Sinopse

De passagem pela cidadezinha litorânea onde sua família tem negócios, Marcos conhece e se apaixona pela doce Ruth, filha de pescadores. Mas acaba envolvido por Raquel, a irmã gêmea dela, que lhe rouba o namorado. As irmãs são idênticas fisicamente, mas de personalidades opostas. Enquanto Ruth ama Marcos, Raquel ambiciona sua fortuna e mantem um caso amoroso com Wanderley, um mau-caráter.

O único que percebe as reais intenções de Raquel é Tonho da Lua, um rapaz com problemas psíquicos, famoso por esculpir mulheres nas areias da praia. Tonho é protegido de Ruth, mas sofre com a perseguição e maldades de Raquel. Para atingir seus objetivos, Raquel terá de lidar com o ardiloso Virgílio Assunção, pai de Marcos, que não aceita o namoro do filho com a caiçara – como ele se refere a ela.

Virgílio ainda enfrenta problemas dentro de sua casa. Malu, a filha rebelde, o culpa pela morte do noivo e vive a provocá-lo em uma guerra declarada. Até que ela conhece o vaqueiro Alaor, um homem rústico, e muda temporariamente o seu alvo. Alaor tenta a todo custo domar as impetuosidades de Malu, o que faz nascer uma paixão marcada por altos e baixos por causa do temperamento explosivo dos dois.

Enquanto isso, Ruth sofre calada com o casamento da irmã Raquel, mesmo sabendo que ela está com Marcos apenas por interesse. A história tem uma reviravolta quando Raquel é dada como morta em um acidente no mar e Ruth assume a sua identidade para ficar ao lado do homem que ama. Mas Raquel não morreu e planeja a sua volta e a vingança contra a irmã que tomou o seu lugar e o seu marido.

Tupi – 20h
de 26 de março de 1973
a 5 de fevereiro de 1974
253 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
direção de Edison Braga e Carlos Zara

Novela anterior no horário
A Revolta dos Anjos

Novela posterior
Os Inocentes

EVA WILMA – Ruth / Raquel
CARLOS ZARA – Marcos
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Tonho da Lua
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Virgílio Assunção
CLEYDE YÁCONIS – Clarita
MARIA ISABEL DE LIZANDRA – Malu
ANTÔNIO FAGUNDES – Alaor
SILVIO ROCHA – Floriano
LUCY MEYRELLES – Isaura
EDGARD FRANCO – Wanderley
ROLANDO BOLDRIN – César
MARIA ESTELA – Arlete
NEWTON PRADO – Alcides Sampaio
CARMINHA BRANDÃO – Baby
MÁRCIA MARIA – Andréia
IVAN MESQUITA – Donato
SERAFIM GONZALEZ – Alemão (Wálter)
ANA ROSA – Alzira
ANALU GRACI – Glorinha
CARLOS NUNES – Tito
LIZA VIEIRA – Carola
UMBERTO MAGNANI – Zé Luís
JOÃO JOSÉ POMPEO – Duarte
ABRAHÃO FARC – Marujo
ADONIRAN BARBOSA – Chico Belo
LÉA CAMARGO – Do Carmo
SERVÍLIO BATISTA – Servílio
THEREZA SANTOS – Vilma
OLÍVIA CAMARGO – Alice
CARMEM MARINHO – Luiza
RIVA NIMITZ – Bebé
SÉRGIO GALVÃO – Justino
CARLO MORENO – João
PAULO VILLA – Isidoro
o menino
HAROLDO BOTTA – Jajá
e
ALDO CÉSAR – Delegado Fleury (investiga o assassinato de Wanderley)
ANNAMARIA BARRETO – amiga de Malu
APARECIDA DE CASTRO
ÁTILA IÓRIO – Henrique (irmão de Virgílio, pai de Arlete)
FLÁVIO GALVÃO – Ricardo (namorado de Malu que suicidou-se)
GIAN CARLO – namorado de Raquel no início
HENRIQUE MARTINS – promotor
HILQUIAS DE OLIVEIRA
JOSÉ PARISI JR.
KLEBER AFONSO
OSVALDO ÁVILA
OTHON BASTOS – Dr. Otávio Galvão (advogado de Ruth)
PAULO GUARNIERI – Tonho da Lua (criança)
SÔNIA REGINA – dublê de Eva Wilma nas cenas em que as gêmeas contracenam

– núcleo das gêmeas RUTH e RAQUEL (Eva Wilma). Ruth, professora, moça simples e ajuizada, vive para ver o grande amor de sua vida feliz, mesmo que não seja ao seu lado. Ao contrário de Raquel, mulher ambiciosa que rouba o namorado da irmã para se dar bem na vida. As duas são vítimas de um acidente no mar no qual Raquel desaparece e Ruth é encontrada inconsciente. Ruth assume a identidade da irmã, enquanto Raquel, que sobreviveu e está escondida, planeja um retorno para desmascarar Ruth que tomou o seu lugar ao lado do marido:
os pais: FLORIANO (Silvio Rocha), pescador bom caráter que tem uma forte ligação com Ruth e vive criticando as atitudes de Raquel,
e ISAURA (Lucy Meirelles), ambiciosa como Raquel, possui uma afinidade maior com ela. A única que sabe que Raquel não morreu.

– núcleo de MARCOS (Carlos Zara), rapaz rico e educado. Apaixona-se por Ruth mas, envolvido e seduzido por Raquel, casa-se com ela e fica preso a essa relação:
os pais: VIRGÍLIO ASSUNÇÃO (Cláudio Corrêa e Castro), homem rico, empresário inescrupuloso. Odeia Raquel e sempre foi contra o casamento do filho,
e CLARITA (Cleyde Yáconis), mulher pacífica, cordata, justa e generosa. Mantém-se presa ao casamento fracassado e acata os desmandos do marido autoritário. Aos poucos vai se libertar do jugo de Virgílio
a irmã MALU (Maria Isabel de Lizandra), garota rebelde, de temperamento forte e esquentado. Acusa o pai pela morte do namorado e por isso vive para atormentá-lo
a prima ARLETE (Maria Estela), sobrinha de Virgílio, amiga de Ruth. Mulher doce e generosa
o motorista DUARTE (João José Pompeo), pau-mandado de Virgílio
a governanta ALICE (Olívia Camargo).

– núcleo de TONHO DA LUA (Gianfrancesco Guarnieri), rapaz com problemas psíquicos conhecido por esculpir mulheres nas areias da praia. Seus problemas foram agravados depois de presenciar a morte do pai, quando era criança. Também órfão de mãe, sonha em lembrar do rosto do pai, que tenta esculpir. De alma e atitudes infantis, tem uma paixão platônica por Ruth. É alvo constante da implicância e maldades de Raquel:
a irmã GLORINHA (Analu Graci), moça bondosa que tenta proteger o irmão e ele a ela
o padrasto DONATO (Ivan Mesquita), um mau-caráter. Dono dos barcos de pesca da região, faz de tudo para que os pescadores dependam dele. Odeia Tonho por este saber que foi ele quem matou seu pai. Mas Tonho não consegue se lembrar pelo trauma que sofreu. Sente atração pela enteada e deseja desposá-la
a empregada ALZIRA (Ana Rosa), apaixonada por Tonho, sente ciúmes de Ruth. É uma moça simplória e sem instrução que faz tudo por ele.

– núcleo de ALAOR (Antônio Fagundes), peão na fazenda de Virgílio. No princípio, amava Ruth, mas, ao perder as esperanças, e, envolvendo-se com Malu em uma relação tempestuosa, descobre-se apaixonado pela filha do patrão:
a irmã BEBÉ (Riva Nimitz), apaziguadora, tenta arrefecer os ânimos entre ele e Malu.

– núcleo de WANDERLEY (Edgard Franco), amante de Raquel e cúmplice em suas armações. Acaba assassinado:
o funcionário de seu hotel ISIDORO (Paulo Villa).

– núcleo de SAMPAIO (Newton Prado), sócio de Virgílio, mantém um casamento infeliz com a mulher e uma paixão por Arlete:
a esposa BABY (Carminha Brandão), mulher fútil, vaidosa, fofoqueira e deslumbrada. Trata o marido com desdém e acha que ele é doente e tem pouco tempo de vida, o que não é verdade. Sampaio se diverte com isso, enquanto ela tenta arrumar possíveis substitutos para o marido após a morte dele
as filhas: a ambiciosa ANDRÉIA (Márcia Maria), ex-namorada de Marcos que não mede esforços para reconquistá-lo, sendo aliada de Virgílio contra Raquel,
e a doce CAROLA (Liza Vieira), moça romântica e simples
a secretária LUIZA (Carmem Marinho), é enganada por Wanderley que a deixa grávida e ela o mata.

– núcleo de CÉSAR (Rolando Boldrin), namorado de Arlete, amigo de Virgílio. De caráter duvidoso, esconde de todos que no passado engravidou Ruth e a fez abortar:
o irmão ZÉ LUÍS (Umberto Magnani), jovem médico que se envolve com Carola. Quando Raquel lhe conta que César engravidou Ruth e ela perdeu o bebê, Zé Luís sai desorientado e é atropelado, morrendo. Para vingar-se, César força um acidente de carro que vitima Raquel.

– núcleo dos pescadores:
o amigo dos pescadores, WÁLTER, o ALEMÃO (Serafim Gonzalez), dono de um bar. Fora um antigo namorado de Clarita. Após se reencontrarem, lutam para ficar juntos, provocando o fim definitivo do casamento dela e a ira de Virgílio
o filho de Alemão, o garoto JAJÁ (Haroldo Botta)
MARUJO (Abrahão Farc), pescador aposentado que perdeu um braço ao ser atacado por um tubarão. De caráter duvidoso, auxilia Donato em suas falcatruas
o jovem TITO (Carlos Nunes), namorado de Glorinha. Odeia Donato por ele explorar os pescadores e por ele ser uma ameaça constante a Glorinha
os pais de Tito, CHICO BELO (Adoniram Barbosa), pescador mulherengo, e DO CARMO (Léa Camargo), que acaba por se separar do marido
SERVÍLIO (Servílio Batista), que tem ciúme da bela mulher, VILMA (Thereza Santos)
JUSTINO (Sérgio Galvão) e JOÃO (Carlo Moreno).

Um dos maiores sucessos da TV Tupi, basicamente calcado no texto de Ivani Ribeiro e no trabalho duplo de Eva Wilma, que conseguiu momentos antológicos quando as gêmeas Ruth e Raquel atuavam na mesma cena. Curiosamente, a irmã má, Raquel, era a que mais despertava interesse no público.

A novela conquistou índices de audiência que há muito não eram vistos pela emissora: picos de 26 a 29% contra uma média em torno de 5% da novela anterior no horário (A Revolta dos Anjos). O sucesso fez a autora espichar a novela o máximo que pôde: Mulheres de Areia teve 253 capítulos, permanecendo quase um ano no ar.

Para escrever Mulheres de Areia, Ivani Ribeiro baseou-se em uma antiga radionovela de sua autoria, As Noivas Morrem no Mar, de 1965, com Maria Fernanda emprestando a voz (afinal era rádio). A radionovela, por sua vez, foi inspirada no filme Uma Vida Roubada (Stolen Life, 1946, de Curtis Bernhardt, com Bette Davis no papel das gêmeas), que trazia praticamente a mesma história até o ponto em que acontece o acidente no mar e a irmã sobrevivente ocupa a vida da falecida. Para render uma novela de televisão, Ivani deu continuidade à trama com um gancho irresistível: uma das gêmeas não morreu e prepara uma vingança contra a irmã que lhe tomou o lugar – ou, que lhe roubou a vida, como sugere o título do filme original.

Plágio? Curiosamente, enquanto a Tupi exibia Mulheres de Areia, a Globo apresentava no horário concorrente uma história semelhante: em O Semideus, novela de Janete Clair, Tarcísio Meira vivia um homem poderoso vítima de um atentado no mar que foi dado como morto e em seu lugar foi colocado um sósia impostor. Mas ele não havia morrido e planejava seu retorno. Igualmente, em Mulheres de Areia, Ruth assumiu a identidade da irmã Raquel após o acidente no mar em que se acreditava que a gêmea má estivesse morta. Mas Raquel retorna para se vingar da irmã impostora.

Eva Wilma narrou sobre as dificuldades de gravar as gêmeas:
“Quando Ruth e Raquel tinham de ficar frente a frente, o diretor gravava duas vezes. Primeiro com um lado da câmera tampado. Depois com o outro. Como as cenas se acumulavam, nós entramos num acordo para facilitar o trabalho. Dávamos prioridade a closes e imagens duplas.”
A atriz também tinha uma dublê, quando umas das gêmeas era vista de costas: Sônia Regina (não se trata da atriz homônima que atuou em novelas na Globo entre as décadas de 1970 e 1980).

Por seus trabalhos em Mulheres de Areia, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) premiou Eva Wilma e Gianfrancesco Guarnieri como melhores atores da TV no ano de 1973 (juntamente com Paulo Gracindo, por O Bem Amado, e Lélia Abramo, por Os Ossos do Barão).
Em 1974, na entrega do Troféu Imprensa aos melhores da televisão em 1973, promovido pelo Programa Silvio Santos (então na Globo), Regina Duarte, eleita melhor atriz por seu trabalho em Carinhoso (novela da Globo), repassou o prêmio a Eva Wilma, em reconhecimento à brilhante atuação da atriz em Mulheres de Areia.

Vários foram os destaques no elenco: Gianfrancesco Guarnieri interpretando Tonho da Lua; Lucy Meirelles como Isaura, a mãe das gêmeas; Maria Isabel de Lizandra e Antônio Fagundes, como Malu e Alaor, um casal marginal à história central que despertou interesse – tanto que os atores foram escalados para protagonizar a próxima produção da Tupi, O Machão.

Misturando ficção e realidade, os personagens de Mulheres de Areia foram parar nos programas da Tupi. Malu (Maria Isabel de Lizandra), com a intenção de afrontar o pai, Virgílio (Cláudio Corrêa e Castro), teve um dia de chacrete, participando da Discoteca do Chacrinha. E Tonho da Lua (Gianfrancesco Guarnieri) foi receber um prêmio no Almoço com as Estrelas, programa comandado pelo casal Ayrton e Lolita Rodrigues.
Também o costureiro Clodovil Hernandez participou da novela como ele mesmo, quando Raquel foi fazer seu vestido de noiva.

As externas foram feitas em Itanhaém, no litoral paulista. Uma vez por semana, o elenco descia a serra para um longo dia de trabalho, afinal eram registradas todas as cenas fora de estúdio previstas. Para atender às necessidades dos atores, a emissora alugava casas de pescadores que serviam como camarins, locais para refeições e banhos rápidos. Diante da grande movimentação de fãs da novela e de curiosos, já que era muito comum ter até quatro ônibus de excursão lotados em dia de gravação, muitos desses proprietários transformaram as suas casas em ponto de turismo, inclusive com serviços de venda de alimentos e bebidas para turistas, que iam a Itanhaém na esperança de acompanhar as gravações da novela ou tirar fotos com os atores do elenco. “Biografia da Televisão Brasileira”, de Flávio Ricco e José Armando Vannucci.

As mulheres de areia que Tonho da Lua (Gianfrancesco Guarnieri) esculpia eram, na realidade, de autoria do ator Serafim Gonzalez, que atuava na novela como Alemão, dono de um bar, amigo dos pescadores. Ele também esculpiu uma estátua ao estilo das que eram usadas na novela, ficando como lembrança da equipe para a cidade de Itanhaém. Foi uma forma da Tupi agradecer a hospitalidade do povo da cidadezinha que recebeu tão bem a produção durante os meses em que a novela foi lá gravada.

Ivani Ribeiro reescreveu Mulheres de Areia para a TV Globo em 1993, vinte anos depois, repetindo o sucesso da versão original. A essa regravação, a autora inseriu a trama central de outra novela sua, O Espantalho, de 1977. Glória Pires viveu, com igual sucesso, as protagonistas que foram interpretadas por Eva Wilma na versão original.
Carlos Zara e Serafim Gonzalez, do elenco da Mulheres de Areia original, também atuaram no remake. E novamente Serafim Gonzalez ficou responsável pelas mulheres de areia esculpidas na praia.

Com as denúncias que o texto apresentava a favor dos pescadores que eram vítimas da exploração comercial, foi criada em Itanhaém uma cooperativa reivindicatória dos seus direitos. No início da novela, Ivani desconhecia os problemas dos pescadores, mas conversou com eles para se ambientar do cenário em que viveriam seus personagens. Ela declarou mais tarde:
“A situação dos pescadores de Itanhaém focalizada na novela despertou atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a entidade oficial responsável pelo problema, que nos procurou, oferecendo elementos detalhados para a apreciação do assunto. E foi assim que aquela gente pôde ser esclarecida para conquistar a sua cooperativa. Considero este o maior êxito da novela.” (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”)

Outro tema social abordado na novela foi a alfabetização. Alzira (Ana Rosa), apaixonada por Tonho da Lua, era analfabeta e, como pretexto para passar mais tempo perto do amado, pediu que ele lhe ensinasse a ler e escrever. A professora Ruth, quando soube dessa iniciativa, teve a ideia de expandir esse benefício aos pescadores que também quisessem aprender. Na época, o Governo Federal fazia um imenso alarde por conta do MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização -, que visava erradicar o analfabetismo no país.

Em novembro de 1973, Eva Wilma sofreu um acidente quando dirigia seu carro rumo a Itanhaém para gravações da novela. A atriz ficou com escoriações nos braços e pernas e teve que fazer uma cirurgia plástica para corrigir uma cicatriz no rosto. Doze dias após o sinistro, ela retornou ao trabalho. Durante algum tempo, Eva Wilma usou o cabelo para esconder a cicatriz. Raquel já tinha o cabelo solto e desgrenhado, o que diferenciava da caracterização de Ruth, que trazia o cabelo sempre penteado para trás. Como era a fase em que Ruth se passava por Raquel, a atriz aparecia o tempo todo com o cabelo sobre a cicatriz. Em seu trabalho seguinte, A Barba Azul, Eva Wilma usou uma franja para o mesmo fim: esconder as marcas de seu acidente, ainda visíveis.

Primeira novela na Tupi da atriz Maria Estela, que era até então estrela das novelas da Record.

Para as cenas de pesca, a Tupi contratou os serviços de um pescador de Itanhaém, que prestava assessoria à novela: Servílio Batista. Daí surgiu a ideia de usá-lo como ator na trama. Servílio ganhou um personagem com seu nome, um pescador casado com a bela Vilma (Thereza Santos) e que morria de ciúmes da mulher. Com o fim da novela, terminou também a carreira de ator de Servílio Batista, que preferiu continuar sua vida em Itanhaém colhendo os louros da fama de ator de Mulheres de Areia entre seus conterrâneos.

Para o sambista e cantor Adoniran Barbosa – que também era ator e estava no elenco da novela -, Ivani Ribeiro criou o personagem Chico Belo, um pescador que gostava de cantar sambas e batucar em uma mesa de bar com os amigos pescadores. (Carolline Rodrigues em “Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”)

Um “quem matou” movimentou a trama de Mulheres de Areia: o mau caráter Wanderley (Edgard Franco) morreu assassinado. Ele era o amante de Raquel. O público achava que Wanderley havia sido morto por ela, já que foi ao ar a cena em que Raquel atirou em Wanderley enquanto ele dormia. Na verdade, ele já estava morto quando Raquel entrou em seu quarto. Ao final da trama, foi revelado o autor do crime, que teve assassinos diferentes nas duas versões da novela. Em 1973, foi a secretária Luiza (Carmem Marinho), e, em 1993, foi Vilma (Denise Milfont), mulher do pescador Servílio. A razão do crime foi a mesma: as mulheres se envolveram com Wanderley e se sentiram humilhadas por ele. Wanderley acabou morto com um golpe na cabeça e seu corpo foi deixado sobre a cama antes de Raquel chegar e atirar nele.

A própria Raquel foi assassinada mais tarde, pelo mau caráter César (Rolando Boldrin). Raquel revelou a Zé Luís (Umberto Magnani) que seu irmão César engravidou Ruth no passado e ela perdeu o bebê. Zé Luís saiu desorientado e foi atropelado, morrendo. Para vingar-se, César deu cabo de Raquel.

Gêmeos e sósias que trocam personalidades ou são confundidos, é um tema recorrente em novelas: Alma Cigana (Tupi, 1964), Vidas Cruzadas (Excelsior, 1965) – ambas escritas por Ivani Ribeiro -, Maria Maria (Globo, 1978), Baila Comigo (Globo, 1981), O Outro (Globo, 1987), Cara e Coroa (Globo, 1995), Paraíso Tropical (Globo, 2007).

No mesmo dia – 26 de março de 1973 – a TV Tupi lançou duas novelas: Mulheres de Areia, às 20h, e A Volta de Beto Rockfeller, às 20h30.

Em 1975, em virtude da comemoração dos 25 anos da TV Tupi, a novela Mulheres de Areia foi exibida, em um compacto de 3 horas de duração, apenas para São Paulo.

Trilha Sonora

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01. FIRST LOVE – Phonoband (tema de Ruth e Marcos, tema de abertura *)
02. THE NIGHT I GOT OUT OF JAIL – Ten Wheel Drive (tema de Malu)
03. VIOLÃO VAGABUNDO – Baden Powell (tema de Raquel)
04. MALDIÇÃO – Maria Bethânia (tema de Tonho da Lua e Alzira, de Ruth e Raquel)
05. GERAÇÃO DO AMOR – Phonoband (tema de Isaura)
06. O NAVEGANTE – MPB4 (tema dos pescadores)
07. LAST LOVE – Phonoband (tema de abertura *)
08. BEAUTIFUL – The Isley Brothers (tema de Andréia)
09. DROPS – Cynthia (tema de Ruth)
10. TE AMO ETERNAMENTE (WHILE WE’RE STILL YOUNG) – Celso Ricardo (tema de Ruth e Marcos)
11. A VIOLA E O CANTADOR – Renato Teixeira (tema de Floriano)
12. EASY COMES, EASY GOES – Phonoband (tema de Clarita)

* O tema de abertura da novela era uma mixagem das músicas First Love e Last Love (Phonoband).

Sonoplastia: Pedro Jacinto

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