atualidade, já com a imagem colorida. E assim sucessivamente para cada uma das sete protagonistas da história.

Para embalar a abertura, a encomenda feita pelo produtor musical Guto Graça Mello foi uma música pop que remetesse ao iê-iê-iê dos anos 1960. Nada melhor, portanto, do que um grupo associado à Jovem Guarda, os Fevers, que gravaram para a novela a música Elas por Elas, composição de Augusto César (um dos vocalistas da banda) e Nelson Motta.
“O Miguel Plopschi, que era do grupo, amigo meu, me pediu muito para fazer a música. Eles queriam uma upgradezinho, que a banda era considerada brega, e aí fiz essa letra para eles. Era uma boa música até e fez o maior sucesso. Os Fevers passaram a tocar em rádio FM. Antes, só tocavam em AM”, disse Nelson Motta a Guilherme Bryan e Vincent Villari para o livro “Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”
O sucesso dos Fevers com a música da novela foi tanto que no ano seguinte a banda foi novamente chamada para gravar para a abertura de outra produção: Guerra dos Sexos.

Outro sucesso da trilha da novela foi o tema de Mário Fofoca, a bizarra Melô do Piripiri, no qual a popular cantora e dançarina Gretchen murmura, com afetada sensualidade, frases em francês sem nexo. A música tornou-se, nas décadas seguintes, um ícone da cultura trash dos anos 1980.
Também marcou a novela a instrumental Eva, da dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti, que, apesar do título, não foi usada como tema da personagem Eva (Nathalia Timberg), mas como tema geral da novela. Guilherme Bryan e Vincent Villari em “Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”.

De passagem pelo Brasil, o cantor espanhol Manolo Otero (cuja música Vuelvo a Ti fazia parte da trilha internacional da novela) gravou uma participação especial, cantando seu sucesso para o elenco.

Elas por Elas teve as participações de Xuxa e Luiza Brunet, nas cenas em que a personagem Ieda (Cristina Pereira) imaginava-se uma outra mulher, linda e sedutora, vivenciando cenas românicas com Renê (Reginaldo Faria).
Xuxa – na época modelo – apareceu sensualizando no capítulo 40 (exibido em 24/06/1982), muito antes de se tornar a “rainha dos baixinhos”.
Também participaram dos devaneios de Ieda: Betty Faria, Maitê Proença e Tony Ramos.

Elas por Elas foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor novela de 1982. Cassiano Gabus Mendes levou o prêmio de melhor texto de novela, e Luiz Gustavo e Reginaldo Faria, melhores atores (juntamente com Roberto Bonfim, por Paraíso, e Luís Carlos Arutin, por Os Imigrantes, da Bandeirantes).
Também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela do ano, bem como Luiz Gustavo o melhor ator.

O primeiro título pensado para a trama foi Amigo Secreto.

Primeira novela do ator Cássio Gabus Mendes, filho de Cassiano.
Estreia na Globo dos atores Herson Capri, Tássia Camargo, Cristina Pereira e André de Biasi (já haviam atuado em outras emissoras).

Cassiano Gabus Mendes, em entrevista a Lília Coelho para o Jornal do Brasil (publicada em 14/11/1982, TV Pesquisa PUC-Rio), assim avaliou o desempenho de seu filho Cássio, então estreante na televisão:
“O Cássio tem muito o que aprender. Ele começou mal, melhorou depois, mas leva jeito. Ele tem de fazer mais umas três novelas para desenvolver o potencial. Nesses casos eu sou muito frio e não brinco em serviço: se não melhorasse, seria cortado. Como no final foi bem fazendo o Elton, tem nos últimos capítulos cenas fortes.”

Carlos Lombardi, começando na TV Globo, colaborou no texto de Cassiano, mas ainda não era creditado na abertura da novela.

Em janeiro de 1984, a Globo anunciou em sua programação a reprise de Elas por Elas no Vale a Pena Ver de Novo. Porém, antes da data prevista para a estreia da reapresentação (13/02), novas chamadas substituíram a novela por Água Viva.
O repeteco de Elas por Elas na faixa vespertina aconteceu no ano seguinte: a novela estreou no Vale a Pena Ver de Novo em 11/02/1985 e e ficou no ar até 05/07.

O crítico Artur da Távola assim avaliou a novela em sua coluna no jornal O Globo, de 28/11/1982 (TV Pesquisa PUC-Rio):
“Cassiano marcou mais um gol: fazendo humor sem descambar para a chanchada e desenvolvendo uma comédia que nunca ficou restrita à graça óbvia, ele conseguiu prender a atenção do público por quase 200 capítulos, batendo várias vezes os recordes de audiência do horário. Elas por Elas foi um sucesso tão enorme quanto merecido, já que, salvo alguns pequenos enganos – como usar e abusar das trapalhadas do Mário Fofoca a partir do meio da história -, sob todos os ângulos, esta foi uma novela perfeita. Cassiano é autor tão seguro que é capaz até de contrariar a vontade de 80% de seu público – que desejava um final feliz para Yeda e Renê -, para fazer valer sua intenção original – a de dar ao personagem vivido por Reginaldo Faria um amor mais maduro como o de Carmem -, sem com isto perder um só de seus telespectadores. (…) A lamentar, talvez, apenas a ausência de mais cenas externas: elas dão muito trabalho, mas costumam enriquecer qualquer produção com um colorido indispensável.”

A crítica de televisão Helena Silveira falou do elenco em sua coluna na Folha de São Paulo de 03/09/1982 (TV Pesquisa PUC-Rio):
“Luís Gustavo, num Mário calcado no detetive Columbo, mostra com esse papel que já cristalizou um tipo. A partir de Beto Rockfeller, foi desenhando suas linhas específicas. Parece que pôs numa coqueteleira o velho Chaplin e bateu com pitadas de Woody Allen e de outras gentes do telão, inclusive com molhos de humor peninsular.
Já Araci Balabanian tem oportunidades menores. Assim mesmo, ela encontra um bom suporte: a elegância posta nas atitudes, nos menores gestos. Repararam nas figuras da apresentação, quando as moças em branco e preto pulam vinte anos – do rock ao colorido da telinha, com jeito de mulher feita? A Balabanian é a que sai com mais arte, compondo uma bonita figura.
Joana Fomm sem quase oportunidade, Ester Góes dando bom recado, assim como Maria Helena Dias. Sandra Bréa deve controlar um pouco as cobrinhas sibilantes de sua fala ipanemenha demais. Mário Lago, sempre o artista correto, mesmo em interpretações menores. Christiane Torloni adequadíssima na ingênua burrinha de fala fina de doer os tímpanos. Reginaldo Faria, o ‘gatão’ coroa das menininhas, mas com passagem em que pode mostrar o pulso de bom ator.
Uma atriz que só aparecera em comerciais Cristina Pereira é a Ieda, feiosa a fazer pensar na frase dos franceses: ‘Quando uma feia se faz amar, só pode ser perdidamente’, Herson Capri saltou de Os Imigrantes para a comédia com bastante classe. A turma da gente jovem faz um contraste nem sempre a seu favor com os veteranos, salvo André de Biasi que me parece já dar bem seu recado.”

Trilha Sonora Nacional
elast1
01. MUNDO DELIRANTE – Simone (tema de Natália)
02. OUSADIA – Sandra Sá (tema de Márcia)
03. MULHER E CIDADE – Moraes Moreira (tema de Renê)
04. EU NÃO SABIA QUE VOCÊ EXISTIA – Elza Maria (tema de Míriam)
05. DEPOIS DE TI – Ângela Maria (tema de Helena)
06. ELAS POR ELAS – The Fevers (tema de abertura)
07. EVA – Robson Jorge & Lincoln Olivetti (tema geral)
08. MELÔ DO PIRIPIRI – Gretchen (tema de Mário Fofoca)
09. CUMPLICIDADE – Fafá de Belém (tema de Wanda)
10. ESCÂNDALO – Ângela Ro Ro
11. GUARDADOS – Joyce (tema de Adriana)
12. MÚSICA E LETRA – Luiza Maria (tema de Ieda)
13. UM AUÊ COM VOCÊ – Baby Consuêlo (tema de Marlene)

Trilha Sonora Internacional
elast2
01. I’VE NEVER BEEN TO ME – Charlene (tema de Márcia)
02. EVEN THE NIGHTS ARE BETTER – Air Supply (tema de Natália)
03. IT’S GOOD TO BE THE KING – Mel Brooks
04. VUELVO A TI – Manolo Otero (tema de Carmem e Renê)
05. LET’S START THE DANCE AGAIN – Hamilton Bohannon
06. ONLY THE LONELY – Motels (tema de Gil e Míriam)
07. THANKS TO YOU – Sinnamon
08. A TASTE OF THE SIXTIES – Paul Mauriat (tema de Carmem)
09. GIMME JUST A LITTLE MORE TIME – Angela Clemmons (tema de Cláudia)
10. FOREVER – Alessi and Christopher Cross (tema das sete amigas)
11. CAN YOU SEE THE LIGHT – Brass Construction
12. HERE WE ARE – Vogue (tema de Ieda)
13. SWEET TENDER LOVE – Denroy Morgan
14. CRY SOFTLY – Secret Service (tema de Elton e Cris)

Sonoplastia: José Napoleão
Seleção de repertório internacional: Sérgio Motta
Produção musical: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: ELAS POR ELAS – The Fevers

Tudo na vida passa
Tudo no mundo cresce
Nada é igual a nada, não!

Tudo que sobe, desce
Tudo que vem, tem volta
Nada que vive, vive em vão

Nem todo dia é festa
Nem todo choro é triste
Nenhuma dor sempre será

Hey, hey! Bandeira pouca é bobagem!
Hey, hey! Você me faz a cabeça!

Veja também

  • marronglace_logo

Marron-Glacé

  • plumasepaetes_logo

Plumas e Paetês

  • champagne_logo

Champagne

  • tititi85_logo

Ti-ti-ti (1985)

  • mariofofoca_logo

Mário Fofoca