Sinopse

No coração da floresta amazônica é construída a estrada de ferro Madeira-Mamoré, concluída pelo empreendedor americano Percival Farquhar. A ferrovia atende a interesses políticos e comerciais de autoridades nacionais e estrangeiras, porém custa a vida de milhares de trabalhadores.

O governo brasileiro investiu na ferrovia para compensar a Bolívia pelo território do Acre. A ferrovia iria superar 19 cachoeiras dos rios Madeira-Mamoré que dificultavam o transporte de borracha da Bolívia para o Oceano Atlântico, via Rio Amazonas. Porém, ao ser concluída, a borracha entrava em decadência.

Indo contra os interesses de Farquhar está o ministro Juvenal de Castro, amigo pessoal do então presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca. Planejando derrubar o ministro e tirá-lo de seu caminho, Farquhar descobre o romance extraconjugal de Castro com a jovem Luiza e não exita em tirar proveito desse segredo.

Enquanto isso, na Amazônia, o engenheiro inglês Stephan Collier comanda com mãos de ferro a construção da ferrovia liderando um grupo de homens tratados como animais no meio de uma floresta selvagem, ameaçados por toda sorte de infortúnio, principalmente doenças.

Três personagens se sobressaem: o índio Joe Caripuna, que roubava o alojamento dos trabalhadores e, ao ser descoberto, teve as mãos amputadas; o Dr. Finnegan, um médico idealista que bate de frente com a autoridade de Collier; e a bela Consuelo, encontrada na floresta entre a vida e a morte após o naufrágio do barco onde viajava com seu noivo.

Globo – 23h
de 25 de janeiro a 25 de março de 2005
35 capítulos

minissérie de Benedito Ruy Barbosa
baseada no romance homônimo de Márcio Souza
direção de Amora Mautner
direção geral de Ricardo Waddington, José Luiz Villamarim e Alexandre Avancini
núcleo Ricardo Waddington

JUCA DE OLIVEIRA – Stephan Collier
FÁBIO ASSUNÇÃO – Joe Richard Finnegan
ANA PAULA ARÓSIO – Consuelo
TONY RAMOS – Percival Farquhar
ANTÔNIO FAGUNDES – Ministro Juvenal de Castro
PRISCILA FANTIN – Luiza
CÁSSIA KISS – Amália
OTHON BASTOS – Marechal Hermes da Fonseca
CLÁUDIA RAIA – Tereza
EDWIN LUISI – Alexander Mackenzie
WALMOR CHAGAS – Dr. Lovelace
JOSÉ RUBENS CHACHÁ – Coronel Agostinho
RENATO BORGHI – Rui Barbosa
FIDÉLIS BANIWA – Joe Caripuna
DÉBORA OLIVIERI – Harriet
ELIANE GUTTMAN – Dona Inês
LUCIANO CHIROLLI – Addams
MARCELO SERRADO – Jim
ANDRÉ FRATESCHI – Ted
GENÉSIO DE BARROS – Thomas
EVANDRO SOLDATELLI – Harold
ARTHUR KHOL – King John
BUKASSA KABENGELE – Jonathan
CREO KELLAB – Dick
ESTER JABLONSKI – Maria
GILBERT STEIN – Antônio
CAMILO BEVILÁCQUA – Hans
MARCOS SUCHARA – Günther
MILTON ANDRADE – Gustav
EDDIE JANSSEN – Joseph
AISHA JAMBO – Sofia
ALMIR MARTINS – Juan
GABRIEL TACCO – Alonso
ANDRÉ BANKOFF – Werner
RICARDO BLAT
SERAFIM GONZALEZ
GLÁUCIO GOMES
CREUSA DE CARVALHO
MÁRCIO RICCIARDI – médico
FELIPE KANNENBERG – operário
HSU BUN LUNG – operário
NICOLAS ROHRING – operário
LUCIANO QUIRINO – policial
TÁCITO ROCHA – Vice-Ministro

O título da minissérie, que é baseada no livro homônimo do amazonense Márcio de Souza, vem de “mad” (louca em inglês) que sintetiza o sonho ufanista de construção da ferrovia Madeira-Mamoré, e de Maria, nome dado às marias-fumaça, antigas locomotivas movidas a carvão.

A minissérie estava engavetada. Benedito Ruy Barbosa narrou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
Mad Maria demorou trinta anos para ser feita. Eu criei a trama quando terminei de escrever [a novela] À Sombra dos Laranjais [1977] (…) Na época, o Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho] achou que o romance daria uma bela novela e me pediu para escrever. Quando li o livro, achei que seria impossível reunir os atores para gravar na Amazônia, aquela terra inóspita, onde a história se passava. Mas o Boni me mandou escrever, disse que os problemas de produção não eram de minha conta. Fiz uma pequena sinopse do livro, escrevi uns 30 e poucos capítulos, e fomos fazer uma leitura na casa do Dias Gomes (…) Todos elogiaram muito a história. (…) Voltei para casa, escrevi todos os capítulos e mandei para a Globo. Acho que ninguém leu, porque nunca mais falaram comigo a respeito. Passados muitos anos, surgiu o Ricardo Waddington querendo fazer Mad Maria.”

O projeto só não foi para frente antes porque exigia uma produção inviável e difícil.
“Ela quase foi produzida para comemorar os 20 anos da Globo (em 1985), mas não havia tecnologia para fazê-la na época”, lembrou Octavio Florisbal, então diretor-geral da emissora no lançamento da minissérie.

Para as primeiras gravações, foram usadas locações em Rondônia: Abunã e Porto Velho. Para gravações feitas em Abunã, foi necessário reconstruir seis quilômetros de trilhos que estavam soterrados por barro e mato, e reformar a Mad Maria, nome da máquina que há um século abria a estrada de ferro.

O diretor Ricardo Waddington foi com mais 140 pessoas, entre equipe e elenco, para Rondônia. Todos tiveram de tomar a vacina contra o sarampo, hepatite A, difteria, tétano, caxumba e rubéola. Tudo para passar cerca de 50 dias gravando em plena Floresta Amazônica.

Também contribuiu para a viabilização da megaprodução (orçada em cerca de R$ 12 milhões) o apoio do governo de Rondônia, que investiu pelos menos R$ 500 mil na recuperação de oito quilômetros de ferrovia, no restauro de uma locomotiva e na cessão de operários, médicos e policiais. Ao todo, a minissérie mobilizou cerca de 400 profissionais em Rondônia. Elenco e técnicos geraram só nos trinta dias que ficaram em Guajará-Mirim, uma das bases de gravações, impacto de R$ 1 milhão na economia da cidade.

Um dos desafios era recriar o Rio de Janeiro de 1910. Para isso, as equipes de cenografia e computação gráfica trabalharam a partir de fotos da época e maquetes que foram inseridas na tela por meio de animação. Outro desafio foi reproduzir o Palácio Monroe, ex-sede do Senado Federal, que foi demolido na década de 1970. Lá foram feitas as externas do local de trabalho do Ministro J. de Castro (Antônio Fagundes).

Alguns personagens marcantes da História do Brasil “participaram” da minissérie. O ator Renato Borghi interpretou o jurista Rui Barbosa, e Othon Bastos, o então presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca.

A abertura foi produzida sobre as fotos do americano Dana Merrill (fotógrafo que acompanhou todas as etapas da construção da ferrovia, de 1907 a 1912), sobrepostas pela linha da ferrovia.

Uma das tarefas da atriz Ana Paula Arósio foi ter aulas de piano e, especialmente, aprender a tocar “O Guarani”, de Carlos Gomes. Ela teve aulas por dois meses antes do início das gravações.

A figurinista Emília Duncan assistiu a diversos filmes para compor o figurino da minissérie. Entre outros, ela recorreu a Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick, e O Leopardo (1963), de Lucchino Visconti.

A Globo Marcas lançou o livro “Uma Saga Amazônica Através da Minissérie Mad Maria”, que retratou as gravações da minissérie.

A minissérie foi reapresentada no Faixa Comentada do Futura (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) a partir de 02/07/2012, às 23 horas.
Reprisada também no Viva (outro canal de TV por assinatura da Globo), entre 09/09 e 25/10/2013, às 23h15.

Trilha Sonora

orquestrada e dirigida por Alberto Rosenblit

madmariat
01. OS HOMENS E A FLORESTA
02. VALSA DE LUIZA
03. CONSUELO E JOE
04. O TREM DE RONDÔNIA
05. AMÁLIA
06. DESPEDIDA DE LUIZA
07. CONSPIRAÇÕES
08. CONSUELO
09. FUGAS E REGRESSOS
10. SEGREDOS DE TEREZA
11. NOITE EM SANTO ANTÔNIO

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