Sinopse

Na fictícia cidade de Antares, no sul do Brasil, é apresentado o progressivo acomodamento das duas facções (os Campolargo e os Vacariano) às oscilações da política nacional e a união de ambas em face da ameaça comunista, como é conhecida pelos senhores da cidade, a classe operária que reivindica seus direitos.

Em meio a uma greve geral, sete mortos são impedidos de ser enterrados: Quitéria Campolargo, a matriarca da cidade, que morreu do coração; o anarquista Barcelona, que morreu de aneurisma cerebral; João da Paz, jovem pacifista que foi torturado na prisão; o poderoso advogado Cícero Branco, que morreu de hemorragia cerebral; o bêbado Pudim de Cachaça, envenenado pela mulher; o pianista suicida Menandro Olinda; e a prostituta Erotildes, vítima de tuberculose.

Os coveiros se negam a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Rebelados, os sete defuntos vão para o centro da cidade pedindo o enterro. Enquanto não acontece e passando por cima do pânico causado pelo retorno, começam a contar todos os podres da cidade, desde os políticos, envolvendo as personalidades, até os devaneios sexuais dos moradores. O coreto da cidade é utilizado como um palanque onde os mortos se encontram todos os dias e começam seus discursos inflamados. Como os personagens são cadáveres, livres, portanto, das pressões sociais, podem criticar violentamente a sociedade.

Ao fim da trama, com direito a desmaios e xingamentos, os cidadãos de Antares acabam reunidos numa churrascaria, e a imprensa começa a acreditar que tudo não passou de uma grande artimanha para divulgar o nome da cidade, que sequer consta no mapa.

Globo – 22h30
de 29 de novembro a 16 de dezembro de 1994
12 capítulos

minissérie de Charles Peixoto e Nelson Nadotti
baseada no romance homônimo de Érico Veríssimo
direção de Paulo José, Carlos Manga e Nelson Nadotti
direção geral de Paulo José

REGINA DUARTE – Shirley Teresinha
FERNANDA MONTENEGRO – Quitéria Campolargo (Dona Quita)
PAULO GOULART – Tibério Vacariano
PAULO BETTI – Cícero Branco
MARÍLIA PÊRA – Erotildes
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Pudim de Cachaça
ELIAS GLEIZER – Barcelona
DIOGO VILELA – João da Paz
RUY REZENDE – Menandro Olinda
MAURO MENDONÇA – Germiniano Ramos
ALEXANDRE BORGES – Padre Pedro Paulo
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Major Vivaldinho Brasão
FLÁVIO MIGLIACCIO – Padre Gerôncio
OSWALDO LOUREIRO – Inocêncio Pigarço
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Quintiliano do Vale
VALÉRIA MONTEIRO – Valentina
GIOVANNA GOLD – Rita da Paz
BETTY FARIA – Rosinha
NICETTE BRUNO – Lanja
ELIANE GIARDINI – Eleutéria
EVA TODOR – Venusta
IVAN CÂNDIDO – Dr. Lázaro Bertioga
ARIEL COELHO – Alambique
ARACY CARDOSO – Natalina
NANI VENÂNCIO – Cléo
JACQUELINE LAURENCE – Solange
JORGE CHERQUES – Egon Stam
CAMILO BEVILÁCQUA – Nico Vacariano
PAULO GOULART FILHO – Xisto Vacariano
ÊNIO SANTOS – Aristarco Belaguarda
LUÍS SALÉM – Lucas Faia
SÍLVIA SALGADO – Cecilinha
CARLA DANIEL – Lavinha
e
ADOLFO PRADO – estudante
ADRIANA CARNEIRO – Dona Natividade
ALEXANDRA MARZO – estudante
ANA KUTNER – estudante
ANDRÉA DANTAS – Cecília
ANDRÉA GUERRA – prostituta
ANTÔNIO CARNEVALE – soldado da delegacia
BERNADETE CASTRO – empregada dos Vacarianos
CÂNDIDO DAMM – Pacheco
CARLOS ABEL – Tranquilino
CARLOS LOFFLER – Scorpio
CARLOS SEIDL – Rezende
CLÁUDIA MORAIS – Lolita
DAVID HERMAN – Jefferson Monroe
DAVID POND – Chang Ling
DANIELA HOCKMAN – estudante
EDELWEISS LEMOS – estudante
EDUARDO CANUTO – estudante
GILLES GWIZDEK – Monsieur François Duplessis
GUILHERME PIVA – estudante
HELOÍSA PÉRISSÉ – Mafisa
IVONE GOMES – Dona Purezinha
JOSETTE BABO – estudante
KENYA COSTA – Dominique Duplessis
LAURA DE VISON – soprano gorda
LUCIANA MIGLIACCIO – prostituta
LUIZ HENRIQUE NOGUEIRA – estudante
MAGALI WEST – prostituta
MARCELA LEAL
MARCELO VALLE – estudante
MARCOS FRANÇA FILHO – Gouveia
MARIA HELENA PADER – Dona Virgínia
MARIA RIBEIRO – Gessy
MARIANNE VICENTINNI – Matilde
NESTOR DE MONTEMAR – Yaroslav
ODENIR FRAGA – Valério Trancoso
PAI MEI CHU – Gong Ling
RENATA MORENO – prostituta
RENATO RESTON – estudante
SANDRO ISAAK
VANESSA CARDOSO – estudante
WINNIE FELLOWS – Millicent
ZÉ VICTOR CASTIEL – Peixoto

Os recursos utilizados para a minissérie foram de primeira linha, destacando a maquiagem especial para a causa de cada morte: Quita Campolargo (Fernanda Montenegro) recebeu um tom amarelado na pele pois morreu do coração; Barcelona (Elias Gleizer) ficou todo pálido; João da Paz (Diogo Vilela) ficou bem machucado pois havia sido torturado; Cícero Branco (Paulo Betti) obteve uma mancha avermelhada; e Pudim de Cachaça (Gianfrancesco Guarnieri) ficou com o corpo mal costurado em virtude da necropsia que lhe foi feita. Para o suicídio de Menandro Olinda (Ruy Rezende), o efeito ficou para o momento do corte dos pulsos; e para Erotildes (Marília Pêra) lhe restaram grandes olheiras.

Em meio às bombásticas declarações dos mortos e da sátira à situação, há um contexto político bastante forte envolvendo corrupção, comunismo e falcatruas ocorridas no comando da cidade e na polícia local.

Regina Duarte fez uma participação primorosa interpretando a telefonista Shirley, que passa o tempo todo contando os últimos acontecimentos da cidade. Essa personagem foi utilizada também como um recurso para que, a cada novo capítulo, o anterior fosse relembrado.

A equipe gravou durante um mês no Rio Grande do Sul. Este foi o primeiro trabalho da Rede Brasil Sul (RBS) em coprodução com a Rede Globo.

A cidade de Antares foi construída em Jacarepaguá, e as gravações internas foram realizadas nos estúdios da Cinédia, totalizando 33 cenários, em 12 mil metros quadrados de construções. Foram também utilizadas algumas locações no Rio de Janeiro, e nas cidade de Petrópolis e Niterói.

Para a realização do clima de realismo fantástico que caracteriza a obra de Érico Veríssimo, o diretor Paulo José usou efeitos especiais, com destaque para os que eliminavam o reflexo dos sete mortos no espelho, e os que simulavam o vôo de Erotildes e Pudim de Cachaça sobre a cidade de Antares.

Em 2006 a minissérie foi lançada em DVD.

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