Sinopse

1786. Três anos antes da Revolução Francesa, uma trama de capa-e-espada exibe um filho bastardo, Jean-Piérre, legítimo herdeiro do trono de Avilan, um reino corroído pelas injustiças sociais e corrupção de seus governantes.

Na ausência do sucessor do trono, os conselheiros reais, que dominam a Rainha Valentine, coroam o mendigo Pichot como rei. A armação é obra do bruxo Ravengar, que exerce forte influência sobre o reino. Mas Jean-Piérre é o líder dos rebeldes que se armam para derrubar os vilões de Avilan. Seu objetivo é se apossar em definitivo da coroa que lhe pertence.

Todavia não só de heroísmo sobrevive Jean-Piérre. Sua luta é entremeada por duas mulheres apaixonadas que disputam seu amor: a jovem rebelde Aline, companheira de lutas, e Suzanne Vebert, a bela esposa do corrupto e perigoso conselheiro Vanoli Berval.

Globo – 19h
de 13 de fevereiro a 16 de setembro de 1989
185 capítulos

novela de Cassiano Gabus Mendes
colaboração de Luís Carlos Fusco
direção de Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Lucas Bueno e Fábio Sabag
direção geral de Jorge Fernando

Novela anterior no horário
Bebê a Bordo

Novela posterior
Top Model

EDSON CELULARI – Jean-Piérre
GIULIA GAM – Aline
ANTÔNIO ABUJAMRA – Ravengar
TEREZA RACHEL – Rainha Valentine
DANIEL FILHO – Bergeron Bouchet
MARIETA SEVERO – Madeleine Bouchet
TATO GABUS – Pichot (Príncipe Lucien Erlan / Rei Petrus III)
CLÁUDIA ABREU – Princesa Juliette
NATÁLIA DO VALLE – Suzanne Vebert
JORGE DÓRIA – Vanoli Berval
STÊNIO GARCIA – Corcoran
ÍTALA NANDI – Loulou Lion (Mercedes Morales)
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Crespy Aubriet
OSWALDO LOUREIRO – Gaston Marny
JOHN HERBERT – Bidet Lambert
LAERTE MORRONE – Gérard Laugier
GUILHERME LEME – Roland Barral
ARACY BALABANIAN – Maria Fromet / Lenore Gaillard
EDNEY GIOVENAZZI – Françoise Gaillard
MILA MOREIRA – Zmirá
ÍSIS DE OLIVEIRA – Lucy Laugier
PAULO CÉSAR GRANDE – Bertrand
MARCOS BREDA – Pimpim
MARCELO PICCHI – Michel
CRISTINA PROCHASKA – Charlotte
VERA HOLTZ – Fanny
FÁBIO SABAG – Roger Vebert
CINIRA CAMARGO – Lili
CARLA DANIEL – Cozette
DESIRÉE VIGNOLLI – Denise
ZILKA SALABERRY – Gabi
BETTY GOFMAN – Princesa Ingrid
JOSÉ CARLOS SANCHES – Balesteros
TOTIA MEIRELLES – Moná
KAKÁ BARRETE – Vadi
TONY NARDINI – Godard
MELISE MAIA – Janine
DEBORAH CATTALANI – Camille
e
ANTÔNIO PEDRO – Barão Von Louchas (negocia os termos do casamento de Pichot e Ingrid)
CARLOS KROEBER – Dom Curro de La Grana (inspetor do FFF – Fundo Financeiro do Futuro – enviado a Avilan para investigar a situação financeira do país)
CARLOS KURT – ferreiro Dupont (não consegue tirar a máscara de ferro de Jean-Piérre)
CATALINA BONAKI – Baronesa de La Rochelle
CAZARRÉ – lorde inglês que negocia com os conselheiros
CHICO ANYSIO – Taji Namas
DERCY GONÇALVES – Baronesa Lenilda Eknésia (mãe da Rainha Valentine)
EMILIANO QUEIRÓZ – La Roche (velho que conheceu Maria Fromet, procurado por Ravengar)
EVA WILMA – Madame D’Anjou (escritora contratada pela rainha para escrever sua biografia)
FERNANDO JOSÉ – velho ferreiro que revela a Ravengar o verdadeiro nome de Loulou Lion
FRANCISCO DANTAS – Barão de La Rochelle
GERMANO VEZANI – Dragão (carrasco)
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Rei Petrus II
HELOÍSA HELENA – Cocote (mulher que leva Ravengar até a velha Mirushka)
HENRIQUETA BRIEBA – uma das velhinhas assaltadas na estrada por Bergeron, cujas joias roubadas eram falsas
HILDA REBELLO – aia da Rainha
ILKA SOARES – Marquesa de Lorredan (nobre traída pelo marido com Lucy, foi tirar satisfações com ela exigindo retratação)
ÍTALO ROSSI – Marquês de Castilla (nobre espanhol a quem Juliette foi prometida em casamento, que morre no momento do noivado)
JOÃO SIGNORELLI – Campot (bandido)
JORGE FERNANDO – guarda do palácio que não reconhece a rainha
JOSÉ STEINBERG – frade Angélico (casa Bergeron e Charlotte por imposição de Ravengar)
LÍCIA MAGNA – uma das velhinhas assaltadas na estrada por Bergeron, cujas joias roubadas eram falsas
LUÍS DE LIMA – Barão de La Bosse (produtor de soja que negocia a construção de uma estrada com Vanoli)
LUÍS MAGNELLI – arauto do palácio
LUIZ GUSTAVO – Charles Müller (nobre inglês que vem a Avilan oferecer o foot-ball como diversão para o povo)
MARCUS ALVISI – Bargin (verdureiro)
MARIA CARDOSO – aia da Rainha
MIGUEL ROSEMBERG – um barão
MILTON GONÇALVES – Herr Whisky (nobre alemão que negocia com os conselheiros a montagem de uma fábrica de carruagens)
MONIQUE LAFOND – uma marquesa
NÁDIA NARDINI – Maria Fromet (jovem) / integrante do grupo de Jean-Piérre
NILDO PARENTE – Richet (avaliador oficial do reino que descobriu que as esmeraldas que Crespy deu à rainha eram falsas)
PAULO CÉSAR PEREIO – soldado assassino de Vanoli
ROBERTO DINAMITE – Bobby (jogador de foot-ball que chega a Avilan com Charles Müller)
SORAYA JARLICH (RAVENLE) – Anette (ajudante da cozinha)
TONICO PEREIRA – guarda do palácio que reclama das más condições de trabalho à Rainha
TUCA ANDRADA – ferreiro Lamont (confecciona a máscara de ferro de Jean-Piérre)
YOLANDA CARDOSO – Mirushka (velha que informa a Ravengar que o filho bastardo do rei foi criado por uma cigana, após abandonado por Maria Fromet)
elenco de apoio
ALBERTO BARUQUE – guarda do palácio
AMAURY TANGARÁ – ajudante do arauto
ANA BORGES – moça da taberna
ANA JANSEN – bailarina
ANDRÉ MATTOS – soldado morto por Jean-Piérre ao flagrá-lo com Suzanne no bosque
ANKO VALLE – guarda do palácio
CARLA VILELLA – bailarina
DEBORAH CATALANI – moça da taberna
DELANO AVELAR – soldado da guarda do palácio
EROS VELLOSO – bailarino
GUIDO CORRÊA – mordomo do palácio
HERBERT GOMES – bailarino
JACONIAS SILVA – cocheiro
JOÃO VIOTTI SALDANHA – bailarino
JOSÉ CARLOS DE SOUZA – guarda do palácio
JOSÉ DE FREITAS – mordomo do palácio
JÚLIO BRAUER – bailarino
LÚCIA ARATANHA – bailarina
LUÍS SÉRGIO LIMA E SILVA – cocheiro
MARCELO MATTAR – do grupo de Jean-Piérre
MÁRCIA RÊGO MONTEIRO – moça da taberna
NEY LEONTISINIS
NORMA LANNES – bailarina
PAULO VELASCO – bailarino
RODRIGO SALES – bailarino
ROSANA BUSTAMANTE – bailarina
SANDRO RILHO – guarda do palácio
SILVIO BRUNNY – mendigo
WANDA GARCIA – bailarina

– núcleo de JEAN-PIÉRRE (Edson Celulari), filho bastardo do rei de Avilan, é o único herdeiro do trono. Cresceu sem o reconhecimento do pai, em meio ao povo. Tornou-se chefe dos rebeldes que lutam contra as injustiças sociais de Avilan. Quer assumir o reino:
os rebeldes: ALINE (Giulia Gamm), sua amada, se infiltra no palácio como criada,
CORCORAN (Stênio Garcia), se infiltra no palácio como bobo-da-corte, foge do assédio da Rainha,
BERTRAND (Paulo César Grande), PIMPIM (Marcos Breda) e GODARD (Tony Nardini).

– núcleo do castelo de Avilan:
o REI PETRUS II (Gianfrancesco Guarnieri), morre no primeiro capítulo
a RAINHA VALENTINE (Tereza Rachel), mulher louca, tirana e devassa
a PRINCESA JULIETTE (Cláudia Abreu), filha dos reis, jovem constestadora e romântica
a princesa austríaca INGRID (Betty Gofman), escolhida para desposar o príncipe
a aia da rainha ZMIRÁ (Mila Moreira), sua puxa-saco
a chefe da cozinha GABI (Zilka Salaberry), que protege Aline
o chefe da guarda real BALESTEROS (José Carlos Sanches).

– núcleo do temido bruxo RAVENGAR (Antônio Abujamra), uma mistura de astrólogo, feiticeiro e médico. Conselheiro-mor, exerce uma influência ilimitada sobre o reino, principalmente sobre a rainha:
o mendigo PICHOT (Tato Gabus), completamente dominado por ele, o acolheu da rua e o treinou para ser o novo príncipe de Avilan e futuro rei. Apaixonou-se pela Princesa Juliette. Ao longo da trama recebeu os títulos de PRÍNCIPE LUCIEN ERLAN e REI PETRUS III
a criada FANNY (Vera Holtz), apaixonada por Pichot.

– núcleo dos corruptos Conselheiros do Reino de Avilan:
VANOLI BERVAL (Jorge Dória), principal conselheiro do rei, homem cruel e perigoso
GASTON MARNY (Oswaldo Loureiro), conselheiro das Armas
BIDET LAMBERT (John Herbert), conselheiro dos Mares
CRESPY AUBRIET (Carlos Augusto Strazzer), conselheiro do Trabalho, assediado por Zmirá, mas apaixonado por Aline
ROLAND BARRAL (Guilherme Leme), sobrinho de Vanoli que substituiu Crespi quando este desapareceu. Teve um caso com Zmirá
GÉRARD LAUGIER (Laerte Morrone), conselheiro da Alimentação
LUCY (Ísis de Oliveira), mulher de Gérard, com quem tinha um casamento infeliz, já que ele era impotente. Sonsa e adúltera, envolveu-se com vários homens.

– núcleo de SUZANNE VEBERT (Natália do Valle), mulher do conselheiro Vanoli. Vive um casamento infeliz já que não o ama: foi obrigada a casar-se com ele. É apaixonada por Jean-Piérre:
o pai ROGER VEBERT (Fábio Sabag), deu a mão da filha a Vanoli como pagamento de uma aposta
a “rameira” MONÁ (Totia Meirelles), que ela contratou para substitui-la na cama com Vanoli, sem que ele soubesse.

– núcleo de BERGERON BOUCHET (Daniel Filho), a princípio, o conselheiro da Moeda. Homem justo e idealista, é o único honesto entre os conselheiros, e, por isso, incompreendido pelos demais. Nobre por quem a Rainha Valentine foi perdidamente apaixonada – mas ele nunca cedeu ao assédio dela. Perdeu a memória e foi dado como desaparecido:
a mulher MADELEINE (Marieta Severo), objeto de desejo de Ravengar. Mulher moderna com ideias avançadas para a época. É perseguida pela rainha, que a vê como uma rival
MICHEL (Marcelo Picchi) e CHARLOTTE (Cristina Prochaska), irmãos que descobriram-no desmemoriado e o acolheram. São filhos do conselheiro Gaston, que nunca assumiu a paternidade. Após a mãe deles morrer, foram a Avilan solicitar seus direitos a Gaston. Foi durante essa viagem que eles encontraram e salvaram Bergeron. Charlotte apaixonou-se por ele.

– núcleo da taberna de LOULOU LION (Ítala Nandi), cigana amada de Corcoran, mulher alegre e carismática. Praticamente criou Jean-Piérre, é amiga dos rebeldes:
o atendente VADI (Cacá Barrete)
as meninas: LILI (Cinira Camargo), apaixonada por Crespi, foi acusada de tê-lo matado,
COZETTE (Carla Daniel), DENISE (Desirée Vignolli), JANINE (Melise Maia) e CAMILLE (Deborah Cattalani).

– núcleo de MARIA FROMET (Aracy Balabanian), plebeia que no passado tivera um caso com o Rei Petrus II. É a mãe de Jean-Piérre, mas desconhece o paradeiro do filho. Esconde-se da perseguição de Ravengar sob o pseudônimo de LENORE GAILLARD, já que casou-se com um nobre:
o marido FRANÇOISE GAILLARD (Edney Giovenazzi), faz o possível para proteger a mulher.

Aplaudida como a melhor novela de Cassiano Gabus Mendes e uma das melhores já produzidas para o horário das sete da Globo.

Que Rei Sou Eu? foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor novela de 1989. Também foi premiada como melhor texto (para Cassiano Gabus Mendes), melhor ator coadjuvante (para Jorge Dória) e melhor figurino (juntamente com Kananga do Japão, da TV Manchete).
Foi premiada ainda com o Troféu Imprensa de melhor novela do ano e melhor atriz, para Tereza Rachel (empatada com Joana Fomm, pela novela Tieta).

A história se passava entre os anos de 1786 e 1789, na transição da Idade Moderna – marcada pelos Estados absolutistas comandados com mãos de ferro pelos monarcas – para a Idade Contemporânea – inaugurada pela Revolução Francesa, que, por sua vez, comemorava seu bicentenário no ano de exibição da novela, 1989.

O fictício Reino de Avilan era uma paródia do Brasil: a miséria do povo, a instabilidade financeira, os sucessivos planos econômicos que impunham o congelamento de preços, a moeda desvalorizada que mudava de nome, a elevada carga de impostos, a corrupção, etc.

O Brasil vivia a euforia da eleição direta de 1989, quando o presidente da República iria ser eleito depois de um jejum de 29 anos, tendo Fernando Collor de Mello e Luís Inácio Lula da Silva como principais concorrentes.
Que Rei Sou Eu? refletia esse momento histórico e político como uma sátira inteligente.

Vários personagens eram referências quase diretas aos seus “representantes” na vida real: a Rainha Valentine (Tereza Rachel) remetia ao então presidente José Sarney; o conselheiro Vanoli (Jorge Dória) ao político baiano Antônio Carlos Magalhães; o bondoso conselheiro Bergeron (Daniel Filho) ao ex-Ministro Dilson Funaro; e o bruxo Ravengar (Antônio Abujamra) ao General Golbery.
Ao final, Ravengar, desaparecido, reaparece sob o nome de Richelieu Rasputin Golbery – Cardeal Richelieu (1585-1642), um dos líderes do Absolutismo francês, Grigori Rasputin (1869-1916), mentor espiritual no Czarismo russo, e General Golbery do Couto e Silva (1911-1987), um dos criadores do Serviço Nacional de Informações (SNI), que prestou serviços ao Governo Militar.
Elmo Francfort em “Gabus Mendes, Grandes Mestres do Rádio e Televisão”.

Entre tantas semelhanças com a realidade, não faltaram vozes a acusar a novela de ser um veículo a mais para conduzir o então candidato Fernando Collor de Melo à presidência da República, já que enxergaram o político na figura do herói da trama, Jean-Piérre, vivido por Edson Celulari.
Elmo Francfort afirma em seu livro que essa nunca foi a intenção de Cassiano Gabus Mendes. Ele pretendia que Jean-Piérre representasse o povo brasileiro, cansado de sofrimento e querendo justiça e igualdade social a todos.

Engajamentos políticos à parte, Que Rei Sou Eu? será sempre lembrada pela originalidade, talento de sua equipe e qualidade geral.

Daniel Filho narra em seu livro “O Circo Eletrônico”:
“Em 1977, Boni sugeriu que eu falasse com Cassiano Gabus Mendes para que escrevesse a próxima novela das oito. Ao ser consultado ele foi categórico (…) – Eu quero fazer uma história engraçada de capa e espada. Uma sátira! – Achamos absolutamente fora de propósito. (…) Dez anos depois, no final do governo Sarney, Cassiano propõe de novo a mesma história, agora para o horário das sete. (…) Indiscutível o sucesso de Que Rei Sou Eu?. Mas será que teria êxito no final da década de 70?”

Além do projeto da novela ter sido recusado em 1977 pela TV Globo, Cassiano fez uma nova tentativa apresentando-o em 1983, novamente negado. Somente em 1988, com o fim oficial da Censura Federal, a emissora aceitou levar adiante o projeto do autor.

Cassiano Gabus Mendes teve que bater o pé para convencer os diretores da Globo a colocar sua novela no ar. A grande dificuldade era a comercial. Nas reuniões, sempre a mesma pergunta: como fazer o merchandising se na época em que a novela era ambientada não havia nenhum produto que se conhecia?
A resposta de Cassiano que convenceu foi muito simples: “Eu faço o mocinho sonhar com o Fusca!” Todos se olharam e ensaiaram uma resposta negativa, mas foram interrompidos:
“Ele vai achar o carro do futuro muito melhor que as carroças. E faço a lavadeira sonhar com o Omo para facilitar o seu trabalho e deixar tudo branco!”
Cassiano convenceu a todos e mostrou que a sátira poderia funcionar muito bem para as estratégias comerciais, atraindo os anunciantes. Flávio Ricco e José Armando Vannucci em “Biografia da Televisão Brasileira”.

Vários atores do elenco tiveram aulas de acrobacia, dança, esgrima, malabarismo, além de orientação profissional sobre linguagem, gestos e costumes da época.

Muitos foram os destaques no elenco, como os atores que viveram os conselheiros do reino de Avilan, numa crítica ao Congresso Federal: Daniel Filho (Bergeron Bouchet), Jorge Dória (Vanoli Berval), Carlos Augusto Strazzer (Crespy Aubriet), Oswaldo Loureiro (Gaston Marny), John Herbert (Bidet Lambert), Laerte Morrone (Gérard Laugier) e Guilherme Leme (Roland Barral).

Antônio Abujamra marcou sua presença e será sempre lembrado como o bruxo Ravengar.
Também brilhou Tereza Rachel, como a Rainha Valentine, em uma caracterização inesquecível – assim como suas gargalhadas agudas.

No papel do bobo da corte Corcoran, Stênio Garcia, então com 57 anos, deu o seu primeiro salto mortal. Resultado de um trabalho corporal de acrobacia de solo que passou a fazer na Escola Nacional de Circo.
A caracterização de Corcoran foi um dos destaques do trabalho de maquiagem (chefiado por Eric Rzepecki): levava cerca de uma hora e meia para ser feita. (*)

Dercy Gonçalves fez uma participação especial em seis capítulos da novela, no papel da baronesa Eknésia, mãe da rainha Valentine. Sua atuação mereceu destaque como um dos pontos altos da trama. (*)

O ator Carlos Augusto Strazzer, que vivia o conselheiro Crespy Aubriet, teve que se ausentar da novela por problemas de saúde. Retornou ao final.
Cassiano criou um outro conselheiro para substituí-lo, inventando novos entrechos: Roland Barral, vivido por Guilherme Leme.

Cassiano fez dentro da novela uma referência ao seu programa Alô, Doçura!, que criou para a TV Tupi entre as décadas de 1950 e 1960, protagonizado pelo então casal Eva Wilma e John Herbert. Em Que Rei Sou Eu?, Eva Wilma fez uma participação, como uma escritora, enquanto John Herbert já estava no elenco fixo, vivendo o conselheiro Bidet Lambert. Na cena em que os dois atores se encontram, o conselheiro fala para ela: Eu conheço você de algum lugar!”

O jogador de futebol Roberto Dinamite também gravou uma participação na novela, juntamente com o ator Luiz Gustavo. Seus personagens vinham da Inglaterra ao Reino de Avilan apresentar um novo esporte à corte: o foot-ball. Luiz Gustavo era Charles Miller (nome do inglês que introduziu o futebol no Brasil) e Roberto Dinamite era o jogador Bobby, que tentou ensinar os conselheiros de Avilan a jogar futebol.

Chico Anysio chegou a gravar uma participação como o especulador estrangeiro Taj Nahal, que aplicaria um golpe na bolsa e no mercado de Val Estrite, do Reino de Avilan. A situação foi inspirada no caso Naji Nahas, o investidor paulista que, na época, protagonizava um escândalo financeiro no país e respondia a um inquérito por estelionato e formação artificial de preços na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Ao saber da criação de Taj Nahal, o advogado de Naji Nahas entrou com um protesto judicial contra a TV Globo, afirmando que o personagem fazia um pré-julgamento de um cidadão que ainda não havia sido sentenciado pela Justiça, e que seu cliente exigiria direito de resposta no mesmo programa, caso a novela fizesse alguma referência satírica aos últimos acontecimentos. Diante disso, a emissora decidiu não exibir a cena. (*)

A fictícia Avilan foi construída em um terreno na Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, no mesmo local em que, alguns anos depois, surgiria o Projac. Os cenógrafos e arquitetos fizeram uma cuidadosa pesquisa sobre técnicas de construção e arquitetura medieval. A cidade cenográfica tinha 2200m2 de área construída e abrangia o palácio e a vila com 14 casas. A maior atração do cenário era o castelo, com 30m de frente e uma torre de 26m de altura. (*)

A direção, embora soasse um tanto “fake” em certos aspectos, mesmo para a época (a cenografia visivelmente artesanal em alguns ambientes), acabou dando um certo charme ao ousado texto, conferindo um tom teatral, condizente com a proposta farsesca da novela.

Uma cuidadosa pesquisa das vestimentas usadas no século 18 norteou a criação dos figurinos de Que Rei Sou Eu? Mais de 400 peças de roupa foram feitas especialmente para os figurantes. (*)

O tema de abertura, “Rap do Rei”, foi composto por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni (então vice-presidente de operações da Rede Globo). A música foi gravada pela banda Luni, cuja vocalista era Marisa Orth – ainda desconhecida do grande público -, integrante do grupo antes de estrear como atriz de televisão.

Em 1989, a escola de samba Beija-Flor – do carnavalesco Joãosinho Trinta – participou do carnaval carioca com o samba-enredo Ratos e Urubus Larguem Minha Fantasia. O desfile da Beija-Flor impressionou a todos. Porém, apesar de ser uma das favoritas, a escola não se sagrou vencedora naquele ano.
Na trama de Que Rei Sou Eu?, Cassiano – numa clara homenagem a Joãosinho Trinta – criou um baile de carnaval no castelo de Avilan onde os nobres dançaram o refrão do samba da Beija-Flor em ritmo de minueto, fantasiados de mendigos.

A novela foi reprisada de 23/10 a 29/12/1989, na Sessão Aventura (às 17 horas), apenas um mês após o final de sua exibição.
Também foi reprisada no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 07/05/2012 e 18/01/2013, à 0h15 (com repeteco ao meio-dia do dia seguinte).

Em novembro de 2013 (após a reprise no Viva), a Globo Marcas lançou o DVD de Que Rei Sou Eu?, em um box com 13 DVDs.

* Site Memória Globo.

Trilha Sonora Nacional

quereit1
01. NOSSA LUZ – Fagner (tema de Aline)
02. CHAMA – Roupa Nova (tema de Bergeron)
03. MEDIEVAL 2 – Léo Jaime (tema de Crespi Aubriet)
04. RENASCER – Zizi Possi (tema de Juliette)
05. ESPANHOLA – Kleiton & Kledir (tema de Loulou Lion)
06. NUNCA É TARDE PRA SONHAR – Eddy Benedict (Edinho Santa Cruz) (tema de Charlotte)
07. CIGANA – Carla Daniel (tema das meninas da taverna)
08. RAP DO REI – Luni (tema de abertura)
09. BYE BYE TRISTEZA – Sandra de Sá (tema de Suzanne)
10. AS MURALHAS DO TEU QUARTO SÃO BEM ALTAS, MAS EU POSSO TE ALCANÇAR – Wando (tema de Lucy)
11. FINGE QUE NÃO FALOU – Nico Rezende (tema de Madeleine)
12. A DAMA E O VAGABUNDO – Zé Lourenço (tema de Pichot)
13. RAÇA DE HERÓIS – Guilherme Arantes (tema de Jean-Piérre)
14. FLECHA – Sagrado Coração da Terra (tema geral)
15. QUE REI SOU EU? – Eduardo Dussek (participação especial Luni) (tema geral)

Trilha Sonora Internacional
quereit2
01. ETERNAL FLAME – Bangles (tema da Princesa Juliette)
02. HOW CAN I GO ON? – Freddie Mercury & Montserrat Caballé (tema da Rainha Valentine)
03. SOMEDAY WE’LL BE TOGETHER (EL CAMIÑO) – Santa Fé (tema de Suzanne)
04. BAMBOLEO – Gipsy Kings (tema de locação: taberna de Loulou)
05. I’LL ALWAYS LOVE YOU – Taylor Dane (tema romântico geral)
06. LES CHEMINS D’AMOUR – Matisse (tema dos rebeldes)
07. ORINOCO FLOW – Enya (tema de Roland Barral)
08. ESPECIALLY FOR YOU – Kylie Minogue & Jason Donovan (tema romântico geral)
09. LIKE A CHILD – Noel (tema de locação: palácio de Avilan)
10. LET THE RIVER RUN – Carly Simon
11. TURN TURN TURN – Herrey’s (tema de Michel)
12. WHEN I FALL IN LOVE – Lil Consant
13. AMERICAN BARS – Leo Robinson
14. PATIENCE – Guns N’Roses (tema de Aline e Jean-Piérre)

Sonoplastia: Jenny Tausz
Supervisão musical: Márcio Antonucci
Seleção musical da trilha internacional: Sérgio Motta
Direção musical: Wálter D’Avilla Filho

Tema de Abertura: RAP DO REI – Luni

É duro viver
Sem amor, sem poder
Sem grana, sem glória
Sem nome na história
É duro viver
Sem coroa, sem trono
Sem URP ou gatilho
Sem nada de abono

A vida é uma só
Não adianta reclamar
Quem não leva a vida
Vai ver a vida passar

Eu só quero ter da vida
O melhor que a vida tem
Um pouquinho do que é bom
Nunca fez mal a ninguém

Cada um deve cuidar
Daquilo que é seu
Só quero para mim
Tudo aquilo que é meu

Essa é a história
De um mundo sujo
De um reino sem memória
De um rei confuso
Querido rei
Perdido rei
O que é que você sabe
Que eu também não sei

Não me iludo com seu jogo
Não acredito no seu drama
Eu não entro nesta festa
Eu não faço tua cama

Eu prefiro o incerto
Do meu coração
A tristeza pede a alegria
A história revolução

Cada um deve cuidar
Daquilo que é seu
Só quero para mim
Tudo aquilo que é meu
E se não for assim
Que rei sou eu?
(Que rei sou eu?)

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