Sinopse

Na Praça Onze, no Rio de Janeiro dos anos 1930, localiza-se o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, uma casa noturna famosa por suas rodas de samba, mesas de sinuca e noitadas de gafieira. É lá que Dora forma par com Alex tornando-se a sensação das pistas de dança cariocas.

Ela é uma moça fina cuja família quatrocentona paulista perdeu tudo com a quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Filha de um fazendeiro de café que se suicidou ao descobrir que faliu, Dora assume as rédeas da família e muda-se para o Rio com a mãe e as duas irmãs. Elas vão morar na Pensão Maravilha, na Praça Onze, de propriedade de Epílogo, seu tio farmacêutico, uma pessoa mais interesseira do que realmente amiga.

Ao trabalhar na chapelaria da Kananga do Japão, Dora entra em contato com o universo de boêmios e dançarinos e se envolve com o malandro Alex, um cafetão, figura conhecida de todos e amado pelas mulheres. Apaixonado, Alex chega a pedi-la em casamento, mas a jovem quer mais da vida. Chegou ao Rio determinada a recuperar o prestígio e a fortuna que desfrutava em São Paulo.

Assim, quando surge a chance – o milionário piloto de automóveis Danilo Viana -, Dora não a deixa escapar. Mas o que quase todos desconhecem é que o pai de Danilo, o industrial Chico Viana, é também o verdadeiro pai de Alex, que matara sua mãe no passado. Inconformado com a decisão da amada, Alex casa-se com a dançarina Lizette, que sempre fora apaixonada por ele. E todos são infelizes.

As coisas se complicam quando a mãe de Danilo, a elegante Letícia, se apaixona por Alex e este vale-se desta paixão para dar um golpe na grã-fina. Dora, por sua vez, descoberta pelo jornalista maldoso Noronha em seus encontros extraconjugais com Alex, sofre uma retaliação pessoal. Ela se vinga matando Noronha a tiros.

Dora é absolvida deste crime, mas condenada mais tarde por outro, que não cometeu, de ser comunista. Ao final, Dora e Alex ficam juntos e felizes enquanto estoura a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, a data marca a demolição da Kananga do Japão, determinada pela necessidade de alargamento da avenida Rio Branco.

Manchete – 21h30
de 19 de julho de 1989
a 25 de março de 1990
208 capítulos

novela de Wilson Aguiar Filho
colaboração de Leila Miccolis
baseada na idéia original de Adolfo Bloch e Carlos Heitor Cony
direção de Tizuka Yamasaki, Carlos Magalhães, Marcos Schechtmann e Wilson Solon
direção geral de Tizuka Yamasaki e Carlos Magalhães

Novela anterior no horário
Olho por Olho

Novela posterior
Pantanal

CHRISTIANE TORLONI – Dora Tavares
RAUL GAZOLA – Alex Ferreira
ELAINE CRISTINA – Lizette
GIUSEPPE ORISTÂNIO – Danilo
TÔNIA CARRERO – Letícia
CARLOS ALBERTO – Chico Viana (Francisco Lima Viana)
JÚLIA LEMMERTZ – Sílvia
ANA BEATRIZ NOGUEIRA – Alzira
VIA NEGROMONTE – Madalena
NELSON XAVIER – Caveirinha
CLÁUDIO MARZO – Noronha
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Orestes
LÚCIA ALVES – Daisy
CHICO DIAZ – Olegário
YARA LINS – Zulmira
RUBENS CORRÊA – Epílogo
ROSAMARIA MURTINHO – Josephine
TARCÍSIO FILHO – Júlio
ERNESTO PICCOLO – Vado
PAULO CASTELLI – Henrique
CRISTIANA OLIVEIRA – Hannah
SÉRGIO VIOTTI – Saul
RIVA NIMITZ – Eva
ZEZÉ MOTTA – Lulu Kelly
HAROLDO COSTA – Juca
BUZA FERRAZ – Dudu
EWERTON DE CASTRO – Saraiva
TAMARA TAXMAN – Zazá
RUY REZENDE – Jorge
ANTÔNIO PITANGA – Bira
VICENTE BARCELLOS – Yoschua
MAURÍCIO DO VALLE – Torquato
PAULO BARBOSA – Sinhô
SOLANGE COUTO – Ritinha
ELISA LUCINDA – Sueli
KAREN ACCIOLY – Clotilde
MARIA ALVES – Isaura
SANDRO SOLVIAT – Ataliba
MARIA SÍLVIA – Brígida
ADRIANA FIGUEIREDO – Amália
e
ADRIANA MAIA
ABRAHÃO FARC – Natan Xavier
ALCIONE ARAÚJO
ALEXANDRE FREDERICO – Ernesto
ALEXANDRE MARQUES – Edivaldo Targino
ALINE MOLINARI – Maria Werneck (advogada que integrava a Liga Antifascista, companheira de cela de Dora)
ÁLVARO FREIRE – Rodolfo Ghioldi (marido de Carmem, argentino que veio assessorar Luís Carlos Prestes na Intentona Comunista)
ANA KFOURI
ANSELMO MORENO
ANTÔNIO POMPEO – Pai Alabá
ARMINDO FONSECA – Beijo Vargas (irmão de Getúlio Vargas)
BETE COELHO – Lygia Prestes (irmã de Luís Carlos Prestes)
BETTY ERTHAL – Maquila (mulher de Harry Berger, companheira de cela de Dora)
BETTINA VIANNY – Olga Benário (militante comunista alemã, mulher de Luís Carlos Prestes)
BRENO BONIN – Plínio Salgado (político e jornalista, fundador da Ação Integralista Brasileira)
CAÍQUE FERREIRA – Francisco Alves (cantor)
CARLINHOS DE JESUS – Duque (famoso dançarino de maxixe, parceiro de dança de Dora, a leva para dançar na Europa)
CASSIANO RICARDO – Luís Carlos Prestes (militar e político comunista, marido de Olga Benário)
CÉSAR FILHO – Afonso Carvalho
CLEMENTE VISCAÍNO
DANIELA PEREZ – Daniela (parceira de dança de Alex)
DANIELLE DAUMERIE – Odília (amante de Danilo, quando ele está casado com Dora)
DENISE ROCHA
EDWIN LUISI – Dr. Renato Braga
FAUSTO FERRARI
FERNANDO EIRAS – Mário Reis (cantor)
GÉRSON BRENNER – advogado de Dora
GUIDA VIANNA – Nise da Silveira (médica psiquiatra, companheira de cela de Dora)
HARRY STONE – Richard
ISAURA LEITE ROCHA
IVAN SETTA – Graciliano Ramos (político, jornalista e escritor, autor de “Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere”)
JITMAN VIBRANOVSKY – rabino
JONAS MELLO – Cesário Campos Alvarenga (advogado que Alex contrata para defender Dora, no caso do assassinato de Noronha)
JORGE CRESPO – Jofre (filho de Juca e Josephine)
JORGE LAFOND – João Francisco dos Santos, o Madame Satã (malandro homossexual famoso na região da Lapa na década de 1940)
JOSÉ JOFFILY FILHO
JOSÉ PRATA (PRATINHA)
JULIANA MARTINS – Joana
KARINA COOPER – Eneida de Moraes (escritora e militante política, companheira de cela de Dora)
KLEBER DRABLE – juiz no julgamento de Dora, no caso do assassinato de Noronha
LEONARDO JOSÉ – promotor no julgamento de Dora, no caso do assassinato de Noronha
LETÍCIA VOITA – Adélia
LUÍS SALÉM – Campos da Paz (advogado, é preso durante a Intentona Comunista)
LUIZ CARLOS BURUCA – Vicente Celestino (cantor)
MÁRCIO FELIPE – Tuinho
MARCOS OLIVEIRA – Apparício Torelly, o Barão de Itararé (precursor do jornalismo de humor no Brasil)
MARCOS WAIMBERG – Arthur Ernest Ewert, ou Harry Berger (alemão que veio assessorar Luís Carlos Prestes na Intentona Comunista)
MARÍLIA BARBOSA – Araci Cortes (cantora)
MARTHA RICHTER – Liúba
MONALISA LINS – Carmem Ghioldi (mulher de Rodolfo Ghioldi, companheira de cela de Dora)
NILDO PARENTE – Delegado Frota Aguiar
PAULO CATTÁ
PAULO GORGULHO – Capitão Juarez Távora (militar e político, apoiador de Vargas)
PAULO REIS – Capitão Eduardo Gomes (aviador, militar e político)
RICARDO BLAT – Enéas Machado (radialista, criador do Código Brasileiro de Radiodifusão)
ROBERTO BOMTEMPO – Bodoque
SEBASTIÃO LEMOS – Ary Barroso (músico e compositor)
SÉRGIO BRITO – Theodoro (pai de Dora, Alzira e Madalena, marido de Zulmira, irmão de Epílogo, comete suicídio no início)
SILVEIRINHA – Valdemar Nóia Luquequi
STELLA MIRANDA – Carmen Miranda (cantora)
TICIANE PINHEIRO – Talita
VALÉRIA SEABRA – Rosa (amante de Chico Viana, sua secretária na fábrica)
VITOR – Antônio (filho de Dora e Danilo)
WANDY DORATIOTTO – César Ladeira (radialista)

– núcleo de DORA (Christiane Torloni), moça fina cuja família quatrocentona paulista perdeu tudo com a quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Filha de um fazendeiro de café de São Paulo, que se suicidou ao descobrir que faliu, ela assume as rédeas da família e muda-se para o Rio com a mãe e as duas irmãs. Elas vão parar na pensão de um tio e precisam trabalhar para sobreviver. Dora vai trabalhar na chapelaria do cabaré Kananga do Japão e torna-se a mais nova estrela da pista de dança. Abandona tudo ao casar-se com um homem rico, por conveniência:
a mãe ZULMIRA (Yara Lins)
a irmã ALZIRA (Ana Beatriz Nogueira), jovem sonhadora
a irmã adotiva MADALENA (Via Negromonte), vai trabalhar como empregada na pensão. Começa a cantar na Kananga do Japão e torna-se cantora de rádio.

– núcleo de ALEX (Raul Gazola), boêmio, cafetão, capoeirista, exímio dançarino, filho do dono da Kananga do Japão. Apaixona-se por Dora quando ela vai trabalhar no clube. Os dois formam a mais nova dupla da pista de dança. Mas o destino os separa quando Dora desiste desse amor para ter um casamento tranquilo com um homem rico. Mais tarde, voltam a se amar, mas como amantes, já que cada um estava casado:
o pai de criação JUCA (Haroldo Costa), fundador e presidente de honra da Kananga do Japão
o melhor amigo DUDU (Buza Ferraz), argentino, boêmio, cafetão como ele.

– núcleo de DANILO (Giuseppe Oristânio), playboy, filho de uma rica família carioca. Sua maior paixão é a corrida de automóveis. Casa-se com Dora, mas ela está apenas interessada em sua fortuna. Os dois são infelizes nessa união:
os pais: CHICO VIANA (Carlos Alberto), rico industrial, prepotente e autoritário. Representa a rica burguesia urbana,
e LETÍCIA (Tônia Carrero), descendente de barões do café, mulher altiva, orgulhosa, bem conservada para a idade. Passa pela crise dos 50 anos. Apaixona-se perdidamente por Alex, que se aproxima dela por interesse
a irmã SILVIA (Júlia Lemmertz), jovem mimada e egoísta
a secretária de Chico Viana, CLOTILDE (Karen Acioly), durante o dia é uma séria profissional, à noite, dança na Kananga do Japão.

– núcleo de EPÍLOGO (Rubens Corrêa), tio de Dora. Farmacêutico e dono da Pensão Maravilha, na Praça Onze. Chefe de família tirano, simpatizante da ordem militar. Interesseiro, moralista, no fundo é um canalha:
a mulher JOSEPHINE (Rosamaria Murtinho), francesa, fala mal de todo o mundo. Trai o marido com Juca
os filhos: VADO (Ernesto Piccolo), o mais velho, aprendiz de malandro, farrista, boêmio, frequentador assíduo da Kananga do Japão,
e JÚLIO (Tarcísio Filho), torna-se ativista comunista. Apaixona-se pela prima Alzira, com quem se casa
o sobrinho TENENTE HENRIQUE (Paulo Castelli), idealista político. Adere ao comunismo
a empregada ISAURA (Maria Alves), constantemente assediada por Vado. Dança na Kananga do Japão.

– núcleo da Kananga do Japão, clube noturno famoso na Praça Onze (região boêmia do cais do Rio de Janeiro) pela pista de gafiera, rodas de samba e belas dançarinas:
a cantora LULU KELLY (Zezé Motta)
as dançarinas: LIZETTE (Elaine Cristina), a grande estrela da pista até a chegada de Dora, de quem vai sentir ciúmes, ainda mais porque ela se envolve com Alex, o “seu homem”. Com o casamento de Dora, Alex aceita casar-se com Lizette, mas os dois são infelizes,
ZAZÁ (Tomara Taxman), rival de Lizette no início. Alex a usa para conseguir o que quer,
SUELY (Elisa Lucinda),
e RITINHA (Solange Couto), ajudante no Bar Alterosas
o segurança e fiscal de pista TORQUATO (Maurício do Valle)
o pianista SINHÔ (Paulo Barbosa)
o gerente da sinuca ATALIBA (Sandro Solviat).

– o Conselho dos 7, os conselheiros da Kananga do Japão, além de Juca e Alex:
CAVEIRINHA (Nelson Xavier), malandro histórico, bicheiro, figura folclórica das noites cariocas. Envolve-se com Madalena
SARAIVA (Ewerton de Castro), sambista, malandro, bicheiro
ORESTES (Carlos Eduardo Dolabella), policial
NORONHA (Cláudio Marzo), dono de um jornal sensacionalista, um tipo antipático
SAUL (Sérgio Viotti), judeu, dono de uma loja de móveis. Severo e muito religioso.

– núcleo de Orestes:
a mulher DAISY (Lúcia Alves), mulher sofisticada, amiga e confidente de Letícia. Não vive bem com o marido mas sabe manter as aparências.

– núcleo de Saul:
a mulher EVA (Riva Nimitz), judia imigrante da Europa
a filha HANNAH (Cristiana Oliveira), vive em conflito com os pais por não poder seguir sua ideologia política e nem casar com o homem que ama, Henrique, um jovem tenente comunista, por ele não ser da mesma religião da família
o sobrinho YOSCHUA (Vicente Barcelos), abandona a Europa obrigado pelos pais. Vem para o Brasil para se casar com Hannah, contra sua vontade.

– demais personagens:
OLEGÁRIO (Chico Diaz), representa a linha de tenentes que optaram pelo Integralismo como solução para os problemas do país. Homossexual, casa-se com Silvia
JORGE (Ruy Rezende), velho militante de esquerda. Corajoso, exemplo de integridade e dedicação
BIRA (Antônio Pitanga), delegado de polícia. É conhecido como o terror dos cafetões. Policial íntegro e honesto.

Baseada em uma ideia de Adolpho Bloch e Carlos Heitor Cony, este era um antigo sonho do dono da Manchete de recriar a famosa casa de gafieira Kananga do Japão, frequentada, na década de 1930, por jornalistas. intelectuais, prostitutas, homens do povo e artistas (como Carmen Miranda, Noel Rosa, Pixinguinha, Sinhô e Ary Barroso). A Sociedade Dançante Familiar e Rancho Carnavalesco Kananga do Japão, nome também de uma orquídea e de um perfume usado pelas prostitutas da época, foi criada em 1914 e funcionou até 1929. Ficava na Praça Onze, no Rio de Janeiro, na área do cais do porto, um gueto de negros e judeus e, portanto, de efervescência cultural. Era para lá que se dirigiam os imigrantes italianos e judeus que chegaram ao Rio entre os anos 1910 e 1930. Para lá também iam negros que perdiam seu trabalho no interior com a chegada do trabalhador imigrante. Adolpho Bloch desembarcou nesta região em 1922, quando chegou ao Rio vindo da União Soviética.

A Kananga do Japão da novela foi um pouco diferente da original. Por conta da licença poética, o autor Wilson Aguiar Filho incluiu políticos famosos na sua lista de frequentadores. Também, naquela época, não era muito comum brancos e negros frequentarem os mesmos locais. Folha de São Paulo, 25/06/1989 (TV-Pesquisa PUC-Rio).

Um sofisticado painel carioca da década de 1930 em um projeto ousado e grandioso da TV Manchete, que chegou ao requinte de reconstruir uma réplica perfeita da Praça Onze.
A cidade cenográfica em Grumari ocupou 5600 metros quadrados de área construída e ficou pronta em 60 dias, com o empenho de cerca de 500 profissionais. Consumiu US$ 1,5 milhão do orçamento de US$ 5,5 milhões da novela. Ao cenógrafo Rodrigo Cid coube a tarefa de copiar o casario, as lojas, o chafariz, a linha de bonde, o colégio Instituto Benjamin Constant e a famosa casa noturna Kananga do Japão, existentes na praça daquela época. Entretanto, um cinema e uma sinagoga nunca existiram, foram obra da ficção.
Oito das 23 casas eram de verdade e as restantes de madeira, papelão e armações de ferro. O requinte ficou por conta dos detalhes dos interiores, como os lustres e o letreiro espelhado da cervejaria, os móveis e as cortinas cor-de-rosa do prostíbulo e o papel decorado que imitava azulejos e mármores. O mobiliário e luminárias que compunham os cenários, em estilo art déco, foram todos comprados ou reproduzidos.
A Manchete comprou e recuperou cinco carros Ford, modelo 1929, além de alugar um avião biplano, modelo Waco.
A equipe mergulhou fundo em material fotográfico e documentos vindos do Museu da Imagem e do Som, Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional, além de livros da época. TV-Pesquisa PUC-Rio.

Na época, a TV Manchete assinou um convênio com a Fundação do Cinema Brasileiro, que cedeu cenas de filmes com imagens do Rio antigo, entre 1930 e 1939, que foram usadas como pano de fundo para cenas da novela. Faziam parte do acervo da fundação um total de 40 filmes do período em que se passa a história. Jornal do Brasil, 21/05/1989 (TV-Pesquisa PUC-Rio).

A novela misturava ficção com realidade. O pano de fundo era o movimento musical dos anos 1930, o que proporcionou um enlevo mágico ao projeto. O autor costurou o folhetim com os principais momentos da história do país na década enfocada – como a Ditadura Vargas, a Revoluções de 1930 e de 1932, o Integralismo, em 1937, a Segunda Guerra Mundial, em 1939, e Intentona Comunista, em 1935, que ganhou muita força no roteiro, principalmente com a dupla Cassiano Ricardo e Bettina Vianny ao encarnarem Luís Carlos Prestes e Olga Benário.
Várias figuras históricas da época apareceram na novela, como o escritor Graciliano Ramos (Ivan Setta), a psiquiatra Nise da Silveira (Guida Vianna), Madame Satã (Jorge Lafond), o Barão de Itararé (Marcos Oliveira), e cantores e músicos como Francisco Alves (Caíque Ferreira), Ary Barroso (Sebastião Lemos), Carmen Miranda (Stella Miranda), Mário Reis (Fernando Eiras) e Vicente Celestino (Luís Carlos Buruca).

Kananga do Japão foi apresentada com toques de grandeza que tinha início na ótima abertura (assinada por Adolfo Rosenthal e Toni Cid Guimarães), na qual um casal dançava em meio a imagens de fatos que caracterizavam a época, entremeadas pelo carnaval de rua, ao som da canção “Minha” (de Francis Hime e Ruy Guerra), numa gravação da cantora Misty. Dividida em quatro quadros, a abertura tinha como temas: porto, guerra, baile e campo – este último, baseado no famoso quadro “Café” de Cândido Portinari. A abertura foi coreografada por Carlinhos de Jesus, que chegou a fazer uma participação na trama da novela.

Desta vez, o gigantismo do projeto não se perdeu na telinha. Por trás havia a competência da direção de Tizuka Yamasaki e Carlos Guimarães, além de contar com um elenco perfeitamente escalado. O resultado final foi excelente, principalmente quando se depara que tal aparato aconteceu fora do profissionalismo de produção da TV Globo. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A trama em que Dora (Christiane Torloni) mata a tiros o jornalista Noronha (Cláudio Marzo), que insinuou a sua infidelidade conjugal, é baseada na história real do assassinato do desenhista Roberto Rodrigues, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues, em 1929, morto no jornal do pai, Mário Rodrigues, que publicara uma caricatura insinuando que a jornalista Sílvia Thibau separava-se do marido por um amante. Sílvia foi à redação matar Mário, mas contentou-se em fuzilar o filho Roberto. Ela foi absolvida na Justiça. O mesmo destino teve Dora na novela.

A estreia foi adiada algumas vezes, principalmente pela dificuldade em fechar o elenco. Maitê Proença foi a primeira cogitada para o papel da protagonista Dora. Bruna Lombardi e Vera Fischer estudaram uma proposta da Manchete, mas as negociações não avançaram. Cláudia Raia e Glória Pires recusaram. Quando a direção pensou em lançar uma nova atriz, a estreante Cristiana Oliveira, o papel ganhou finalmente uma intérprete de peso, Christiane Torloni, enquanto Cristiana Oliveira ficou com outro papel, a jovem judia Hannah.
Nuno Leal Maia, Mário Gomes e José de Abreu foram convidados para viver Alex, o par de Dora, mas Raul Gazola – até então pouco conhecido do grande público – ganhou o personagem.
Outras escalações que não se concretizaram: Norma Bengell para o papel de Letícia Viana (que ficou com Tônia Carrero), Luma de Oliveira como Silvia (Júlia Lemmertz) e Beatriz Segall, como Josephine (Rosamaria Murtinho).

Mesmo depois de escalações confirmadas, a novela sofreu baixas do elenco. Vera Gimenez, Georgia Gomide, Bia Siedl e Rodrigo Santiago foram substituídos, respectivamente, por Tamara Taxman, Yara Lins, Cristiana Oliveira e Rui Rezende. Todos saíram por desavenças com a diretora Tizuka Yamasaki e Vera Gimenez foi a única que pensou em processá-la.
“Acho que a Tizuka não regula bem. Na véspera de começar a gravar ela descobriu que não me via no personagem. Ela não tem ética”, afirmou a atriz.
A diretora confirmou que demitiu Vera na véspera do seu primeiro dia de gravação. Tizuka justificou sua “atitude drástica” alegando que a atriz foi um “erro de escalação”.
“Quando entrei no projeto, ela já estava escalada para fazer a prostituta Zazá. De repente, saquei que ela não poderia render nesse papel. Não que ela não seja uma boa atriz. Compreendo que ela esteja furiosa. No lugar dela, também estaria”, disse Tizuka.
Folha de São Paulo, 25/06/1989 (TV-Pesquisa, PUC-Rio).

Tizuka Yamasaki também teve problemas com Christiane Torloni. A diretora declarou em entrevista:
“Tenho um estilo mãe de lidar com equipe. Com ator não me estresso. O ator é igual a um filho e, se estressa, em 90% dos casos é porque está inseguro. A Christiane Torloni quis colocar outra figurinista em Kananga do Japão. O Seu Adolpho (Bloch, dono da TV Manchete) me mandou um recado nesse dia: ‘Se quiser, pode tirá-la da novela’. Mas eu disse: ‘Não posso. Ela é protagonista’. Aí, dei um gelo nela, comecei a tratá-la sem carinho. Quando você trabalha com um ator que parece criança, tem de agir como tal: dar castigo, ficar de mal. Fiquei sem falar com a Christiane durante um mês e meio. Até o fim da novela, ela fez brilhantemente o papel e, no último dia de gravação, dei-lhe um abraço e os parabéns.”

Os atores fizeram laboratório para compor seus personagens. Nomes como Christiane Torloni, Raul Gazola, Elaine Cristina, Nelson Xavier, Ernesto Piccolo, Antônio Pitanga, e outros, tiveram aulas diárias de tango, maxixe, fox trote, charleston e samba-canção, além de capoeira, sinuca, etiqueta e noções de judaísmo.

Os personagens de Cristiana Oliveira e Cláudio Marzo morreram na trama antes do fim para que seus intérpretes pudessem iniciar as gravações da novela substituta, Pantanal. Elaine Cristina também esteve nas duas novelas.

Estreia na TV da atriz Cristiana Oliveira, do ator Cassiano Ricardo e das atrizes e cantoras Via Negromonte e Elisa Lucinda.

Kananga do Japão foi o último trabalho do novelista Wilson Aguiar Filho, que faleceu em 23/08/1991, antes de completar quarenta anos de idade.

Por sua atuação na novela, Cristiana Oliveira foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a revelação feminina na TV em 1989. Tizuka Yamasaki foi premiada como a melhor diretora. Kananga do Japão também levou o prêmio de melhor abertura, trilha sonora, cenografia e figurino (juntamente com Que Rei Sou Eu?, da Globo).

Dois meses após o seu término, a novela começou a ser reapresentada, exibida na íntegra, de 21/05/1990 a 18/01/1991, de segunda a sábado às 19h30.
Teve uma segunda reprise entre 18/03 e 10/10/1997, em 149 capítulos, de 2ª a 6ª feira às 20h (e mais tarde às 19h).

Trilha Sonora

kanangat
01. DORINHA, MEU AMOR – Luiz Melodia (tema de Dora)
02. UMA NOITE A MAIS – Cláudia (tema de Hannah)
03. CANÇÃO PRA INGLÊS VER – Afrodite Se Quiser (tema das externas do Rio de Janeiro)
04. MY FUNNY VALENTINE – Nouvelle Cousine (tema de Letícia)
05. GAGO APAIXONADO – Evandro Mesquita (tema de Dudu)
06. MINHA – Misty (tema de abertura)
07. GOSTO QUE ME ENROSCO – Mário Reis
08. PASSIONAL – Sagrado Coração da Terra
09. AQUARELA DO BRASIL – Elis Regina
10. PELA DÉCIMA VEZ – Ângela Rô Rô
11. COISAS NOSSAS – Garganta Profunda (tema das externas do Rio de Janeiro)
12. FLY AWAY AND END CREDITS – James Horner

Produção: Guto Graça Mello
Assitente de produção e pesquisa de repertório: Tatiana Lohmann
Coordenação de produção: Lia Sampaio e Celso Lessa

Tema de Abertura: MINHA – Misty

Minha
Vai ser minha
Desde a hora que nasceste
Minha
Não te encontro
Só sei que estás perto
E tão longe no silêncio
Noutro amor
Vou te amar e tanto, tanto
Amor que até pode assustar
Não temas, nasces nessa sede
Que é teu corpo
Minha és e sou só teu
Sai de onde estás para eu te ver
Pois tudo tem que acontecer
Tem que ser meu
Para sempre…

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