Sinopse

A trajetória de Hilda Furacão, a mais desejada prostituta da zona boêmia de Belo Horizonte nos anos 1950. Filha de uma tradicional família de classe média, Hilda escandalizou a sociedade mineira ao romper com a família e com as convenções fugindo no dia de seu casamento e indo refugiar-se entre as prostitutas.

Na pequena cidade de Santana dos Ferros, vivem três amigos inseparáveis, cada um deles com um sonho: Maltus quer ser frade dominicano, Roberto pretende fazer a revolução comunista, e Aramel, o Belo, almeja o sucesso em Hollywood. Os planos dos três são afetados pelo surgimento de Hilda, por quem frei Maltus se apaixona, passando a enfrentar um intenso conflito, dividido entre a castidade e o pecado.

A história é narrada pelas memórias do jornalista Roberto Drummond, então repórter iniciante do jornal Folha de Minas, encarregado de traçar o perfil de Hilda Furacão, uma mulher que desafiou as regras da moral e bons costumes em uma época de repressão em que a sociedade, hipócrita, ditava as normas de conduta.

Globo – 22h30
de 27 de maio a 23 de julho de 1998
32 capítulos

minissérie de Glória Perez
baseada no romance homônimo de Roberto Drummond
direção de Wolf Maya, Maurício Farias e Luciano Sabino
direção geral de Wolf Maya

ANA PAULA ARÓSIO – Hilda Furacão
RODRIGO SANTORO – Maltus
DANTON MELLO – Roberto Drummond
PAULO AUTRAN – Padre Nelson
ROGÉRIO CARDOSO – Ventura
EVA TODOR – Loló
CININHA DE PAULA – Lucianara
LUÍS MELLO – Padre Ciro
PALOMA DUARTE – Leonor
ROSI CAMPOS – Maria Tomba-Homem
MATHEUS NACHTERGAELE – Cintura Fina
CLÁUDIA ALENCAR – Divinéia
ANSELMO VASCONCELLOS – Jabuti
WALDEREZ DE BARROS – Ciana (Emerenciana Drummond)
DÉBORA DUARTE – Çãozinha
ZEZÉ POLESSA – Neném
THIAGO LACERDA – Aramel
TEREZA SEIBLITZ – Gabriela “M”
STÊNIO GARCIA – Tonico Mendes
RICARDO BLAT – Cidinho
SÉRGIO LOROZA – M.C.
CHICO DIAZ – Orlando Bonfim
CAROLINA KASTING – Bela Bê
TATIANA ISSA – Dorinha
MARCOS FROTA – Padre Geraldo
GUILHERME KARAN – João Dindim
IARA JAMRA – Beata Fininha
IVAN CÂNDIDO – Delegado Procópio
MARA MANZAN – Nevita
MARCOS OLIVEIRA – Zé Viana
CARLOS GREGÓRIO – Alencastro
CAIO JUNQUEIRA – Demétrio Barbosa
DANIEL BOAVENTURA – Zico
MARIA MAYA – Zora
WÁLTER VERVE – Alves
ELAINE MICKELY – Rosa
FERNANDA BADAUÊ – Lucília
ZEZEH BARBOSA – Guiomar
GUGA COELHO – Vitinho
DARY REIS – Nilson Sargento
SARAH LAVIGNE – Anita
CLÁUDIO GALVAN – Zé do Raimundo
THAÍS TEDESCO – Alice
YACHMIN GAZAL – Alicinha
MARILENA CURY – Alição
PRISCILA LUZ – Lurdinha
HENRI CASTELLI – Celso
RENATO RABELLO – Padre Guido
ADRIANA ZATTAR – Sarita
MÁRCIA BARROS – Dulce
MÔNICA LIMA – Dirce
MARIA GLADYS – Cecília
ALEXANDRE MORENNO – Enéas
MARCELO BROU – Vasco
o menino LUÍS CLÁUDIO JR. – Dudu
e
ARLETE SALLES – Madame Janete (cartomante que prevê o destino de Hilda, antes de ela tornar-se prostituta)
CARLOS VEREZA – Lorca (militante comunista)
CARLOS VIEIRA – frei
CLÁUDIO MAMBERTI – juiz
ELIANE GIARDINI – Berta (mãe de Hilda)
EMILIANO QUEIRÓZ – Profeta
FERNANDO JOSÉ – vereador Mário Vaz
HENRI PAGNOCELLI – Müller (pai de Hilda)
MÁRIO LAGO – Olavo
MARLY BUENO – mãe de Juca
PEDRO BRÍCIO – Juca (noivo de Hilda)
ROBERTO BONFIM – Coronel Filogônio Flores (cliente do Maravilhoso Hotel)
STEPAN NERCESSIAN – Goiano
SUZANA GONÇALVES – Yara Tupinambá (artista plástica que vai a Santana dos Ferros restaurar pinturas e esculturas na igreja)
TARCÍSIO MEIRA – Coronel Pocidônio (cliente do Maravilhoso Hotel)
VICENTE BARCELLOS – pai de Roberto
WALDEMAR BERDITCHEWSKY – vereador Borja Lopez

– núcleo da família de HILDA FURACÃO (Ana Paula Arósio), jovem de classe média-alta de Belo Horizonte que abandona o casamento para ser prostituta:
os pais MÜLLER (Henri Pagnocelli) e BERTA (Eliane Giardini), renegam a filha depois que ela vai embora
o noivo JUCA (Pedro Brício)
a cartomante MADAME JANETE (Arlete Salles), que prevê seu futuro.

– núcleo de FREI MALTUS (Rodrigo Santoro), jovem dominicano que mora no interior, na cidadezinha de Santana dos Ferros. Apaixona-se por Hilda Furacão:
a mãe NENÉM (Zezé Polessa), mulher simples, religiosa e batalhadora
o PADRE NELSON (Paulo Autran), seu mentor.

– núcleo da Zona Boêmia de Belo Horizonte, onde fica o Maravilhoso Hotel, famoso bordel para onde Hilda Furacão vai:
as prostitutas MARIA TOMBA HOMEM (Rosi Campos), LEONOR (Paloma Duarte), DIVINÉIA (Cláudia Alencar), GUIOMAR (Zezeh Barbosa), DULCE (Márcia Barros) e DIRCE (Mônica Lima)
o travesti CINTURA FINA (Matheus Nachtergaele), torna-se grande amigo de Hilda
o vereador ORLANDO BONFIM (Chico Diaz)
OLAVO (Mário Lago), assíduo frequentador e defensor do local
o segurança e recepcionista do Maravilhoso Hotel, JABUTI (Anselmo Vasconcellos)
os policiais ENÉAS (Alexandre Moreno) e VASCO (Marcelo Brou).

– núcleo de VENTURA (Rogério Cardoso), vizinho dos pais de Hilda, falso moralista:
a mulher LOLÓ (Eva Todor), beata fervorosa, fofoqueira
a filha DORINHA (Tatiana Issa), moça espevitada, foi amiga de Hilda
a vizinha LUCIANARA (Cininha de Paula), amiga de Loló, viúva fogosa, mas beata, hipócrita e fofoqueira
o filho de Lucianara, VITINHO (Guga Coelho), envolve-se com a prostituta Leonor
o PADRE CIRO (Luís Mello), por quem Lucianara é apaixonada.

– núcleo do jornalista ROBERTO DRUMMOND (Danton Mello), amigo de infância de Maltus em Santana dos Ferros. Muda-se para Belo Horizonte:
a amada BELA BÊ (Carolina Kasting), amiga de Dorinha
as tias ÇÃOZINHA (Débora Duarte) e CIANA (Walderez de Barros), irmãs, beatas
o fotógrafo DEMÉTRIO BARBOSA (Caio Junqueira), que o acompanha em suas reportagens
CELSO (Henri Castelli), fica noivo de Bê.

– núcleo de ARAMEL, amigo de infância de Maltus e Roberto em Santana dos Ferros. Seu maior sonho é ser astro de Hollywood, por isso muda-se para Belo Horizonte, como os amigos:
o patrão TONICO MENDES (Stênio Garcia), homem rico e poderoso, metido em negócios escusos
o secretário de Tonico, CIDINHO (Ricardo Blat), fiel ao patrão
a amada GABRIELA M (Tereza Seiblitz), que apaixona-se por um locutor de rádio, mais propriamente pela voz dele
o locutor de rádio M.C. (Sérgio Loroza), apaixonado por Gabriela M, teme que ela o conheça pessoalmente.

– núcleo de Santana dos Ferros, terra natal de Maltus, Roberto e Aramel:
o delegado PROCÓPIO (Ivan Cândido) e sua mulher NEVITA (Mara Manzan)
o novo padre GERALDO (Marcos Frota), que substitui o Padre Nelson
a pintora YARA TUPINAMBÁ (Suzana Gonçalves), que vai restaurar pinturas e esculturas na igreja
o coroinha da igreja DINDIM (Guilherme Karan)
a BEATA FININHA (Yara Jamra)
o filho de Fininha, DUDU (Luiz Claudio Jr), que atormenta Dindim
ZÉ VIANA (Marcos Oliveira), envolve-se com Çãozinha
ALENCASTRO (Carlos Gregório), envolve-se com Ciana
ZÉ DO RAIMUNDO (Cláudio Galvan), dono do bar
as prostitutas ALICE (Thais Tedesco), a mãe ALIÇÃO (Marilena Cury) e a avó ALICINHA (Yachmin Gazal).

– núcleo dos comunistas:
o líder LORCA (Carlos Vereza)
os “camaradas”: ZICO (Daniel Boaventura), ZORA (Maria Maya), ALVES (Wálter Verve), ROSA (Elaine Mickely) e LUCÍLIA (Fernanda Badauê).

Um sucesso que marcava a estréia de Ana Paula Arósio na Globo. Na verdade, a atriz, ainda de contrato com o SBT, fora emprestada.
O acordo firmado com Silvio Santos previa a volta da atriz à sua antiga empresa para protagonizar teleteatros. Depois estaria finalmente liberada de qualquer compromisso contratual. Flávio Ricco e José Armando Vannucci em “Biografia da Televisão Brasileira”.

Adaptação do livro de Roberto Drummond, que por sua vez baseava-se na vida real da lendária prostituta Hilda Furacão, que o escritor, então um jovem jornalista, conhecera nos anos 1950.
A minissérie, assim como o livro, misturava personagens reais e fictícios. O próprio Roberto Drummond apareceu como um personagem na minissérie, vivido pelo ator Danton Mello, já que era o narrador da história no livro.

Com o sucesso da produção, criou-se a curiosidade sobre o paradeiro de Hilda, que há muito não se ouvia falar. Existiu de verdade ou era obra da cabeça do escritor?

Glória Perez, que assumiu a adaptação para a televisão, criou tramas paralelas com ganchos interessantes, o que cativou o telespectador e garantiu a boa audiência.

Interpretações elogiosas de personagens reais, como o travesti Cintura Fina, a prostituta Maria Tomba-Homem, e a própria Hilda Furacão, nas peles de Mateus Nachtergaele, Rosi Campos e Ana Paula Arósio, respectivamente.

Para reconstituir o clima político no Brasil dos anos 1960, Glória Perez contou com relatos de militantes do período, como o ator Mário Lago, que participou do elenco, e o ex-dirigente comunista Apolônio de Carvalho. (*)

A histórica cidade de Tiradentes (MG) serviu de cenário para a fictícia Santana dos Ferros. Na cidade cenográfica, no Projac, foi reproduzida a zona boêmia de Belo Horizonte na década de 1950, com o Maravilhoso Hotel (com três andares e 15 metros de altura), o Montanhês Dancing Clube e mais oito prédios que circundavam uma praça.

Os maiores eventos da trama foram gravados na Câmara Municipal de Niterói durante cinco madrugadas. Já a escolha da Miss Verão 59 teve como locação o Hotel Glória, que reproduziu um salão do Minas Tênis Clube. (*)

O último capítulo da minissérie foi gravado em Belo Horizonte, onde foi recriado o golpe militar de 1964. (*)

Numa gravação no dia 06/02/1998, o leopardo que participara de diversas cenas com Stênio Garcia, virou uma fera quando viu o ator levar a atriz Priscila Luz para a cama. O animal, provavelmente enciumado, veio por atrás e abocanhou o pescoço da atriz. Priscila foi hospitalizada, mas tudo não passou de um grande susto.

Hilda Furacão sofreu críticas de alguns setores da política. A seção regional do Partido Social Democrático (PSD), no Rio de Janeiro, pediu a suspensão da minissérie no estado. O partido alegava que a veiculação de imagens do Partido Comunista Brasileiro (PCB) feria a legislação eleitoral, porque o eleitor poderia confundir o partido da trama com o que participava das eleições presidenciais de 1998. Apesar das críticas, a minissérie não sofreu consequências que afastassem sua exibição.

Primeiro trabalho na TV dos atores Henri Castelli, Daniel Boaventura, Sérgio Loroza e Marcelo Brou.

Hilda Furacão foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor produção de dramaturgia na TV em 1998. Também rendeu o prêmio de revelação do ano ao ator Matheus Nachtergaele, de melhor ator coadjuvante a Rogério Cardoso, e de melhor diretor a Wolf Maya.
Ana Paula Arósio foi premiada com o Troféu Imprensa de revelação na TV em 1998.

Em 2002, a minissérie foi lançada em DVD.

Reprisada de 24/08 a 06/10/2010, na íntegra, no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo). Ganhou uma nova reprise no Viva, entre 19/11/2013 e 02/01/2014.

Em 2009, por ocasião da reprise da novela Senhora do Destino no Vale a Pena Ver de Novo, a Som Livre lançou – tardiamente – o CD com os temas instrumentais da novela em questão e da minissérie Hilda Furacão, compostos pelo mesmo músico, Edom Oliveira.

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora

hildat
01. RESPOSTA AO TEMPO – Nana Caymmi (tema de abertura)
02. YOU ARE MY DESTINY – Paul Anka
03. QUE SERÁ – Doris Day
04. SONHAR CONTIGO – Adilson Ramos
05. BONECA COBIÇADA – Palmeira & Biá
06. BALADA TRISTE – Agostinho dos Santos
07. QUE QUERES TU DE MIM – Altemar Dutra
08. NOSSOS MOMENTOS – Elizeth Cardoso
09. QUEM É – Silvinho
10. MOLAMBO – Roberto Luna
11. MEDITAÇÃO – Maysa
12. C’EST SI BON – Eartha Kitt
13. KALU – Ângela Maria
14. SÓ DANÇO SAMBA – Samba Trio
15. TÚNEL DO AMOR – Celly Campello
16. CHEGA DE SAUDADE – Tom Jobim

Trilha Sonora Complementar: temas de Hilda Furacão e Senhora do Destino – Edom Oliveira *

senhoradestt3
01. MALTHUS
02. PUREZA
03. AMANHECER
04. CONTRAPONTO DE UMA DESPEDIDA
05. ANJOS
06. SOMETIMES SOME PLACES
07. HORIZONTE DO DESTINO
08. SOL E LUA PARA MALTHUS E HILDA
09. NOTURNO PARA MALTHUS
10. CONFLITOS ENTRE MALTHUS E HILDA
11. DILEMA DE MALTHUS
12. QUIETUDE
13. ADÁGIO GOTAS D´ALMA

* Em 2009, por ocasião da reprise da novela Senhora do Destino no Vale a Pena Ver de Novo, a Som Livre lançou o CD com os temas instrumentais da novela em questão e da minissérie Hilda Furacão, compostos por Edom Oliveira.

Direção Musical: Mariozinho Rocha
Produção Musical: Edom de Oliveira

Tema de Abertura: RESPOSTA AO TEMPO – Nana Caymmi

Batidas na porta da frente, é o tempo
Eu bebo um pouquinho prá ter argumento
Mas fico sem jeito calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Num dia azul de verão sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo o amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro, sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer…

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