Sinopse

A inescrupulosa escalada social de Herculano Quintanilha, de vidente de churrascaria à alta direção de um poderoso grupo empresarial.

Herculano e seu parceiro Neco aplicam um golpe na paróquia de uma cidadezinha do interior e são descobertos. Enquanto Neco foge com o dinheiro, Herculano, traído, é pego pelas autoridades. Encobertado pelo vigário, Herculano escapa deixando para trás a mulher, Doralice, e o filho pequeno, Alan. Anos mais tarde, Herculano Quintanilha, agora vidente, reencontra Neco na churrascaria onde se apresenta.

Do outro lado da história está o clã dos Hayalla. O poderoso empresário Salomão Hayalla tem como sócios em seus negócios os irmãos Samir, Youssef e Amin, e o amigo Mello Assunção. Casado com a fútil Clô, Salomão deseja que o filho único, Márcio, assuma seu lugar nos negócios da família. Mas o jovem idealista é alheio à fortuna e ao poder, só lhe interessando a fé em São Francisco de Assis.

Ao abandonar a casa do pai, Márcio conhece Herculano e, influenciado por ele, resolve assumir sua condição de herdeiro do império Hayalla. Mas Márcio leva o amigo consigo para a diretoria das empresas. No ambiente dos Hayalla, Herculano conhece Amanda, filha de Mello Assunção, com o casamento em crise com Samir Hayalla. A paixão entre os dois culmina com o fim da relação de Samir e Amanda e aumenta o ódio dos Hayalla pela influência de Herculano na família.

Márcio, por sua vez, em contato com o universo do amigo vidente, conhece e se apaixona pela jovem Lili, cunhada de Neco, uma moça simples e batalhadora que sofre com o marido malandro, Natal. Os desencontros entre Márcio e Lili são fortalecidos pela família do rapaz, que não aceita Lili e vê na jovem Jôse, irmã de Amanda, completamente apaixonada por ele, uma nova maneira de selar a união entre as famílias Hayalla e Mello Assunção.

Dois fatos desencadeiam uma série de conflitos na vida dos personagens: a morte de Jôse, vítima de uma doença crônica, o que deixa o caminho livre para Márcio e Lili, e o misterioso assassinato de Salomão Hayalla. Enquanto avançam as investigações acerca do crime, Samir e Herculano, agora casado com Amanda e acionista das empresas Hayalla, travam uma batalha para garantir o comando dos negócios.

Acusado de fraudar a empresa, Herculano foge abandonando a mulher Amanda e refugia-se em um pais ditatorial da América Latina, servindo ao Presidente da República como guru e conselheiro. No Brasil, a polícia chega ao assassino de Salomão Hayalla: Felipe Cerqueira, o jovem amante de Clô, um toxicômano que fora humilhado por Salomão, que tinha como cúmplice o amigo cabeleireiro Henri.

Globo – 20h
de 6 de dezembro de 1977
a 8 de julho de 1978
186 capítulos

novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho e Gonzaga Blota
direção geral de Daniel Filho

Novela anterior no horário
Espelho Mágico

Novela posterior
Dancin´ Days

FRANCISCO CUOCO – Herculano Quintanilha
DINA SFAT – Amanda Mello Assunção
TONY RAMOS – Márcio Hayalla
ELIZABETH SAVALA – Lili
DIONÍSIO AZEVEDO – Salomão Hayalla
TEREZA RACHEL – Clô Hayalla
RUBENS DE FALCO – Samir Hayalla
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Natal (Natalício)
FLÁVIO MIGLIACCIO – Neco
EDWIN LUISI – Felipe Cerqueira
IDA GOMES – Magda
SÍLVIA SALGADO – Jôse (Joselina Mello Assunção)
STEPAN NERCESSIAN – Alan
ELOÍSA MAFALDA – Dona Consolação
ÂNGELA LEAL – Laurinha
ISAAC BARDAVID – Youssef Hayalla
MACEDO NETO – Amin Hayalla
HELOÍSA HELENA – Beatriz
ÊNIO SANTOS – Pirilo Cerqueira
HÉLIO ARY – Adolfo Mello Assunção
THELMA ELITA – Myrian
JOSÉ LUIZ RODI – Henri
MARÍLIA BARBOSA – Mara Célia
CLEYDE BLOTA – Doralice
MARIA HELENA VELASCO – Valéria
MARIA SILVIA – Tânia
EDSON SILVA – Almeidinha
REJANE MARQUES – Luísa
TONY FERREIRA – Dr. Gilberto
MARILENA CURY – Nádia
LEDA BORBA – Jamile
MIRA PALHETA – Silvia
CECÍLIA LOYOLA – Nilza
as crianças
CARLOS POYART – Nequinho (filho de Laurinha e Neco)
MICHELE BULOS – Dulcinha (filha de Laurinha e Neco)
e
AFONSO STUART – Ramón (presidente do país latino-americano que emprega Herculano como conselheiro, no último capítulo)
AGUINALDO ROCHA – Dr. Jandir (prefeito de Guariba e gerente da sede do Banco Hayalla na cidade)
ANGELITO MELLO – Dr. Tiago
ANTÔNIO PITANGA – engenheiro
BETINHO – Niltinho (filho de Joaquim, amigo de Márcio)
CÉSAR AUGUSTO – Joaquim (jardineiro na mansão Hayalla)
DAVI RIBEIRO DA SILVA – Valério (bebê de Laurinha e Neco, nasce no final)
EDUARDO D’ANGELO – Chiquinho (bebê de Lili e Márcio, maior)
GONZAGA BLOTA – Dr. Jorge (advogado de Márcio)
JACYRA SILVA
JOSÉ MARIA MONTEIRO – advogado de Felipe
JUAN DANIEL – Seu Dondinho (pai de Doralice)
KLEBER DRABLE – Dr. Plínio (executivo do Grupo Hayalla)
LEDA LÚCIA – enfermeira
LUÍS CARLOS NIÑO – Alan (criança, no início)
LUIZ MACEDO – Zeca (morador de Guariba)
MANOEL PEREIRA – farmacêutico
MAURÍCIO BARROSO – Ernani (dono da agência de automóveis onde Lili foi trabalhar, apaixonado por ela)
NESTOR DE MONTEMAR – Frei Laurindo (pároco de Guariba que ajuda Herculano a fugir da polícia)
NILTON BARROS – delegado que elucida o assassinato de Salomão Hayalla
PAULO GONÇALVES – Malvino (marido de Consolação que abandonara a família e reaparece depois de anos)
REJANE SCHUMANN – Rita (empregada na mansão Hayalla)
RÚBENS KRISCHKE – coletor
TONY VERMONT – frei
VÍVIAN RENATA LEMOS SCOFANO – Chiquinho (bebê de Lili e Márcio, menor)
ZÉ PREÁ – Inácio (mordomo na mansão Hayalla)
Arturzinho (amigo de Felipe)
Asdrúbal (sub-gerente da sede do Banco Hayalla em Guariba)
Dado (amigo de Felipe)
Jôse (menina adotada por Amanda que recebe por ela o nome de sua falecida irmã Jôse)

– núcleo de HERCULANO QUINTANILHA (Francisco Cuoco), homem carismático mas de caráter duvidoso, diz possuir poderes de premonição e quiropraxia, além de apresentar-se como astrólogo e telepata. No passado, foi pego após aplicar um golpe na paróquia de uma cidadezinha do interior, traído pelo seu comparsa. Na atualidade, passou a apresentar-se em uma churrascaria no Rio de Janeiro, como vidente, em shows de mágica e ilusionismo, até descobrir entre os clientes seu antigo traidor. Envolve-se com uma poderosa família e é contratado para um alto cargo executivo na empresa dela:
a ex-mulher DORALICE (Cleyde Blota), vive criticando-o por suas tramoias
o filho ALAN (Luís Carlos Niño / Stepan Nercessian), tem adoração pelo pai. Depois de crescido, vai atrás dele no Rio de Janeiro
o sogro SEU DONDINHO (Juan Daniel), pai de Doralice
a auxiliar nos shows de ilusionismo VALÉRIA (Maria Helena Velasco), bela e sensual.

– núcleo de SALOMÃO HAYALLA (Dionísio Azevedo), poderoso empresário de origem síria, muito ligado ao dinheiro. Ex-mascate, prosperou pelo próprio trabalho. Dirige as empresas da família juntamente com os três irmãos mais novos. Faz de tudo para que o único filho assuma os negócios, sem sucesso. Acaba assassinado misteriosamente ao longo da trama:
a mulher CLÔ (Tereza Rachel), dondoca fútil e escandalosa. Viviam um casamento de desajuste
o filho MÁRCIO (Tony Ramos), rapaz religioso, interessado em música e na doutrina de São Francisco de Assis, que pregava o amor e a caridade pela pobreza. Como não quer assumir os negócios da família, vive em atrito com pai, renegando sua fortuna. Conhece Herculano que passa a exercer uma forte influência sobre ele. Márcio levará Herculano para trabalhar nas empresas, o que causará um confronto com seus familiares
os irmãos: SAMIR (Rubens de Falco), que assume os negócios da família após a sua morte. Homem ambicioso e rude, torna-se inimigo de Herculano quando Márcio o introduz em sua família,
YOUSSEF (Isaac Bardavid), acata as suas decisões, e AMIN (Macedo Neto), ambicioso, sonha ser seu sucessor, mas sabe da preferência dele por Samir
as cunhadas NÁDIA (Marilena Cury), mulher de Youssef, e JAMILE (Leda Borba), mulher de Amin
a tia de Clô, MAGDA (Ida Gomes), solteirona, apaziguadora, está sempre tentando acalmar os ânimos na família Hayalla. Tem um carinho especial por Márcio. Cuida da mansão Hayalla como se fosse uma governanta
a secretária da empresa, BEATRIZ (Heloísa Helena), por dentro de tudo o que acontece com a família Hayalla
a secretária de Clô, SILVIA (Mira Palheta)
o mordomo INÁCIO (Zé Preá)
o jardineiro JOAQUIM (César Augusto)
o filho de Joaqum, NILTINHO (Betinho), amigo de Márcio
a empregada RITA (Rejane Schumann).

– núcleo de AMANDA (Dina Sfat), engenheira-arquiteta, charmosa, dinâmica e ativa. Alvo das investidas de Samir, apaixonado por ela. Envolve-se com Herculano e o apresenta à alta roda carioca. A partir desse envolvimento, Samir declara guerra a Herculano:
o pai ADOLFO MELLO ASSUNÇÃO (Hélio Ary), viúvo, dono de uma construtora dirigida pela filha. Amigo da família Hayalla, viciado em jogo
a irmã caçula JÔSE (Silvia Salgado), moça sensível com saúde frágil. Apaixonada por Márcio, os dois acabam se casando, mas ela morre no decorrer da trama
a namorada de Mello Assunção, MYRIAN (Thelma Elita), mulher bela e bem mais jovem que ele, criticada por suas filhas
a secretária NILZA (Cecília Loyola).

– núcleo de LILI (Elizabeth Savala), moça simples, do subúrbio, ativa e batalhadora, alegre e sem papas na língua. Arrebata o coração de Márcio, mas a mãe dele, Clô, é contra esse envolvimento, até conseguir separá-los. É quando Márcio casa-se com Jôse:
o ex-noivo NATALÍCIO, o NATAL (Carlos Eduardo Dolabella), um boa-vida, bonachão, metido a conquistador, não se conforma com o fim da relação dos dois
a mãe DONA CONSOLAÇÃO (Eloísa Mafalda), mulher abnegada, foi abandonada pelo marido no passado com três filhas para criar
as irmãs LAURINHA (Ângela Leal), mais velha, meio desmiolada e desbocada, e LUÍSA (Rejane Marques), mais nova, tímida e retaída
o cunhado NECO (Flávio Migliaccio), marido de Laurinha, dono de uma barbearia. Foi parceiro de golpes de Herculano e o traiu. Com medo de Herculano, vive a fugir dele
a amiga TÂNIA (Maria Silvia), vizinha
o barbeiro ALMEIDINHA (Edson Silva), trabalha para Neco, apaixonado por Laurinha
DR. GILBERTO (Tony Ferreira), dentista por quem Luísa se apaixona
o pai MALVINO (Paulo Gonçalves), marido de Consolação que a abandonou há muitos anos e sumiu. Retorna para tentar reconquistá-la
os filhos de Laurinha e Neco, NEQUINHO (Carlos Poyart), DULCINHA (Michele Bulos) e o bebê VALÉRIO (Davi Ribeiro da Silva)
o bebê de Lili e Márcio, CHIQUINHO (Eduardo D´Angelo / Vívian Renata Lemos Scofano).

– núcleo de FELIPE (Edwin Luisi), playboy toxicômano, farrista e mau-caráter. Amante de Clô, está com ela por interesse. Descobre-se ao final que é o assassino de Salomão Hayalla:
o pai PIRILO CERQUEIRA (Ênio Santos), amigo das famílias Hayalla e Mello Assunção. Inconformado com o modo de vida do filho
o amigo HENRI (José Luiz Rodi), cabeleireiro de Clô, seu cúmplice no assassinato
a amiga MARA CÉLIA (Marília Barbosa), trabalha na noite como crooner em uma boate, apaixonada por ele
os amigos ARTURZINHO e DADO, parceiros de farras e noitadas.

Um grande sucesso popular. O país viveu uma espécie de “comoção coletiva” e parou, literalmente, para assistir ao último capítulo, no qual se revelou o assassino de Salomão Hayalla, uma indagação que permaneceu cinco meses na cabeça dos telespectadores e entrou para o “inconsciente coletivo nacional”. O personagem de Dionísio Azevedo saiu de cena no capítulo 42, exibido em 23/01/1978.

O desafio inicial era levantar a audiência do horário das oito da Globo, combalida com a pouca repercussão da novela anterior, Espelho Mágico, e com o sucesso de O Profeta, concorrente do horário na Tupi. Daniel Filho, o diretor, mencionou em seu livro “Antes que me Esqueçam”:
“Vou fazer uma novela em que não exista a menor possibilidade de erro: temos que apelar, temos que atingir o público de todas as faixas (…) Nessa novela trabalhei com o kitsch. Eu realmente queria apelar, e procurei fazer dos árabes uma coisa bem extravagante, bem kitsch.”

Além de referências a Hamlet, de Shakespeare – mais precisamente no núcleo da família Hayalla -, O Astro também foi baseada na ascensão do ex-ministro do Bem-Estar Social da Argentina, Luiz Lopez Rega, conhecido como “El Brujo”, que exerceu forte influência na administração do presidente Perón.

Janete Clair já havia tentado escrever a novela em 1973, mas a trama foi censurada (escreveu então O Semideus). O nome original que a autora havia pensado (tanto para O Astro quanto para O Semideus) foi O Bruxo, título também impedido.
Outro título provisório que O Astro teve foi O Todo-Poderoso – mais tarde usado pela TV Bandeirantes para uma novela.

A TV Tupi havia lançado a novela O Profeta, de Ivani Ribeiro, com Carlos Augusto Strazzer como o protagonista Daniel. Quando O Astro estreou, a concorrente da Tupi no horário estava no auge de seu sucesso. Este pode ter sido um dos motivos pelos quais a trama de Janete Clair não “pegou” de imediato. De acordo com Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva no livro “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, O Profeta ultrapassou O Astro em audiência no capítulo exibido no dia 19/01/1978: uma média de 36.7 para a Tupi contra 33.3 para a Globo (Ibope da Grande São Paulo).
As duas novelas tinham alguns pontos em comum: os protagonistas, Daniel em uma, e Herculano na outra, ambos de caráter duvidoso, tinham poderes paranormais que usavam em benefício próprio – o que sugeriria um plágio de Janete em cima do folhetim de Ivani.
Foi a partir do mistério envolvendo o assassinato de Salomão Hayalla (capítulo 42, exibido em 23/01/1978) que a novela da Globo começou a chamar a atenção do público.

O Profeta foi concluída no final de abril de 1978, enquanto O Astro se estendeu por mais três meses. Em sua reta final, a trama de Janete Clair conquistou uma audiência extraordinária, com números superiores aos das transmissões dos jogos da seleção brasileira na Copa da Argentina: 80% em média.

A novela, inicialmente planejada para durar 175 capítulos, foi espichada em mais 11, devido ao sucesso e para não coincidir a estreia da trama substituta (Dancin´ Days) com a final da Copa da Argentina.

Na época, foi assinada a lei que regulamentava a profissão de ator no Brasil. A classe artística foi à Brasília, entre, eles, Daniel Filho, que foi recebido pelo então presidente Ernesto Geisel.
O general perguntou à Daniel: “Diga uma coisa, quem matou Salomão Hayalla?”.
Ele respondeu: “Isso é segredo de Estado, e disso sei que vocês entendem!”

O Astro repercutiu até numa importante recepção oferecida em Brasília pelo então Ministro das Relações Exteriores, Azeredo da Silveira, ao ex-Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger. Na hora da novela o salão ficou deserto, pois os convidados foram se reunir na frente da televisão mais próxima para acompanhar a trama.

A cantora Maria Bethânia exigiu uma televisão no camarim do Canecão – casa de shows carioca onde cumpria temporada – para acompanhar os capítulos antes de entrar em cena.

Janete Clair costumava dizer que, quando faltava inspiração, lia jornais. E foi em notícias de jornal que ela construiu seu crime de ficção. Quando O Astro estava para acabar, a imprensa carioca registrava o assassinato da jovem Cláudia Lessin Rodrigues. Os acusados do crime eram um rapaz viciado em cocaína e seu amigo, um cabeleireiro.
Na novela, os assassinos foram Felipe Cerqueira (Edwin Luisi), um toxicômano mau-caráter, e Henri (José Luiz Rodi), seu amigo cabeleireiro, o cúmplice. Felipe matou Salomão com uma coronhada de revólver na cabeça. Salomão sabia da ligação entre Felipe e sua mulher, Clô (Tereza Rachel), e que ele estava envolvido com drogas. Chegou a ameaçar entregá-lo à polícia.

O último capítulo de O Astro foi manchete de primeira página de jornal. Três dias antes do final da novela, o Jornal do Brasil deu o furo: “o assassino é Felipe”, apesar de terem sido gravados cinco finais diferentes para enganar a imprensa. A escolha do amante da mulher da vítima para ser o assassino decepcionou o público pela obviedade: Felipe sempre fora o principal suspeito.

Três dias depois da novela sair do ar, Carlos Drummond de Andrade escrevia em sua coluna de jornal:
“Agora que O Astro acabou vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando.”
Foi nessa coluna que Drummond deu um apelido a Janete Clair: Usineira de Sonhos.

Francisco Cuoco esteve perfeito na pele de Herculano Quintanilha, de vidente de churrascaria à figura importante em um governo ditatorial da América Latina. Para o público, ficava a dúvida se Herculano era mesmo alguma espécie de paranormal ou se não passava de um charlatão.
Cuoco afirmou ao Projeto Memória Globo sobre o destino do personagem e as gravações do último capítulo:
“(..) ele [Herculano] foge do país e vai para uma república da América Central. Gravávamos em Itaboraí, onde tinham uns casebres e não tinha antena de televisão. Nós fizemos a saída dele da Casa de Portugal, que era muito chique. Ele falava com um governante poderoso e prometia coisas, falando do signo dele, das eleições, do governo, de tudo. E o cara querendo viajar com ele. E quando ele sai, emenda aquele pessoal todo caracterizado, meio mexicanizado, uma coisa um pouco misturada, com aqueles chapelões e aqueles lenços. Todo mundo gritava: ‘Viva, Herculano! Viva Herculano Quintanilha!'”

Tony Ramos havia estreado na Globo na novela anterior, Espelho Mágico, em um papel coadjuvante. A pedido de Daniel Filho, aceitou fazer de improviso um teste com atrizes novatas que se candidatavam ao papel de Jôse, um dos amores do personagem Márcio Hayalla. Silvia Salgado ganhou o papel. E Tony, que não estava sendo testado, acabou entusiasmando o diretor com sua interpretação e foi convidado por Daniel a emendar uma novela na outra.
O ator começou a gravar O Astro quando ainda atuava em Espelho Mágico. Tony contou a Flávio Ricco e José Armando Vannucci, para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”, que gravava Espelho Mágico às terças e quartas-feiras, O Astro às quintas e sábados, e o Globo de Ouro (programa musical que apresentava) às sextas.
Nesta troca de atores, quem saiu “perdendo” foi Stepan Nercessian, que havia sido inicialmente escalado para viver Márcio devido ao seu sucesso na novela anterior de Janete, Duas Vidas. Com a escalação de Tony, Stepan acabou ficando com outro papel, “menor”: Alan, filho de Herculano. Como consolação, Stepan Necessian ganhou um protagonista no ano seguinte: Anselmo da novela Feijão Maravilha.

Márcio Hayalla foi para Tony Ramos a consagração como o mais novo galã da TV Globo, que apostou todas as fichas em seu talento, escalando-o para viver protagonistas nos trabalhos seguintes. O sucesso do casal Márcio-Lili – Tony Ramos e Elizabeth Savalla – foi tanto que eles estrelaram a próxima novela de Janete Clair, Pai Herói.
Com sua sensível interpretação, Tony Ramos conquistou o público, ao dar vida a um jovem que renegava a fortuna do pai, seguindo o exemplo de São Francisco de Assis. A cena em que Márcio se despe, joga as roupas no pai, Salomão, e sai à rua nu, é uma das mais marcantes da novela – exibida no capítulo 9, levado ao ar em 15/12/1977.

Para interpretar Márcio, Tony Ramos teve aulas com o trompetista Márcio Montarroyos, para aprender a manejar o instrumento. O ator foi dublado pelo próprio Montarroyos e, depois, por Guilherme Dias Gomes (músico, filho de Janete Clair e Dias Gomes), nas cenas em que o personagem aparecia tocando. Site Memória Globo

Em uma sequência de O Astro, Janete Clair se “vingou” da Censura que cinco anos antes havia impossibilitado um entrecho em sua novela Selva de Pedra: Amanda (Dina Sfat) não compareceu ao seu casamento com Herculano (Francisco Cuoco) e Janete escreveu um bilhete ao elenco:
“Aos de boa memória, finalmente Fernanda se vinga de Cristiano!”
Dina e Cuoco haviam atuado em Selva de Pedra onde Fernanda (Dina) fora abandonada no altar por Cristiano (Cuoco), porque a Censura não havia permitido o casamento desses personagens.

Mas a Censura esteve de olho no trabalho de Janete Clair em O Astro. Na sinopse original, Márcio tinha um filho com Lili antes de se casar com Jôse. A Censura obrigou que, para haver a criança, o casal Márcio e Lili se casasse antes. Assim, casados, eles tiveram um filho, e mais tarde, Márcio e Jôse tiveram que se casar no Uruguai para que essa nova união, imprescindível para a trama, se concretizasse.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho – o Boni – lembra Janete Clair referindo-se à abertura de O Astro, que mostrava símbolos esotéricos:
“Em O Astro, que começou cambaleante, ela me pediu para tirar da abertura uma imagem que representava o mal. A imagem saiu e a audiência da novela explodiu imediatamente!”

Para a caracterização do vidente Herculano Quintanilha, Francisco Cuoco usava turbante e roupas coloridas. A ideia do turbante surgiu durante as primeiras gravações, em uma churrascaria no Alto da Boa Vista, onde o personagem iria se apresentar com seu show de magia. Daniel Filho achou que faltava algum detalhe para compor o visual do personagem. Pediu então que se cortasse um pedaço da calça de um figurante. Com um alfinete, a figurinista Kalma Murtinho improvisou o adereço que viria caracterizar a imagem do protagonista.

A atriz Tereza Rachel (Clô Hayalla na novela) sofreu um grave acidente de carro em junho de 1978, quando a trama estava em sua reta final. O Passat da atriz chocou-se contra a lateral de outro carro, capotou quatro vezes e transformou-se em um monte de ferragens. Mas Tereza, surpreendentemente, fraturou apenas o tornozelo e ficou com escoriações generalizadas, retornando às gravações dias depois.

O Astro foi reapresentada num compacto especial de 20 capítulos, entre fevereiro e abril de 1981, às 22h15.
E num compacto de uma hora e meia, em 11/02/1980, como atração do Festival 15 Anos da TV Globo (apresentação de Tony Ramos).

Em 2011, O Astro ganhou uma adaptação feita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, tendo Rodrigo Lombardi, Carolina Ferraz e Daniel Filho como Herculano, Amanda e Salomão Hayalla, respectivamente.

Trilha Sonora Nacional
astrot1
01. UM JEITO ESTÚPIDO DE TE AMAR – Maria Bethânia (tema de Amanda)
02. QUE PENA – Peninha (tema de Lili e Márcio)
03. SACO DE FEIJÃO – Beth Carvalho (tema de Consolação)
04. ESTADO DE FOTOGRAFIA – Vanusa (tema de Jôse)
05. NÊGA – Emílio Santiago (tema de Neco e Laurinha)
06. AS FORÇAS DA NATUREZA – Clara Nunes
07. BIJUTERIAS – João Bosco (tema de abertura)
08. TROCANDO EM MIÚDOS – Francis Hime (tema de Samir)
09. BOI DA CARA BRANCA – Hélio Matheus (tema de Natal)
10. AMBIÇÃO – Rita Lee (tema de Herculano)
11. É HORA – Djavan (tema geral)
12. OLHA – Marília Barbosa (tema de Mara Célia)
13. ENREDO DE PIRRAÇA – Elza Soares
14. MAIS UMA VEZ – Marizinha (tema de Amanda)

Trilha Sonora Internacional
astrot2
01. DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD – Santa Esmeralda
02. EASY – Commodores
03. ONLY THE STRONG SURVIVE – Billy Paul
04. FOR ONCE IN MY LIFE – Freddy Cole (tema de Herculano e Amanda)
05. I’M SAGGITARIUS – Roberta Kelly (tema de Herculano)
06. YOU’RE TOO FAR AWAY – David Castle (tema de Herculano e Amanda)
07. LONELINESS – Joe John Daniel (tema de Márcio)
08. WE’RE ALL ALONE – Rita Coolidge (tema de Lili e Márcio)
09. CITATIONS ININTERROMPUES (HEY JUDE, DAY TRIPPER, GET BACK, BACK IN THE USSR, I WANT TO HOLD YOUR HAND, LADY MADONNA, HELP, YESTERDAY, YELLOW SUBMARINE, LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS, MICHELLE, WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS, PENNY LANE, OB-LA-DI OB-LA-DA) – Café Crème
10. LOVE FOR SALE – Boney M.
11. BIRD SONGS – Chrystian (tema de Lili e Márcio)
12. THE NAME OF THE GAME – Abba
13. DREAMIN’ – Liverpool Express (tema de Clô)
14. DESTINY – Julian Grey (tema de Márcio e Jôse)

Temas Instrumentais
astrot3
LONELINESS – Joe John Daniel (tema de Márcio)
LOVE IS A SIMPLE THING – Joe John Daniel (tema de Amanda)

Sonoplastia: Roberto Rosemberg

Tema de Abertura: BIJUTERIAS – João Bosco

Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de Virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem

Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos
Ao meu bem mostrarei
Pro coração
Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem os tiques
As manias

Transparentes
Transparentes feito bijuterias
Pelas vitrines
Da Sloper da alma (*)…

(*) Da Sloper da alma
Carlos Leonam e Ana Maria Badaró para a Carta Capital (22/05/2009):

No Centro da Cidade [Rio de Janeiro], pegue a Rua Gonçalves Dias, dobre a Ouvidor à esquerda, saia na Uruguaiana e se depare com a loja que abrigou a Casa Sloper, hoje ocupada por uma rede de roupas populares, um tanto sufocante e poluída (…). Onde foi parar o brilho das bijuterias e do imenso lustre de cristal que pendia do teto de um pé direito altíssimo, circundado por um jirau?

Os berloques dourados da Sloper eram tão objetos de desejo de senhoras e senhoritas elegantes que inspiraram os versos finais de Bijuterias, música de João Bosco (…). A canção fez sucesso como tema da novela O Astro, de Janete Clair, em que Francisco Cuoco era um vidente de araque.

Numa interpretação livre, a expressão bosquiana “sloper da alma” sugere um estado de espírito elevado, o mesmo que tomava conta dos cariocas, que iam às compras ou levavam os filhos para passear no Centro, no tempo em que a arquitetura urbana, ainda ordenada, lembrava Paris.

Veja também

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Duas Vidas

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O Astro (2011)