Sinopse

“Trair o amante com o marido de quem foi viúva sem nunca ter sido.”

O dia a dia em Asa Branca, pequena cidade no Nordeste brasileiro. Lá, há dezessete anos, o coroinha Luís Roque Duarte, conhecido como Roque Santeiro por sua habilidade em modelar santos, tombou morto ao defender a população dos homens do bandido Navalhada, logo após seu misterioso casamento com a desconhecida Porcina. Santificado pelo povo, que lhe atribui milagres, tornou-se um mito e fez prosperar a cidade em torno da sua história de heroísmo.

Entretanto, Roque não está morto e volta à cidade ameaçando pôr um fim ao mito. Sua presença leva ao desespero o padre Hipólito, o prefeito Florindo Abelha e o comerciante Zé das Medalhas, os principais exploradores do santo. Porém, o maior prejudicado é Sinhozinho Malta, que vê ameaçado o seu romance com a Viúva Porcina. Afinal, ela nunca foi casada com Roque e sempre viveu à sombra de uma mentira articulada por Malta – mentira institucionalizada para fortificar o mito e tirar vantagens pessoais.

Ao retornar, Roque interfere na relação de Sinhozinho Malta e Porcina, além de reacender a paixão de Mocinha, a verdadeira noiva que nunca se conformou com seu desaparecimento e que se manteve casta à espera de seu amor, mesmo pensando que ele estivesse morto. Ela é filha do prefeito Florindo Abelha e da beata Dona Pombinha e é cortejada pelo professor Astromar Junqueira, um sujeito soturno, famoso por seus discursos verborrágicos, que todos na cidade desconfiam ser o lobisomem.

Asa Branca também fica movimentada com a chegada de Matilde, amiga de Sinhozinho Malta do Rio de Janeiro que monta o único hotel da cidade, a Pousada do Sossego, e traz consigo duas “meninas”, Ninon e Rosaly, que vão trabalhar em sua boate, a Sexu´s, enfrentando a ferrenha oposição do padre Hipólito e das beatas da cidade, comandadas por Dona Pombinha Abelha, que tudo fazem para sabotar a boate.

Também chega à cidade a equipe de filmagem de Gerson do Valle, cineasta que vai filmar a saga de Roque Santeiro. A película tem como astros principais Linda Bastos, por quem o diretor é apaixonado, e o mulherengo Roberto Mathias, que seduz, entre outras presas, a Viúva Porcina, Lulu, a reprimida esposa de Zé das Medalhas, e Tânia, a contestadora filha de Sinhozinho Malta, que pede para reabrir o inquérito sobre a misteriosa morte de sua mãe, para o desespero de Sinhozinho.

Globo – 20h
de 24 de junho de 1985
a 22 de fevereiro de 1986
209 capítulos

novela de Dias Gomes
escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva
colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis
direção de Gonzaga Blota, Marcos Paulo, Jayme Monjardim e Paulo Ubiratan

Novela anterior no horário
Corpo a Corpo

Novela posterior
Selva de Pedra

JOSÉ WILKER – Roque Santeiro (Luís Roque Duarte)
REGINA DUARTE – Viúva Porcina (Porcina da Silva)
LIMA DUARTE – Sinhozinho Malta (Francisco Malta)
ARY FONTOURA – Seu Flô (Florindo Abelha)
ELOÍSA MAFALDA – Dona Pombinha
LUCINHA LINS – Mocinha
ARMANDO BÓGUS – Zé das Medalhas
CÁSSIA KISS – Lulú (Lugolina)
FÁBIO JÚNIOR – Roberto Mathias (Roque no filme sobre Roque Santeiro)
YONÁ MAGALHÃES – Matilde
PAULO GRACINDO – Padre Hipólito
CLÁUDIO CAVALCANTI – Padre Albano
LÍDIA BRONDI – Tânia
EWERTON DE CASTRO – Gerson do Valle
PATRÍCIA PILLAR – Linda Bastos (Viúva Porcina no filme sobre Roque Santeiro)
LUIZ ARMANDO QUEIRÓZ – Tito Moreira França
RUY REZENDE – Professor Astromar Junqueira
JOÃO CARLOS BARROSO – Toninho Jiló
ARNAUD RODRIGUES – Cego Jeremias
NELSON DANTAS – Beato Salu (Salustiano Duarte)
MAURÍCIO DO VALLE – Delegado Feijó (Navalhada no filme sobre Roque Santeiro)
CLÁUDIA RAIA – Ninon (Maria do Carmo)
ÍSIS DE OLIVEIRA – Rosaly
NÉLIA PAULA – Amparito Hernandez
OTHON BASTOS – Ronaldo César
OSWALDO LOUREIRO – Navalhada (Aparício Limeira)
MILTON GONÇALVES – Lourival Prata (Promotor Público)
WANDA KOSMO – Dona Marcelina
ELIZÂNGELA – Marilda
ILVA NIÑO – Mina (Filismina)
TONY TORNADO – Rodésio
MAURÍCIO MATTAR – João Ligeiro
CRISTINA GALVÃO – Dondinha
WALDIR SANTANNA – Terêncio
ALEXANDRE FROTA – Luisão
CLÁUDIA COSTA – Carla
LUÍS MAGNELLI – Decembrino
LÍCIA MAGNA – Ciana
SANDRO SOLVIAT – Imperador
as crianças
GABRIELA BICALHO – Tininha (filha de Lulu e Zé das Medalhas)
BRUNO ANDRADE – Raul (filho de Lulu e Zé das Medalhas)
MALIK DOS SANTOS – Tiquinho (menino que acompanha o Cego Jeremias)
e
ADELAIDE PALLETE – Adelaide (costureira-camareira da equipe de filmagem)
AFRÂNIO GAMA – Osmar (garçom da boate Sexu´s)
ALFREDO MURPHY – Alemão (traficante amigo de Ronaldo César)
ANA LUIZA FOLLY – Noêmia (secretária de Sinhozinho Malta)
ÂNGELA FIGUEIREDO – Selma Sotero (atriz que vive Mocinha no filme sobre Roque Santeiro, acaba substituída por Ângela Flores)
ÂNGELA LEAL – Odete (irmã de Efigênia, foi empregada na casa de Sinhozinho Malta e quis chantageá-lo, acabou assassinada)
ÂNGELA TORNATORI – Maria (empregada de Dona Pombinha)
ANTÔNIO PITANGA – Cabra (matador profissional contratado por Sinhozinho Malta para matar Roque)
ARTHUR COSTA FILHO – Dr. Denilson (Dr. Cipó, médico em Asa Branca)
CECÍLIA SALAZAR – dançarina da boate Sexu´s
CÉLIA CRUZ – Nevinha (vendedora na loja de Zé das Medalhas)
CININHA DE PAULA – Berenice (secretária de Sinhozinho Malta no Rio)
CLARA FAJARDO – a namorada do casal beijoqueiro de Asa Branca
CLÁUDIO GAYA – Jurandir (costureiro do Rio indicado por Matilde, vai a Asa Branca confeccionar o vestido de noiva de Porcina)
DAVID LEROY – David (ator que vive Sinhozinho Malta no filme sobre Roque Santeiro)
DEDINA BERNADELLI – Ângela Flores (atriz substituta de Selma Sotero no papel de Mocinha, no filme sobre Roque Santeiro)
DENIS CARVALHO – Tomazzini (produtor do filme sobre Roque Santeiro)
DENNY PERRIER – guia de um grupo de turistas franceses
DU MORAES – Nininha (mulher humilhada, de Vila Miséria, cujo marido foi acusado de querer abusar dos filhos de Zé das Medalhas)
EDILÁSIO JÚNIOR – Geraldão (da equipe de Gerson)
EDWIGES GAMA – Neném (manicure do Salão Império)
EDYR DE CASTRO – Nininha (secretária de Roque)
ELIANA ARAÚJO – Rosa (mulher do Promotor Público)
ELISA SIMÕES – Dona Maricota (beata amiga de Dona Pombinha)
ELY REIS – sacristão
EMILY PIRMEZ – Dona Emilinha (funcionária da Prefeitura de Asa Branca)
FERNANDA UCHOA – dançarina da boate Sexu´s
FERNANDO AMARAL – Fernando (ator que vive o Padre Hipólito no filme sobre Roque Santeiro)
FERNANDO ARAQUÉM – Cleber (filho do Promotor Público)
FERNANDO JOSÉ – Oliveira (diretor da Gazeta Asabranquense)
FRANCISCO PONTES – garçom da boate Sexu´s
GABRIELA SENRA – Lulu (criança)
GILSON CERQUEIRA – devoto, seguidor do Beato Salu
GILSON MOURA – Tião (jagunço de Sinhozinho Malta)
HELOÍSA HELENA – Madre Felícia (freira da Santa Casa que cuida do Beato Salu)
HEMÍLCIO FRÓES – fiscal do Governo, vem inspecionar a Fazenda Velha, de Porcina, administrada pelo padre Albano
ISABELA BICALHO – Porcina (criança)
IVAN SETTA – Ivan (ator que iria viver Navalhada no filme sobre Roque Santeiro, mas que ficou com o papel de Florindo Abelha)
IVAN SIMÕES – Zé Colméia (cabo de polícia, ajudante do delegado Feijó)
JOÃO REYS – Pedro Afonso (fazendeiro amigo de Sinhozinho Malta)
JORGE COUTINHO – homem humilhado, de Vila Miséria, acusado de querer abusar dos filhos de Zé das Medalhas
JORGE ÉDISON – paraplégico que se cura em um ‘milagre’ na praça
JORGE FERNANDO – Lúcio Armando (acompanha o costureiro Jurandir a Asa Branca para confeccionar o vestido de noiva de Porcina)
JOSÉ DE FREITAS – Deputado Ferreira de Jesus (amigo de Sinhozinho Malta, eleito para a Câmara com a ajuda dele)
JULIANA NELI – maquiadora da equipe de Gerson
JULIANA REIS – Aninha (da equipe de Gerson)
LEINA KRESPI – Idalvina (Maria Igarapé, prostituta da Rua da Lama, amiga de Odete e Efigênia)
LÍDIA IÓRIO – Sinhá Maria (empregada do padre Hipólito)
LÍLIAN LEMMERTZ – Margarida (falecida mulher de Sinhozinho Malta, em flashback)
LU MENDONÇA – mãe de Porcina, em flashback
LUCIENE QUADROS – filha do fazendeiro Pedro Afonso, vence João Ligeiro na corrida de cavalos
LUIZ RIGONI como ele mesmo, jóquei
LUTERO LUIZ – Dr. Cazuza Amaral (médico que descobre que Roque Santeiro está vivo, acaba morto por Terêncio)
MANOEL ELIZIÁRIO – Juca (garçom da Pousada do Sossego)
MANOEL THEODORO – Seu Devagar (barbeiro do Salão Império)
MARCOS PAULO – Jorge de Lima (motorista brasileiro em Dallas a serviço de Sinhozinho Malta e Porcina)
MARCOS TOFFANI – garçom da boate Sexu´s
MÁRIO ROBERTO – gerente do banco em Asa Branca
MÔNICA TINOCO – dançarina da boate Sexu´s
PASCOAL VILLABOIM – pregador da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro
PAULO CÉSAR PEREIO – Delegado Benevides (substitui Feijó, no final)
PEDRO VERAS – locutor da Rádio Difusora Asabranquense
REGINA DOURADO – Efigênia (irmã de Odete, cafetina da Rua da Lama)
ROBERTO MARCONI – jornalista do Rio que vem a Asa Branca fazer uma reportagem sobre a cidade
ROSANA BILLARD – Jovina (prostituta da Rua da Lama)
SILVIO POZATTO – Hélio (da equipe de Gerson)
SYLVIA GUIMARÃES
TARCÍSIO MEIRA – Coronel Emerenciano Castor (admirador de Rosaly, a leva embora de Asa Branca no último capítulo)
TONICO PEREIRA – Antônio das Tintas (pintor da igreja)
TREME-TREME – Corró (engraxate do Salão Império)
TUTTY MASIL – o namorado do casal beijoqueiro de Asa Branca
VALDINA ALVES – Benedita (cozinheira de Sinhozinho Malta)
VANILSON SOUZA – garçom do bar Tricolor
VÁLTER ALVES
VERA LUCIA – a mulher gorda do delegado Feijó que chega a Asa Branca atrás dele
WÁLTER SANTOS – matador profissional contratado por Sinhozinho Malta para matar Roque
WANDA ALVES – Tia Sinhá (rendeira, tia de Porcina, foi encontrada por ela esquecida dentro da despensa)
WILSON PASTOR – fotógrafo

– núcleo de LUÍS ROQUE DUARTE (José Wilker), conhecido como ROQUE SANTEIRO por sua habilidade em esculpir santos. Há dezessete anos, morreu ao defender a cidadezinha de Asa Branca de um temível bandido. Em cima dessa lenda, construiu-se o mito de que Roque é um santo milagreiro, alimentado pelos poderosos da região para valorizar a cidade e tirar vantagens em cima do comércio. Porém, Roque estava vivo e retorna a Asa Branca disposto a revelar a verdade e desfazer o mito:
o pai BEATO SALÚ (Nelson Dantas), pregador lunático que acredita e defende a santidade do filho. Desperta do coma quando ele retorna
o irmão JOÃO LIGEIRO (Maurício Mattar), jovem montador, famoso na região pela habilidade nas corridas e em domar cavalos bravios. Cheio de dúvidas existenciais
a secretária NININHA (Edyr de Castro).

– núcleo de SINHOZINHO MALTA (Lima Duarte), o todo-poderoso e manda-chuva de Asa Branca. Fazendeiro e criador de gado, muito rico, austero e autoritário. O principal interessado em manter o mito de Roque Santeiro, sobre o qual inventou a história de que ele morreu logo depois de ter se casado com uma desconhecida – na realidade, a sua amante. Torna-se o principal antagonista de Roque:
a mulher falecida MARGARIDA (Lílian Lemmertz, participação), aparece em flashback
a filha TÂNIA (Lídia Brondi), moça contestadora e rebelde, tem uma relação conflituosa com o pai porque desconfia que ele foi responsável pela morte de sua mãe
a sogra DONA MARCELINA (Wanda Kosmo), mãe de Margarida. Mulher amarga e desconfiada, critica e acusa o genro. Os dois não se suportam e vivem às turras
o capanga TERÊNCIO (Waldir Santanna), seu pau-mandado
a filha de Terêncio, DONDINHA (Cristina Galvão), moça simplória criada na fazenda. Apaixonada desde sempre por João Ligeiro, que também trabalha na fazenda
a secretária NOÊMIA (Ana Luiza Folly).

– núcleo da VIÚVA PORCINA (Regina Duarte), designada por Sinhozinho Malta como a viúva de Roque Santeiro, para desviar a atenção do caso que Sinhozinho e ela mantinham enquanto ele era casado. Mulher esfuziante, temperamental, voluntariosa, desbocada, vaidosa e sensual. Vive em conflito com Tânia e Dona Marcelina, que não a aceitam como nova mulher de Sinhozinho. Com o retorno de Roque, ele e Porcina acabam tendo um envolvimento amoroso, o que abala a relação dela com Sinhozinho e provoca ainda mais a ira dele contra Roque:
a empregada MINA (Ilva Niño), a quem trata como um misto de amiga e mãe, apesar de autoritária com ela
o capataz RODÉSIO (Tony Tornado), seu homem de confiança e protetor, realiza todos os seus desejos. No fundo, nutre uma paixão platônica pela patroa.

– núcleo de FLORINDO ABELHA (Ary Fontoura), prefeito de Asa Branca e dono do salão de barbearia da cidade. Capacho de Sinhozinho Malta, é outro dos poucos que conhecem a verdade sobre Roque Santeiro. Um homem submisso dentro e fora de sua casa:
a mulher DONA POMBINHA (Eloísa Mafalda), beata das mais fervorosas, defensora da moral e bons costumes de Asa Branca, líder das carolas da igreja. Manda e desmanda no marido
a filha MOCINHA (Lucinha Lins), verdadeira noiva de Roque que nunca aceitou a ideia de que ele havia se casado com Porcina. Por isso as duas vivem em pé de guerra. Nunca recuperou-se da – suposta – morte do noivo e de vez em quando sofre de surtos, em que se veste de noiva. Solteirona convicta, e ainda virgem, alimenta o amor pelo falecido, mesmo pensando que ele está morto
o PROFESSOR ASTROMAR JUNQUEIRA (Ruy Rezende), figura misteriosa e soturna. Um brilhante orador, chefia o centro cívico de Asa Branca e está presente em todas as solenidades do município com seus discursos verborrágicos. Corre a lenda de que ele se transforma em lobisomem em noites de lua cheia. É apaixonado por Mocinha, com quem sonha em se casar, apesar de ela apenas vê-lo como um amigo.

– núcleo de ZÉ DAS MEDALHAS (Armando Bógus), homem ganancioso. Dono de uma indústria de medalhinhas de santo, é o princípio comerciante de Asa Branca, dominando as vendas de suvenires em torno do mito de Roque Santeiro. Logo, um dos principais interessados em manter esse mito. Aliado de Sinhozinho Malta e do prefeito, também sabe a verdade sobre Roque:
a mulher LULU (Cássia Kiss), sobre a qual corre a lenda de que tenha tido visões de Roque quando criança – na verdade, outra farsa sustentada para alimentar o mito. No fundo, é uma mulher passiva, reprimida sexualmente e dominada pelo marido machista e violento
os filhos pequenos RAUL (Bruno Andrade) e TININHA (Gabriela Bicalho)
a empregada e babá dos filhos, CIANA (Lícia Magna), fiel ao patrão.

– núcleo de MATILDE (Yoná Magalhães), amiga de Sinhozinho Malta do Rio de Janeiro. Muda-se para Asa Branca abrindo dois negócios: compra um casarão que transforma no primeiro hotel da cidade, a Pousada do Sossego, e abre uma boate, a Sexu´s, em que, além de oferecer bebida e jogo, apresenta shows com dançarinas. Com a Sexu´s, compra uma briga feia com o pároco e as beatas da cidade, lideradas por Dona Pombinha, que fazem de tudo para sabotar a boate. Mas Matilde é protegida de Sinhozinho e consegue levar adiante o seu empreendimento:
as dançarinas, jovens sedutoras e provocantes, ROSALY (Ísis de Oliveira), que sonha em se casar com algum coronel ou fazendeiro rico,
e NINON (Cláudia Raia), que se encanta com a história do lobisomem, com quem tem sonhos eróticos
a amiga AMPARITO HERNANDEZ (Nélia Paula), portenha que chega a Asa Branca para ajudá-la na administração e nas coreografias dos shows da Sexu´s. No passado, tivera um caso com Florindo Abelha
o antigo amor RONALDO CÉSAR (Othon Bastos), um sedutor mau-caráter, metido com bandidos no Rio de Janeiro. Chega a Asa Branca atrás dela com a intenção de envolvê-la novamente e extorquir-lhe mais dinheiro
o atendente na Pousada do Sossego, DECEMBRINO (Luís Magnelli), um sujeito bem sossegado.

– núcleo de GERSON DO VALLE (Ewerton de Castro), cineasta que vem a Asa Branca para filmar a saga de Roque Santeiro, porém encontra uma série de dificuldades. Um tipo ansioso, mandão e gago, é completamente apaixonado pela estrela do filme, sua musa – apesar de ela ser casada:
o galã ROBERTO MATHIAS (Fábio Jr.), ator mais conhecido por suas conquistas amorosas. Interpreta Roque no filme. Cínico, debochado e aventureiro, mas um bom profissional. Seduz, entre outras mulheres, Tânia, Porcina e Lulu
a estrela LINDA BASTOS (Patrícia Pillar), vive a Viúva Porcina no filme. Bela e promissora atriz. Casada, é assediada pelo diretor, apaixonado por ela. Aos poucos, cede às investidas de Gerson
o marido de Linda, TITO MOREIRA FRANÇA (Luiz Armando de Queiroz), que a acompanha nas gravações. Ciumento, vive de olho em Gerson. Decide investir em uma fábrica de velas em Asa Branca
a ex-mulher de Roberto Mathias, MARILDA (Elizângela), chega em Asa Branca para extorquir-lhe dinheiro. Provocante e interesseira, envolve-se com Sinhozinho Malta
a equipe de produção do filme: LUISÃO (Alexandre Frota), CARLA (Cláudia Costa), HÉLIO (Silvio Pozatto), GERALDÃO (Edilásio Júnior), ANINHA (Juliana Reis) e outros.

– demais personagens:
o PADRE HIPÓLITO (Paulo Gracindo), homem extremamente conservador que deseja que o mito de Roque Santeiro permaneça. Conivente com Sinhozinho Malta, Florindo Abelha e Zé das Medalhas, muitas vezes não concorda com os métodos deles
o PADRE ALBANO (Cláudio Cavalcanti), padre liberal que entra em atrito com Hipólito, por suas ideias progressistas. Descobre a farsa sobre Roque Santeiro e tenta, em vão, alertar a todos. Vive um amor proibido por Tânia, o que é contra os preceitos de sua religião
TONINHO JILÓ (João Carlos Barroso), guia turístico de Asa Branca, rapaz afoito, esperto e malandro. Melhor amigo de João Ligeiro
CEGO JEREMIAS (Arnaud Rodrigues), violeiro que vive de pedir esmolas na escadaria da igreja matriz. Conhece todos os moradores de Asa Branca pelos seus passos, quando se aproximam. Há sabedoria em sua esperteza
TIQUINHO (Malik dos Santos), moleque que acompanha o Cego Jeremias
DELEGADO FEIJÓ (Maurício do Valle), por medo, sempre acaba acatando as ordens de Sinhozinho Malta. Apaixona-se por Ninon e se fantasia de lobisomem apenas para conquistá-la
IMPERADOR (Sandro Solviat), bêbado que perambula por Asa Branca soltando frases de efeito em defesa da monarquia
NAVALHADA (Oswaldo Loureiro), bandido sanguinário que no passado atacou Asa Branca e supostamente matou o jovem Roque em confronto. Retorna à cidade redimido, convertido e beato para expurgar os seus crimes
o PROMOTOR PÚBLICO LOURIVAL PRATA, (Milton Gonçalves), chega a Asa Branca para investigar as falcatruas dos poderosos da região.

Os antecedentes

Em 1975, em comemoração ao décimo aniversário da TV Globo, a emissora programou o lançamento da novela A Saga de Roque Santeiro e a Incrível História da Viúva que Foi Sem Nunca Ter Sido, escrita por Dias Gomes e dirigida por Daniel Filho, a nova atração do horário das oito da noite que prometia inovar o gênero.
A novela já tinha 51 capítulos escritos, quase 30 gravados e 10 editados quando, na noite de sua estreia, em 27/08/1975, foi proibida de ir ao ar pelo órgão de censura do Governo Militar. Faltando poucos minutos para começar a atração, o apresentador Cid Moreira deu a notícia no Jornal Nacional e leu o editorial escrito por Armando Nogueira, então diretor do telejornal, anunciando o veto.

O Governo justificava: “A novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja.”

Pairava no ar o receio de que a novela não fosse liberada pelo Governo Federal. Mesmo assim, a produção seguiu a todo vapor, com previsão de estreia para o fim de agosto de 1975, em substituição a Escalada, de Lauro César Muniz.
A Globo acreditava que a situação se resolveria. Na verdade, a equipe da novela apostava que, mais cedo ou mais tarde, o dono da emissora, o empresário Roberto Marinho, conseguiria a liberação com o próprio ministro da Justiça, Armando Falcão, seu amigo pessoal. Dias Gomes só percebeu que a situação estava mesmo difícil quando soube, poucos dias antes da estreia, que Falcão não estava atendendo aos telefonemas de Marinho. (*)

Para tapar o buraco no horário, deixado pelo veto de Roque Santeiro, a Globo providenciou uma reprise compacta da novela Selva de Pedra (de 1972) enquanto Janete Clair era acionada para, às pressas, escrever uma nova trama, usando praticamente a mesma equipe de Roque Santeiro. Janete escreveu então Pecado Capital, que tornou-se um dos seus maiores sucessos.

Para escrever Roque Santeiro, Dias Gomes baseou-se em sua peça “O Berço do Herói”, escrita em 1963, proibida de ser encenada, à época, pela censura do Governo Militar.
Contando a história de um cabo da Força Expedicionária Brasileira que deserta e, por engano, é considerado herói de guerra, a Censura Federal vetara o texto alegando que ele denegria a carreira militar. Havia mesmo um general, Amaury Kruel, que ameaçara Dias Gomes dizendo que “essa peça jamais será representada enquanto nós formos o poder”. Comandante do 2º Exército, o general Kruel tinha sido um dos pracinhas brasileiros da FEB. Ele não gostava nem um pouco de “O Berço do Herói”. Dias tirou todas as fardas de sua história e, acreditando que o Exército não tinha mais razões para se incomodar, adaptou-a para a televisão. (*)

Sobre a proibição de Roque Santeiro, a sinopse estava em Brasília quando Dias Gomes recebeu um telefonema do amigo Nelson Werneck Sodré. (…)
‘O que é que você está fazendo?’ – quis saber Werneck.
‘Uma pequena sacanagem’ – respondeu Dias. ‘Estou adaptando O Berço do Herói para a TV’.
‘Mas a Censura vai deixar passar?’
‘Não tem mais o cabo. Assim passa. Esses militares são muito burros!’

Como também era hábito, o telefone de Werneck Sodré estava grampeado. A conversa foi gravada, a censura entendeu as intenções de Dias, os militares voltaram a se sentir atingidos e a sinopse nunca foi oficialmente liberada. (*)

(*) “Janete Clair, a Usineira de Sonhos”, Artur Xexéo.

Dez anos depois

Em 1985, com os ares liberais da Nova República, Roque Santeiro pôde enfim estrear, tornando-se um dos maiores sucessos da TV brasileira de todos os tempos. A novela explodiu de norte a sul do país, era vista por mais de 80% da população – um fenômeno de Ibope e faturamento.
“Fechando com uma média de 80% de audiência, a novela foi vista com paixão por 70 milhões de brasileiros.” (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A notável penetração de Roque Santeiro nos hábitos brasileiros, discutindo religião, misticismo popular e política, descartando o romantismo e adotando a caricatura no lugar de personagens psicológicos, devolveu à telenovela sua função de catalisadora das massas. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Uma inteligente sátira nacional que serviu para ilustrar de forma decisiva que Asa Branca (a cidadezinha fictícia da novela) representava uma miniatura do Brasil.
O grande clímax: Padre Albano (Cláudio Cavalcanti) bate o sino e reúne todos na praça matriz para desvendar a farsa do santo que está vivo. Só que, nesse dia, o Beato Salú (Nelson Dantas), em coma, “ressuscita” e a população fiel, em vez de ouvir a verdade, acaba celebrando mais uma vez os milagres de Roque Santeiro. “O mito é mais forte que a verdade” é a constatação.

Nem tudo foi perfeito. A coautoria de Aguinaldo Silva pecava, em parte, pela excessiva introdução de novos personagens que distanciavam a novela das origens regionalistas criadas por Dias Gomes. Como, por exemplo, o núcleo da rua da Lama, em ação muito próxima aos entrechos policiais centrados na baixada fluminense. Dias, ao assumir a autoria, escrevendo os capítulos finais, eliminou o urbano voltando a história à sua ideia original.
Apesar do irrepreensível trabalho de Lima Duarte, o roteiro falhou quando o personagem do ator, Sinhozinho Malta, assumiu a posição de mandar matar quem não o interessasse. Por que ele não deu cabo de Roque Santeiro, seu maior desafeto? (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

A briga dos autores

Cansado do ritmo da TV, Dias Gomes chamou Aguinaldo Silva para ser coautor da novela. Dos 209 capítulos da trama, Dias escreveu 99: os 51 iniciais e os 48 finais. Aguinaldo escreveu 110.

Apesar de dividirem a autoria, Dias Gomes e Aguinaldo Silva acabaram tornando público os ciúmes pelos louros do sucesso de Roque Santeiro. No período em que esteve ausente da novela, Dias teria se irritado com a exposição de Aguinaldo na mídia por causa deste sucesso.
A menos de dois meses do fim da trama, o choque entre os autores se agravou e a Globo teve de intervir. Eles disputavam direitos autorais. Porém, mais do que lucros, o que cada um queria era reivindicar para si a paternidade do fenômeno.
Em novembro de 1986, Dias escreveu a José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor artístico da Globo. Alegou ser autor da peça “O Berço do Herói” que deu origem à novela e “cujos direitos autorais não me foram adquiridos pela Globo”. Propôs 60% de participação (50% pelos capítulos da novela que ele escrevera e 10% pela peça). Aguinaldo ficaria com 30%, e os outros 10% iriam para os colaboradores.
Em dezembro foi a vez de Aguinaldo se dirigir a Boni. Afirmou que, além de ter feito 110 capítulos, atualizara os iniciais, de 1975. A proposta: 40% para si, 40% para Dias e 20% para os colaboradores. Seu tom foi duro: “Nesse instante, do que estou mais precisando é de incentivos, e não que venha alguém minimizar o meu trabalho.”
Essa foi a divisão acordada pela Globo. Porém, a amizade morreu. Os autores voltaram a se falar em 1999, pouco antes da morte de Dias Gomes. (Laura Mattos para o jornal A Folha de São Paulo, 15/07/2011)

Aguinaldo Silva revelou a André Bernardo e Cíntia Lopes para o livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo”:
“O Dias simplesmente não se interessou pela novela, tanto que ele me entregou os primeiros capítulos e depois viajou para a Europa. (…) Quando ele voltou da Europa, uns três meses depois, Roque Santeiro já era um estouro, um escândalo de sucesso. Desconfio até que o Dias nunca tenha visto Roque Santeiro até o momento em que ele voltou a escrever. O que eu escrevi, então, não lhe interessou. O que ele queria era escrever o final da novela. Na ocasião, ele chegou a pedir que eu desse uma declaração à imprensa de que estava saindo da novela como uma forma de homenageá-lo. Naquele momento eu percebi que, se eu fizesse isso, estaria me condenando a ser eternamente o segundo, um autor secundário (…) Foi quando virei a mesa. Saí, mas disse a verdade: que o Dias estava apenas interessado em escrever o final de Roque Santeiro. No fundo, a imprensa sabe que quem escreveu a novela fui eu, e não o Dias. É claro que reconheço que a novela é do Dias Gomes. Mas prefiro dizer que é uma novela do Dias Gomes que eu escrevi.”

O elenco

Inúmeros foram os destaques no elenco, em personagens inesquecíveis: o Sinhozinho Malta de Lima Duarte; o casal Florindo Abelha e Dona Pombinha de Ary Foutoura e Eloísa Mafalda; o Padre Hipólito de Paulo Gracindo; Zé das Medalhas e sua reprimida mulher Lulu, de Armando Bógus e Cássia Kiss; Jiló de João Carlos Barroso; o Professor Astromar de Ruy Rezende; o Cego Jeremias de Arnaud Rodrigues; Mocinha de Lucinha Lins; entre outros. Porém, quem mais brilhou foi Regina Duarte, vivendo a Viúva Porcina, que, de “namoradinha do Brasil” passou a “amante nacional”.

Betty Faria, a Viúva Porcina escalada em 1975, não quis viver a personagem nessa versão. Sobre a escalação de Regina Duarte para o papel, Daniel Filho contou em seu livro “O Circo Eletrônico”:
“Primeiro, conversei com ela para ver se gostaria de fazer o papel. Ela leu e adorou. Se demonstrasse algum receio, não arriscaríamos. Paulo Ubiratan, o diretor-produtor, tinha medo e ao mesmo tempo era fascinado pelo inusitado. Era um risco, mas pensado. Regina tem enorme carisma. E quando ela quer e gosta, é difícil ela não acertar.”

Alguns atores do elenco original (de 1975) puderam enfim interpretar seus papéis em 1985: Lima Duarte (Sinhozinho Malta), João Carlos Barroso (Jiló), Luiz Armando Queiróz (Tito) e Ilva Niño (Mina). Milton Gonçalves, que iria viver o personagem equivalente ao Padre Hipólito em 1975, voltou em 1985 como o Promotor Público. E Elizângela, a Tânia da versão original, voltou como Marilda.

Sinhozinho Malta tinha uma característica que ficou marcante e é lembrada até hoje: quando estava nervoso, sacudia as pulseiras em um tique acompanhado por um efeito sonoro que reproduzia o som de uma cascavel, seguido do bordão “Tô certo, ou tô errado?”
Também o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura) e Zé das Medalhas (Armando Bógus) tinham trejeitos próprios, que faziam parte da interpretação dos atores.
Ruy Rezende ficou marcado pela caracterização do soturno Professor Astromar. A sequência em que seu personagem se transforma no lobisomem é uma das mais marcantes da novela.
E Regina Duarte, além do exagero no vestir e portar-se de sua Porcina, ainda é lembrada pelo grito “Minaaaaaaaaa!” sempre que sua personagem exigia a presença imediata da criada, vivida por Ilva Niño.

Primeira novela das atrizes Patrícia Pillar, Cláudia Raia e Lucinha Lins.
Maurício Mattar já havia aparecido nos capítulos finais de Vereda Tropical, naquele ano, mas Roque Santeiro foi sua primeira novela com um personagem fixo.
Primeira novela na Globo dos atores Othon Bastos e Tony Tornado.

E mais…

Depois de várias novelas do horário das oito da noite ambientadas no universo urbano do Rio de Janeiro, a Globo centralizou a ação em uma região do sertão nordestino. Roque Santeiro deu início a uma onda de tramas regionais estruturadas em alguma cidadezinha nordestina, com personagens folclóricos e situações cômicas e surreais. Uma linha que o próprio Dias Gomes havia desenvolvido em suas novelas O Bem-Amado (1973) e Saramandaia (1976), às dez da noite, inspirando-se no chamado Realismo Fantástico da literatura latino-americana, principalmente em “Cem Anos de Solidão” (1967), do colombiano Gabriel García Márquez. Aguinaldo Silva, o coautor, fez sucesso com a fórmula em novelas seguintes, como Tieta (1989-1990), Pedra Sobre Pedra (1992), Fera Ferida (1993) e A Indomada (1997).

Foram gravados dois finais para a novela, no estilo do filme Casablanca (1942), nos quais Porcina (Regina Duarte) fica na dúvida se embarca com Roque (José Wilker) no avião ou continua com Sinhozinho Malta (Lima Duarte) em Asa Branca. A viúva opta por permanecer ao lado do coronel, e os dois terminam acenando para Roque, que vai embora. Reza a lenda que um terceiro final teria sido gravado, no qual Porcina terminaria com seu capataz Rodésio (Tony Tornado), que sempre fora apaixonado pela patroa.

Por meio do contraponto entre o Padre Hipólito (Paulo Gracindo) e o Padre Albano (Cláudio Cavalcanti), chamado de “padre comunista”, a novela abordou um tema em voga na época: a divisão da Igreja Católica entre tradicionalistas e adeptos da Teologia da Libertação. Progressista, Padre Albano lutava a favor dos trabalhadores e contra o mito de Roque Santeiro.

A Censura Federal reprimiu a trama do peão homossexual João Ligeiro (Maurício Mattar). O personagem vivia pensativo, dando mostras de preferir a companhia do amigo Jiló (João Carlos Barroso) à da namorada Dondinha (Cristina Galvão). Sem poder mostrar a sua inclinação sexual, os autores decidiram matá-lo. Na versão vetada da novela (de 1975), João seria uma mulher, masculinizada, vivida pela atriz Cidinha Milan. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A cidade cenográfica foi construída em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, aproveitando a vegetação local. Para dar vida à Asa Branca, o cenógrafo Mário Monteiro criou uma cidadezinha que fosse parecida com Juazeiro do Norte, no Ceará, Porto das Caixas, no Rio de Janeiro, e Aparecida do Norte, em São Paulo – cidades que vivem em função da religiosidade popular. Asa Branca se parecia com as três, mas tinha identidade própria.
Em tempo recorde – 20 dias –, 180 homens construíram 26 prédios de madeira tratada, para obter maior durabilidade. Algumas construções, como a barbearia e a igreja, também tiveram seu interior montado em externas, além da fachada, o que reduzia as gravações em estúdio.
O maior destaque da cidade cenográfica era o centro de Asa Branca, mais precisamente a Praça da Matriz, onde ficavam a estátua de Roque Santeiro e as barraquinhas que vendiam todo tipo de suvenir do “santo”. O local reunia os romeiros que acorriam à cidade. A vegetação que cercava a praça era cenográfica.
A equipe de cenografia teve a preocupação de retratar diversas regiões brasileiras em um cenário só. Para isso, foi feita uma colagem de símbolos de diferentes locais do país. Misturou-se o colonial carioca com o nordestino, construções da região Centro-Oeste com elementos do Sul, tudo com o objetivo de representar em Asa Branca o Brasil por inteiro. (Site Memória Globo)

A estátua de Roque Santeiro tombando ao ser baleado – que, na novela, estava na praça central de Asa Branca, em frente à igreja – foi uma encomenda do diretor Daniel Filho ao cenógrafo Mário Monteiro por ocasião da primeira versão da novela. Daniel explicou no livro “Antes que me Esqueçam”:
“Pedi que fosse parecida com aquela da Avenida Atlântica [no Rio] em homenagem aos Dezoito do Forte de Copacabana. É aquele camarada caindo com a mão no peito e largando o rifle. Só que na novela, em vez de soldado, era um vaqueiro”.
A estátua foi repetida em 1985.

O figurino de Porcina virou moda: maquiagem exagerada, vestidos colantes, com drapeados e decotes profundos, cores e bijuterias extravagantes, muito brilho, chapéus, turbantes e óculos vistosos.
A produção nacional de perucas também foi influenciada pelo personagem de Lima Duarte. Segundo dados da época, as vendas de perucas aumentaram 80% no país. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A trilha sonora obteve enorme sucesso e levou a gravadora Som Livre a abrir um precedente: pela primeira vez, deixou de produzir a trilha sonora internacional de uma novela para lançar um segundo volume da trilha nacional. O volume 1 vendeu mais de meio milhão de cópias em apenas três meses. (Site Memória Globo)

A maioria das músicas da trilha sonora foram escolhidas de modo a caber como uma luva para as ambientações e personagens, marcaram a época e são imediatamente associadas à novela, como “Isso Aqui Tá Bom Demais” (Dominguinhos), “A Outra” (Simone), “Sem Pecado e Sem Juízo” (Baby Consuelo), “Chora Coração” (Wando), “Mistérios da Meia-Noite” (Zé Ramalho), “Santa Fé” (Moraes Moreira), o tema da abertura, “Dona” (Roupa Nova), “De Volta Pro Aconchego” (Elba Ramalho), “Coração Aprendiz” (Fafá de Belém), “Roque Santeiro” e “Verdades e Mentiras” (Sá e Guarabira), “Pelo Sim Pelo Não” (Cláudio Nucci e Zé Renato), “Vitoriosa” (Ivan Lins), “Mil e Uma Noites de Amor” (Pepeu Gomes), “Entra e Sai de Amor” (Altay Velloso) e outras.

Em 2001, músicas das duas trilhas de Roque Santeiro foram relançadas, em um só CD, dentro da coleção “Campeões de Audiência”, da Som Livre – que jogou no mercado mais 19 trilhas nacionais de novelas campeãs de vendagem nunca antes lançadas em CD (títulos até 1988, pois no ano seguinte foram lançados os primeiros CDs de novelas).

Aproveitando o sucesso da novela, chegou às bancas o álbum de figurinhas de Roque Santeiro – hoje peça rara disputada por colecionadores.

Com a grande repercussão da novela, a Globo criou uma campanha de fim de ano bem diferente para 1985: em vez de reunir seu elenco e profissionais, limitou-se ao elenco de Roque Santeiro, na cidade cenográfica de Asa Branca, desejando paz ao novo ano que estava por vir, embalada pela música de todos os anos (“Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa…”).

Em agosto de 1985, durante a programação do SBT, Silvio Santos recomendou que seu público assistisse à novela Roque Santeiro na TV Globo e depois mudasse de canal para acompanhar a minissérie americana Pássaros Feridos no SBT. A arriscada estratégia deu certo e a TV de Silvio superou a concorrente a partir das 22 horas. Esta tática seria repetida em outras oportunidades, sempre rendendo uns pontinhos a mais de audiência para a emissora. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Roque Santeiro ganhou todos os prêmios da televisão em 1985. Pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) foi eleita a melhor novela, melhor texto (Dias Gomes e Aguinaldo Silva), melhor ator (Lima Duarte), melhor atriz (Regina Duarte) e revelação feminina (Cláudia Raia).
Também ganhou o Troféu Imprensa de melhor novela, melhor ator (Lima Duarte), melhor atriz (Regina Duarte) e “pessoa do ano”, para Cláudia Raia.

Roque Santeiro foi lançada em versões romanceadas, posteriormente, em duas ocasiões. Em 1987, na coleção “Campeões de Audiência”, da Editora Globo, com outras 11 adaptações de novelas de sucesso em livretos, à venda nas bancas. E em 2008, também pela Editora Globo, na série de livros “Grandes Novelas”, adaptações de 5 novelas, escritas por Mauro Alencar com colaboração de Eliana Pace.

Roque Santeiro foi a primeira novela comercializada em DVD, pela Globo Marcas, em 2010, nas comemorações de seu 25º aniversário.

A novela foi reprisada três vezes: entre 01/07/1991 e 03/01/1992, aos finais de tarde;
entre 11/12/2000 e 29/06/2001, no Vale a Pena Ver de Novo;
e no canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) entre 18/07/2011 e 04/05/2012, à 0h15 com reprise ao meio-dia do dia seguinte.

Trilha Sonora 1

roque85t1
01. ISSO AQUI TÁ BOM DEMAIS – Dominguinhos (participação especial Chico Buarque) (tema de Sinhozinho Malta)
02. A OUTRA – Simone (tema de Lulu)
03. SEM PECADO E SEM JUIZO – Baby Consuelo (tema de Linda e Gerson)
04. CHORA CORAÇÃO – Wando (tema de Mocinha)
05. MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE – Zé Ramalho (tema do lobisomem)
06. SANTA FÉ – Moraes Moreira (tema de abertura)
07. DONA – Roupa Nova (tema de Porcina)
08. DE VOLTA PRO ACONCHEGO – Elba Ramalho (tema de Roque)
09. INDECENTE – Anne Duá (tema de Matilde)
10. CORAÇÃO APRENDIZ – Fafá de Belém (tema de Tânia)
11. ROQUE SANTEIRO – Sá e Guarabira (tema de locação: Asa Branca)
12. CÓPIAS MAL FEITAS – Alceu Valença (tema de Zé das Medalhas)

Trilha Sonora 2

roque85t2
01. MALANDRO SOU EU – Beth Carvalho (tema de Roque)
02. COISAS DO CORAÇÃO – Ritchie (tema de Tânia)
03. PELO SIM PELO NÃO – Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Sinhozinho Malta)
04. VITORIOSA – Ivan Lins (tema de Lulu)
05. FRUTA MULHER – Nana Caymmi (tema de Matilde)
06. VERDADES E MENTIRAS – Sá e Guarabira (tema de locação: Asa Branca)
07. MIL E UMA NOITES DE AMOR – Pepeu Gomes (tema de Linda e Gerson)
08. A HORA E A VEZ – Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Porcina)
09. MAL NENHUM – Joanna (tema de Ninon e do delegado Feijó)
10. ENTRA E SAI DE AMOR – Altay Velloso (tema de Tânia e do padre Albano)
11. AMPARITO AMOR – Cauby Peixoto (tema de Amparito Hernandez)
12. MAL DE RAIZ – MPB4 (tema de Mocinha)

Sonoplastia: Aroldo Barros
Coordenação de produção: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: SANTA FÉ – Moraes Moreira

Bam-bam-bam-bam bateu
Bateu meu coração
Minha cabeça enlouqueceu
Tam-tam-também tocou
Falou o nosso amor
Falou e desapareceu

Deus e o Diabo na Terra
Sem guarda-chuva, sem bandeira
Bem e o mal
Ninguém destrói essa guerra
Plantando brisa e colhendo vendaval

Não sou nenhum São Tomé
No que eu não vejo eu ainda levo fé
Eu quero a felicidade
Mas a tristeza anda pegando no meu pé

Tem gente falando com a lua
Gente chorando na praça
Menino querendo rango
Nêgo bebendo cachaça
E a cada minuto que passa
Tem muita gente chegando
Tem muita gente pagando
Pagando, pagando pra ver…

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