Sinopse

Na Porto Alegre da década de 1930, o Dr. Eugênio Fontes, um médico recém-formado, é um homem dividido em quase todos os níveis do comportamento humano. Seu complexo de inferioridade em relação à sua origem pobre não lhe permite amar os pais, Ângelo e Alzira. Assim como se nega a aceitar o amor puro e honesto de Olívia, também médica e portadora de um caráter admirável.

Eugênio casa-se com a milionária Eunice, filha do industrial Vicente Cintra, e obtém estabilidade financeira. E Olívia embarca para a cidade de Nova Itália para cuidar dos pobres e poder ter seu filho longe das neuroses do pai.

Após o casamento, Eugênio consegue um bom emprego e faz novas amizades com pessoas influentes, como Felipe Lobo, renomado arquiteto amigo de seu sogro. Porém, com o passar do tempo, ele começa a se sentir mal com o novo estilo de vida. Logo fica sabendo da volta de Olívia, que abrira um consultório na cidade. O rapaz decide largar tudo para viver sua antiga paixão, sem saber que a menina Ana Maria, de três anos, é sua filha.

Globo – 18h
de 21 de janeiro a 24 de maio de 1980
108 capítulos

novela de Geraldo Vietri
escrita por Geraldo Vietri e Wilson Rocha
baseada no romance homônimo de Érico Veríssimo
direção de Herval Rossano

Novela anterior no horário
reprise de Escrava Isaura

Novela inédita anterior no horário
Cabocla

Novela posterior
Marina

NÍVEA MARIA – Olívia Miranda
CLÁUDIO MARZO – Eugênio Fontes
THAÍS DE ANDRADE – Eunice Cintra
JARDEL FILHO – Felipe Lobo
NEUZA AMARAL – Isabel
SÉRGIO BRITTO – Vicente Cintra
JONAS BLOCH – Simão
SÔNIA REGINA – Dora
JOÃO PAULO ADOUR – Ernesto
PATRÍCIA BUENO – Madalena
FERREIRA LEITE – Ângelo
LOURDES MAYER – Alzira
ÊNIO SANTOS – Dr. Seixas
JOYCE DE OLIVEIRA – Quinota
CHICO MARTINS – Seu Flores (Florismal)
ELIZABETH HARTMANN – Frida Falk
MARCOS PLONKA – Hans Falk
SIMONE CARVALHO – Antonieta
MÁRIO CARDOSO – Carlo Bellini
KLEBER DRABLE – Dr. Bellini
LUIZ ARMANDO QUEIRÓZ
MANECO BUENO – Acélio Castanho
NAIR BELLO – Rafaela
FÁBIO MÁSSIMO – Bruno
JAIME BARCELOS – Padre Giácomo
RUTH DE SOUZA – Mariana
SÉRGIO DE OLIVEIRA – Dr. Ezequiel Teixeira Torres
FERNANDO DE ALMEIDA – Dr. Mário
e
CARLOS DUVAL
EDUARDO PARANHOS – médico do Hospital Sagrado Coração
IRENE ALVES – paciente do Dr. Seixas
JOÃO BATISTA VIEIRA – Ernesto (criança)
LUÍS FELIPE DE LIMA – Eugênio (criança)
ORION XIMENES – garçon
PAULÃO – motorista de caminhão
PEDRO ROCHA – paciente do Dr. Seixas
PIETRO MÁRIO – diretor da faculdade de Medicina

– núcleo de EUGÊNIO FONTES (Cláudio Marzo), médico recém-formado em busca de ascensão social. Da infância pobre, ficou um complexo de inferioridade que o atrapalha no trabalho e também no amor. Por isso, prioriza a segurança econômica. Profundamente dividido, sente-se incapaz de amar seus pais:
o pai ÂNGELO (Ferreira Leite), velho alfaiate pobre. Trabalha duro para concretizar o sonho de ter um “doutor” na família. Não consegue entender como o seu sacrifício e dedicação não causam o menor sentimento de gratidão por parte do filho
a mãe ALZIRA (Lourdes Maia), dona de casa, lava roupa para fora para ajudar no orçamento doméstico e não mede sacrifícios para que o filho se torne um médico. É uma mulher simples, sofrida e humilde
o irmão caçula ERNESTO (João Carlos Adour), revoltado, não entende a diferença de tratamento que os pais dão ao seu irmão em relação a ele. Aos poucos se torna um marginal
a amiga de Ernesto, MADALENA (Patrícia Bueno), moça fina, inteligente e esclarecida, apaixona-se por ele quando o conhece. Tenta salvá-lo da autodestruição a que se propôs.

– núcleo de OLÍVIA MIRANDA (Nívea Maria), médica recém-formada, da mesma turma de Eugênio. De origem humilde, moça solidária, altruísta, capaz de tudo, sem nada exigir em troca. Eles se apaixonam, mas Eugênio é incapaz de assumir o romance por ela ser pobre e acaba se casando por interesse com uma moça rica. Olívia renuncia à sua paixão com dignidade e muda de cidade para criar o bebê que carrega, filho de Eugênio, sem que ele saiba. Anos depois os dois voltam a se encontrar:
a mulher com quem mora, FRIDA FALK (Elizabeth Hartman), viúva alemã radicada no Brasil. Compreensiva e humana, a considera como uma filha – que não teve – e torce pela sua felicidade
o alemão HANS (Marcos Plonka).

– núcleo de EUNICE CINTRA (Thaís de Andrade), mulher rica, voluntariosa e inteligente, capaz de deixar de lado os seus valores pessoais mais fortes por uma fascinante experiência. Apaixona-se por Eugênio e os dois se casam, mas a relação se desgasta com o tempo:
o pai VICENTE CINTRA (Sérgio Britto), rico industrial, implacável na direção de seus negócios. Totalmente dominado pela filha, é um fraco diante dela, incapaz de impedir seus devaneios
o amigo ACÉLIO CASTANHO (Maneco Bueno), médico formado na mesma turma de Eugênio, apaixonado por ela. Intelectual e poeta, é um amante das artes e se julga superior
a governanta MARIANA (Ruth de Souza), torna-se amiga e confidente de Eugênio quando ele vai morar na mansão dos Cintra.

– núcleo de FELIPE LOBO (Jardel Filho), arquiteto competente e ambicioso que tem ideias mirabolantes. Seu sonho é a construção do “Megatério”, o prédio mais alto da América do Sul:
a mulher ISABEL (Neusa Amaral), romântica e solidária, tem ciúmes da dedicação do marido ao seu trabalho
a filha DORA (Sônia Regina), de personalidade forte e contestadora. Considerada muito moderna para a época, tem um aguçado sentido de crítica sobre tudo e todos que a cercam
o namorado de Dora, SIMÃO (Jonas Bloch), repórter revoltado, sarcástico e impiedoso com o que acha errado e injusto. Enfrenta Felipe, que é contra o namoro dos dois por ele ser de origem judaica.

– núcleo dos vizinhos da família de Eugênio, todos amigos:
DOUTOR SEIXAS (Ênio Santos), médico do bairro que cuida das pessoas sem exigir pagamento. Conselheiro de Eugênio. Engana-se ao acreditar que o rapaz seguirá seus passos em ajudar a comunidade altruisticamente
a mulher do Dr. Seixas, QUINOTA (Joyce de Oliveira), mulher amável, mas controla a vida do marido. Amiga e confidente de Alzira
FLORISMAL, o SEU FLORES (Chico Martins), apelido que ganhou por presentear os outros com flores. Alegre filósofo aposentado, meio enxerido e fofoqueiro.

– núcleo do Hospital Sagrado Coração, onde Eugênio vai trabalhar:
o proprietário, DOUTOR EZEQUIEL TEIXEIRA TORRES (Sérgio de Oliveira), também diretor da faculdade, foi professor de Eugênio, Olívia e Acélio
DOUTOR MÁRIO (Fernando Almeida), médico e companheiro de Eugênio no hospital.

– núcleo de Nova Itália, cidadezinha para onde Olívia parte, a fim de criar o bebê que espera:
DONA RAFAELA (Nair Bello), napolitana, dona da casa onde Olívia vai morar
o filho de Dona Rafaela, BRUNO (Fábio Mássimo)
DOUTOR BELLINI (Kleber Drable), médico viúvo que realiza o sonho de construir uma maternidade na cidade
o filho do Dr. Bellini, CARLO (Mário Cardoso), rapaz genioso, rude e cabeça dura, torna-se amigo de Olívia quando ela vai trabalhar com o pai
a namorada de Carlo, ANTONIETA (Simone Carvalho).

Uma das melhores produções para novela de época até então. Retratava os anos 1930 no sul do Brasil com muita classe nos figurinos e ambientações. A pesquisa de época envolveu um levantamento minucioso dos costumes e fatos importantes ocorridos em Porto Alegre na década de 1930.

Único trabalho de Geraldo Vietri na Globo. O autor vinha da Tupi, onde foi responsável por novelas de grande sucesso (como Antônio Maria, em 1968, e Nino, o Italianinho, em 1969). Ele havia solicitado uma licença de 15 meses da emissora paulista.
“Não iria deixar os 21 anos de Tupi por uma aventura. Pedi a licença já concedida. Depois, se a Globo quiser me contratar por mais um período, vamos pensar”, disse Vietri ao Jornal do Brasil, na época do lançamento da trama, em fevereiro de 1980.
O contrato era para outra novela que seria pensada em agosto, ao fim de Olhai os Lírios, o que chegou a não ocorrer. (*)

Do elenco da Tupi, Vietri trouxe consigo, para sua novela na Globo, os atores Nair Bello, Elizabeth Hartmann e Chico Martins, que estreavam na emissora carioca. (*)

O autor não negava a dificuldade de adaptar para a TV o estilo descritivo do escritor gaúcho Érico Veríssimo.
“A única [saída] que achei possível foi ler o livro, me imbuir bem do caráter dos personagens e fazer um original inspirado nas coisas do Veríssimo”, disse Vietri. (*)

A novela não foi um sucesso popular. Alguma fragilidade no texto, mais por tratar-se de uma obra de comportamento do que por incapacidade do autor, criou um impasse entre produção e adaptador, pondo em choque os estilos controladores de trabalho do diretor Herval Rossano e do autor Geraldo Vietri – que na Tupi dirigia as próprias novelas que escrevia.
Vietri não suportava interferências, que o capítulo não fosse ao ar do jeito e na ordem que escrevera, e outros detalhes típicos de quem comandou tantas novelas com mão de ferro. Herval começou a eliminar algumas cenas, trocar outras de ordem e a situação entre o dramaturgo e o diretor foi se complicando. Os capítulos começaram a atrasar. O resultado foi a dispensa de Vietri pela Globo. (*)

Wilson Rocha foi convocado para continuar a adaptação e a novela foi reduzida – acabou com 108 capítulos, quando fora planejada para 120. (*)

Vietri explicou sua saída da novela para a Revista Amiga, na época:
“Tive que deixar de escrever a novela por motivos de saúde. Há tempos que venho passando mal, com problemas de circulação e, assim, comecei a atrasar a entrega de capítulos. Infelizmente fui obrigado a abandonar a emissora e deixar meu trabalho pela metade. Sinto muito tudo isso que aconteceu pois, para mim, era importante este trabalho. Nunca tinha feito nada na Globo e estava me dedicando de verdade, mas não deu para continuar. (…) São coisas que não se pode prever.” (*)

As gravações externas tiveram cinco locações no estado do Rio de Janeiro: Petrópolis, Niterói, Santa Teresa, Alto da Boa Vista e a cidade cenográfica construída em Guaratiba, onde foram gravadas as cenas que retratavam a fictícia cidadezinha de Nova Itália. Os ambientes foram especialmente montados para a novela num cenário criado por Paulo Dunlop a partir da arquitetura de uma cidade do Rio Grande do Sul, de colonização italiana, da década de 1920.
Fonte: site Memória Globo.

(*) Fonte: Geraldo Vietri, Disciplina é Liberdade, Vilmar Ledesma, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Trilha Sonora
olhait
01. ABANDONO – Ivor Lancellotti (tema de Frida Falk)
02. AGORA – Joanna
03. CIRANDA – Edson e Terezinha
04. SUBLIME TORTURA – Miucha e Tom Jobim
05. NA DIREÇÃO DO DIA – Boca Livre
06. OLHA A LUA – Olívia (tema de Olívia)
07. FELICIDADE – Caetano Veloso (tema de Eugênio)
08. ESTATE – João Gilberto (tema de Eugênio e Olívia)
09. NUNCA – Zizi Possi (tema de Eunice)
10. CHUVA – Gilson
11. SONHO DE VALSA – 14 Bis
12. CANTO TRISTE – Jane Duboc
13. GIRA… GIRA (YIRA… YIRA) – Cauby Peixoto
14. ESSES MOÇOS – Fábio Júnior (tema de abertura)

Sonoplastia: Sérgio Cuíca
Pesquisa de Repertório: Arnaldo Schneider
Supervisão Musical: Guto Graça Mello
Produção Musical – Octávio Burnier

Tema de Abertura: ESSES MOÇOS – Fábio Júnior
Esses moços
Pobres moços
Ah, se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que eu já passei

Por meus olhos
Por meus sonhos
Por meu sangue
Tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam que a um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno a procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania que muito me custou
E só as mágoas eu trago hoje em dia
E essas rugas o amor me deixou…

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