Sinopse

Os irmãos gêmeos Maria (Alice Wegmann) e Nonato (Marco Pigossi) fazem juntos uma viagem à cidade de Sertão, terra natal da mãe deles, a engenheira química Cássia (Patricia Pillar), em busca de novas trilhas de mountain-bike. A aventura mudará suas vidas para sempre. Maria se apaixona pelo jovem paleontólogo Hermano (Gabriel Leone), filho de Rosinete (Debora Bloch) e Pedro Gouveia (Alexandre Nero) – conhecido como ‘O Rei de Sertão’ -, dono da maior fábrica de bentonita da região. Nonato desaparece sem deixar rastros após flertar justamente com a funcionária e amante de Pedro, a sedutora Joana (Maeve Jinkings).

O suposto envolvimento de Pedro Gouveia no sumiço de Nonato é o estopim de uma batalha que interrompe de forma abrupta romances, altera o destino de uns e obriga outros a desenterrarem segredos de família guardados há anos. Em busca de respostas, Maria se vê obrigada a se afastar de Hermano para travar uma luta sem trégua contra Pedro. Ele, por sua vez, homem poderoso e influente, tenta proteger sua reputação com todas as forças.

O embate entre Maria e Pedro se intensifica com o retorno de Cássia a Sertão, décadas após deixar a cidade. Para ela, o lugar passou a ser uma lembrança distante. Quando era jovem, partiu para Recife e deixou para trás a vida e as relações que mantinha na cidade natal. Nunca contou a ninguém porque há mais de vinte anos não voltava a Sertão.

Cássia criou sozinha os filhos gêmeos. Protetora, sempre se preocupou com o comportamento destemido dos dois. Ao receber a ligação de Maria confirmando que o irmão está sumido, ela se dá conta de que é hora de encarar os próprios medos. E ainda se vê impelida a lidar com o desejo por Pedro Gouveia. Fragilizada com as incertezas do destino dos filhos e sem saber que Pedro pode ser o algoz de sua família, ela recebe apoio do juiz Ramiro Curió (Fábio Assunção), inimigo do empresário. Mas há interesses escusos por trás desse suposto altruísmo.

Se existe alguém capaz de fazer frente a Pedro Gouveia é Ramiro. Maior autoridade do judiciário de Sertão, ele é tão poderoso quanto o seu inimigo: se o empresário é o símbolo do poder econômico na cidade, o juiz é o homem da lei. Ambicioso, Ramiro, no entanto, deseja mais do que o seu cargo pode lhe dar. Há anos vem planejando investir em mineração, criando um negócio concorrente ao de Pedro Gouveia, com quem o juiz tem uma rixa antiga. No passado, ele perdeu a prima, Rosinete (Debora Bloch), para Pedro. Ela preferiu se casar com o então jovem e promissor empreendedor.

Globo – 23h
de 23 de abril a 16 de julho de 2018
53 capítulos

supersérie de George Moura e Sérgio Goldenberg
colaboração de Flávio Araújo, Mariana Mesquita e Cláudia Jouvin
direção de Wálter Carvalho e Isabella Teixeira
direção geral de Luisa Lima
direção artística de José Luiz Villamarim

Supersérie anterior no horário
Os Dias Eram Assim

ALICE WEGMANN – Maria
MARCO PIGOSSI – Nonato
PATRÍCIA PILLAR – Cássia
ALEXANDRE NERO – Pedro Gouveia
FÁBIO ASSUNÇÃO – Ramiro Curió
GABRIEL LEONE – Hermano
DÉBORA BLOCH – Rosinete
IRANDHIR SANTOS – Samir
JESUÍTA BARBOSA – Ramirinho / Shakira do Sertão
ENRIQUE DIAZ – Plínio
LEE TAYLOR – Simplício
MAEVE JINKINGS – Joana
CARLA SALLE – Valquíria
LARA TREMOUROUX – Aurora
JOSÉ DUMONT – Tião das Cacimbas
CAMILA MÁRDILA – Aldina
CLARISSA PINHEIRO – Gilvânia
ANTÔNIO FÁBIO – Orlando
DÉMICK LOPES – Mudinho
RAVEL ANDRADE – Clécio
MARCOS DE ANDRADE – Agripino Gogó
BRUNO GOYA – Orestes
PEDRO WAGNER – Damião
NANEGO LIRA – Adauto
GIORDANO CASTRO – Macedo
ERIVALDO OLIVEIRA – Adenilson
PEDRO FASANARO – Valdir
e
ANA HARTMANN – Cássia (jovem)
ANDRESSA CABRAL – Angelines (companheira de cela de Maria, foi amante de Jurandir)
ARILSON LOPES – Clementino (seguidor de Samir)
BUDA LIRA – Dr. Isidoro (médico que opera Maria depois que ela é esfaqueada na delegacia)
CARLO PORTO – Cecílio (homem que se envolve com Rosinete e depois a rouba, deixando-a bêbada num motel)
ERLENE MELLO – funcionária do escritório na fábrica de Pedro Gouveia
FERNANDA MARQUES – Selma (seguidora de Samir)
HELENA ALBERGARIA – mãe de Valquíria
IGOR MEDEIROS – Fabrício (amigo de trabalho de Cássia em Recife)
ILYA SÃO PAULO – Vitório (perito cúmplice de Ramiro em suas falcatruas, assassinado por ele)
JULIANA GALDINO – Delegada Socorro (da corregedoria, chega em Sertão para investigar Plínio e Ramiro)
KELNER MACEDO – Edinei (gerente do Bodão Night Club, boate na qual Ramirinho faz shows como Shakira do Sertão)
MALU FALANGOLA – Rosana (amiga de Valquíria que a avisa que Hermano está no hospital com Maria)
MARCUS DIOLI – médico da equipe de Dr. Isidoro que auxilia na operação de Maria
MARIANA MOLINA – Madalena (filha de Tião, amiga de Cássia em suas lembranças)
MAYCON DOUGLAS – Ariel (menino, afilhado de Orlando por quem Cássia se afeiçoa)
QUITÉRIA KELLY – Umbelina (mulher de Adauto, trabalha com ele no bar)
RAQUEL FERREIRA – Ivonete (prostituta, amiga de Plínio)
RODRIGO GARCIA – Jurandir (policial e capanga de Pedro Gouveia, morto por Maria em legítima defesa, no início)
TITINA MEDEIROS – Betânia (companheira de cela de Maria, sabe do passado de Cássia)
ZEZITA MATOS – Dona Rosa (ajuda Maria quando ela é baleada, depois entrega o paradeiro dela a Pedro)

– núcleo de CÁSSIA (Patricia Pillar), engenheira química, trabalhava na estação de águas do Recife, onde morava desde que deixou a cidadezinha de Sertão, há mais de vinte anos. Mãe de um casal de gêmeos, criou sozinha os filhos com amor e compreensão. Protetora, sempre se preocupou com o comportamento destemido dos dois. Ao receber a ligação da filha confirmando que o irmão estava sumido em Sertão, ela se deu conta de que era hora de encarar os próprios medos e se viu obrigada a voltar para a cidade natal:
os filhos: NONATO (Marco Pigossi), aventureiro, partiu com a irmã para Sertão em busca de trilhas de mountain bike. Mulherengo, arrumou confusão ao flertar com uma mulher em um bar. Desapareceu após ser levado por um bando de homens,
e MARIA (Alice Wegmann), gêmea de Nonato. Em Sertão, se apaixona pelo filho do homem acusado de sumir com seu irmão. Com o desaparecimento de Nonato, se lança numa busca incansável por respostas.

– núcleo de PEDRO GOUVEIA (Alexandre Nero), o todo-poderoso de Sertão, dono da maior fábrica de bentonita da região. Construiu sua fortuna com a força do seu próprio trabalho. Acostumou-se ao poder e, por vezes, usa a sua influência para conseguir o que quer na cidade. Ao ser acusado por Maria de matar seu irmão, promove uma caçada à jovem:
a mulher ROSINETE (Débora Bloch), bem-nascida, casou-se jovem, quando Pedro ainda não havia construído seu império. Vive infeliz no seu casamento, mas disfarça o descontentamento atrás da imagem de boa esposa e mãe. Religiosa e irascível, usa as corridas noturnas como um escape e penitência
os filhos: HERMANO (Gabriel Leone), nunca se ressentiu por ser adotado. Foi educado para assumir os negócios da família, mas tem na paleontologia sua grande paixão. Vive um romance arrebatador com Maria sem saber que seu pai pode ser o responsável pelo sumiço do irmão gêmeo dela,
e AURORA (Lara Tremouroux), a caçula, foi muito desejada antes de nascer. Tem lúpus, o que a faz ser superprotegida pelos pais. Sonhadora e romântica, quer conquistar sua liberdade e viver. Estimulada pela mãe, começa a namorar o delegado da cidade
a amante JOANA (Maeve Jinkings), trabalha em sua fábrica de bentonita. Foi infiltrada lá por seu inimigo, que a chantageia com um crime que cometeu. É com ela que Nonato se engraça, provocando a ira de Pedro
a funcionária da fábrica VALQUÍRIA (Carla Salle), com o apoio de Rosinete, se envolve com Hermano. Esconde dores e marcas do seu passado
a motorista GILVÂNIA (Clarissa Pinheiro), espécie de braço-direito. Bem-humorada e amiga, é a companhia constante de Hermano
os seguranças: AGRIPINO GOGÓ (Marcos de Andrade) e ORESTES (Bruno Goya), leais ao patrão, não questionam as suas ordens
e JURANDIR (Rodrigo Garcia), violento e cruel, é morto por Maria em legítima defesa, no início.

– núcleo de RAMIRO CURIÓ (Fábio Assunção), juiz de Sertão. Formal e sombrio, é viúvo e criou sozinho o filho, com quem tem uma relação distante e fria. É rival de Pedro Gouveia, marido de sua prima, Rosinete, a quem amou no passado. Infiltra Joana na fábrica de bentonita para praticar espionagem industrial. Aproxima-se de Cássia assim que ela retorna a Sertão, com a intenção de ajudá-la. Mas há interesses escusos por trás desse seu ato:
o filho RAMIRINHO (Jesuíta Barbosa), teme o pai e, por isso, finge aceitar o futuro que o juiz planejou para ele: assumir o comando de um negócio de extração de bentonita que rivalizará com a de Pedro Gouveia. Às escondidas, no entanto, se traveste como SHAKIRA DO SERTÃO, cantora que se apresenta no Bodão Night Club, boate da região
o segurança DAMIÃO (Pedro Wagner).

– núcleo da delegacia de Sertão:
o delegado PLÍNIO (Enrique Diaz), oportunista e corrupto, se ressente por ter menos poder do que gostaria. Investiga o desaparecimento de Nonato. Faz jogo duplo: serve a Pedro Gouveia e Ramiro Curió, de acordo com seus interesses. Com o apoio de Rosinete, aproxima-se de Aurora
os policiais MACEDO (Giordano Castro), ADENILSON (Erivaldo Oliveira) e CLÉCIO (Ravel Andrade), que vai se apaixonar por Aurora.

– núcleo do Lajedo dos Anjos, comunidade que recebe pessoas em busca de abrigo e paz espiritual:
o líder religioso SAMIR (Irandhir Santos), caridoso e benevolente, decidiu dedicar a vida a fazer o bem ao próximo após uma grande decepção. No passado, foi próximo a Pedro Gouveia, com quem, hoje, mantém algum contato de amizade. É constantemente assediado por Ramiro, interessado nas terras do lajedo, ricas em bentonita
a braço-direito de Samir, ALDINA (Camila Márdila), nutre uma paixão não correspondida por ele. Tem uma relação com Valquíria
os moradores: SIMPLÍCIO (Lee Taylor), buscou abrigo na comunidade após se tornar fugitivo da polícia. Apaixona-se por Maria, a quem decide proteger. Ajuda a jovem a se vingar de Pedro Gouveia, revelando-se um rapaz revoltado e violento
MUDINHO (Démick Lopes), homem de poucas palavras, ex-matador de aluguel. É leal com Simplício e Maria e também a ajuda em sua busca pela verdade sobre o desaparecimento de seu irmão,
CLEMENTINO (Arilson Lopes) e SELMA (Fernanda Marques).

– demais personagens:
TIÃO DAS CACIMBAS (José Dumont), ermitão, vive isolado num casebre junto de suas esculturas de madeira. Há anos foi dado como louco. Tem uma ligação com o passado de Cássia
ORLANDO (Antônio Fábio), tio de Simplício, dono de uma birosca. Torna-se amigo de Cássia, já que ela ajuda a comunidade a encontrar água embaixo das terras
ADAUTO (Nanego Lira), dono do bar onde Nonato foi visto pela última vez antes de seu desaparecimento. É induzido por Ramiro Curió a entregar a Maria a prova que supostamente incriminaria Pedro Gouveia
UMBELINA (Quitéria Kelly), mulher de Adauto
VALDIR (Pedro Fasanaro), recepcionista do hotel de Sertão.

Onde Nascem os Fortes foi o quinto trabalho do roteirista George Moura e do diretor José Luiz Villamarim nesta década. Juntos, eles fizeram as minisséries O Canto da Sereia (2013) e Amores Roubados (2014) e a novela O Rebu (2014) – também assinados por Sérgio Goldenberg, parceiro de Moura em Onde Nascem os Fortes – e o filme Redemoinho (2016). Moura afirmou que este é um dos trabalhos mais viscerais que a dupla já realizou.

Com reviravoltas na história, ótimos ganchos costurando os episódios, poucos núcleos, ambientes e personagens em uma trama condensada, e tramas e personagens densos, Onde Nascem os Fortes não deixou nada a desejar – em narrativa ou produção – às melhores séries estrangeiras. Ainda que calcada no folhetim (existe algo mais folhetinesco que dúvida de paternidade?), a supersérie se afastou da novela, como gênero, e se aproximou da série, como narrativa. Mas nem mesmo a audiência pouco representativa tirou o brilhantismo do projeto e o resultado final.

Este foi o primeiro trabalho autoral de George Moura na televisão. Os anteriores foram adaptações literárias, e O Rebu, baseada na novela de Bráulio Pedroso. Para meu blog no UOL, perguntei ao autor se havia algo de autobiográfico na supersérie, ou referências de sua vida.
“Do que escrevi para a TV é um dos trabalhos que mais fala de mim mesmo. Sou do Recife e sempre tive um fascínio muito grande pelo sertão. Meu pai vendia peças de carro [caixeiro-viajante], e ele queria que eu fosse um vendedor também. Muito jovem, eu já viajava com ele pelo interior do Nordeste. Minha mãe é uma pessoa muito religiosa. O nome da personagem da Débora Bloch, Rosinete, é o nome de uma irmã de minha mãe. [A personagem é muito religiosa] As rezas, por exemplo, eu aprendi muitas delas com minha mãe. Estudei em colégio marista e participei de vários retiros católicos. Conheço essa coisa da culpa, da formação católica, que tem na personagem da Rosinete. Ela tem uma religiosidade característica do sertão, mas a manifesta de outra forma: ela expia sua culpa correndo enquanto ouve Rachmaninoff. O personagem Hermano, do Gabriel Leoni, é um garoto que não saiu do sertão e que poderia ter saído. Eu tive essa dúvida, sai do Recife e fui morar em São Paulo, sempre com aquele medo de fracassar e ter que voltar. Acho que transparece muita coisa da minha vida, há várias confissões de minha intimidade. Obviamente repaginadas e retidas.”

“O sertão é um personagem”, afirmou George Moura. “Desde Amores Roubados, sempre tivemos o desejo de voltar à geografia do sertão para contar novas histórias. É um lugar com uma atmosfera mítica, que tem relação profunda com a formação do Brasil. Além do mais, dramaturgicamente, esse confronto entre o velho e o novo é profícuo. (…) Também é uma história que precisa ser passada naquele lugar de geografia horizontal e de conflitos tão verticais. E isso só foi possível pela maneira que narramos e pela condução que o diretor artístico, José Luiz Villamarim, e toda a equipe teve para entrar nesta aventura. São quase seis meses de filmagens em diferentes lugares do Nordeste, que dão uma unidade a essa cidade imaginária chamada Sertão.”

No elenco, grande destaque para as interpretações de Alice Wegmann, Patrícia Pillar, Alexandre Nero, Fábio Assunção, Irandhir Santos, Débora Bloch, Jesuíta Barbosa, Enrique Diaz, Lee Taylor e José Dumont. Com um primoroso trabalho de direção de atores, fica difícil citar alguns nomes e deixar outros de fora só porque tiveram papeis menores na trama ou foram coadjuvantes.

Depois da primeira semana de apresentação da história, Onde Nascem os Fortes passou quatro semanas com a trama girando em círculos. Com poucos núcleos, a supersérie limitou-se à caçada da polícia a Maria (Alice Wegmann) e pouco da trama avançou. Foi o período de menor audiência do programa (15, 16 pontos no Ibope da Grande São Paulo), agravada pelo horário ingrato na grade na Globo, tarde da noite e sem hora fixa diariamente para começar. Com a Copa do Mundo da Rússia, a supersérie passou a ser exibida após a novela das 9 (Segundo Sol) e a audiência subiu enquanto a trama ganhava mais agilidade. A supersérie fechou com uma média geral em torno dos 18 pontos. No último mês de exibição, a média foi de 20 pontos (21 nas duas últimas semanas).

As gravações tiveram início em outubro de 2017. A supersérie teve cerca de 60% das cenas feitas em externas e locações no semiárido paraibano. A equipe também rodou sequências no Piauí e em Pernambuco.
“O sertão é um espaço mítico, fundador do país, e ele surge como um personagem, se revelando em suas contradições. O embate entre o arcaico e o contemporâneo passa por toda a história”, conceituou o diretor José Luiz Villamarim.

Uma grandiosa estrutura feita com canos de PVC foi o destaque da cenografia assinada por Alexandre Gomes. A construção, que simulava uma espécie de oca feita com galhos, era o salão principal do Lajedo dos Anjos, comunidade liderada por Samir (Irandhir Santos) e foi elevada sobre o Lajedo do Pai Mateus, uma formação rochosa de mais de 40 metros de altura localizada na área rural de Cabaceiras, no cariri paraibano. A construção tinha 50 metros de profundidade, 10 metros de largura e até oito metros de altura e levou cerca de um mês para ficar pronta.
“O grande desafio era construir algo que se fundisse com o cenário natural, com as pedras do lajedo, sem criar um estranhamento na paisagem. Nos baseamos na obra do arquiteto finlandês Marco Casagrande, que usa o bambu nas construções, mas optamos por usar cano de PVC reciclado por ser mais ecologicamente correto”, contou o cenógrafo.

Uma fazenda no pequeno município de Soledade teve parte das construções reais alteradas para se tornar a fictícia Sertão.
“É nesse lugar que se concentram a maior parte dos cenários da cidade: o hotel Pedras do Sertão, o bar do Adauto (Nanego Lira) e o fórum de justiça onde Ramiro dá expediente. Em alguns casos, mexemos só na fachada. Em outros, no entanto, alteramos a planta das construções, já que optamos por gravar algumas cenas nas áreas internas dela”, explicou o cenógrafo.

Em outras cidades da região, como Gurjão, São João do Cariri e Boa Vista também estavam outros cenários que aparecem na supersérie: a delegacia de polícia onde trabalhava Plínio (Enrique Diaz), a casa de Tião das Cacimbas (Zé Dumont), o bar de Orlando (Antônio Fábio) e a casa e a fábrica de bentonita de Pedro Gouveia (Alexandre Nero). Áreas internas de todos os cenários, no entanto, foram reproduzidas nos Estúdios Globo – inclusive as grutas onde os moradores do Lajedo dos Anjos moravam. Uma grande estrutura feita de isopor e resina simulou a formação rochosa real, com suas cavidades e formas.
“É uma espécie de labirinto de pedra, inspirado nas grutas da Capadócia. O grande desafio foi fazer com que ele parecesse crível e emulasse a energia do cenário real”, afirmou Alexandre Gomes.

A coleção de aves de Ramiro Curió (Fábio Assunção) foi outro destaque. Foram escolhidas mais de 20 aves exóticas, dispostas no viveiro localizado no solário da casa do juiz. Além de aves ornamentais (como araras), aves de rapina (como uma coruja e um gavião) chamaram atenção no cenário.

Assinado por Cao Albuquerque e Sabrina Moreira, o figurino seguiu o conceito de marcar a coexistência do contemporâneo e do arcaico na geografia do sertão. Esse embate ficou claro na diferença entre os figurinos dos protagonistas masculinos, rivais na ficção: o empresário Pedro (Alexandre Nero) se vestia como se vivesse numa grande metrópole, dialogando com o novo; já o juiz Ramiro (Fábio Assunção), com suas peças de linho, se valia da solenidade dos trajes dos antigos coronéis.

Exceções à regra, a construção de Ramiro (Fábio Assunção) e de Shakira do Sertão (Jesuíta Barbosa), que permitiram um trabalho de pesquisa mais aprofundado, tiveram um esforço das equipes de caracterização e figurino. Daí nasceu a ideia de deixar o juiz de barba longa e cabelos grisalhos, remetendo ao velho poder. O personagem que Ramirinho assumia à noite – a Shakira do Sertão -, quando se apresentava na boate, também passava por mudanças.
“Não queríamos abusar da cor na maquiagem. É um personagem de poucas cores, marcamos com o vermelho na boca e as unhas, postiças e longas. A preocupação era parecer crível o fato de ele não ser reconhecido na cidade”, comentou o caracterizador Marcos Freire.


01. TODO HOMEM – Zeca Veloso, Caetano Veloso, Moreno Veloso (participação de Tom Veloso)
02. DON´T EXPLAIN – Nina Simone
03. DIA BRANCO – Geraldo Azevedo
04. AVE DE PRATA – Elba Ramalho
05. ALGUÉM CANTANDO – Nicinha e Caetano Veloso
06. JURA SECRETA – Fagner
07. IRON SKY – Paolo Nutini
08. VAPOR BARATO – Gal Costa
09. YOUR SONG – Elton John
10. VENUS IN FURS – The Velvet Underground
11. MAL NECESSÁRIO – Jesuíta Barbosa
12. CORPO FECHADO – Johnny Hooker e Gaby Amarantos
13. PORQUE HOMEM NÃO CHORA – Pablo
14. QUANDO BATE AQUELA SAUDADE – Rubel
15. THE FADE OUT LINE – The Avener and Phoebe Killdeer

ainda
ASA BRANCA – Caetano Veloso
CANTO DO POVO DE UM LUGAR – Caetano Veloso
COMO 2 E 2 – Gal Costa
COQUEIROS – Geraldo Azevedo
JABITACÁ – Gal Costa
ME LEVE – Fagner
NEGRO AMOR – Gal Costa
OS POVOS – Milton Nascimento
PRA DIZER ADEUS – Maria Bethânia
SUA ESTUPIDEZ – Gal Costa
DOIS ANIMAIS NA SELVA SUJA DA RUA – Nação Zumbi
50 REAIS – Naiara Azevedo

músicas cantadas por Shakira do Sertão:
MENINA VENENO
O AMOR E O PODER
O MEU SANGUE FERVE POR VOCÊ
TIGRESA

Trilha Sonora Instrumental: música original de Eduardo Queiroz


01. NASCENTE – Eduardo Queiroz
02. MAR BRANCO – Felipe Alexandre
03. KRONOS – Guilherme Rios
04. FORTES – Eduardo Queiroz
05. CÉUS ESTRELADOS – Felipe Alexandre
06. SORTIE ROUGE – Felipe Alexandre
07. RAMIRO – Guilherme Rios
08. NONATO – Bibi Cavalcante
09. TELLUS – Rafael Langoni Smith, Eduardo Queiroz e Victor Pozas
10. BIRDTRAP – Filipe Mendonça
11. DREAD – Eduardo Queiroz e Felipe Alexandre
12. QUERUBIM – Eduardo Queiroz
13. RASANTE – Felipe Alexandre
14. KYRIE ELEISON – Eduardo Queiroz
15. ARBO ARIDA – Eduardo Queiroz
16. DELEGADO – Felipe Alexandre
17. ARX – Eduardo Queiroz
18. CARAVANA – Filipe Mendonça
19. CÁSSIA – Eduardo Queiroz
20. ESTRADA DESERTA – Bibi Cavalcante
21. MARIA – Eduardo Queiroz
22. REQUIEM SERTANEJO – Eduardo Queiroz
23. SHOCKWAVES – Felipe Alexandre
24. VALSA SERTANEJA – Bibi Cavalcante
25. TÁBULA RASA – Felipe Alexandre
26. TANTUM – Felipe Alexandre
27. TWO BIRDS – Filipe Mendonça
28. AURORA BOREAL – Eduardo Queiroz
29. BENTONITA – Eduardo Queiroz
30. CONTINUM – Eduardo Queiroz
31. CYX – Eduardo Queiroz
32. CLAWS – Filipe Mendonça
33. AREIAL RASA – Felipe Alexandre
34. CATEDRAL – Eduardo Queiroz
35. HUNTER – Eduardo Queiroz
36. FULL OF STARS – Filipe Mendonça
37. POEIRA VERMELHA – Guilherme Rios
38. REDEMPTUS CAPRICHO 2 – Eduardo Queiroz, Mauro Brucoli e Rafael Cesario
39. PRIMITIVO – Felipe Alexandre
40. PIETÁ – Felipe Alexandre
41. OURO BRANCO – Guilherme Rios
42. MESSIAS – Eduardo Queiroz
43. IMMENSITAS – Eduardo Queiroz
44. ACIMA DO MUNDO – Eduardo Queiroz
45. DRY SEX – Eduardo Queiroz
46. DOCE MISTÉRIO – Eduardo Queiroz
47. BRUTUS – Eduardo Queiroz
48. FOLHAS SECAS – Guilherme Rios
49. INSETOS – Felipe Alexandre
50. MUNDO ANCESTRAL – Felipe Alexandre
51. NIGRICOLLIS – Eduardo Queiroz
52. PASTORIS – Bibi Cavalcante
53. PEDIDOS – Guilherme Rios
54. PICAZURO – Eduardo Queiroz
55. RURSUS STELLA – Felipe Alexandre
56. PLANCUS – Eduardo Queiroz
57. SERTÃO – Felipe Alexandre
58. STRANGERS IN PARADISE – Guilherme Rios
59. DUST – Eduardo Queiroz e Felipe Alexandre
60. ECHO – Eduardo Queiroz
61. TRAGIC FOOL – Eduardo Queiroz e Guilherme Rios

Tema de Abertura: – TODO HOMEM – Zeca Veloso, Caetano Veloso, Moreno Veloso (participação de Tom Veloso)

O sol, manhã de flor e sal
E areia no batom
Farol, saudades no varal
Vermelho, azul, marrom
Eu sou cordão umbilical
Pra mim nunca tá bom
E o sol queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu, espuma de maçã
Barriga, dois irmãos
O meu cabelo negra lã
Nariz, e rosto, e mãos
O mel, a prata, o ouro e a rã
Cabeça e coração
E o céu se abre de manhã
Me abrigo em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe…

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