Sinopse

A tradicional família Taques Penteado está ligada à própria história de São Paulo e é caracterizada como significativa representante do mundo empresarial paulista. Cândido Taques, irmão de Guilhermina Taques Penteado, a matriarca, vivia isolado de todos, no terceiro andar da mansão da família, à qual deixa uma grande fortuna.

A disputa da herança, no ambiente dominado por Guilhermina, e o jogo de interesses entre os herdeiros desencadeia vários conflitos, gerando um clima de mistério. Os personagens vão-se revelando através do maior ou menor empenho em ter acesso à fortuna. Alguns não manifestam qualquer espécie de escrúpulo para obtê-la, enquanto outros, mais habilidosos e diplomáticos, lançam mão de recursos menos mesquinhos: procuram, por exemplo, tirar partido de uma aproximação com a matriarca.

No centro de tudo está Guilhermina, para quem pouco importa de onde venha o dinheiro, desde que sua família seja mantida no poder. Mas, inexplicavelmente, o enfermeiro Mateus, que cuidou de Cândido até sua morte, acaba sendo um dos principais beneficiados com a fortuna do clã. E ele ainda se envolve com uma das herdeiras, Lídia, dando margem para o preconceito social.

Bandeirantes – 21h15 / 20h15
de 5 de abril a 27 de agosto de 1982

novela de Jorge Andrade
direção de Henrique Martins
supervisão de Antônio Abujamra

Novela anterior, às 21h15
Os Adolescentes

Novela posterior, às 20h15
Renúncia

CLEYDE YÁCONIS – Guilhermina Taques Penteado
KITO JUNQUEIRA – Mateus
ELIANE GIARDINI – Lídia
BEATRIZ SEGALL – Noêmia
JUCA DE OLIVEIRA – Dr. Otávio Almeida Prado
MÁRCIA DE WINDSOR – Jerusa
LUIZ CARLOS DE MORAES – Luiz Eulálio
IMARA REIS – Norma
JAIRO ARCO E FLEXA – Márcio
SELMA EGREI – Consuelo
OTHON BASTOS – Samuel Razuk
LAURA CARDOSO – Eugênia
CARMEM SILVA – Maria Clara
SÔNIA OITICICA – Júlia
ANTÔNIO PETRIN – Joaquim
DENISE STOKLOS – Oriana
RAYMUNDO DE SOUZA – Eduardo
PAULO CÉSAR GRANDE – Karl
GIUSEPPE ORISTÂNIO – André
JÚLIA LEMMERTZ – Mariana
HUGO DELLA SANTA – Alex
FLÁVIO GUARNIERI – Rogério
DEBORAH SEABRA – Bernarda
LÚCIA MELLO – Rosalina
EMÍLIO DI BIASI – Cassiano
GENY PRADO – Gabi
MAYARA MAGRI – Marinalda
DANÚBIA MACHADO – Lia
o menino ALEXANDRE RAYMUNDO – Ronald
e
BEN GAZZARA, como ele mesmo
CHIQUINHO SCARPA, como ele mesmo
EDGARD FRANCO – Dr. Romeu (delegado que investiga o assassinato de Marinalda)
JOÃO FLÁVIO LEMOS DE MORAES, como ele mesmo, empresário carioca
KATE LYRA – Pietra (amiga americana de Guilhermina, envolve-se com Mateus)
NÍDIA LYCIA – Olímpia (mãe biológica de Mateus)
SERAFIM GONZALEZ – Lucas (novo motorista contratado por Guilhermina)
VALDIR FERNANDES – Mário (psiquiatra de Rogério)

– os irmãos Taques: CÂNDIDO, MARIA CLARA (Carmem Silva) e GUILHERMINA (Cleyde Yáconis), que, viúva, assinava Taques Penteado, de seu casamento.

– os filhos de Guilhermina: NOÊMIA (Beatriz Segall), JERUSA (Márcia de Windsor), NORMA (Imara Reis), CONSUELO (Selma Egrei) e EDUARDO (Raymundo de Souza). Consuelo era bastarda, filha de Guilhermina com o motorista da família, um segredo que veio à tona ao longo da trama.

– os filhos de Noêmia, viúva: LÍDIA (Eliane Giardini), ANDRÉ (Giuseppe Oristânio) e KARL (Paulo César Grande).

– os filhos de Jerusa, casada com LUÍS EULÁLIO (Luiz Carlos de Moraes): BERNARDA (Deborah Seabra) e ROGÉRIO (Flávio Guarnieri).

– os filhos de Norma, casada com MÁRCIO (Jairo Arco e Flexa): ALEX (Hugo Della Santa), MARIANA (Júlia Lemmertz) e RONALD (Alexandre Raymundo).

– núcleo de MATEUS (Kito Junqueira), enfermeiro de Cândido. Após a morte do velho, foi revelado por meio do testamento que Mateus era seu filho. Mateus se apaixona por Lídia, neta de Guilhermina. Com o testamento, ele vem a saber que Lídia é sua prima:
a mãe biológica OLÍMPIA (Nídia Lycia), paixão do passado de Cândido
a mulher que o criou EUGÊNIA (Laura Cardoso), para ele, sua mãe
a filha de Eugênia, LIA (Danúbia Machado).

– os empregados da mansão:
a governanta JÚLIA (Sônia Oiticica)
o mordomo CASSIANO (Emílio di Biasi)
o motorista JOAQUIM (Antônio Petrin), pai de Consuelo
a cozinheira GABI (Geny Prado)
as copeiras e arrumadeiras: ORIANA (Denise Stoklos), figura estranha que pinta um misterioso quadro em seu quarto,
e MARINALDA (Mayara Magri), que apaioxona-se por Karl, acaba assassinada por Joaquim.

– demais personagens:
DR. OTÁVIO ALMEIDA PRADO, testamenteiro de Cândido, envolve-se com Noêmia
SAMUEL RAZUK (Othon Bastos), judeu, envolve-se com Consuelo
ROSALINA (Lúcia Mello), atriz no ostracismo, amiga da família Taques Penteado
PIETRA (Kate Lyra), americana, amiga de Guilherme, forma um triângulo amoroso com Mateus e Lídia
DR. ROMEU (Edgard Franco), delegado que investiga o assassinato de Marinalda
DR. MÁRIO (Valdir Fernandes), psiquiatra de Rogério.

Ninho da Serpente estreou às 21h15, em substituição à novela Os Adolescentes. Porém, logo depois, em uma reformulação da grade da emissora, teve seu horário de exibição alterado para as 20h15.

Como em Os Ossos do Barão (1973-1974) e em O Grito (1975-1976), Jorge Andrade voltava a abordar a decadência da aristocracia paulistana. Dessa vez, o autor, fora da Globo, pôde fazer um retrato mais cruel da alta sociedade na luta pelo poder e pela riqueza. Os personagens também seguiam essa linha, retratando a pose e hábitos de paulistas aristocratas e falidos, dando oportunidade para os atores criarem tipos marcantes.

A novela propunha um “clima de literatura policial”, com o suspense envolvendo o testamento e a morte do principal membro do clã (Cândido Taques, que só aparecia de costas ou era apenas citado), o assassinato de uma empregada da mansão, Marinalda (Mayara Magri), e um mistério sobre o conteúdo do quadro pintado pela copeira Oriana (Denise Stoklos).
Ao final, descobriu-se que Marinalda foi morta pelo motorista Joaquim (Antônio Petrin) e que Oriana pintava a “podridão da família Taques Penteado”.

A ação quase que se restringia exclusivamente à mansão dos Taques Penteado – o ‘ninho da serpente’ do título. O principal cenário da novela era um casarão alugado pela TV Bandeirantes para as gravações, um palacete de muita classe situado na Rua Guatemala, 193, no chique bairro do Jardim América, em São Paulo.
Na abertura da novela, a câmera passeava pelo lado de fora e pelo interior da mansão. Uma das tomadas principais usadas na abertura e chamadas era a vista do alto da escadaria em formato de caracol, cuja imagem remetia a uma serpente.

Em entrevista à revista Romântica (encarte especial sobre a novela), antes da estreia, o autor Jorge Andrade explicou o título de seu folhetim:
“A razão da escolha deste título é porque, para mim, a serpente é o símbolo da intolerância, do preconceito, da ambição, da ganância, e simboliza, enfim, o jogo de interesses familiares e toda força poderosa e econômica de uma classe social.”

Elenco bem escalado, boa direção de atores, belíssima cenografia (de Flávio Phebo) e produção cuidadosa. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A atriz inicialmente escolhida para o papel da protagonista Guilhermina era Norma Bengell, então egressa da novela anterior, Os Adolescentes. Norma chegou a experimentar figurinos e fazer testes de maquiagem. Mas o resultado final não foi satisfatório: os traços marcantes da fisionomia da atriz impediam que ela aparentasse uma senhora de 70 anos, como exigia a personagem.
Guilhermina ficou a cargo de Cleyde Yáconis – uma das mais marcantes interpretações da atriz na televisão.

Por seu trabalho em Ninho da Serpente, Cleyde Yáconis foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz de 1982 (juntamente com Irene Ravache, pela novela Sol de Verão, Marília Pêra, pela minissérie Quem Ama Não Mata e Tânia Alves, pela minissérie Lampião e Maria Bonita).

A novela registrou um bom pico de audiência, ameaçando os índices da líder Globo, quando a TV Bandeirantes prosperava com seu núcleo de dramaturgia, herdando boa parte dos espectadores que assistiam às novelas da Tupi, dividindo novamente o público entre novelas globais e não globais.

Inicialmente, a novela teria 80 capítulos, ficando no ar de abril a junho de 1982. Mas em maio, com a mudança de seu horário de exibição e o sensível aumento na audiência, a emissora solicitou a Jorge Andrade que a esticasse até o capítulo 120, o que daria cerca de um mês a mais. Para sustentar a trama sem deixar o interesse do público cair, Andrade incluiu novos personagens na história, como o psiquiatra Mário (Valdir Fernandes), que cuidou do trauma sofrido por Rogério (Flávio Guarnieri), e a bela americana Pietra (Kate Lyra), que passou a disputar Mateus (Kito Junqueira) com Lídia (Eliane Giardini). Também teve peso no terço final da trama o delegado Romeu (Edgard Franco), que surge para investigar a misteriosa morte da empregada Marinalda (Mayara Magri). Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Um dos pontos curiosos do elenco foi a presença da atriz e dançarina Denise Stoklos, que raramente trocou o teatro pela televisão.

Outro fato marcante foi a morte da atriz Márcia de Windsor, vítima de um enfarte, em 04/08/1982, três semanas antes do término da novela. Ela já havia gravado toda sua participação na trama. Sem substituição nem desaparecimento súbito, sua personagem, Jerusa, continuou presente através de falas de outros personagens.

Primeiro trabalho na TV dos atores Eliane Giardini e Paulo César Grande. Também pode-se considerar a estreia de Mayara Magri, já que anteriormente ela havia feito apenas uma pequena aparição em Os Adolescentes.

Em 1997, a trama central de Ninho da Serpente, com seus principais personagens, foi incorporada à nova versão da novela Os Ossos do Barão, também de Jorge Andrade, produzida pelo SBT. Coube a Imara Reis o papel de Guilhermina, vivido por Cleyde Yáconis em 1982. Curiosamente, Imara havia atuado em Ninho da Serpente, como Norma, uma das filhas de Guilhermina.

A novela foi reprisada de 25/03 a 06/09/1991, em 120 capítulos, de 2ª a 6ª feira, às 11h15.

A crítica de televisão Helena Silveira, para a Folha de São Paulo de 11/12/1982:
“O teatrólogo [Jorge Andrade] (…) deu-nos uma das mais instigantes novelas do ano. Foi uma espécie de “Huis Clos” sartreano, passada quase toda numa residência do Jardim América. Cleyde Yaconis faz jus a um especial destaque nas vistorias para premiação. Desenhou esplendidamente um tipo de matriarca ao velho estilo, encontradiça nas antigas fazendas de café, mandonas, tirânicas, interferindo no clã despoticamente.”

Trilha Sonora Nacional
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01. ATRÁS DA PORTA – Elis Regina
02. OUTRA VEZ – Emílio Santiago
03. VIDA – Chico Buarque
04. BABY – Gal Costa e Caetano Veloso
05. COMO É GRANDE MEU AMOR POR VOCÊ – Claudete Soares
06. TUDO MUDOU – Chico da Silva
07. BILHETE – Fafá de Belém
08. AS ROSAS NÃO FALAM – Emílio Santiago
09. CHUVAS DE VERÃO – Caetano Veloso
10. PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES – Jair Rodrigues
11. AS APARÊNCIAS ENGANAM – Tunai
12. MAIOR DESEJO – Wando

Trilha Sonora Internacional
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01. PERHAPS LOVE – Placido Domingo & John Denver
02. SHINE ON – George Duke
03. IF YOU BREAK MY HEART – Miguel Bosé
04. FOOL IF YOU THINK IT’S OVER – Elkie Brooks
05. KEY LARGO – Bertie Higgins
06. INNA TIME LIKE THIS – Third World
07. L’ESPOIR – Richard Clayderman
08. WORDY RAPPINGOOD – Tom Tom Club
09. MEMORY – Barbra Streisand (tema de Lídia e Mateus)
10. I WANT YOU – Booker T.
11. ANNIE’S SONG – Placido Domingo
12. VIVA AMERICA – Happy

Trilha Sonora Instrumental – James Last e Orquestra
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01. YOSAKU (Kiminori Nanasawa – tema de abertura)
02. AIR FROM THE SUÍTE Nº 3 IN D MAJOR (Bach)
03. TRÄUMEREI – (Shumann)
04. IN MIR KLINGT EIN LIED (Chopin)
05. FANTASTE-IMPROMPTU (Chopin)
06. SLAVONIC DANCE Nº 10 (Dvorak)
07. FÜR ELISE (Beethoven)
08. PRELUDE IN C MAJOR (Bach)
09. ADAGIO FROM THE SONATA PATHETIQUE Nº 8 IN C MINOR OP 13 (Beethoven)
10. INTERMEZZO AUS DER OPER “CAVALLERIA RUSTICANA” (Piero Mascagni)
11. PRISIONER’S CHORUS FROM “NABUCCO” (Verdi)
12. BARCAROLLE FROM “THE TALES OF HOFFMAN” (Offenbach)

Sonoplastia: Salatiel Coelho
Coordenação geral de produção: Félix Aidar

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