Sinopse

No ano de 1859 morre o conselheiro Vale, figura da primeira classe da sociedade do Segundo Reinado, homem bem relacionado e respeitado. Ele deixa um filho, Estácio, de 27 anos, e uma irmã, D. Úrsula, que desde a morte da cunhada cuidara com desvelo da bela chácara em que vivem, no Andaraí.

Nomeados testamenteiros os melhores amigos do conselheiro, o Dr. Camargo, médico igualmente bem relacionado, e o Padre Melchior, grande amigo da família. A abertura do testamento é marcada para o dia seguinte ao enterro e cercada de suspense, criado pela expectativa de Camargo, visivelmente preocupado com um possível “erro”, que poderia o amigo ter deixado para revelar somente após sua morte.

A leitura do testamento revela uma segunda filha do conselheiro Vale, Helena, nascida de uma união até então desconhecida de toda a família. Enquanto Estácio aceita o último pedido do pai – levar Helena para morar na chácara e tratá-la com muito carinho – Úrsula e o Dr. Camargo ficam contrariados. A irmã do conselheiro vê na jovem uma intrusa e usurpadora, enquanto o médico, pai de Eugênia (noiva de Estácio), também se mostra contra a ideia.

No entanto, o testamento é obedecido e Helena sai do colégio para morar na chácara, onde começa a mudar a vida de todos.

Helena e Estácio apaixonam-se, mas o rapaz sente-se culpado, acreditando ser irmão da moça. Helena, contudo, sabe que não é filha de Vale. O conselheiro teve um romance secreto com sua mãe e prometeu perfilar a menina e tratá-la com carinho. A atitude esquiva de Helena, que se encontra às ocultas com seu pai legítimo, Salvador, faz com que se desconfie que ela tem um amante.

No final, embora perdoada por Estácio, que descobre a verdade, Helena morre em consequência de uma febre nervosa.

Globo – 18h
de 5 a 30 de maio de 1975
20 capítulos

novela de Gilberto Braga
baseada no romance homônimo de Machado de Assis
direção de Herval Rossano

Novela posterior no horário
O Noviço

LÚCIA ALVES – Helena
OSMAR PRADO – Estácio
IDA GOMES – Úrsula
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Luiz Mendonça
CARLOS DUVAL – Padre Melchior
ROGÉRIO FRÓES – Dr. Camargo
REGINA VIANA – Tomásia
ÂNGELA VALÉRIO – Eugênia
GILBERTO SÁLVIO – Salvador
RUTH DE SOUZA – Madalena
SIDNEY MARQUES – Vicente
VANDA MATOS – Antônia
VICENTE COSMO – menino de recados
e
DURVAL PEREIRA – Conselheiro Vale

– núcleo de HELENA (Lúcia Alves), jovem pobre, bonita, inteligente, de temperamento expansivo. Recebe uma polpuda herança de um senhor desconhecido, o que a obriga a mudar-se para uma chácara e conviver com a família dele. A princípio é hostilizada por todos, mas logo eles se rendem à sua simpatia:
o homem misterioso SALVADOR (Gilberto Sálvio), ao final, é revelado que trata-se de seu pai.

– núcleo do CONSELHEIRO VALE (Durval Pereira), figura importante na côrte. Ao morrer, deixa parte de sua herança para Helena. Todos acham que ela é uma uma filha bastarda. Os familiares terão que acolhê-la na chácara da família. Descobre-se ao final que o conselheiro não era o pai de Helena, como se suspeitava, mas fora amante da mãe dela e havia lhe prometido cuidá-la:
o filho ESTÁCIO (Osmar Prado), rapaz tímido e severo. Decidido a atender o desejo do pai. Acaba apaixonado por Helena e culpa-se por isso, pois acredita que ela é sua irmã
a irmã ÚRSULA (Ida Gomes), toma conta da chácara da família e da educação do sobrinho. Fica instisfeita com o testamento. A princípio, recebe Helena como uma intrusa, mas logo fica amiga dela
o amigo de Estácio, LUIZ MENDONÇA (José Augusto Branco), apaixona-se por Helena, despertando ciúme em Estácio
o padre MELCHIOR (Carlos Duval), amigo da família, ajuda Estácio a descobrir a origem de Helena
a escrava MADALENA (Ruth de Souza), bem-quista por todos, afilhada de Úrsula
o escravo VICENTE (Sidney Marques), torna-se amigo de Helena.

– núcleo do DR. CAMARGO (Rogério Fróes), amigo do Conselheiro Vale, médico de confiança da família. Acha que o amigo cometeu um erro ao destinar parte de sua herança a uma desconhecida da família:
a mulher TOMÁSIA (Regina Viana), mulher recatada
a filha EUGÊNIA (Ângela Valério), noiva de Estácio, jovem mimada e mal humorada, antipatiza e sente ciúmes de Helena.

Gilberto Braga explicou:
Helena é justamente uma das obras que marcam o fim da primeira fase do autor [Machado de Assis], fase mais romântica e popular. Nele, Machado já flerta com os estudos da psicologia dos personagens. E esse livro foi o escolhido para levar Machado de Assis à televisão por ter uma grande carga de ação dramática, que permite o desenvolvimento de uma novela.”

Com essa trama, a Globo lançou no horário das 18 horas as adaptações de obras da literatura brasileira, com direção de núcleo de Herval Rossano, a fim de fixar o horário como nova faixa exclusiva para novelas.
Anteriormente, já havia tido outras novelas às seis horas, mas não era uma tradição: Meu Pedacinho de Chão, Bicho do Mato e A Patota, exibidas entre 1971 e 1973.
Com a nova faixa como horário fixo, a Globo passou a apresentar quatro novelas em sua grade: às dez da noite, às oito, às sete e, agora, às seis.

As duas primeiras experiências (Helena e O Noviço) foram chamadas na época de mini-novelas por terem sido escritas para apenas 20 capítulos. As produções seguintes, além de gravadas em cores, passaram a ter mais de 80 capítulos e, com o passar do tempo, esse número foi aumentando.

A novela contou com uma narração inicial que fazia uma retrospectiva dos acontecimentos a fim de enfatizar a história principal.
Fonte: site Memória Globo.

Os cenários e figurinos, criados por Arlindo Rodrigues, procuraram reconstituir, da melhor maneira possível, uma chácara carioca, em 1859, onde transcorria a maior parte da ação da novela. As roupas também reproduziam as modas da época, muito calcada nos estilos usados na Europa.

Para as cenas de externa, o local escolhido foi a Fazenda de Palmares, em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Lá foram gravados os passeios de Helena e Estácio (Lúcia Alves e Osmar Prado) a cavalo, assim como as cenas do exterior da chácara.

As mesmas locações foram depois utilizadas para o Sítio do Picapau Amarelo (a partir de 1977).

Os 20 capítulos foram totalmente gravados e finalizados em 12 dias.

Em 1952 a história de Helena já havia sido levada à televisão pela TV Paulista com dois capítulos semanais, com Vera Nunes no papel-título.

Em 1987, o romance de Machado de Assis rendeu outra versão para a TV, adaptada por Mário Prata, Dagomir Marquezi e Reinaldo Moraes, numa produção da TV Manchete. No elenco, Luciana Braga (Helena), Thales Pan Chacon (Estácio), Elias Andreato (Mendonça), Othon Bastos (Dr. Camargo), Aracy Balabanian (Úrsula), Mayara Magri (Eugênia), Ivan de Albuquerque (Padre Melchior) e outros.

Helena da Globo foi reprisada entre 08/03 e 02/04/1976, às 13h30.

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