Sinopse

Ramiro é o advogado e professor universitário de 40 anos que está de volta ao país depois de oito anos de exílio na França.
Recém-separado de Dora e filho de Dona Maria, Ramiro faz uma visita à fazenda de amigos de seu falecido pai, Bráulio e Carmem, onde reencontra a bela filha caçula do casal, Elisa, de 16 anos, que vira sua vida pelo avesso.

Naquela noite, depois do jantar, Ramiro se deixa seduzir pela menina que, anos atrás, não passava de uma criança. Pernoita na casa e, durante a madrugada, invade o quarto dela. Elisa grita, tenta se desvencilhar do estupro mas acaba sufocada, até morrer.

Durante a fuga, Ramiro encontra no caminho o pai de Elisa, bêbado. Achando que ele sabe da morte da filha, decide eliminá-lo, jogando o carro de uma ponte. O desarvorado Ramiro nem faz ideia do que ainda vai enfrentar pela frente.

Horas depois de matar Bráulio, Ramiro descobre o tamanho de seu erro. Elisa não morreu e mostra-se cada vez mais enlouquecida por ele.

Globo – 23h
de 15 a 17 de dezembro de 1999
3 capítulos

microssérie de Jorge Furtado, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase
baseada no romance La Luna Caliente de Mempo Giardinelli
direção geral de Jorge Furtado
núcleo Guel Arraes

PAULO BETTI – Ramiro
ANA PAULA TABALIPA – Elisa
TONICO PEREIRA – Bráulio Tennenbaum
WALDEREZ DE BARROS – Carmem
PAULO JOSÉ – Inspetor Monteiro
FERNANDA TORRES – Dora
CHICO DIAZ – Gomulka
VANDA LACERDA – Maria
BRUNO GARCIA – Braulito
NELSON DINIZ – Detetive Gamboa
TIAGO REAL – Policial Oliveira
JÚLIO ANDRADE – Tenente
SÉRGIO LULKIN – preso
LAVERDÓGIL DE FREITAS – motorista de caminhão
ZÉ VICTOR CASTIEL – homem do guincho
ZÉ ADÃO BARBOSA – homem do guincho
LISA BECKER
NESTOR MONASTÉRIO
Luna Caliente foi produzida pela empresa de Jorge Furtado – a Casa de Cinema – e gravada em película de cinema. Fazia parte do projeto da Rede Globo de integrar cinema e televisão.

Por questões estratégicas da emissora, e por problemas com a censura, a microssérie ficou engavetada por mais de um ano até que estreasse.

No romance original de Mempo Giardinelli, escrito em 1983 e lançado no Brasil pela L&PM, a trama se passa na Argentina em 1974 e a adolescente tem apenas 13 anos. A história foi transportada para o interior do sul do Brasil, em janeiro de 1970, época da ditadura militar.

Ana Paula Tabalipa foi selecionada entre outras 50 atrizes para interpretar o papel de Elisa.
“Tinha de ser bonita, pequena, jovem, ter a versatilidade para cenas de sedução, mas ao mesmo tempo ser ingênua, diabólica, autoritária, às vezes criança, noutras mulher”, explicou o diretor e roteirista Jorge Furtado.

A imagem da lua cheia esteve presente ao longo dos capítulos, simbolizando uma espécie de influência sobrenatural sobre os fatos, trazendo aspectos de realismo fantástico quando as ações dos personagens podiam ser explicadas na mística da lua cheia. Ela era a principal testemunha da vida do protagonista, aparecendo em inserts ao longo da história. Talvez a responsável por tudo o que aconteceu. Ou não.

As filmagens aconteceram no sul do Brasil, nas cidades de Rio Pardo e São Lourenço – ambas perto de Porto Alegre – e ainda em locações como estradas e plantações perto de Santa Cruz do Sul. Como a história tinha cerca de 70% de cenas externas, a produção optou por filmar em locais que já tivessem a aparência do fim dos anos 60 e início dos 70.

Ao todo, Luna Caliente foi filmada em 40 dias, de agosto a outubro de 1998, e contou com uma equipe de 68 pessoas em média por dia, sendo que nas cenas da morte de Bráulio Tennenbaum, foram 143 profissionais envolvidos, entre equipe de resgate, doublês e efeitos especiais.
“No total, são 3 horas de produção que foram feitas no mesmo tempo em que se filma 90 minutos”, lembrou Nora Goulart, gerente de produção do projeto. O ritmo de produção cinematográfico teve de ser acertado à dinâmica da televisão.

Daniel Filho menciona em seu livro O Circo Eletrônico:
“Discutimos muito se usávamos ou não como pano de fundo a ditadura militar, o medo do exército, a tortura. Esses fatos acabaram sendo usados com muita parcimônia e acho que tirou um pouco o caráter histórico da trama, ressaltando demais o enredo da menina. Na adaptação, Jorge Furtado e eu éramos favoráveis a ter a parte histórica, e Guel Arraes achava desnecessário. Então acabamos ficando num meio-termo, o que acabou prejudicando.”

Reapresentada pela primeira vez na televisão, em formato de filme, em outubro de 2003, no Festival Nacional – faixa de programação da Globo destinada à apresentação de filmes.

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