Sinopse

Na cidade de Porto Azul, em Santa Catarina, uma misteriosa luz envolveu Orjana e seu pai adotivo, o Professor Valdez. Os dois desmaiaram e só voltaram a si no dia seguinte. Na mesma noite, três crianças sonharam com uma estranha luz que vinha do céu. Sonhou também um simplório pescador, Mestre Jonas. Dois meses depois da estranha noite, Orjana apareceu grávida. Bárbara, sua mãe, teve para si confirmadas suas suspeitas de que o marido a traía com a filha adotiva do casal. E houve quem afirmasse que Ricardo, o namorado de Orjana, era o pai da criança. Nasce um menino, que recebe o nome de Ciro.

Trinta anos depois, o Dr. Ciro Valdez, depois de passar um tempo no exterior – sendo inclusive diretor geral de um grande hospital -, volta a Porto Azul para operar o Comendador Liberato, e com a intenção de ajudar os mais humildes. Mestre Jonas, o pescador que sonhara na misteriosa noite, faz-se seguidor fiel de Ciro, que todos passam a considerar um santo, por sua grande competência ao clinicar, e por ser o menino da tal história. A trajetória de Ciro em Porto Azul se intensifica quando salva a vida de Otto Frederico von Müller, o diretor da mineradora da região.

Encarnando com seus poderes mediúnicos o espírito de um médico oriental, Ciro remove o coração de um jovem negro, Pedrão, e transplanta em Otto, que assim consegue sobreviver. O grande problema é que Otto, um vilão ao estilo nazista, é preconceituoso, intolerante e pérfido, e em vez de ficar agradecido a Ciro por este ter lhe salvo a vida, passa a odiá-lo. Mais ainda quando descobre o amor do médico por sua ex-mulher, Ester. Daí em diante, as vilanias de Otto e do advogado da mineradora, Dr. Paulus – eternamente apaixonado por Ester -, passam a ser o grande obstáculo para que Ciro possa cumprir sua missão. Para os maus de Porto Azul, Ciro é um estorvo que precisa ser eliminado, é o homem que deve morrer.

Era também a história de Wanda Vidal, uma mulher que sonha com a felicidade, sonha em ser uma atriz de renome. E do casamento conturbado entre Inês, filha de Mestre Jonas e Rosa, e Baby Liberato, filho do comendador, um rapaz talhado para ser um homem mau, mas que, para frustração do comendador, torna-se um homem de bem, honesto e justo. Além das tramas envolvendo as três crianças que sonharam na estranha noite: André, Lia e Lucas Pé-na-Cova.

Globo – 20h
de 16 de julho de 1971
a 11 de abril de 1972
258 capítulos

novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho e Milton Gonçalves

Novela anterior no horário
Irmãos Coragem

Novela posterior
Selva de Pedra

TARCÍSIO MEIRA – Ciro Valdez
GLÓRIA MENEZES – Ester
JARDEL FILHO – Otto Frederico Von Müller
CLÁUDIO CAVALCANTI – Baby Liberato (Leandro)
BETTY FARIA – Inês
PAULO JOSÉ – André Vila Verde
DINA SFAT – Wanda Vidal
EDNEY GIOVENAZZI – Ricardo Lopes
SUZANA FAINI – Sônia
LÚCIA ALVES – Tula
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Cesário
IDA GOMES – Júlia
EMILIANO QUEIRÓZ – Dr. Victor Paulus
ARLETE SALLES – Lia Sanches
NEUZA AMARAL – Orjana
ÊNIO SANTOS – Professor Hilário Valdez
ZILKA SALABERRY – Bárbara
MACEDO NETO – Comendador Augusto Liberato
MARY DANIEL – Dona Naná
JORGE CHERQUES – Werner Von Müller Leoschen
LÍDIA MATTOS – Catarina
GILBERTO MARTINHO – Mestre Jonas
ANA ARIEL – Rosa
PAULO ARAÚJO – Daniel
ÁLVARO AGUIAR – Dr. Max
PAULO CÉSAR PEREIO – Dr. Roberto
ÂNGELA LEAL – Ângela
DARY REYS – Coice-de-Mula (Válter Carpinelli)
MIRIAN PIRES – Carolina
JUREMA PENNA – Zoraida
TÂNIA SCHER – Beth
ANTÔNIO PITANGA – Lucas Pé-na-Cova
LÉA GARCIA – Luana
RUTH DE SOUZA – Das Dores
IVAN CÂNDIDO – Godoy
ARTHUR COSTA FILHO – Padre Miguel
MONAH DELACY – Cândida
ARNALDO WEISS – Professor Zacarias Milani
ZENI PEREIRA – Conceição
VINÍCIUS SALVATORE – Delegado
ENOQUE BATISTA – Cabo Farias
FRANCISCO SERRANO – Gustavo
FRANCISCO SILVA – Pepino (Sérgio)
SUZY KIRBY – Sally
LÍCIA MAGNA – Clara
LOUISE MACEDO – Vera
SÔNIA FERREIRA – Dirce
ALAIR NAZARETH – criada de Otto
os meninos
ROGÉRIO PITANGA – Ivanzinho (filho de Otto e Ester, morre no decorrer da novela)
FERNANDO SÉRGIO – Ricardinho (filho de Wanda e André)
FÁBIO MÁSSIMO – Claudinho
e
FERNANDO JOSÉ – Almeida
FLOR DE MARIA
GEÓRGIA QUENTAL
MARCOS FRANCISCO – Otto (criança)
MARIA DO CARMO VELOSO
PAULO GONÇALVES
RITA DE CÁSSIA
TERCILIANO JÚNIOR – Martins
WALDIR ONOFRE – Pedrão (filho de Conceição, rapaz negro que morre e tem seu coração transplantado por Ciro em Otto)
WÁLTER MATTESCO – Zeca

– núcleo de CIRO VALDEZ (Tarcísio Meira), médico de origem misteriosa:
a mãe ORJANA (Neuza Amaral)
os avós PROFESSOR VALDEZ (Ênio Santos) e BÁRBARA (Zilka Salaberry).

– núcleo do COMENDADOR LIBERATO (Macedo Neto), poderoso da região:
o filho LEANDRO (Cláudio Cavalcanti), chamado de BABY, que vive em conflito com o pai
a mulher NANÁ (Mary Daniel), que abandonou a família e é considerada morta por ele
a governanta ZORAIDA (Jurema Penna), que criou Baby
a cantora BETH (Tânia Scher), com quem Baby tem um caso no início.

– núcleo de OTTO VON MÜLLER (Jardel Filho), um vilão ao estilo nazista, sobrinho do comendador e diretor da mineradora da cidade:
a ex-mulher ESTER (Glória Menezes), cuja vida ele ainda tenta dominar e se envolve com Ciro
a secretária e amante LIA (Arlete Salles)
os pais CATARINA (Lídia Mattos), irmã do comendador, e VON MÜLLER (Jorge Cherques), um carrasco nazista
o advogado DR. PAULUS (Emiliano Queiroz), apaixonado por Ester
a amiga e secretária de Ester, JÚLIA (Ida Gomes)
o funcionário da mineradora CESÁRIO (Carlos Eduardo Dolabella), um mau-caráter que se casa com Júlia por interesse
o menino IVANZINHO (Rogério Pitanga), filho de Otto e Ester, que morre no decorrer da trama
o capataz VÁLTER COICE DE MULA (Dary Reis) e sua mulher CAROLINA (Mirian Pires)
sua criada pessoal (Alair Nazareth).

– núcleo de MESTRE JONAS (Gilberto Martinho), um humilde pescador, amigo e seguidor de Ciro:
a mulher ROSA (Ana Ariel)
os filhos DANIEL (Paulo Araújo), que trabalha na mineradora, e INÊS (Betty Faria), que se casa com Baby.

– núcleo do engenheiro RICARDO LOPES (Edney Giovenazzi), namorado de Orjana na juventude e amor de sua vida:
a mulher SÔNIA (Suzana Faini)
a filha TULA (Lúcia Alves), que tem atração por Cesário.

– núcleo de VANDA VIDAL (Dina Sfat), atriz circense que sonha com a fama, amante de Ricardo no início da história:
o marido ANDRÉ (Paulo José)
o filho RICARDINHO (Fernando Sérgio).

– núcleo dos trabalhadores da mineradora:
o jovem LUCAS PÉ-NA-COVA (Antonio Pitanga)
a mãe, DAS DORES (Ruth de Souza)
a irmã LUANA (Léa Garcia)
PEDRÃO (Valdir Onofre), rapaz negro que morre e tem seu coração transplantado por Ciro em Otto
a humilde CONCEIÇÃO (Zeny Pereira), mãe de Pedrão.

– núcleo do hospital de Porto Azul:
o diretor DR. MAX (Álvaro Aguiar)
o médico ROBERTO (Paulo César Pereio)
a enfermeira ÂNGELA (Ângela Leal), que se envolve com Lucas.

– demais personagens:
o repórter JOSÉ GODOY (Ivan Cândido), que investiga a origem de Ciro
PADRE MIGUEL (Arthur Costa Filho)
CÂNDIDA (Monah Delacy), mãe de um piloto morto no passado por Otto por ciúme de Ester
o DELEGADO (Vinícius Salvatore)
o cabo FARIAS (Enoque Batista).

Depois do sucesso de Irmãos Coragem, repetiu-se praticamente a mesma equipe para a atração substituta no horário das oito: mesma autora (Janete Clair), mesmos diretores (Daniel Filho e Milton Gonçalves) e mesmo casal romântico central (Tarcísio Meira e Glória Menezes). E quase o mesmo elenco: metade dos atores de O Homem que Deve Morrer vinha de Irmãos Coragem (cerca de 20 nomes) – a maior repetição de elenco em duas produções seguidas na história das telenovelas (pelo menos a partir da década de 1970, quase essa prática já não era mais comum).
A ambientação era parecida – cidadezinha do interior -, mas a trama mística de O Homem que Deve Morrer nada tinha a ver com a história antecessora.

A figura de Ciro Valdez (Tarcísio Meira), segundo a autora, deveria sugerir a alegoria da vida de Cristo em sua passagem pela Terra. O tema foi considerado impróprio e acabou totalmente censurado. Os scripts dos dez primeiros capítulos foram vetados pela Censura Federal.
Janete Clair decidiu então fazer uma adaptação do livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich Von Daniken (publicado em 1968 e em voga na época da novela), para relacionar os poderes mediúnicos de Ciro aos extraterrestres. A autora completou a novela com Ciro Valdez incorporando um médico comum.

Daniel Filho destacou em seu livro “Antes que me Esqueçam”:
“Em O Homem que Deve Morrer, uma mulher virgem tinha um filho que era educado fora; e porque havia tido uma educação européia, passava a ser considerado quase como um santo na sua cidade subdesenvolvida. Falava-se muito na história do nascimento dele, sendo a mãe uma donzela. Dizia-se que ela tinha tido um romance com um camarada. Depois, era discutido o hímen complacente. Resultado: a novela foi proibida. Esse tema foi cortado quando faltavam dois dias para a estreia. E Tarcísio Meira acabou sendo um extraterrestre mesmo.”

O pesquisador Cláudio Ferreira narrou no livro “Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”:
“No parecer dos dez primeiros capítulos, (…) a lista de restrições era enorme, de adultério a misticismo, passando por desmoralização da Justiça, ridicularização aos símbolos religiosos e telepatia. Em letras maiúsculas, a sentença final: NOVELA NÃO PODERÁ SER APROVADA – FERE CONSTITUIÇÃO – LEI DE SEGURANÇA NACIONAL.
(…) mais uma série de acusações, como ‘apregoamento tácito da degradação da Justiça ensejando o desfibramento dos valores morais e propiciando a infiltração de doutrinas alienígenas’. Outros itens eram ‘o apelo à anti-religiosidade através da deformação da imagem religiosa, o apelo ao desentendimento das raças, o apelo contrário ao entendimento social, o intenso apelo à desagregação familiar e a exploração do Complexo de Édipo’.
Não foi guardado nenhum documento revelando a reação da emissora para reverter a interdição, mas um ofício do diretor geral da Polícia Federal, general Nilo Caneppa Silva, mostra que houve negociações para liberar a novela: ‘Ficou de acordo com o compromisso do representante da TV Globo, amenizar a intenção de analogia com a vinda de um novo Cristo, bem como as referências ou problemas raciais e de classe. A não observância das alterações indicadas para os dez primeiros capítulos implicará na suspensão da novela.’

Mesmo assim, a história do homem que “andava por caminhos que nunca foram abertos”, como explicava uma música da trilha sonora, fez relevante sucesso.

Um dos destaques foi a inclusão, na trama, de um transplante de coração, cirurgia realizada no Brasil pela primeira vez em 1968.

Dina Sfat havia atuado em duas novelas de Dias Gomes do horário das 22 horas (Verão Vermelho e Assim na Terra como no Céu) e Janete Clair a queria no elenco de O Homem que Deve Morrer, mesmo a atriz estando grávida de sua segunda filha, Ana Kutner. Dina ficou apenas um mês na novela, deu a luz à sua filha, e retornou no final da trama.

Como vários dos atores de O Homem que Deve Morrer vinham de Irmãos Coragem, o elenco passou por radical transformação no visual. Emiliano Queiroz, o Juca Cipó da novela anterior, teve seus cabelos cortados e pintados de louro, e ganhou um par de óculos. Zilka Salaberry, a rústica Sinhana de Irmãos Coragem, usou peruca loura para se transformar na refinada Bárbara. Já o ator Ênio Santos envelheceu cerca de 30 anos por conta de uma maquiagem pesada – seu personagem, o Professor Valdez, tinha 75 anos na trama. Por sua vez, Gilberto Martinho, o Coronel Pedro Barros da novela anterior, foi transformado no humilde pescador Jonas.

Ao simular o desabamento de uma mina de carvão reproduzida em estúdio, os diretores e a equipe de efeitos especiais capricharam tanto nos detalhes técnicos que esqueceram que Tarcísio Meira e Carlos Eduardo Dolabella estavam dentro da mina naquele momento. Soterrados, os atores foram socorridos às pressas e não sofreram ferimentos sérios.

A atriz Ruth de Souza, intérprete de Das Dores, foi agredida por uma jovem telespectadora porque sua personagem, ameaçada por Otto Von Müller (Jardel Filho), guardava um segredo que poderia salvar a vida do protagonista, Ciro Valdez (Tarcísio Meira). Site Memória Globo.

Com 258 capítulos, O Homem que Deve Morrer é a terceira novela mais longa da TV Globo, ficando atrás de Irmãos Coragem (1970-1971), com 328 capítulos, e a primeira colocada A Grande Mentira (1968-1969), que teve 341.

O título da novela foi tirado por Daniel Filho de um filme homônimo sobre Cristo feito na Grécia, em francês.

Trilha Sonora
homemquedevet
01. MENINA DO MAR – Marcos Samy
02. PORTO DO SOL – Vanda e Guto
03. SOLTO NO AR – Sociedade Anônima
04. UM DE NÓS – Maria Creuza
05. ZAMBI REI – Odylon
06. NAVEGADOR – Marcos Samy
07. O HOMEM QUE DEVE MORRER – Nonato Buzar e Coral (tema de abertura)
08. WANDA VIDAL – O Som Livre
09. COME TO ME TOGETHER -Octávio Bonfa
10. UM CERTO DIA – Ilka Soares
11. A LEI DA TERRA – Luis Carlos Sá
12. WHAT GREATER GIFT COULD THERE BE – Guilherme Lamounier
13. GUERREIRO – Jorge Nery
14. O MESMO SOL – Tarcísio Meira e Glória Menezes

Sonoplastia: Antônio Faia
Coordenação Geral: João Araújo
Produção Musical: Nonato Buzar

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