Sinopse

Por meio de suas memórias, Bibiana volta no tempo para conhecer a trajetória de seus antepassados, começando com as aventuras de sua avó e referência, Ana Terra, e seguindo ao longo de três gerações da família Terra Cambará, a partir do ao de 1680: o Capitão Rodrigo Cambará, seu marido, Bolívar, seu filho, Luzia, a “teiniaguá”, sua nora.

A trama começa com Bibiana já bem idosa, relembrando a história de sua família, ao olhar para a emblemática árvore que fica em frente à sua casa. Suas lembranças voltam no tempo até a então jovem Ana Terra e sua história de solidão e perseverança ao criar sozinha seu filho em um universo dominado por homens.

Ao avançar no tempo, a história chega até a Bibiana jovem e apaixonada pelo capitão Rodrigo. Segue acompanhando a vida de Bibiana e de sua família, que acaba envolvida em disputas de terra e poder. Ao mesmo tempo, intercalando as recordações de Bibiana, o sobrado da família Cambará, sob a chefia de Licurgo, resiste ao cerco dos Maragatos, chefiados pelo velho coronel Bento Amaral.

Globo – 22h30
de 22 de abril a 31 de maio de 1985
26 capítulos

minissérie de Doc Comparato
colaboração de Regina Braga
baseada na obra de Érico Veríssimo
direção de Paulo José, Wálter Campos e Denise Saraceni
direção geral de Paulo José

Ana Terra
GLÓRIA PIRES – Ana Terra
LIMA DUARTE – Rafael Pinto Bandeira
ALDO CÉSAR – Maneco Terra
MARLISE SAUERESSIG – Henriqueta
CAMILO BEVILACQUA – Antônio
MARCOS BREDA – Horácio
KAZÉ AGUIAR – Pedro Missioneiro
SIMONE CASTEL – Eulália
CAMILO SAUERESSIG – Pedrinho Terra
LUCIO YANEL – Capitán
PEDRO DE CAMARGO
JÚLIO LEONARDI
Um Certo Capitão Rodrigo
TARCÍSIO MEIRA – Capitão Rodrigo Cambará
LOUISE CARDOSO – Bibiana
IVAN DE ALBUQUERQUE – Pedro Terra
ELOÍSA MAFALDA – Arminda
MÁRIO LAGO – Padre Lara
GILBERTO MARTINHO – Ricardo Amaral
BRENO BONIN – Bento Amaral
JOSÉ DE ABREU – Juvenal
JOSÉ MAYER – Aderbal Mena
GILDA SARMENTO – Natália
EDITH SIQUEIRA – Maruca
CLÁUDIO MAMBERTI – Nicolau
NARA DE ABREU – Paula
ELEONORA PRADO – Honorina
MARIA DE LOURDES AGNOSTOPOULOS – Bruxa Paraguaia
ANTÔNIO AUGUSTO FAGUNDES – General Bento Gonçalves
IBAÑEZ FILHO – Chico Pinto
NICÁCIO FAGUNDES – Fandanguinho
SILAS ANDRADE
MAURO RUSSO
FELÍCIA BRITES
EDWIGES GAMA
FLÁVIO LEÃO
ROSÂNGELA HALLEN
HELGA KUNTZ – Alemoa
A Teiniaguá
LÍLIAN LEMMERTZ – Bibiana
DANIEL DANTAS – Bolívar Cambará
CARLA CAMURATTI – Luzia
JOSÉ LEWGOY – Bento Amaral
ODILON WAGNER – Carl Winter
DIOGO VILELA – Florêncio
EDNEY GIOVENAZZI – Major Erasmo Graça
CARLOS KROEBER – Dr. Nepomuceno
JACKSON DE SOUZA – Agnaldo Silva
ANTÔNIO POMPEO – Severino
ÍRIS NASCIMENTO – Laurinda
JACYRA SILVA – Gregória
SUELY FRANCO – cantora lírica
ALDO DE MAIO – Macedo
LUDOVAL CAMPOS – Capitão Paiva
DAVID PINHEIRO – Dentinho de Ouro
ODENIR FRAGA – Fazendeiro
CLÁUDIO ALVES – Licurgo
RENATO CONSORTE – Padre Romano
MARIA ALVES
VERA HELENA RAIBLE
O Sobrado
LÉLIA ABRAMO – Bibiana
ARMANDO BÓGUS – Licurgo Cambará
BETE MENDES – Maria Valéria
BÁRBARA BRUNO – Alice
MAURÍCIO DO VALLE – Martins
TONICO PEREIRA – Liroca
OSWALDO LOUZADA – Florêncio
LUTERO LUIZ – Fandango
PAULO JOSÉ – Alvarino
CHICA XAVIER – Laurinda
VINÍCIUS SALVATORI – Jango Veiga
AUGUSTO OLÍMPIO – Antero
IVAN DE ALMEIDA – Inocêncio
CHAGUINHA – Tinoco
ELTON SALDANHA – Major Lucena
ADALBERTO SILVA – Firmino
JAYME DEL CUETO – Otacílio
DANIEL BARCELLOS – Sacristão
WILLIAM GUIMARÃES – Marcolino
MARCELO PENICHE
BRUNO CÉSAR

Transposição para o vídeo da primeira parte da trilogia de Érico Veríssimo que se encontra nos dois volumes de “O Continente”, compreendendo cerca de 150 anos de história da formação do Rio Grande do Sul: “Ana Terra”, centrada numa personagem feminina, criando um contraponto à luta pela conquista da fronteira e destacando situações afetivas, como maternidade, fidelidade, etc; “Um Certo Capitão Rodrigo”, sobre a formação do gaúcho no século 19; “A Teiniaguá”, com destaque para os conflitos psicológicos da narrativa; e “O Sobrado”, focalizando as lutas políticas da região.

A estreia da minissérie, em abril de 1985, dava início às comemorações de 20 anos da TV Globo.

Sonho da Rede Globo em apresentar em grande estilo a obra imortal de Érico Veríssimo. Entretanto alguns excessos na produção, e alguns deslizes na direção, comprometeram o bom andamento do projeto. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

Elogiada pela crítica especializada, a minissérie O Tempo e o Vento foi um produto de prestígio para a TV Globo, mas não foi um sucesso popular. Para Ricardo Linhares, que chegou a colaborar no texto, uma explicação foi o momento em que ela foi ao ar.
“A minissérie estreou no momento errado. O primeiro capítulo foi ao ar no dia seguinte à morte de Tancredo Neves. Ninguém queria ver ficção naquele momento. Nós estávamos estarrecidos, preocupados com o que acontecia no pais. Tudo girava em torno de Tancredo. Por isso foi uma minissérie que não pegou.” (livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Projeto Memória Globo)

A obra de Érico Veríssimo já havia sido adaptada para a TV como novela, produzida pela TV Excelsior entre 1967 e 1968, com Geórgia Gomide (Ana Terra), Carlos Zara (Capitão Rodrigo) e Maria Estela (Bibiana).

Daniel Filho mencionou em seu livro “O Circo Eletrônico”:
O Tempo e o Vento já tinha sido feito como novela e também no cinema, em várias etapas, mas não da forma compacta, cronológica, juntando os romances de Érico Veríssimo. A minissérie nos deu uma melhor compreensão da saga daquela família.”

A exemplo do tratamento adotado por Érico Veríssimo no livro, os personagens foram criados a partir de uma visão continental, isto é, de uma mistura de falas e culturas. Os integrantes do elenco eram de diversos estados do Brasil. Por meio dessa “universalização dos atores”, caracterizava-se a estrutura de formação do Rio Grande do Sul.

No domingo antes da estréia de O Tempo e o Vento (21/04/1985), a emissora apresentou um especial sobre a produção da minissérie, dirigido por Jorge Bodanzky, mostrando detalhes das gravações, aspectos da construção dos cenários e da criação dos figurinos, e o ambiente de trabalho da equipe.

Para a realização da minissérie foi necessária a construção de uma cidade cenográfica de 40 mil metros quadrados em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. A cidade foi projetada por Mário Monteiro, exatamente como Érico Veríssimo a descreve no livro, com as mesmas ruas largas, as mesmas quadras, o sol marcando a passagem do tempo sobre as casas, etc.
O principal ponto de referência da cidade era uma figueira centenária, parte fundamental da cenografia, elaborada para caracterizar a ação do tempo e do vento ao longo dos 150 anos de história. Para ganhar a dimensão desejada no vídeo, a árvore natural foi reforçada pela equipe de cenografia para ficar maior, mais vistosa.

A direção de arte e figurinos contou com a assessoria de Antônio Augusto Fagundes, então um dos mais conhecidos tradicionalistas do Rio Grande do Sul.

O elenco contou com mais de cem personagens e aproximadamente seis mil figurantes. E 60% de suas cenas foram externas.

Grande destaque para as atuações de Tarcísio Meira (Capitão Rodrigo), Glória Pires (Ana Terra), Armando Bógus (Licurgo), José Lewgoy (Bento Amaral), e as intérpretes da personagem Bibiana em três fases de sua vida: Louise Cardoso (jovem), Lílian Lemmertz (madura) e Lélia Abramo (velha).

Daniel Filho estava à procura um diretor para a minissérie quando o riograndense Paulo José, vestido de gaúcho dos pés à cabeça, ofereceu-se para o cargo, no que Daniel aceitou na hora.

A trilha sonora, com músicas de Tom Jobim, foi feita especialmente para a minissérie, com destaque para o belo tema de abertura – “O Tempo e o Vento (Passarim)” -, um dos mais representativos da história da TV brasileira. A música teve a participação de Danilo Caymmi (flauta), Paulinho Jobim (violão e guitarra) e do próprio Tom, no piano e vocal. As vozes do coro suave que entoa a canção são de Beth (filha) e Ana Jobim (esposa de Tom), de Paulinha e Miúcha (Grupo Céu da Boca) e Simone Caymmi (mulher de Danilo).
Os arranjos da trilha ficaram a cargo de Dori Caymmi e Jacques Morelembaum.

A trilha sonora foi relançada em 2005, em CD, por ocasião do lançamento da minissérie em DVD, quando o escritor Érico Veríssimo completaria 100 anos de nascimento.

Reapresentada três vezes na Globo: em março de 1986; em junho de 1991 (quando se transmitiu uma versão compactada em 10 capítulos, somente com as histórias de Ana Terra e do Capitão Rodrigo), na sessão Vale a Pena Ver de Novo; e de 03 a 27/01/1995, em 16 capítulos, nas comemorações dos 30 anos da emissora.
Reprisada também no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 02/01 e 06/02/2012, às 23h15.

A minissérie recebeu o prêmio Coral Negro de Melhor Vídeo no Festival de Cinema e Vídeo de Havana, em 1986.

Em 2013, chegou aos cinemas a versão cinematográfica da obra: o filme de Jayme Monjardim, com Cléo Pires (como Ana Terra), Thiago Lacerda (como o Capitão Rodrigo), e Marjorie Estiano, Janaína Kremer e Fernanda Montenegro (como Bibiana), entre outros. O filme foi exibido na Globo como microssérie (3 capítulos), em janeiro de 2014.

Trilha Sonora
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01. INTRODUÇÃO – Tom Jobim
02. O TEMPO E O VENTO (PASSARIM) – Tom Jobim (participação especial de Danilo Caymmi e Coro)
03. CHANSON POUR MICHELLE – Tom Jobim
04. RODRIGO MEU CAPITÃO – Zé Renato
05. UM CERTO CAPITÃO RODRIGO – Kleyton & Kledir
06. MINUANO – Renato Borghetti
07. O TEMPO E O VENTO (PASSARIM) – Instrumental – Tom Jobim (tema de abertura)
08. BANGZALIA – Instrumental
09. SENHORA DONA BIBIANA – Zé Renato
10. QUERÊNCIA / BOI BARROSO – Conjunto Farroupilha
11. O TEMPO E O VENTO (PASSARIM) – Tom Jobim

Músicas: Tom Jobim
Produção musical: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: O TEMPO E O VENTO (PASSARIM) – Tom Jobim
(partic. especial Danilo Caymmi e Coro) *
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho me conta então, me diz
Porque que’eu também não fui feliz
Me diz o que eu faço da paixão
Que me devora o coração
Que me devora o coração
Que me maltrata o coração
Que me maltrata o coração
E o mato que é bom, fogo queimou
Cadê o fogo, a água apagou
E cadê a água, o boi bebeu
Cadê o amor, o gato comeu
E a cinza se espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho é que’eu também não fui feliz
Cadê meu amor, minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
E cadê meu caminho, a água levou
E cadê meu rastro, a chuva apagou
E a minha casa, o raio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho é que’eu também não fui feliz
Cadê meu amor, minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
E a luz da manhã o dia queimou
Cadê o dia, envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua então brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
Passarim quis pousar, não deu
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou…

* O tema de abertura era uma versão instrumental da música

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