Sinopse

Zé do Burro é um simplório lavrador de uma família de posseiros que luta contra os latifundiários rurais, cujo principal representante é Tião Gadelha. Porém o ingênuo Zé é alheio a esses conflitos e vive num mundo à parte com seu fiel companheiro, um burro chamado Nicolau – razão de seu apelido, Zé do Burro.

Vítima de um acidente, o burro Nicolau fica à beira da morte, e Zé faz uma promessa a Santa Bárbara para que ela salve o animal. O pagamento é carregar uma pesada cruz de sua roça em Monte Santo, interior baiano, até a igreja de Santa Bárbara em Salvador. Nas escadarias da igreja, com os ombros feridos, o conflito maior é deflagrado a partir da incompreensão do Padre Olavo, religioso conservador que não consegue entender a pureza da proposta. A promessa havia sido feita num ritual de candomblé para Iansã, a Santa Bárbara da igreja católica. Furioso, o padre tranca a porta da igreja e acusa o lavrador de heresia.

Aos poucos, porém, Zé do Burro cativa a população e sua insistência vai elevando a tensão até um confronto com a polícia, bem no meio dos barulhentos festejos em homenagem à santa. No seu insano calvário, Zé do Burro vê sua bela mulher, Rosa, ser seduzida pelo esperto gigolô Bonitão. Fascinada pelo cafetão, Rosa ainda enfrenta o ódio da prostituta Marli. Para completar a teia de confusões, Zé torna-se vítima das manipulações de Aderbal, um jornalista que o transforma num místico revolucionário, dando à promessa do peregrino uma conotação política.

Globo – 22h30
de 5 a 15 de abril de 1988
8 capítulos

minissérie de Dias Gomes
baseada em sua peça teatral
direção geral de Tizuka Yamasaki

JOSÉ MAYER – Zé do Burro
DENISE MILFONT – Rosa
WALMOR CHAGAS – Padre Olavo
NELSON XAVIER – Bonitão
JOANA FOMM – Marli
MÁRIO LAGO – Dom Germano
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Dr. Tião Gadelha
GUILHERME FONTES – Aderbal
OSMAR PRADO – Padre Elói
STÊNIO GARCIA – Dedé
YARA LINS – Dona Teca
YARA CÔRTES – Dagmar
DIOGO VILELA – Lula
HARILDO DEDA – Romualdo
ÂNGELA FIGUEIREDO – Alice
ZENY PEREIRA – Mãe Maria de Iansã
REGINA DOURADO – Branca
VICENTE BARCELLOS – Padre Cipriano
EMILIANO QUEIRÓZ – Zarolho
PEDRO CARDOSO – Sacristão
FELIPE PINHEIRO – Padre Mário
JORGE CHERQUES – Dom Romário
JOFRE SOARES – Rupió
ANTÔNIO GRASSI – Pedro Santana
CHICO TENREIRO – Matador
CHICA XAVIER
LÚCIO MAURO – Dr. Quindim (veterinário)
MARIA SILVIA – Dona Coló
ANA BEATRIZ NOGUEIRA – Alícia
PAULO BARBOSA – Felício (capanga de Tião Gadelha)
JOEL BARCELLOS – Caveira
ÊNIO SANTOS – Rupió
ERNESTO PICOLLO
AÍDA LEINER

A mais importante obra de Dias Gomes chegou à televisão em forma de minissérie. Mas já havia sido apresentada anteriormente como teleteatro inserido no Fantástico, em 1974.

Encenada pela primeira vez em 1960, com a direção de Flávio Rangel, O Pagador de Promessas foi transportada para o cinema dois anos mais tarde, sob a tutela de Anselmo Duarte, levantando a Palma de Ouro de melhor filme em Cannes. No filme, Leonardo Villar era Zé do Burro, Glória Menezes, sua mulher Rosa, e Dionísio Azevedo, o Padre Olavo.

A história aborda questões polêmicas como a intolerância da Igreja Católica diante do sincretismo religioso.

Concebida com 12 capítulos, a história teve que ser reeditada por imposição da censura, e acabou sendo exibida em apenas 8 episódios. As referências políticas, as menções das lutas dos sem-terras e posseiros e a reforma agrária foram suprimidas, tirando o gênese do personagem. Uma frustação para os telespectadores avisados que esse entrecho havia sido incorporado à trama base.

Apesar da mutilação, O Pagador de Promessas apresentou méritos incontestáveis, desde a adaptação do autor à direção da cineasta Tizuka Yamasaki. Mas o principal desafio foi vencido por José Mayer ao dar vida ao Zé do Burro, independente da criação inesquecível de Leonardo Villar no cinema.
Por sua atuação, José Mayer foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o Melhor Ator de Televisão de 1988.

As gravações da minissérie foram realizadas ao longo de dois meses, em Monte Santo e Salvador, na Bahia, onde a equipe de produção instalou-se durante o período.

Para compor seu personagem, José Mayer passou um mês em Monte Santo, morando numa casa simples, convivendo e cuidando do burro com o qual contracenava. José Mayer incorporou o personagem de tal forma, que as pessoas da cidade chamavam-no de Zé do Burro.

Reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, entre maio e junho de 1991, e de 18 a 21 de maio de 1999, após a morte de Dias Gomes, compactada em 4 capítulos.
Ainda: reprisada em formato de telefilme, em janeiro de 2015, dentro do Luz, Câmera, 50 Anos, em homenagem ao cinquentenário da Globo.

Trilha Sonora

pagadort
01. SENHORA DOS VENTOS
02. ILUMINADA (tema de abertura)
03. FORROBODÓ 1
04. INHAMBÚ DE FOGO
05. PROVA DE AMOR
06. PEDRA DE CANTARIA
06. FORROBODÓ 2
07. SOL A PINO
08. SERTÃO
09. PAISAGEM BRASILEIRA 1
10. PAISAGEM BRASILEIRA 2

Produção artística: Carmo Produções Artísticas Ltda.
Interpretação das músicas: Orquestra Transarmônica D’Amla de OMRAC
Regência: Egberto Gismonti

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