Sinopse

Edmar, o Pé de Vento, vem com a família de Muzambinho, Minas Gerais, para São Paulo para tentar a sorte profissional. Interessado em corrida, passa a treinar em um clube, sob os cuidados de Alfredo, um veterano desencantado com o esporte, que só tem esperanças no atleta. O sonho de ambos é vencer a Corrida de São Silvestre. No clube, Edmar conhece Cristiane, moça rica que se apaixona por ele e despreza o mimado Itamar. Porém, Pé se apaixona pela humilde enfermeira Terezinha, neta da sábia Dona Noca.

O pai de Edmar, Mestre André, é um torneiro mecânico que consegue estabelecer-se graças à sua capacidade. Chega a ter seu próprio negócio e alguma clientela até que, por problemas financeiros, é obrigado a vender todo equipamento de trabalho. Por não conseguir comprovar os anos de contribuição com previdência, tem dificuldades em aposentar-se. É casado com Marta, mulher simples, mas de extremo bom senso, o equilíbrio da família, e pai também de Moacir e Aninha, envolvidos com o vestibular.

Na fábrica de Junqueira, onde Mestre André e Edmar trabalham, há quatro amigos que vivem tentando a sorte. Treze Pontos é um jogador inveterado e intelectual do grupo que joga tudo o que ganha em qualquer tipo de aposta, inclusive o dinheiro que sua namorada, Ludmila, lhe dá, por acreditar no seu amor. Boa Gente é um sujeito simpático, que livra a turma na hora da briga. Zé Queimado sempre arranja encrenca. E Catiça, desempregado, sobrevive lavando carros e fazendo bicos.

Ludmila mora em uma pensão com Maíra, aeromoça que ama seu trabalho, não aceita julgamento de sua classe e é apaixonada pelo tímido Jofre. A dona da pensão é Quitéria, uma feminista convicta, até que encontra o homem de sua vida. O ponto de contato entre pobres e ricos é o clube onde Edmar treina e Cristiane frequenta a piscina. Há também Edmundo, dono de supermercado que chega a vender artigos a preço de custo para atrair freguesia, por medo de que o povo faminto se revolte. Ele vive para o trabalho, deixando de lado a esposa solitária, Gisele.

Bandeirantes – 19h
de 1º de janeiro a 21 de junho de 1980

novela de Benedito Ruy Barbosa
direção de Arlindo Barreto e Plínio Paulo Fernandes

Novela anterior no horário
Cara a Cara

Novela posterior
Cavalo Amarelo

NUNO LEAL MAIA – Edmar, o Pé de Vento
BETE MENDES – Terezinha
MARIA FERREIRA – Cristiane
DIONÍSIO AZEVEDO – Mestre André
MARIA LUÍZA CASTELLI – Marta
FAUSTO ROCHA JR. – Treze Pontos
MAURÍCIO DO VALLE – Boa Gente
CANARINHO – Zé Queimado
ARNALDO WEISS – Catiça
TAUMATURGO FERREIRA – Moacir
CRISTINA MULLINS – Aninha
BABY GARROUX – Quitéria
ANGELINA MUNIZ – Ludmila
ESTER GÓES – Maíra
ROLANDO BOLDRIN – Jofre
ROGÉRIO MÁRCICO – Alfredo
EDNEY GIOVENAZZI – Edmundo
MARIA ESTELA – Gisele
RIVA NIMITZ – Zefa
HENRIQUE CÉSAR – Juca
CARMEM SILVA – Dona Noca
OSMAR DE MATTOS – Itamar
FELIPE LEVY – Junqueira
FLORA GENY – Leila
SUZY CAMACHO – Gina
PATRÍCIA FIGUEIREDO – Jurema
LILIAN VIZZACHERO – Tuca
CARLOS ALBERTO FERNANDES
RENATO MASTER
MÁRCIA CORBAN
o menino ALEXANDRE RAYMUNDO – Marcelo

– núcleo de EDMAR, o PÉ DE VENTO, (Nuno Leal Maia), assim apelidado por ser rápido na corrida. Tomou gosto pelo esporte e, ao chegar a São Paulo, começou a treinar. Seu grande objetivo de vida é vencer a São Silvestre. É assediado por duas mulheres, uma pobre e outra rica:
os pais: MESTRE ANDRÉ (Dionísio de Azevedo), torneiro mecânico que veio com a família de Muzambinho, Minas Gerais, para São Paulo, onde estabeleceu-se como torneiro mecânico. Chegou a ter o seu próprio torno e alguma clientela até que, por problemas financeiros, foi obrigado a vender todo o equipamento de trabalho. Por não conseguir comprovar os anos de trabalho, tem dificuldades em aposentar-se,
e MARTA (Maria Luiza Castelli), simples e sensata. É o equilíbrio da família
os irmãos: MOACIR (Taumaturgo Ferreira), depois de reprovado no vestibular, é envolvido por sua inocência e acaba causando problemas à família,
e ANINHA (Cristina Mullins), para poder prestar vestibular trabalha num consultório médico. Apesar de capacitada, não passa no exame e tenta mudar de vida
o treinador ALFREDO (Rogério Márcico), desiludido do esporte, deposita suas esperanças em seu pupilo.

– núcleo de TEREZINHA (Bete Mendes), enfermeira, a namorada pobre de Edmar:
a avó NOCA (Carmem Silva), mulher com sua própria filosofia de vida. Acredita que amor requentado dá dor de barriga.

– núcleo de CRISTIANE (Maria Ferreira), milionária que conheceu Edmar no clube onde ele treina. Apaixona-se pelo atleta e acaba dependente dele:
o pretendente ITAMAR (Osmar de Mattos), milionário mimado.

– núcleo dos amigos de TREZE PONTOS (Fausto Rocha Jr.), assim chamado por ser um jogador inveterado. Simboliza o anseio de chegar à fortuna através de um golpe de sorte. Joga tudo que ganha em qualquer tipo de aposta:
BOA GENTE (Maurício do Valle), sujeito simpático, “boa gente” como diz o apelido. Por ser fortão, livra a turma na hora da briga
ZÉ QUEIMADO (Canarinho), sempre metido em encrenca
e CACIMBA (Arnaldo Weiss), sobrevive de pequenos biscates, como lavar carros.

– núcleo da pensão para moças de QUITÉRIA (Baby Garroux), feminista convicta até que encontra o homem de sua vida:
MAÍRA (Ester Goes), aeromoça, honesta, ama seu trabalho e não aceita o julgamento preconceituoso de sua classe
LUDMILA (Angelina Muniz), trabalha como balconista. Namorada de Treze Pontos que, por acreditar no seu amor, dá-lhe dinheiro para jogatina.

– núcleo de EDMUNDO (Edney Giovenazzi), homem rico, dono de uma rede de supermercados. Um sujeito utópico, chega ao absurdo de vender artigos de primeira necessidade a preço de custo para atrair freguesia e por medo de que o povo com fome se revolte:
a mulher GISELE (Maria Estela), solitária, pois o marido se preocupa mais com os negócios do que com ela
a empregada ZEFA (Riva Nimitz), vive se intrometendo nos assuntos da família
o mordomo JUCA (Henrique César), parceiro de Zefa.

– demais personagens:
JOFRE (Rolando Boldrin), sujeito simpático e tímido, dono de uma riqueza que ninguém sabe de onde surgiu. Alvo da paixão de Maíra
JUNQUEIRA (Felipe Levi), torneiro mecânico que deu certo. E dono da fábrica onde trabalham Mestre André, Edmar, Treze Pontos, Boa Gente e Zé Queimado.

Primeira novela de Benedito Ruy Barbosa na TV Bandeirantes. O autor escreveu ainda Os Imigrantes, na sequência.

Uma boa novela que não se preocupou com o brilho supérfluo, mas sim com o cotidiano puro e simples dos personagens. A proposta inicial era discorrer sobre o tema esporte e as múltiplas facetas do atleta brasileiro. Entretanto, a novela acabou por analisar mais a fundo a vida operária, sem retoques e perfumarias. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Pé de Vento teve um capítulo especial de lançamento exibido em 31/12/1979, após a transmissão da Corrida de São Silvestre pela TV Bandeirantes, e estreou no dia seguinte, 01/01/1980. Essa foi uma estratégia da emissora para chamar a atenção do público para sua nova atração, uma vez que o protagonista Edmar, o Pé de Vento do título (vivido por Nuno Leal Maia), era um atleta que, na trama, pretendia vencer a São Silvestre.

Curiosamente, na vida real, o vencedor da Corrida de São Silvestre naquela ocasião foi um brasileiro, João José da Silva, quebrando um jejum de 34 anos sem vitórias nacionais na competição. Por causa da novela, Benedito Ruy Barbosa foi convidado a escrever um artigo para o jornal Gazeta Esportiva, que teve duas páginas e ganhou a capa. Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, o autor declarou:
“Eu entrevistei o “pé de vento” da vida real e fiquei comovido. Ele disse que não perdia a novela e que acreditava na vitória, como o meu personagem.”

Outro enredo-denúncia tratava da discriminação do trabalhador que atinge idade superior a 50 anos e fica sem oportunidade profissional, caso de Mestre André (Dionísio Azevedo), desempregado, que tragicamente recebe no caixão o telegrama que anunciava sua aposentadoria.

Sobre a impossibilidade de discorrer sobre certos temas na Globo, o autor Benedito Ruy Barbosa narrou ao livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo”, de André Bernardo e Cíntia Lopes, citando essa passagem de Pé de Vento:
“A última cena mostrava o personagem morto, com o seu caixão na sala e a família em prantos. Toca a campainha, e a mulher vai atender. Ela recebe do INSS um telegrama e o leva à mão do morto: ´Toma meu velho, chegou a tua aposentadoria!´ Na Globo, nunca teria feito. Na época, não deixavam.”
Para o livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, o autor complementou: “Porque era uma emissora mais visada. Eu só não tive nenhum problema com essa novela porque ela não foi exibida na Globo.”

Destaque também para a atuação de Taumaturgo Ferreira, em sua segunda novela, vivendo o ingênuo Moacir.

Primeira novela do então garoto Alexandre Raymundo, com 9 anos na época, que ganhou notoriedade como o ator-mirim mais requisitado da TV Bandeirantes, tendo atuado ainda nas novelas Meu Pé de Laranja Lima, Os Adolescentes, Ninho da Serpente, Campeão e Maçã do Amor, entre 1980 e 1983.

Slogan de lançamento: “Pé de Vento, a corrida para a vida!”

Trilha Sonora

01. PÉ DE VENTO – Lila, Mila e Tom (tema de abertura)
02. VENTO NORDESTE – Simone
03. VIM DE LONGE – Dércio Marques (tema de Mestre André)
04. VIDA CIGANA – Tetê Espíndola
05. CACHAÇA E MEL – Raul Ellwanger
06. O AMOR ESTÁ NO AR – Dudu França
07. LÁBIOS DE MEL – Tim Maia
08. TOLA FOI VOCÊ – Ângela Ro Ro
09. ABAIXO A CUECA – Zé Rodrix (tema dos amigos de Edmar)
10. ABRA O CORAÇÃO – Paulinho Soares
11. BRIGA DE LOBO – Lila, Mila e Tom (tema de Treze Pontos)
12. CORRIDA DA VIDA – Gina de Castro (tema de Edmar)

Direção Musical: Nestor de Almeida

Tema de Abertura: PÉ DE VENTO – Lila, Mila e Tom

Pé de vento
Pé de vento que te leve
Pé de vento
Pé de chuva que te lave
Pé de vento
Pé de sol que te solte
Num salto à distância
Pro meio do infinito
Correndo escapando das faltas
Vencendo barreiras
Brincando de pega não pega
Com o tempo e o espaço
O peito vibrando, a camisa molhada
Na louca aventura de cada jogada
Na eterna procura fiel ao sinal de chegada, de chegada
As vezes forçando a passagem, perdendo as apostas
Tentando achar a rota certa pela reta oposta
O medo empurrando, a coragem puxando
Até que a explosão da vitória aconteça
No grito feliz de alcançar
O sinal de chegada, de chegada…

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