Sinopse

O deputado federal conservador Severo Toledo Blanco, o homem mais poderoso da região de Ouro Verde, escolhe o ingênuo, simplório e analfabeto boia-fria Salvador da Silva, o Sassá Mutema, para casar-se com sua amante Marlene, tentando desviar as atenções de seu adultério. O fato chega até Juca Pirama, um radialista inescrupuloso que explora demagogicamente o episódio em seu programa de rádio.

Logo, um duplo homicídio vitima Marlene e Juca Pirama e tem em Sassá Mutema o principal suspeito – o suposto marido traído que lavou a honra com sangue. O matuto boia-fria chega a ser preso, porém, sua inocência é provada com o apoio popular e da bela professora Clotilde, sensibilizada com sua situação. Descobre-se que o moralista Juca Pirama era na realidade corrupto e estava ligado ao narcotráfico.

Sassá ganha popularidade e passa a ser alvo das atenções dos políticos locais, que querem manipulá-lo, transformando-o em prefeito da pequena cidade de Tangará. Apoiado por pessoas influentes, Sassá chega ao poder, mas rebela-se e conquista posição política própria, sonhando com a carreira em Brasília. Em sua trajetória, conta com a amizade de Clotilde, por quem se apaixona e com quem acaba vivendo um romance.

Enquanto isso, segue uma intriga policial e política envolvendo o deputado Severo Blanco, por meio de Gilda, sua personalística esposa, que tudo faz para manter o casamento fracassado; Marina Sintra, uma rica fazendeira, sua opositora política; e Bárbara Souza Telles, neta do maior banqueiro da região, com quem o deputado mantem um romance secreto e que, ao final, descobre-se, comanda a organização ligada ao narcotráfico.

Também a trama do piloto João Matos, que, envolvido pelo irmão Juca Pirama, é injustamente acusado de tráfico de drogas. Na verdade, ele foi usado como bode expiatório. Para fugir da polícia, João assume outra identidade: Miro Ferraz. Com o casamento com Ângela em crise, ele acaba por viver um romance com Marina Sintra, enquanto luta para provar sua inocência e desbancar a organização criminosa da qual foi vítima.

Globo – 20h
de 9 de janeiro a 12 de agosto de 1989
186 capítulos

novela de Lauro César Muniz
colaboração de Alcides Nogueira e Ana Maria Moretzsohn
direção de Gonzaga Blota, Denise Saraceni e José Carlos Piéri
direção geral de Paulo Ubiratan

Novela anterior no horário
Vale Tudo

Novela posterior
Tieta

LIMA DUARTE – Sassá Mutema (Salvador da Silva)
MAITÊ PROENÇA – Clotilde Ribeiro
JOSÉ WILKER – João Matos / Miro Ferraz
BETTY FARIA – Marina Campos Sintra
FRANCISCO CUOCO – Severo Toledo Blanco
SUSANA VIEIRA – Gilda Pompeu Toledo Blanco
LÚCIA VERÍSSIMO – Bárbara Souza Telles
LUIZ GUSTAVO – Juca Pirama (José Matos)
LUCINHA LINS – Ângela Mendes Matos
CECIL THIRÉ – Lauro Brancato
MÁRIO LAGO – Quinzote (Joaquim Xavier)
MAYARA MAGRI – Camila Sintra
ANTÔNIO CALLONI – Tomás Siqueira
GRACINDO JÚNIOR – Ricardo Ribeiro
MARCOS PAULO – Paulo Silveira
CLÁUDIO CAVALCANTI – Eduardo Corrêa
THALES PAN CHACON – Cássio Marins
MAURÍCIO MATTAR – Sérgio Toledo Blanco
NARJARA TURETTA – Rafaela Toledo Blanco
SUZY RÊGO – Alice Sintra
ANTÔNIO GRASSI – Plínio Kohl
FLÁVIO MIGLIACCIO – Nilo Assunção
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Padre Alberto Jardim
LUTERO LUIZ – Bodão (José da Silva)
BENJAMIN CATTAN – Hermínio Souza Telles
ALEXANDRA MARZO – Silvia
EDUARDO GALVÃO – Régis de Abreu
NELSON DANTAS – Décio de Abreu
IVAN CÂNDIDO – Zen (Zenóbio Reis)
CLÁUDIO CURI – Sidney
TÁCITO ROCHA – Gil Eanes
ANA MARIA NASCIMENTO E SILVA – Verônica
WÁLTER SANTOS – Jaime
JOÃO CARLOS BARROSO – Fidélis
ALDINE MÜLLER – Diná Amaral (Aída)
MARCO MIRANDA – Ciro
WALDIR SANTANNA – Neco Carranca (Manoel da Cunha)
GEORGE OTTO – Roberto Amaral (verdadeiro Miro Ferraz)
MARCELA MUNIZ – Zezé (Maria José)
LUÍS MAÇÃS – Marco Antônio
HUGO GROSS – Brazito (Braz Vasconcelos)
ANDRÉA RICHA – Cris (Cristina)
ALEXANDRE ACKERMAN – Dirceu Barreto
NORMA GERALDY – Noêmia

a menina NATÁLIA LAGE – Regina

e
ABRAÃO RIBEIRO – boia-fria
ADELAIDE PALETTE (ADELAIDE CONCEIÇÃO) – funcionária da fábrica
AGUINALDO ROCHA – escrivão da delegacia de Tangará
ALCIRO CUNHA – policial na fronteira do Brasil com a Bolívia, aborda João e Roberto/Miro em uma blitz
ANDRÉ CECCATO – por ordem de Severo, contrata Otávio para se casar com Marlene, no início
ÂNGELA TORNATORE – boia-fria
ANTÔNIO VIANNA – Antônio (funcionário do clube de Ouro Verde)
BRANDÃO FILHO – Padre Elísio (pároco de Tangará que se aposenta e é substituído pelo Padre Alberto)
BRENO BONIN – Dr. Miranda (advogado de Neco Carranca)
CARLÃO ELEGANTE – Bento
CARLOS GREGÓRIO – Rubens (advogado a serviço da organização criminosa)
CARLOS SANTOS – boia-fria
CÉSAR AUGUSTO – Gaiato (boia-fria amigo de Sassá e Bodão)
CHICO EXPEDITO – Valdemar (segurança de Marina)
CHITÃOZINHO E XORORÓ como eles mesmos, contratados pelo prefeito Sassá para um show em Tangará
CHRISTIANA GUINLE – Leda (secretária de Severo na fábrica)
CLÁUDIA WAGNER – boia-fria
CLÁUDIO AYRES DA MOTTA – Saulo (membro da organização criminosa, morto em um fuzilamento com Zen e Rubens)
CLEONIR DOS SANTOS – Hermenegildo (dono do bar frequentado pelos boias-frias)
DENIS DERKIAN – Delegado Arnaldo (da Polícia Federal)
DIRCEU RABELLO – policial federal que prende João transportando pasta de cocaína
DOMINGUINHOS como ele mesmo, canta na festa de aniversário de Sassá, na fazenda de Severo
EDUARDO PORTO – tabelião
EDWIGES GAMA – Lúcia (empregada de Severo e Gilda na fazenda)
ELIAS TUFFY – funcionário do clube de Ouro Verde
ELY REIS – empregado na fazenda de Severo
FÁBIO MÁSSIMO – médico que faz exames em Sassá, a pedido de Severo, no primeiro capítulo
FERNANDO AMARAL – Dr. Cardoso (advogado de Severo, trata da separação com Gilda)
FLÁVIO SÃO THIAGO – Bené (preso na mesma cela com João)
FRANCISCO DANTAS – pai de Verônica
FRANCISCO MILANI – apresentador da TV Mundial, âncora do programa “Mundial Repórter”
FREDDY MONTEIRO – operador de áudio da Rádio Clube de Tangará
GERMANO FILHO – Pastor Mendes (pai de Ângela)
GLÓRIA BEUTTENMÜLLER como ela mesma, fonoaudióloga
GONZAGA BLOTA – médico que trata de João no presídio
GUARACY VALENTE – segurança de Marina
GUTO SINVAL – diretor da TV Mundial, onde Sassá denuncia a organização criminosa, no final
HÉLIO GUERRA – guarda na penitenciária onde João cumpre pena
HÉLIO SOUTO – delegado em São Paulo, quando João é preso pela segunda vez
HEMÍLCIO FRÓES – Jorge (pai de Silvia, marido de Graça)
HORTÊNCIA MARCARI como ela mesma, jogadora de basquetebol, com José Victor Oliva, então seu marido
IBAÑEZ FILHO – Manoel Gitano (membro da organização criminosa, acaba morto por Roberto/Miro Ferraz)
JEAN-PAUL RAJZMAN – Jacques Étienne (namorado francês de Bárbara)
JIMMY RAW – funcionário da rádio
JORGE CHERQUES – juiz
JORGE DE JESUS – boia-fria
JOSÉ CARLOS PIERI – diretor de TV procurado por João e Lauro, que querem saber da aparição de Juca Pirama na TV
JOSÉ VICTOR OLIVA como ele mesmo, empresário, com Hortência Marcari, então sua mulher
KAKAO BALBINO – um dos jornalistas na TV Mundial, quando Sassá denuncia a organização criminosa, no final
KAUÊ KAJALLY – Nivaldo (locutor da Rádio Clube de Tangará)
KIKI LAVIGNE – Baianinha (prostituta do bordel de Cida Capivara, paga para se passar por Marlene)
LEDA BORBA
LEONARDO FRANCO – repórter no debate entre os candidatos à prefeitura de Tangará
LIA FARREL – vizinha de João e Ângela, avisa Juca Pirama que não há ninguém em casa
LILA HAMDAN – secretária da Rádio Clube de Tangará
LUCA RODRIGUES – repórter do programa “Mundial Repórter”, vai a Tangará fazer um programa especial sobre Sassá
LUIZ AUGUSTO – funcionário da fábrica
LUIZ KOMANCHE – boia-fria
LUIZ WASHINGTON – mâitre
LU MARINHO
MANOEL ELIZIÁRIO – Antônio (barman do clube de Ouro Verde)
MARINO JARDIM – funcionário do clube de Ouro Verde
MARTA MORTERÁ – boia-fria
MAURO RUSSO – Luizão (um dos seguranças de João na fazenda)
MIGUEL ROSEMBERG – Oswaldo Cerqueira (advogado de Ricardo no caso da guarda do filho dele com Clotilde)
MIRA PALHETA – uma das vizinhas que testemunham sobre as mortes de Juca Pirama e Marlene
MOZART RÉGIS JR. – jornalista da TV Ouro Verde, entrevista Sassá
MYRIAN PÉRSIA – Graça (esposa de Jorge, mãe de Silvia)
NANCY GALVÃO – Vânia (empregada de Gilda)
NELSON FREITAS – preso
NEWTON MARTINS – policial federal que Juca Pirama procura para tentar contato com João em La Paz, mas desiste
ODENIR FRAGA – preso
ORION XIMENES – líder dos capangas contratados por Sassá, após ele ser eleito prefeito de Tangará
PAULO BARROS
PAULO CÉSAR PEREIO – Tião Machado (pai de Marlene)
PAULO FIGUEIREDO – Eduardo (presidente da Câmara de Vereadores de Tangará)
PELÉ como ele mesmo, em Tangará para conhecer melhor o trabalho de Sassá frente à prefeitura
RENATO COUTINHO – delegado que investiga a morte de Verônica
REYNALDO GONZAGA – Bento Crispim (matador profissional, pela fama, se passa pelo assassino de Juca Pirama e Marlene)
ROBERTO LIMA – preso
SANDRA PÊRA – uma das vizinhas que testemunham sobre as mortes de Juca Pirama e Marlene
SANDRO SOLVIAT – personagem de um filme de terror na televisão que assusta Sassá com uma risada macabra
SOLANGE THEODORO – Daniela (secretária de Gilda)
SORAYA OCANHA – funcionária do aeroporto
TARCÍSIO FILHO – Otávio (candidato a casar-se com Marlene, mas substituído por Sassá a mando de Severo)
TÁSSIA CAMARGO – Marlene (amante de Severo, por armação dele, casa-se com Sassá, mas acaba assassinada)
TEREZA BRIGGS – Tereza (membro da organização, se passa por empregada para vigiar João, Ângela e Regina na fazenda)
THADEU SANTOS – operador
THELMA RESTON – Cida Capivara (cafetina do bordel de Tangará)
VICTOR BRANCO – repórter
WALMOR CHAGAS – Bispo Dom Arlindo (atende a um pedido de Sassá, quando ele vai preso, para conversar por telefone)
WILLIAM GAVIÃO – capanga de Zen na organização criminosa
YAÇANÃ MARTINS – enfermeira da equipe médica do Dr. Lauro Brancato
YAN ZELLER – frequentador do bordel de Cida Capivara

– núcleo de SASSÁ MUTEMA (Lima Duarte), mineiro do sertão, matuto, simplório e analfabeto. Muito pobre, chega à cidadezinha de Tangará, na região de Ouro Verde, interior de São Paulo, para trabalhar como boia-fria. Participa da escola rural e se apaixona por sua professora, uma bela mulher. É usado pelos poderosos da região para abafar o adultério de um famoso deputado em época de eleição. Após um incidente, em que é injustamente acusado de assassinato, ganha popularidade e passa a ser alvo das atenções dos políticos locais, que querem manipulá-lo, transformando-o em prefeito. Apoiado por pessoas influentes, Sassá chega ao poder, mas rebela-se e conquista posição política própria, surpreendendo sempre pela sua anacrônica pureza e pela sabedoria instintiva:
a professora CLOTILDE (Maitê Proença), que chega a Tangará para lecionar na escolinha rural. Em contato com os boias-frias, ensina-os a ler enquanto colhe dados para uma tese sobre o processo de dedução lógica de adultos alfabetizados. Desperta a paixão de Sassá, e, diante de seu crescimento pessoal, passa a sentir um imenso orgulho dele
o marido de Clotilde, RICARDO RIBEIRO (Gracindo Jr.), de quem ela estava separada. Surge em Tangará a fim de uma reconciliação
o melhor amigo BODÃO (Lutero Luiz), tão simplório e matuto quanto ele.

– núcleo de SEVERO TOLEDO BLANCO (Francisco Cuoco), fazendeiro ambicioso e sagaz, fez carreira política na região, chegando a Deputado Federal. Conservador, tem um casamento formal e frio, mas educadamente mantido pelas partes. Mascara uma fachada de austeridade e moralidade. Porém, fora de casa, tem um caso amoroso que acaba descoberto pelos seus opositores. Para desviar a atenção do adultério que poderia manchar sua imagem, elege o ingênuo Sassá Mutema como o namorado de sua amante:
a mulher GILDA (Susana Vieira), inteligente, culta e fria. Mantem a fachada de um casamento exemplar, mas é conivente com a infidelidade do marido, desde que a honra da família não seja maculada. Quando Severo assume publicamente um caso com outra mulher, vai lutar pelo casamento
os filhos: RAFAELA (Narjara Turetta), vive criticando a mãe e tem uma adoração exacerbada pelo pai,
e SÉRGIO (Maurício Mattar), rapaz apático, mimado pela mãe e dominado pelo poder do pai. Não tem grandes ambições, mas é impulsionado pela família a concorrer à prefeitura da região
a nora SILVIA (Alexandra Marzo), apaixonada pelo marido, que casou com ela mais por força das circunstâncias do que por amor. É incentivada pelos sogros a impulsionar Sérgio para que assuma o seu papel político na cidade
o secretário CIRO (Marco Miranda), fiel ao patrão
o capataz NECO CARRANCA (Waldir Santanna), seu homem da confiança
a secretária de Gilda, DANIELA (Solange Theodoro), quando ela decide entrar para a política.

– núcleo de MARLENE (Tássia Camargo), moça alegre, bela e sensual, é amante de Severo, mas vê-se obrigada a se ligar a Sassá para desviar a atenção da população do caso que ela e o deputado mantinham. Acaba misteriosamente assassinada e a culpa recai sobre Sassá:
o pai TIÃO MACHADO (Paulo César Pereio), homem inescrupuloso e ganancioso, aceita dinheiro de Severo para que se cale diante do plano arquitetado para abafar o adultério do deputado.

– núcleo de BÁRBARA SOUZA TELLES (Lúcia Veríssimo), moça bonita, rica, fina, determinada e inteligente. Seu status lhe permite brincar com as pessoas. Vai ter um caso avassalador com Severo, após a morte de Marlene. Ao final, descobre-se que comanda uma organização ligada ao narcotráfico:
o avô HERMÍNIO (Benjamin Cattan), banqueiro em Ouro Verde. Inteligente, rico e simpático. É aliado político de Severo, mas reage duramente quando descobre a relação dele com sua neta.

– núcleo de JOÃO MATOS (José Wilker), comandante da aviação comercial, feliz no casamento e com uma filha pequena. Torna-se vítima do irmão e tem sua vida destruída: é injustamente acusado de tráfico de drogas. Na verdade, foi usado como bode expiatório. Para fugir da polícia que está em seu encalço, assume outra identidade: MIRO FERRAZ, enquanto luta para provar sua inocência e desbancar a organização criminosa da qual foi vítima:
o irmão JUCA PIRAMA (Luiz Gustavo), radialista em Ouro Verde, sujeito carismático, inescrupuloso e ambicioso. Faz uso do microfone para se projetar popularmente. Moralista, acusa os poderosos da região, especialmente Severo Toledo Blanco. Envolve seu irmão em uma intriga política como bode expiatório que serve a uma organização de narcotráfico. Acaba assassinado juntamente com Marlene, pois sabia do caso da moça com Severo
a mulher ÂNGELA (Lucinha Lins), vive o dilema de amar o marido e, por pressão familiar, romper com ele ao descobrir que ele está envolvido com tráfico de drogas
a filha pequena REGINA (Natália Lage), louca pelo pai e paparicada por ele
o médico LAURO BRANCATO (Cecil Thiré), amigo da família, sempre foi apaixonado por Ângela. Vai investir nela após a sua separação
os membros da associação criminosa, ligados a Juca Pirama: TOMÁS (Antônio Calloni), trabalhava com Juca na rádio. Incumbido de vigiar João, torna-se seu amigo e aliado, ajudando-o a desmantelar a organização,
e ZEN (Ivan Cândido), homem misterioso, mais tarde descobre-se ser chefe da organização rival à de Bárbara.

– núcleo de MARINA SINTRA (Betty Faria), inimiga política de Severo Toledo Blanco. Viúva ainda bela, inteligente, de personalidade forte e sensualidade contida. Adquiriu capacidade de liderança colocando-se à frente dos negócios do falecido marido. É uma líder natural das forças progressistas da região de Ouro Verde. Vai viver um intenso romance com Miro Ferraz – na verdade João Matos:
as filhas: CAMILA (Mayara Magri), moça rebelde e problemática. Antiga namorada de Sérgio, não se conforma de ter sido preterida. Ainda é apaixonada por ele e luta por essa paixão
e ALICE (Suzy Rêgo), ao contrário da irmã, é alegre, brincalhona e leva a vida muito pouco a sério. Vive cercada de amigos
o engenheiro PAULO SILVEIRA (Marcos Paulo), chega à cidade para construir uma fábrica para Marina. Charmoso e bon vivant, vai a se relacionar com várias mulheres, entre elas Camila, Ângela, Clotilde e Alice
o forasteiro EDUARDO CORRÊA (Cláudio Cavalcanti), mau-caráter, chega a Tangará para fazer chantagem contra Marina, explorando o que sabe sobre o seu passado. Por ela tem uma paixão antiga e recalcada
a secretária DINÁ (Aldine Müller), moça pudica, beata e reprimida sexualmente. Tudo fachada: ao final, descobre-se que seu nome verdadeiro é AÍDA e que é membro da organização criminosa
o companheiro de partido NILO ASSUNÇÃO (Flávio Migliaccio), preside o sindicato rural
o PADRE ALBERTO (José Augusto Branco), progressista, voltado para a causa dos mais humildes.

– núcleo de JOAQUIM XAVIER, conhecido como QUINZOTE (Mário Lago), um senhor simpático e sonhador que vive de lembranças do passado glorioso na região. Foi um rico produtor de café, mas atualmente não consegue administrar mais seus negócios, vendo-se obrigado a vender boa parte de suas terras:
a empregada NOÊMIA (Norma Geraldy), sua fiel escudeira, ajuda-o em todos os momentos.

– núcleo da delegacia de Tangará:
o delegado PLÍNIO KOHL (Antônio Grassi), amigo de Marina, honesto e fiel cumpridor dos deveres. Encanta-se por Diná, porém ela, cumprindo a fachada de “santinha”, é sempre resistente às suas investidas
o investigador JAIME (Wálter Santos)
o cabo FIDÉLIS (João Carlos Barroso).

– núcleo do clube de Ouro Verde, frequentado por políticos e por membros da alta sociedade local, como Severo, Gilda, Hermínio e Bárbara:
o diretor SIDNEY (Cláudio Curi), amigo de Severo, encoberta seus casos amorosos
o advogado CÁSSIO MARINS (Thales Pan Chacon), inicialmente chamado à cidade por Severo para defender Sassá. O que pensa ser um caso rotineiro, depois se transforma na ponta de um iceberg de injunções políticas, sociais e policiais
o jornalista RÉGIS (Eduardo Galvão), apaixona-se por Camila, mas ela o renega. Acaba casando-se por interesse com Rafaela
o promotor público DÉCIO (Nelson Dantas), pai de Régis
o juiz da comarca GIL (Tácito Rocha).

– núcleo jovem, amigos de Alice, Camila, Sérgio, Silvia e Rafaela:
ZEZÉ (Marcela Muniz), MARCO ANTÔNIO (Luís Maçãs), BRAZITO (Hugo Gross), CRIS (Andréa Richa), DIRCEU (Alexandre Ackermann)
e ROBERTO AMARAL (George Otto), que, ao final, revela-se ser membro da organização criminosa, o verdadeiro MIRO FERRAZ, que todos acreditavam ser João Matos. Essa identidade fora atribuída a João pela organização rival, que acreditava ter liquidado Miro Ferraz, mas ele havia sumido com o falso nome Roberto Amaral e se infiltrado na sociedade de Ouro Verde.

O ponto de partida foi o Caso Especial da TV Globo O Crime do Zé Bigorna, também estrelado por Lima Duarte, escrito pelo próprio Lauro César Muniz, exibido em 1974 e transformado em filme em 1977. Sassá Mutema era, praticamente, uma reedição de Zé Bigorna.

O sobrenome do protagonista, Mutema, foi indicação de Lima Duarte. Ele revelou:
“Eu tinha no meu tempo de adolescente um amigo que se chamava Zé Mutema. (…) O que é Mutema? Muita teima, muita teima, até vencer na vida! (…) Muita teima, muita teima, virou mutema!”

No início, o autor Lauro César Muniz declarou: “Trata-se de uma parábola sobre a liderança. Quero falar de um Brasil forte, num ano decisivo para a nossa história, quando vai surgir um presidente eleito pelo povo. Como é um ano de esperança, quero falar de um país que acredita na luz no fim do túnel.”
O título da novela expressava a preocupação do autor. Era janeiro de 1989 e começava a campanha pelas primeiras eleições diretas para presidente da República em 29 anos, tendo Fernando Collor de Mello e Luís Inácio Lula da Silva como principais candidatos. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Lauro César Muniz afirmou que teve de mudar a história de O Salvador da Pátria, porque “houve uma interferência direta de Brasília na cúpula da Globo”. Segundo ele, a trama foi considerada, “por algumas pessoas do governo”, uma apologia à candidatura do petista Lula à presidência. A declaração foi dada pelo autor em maio de 2002, na Escola de Comunicações e Artes da USP, durante a comemoração do aniversário de dez anos e da reinauguração do Núcleo de Pesquisa de Telenovela (hoje chamado de Centro de Estudos de Telenovela).

“Em 1989, já não havia mais a censura formal, mas houve uma interferência direta de Brasília na cúpula da Globo. Era o primeiro ano de eleições diretas, Lula contra Collor, e acharam que o Sassá Mutema fazia apologia à esquerda. Assim, acabou vindo uma pressão na emissora para que a trama fosse mudada. Tive de abandonar o aspecto político da história e focalizar apenas o policial”, declarou Lauro César Muniz. (Folha de São Paulo, maio de 2002)
Em outra ocasião: “Fiquei abalado, chocado, desci para a sala do Daniel Filho [diretor artístico] e ouvi no corredor um buchicho de que o ministro da Justiça [então Oscar Dias Corrêa) teria ligado para o Dr. Roberto Marinho [dono da Globo] com uma frase bombástica, absurda: ‘O autor dessa novela vai eleger o próximo presidente da República!’”

O autor não escondeu que ficou sob o fogo cruzado dos dois partidos, da direita e da esquerda. Para Flávio Ricco e José Armando Vannucci (no livro “Biografia da Televisão Brasileira”), declarou: “O PT achava que o personagem favorecia o Collor porque fazia certa chacota com o Lula por não ter ensino superior. E era justamente o contrário. Ele representava a ascensão do povo ao poder.”

Na mesma época, ia ao ar no horário das sete a novela Que Rei Sou Eu?, de Cassiano Gabus Mendes, por sua vez acusada de fazer apologia à campanha de Fernando Collor, já que enxergaram o político na figura do herói da trama, Jean-Pierre (vivido por Edson Celulari). Em seu livro “Gabus Mendes, Grandes Mestres do Rádio e Televisão”, o pesquisador Elmo Francfort afirmou que essa nunca foi a intenção de Cassiano: ele pretendia que Jean-Pierre representasse o povo brasileiro, cansado de sofrimento e querendo justiça e igualdade social a todos.

Lauro César Muniz revelou a André Bernardo e Cíntia Lopes, para o livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo”, qual era a proposta inicial para Sassá Mutema na trama da novela:
“Segundo a sinopse original, Sassá Mutema seria cooptado para ser candidato a vice-presidente de um candidato com ligações com o narcotráfico. Um cartel de droga ligado a Medellín (…) O candidato a presidente, então, seria assassinado e Sassá assumiria o governo nas mãos de um grupo de narcotraficantes (…) Só que durante o processo, ele toma consciência de tudo o que está acontecendo, desmantela o cartel e se torna um bom governante. Infelizmente, não pude fazer nada disso.”

Se a novela ajudou na campanha do PT, não se sabe ao certo, mas a música tema de abertura era “Amarra o Teu Arado a uma ESTRELA” (estrela = símbolo do partido), de Gilberto Gil, futuro ministro do governo Lula (de 2003 a 2008). Na época em que gravou a música, Gil era vereador de Salvador pelo PMDB.

Em um primeiro estágio, a boa ideia inicial foi correspondida, com uma trama consistente, bem amarrada e inteligente. Foi nesse momento que brilharam (além de Lima Duarte) Luiz Gustavo e Tássia Camargo. Seus personagens morreram no capítulo 17 e a novela mudou de polo, com os conflitos dramáticos diluídos em um excesso de personagens.
As situações acabaram se esvaziando a cada bloco de capítulos. Isso até surgir a fase mais infeliz: a volta de Juca Pirama por meio de uma rádio-pirata. Porém, só a voz do personagem “retornou”, já que Luiz Gustavo não mais apareceu na novela. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

O radialista Juca Pirama (Luiz Gustavo) era uma das figuras principais da novela, ainda que morresse no capítulo 17. No desenrolar da história, o autor promoveu uma “volta” do personagem como parte da trama engendrada pela organização criminosa da história. Porém, Luiz Gustavo não quis voltar à cena. Foram então utilizados áudios gravados por um imitador, que reproduzia quase que perfeitamente a voz e o timbre do ator. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

O nome do personagem de Luiz Gustavo foi sugerido pelo próprio ator. Inicialmente, seria Juca Santana. Ao ler o script da trama, Luiz Gustavo perguntou a Lauro César Muniz se seu personagem poderia se chamar Juca Pirama. O ator lembrou-se da poesia de Gonçalves Dias I-Juca Pirama, de onde tirou o bordão que marcou seu personagem: “Meninos, eu vi!” (*)

A Globo foi processada pelo radialista paulistano Afanásio Jazadji, que se viu retratado à revelia na figura de Juca Pirama. Alcides Nogueira, colaborador de Lauro César Muniz, narrou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“Houve um radialista muito popular em São Paulo que achou que o Juca Pirama, personagem do Luiz Gustavo, estava copiando o estilo dele. E moveu um processo. (…) Foi feita uma perícia e, é claro, o juiz nos deu ganho de causa. Era algo completamente absurdo. O cara queria faturar em cima da popularidade da Rede Globo e do fato de Juca Pirama ser um personagem com grande empatia popular.”

Alcides Nogueira contou que, entre os vários percalços do trabalho, Lauro César Muniz precisou internar-se para tratar de pedras na vesícula e se viu obrigado a assumir a novela sozinho durante um curto período. Pediu ajuda a Carlos Lombardi e, depois, teve a colaboração de Ana Maria Moretzsohn. (*)

Trabalho impecável de Lima Duarte, como Sassá Mutema, um de seus personagens mais populares, dos mais icônicos da história de nossa Teledramaturgia. Por sua atuação, Lima foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1989 (juntamente com José Mayer, pela novela Tieta).

A imagem de Sassá Mutema ficou marcada por um chapéu de feltro. Tudo porque o diretor Paulo Ubiratan encomendou à figurinista Helena Gastal um chapéu que parecesse um ovo.
“A roupa dele era toda em algodão rústico, meio sem forma. Achei um chapéu que ficava enfiado na cabeça e parecia a casca de um ovo. Foi realmente um achado. Acho que era isso que o Paulo queria. O mais difícil é entrar na cabeça de um diretor e ver o que ele está imaginando. Muitas vezes, ele não sabe expressar, e saem coisas como ‘o ovo’”. (*)

No exterior, a novela foi intitulada simplesmente de Sassá Mutema.

No último mês de O Salvador da Pátria, foi veiculada na novela uma campanha social sobre a Aids, com informações a respeito do tratamento dispensado às pessoas infectadas e sobre os preconceitos gerados pela doença.

Primeira novela dos atores Eduardo Galvão e Tácito Rocha, e das atrizes Suzy Rêgo, Andréa Richa e Natália Lage (com dez anos na época).

Descontente com os rumos de seu personagem, o ator Cláudio Cavalcanti pediu para sair da novela. Ele vivia o mau-caráter Eduardo Correa, que chantageava Marina Sintra (Betty Faria), mas que, no decorrer da trama, foi ficando sem função na história. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

Tangará, cidadezinha onde se passa parte da trama, já foi um nome usado por Lauro César Muniz para ambientar outra novela sua: O Casarão, em 1976.

A trilha sonora internacional de O Salvador da Pátria (com a foto de Maitê Proença na capa) foi o primeiro disco de novela lançado em CD e foi recordista de vendagem até então. De acordo com o livro “Teletema, a História da Música Popular através da Teledramaturgia Brasileira” (de Guilherme Bryan e Vincent Villari), foram vendidas 1.463.543 cópias. O recorde anterior era da trilha internacional da novela antecessora no horário, Vale Tudo. O recorde foi superado em 1996, pela trilha volume 1 de O Rei do Gado.

Em uma ação de merchandising, um trator do fabricante Massey Ferguson aparecia rapidamente na abertura da novela.

Reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, entre 27/04 e 28/08/1998, O Salvador da Pátria foi extremamente picotada à tarde: a edição reduziu os 186 capítulos originais em 87.

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora Nacional

01. AMARRA O TEU ARADO A UMA ESTRELA – Gilberto Gil (tema de abertura)
02. DEUS TE PROTEJA DE MIM – Wando (tema de Marlene e tema de Marina)
03. O TEMPO NÃO PARA – Simone (tema de Severo)
04. DIRETO NO OLHAR – Rosana (tema de Camila)
05. ALÉM DA RAZÃO – Beth Carvalho (tema de Lauro)
06. CIRANDA DO SASSÁ – Cláudio Nucci (tema de Sassá Mutema)
07. FEBRE TROPICAL – Lucinha Lins (tema de Ângela)
08. DOCE PRAZER – Wálter Montezuma (tema de Paulo)
09. JADE – João Bosco (tema de Clotilde)
10. PRA DIZER ADEUS – Wander Taffo (tema de Sérgio)
11. LUA E FLOR – Oswaldo Montenegro (tema de Sassá Mutema e Clotilde)
12. DE CORPO INTEIRO – Jane Duboc (tema de Gilda)
13. HORIZONTES – A Cor do Som (tema de João)
14. DELICIOUS – Yahoo (tema de Alice)
15. BEM QUE SE QUIS (E PO’ CHE FA’) – Marisa Monte (tema de Bárbara)
16. TÁ NA TERRA – João Caetano (tema dos boias-frias)

Trilha Sonora Internacional

01. HOLD ME INYOUR ARMS – Rick Astley (tema de Severo e Bárbara)
02. TWO HEARTS – Phil Collins (tema de Alice)
03. ONE MOMENT IN TIME – Whitney Houston (tema de Gilda)
04. I’LL BE THERE FOR YOU – Bon Jovi (tema de Ângela)
05. GIRL, YOU KNOW IT’S TRUE – Milli Vanilli (tema de locação: São Paulo e rádio de João)
06. INSIDE A DREAM – Jane Wiedlin (tema de locação: Tangará)
07. CLOSER WISH – Sarah & Leon Bishop (tema de Ricardo e Clotilde)
08. DOMINO DANCING – Pet Shop Boys (tema geral)
09. BABY I LOVE YOUR WAY – Will to Power (tema de Camila)
10. LOST IN YOUR EYES – Debbie Gibson (tema de Marina e João)
11. DEAR GOD – Midge Ure (tema de Marco Antônio e Zezé)
12. NICE AND SLOW – George McCrae (tema de Regina)
13. JUST LIKE THE PHOENIX – Cathy Fischer (tema de Diná e Plínio)
14. I BELIEVE IN YOU – Stryper (tema de Sassá Mutema e Clotilde)

Sonoplastia: Aroldo Barros
Supervisão de repertório: Francisco Santos Jr. e Arnaldo Schneider
Produção musical: Sérgio de Carvalho
Supervisão na trilha internacional: Sérgio Motta
Supervisão musical: Márcio Antonucci

Tema de Abertura: AMARRA O TEU ARADO A UM ESTRELA – Gilberto Gil

Se os frutos produzidos pela terra
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Em outros planetas risonhos
Outras espécies de dor

Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a um estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus…

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