Sinopse

A bordo de seu Simca Chambord ou com sua motocicleta Harley Davidson, o vigilante rodoviário Inspetor Carlos enfrentava todos os tipos de criminosos.

Em seu trabalho, o vigilante era acompanhado pelo pastor alemão Lobo, um cachorro muito argucioso no combate ao crime.

A grande missão da dupla era manter a lei nas rodovias de São Paulo.

Tupi – 20h
de 20 de dezembro de 1961 a 1962

38 episódios
roteiros e direção de Ary Fernandes
produção de Alfredo Palácios

CARLOS MIRANDA – Inspetor Carlos
KING – Lobo

a história do lobo
os cinco valentes
o recruta
bola de meia
o ventríloquo
extorsão
jogo decisivo
pânico no ring
zuní, o potrinho
a orquídea glacial
remédios falsificados
os romeiros
a repórter
diamante gran mongol
o fugitivo
aventura em ouro preto
chantagem
o homem do realejo
a eleição
a pedreira
o pagador
o sósia (o aventureiro)
a aventura do tuca
o invento
terras de ninguém
o rapto do juca
aventura em vila velha
pombo-correio
ladrões de automóveis
o suspeito
o garimpo
a fórmula de gás
café marcado
o assalto
o mágico
mapa histórico
o mordomo
mistério do embú (tesouro do embú)

Em dezembro de 1961 foi ao ar pela TV Tupi O Vigilante Rodoviário, idealizado e dirigido por Ary Fernandes, produzido por Alfredo Palácios e patrocinado pela Nestlé do Brasil. Criado para concorrer com os enlatados americanos, foi o primeiro seriado brasileiro filmado em película de cinema.

Embora muitas fontes afirmem que tenha estreado em março de 1961, na realidade essa data foi adiada. O programa foi apresentado ao público em 20/12/1961 e passou a ser exibida regularmente às quartas-feiras, às 20h05, a partir de 03/01/1962.

O Vigilante Rodoviário teve apenas 38 episódios, mas o sucesso foi tão grande durante sua exibição que até hoje existem fãs do herói espalhados pelo Brasil.

A fonte de inspiração foi a Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo, criada em 1948 pelo então Governador Adhemar de Barros para dar emprego aos pracinhas que lutaram na Segunda Guerra.

Inicialmente seu título era O Patrulheiro Rodoviário mas, após o contrato de patrocínio pela Nestlé, a Toddy comprou um seriado de western norte-americano e o batizou de Patrulheiros do Oeste, o que resultou na mudança do título para O Vigilante Rodoviário.

Era exibido – na TV Tupi, às 20 horas, após o telejornal Repórter Esso – na quarta-feira em São Paulo e na quinta-feira no Rio de Janeiro. Devido às dificuldades tecnológicas da época, era necessário levar a cópia do filme para cada emissora para que fosse transmitido. Durante as décadas de 1960 e 1970, foi reprisado pelas TVs Excelsior, Cultura, Globo e Record.

A dupla protagonista – o Inspetor Carlos e seu cão Lobo – era bastante simpática aos brasileiros que, além de inspirar confiança, proteção e segurança, fazia veicular mensagens educativas.

Mais de 200 atores se candidataram ao papel do herói no piloto do seriado, mas nenhum agradou ao produtor e diretor Ary Fernandes, que em um momento resolveu testar um de seus assistentes de produção, Carlos Miranda.

Como preparação para viver seu personagem, Carlos Miranda passou seis meses na Escola de Policiamento Rodoviário em Jundiaí aprendendo sobre atitudes e rotinas da profissão e defesa pessoal. (*)

O ator fez tanto sucesso, foi tão convincente e ficou tão marcado pelo papel, que quando abandonou a carreira artística, em 1965, tornou-se um vigilante rodoviário na vida real: foi convidado a entrar na Polícia Rodoviária de São Paulo, onde ingressou após prestar concurso e cursar a Academia Militar, até se aposentar como tenente-coronel em 1990. Anos mais tarde, tiraria do armário a velha indumentária que era utilizada pelo Vigilante Rodoviário para realizar palestras educativas sobre trânsito.
Em 1992, Carlos Miranda foi citado no Livro dos Recordes (Guinness Book) como o único ator a se tornar na realidade o personagem que havia interpretado na ficção.

O cão escolhido para viver as aventuras ao lado do Inspetor Carlos chamava-se King, pertencente a um soldado da antiga Força Pública. Mas na série, King teve seu nome trocado para Lobo pois não podia ser um nome estrangeiro. King (ou Lobo) morreu em 1971, com 15 anos.

Apesar de a Polícia Rodoviária não utilizar animais em suas patrulhas, o Inspetor Carlos não pegava a estrada sem seu fiel amigo Lobo. Um episódio extraordinário foi escrito para justificar a permanência do cachorro.

Nas primeiras filmagens, usava-se uma Harley Davidson ano 1952, até acontecer uma pequena queimadura na cauda de Lobo ao subir na moto. A partir de então, Lobo recusou-se a subir na moto novamente, fazendo com que os episódios seguintes fossem filmados usando-se um Simca Chambord ano 1959, onde Lobo tinha seu próprio lugar, no banco dianteiro, ao lado do Inspetor Carlos.

O lançamento de O Vigilante Rodoviário, no início de 1962, foi planejado em detalhes, inclusive com uma campanha publicitária e entrevistas com os realizadores e atores nos diversos programas da TV Tupi.
“Lembro perfeitamente quando entramos nos estúdios do Sumaré e fomos chamados ao vivo pelo Homero Silva, o maior apresentador da época. Ele fez perguntas sobre nossa ousadia e o que esperávamos do público”, disse Carlos Miranda para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.

Foram muitas as situações engraçadas que não chegavam ao telespectador.
“Uma vez, perdi o controle da moto e fui parar dentro o lago do Parque do Ibirapuera”, afirmou o protagonista.
Era muito comum a farda rasgar no meio de sequências de luta, assim como o cão sair da marcação da cena.
“Numa tarde, ele não quis fazer nada. Não adiantava estimular, porque estava meio estafado. Foi para casa e descobrimos que na rua onde seu proprietário morava havia uma cadela no cio”, completou Carlos Miranda. (*)

Participaram também das filmagens, em vários episódios: Eva Wilma, Rosamaria Murtinho, Ary Fontoura, Milton Gonçalves, Stênio Garcia, e outros.

A maioria das locações era na Via Anhanguera, na Grande São Paulo, local de baixo movimento na época, o que facilitava as gravações. (*)

Muitas foram as dificuldades enfrentadas na produção do seriado. A equipe não tinha dinheiro para comprar os negativos de uma só vez, pois recebia após a exibição de cada episódio e, assim, ia comprando na Kodak aos poucos. Não havia videoteipe, as filmagens eram feitas em filmes de celulose de 35mm, copiadas, montadas, dubladas e reproduzidas em 16mm para serem transmitidas pela televisão. Para piorar as coisas, três dias após a assinatura do contrato com a Nestlé, que patrocinava o programa, Jânio Quadros assumiu a Presidência da República e taxou todos os produtos importados em 400%. Com isso, a verba da Nestlé já não era suficiente, uma vez que a maioria dos materiais era importada, inclusive o filme – já existia inflação e o valor do contrato era fixo. Mesmo assim o projeto seguiu.

O programa terminou por falta de dinheiro, quando mudou a diretoria da Nestlé, que não quis arcar com os custos para dar continuidade ao seriado – que custava dez vezes mais que as produções estrangeiras. Em 1969, Carlos e Lobo voltaram a fazer sucesso novamente nas reprises da TV Globo.

O Vigilante Rodoviário chegou às salas de exibição de cinema através de dois filmes com quatro episódios cada: O Vigilante Rodoviário Contra o Crime e O Vigilante em Missão Secreta.

Em 1978, Ary Fernandes tentou dar continuidade à atração criando um novo piloto, produzido pela empresa detentora dos direitos da marca “Vigilante Rodoviário®”, a PROCITEL – Produções Cine Televisão Ltda, de sua propriedade. No elenco, vivendo o personagem Carlos, o então galã Antônio Fonzar. O cão Lobo era representado por três pastores alemães pertencentes ao canil da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Contudo, devido aos problemas enfrentados pela Embrafilme, essa segunda série não pôde ser concluída, ficando restrita ao longa-metragem piloto da série.

O Canal Brasil (de TV a cabo) passou a reprisar os episódios de O Vigilante Rodoviário a partir de março de 2009.

(*) Flávio Ricco e José Armando Vannucci em “Biografia da Televisão Brasileira”.

Tema de Abertura: HINO DO VIGILANTE – Ary Fernandes

Vigilante! … Rodoviário! …

De noite ou de dia
Firme no volante
Vai pela rodovia
Bravo Vigilante

Guardando toda a estrada
Forte e confiante
É o nosso camarada
Bravo Vigilante

O seu olhar amigo
É um farol que avisa o perigo
Audaz e temerário
Pra agir a cada instante
Da estrada é o Vigilante

Vigilante! … Rodoviário! …

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