Sinopse

A paixão de Ângela, simples moradora de uma ilha, pelo músico Miguel Borges, que ficou com o rosto deformado ao cair de um penhasco.

Mas a novela tinha um lado dramático: a paternidade da heroína. Ângela era filha do ricaço Tristão Lemos e não sabia.

Record
de 14 de julho a setembro de 1964

novela de Roberto Freire e Walther Negrão
beseada no original de Oduvaldo Vianna (pai)
direção de Randal Juliano e Silney Siqueira

FRANCISCO CUOCO – Miguel Borges
IRINA GRECO – Ângela
FRANCISCO NEGRÃO – Tristão de Lemos
MARIA HELENA DIAS – Rosa
FELIPE CARONE – Manoel Justino
TERESA AUSTREGÉSILO – Maria do Carmo
RÚBENS CAMPOS – João Marinheiro
ADEMIR ROCHA – Jackson

A primeira novela da Record que, a exemplo da Tupi e da Excelsior, também lançara um horário.

Teve relativo sucesso. Foi uma das primeiras novelas em que começaram a ser aferidos os números do Ibope.

O texto era inspirado em uma radionovela que teve grande sucesso nos anos 1950, escrita por Oduvaldo Vianna (o pai). Walther Negrão contou que recebeu os originais da radionovela e que, a partir dali, começou a escrever a telenovela. Antes, falou com Oduvaldo Vianna:
“O senhor mandou um calhamaço de papel-jornal todo puído, meio deteriorado. Não tem uma sinopse, nada? Eu vou ter que ler tudo isso para saber do que se trata?”
Oduvaldo respondeu: “Olha meu filho, nem me lembro mais que história é essa. Faça do jeito que quiser!
(livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Projeto Memória Globo)

O ano era 1964, o “ano do golpe”. Renúncia entrou no ar depois de uma intensa campanha publicitária que levou o nome do novo folhetim aos muros da cidade, como se fosse uma provocação política. (*)
“Estávamos aproveitando a renúncia do Jânio Quadros como marketing para o lançamento, pichando nos muros: ‘Renúncia, renúncia, renúncia!’, disse Walther Negrão ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”.

O maquiador Bené Costa resolveu caprichar na caracterização de Francisco Cuoco para viver o deformado Miguel Borges, e garantiu a todos que usaria o padrão americano para criar as cicatrizes no rosto do ator.
“Ele tinha um gel, uma espécie de silicone, que trouxe dos Estados Unidos”, revelou o autor Walther Negrão. Ele fez o molde, colocou o material no rosto do ator e a gravação durou o dia inteiro.
“Na hora de tirar a máscara, nada! Tentaram de tudo que é solvente, até acetona. Com isso, a pele ficou em carne viva, toda avermelhada”, relembrou Negrão.
“O gel foi comprado nos anos 1940, nunca tinha sido usado e, por isso, estava vencido”, completou.
Francisco Cuoco, que também estava em cartaz em São Paulo com a peça “Boeing-Boeing”, foi obrigado a pisar no palco durante várias semanas sem nenhuma maquiagem, a fim de cuidar do grave estado de sua pele. Durante um bom período, o personagem Miguel nem apareceu na novela. (*)

Em Renúncia, Walther Negrão promoveu um garçom da trama, personagem do ator Ademir Rocha, a segundo galã, para amenizar o impacto visual do protagonista (personagem de Francisco Cuoco) ter o rosto deformado. (“Autores, Histórias da Teledramaturgia”)

No Rio de Janeiro, foi exibida pela TV Rio, com estreia em 20/07/1964, às 20 horas.

Renúncia também foi o título de uma novela que chegou a ser produzida pela TV Bandeirantes em 1982. Mas uma trama nada tem a ver com a outra.

* Fonte: livro “Biografia da Televisão Brasileira”, de Flávio Ricco e José Armando Vannucci.

Trilha Sonora *
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PROGRESS – Elmer Bernstein (tema da novela)
BURKE´S LAW – Herschel Gilbert

Orquestra TV Sound
Arranjo e Regência: Ciro Pereira

* juntamente com a música-tema da novela, o compacto simples trazia o tema da série americana Inspetor Burke

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