Sinopse

O misterioso Pardal esconde seu nome verdadeiro e seu passado ao chegar à cidade mineira de Poços de Caldas. Fica amigo de Pedrão, um ex-maquinista da estação ferroviária, e faz de um velho vagão de trem a sua residência. Conhece Gibi, um menino fugido de um orfanato, e o leva para morar consigo no vagão. Enquanto usa de ferro velho para desenvolver sua arte, Pardal conhece e se apaixona pela doce Cristina, operária numa fábrica de cristais.

Mas ele não sabe que Cristina na realidade é Bebel, filha do dono da fábrica que, após a morte do pai, retorna ao Brasil para tomar conta dos negócios. Bebel, então desconhecida de todos, se infiltra na empresa como uma simples copeira para testar a integridade dos funcionários que a cercam.

Ao mesmo tempo em que Bebel é Cristina e se apaixona verdadeiramente por Pardal, ela é assediada por Danilo, um sujeito inescrupuloso que tem um relacionamento doentio com a neurótica Helena. Ao descobrir a verdadeira identidade de Cristina, Pardal renega Bebel, mas esquece que ele mesmo tem muito a esconder: é na verdade um arquiteto que, acusado injustamente de ter cometido um crime, decidiu refugiar-se em Poços de Caldas.

Globo – 18h
de 17 de setembro de 1984
a 13 de abril de 1985
184 capítulos

novela de Walther Negrão
colaboração de Alcides Nogueira
direção de Wolf Maya e Fred Confalonieri
direção geral de Wolf Maya

Novela anterior no horário
Amor com Amor se Paga

Novela posterior
A Gata Comeu

TONY RAMOS – Pardal (Paulo Alberto Ramos de Almeida Lima)
CARLA CAMURATTI – Bebel (Maria Isabel) / Cristina
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Danilo
DORA PELEGRINO – Helena
ELIAS GLEIZER – Pedrão
LAURA CARDOSO – Carolina
NÍVEA MARIA – Bia
EDNEY GIOVENAZZI – Álvaro
CÁSSIA KISS – Verona
CÁSSIO GABUS MENDES – Edu (Luiz Eduardo)
THAÍS DE CAMPOS – Julinha
JOÃO CARLOS BARROSO – Alvinho
ÉLIDA L’ASTORINA – Tuca
SUZANA FAINI – Marta
MIGUEL FALABELLA – Dr. Sérgio
VERA GIMENEZ – Lígia
ROGÉRIO FRÓES – Dr. Geraldo
JORGE CHERQUES – Max
RODOLFO BOTTINO – Jajá
DENISE MILFONT – Janda (Jandira)
TIAGO SANTIAGO – Quim
ALEXANDRE FROTA – Cecílio
CÁSSIA FOURREAUX – Rô
DÉBORAH FUCS – Suzana
SORAYA D’AVILLA – Heloísa
ABRAHÃO FARC – Lau
OSWALDO CAMPOZANA – Eurico
ELISABETH HENREID – Dona Xida
GUIDA VIANA – Divina
CLÉA SIMÕES – Cema
PAULO CÉSAR GRANDE – Calío
TONY VERMONT – Tio
BETO SUTTER – Caniço
o garoto FERNANDO ALMEIDA – Gibi
e
JORGE DÓRIA – J.J.
EDYR DE CASTRO – testemunha comprada para colocar Pardal na cadeia
a bebê FERNANDA CASTRO – Cristina (filha de Bebel)

– núcleo de PARDAL (Tony Ramos), codinome de PAULO ALBERTO RAMOS DE ALMEIDA LIMA – mas ele esconde de todos seu nome verdadeiro. Aventureiro romântico, de passado misterioso – acusado de um crime que não cometeu – e que está apenas preocupado em conseguir o estritamente necessário à sua sobrevivência. Chega a Poços de Caldas, Minas Gerais, viajando de carona em um trem e se aloja em um vagão abandonado que, aos poucos, vai sendo transformado em um lar:
o amigo GIBI (Fernando Almeida), menino alegre, esperto e muito vivo. Quando o conhece, também está fugindo, mas, em seu caso, de um orfanato. É um garoto negro, ex-menino de rua, que foge em busca de quem possa adotá-lo, cansado de esperar que alguém o escolha.

– núcleo de BEBEL (Carla Camuratti), herdeira de uma fábrica de cristais, volta ao Brasil depois da morte do pai para assumir seu lugar na empresa. Foi alertada para tomar cuidado com as pessoas da fábrica. Para testar a integridade dos funcionários e conhecê-los melhor, decide se passar pela humilde copeira CRISTINA. Na pele de Cristina, Bebel desperta o amor de Pardal, mas não lhe revela sua verdadeira identidade. Até que é descoberta por ele, que não a perdoa, pondo em cheque esse amor:
o pai J.J. (Jorge Dória), homem rico, sócio de uma fábrica de cristais em Poços de Caldas. Morre no primeiro capítulo
a amiga CAROLINA (Laura Cardoso), governanta portuguesa que a acompanha há muitos anos. É uma mulher sensata e solidária. Às vezes, assume a posição de mãe postiça, com todos os cuidados e preocupações. Não concorda com a ideia de Bebel de se infiltrar disfarçada na empresa
o sócio de J.J., LAU (Abrahão Farc), judeu tcheco que emigrou para o Brasil, levando consigo a técnica dos cristais para a fábrica. Não se envolve com a parte administrativa, gostando mesmo é de moldar seus bichinhos. Conheceu Bebel ainda menina e nutre um enorme carinho por ela
o funcionário da fábrica EURICO (Oswaldo Campozana), de confiança de J.J. e Lau, um tipo ansioso
a empregada CEMA (Cléa Simões), a viu nascer. Toma conta da casa da família com grande dedicação
o médico DR. SÉRGIO (Miguel Falabella), aparece no final, quando a relação com Pardal vai mal. Vai disputá-la com Pardal.

– núcleo de PEDRÃO (Elias Gleizer), maquinista de trem, é ele quem dá carona para Pardal e Gibi na viagem que eles fazem para Poços de Caldas. Homem rude, porém bonachão, bom pai e bom amigo. Enviuvou há muitos anos e criou os filhos sozinho. Apaixona-se por Carolina quando a conhece:
os filhos: JULINHA (Thaís de Campos), moça alegre, que se torna amiga fiel de Cristina, sem saber que ela, na verdade, é Bebel. Serve café na fábrica de cristal e sofre com a pressão dos irmãos, que não admitem que ela se aproxime de nenhum rapaz,
JAJÁ (Rodolfo Bottino), rapaz trabalhador, que começou desde cedo a batalhar por seu sustento. É dono da oficina e da lanchonete onde a turma da cidade se reúne, mas não se envolve muito com eles,
e QUIM (Thiago Santhiago), o rebelde da família, não admitindo ter a mesma vida dos irmãos. Trabalha com Jajá na oficina, mas gosta mesmo é de ficar com a turma, envolvido em aventuras e confusões
o amigo de Quim, CECÍLIO (Alexandre Frota), o tipo musculoso e pouco inteligente, é um sujeito bronco e paquerador
os funcionários da lanchonete de Jajá: TIO (Tony Vermont) e CANIÇO (Beto Sutter).

– núcleo de DANILO (Carlos Agusto Strazzer), rapaz de caráter duvidoso. Representante falido da aristocracia rural, torrou o dinheiro da família no jogo. Foi namorado de infância de Bebel e, de olho em sua fortuna, fará de tudo para conquistá-la quando ela retorna a Poços de Caldas, mesmo tendo um compromisso com outra mulher:
a mãe DONA XIDA (Elisabeth Henreid), senhora saudosa dos tempos em que o dinheiro era farto. Mimou e ainda mima demais o filho
a irmã mais velha BIA (Nívea Maria), sempre se deixou envolver pelo charme do irmão e começa a temer pelas consequências de tanta complacência. Leva uma vida sossegada, dentro de casa, resultado de uma desilusão do passado, o que a impede de se aproximar dos homens
o afilhado de Bia, EDU (Cássio Gabus Mendes), chega a Poços de Caldas e instala-se em sua casa, em busca de estudo e emprego. Inicialmente é hostilizado pelo grupo de rapazes da cidade, mas logo consegue se entrosar e fazer amigos. Apaixona-se por Julinha, mas os dois têm que enfrentar as barreiras dos irmãos ciumentos e do próprio pai da moça. Até que Bia se descobre apaixonada por ele
a mãe de Edu, HELOÍSA (Soraya D´Avilla), amiga de Bia, manda o filho para Poços de Caldas aos seus cuidados. Ao longo da trama, aparece na cidade para visitá-los.

– núcleo de HELENA (Dora Pelegrino), executiva na fábrica de cristais, assumiu temporariamente a empresa no lugar de seu pai. Foi amiga de Bebel quando crianças, mas tornou-se sua grande rival. Sempre sonhou com tudo que a outra teve, e ela mesma não conseguiu. Sua única vitória foi ter conquistado Danilo, ex-namorado de Bebel, com quem vive uma relação tumultuada. Com a volta de Bebel, Danilo irá romper com ela, aumentando seu ódio contra a moça:
o pai ÁLVARO (Edney Giovenazzi), velho amigo de J.J., de quem era sócio juntamente com Lau, possuindo uma pequena parte das ações da fábrica de cristais. Por conta de uma desilusão amorosa – que teve com Bia, no passado -, começou a beber e se afastou do trabalho e da família para começar um tratamento. Trata-se do alcoolismo, mas ainda ama Bia
a mãe MARTA (Suzana Faini), mulher conservadora e preocupada com o futuro dos filhos. Por ter um marido sempre ausente, vive inventando histórias e aparentando felicidade, quando, na verdade, sofre com o problema dele. Tem um casamento infeliz, já que o marido é doente e não a ama
o irmão ALVINHO (João Carlos Barroso), um playboy, líder da turma de jovens da cidade. Arrojado e esportivo, não leva a vida muito a sério. Trata a mãe com indulgência e gostaria de ajudar na recuperação do pai, com quem nunca teve muita intimidade
a empregada DIVINA (Guida Viana), intromete-se no dia a dia da casa e é muito inconveniente: fala o que não deve e, na maioria das vezes, não se preocupa com quem está ouvindo.

– núcleo de VERONA (Cássia Kiss), mora em uma república sustentada pela fábrica de cristais. Foi a primeira a ser acolhida no espaço e, por isso, sente-se com mais direitos do que as outras garotas. É a que toma conta, dita ordens e estabelece horários. Moça solitária e infeliz. Apaixonada por Danilo, acaba caindo em sua lábia:
as outras moças da república: TUCA (Élida L´Astorina), a mais alegre e festeira de todas, namora Alvinho,
JANDA (Denise Milfont), romântica e simples, é apaixonada por Jajá, que nem lhe dá bola porque está sempre mais interessado no trabalho,
(Cássia Foureaux), a mais responsável, é secretária na fábrica de cristais. Disputada por Quim e Cecílio, acaba ficando com o segundo
e SUZANA (Débora Fucs), carreirista a interesseira, só pensa em se dar bem e arranjar um namorado rico.

– núcleo de LÍGIA (Vera Gimenez), amiga de Pardal que descobre seu paradeiro. Luta para inocentá-lo da acusação de assassinato:
DR. GERALDO (Rogério Fróes), advogado de Pardal
MAX (Jorge Cherques), acusa Pardal de assassinato, por isso o persegue
CALÍO (Paulo César Grande), capanga de Max.

O centro gerador da trama era inconsistente, frágil. Ele – Pardal (Tony Ramos) – vivendo ilegalmente e amparando um menor abandonado – Gibi (Fernando Almeida). Ela – Bebel (Carla Camuratti) – se empregando em sua própria firma disfarçada de humilde moça do café. Entretanto, o envolvimento de Bia (Nívea Maria) com Edu (Cássio Gabus Mendes) e o namoro neurótico de Danilo (Carlos Augusto Strazzer) e Helena (Dora Pelegrino) valorizaram a novela. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

O ponto de partida da trama central lembra muito o da novela anterior de Walther Negrão, Pão-Pão Beijo-Beijo (1983): homem misterioso que esconde de todos o seu passado, e que, em um determinado momento, é descoberto pelos que o perseguem – Ciro (Cláudio Marzo) em Pão-Pão e Pardal (Tony Ramos) em Livre para Voar. A inspiração, por sua vez, vem de uma antiga novela de Geraldo Vietri na qual Negrão colaborou: Antônio Maria (Tupi, 1968-1969), com Sérgio Cardoso, o protagonista, na mesma situação.

Negrão criou mais uma dupla para o público infanto-juvenil: Pardal e Gibi (Tony Ramos e Fernando Almeida) – tal como Shazzan e Xerife (Paulo José e Flávio Migliaccio), de sua novela O Primeiro Amor (1972), e Ciro e Soró (Cláudio Marzo e Arnaud Rodrigues), de Pão-Pão Beijo-Beijo.

A Censura do Regime Militar (ainda vigente em 1984) quase impediu que Walther Negrão abordasse os problemas do alcoolismo em Livre para Voar, através do personagem Álvaro (Edney Giovenazzi). De acordo com o pesquisador Cláudio Ferreira no livro “Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”:
“Os produtores [da novela] pediram revisão em cortes feitos em quatro capítulos e argumentaram: ‘o propósito da história é de passar ao público uma mensagem positiva contra o vício de beber”. Também informaram que o autor Walther Negrão estava sendo auxiliado pelos Alcoólicos Anônimos. Outro ofício registra que Negrão prestou esclarecimentos por telefone à Censura, relatando como seria o desfecho do processo de recuperação do personagem alcoólatra: só assim esta parte da trama pôde ser finalizada”.

Primeira novela na Globo do veterano ator Elias Gleizer. Seu personagem, o maquinista Pedrão, foi escrito por Negrão em homenagem ao seu pai, também maquinista. Site Memória Globo.

Livre para Voar foi uma novela de muitas estreias, que lançou gente que fez carreira na televisão.
Primeira novela dos então jovens atores Cássia Kiss, Rodolfo Bottino, Denise Milfont, Alexandre Frota, Guida Viana, Dora Pelegrino e Tiago Santiago (atuando, antes de tornar-se escritor de novelas).
E do novelista Alcides Nogueira, lançado como colaborador de Negrão.

Dora Pelegrino foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a atriz revelação na TV em 1984.

As esculturas de Pardal (Tony Ramos), apresentadas na novela, eram feitas pelo artista plástico Jorge de Salles. Site Memória Globo.

Livre para Voar foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 13/10/1986 e 24/04/1987.

Trilha Sonora Nacional
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01. RECADO (MEU NAMORADO) – Joanna (tema de Julinha e Edu)
02. SEMENTES DO AMANHÃ – Erasmo Carlos (tema de Pardal e Gibi)
03. AMOR ETERNO – Elba Ramalho (tema de Bia)
04. TIC-TIC NERVOSO – Magazine (tema do núcleo jovem)
05. CHICO – Renato Teixeira (tema de Pardal)
06. ESTE SEU OLHAR – Nara Leão
07. AO QUE VAI CHEGAR – Toquinho (tema de abertura)
08. VENENO – Marina (tema de Helena e Danilo)
09. PAIXÃO – Herman Torres (tema de Jajá e Janda)
10. NOVAS EMOÇÕES – Hyldon (tema de Verona)
11. SINAL DE PAIXÃO – Willie de Oliveira
12. DEIXA PRA LÁ – Dafé (tema de Pedrão)
13. ROSA DE MAIO – Leno (tema de Bebel)
14. SEMENTE DE TUDO – Zé Geraldo (tema de Pardal)

Trilha Sonora Internacional
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01. DRIVE – The Cars (tema de Bebel e Pardal)
02. CARELESS WHISPER – George Michael (tema de Edu e Julinha)
03. BOYS DO FALL IN LOVE – Robin Gibb (tema do núcleo jovem)
04. HOLD ME – Teddy Pendergrass & Whitney Houston (tema de Jajá e Janda)
05. YOU GET THE BEST FROM ME – Alicia Myers (tema de Lígia)
06. ONCE AGAIN – Damaris Carbaugh (tema de Bebel)
07. IF WE BELIEVE – Morris Albert & Rebecca Godinez
08. DO WHAT YOU DO – Jermaine Jackson (tema de Helena e Danilo)
09. THE LAST TIME I MADE LOVE – Joyce Kennedy & Jeffrey Osborne (tema de Verona e Álvaro)
10. I CAN DREAM ABOUT YOU – Dan Hartman (tema geral)
11. YOU’RE MY WOMAN, YOU’RE MY LADY – Tyzik (tema de Bia)
12. JUST THE WAY YOU LIKE IT – The S.O.S Band
13. NOBODY LOVES ME LIKE YOU DO – Anne Murray & Dave Loggins (tema de Verona e Danilo)
14. LOVE THEME – Love Sound Orchestra (tema de Bebel)

Sonoplastia: Sérgio Seixas e Antônio Faya
Supervisão de repertório: Francisco Santos Jr.
Direção de produção: Guto Graça Mello
Supervisão musical na trilha internacional: Sidney Oliveira

Tema de Abertura: AO QUE VAI CHEGAR – Toquinho

Voa coração
A minha força te conduz
Que o sol de um novo amor
Em breve vai brilhar
Vara a escuridão
Vai onde a noite esconde a luz
Clareia seu caminho e acende o seu olhar

Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não esqueça de trazer força e magia
O sonho, a fantasia
E a alegria de viver

Voa coração
Que ele não deve demorar
E tanta coisa mais quero lhe oferecer
O brilho da paixão
Pede a uma estrela pra emprestar
E traga junto a fé num novo amanhecer

Convida as luas cheia, minguante e crescente
E de onde se planta a paz
Da paz quero a raiz
E uma casinha lá onde mora o sol poente
Pra finalmente a gente
Simplesmente ser feliz…

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