Sinopse

Rio de Janeiro, 1888. Jorge é um jovem advogado idealista que defende a causa republicana. Ele tem uma relação conflituosa com o pai, o prepotente Aristarco Argolo de Ramos, um grande defensor da Monarquia, dono do maior colégio interno para rapazes da corte carioca: o Ateneu.

Jorge é apaixonado por Lívia, mas o casal é separado no amor por imposição do pai. O rapaz participa de manifestações e comícios contra a Monarquia e passa a ser perseguido pelos guardas do império, sendo acusado de assassinato pelo capitão da guarda, que é apaixonado por Lívia.

A história mostra também a vida dos alunos no colégio. Como Sérgio, que deixa a pacata vida do interior para estudar no Ateneu. Lá, ele enfrenta seus medos, a rígida disciplina e as brigas com outros alunos. Aos poucos, o rapaz se aborrece com os métodos apresentados até o desencantamento. E acaba apaixonado por Maria, filha do professor Aristarco.

Globo – 18h
de 5 de março a 2 de junho de 1979
82 capítulos

novela de Wilson Aguiar Filho
baseada no romance O Ateneu de Raul Pompéia
direção de Gracindo Júnior
supervisão de Herval Rossano

Novela anterior no horário
A Sucessora

Novela posterior
Cabocla

EDUARDO TORNAGHI – Jorge
SANDRA BRÉA – Lívia
JARDEL FILHO – Aristarco Argolo de Ramos
ARACY CARDOSO – Ema
MANECO BUENO – Sérgio
MYRIAN RIOS – Maria
ARY FONTOURA – Mânlio
EVA TODOR – Agripina
FÁTIMA FREIRE – Dora
RICARDO BLAT – Egbert
CASTRO GONZAGA – Venâncio
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Ciro Monteverde
KARIN RODRIGUES – Miss Nora Elman
LUIZ ARMANDO QUEIRÓZ – Adolfo
NELSON CARUSO – Alfredo
FELIPE WAGNER – Bataillard
EDSON SILVA – Cláudio
ANGELITO MELLO – Jalincourt
GILBERTO MARTINHO – Mauro Pompéia
TÂNIA LOUREIRO – Laura
NÁDIA CARVALHO – Melica
DIOGO VILELA – Rômulo
WOLF MAYA – Rebelo
TIÃO D’AVILLA – Sanches
BENTO GOMES – Barbalho
FÁBIO MÁSSIMO – Malheiro
VICTOR VILLAR – Franco
IVO GIFFONI – Bento Alves
NARDEL RAMOS – Américo
DARY REIS – Gomes
HUGO SANDES – Padre Luís
LUÍS ORIONI – Profeta
DENNY PERRIER – Antônio da Silva Jardim
SÉRGIO AUGUSTO – Henrique
JORGE BOTELHO – Antônio
NEY SANT´ANNA – Mário
ANA ARIEL – Bernarda
MARLY AGUIAR – Alice
SOLANGE THEODORO – Ângela
IVAN DE ALMEIDA – Gumercindo
JOSÉ LUIS RODI – Branquinho
ALBY RAMOS – Silvino
JOÃO MARCOS FUENTES – João Numa
COSME DOS SANTOS – Manuel
LUCIANO SABINO – Mata
ZENAIDER RIOS – Doutor
FAUSTINO ALVARES – cocheiro
RENÊ FERNANDES
ROBERTO LEE
e
ANA LÚCIA TORRE – Princesa Isabel
WALDEMAR ROCHA – Conde D’Eu

– núcleo JORGE (Eduardo Tornaghi), jovem advogado, defensor da causa republicana. Tem uma relação conturbada com seu pai, contrário aos seus ideais. A crise agrava-se quando ele se apaixona por uma moça e o pai é contra o namoro:
o pai ARISTARCO ARGOLO DE RAMOS (Jardel Filho), autoritário diretor do Colégio Ateneu, um dos mais prestigiados da corte. Monarquista, vive em conflito com o filho por ele defender a causa republicana
a mãe EMA (Aracy Cardoso), trabalha como enfermeira no Ateneu e cuida dos alunos como uma segunda mãe. Segundo o marido, é o anjo bom do colégio
as irmãs MELICA (Nádia Carvalho), tem o gênio do pai e morre de inveja da irmã mais nova. É noiva de um dos alunos do Ateneu,
e MARIA (Myrian Rios), meiga, sincera e corajosa, mas muito dependente da família. Apaixona-se por um aluno do Ateneu
a criada ÂNGELA (Solange Theodoro), mulata bonita e provocante, desperta a paixão dos empregados do colégio.

– núcleo de LÍVIA (Sandra Bréa), namorada de Jorge, o que vai causar alguns problemas com o pai, devido ao choque de interesses políticos entre os dois. Em alguns momentos, toma partido do pai, porque se sente culpada pela morte de sua mãe, quando nasceu:
o pai VENÂNCIO (Castro Gonzaga), braço-direito de Aristarco no Ateneu, seu fiel admirador, também monarquista ferrenho. Professor de História e etiqueta, é odiado e temido pelos alunos.

– núcleo de SÉRGIO (Maneco Bueno), deixa a pacata vida do interior e vem para o Rio depois da morte de sua mãe. Estuda no Ateneu, onde enfrenta os seus medos, a rígida disciplina e as brigas com outros alunos do internato. Apaixona-se por Maria, filha do professor Aristarco:
o pai MAURO POMPÉIA (Gilberto Martinho), viúvo, de saúde frágil. É um comerciante rico e respeitado que, após a morte da mulher, vive exclusivamente para os filhos
a irmã LAURA (Tânia Loureiro), muito apegada ao irmão, tenta substituir sua mãe nos cuidados com o rapaz. Sente muito sua ida para o colégio.

– núcleo dos outros alunos do Ateneu:
EGBERT (Ricardo Blat), um dos melhores amigos de Sérgio. Descendente de uma família inglesa, destaca-se pela cultura, muito avançada para a sua idade
BENTO ALVES (Ivo Giffoni), um pouco mais velho que Sérgio e Egbert, sobressai pela força e coragem
REBELO (Wolf Maya), um dos primeiros alunos do Ateneu a se aproximar de Sérgio. Porém, alguns desentendimentos o afastam do amigo
SANCHES (Tião D’Ávila), escolhido por Aristarco para tomar conta dos colegas. Forte, convencido e muito bom aluno, esforça-se para ser admirado e respeitado por todos
BARBALHO (Bento Gomes), outro vigilante do Ateneu, temido por todos os alunos
MALHEIRO (Fábio Mássimo), completa o temível trio de vigilantes do Ateneu, formado por ele, Sanches e Barbalho
FRANCO (Victor Villar), amigo de Sérgio, é um dos alunos mais perseguidos pelos vigilantes do Ateneu. Vive pagando penitências pelos erros cometidos
RÔMULO (Diogo Vilela), um pouco desajeitado, é rejeitado pelos alunos do colégio por ser noivo de Melica, filha de Aristarco.
AMÉRICO (Nardel Ramos), rapaz rude, forte e calado. Sempre viveu numa fazenda até entrar no colégio. Causa transtornos ao se envolver em fugas e brigas com vigilantes e inspetores
o pai de Américo, GOMES (Dary Reis), fazendeiro rico, decide levar seu filho para estudar no Ateneu.

– núcleo de MÂNLIO (Ary Fontoura), professor de Literatura do Ateneu. Não tem uma posição definida entre monarquistas e republicanos. Não faz mal a ninguém, mas prefere estar ao lado do mais forte:
a mulher AGRIPINA (Eva Todor), autoritária, sonha casar a filha com Jorge e passa por cima de qualquer coisa para atingir seus objetivos
a filha DORA (Fátima Freire), apaixonada por Jorge, torna-se rival de Lívia.

– núcleo dos outros professores do Ateneu:
CLÁUDIO (Edson Silva), professor de Matemática. Positivista, dedica a vida ao magistério e à causa republicana
ADOLFO (Luiz Armando Queiroz), professor de Química. Figura muito engraçada
ALFREDO (Nelson Caruso), professor de Literatura. Mora com o amigo Adolfo
BATAILLARD (Felipe Wagner), professor de Educação Física. Prussiano e fanático pela cultura grega.

– núcleo de NORA ELMAN (Karin Rodrigues), preceptora das filhas de Aristarco. Solteira e bela, é disputada pelos professores Adolfo e Alfredo:
a mãe BERNARDA (Ana Ariel), mulher séria e sofrida, que viverá mais tarde com a filha no colégio
a irmã ALICE (Marly Aguiar), meiga e bonita, passa a morar com ela e fica encantada pelo professor Adolfo.

– núcleo dos funcionários do Ateneu:
JALINCOURT (Angelito Mello), livreiro, conhece profundamente a Literatura mundial. Sempre consegue os livros requisitados pelos professores
SILVINO (Alby Ramos), inspetor, pretensioso e autoritário, vive perseguindo os alunos
JOÃO NUMA (João Marcos Fuentes), parceiro de Silvino, é um pouco menos autoritário que ele
BRANQUINHO (José Luís Rodi), copeiro, envolve-se com Ângela
MANUEL (Cosme dos Santos), trabalha no refeitório. Revoltado com a sua condição de escravo, arruma confusão com alunos e vigilantes.

– demais personagens:
CIRO MONTEVERDE (José Augusto Branco), monarquista, grande amigo de Aristarco. Homem rico, tem investimentos na África. Complica a relação de Lívia com Jorge, tentando conquistá-la para agradar o amigo
PADRE LUÍS (Hugo Sandes), amigo de Jorge e Lívia, é uma espécie de conselheiro do casal. Faz parte do grupo republicano do Ateneu
PROFETA (Luiz Orioni), figura conhecida no Ateneu e no bairro do Rio Comprido
ANTÔNIO DA SILVA JARDIM (Denny Perrier), orador e político, atuante propagandista da República. Inspira grande admiração a Jorge e seus amigos
HENRIQUE (Sérgio Augusto), um dos amigos de Jorge, integrante do Partido Republicano
GUMERCINDO (Ivan de Almeida), capoeirista respeitado, faz parte do grupo que luta contra os republicanos. Apaixona-se por Ângela e disputa a moça com Branquinho.

Primeira experiência em novela de Wilson Aguiar Filho. Infeliz escolha de um romance para o horário das 18 horas, cuja tônica central era mostrar o relacionamento entre os adolescentes em um ambiente fechado, corrupto e impregnado de sexualidade. Adaptá-lo, portanto, foi um ato de heroísmo em vão. E, para completar, o excesso de personagens atrapalhou o bom seguimento da ação.
Todavia, como principiante, Wilson conseguiu segurar os telespectadores e desenvolver bons personagens. Como Miss Nora Elman, vivida por Karin Rodrigues. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A troca do título (de “O Ateneu” para “Memórias de Amor”) indica não apenas o desejo de um chamariz ao público feminino e/ou interessado em histórias românticas, mas também a fuga da polêmica que o romance de Pompeia carrega, por ser repleto de sexualidade e tocar noutros temas espinhosos para a novela das seis, ainda mais em tempos de censura do Regime Militar. As dificuldades de condução de uma história que condissesse com o horário e ao mesmo tempo não achincalhasse o original existiram sempre, e a novela acabou sendo tirada do ar com 82 capítulos ao invés dos 140 inicialmente previstos. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Wilson Aguiar Filho se defendeu. “Eu queria manter o tom de farsa do romance ‘O Ateneu’, de Raul Pompéia, mas a duas semanas da estréia me pediram para fazer uma história no gênero ‘Romeu e Julieta'”, disse o novelista em entrevista publicada no Jornal do Brasil em 30/04/1989 (TV Pesquisa PUC-Rio).

Jardel Filho teve aqui um de seus melhores momentos em televisão, ao viver o Professor Aristarco Argolo de Ramos, o prepotente diretor do colégio Ateneu, em uma excelente caracterização. Uma cena marcante com o ator: o incêndio do Ateneu, no último capítulo.

Para a pesquisa de época foi levantado o histórico do período retratado na novela (1888), que incluía a organização política do Império, a campanha abolicionista, o republicanismo, o positivismo, a estrutura social, a aristocracia rural e a burguesia urbana. Também foram pesquisados acontecimentos culturais da época, como os famosos saraus literários. Este foi o primeiro trabalho de Glória Perez em televisão, que atuou como pesquisadora histórica, juntamente com Ana Maria Magalhães.

Com seu casario colonial, Parati, no Rio de Janeiro, foi a cidade escolhida para as primeiras gravações da novela. Já o exterior da casa de Sérgio (Maneco Bueno) foi gravado no bairro da Glória. As gravações das demais cenas externas foram realizadas na cidade cenográfica de Guaratiba. Site Memória Globo.

Estreia de Wolf Maya na Globo, como ator. Em seguida, passou a trabalhar como assistente de direção de Herval Rossano no núcleo das 18 horas. Seu primeiro crédito como diretor foi em Ciranda de Pedra, em 1981. Paralelamente à carreira de diretor de novelas, Wolf também atuou, esporadicamente, nas produções que dirigia.

A música escolhida para a abertura, “Jura Secreta”, numa pujante gravação de Simone, já havia sido uma das mais representativas da trilha da novela O Profeta, da Tupi, em 1977, servido como o tema de Carola (Débora Duarte), uma das protagonistas.

Trilha Sonora
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01. EMOÇÕES – Wando (tema de Lívia)
02. PASTORES DA NOITE – Vital Lima (tema geral)
03. JURA SECRETA – Simone
04. DÉCIMA VEZ – Ricardo
05. MARIA – Francis Hime (tema de Sérgio e Maria)
06. MULATA – Maria Martha (tema de Ângela)

Pesquisa de Repertório: Arnaldo Schneider
Produção Musical: Octávio Burnier
Direção de Produção: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: JURA SECRETA – Simone
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
De que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega é o que faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri…

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