Sinopse

A novela apresentava vários personagens e tipos caricatos:

Guiomar era uma bela viúva que saía do subúrbio para paquerar em Copacabana, e acabava se envolvendo com Dorival, mecânico de automóvel, também viúvo.

Demétrio, o Grego, era o amigo mecânico de Dorival e artista plástico nas horas vagas. Descoberto por um marchand, acabou por deixar a oficina e tornou-se um artista famoso.

Suzana Leopoldina era a dama da sociedade que fazia parte do júri no programa “Buzina do Chacrinha”.

Bandeira era um hippie contestador que costumava destruir apartamentos de pessoas ricas. Mas teve um fim inusitado: morreu de tanto rir! Junto com o ambicioso amigo Maneco, planejava a morte da tia milionária, Carlota.

Carlota era uma mulher abnegada, extremamente católica, que se apaixonava por Inocêncio, falso padre – na verdade um picareta, também de olho em sua fortuna.

Gonzaguinha era uma grotesca macumbeira, lembrando uma desajeitada bruxa.

A velha Stanislava, mãe de Guiomar, se embebedava de xarope e sonhava com um príncipe trapezista – que era Dorival em seus sonhos.

Globo – 22h
de 19 de julho de 1972
a 23 de janeiro de 1973
143 capítulos

novela de Bráulio Pedroso
escrita por Bráulio Pedroso e Lauro César Muniz
direção de Lima Duarte, Daniel Filho e Wálter Campos

Novela anterior no horário
Bandeira Dois

Novela posterior
O Bem Amado

JARDEL FILHO – Dorival
CLÁUDIO MARZO – Demétrius (Grego)
BETTY FARIA – Guiomar
ZIEMBINSKI – Stanislava Grotoviska
CLÁUDIO CAVALCANTI – Maneco
JOSÉ WILKER – Bandeira
EDSON FRANÇA – Bianco
MILTON MORAES – Sérgio Marreta
RENÉE DE VIELMOND – Débora
ZILKA SALABERRY – Carlota
PAULO GONÇALVES – Inocêncio
ILKA SOARES – Suzana Leopoldina
SUSANA VIEIRA – Marilene
PAULO VILLAÇA – Dr. Paulo
ELIZÂNGELA – Sandra
ANTÔNIO PEDRO – Pedroca
ELOÍSA MAFALDA – Gonzaguinha
MIRIAN PIRES – Consuêlo
MARILU BUENO – Marilu
MARGOT BAIRD – Margot
NILSON CONDÉ – Caíto
ANA MARIA MAGALHÃES – Vilma
VERA MANHÃES – Martinha
DARLENE GLÓRIA – Marina
VALÉRIA AMAR – Adelaide
MYRIAN RODRIGUES – Jô
MÁRCIA RODRIGUES – Katia
BETTY SADDY – Juliana
ANTÔNIO VICTOR – Frei Francisco
GERALDO CARBUTTI – Sacristão Sávio
JUAN DANIEL – Palhaço Popó
TELMO AVELAR – Santelmo
WÁLTER STUART – Signore Gino
MARGARIDA REY – Dona Sara
e
JOSÉ LEWGOY – Barão (noivo francês de Suzana Leopoldina)
LEDA LÚCIA – vendedora de livros
PAULO RAMOS – advogado
TEREZINHA MOREIRA – mulher de Sérgio Marreta

Em O Bofe todos os valores pretensamente ricos eram representados por pessoas pobres. O deboche era a estrutura da novela, o absurdo tomava vez. O personagens não se comportavam com sensatez, mas ao sabor da piada.

Porém a experiência não foi bem sucedida e o autor, Bráulio Pedroso, foi afastado. Lauro César Muniz fazia então seu primeiro trabalho na Globo, dando continuidade à história absurda, só que impregnando uma lógica encomendada.
José Wilker, inconformado com a saída de Bráulio, pediu demissão e saiu da novela. Seu personagem, Bandeira, morreu de tanto rir.

Daniel Filho narra em seu livro Antes que me Esqueçam:
“Nós dedicávamos o horário das dez da noite às experiências, modificações, ousadias. A novela não foi bem de público: na verdade não foi bem recebida, não tinha popularidade. Mas nós gostávamos muito dela. (…) Para mim O Bofe foi um fracasso. Eu gostava, mas não deu certo.”

Segundo Lauro César Muniz, a imprensa, maldosamente, publicou que o mal de saúde que afastara Bráulio Pedroso do comando de sua novela era “ibopatite”, num infame trocadilho com a meningite que de fato o acometera aliando-a aos problemas de aceitação da novela pelo público. (Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”).

Lima Duarte estreou na Globo com essa novela. Não como ator, mas como diretor. Ele havia dirigido com competência Beto Rockfeller (1968-1969), na Tupi, também de Bráulio Pedroso. A Globo queria repetir a dobradinha de sucesso, Lima e Bráulio. Repetiu a dupla mas não conseguiu o sucesso.
Lima nunca mais dirigiu novela alguma. Por outro lado, brilhou na carreira de ator, interpretando vários personagens inesquecíveis.

Cláudio Marzo, pela primeira vez, deixou de interpretar um galã para encarnar o anti-galã, na caótica figura do artista plástico Demétrius, o Grego, um lanterneiro desiludido, com uma imensa barba e um jeito sujo de ser – embora um elemento poético da história, citando trechos de poesias de Mário de Sá Carneiro.

Marzo foi conversar com Lauro César Muniz sobre as mudanças impostas ao seu personagem. Segundo ele, o autor modificou tanto o Grego, transformando-o tão radicalmente, que acabou não tendo nada a ver com o tipo original de Bráulio.
Fonte: “Bráulio Pedroso, Audácia Inovadora”, Renato Sérgio, Imprensa Oficial do Estado de SP.

De acordo com o livro “Bráulio Pedroso, Audácia Inovadora”, de Renato Sérgio:
De repente, uma pergunta aparecia na tela: ‘Será que eles vão morrer ou não? Isso vocês vão saber só depois dos comerciais!’
O telespectador, já acostumado com as fórmulas tradicionais da telenovela, ficou desnorteado diante desta fala do personagem de José Wilker no final de um dos capítulos de O Bofe. Todos pensaram que fosse uma brincadeira e acharam aquilo uma palhaçada.
“Acontece que eu estava brincando mesmo! Estava botando tudo em jogo, o falso suspense, os intervalos, a própria estrutura da novela. Queria suprimir esse tipo de continuidade e todos os demais truques tão usados. (…) Acontece que o deboche era o clima daquele enredo intencionalmente experimental e esta ousadia resultou em queda de audiência. Fui elegantemente convidado a ir para casa tratar-me de uma hepatite e ceder a responsabilidade do texto para o Lauro César Muniz. A troca de autoria foi que evitou o maior morticídio de todas as novelas, porque a intenção original era que em cada crime houvesse uma ou mais testemunhas que por sua vez iriam sendo eliminadas também, até a história acabar por falta de personagens.”

Mesmo ganhando um viés mais realista, a novela manteve seu apelo fantástico no capítulo final, que teve três desfechos diferentes, dando ao telespectador a oportunidade de escolher o seu favorito. A última cena reuniu todos os personagens da novela, vivos e mortos.
Fonte: site Memória Globo.

Ziembinski viveu a velha Stanislava, o primeiro personagem travestido da telenovela brasileira – uma ideia do próprio ator. Por sugestão dele, que era um polonês legítimo, Bráulio mudou o nome da personagem. Ziembinski propôs que, em vez de Natasha, um nome russo, a personagem se chamasse Stanislava Grotoviska.

Suzana Leopoldina, a personagem de Ilka Soares, foi inspirada na socialite Sílvia Amélia de Waldner. A atriz teve de usar uma peruca loura para fazer o papel.
Fonte: site Memória Globo.

Em O Bofe, a Censura Federal transformou um vigarista em um padre! No papel de Inocêncio, um picareta, o ator Paulo Gonçalves dava um golpe fazendo passar-se por padre. Quando os censores perceberam a jogada, obrigaram o autor a manter o personagem como padre, punindo-o devidamente no final.

Por alguma razão, o nome do ator grego Lajar Muzuris aparecia nos créditos de todos os capítulos de O Bofe, embora ele não tenha atuado em uma cena sequer da novela. O ator brincava dizendo que Bráulio Pedroso simplesmente havia se esquecido dele.
Fonte: site Memória Globo.

Composta especialmente para a novela, a trilha sonora trazia 12 músicas inéditas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, interpretadas por nomes como Elza Soares, Os Vips, Nelson Motta, Djalma Dias e Eustáquio Sena, entre outros.

Primeiro trabalho na televisão de José Lewgoy, que já era conhecido do cinema. O ator entrou na novela para uma participação.

A palavra “bofe” era uma gíria da época para designar homem sem jeito, desengonçado, mal arrumado, feio e pilantra – exatamente a caracterização do personagem de Cláudio Marzo. Curiosamente, nos dias atuais, a gíria quer dizer exatamente o contrário: homem atraente.

Trilha Sonora Nacional
bofet1
01. FALA DORIVAL – Renata & Flavio
02. INSTANTES – Jacks Wu
03. RAINHA DA RODA – Elza Soares
04. PORCELANA ,VIDRO E LOUÇA – Osmar Milito, Luna e Suza
05. MADAME SABE TUDO – Nelson Motta
06. O BOFE – Osmar Milito e Quarteto Forma
07. PERDIDO NO MUNDO – Eustáquio Sena
08. QUEM MANDOU – Djalma Dias
09. SÓ DE BRINCADEIRA – Sandra
10. MOÇO – Betinho
11. GREGO SÓ – Vips
12. MAPA DO TESOURO – Claudio Faissal

Trilha Sonora Internacional
bofet2
01. ALONE AGAIN (NATURALLY) – Excelsior
02. ROCKET MAN – Elton John (tema de Demétrius)
03. ARABIAN MELODY – Pop Concert Orchestra
04. BABY LET ME TAKE YOU – Detroit Emeralds
05. YOUR WONDERFUL SWEET SWEET LOVE – The Supremes
06. SWEET CONCERT – Free Sound Orchestra
07. SUMMER CONCERT – Alain Patrick
08. WAITIN’ LINE – Spider’s Gang
09. I’LL BE HERE – Jim Sullivan
10. PRECIOUS LITTLE THINGS – The Supremes
11. IT’S GONNA TAKE MIRACLE – Honey & The Bees
12. LOVE SONG – The Jackson Five
13. MACARTHUR PARK – Dione Warwick

Sonoplastia: Paulo Ribeiro
Coordenação Geral: João Araújo
Produção Musical: Eustáquio Sena

Tema de Abertura: O BOFE – Osmar Milito e Quarteto Forma
Quem a boa vida escolheu
Vai morrendo sem encontrar
Se não for de um jeito, é de outro
Não se cansa de procurar
Pra ganhar a vida no sol
Vai molhar seu corpo no mar
Por obrigações sociais
Vai morar em qualquer lugar

E o sol, o sol, o sol, o sol não queima tanto
E o mar, o mar, o mar, o mar esconde o pranto
E os carros pela rua
Buzinam e a vida continua-ua-ua-ua…

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