Sinopse

Nos campos petrolíferos da Bahia, vive Rosa com os problemas de seus sete filhos – Agenor, Ivan, Bráulio, Wálter, Orestes, Edinho e Cláudia – e a esperança de que Edmundo Lua Nova, seu companheiro e pai de seus filhos, retorne mais uma vez para casa.

Bandeirantes – 20h
de 9 de fevereiro a 31 de julho de 1981
141 capítulos

novela de Lauro César Muniz
direção de David José, Waldemar de Moraes, Antonino Seabra e Sérgio Galvão
supervisão de Wálter Avancini

Novela anterior no horário
Um Homem Muito Especial

NANCY WANDERLEY – Rosa Baiana
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Agenor
EDGARD FRANCO – Ivan
MARIA LUIZA CASTELLI – Neide
ANA MARIA MAGALHÃES – Natália
WÁLTER PRADO – Orestes
WANDA STEFÂNIA – Helena
MAURÍCIO DO VALLE – Bráulio
RAYMUNDO DE SOUZA – Wálter Beleza
TAUMATURGO FERREIRA – Edinho
TÂNIA REGINA – Cláudia
JOFRE SOARES – Frei Damião
ZÉLIA TOLEDO – Márcia
REGINA DOURADO – Matilde
MÁRCIA CORBAN – Maria Rosa
JOÃO SIGNORELLI – Roberto
ANTÔNIO PITANGA – Raimundo
ALDO CÉSAR
NILDA SPENCER
WÁLTER SANTOS
HARILDO DEDA
CRISTINA BARUDE – Isabel
GESSIANE ARAÚJO – Clarice
ISAURA OLIVEIRA – Linda
LUIZ VELASCO – Nivaldo
LUIZ CARLOS BRAGA
LEONEL NUNES
JONAS RODRIGUES SANTOS
EDUARDO CABUS
TERCILIANO JÚNIOR
MÁRIO GADELHA
ARLINDO BIÃO
LUIZ CARLOS GOMES
REGINA LÚCIA
JÚLIO CARMO BARBOSA SOARES
e
RAFAEL DE CARVALHO – Edmundo Lua Nova
LUIZ GUSTAVO – Marcelo (novo namorado de Neide)

Lauro César Muniz retomava seu trabalho na televisão depois da exaustão de Os Gigantes, na Globo, novela problemática que causou sua demissão da emissora carioca.

Rosa Baiana, que tinha os campos petrolíferos da Bahia como pano de fundo, teve o patrocínio da Petrobrás. A ideia veio do diretor Wálter Avancini. Ele, Lauro César Muniz, o diretor David José, um produtor e um cenógrafo partiram para Salvador, Aracaju e Manaus para fazer os primeiros contatos diretos com o mundo do petróleo. A viagem de volta foi feita em um navio petroleiro.
“Foi uma experiência fantástica e épica”, lembrou Lauro César Muniz. “Visitei áreas de exploração na Amazônia e passei dias hospedado numa plataforma marítima.” (Jornal do Brasil, 17/08/1980, TV Pesquisa, PUC-Rio).

Totalmente realizada na Bahia, sem o auxílio de estúdio, Rosa Baiana só pecava ao enfatizar excessivamente as crises conjugais de dois filhos da protagonista Rosa (Nancy Wanderley), tornando-se a espinha dorsal da trama. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

Porém, a boa ideia inicial resvalou em uma decepção para o autor e um problema para a Bandeirantes, ante a baixa audiência, motivada em grande parte pela concorrência direta com as novelas das oito da Globo, de grande sucesso: a fase final de Coração Alado e a estreia de Baila Comigo.

Logo no início das gravações, o diretor David José se incompatibilizou com a Bandeirantes e com Lauro – segundo ele, David interpretava os capítulos de forma diferente do que ele escrevia – e acabou saindo da direção sendo substituído por uma trinca de diretores: Antonino Seabra, Waldemar de Moraes e Sérgio Galvão.
Avancini também se desentendeu com a emissora e foi embora. Sozinho, Lauro César Muniz perdeu em grande parte o apoio que era dado principalmente por Avancini, o pai da novela, o único e mais empenhado em levar adiante o projeto inovador. Revista Amiga, 12/08/1981.

A novela também enfrentou problemas técnicos e de produção. Desde o início, a captação de som das cenas externas (e eram a maioria) foi criticada. Houve vezes em que a cena era gravada com uma só câmera, take por take, influindo também na qualidade, pois sempre perdia naturalidade e fluência.

A interferência maior foi do próprio governador da Bahia na ocasião, Antônio Carlos Magalhães, que não permitia que a novela fosse passada lá. Segundo explicações extra-oficiais, ele achava que Rosa Baiana não refletia o que o seu governo tinha como ideal. Ele queria o lado turístico, e a novela mostrava o lado pobre, feio, e os prostíbulos.

O clímax dos problemas ocorreu com o abandono do ator Wálter Prado das gravações dos últimos vinte capítulos. O ator voltou para São Paulo, deixando o autor Lauro César Muniz num verdadeiro abismo, pois o personagem dele, Orestes, era um dos pontos fortes da novela, calcado no mito de Electra – que na trama era Helena (Wanda Stefânia), apaixonada pelo pai.

Ao final, Lauro César Muniz desabafou em entrevista para a revista Amiga (publicada em 12/08/1981, TV Pesquisa, PUC-Rio):
Rosa Baiana foi uma empreitada muito difícil, porque não tivemos apoio de ninguém, nem ao menos da própria casa. Ninguém se preocupou com esta novela e ela acabou relegada a segundo plano. (…) Em primeiro lugar, não tínhamos uma organização montada na Bahia, uma infraestrutura, o que dificultava tudo, pois se um equipamento quebrava, tínhamos que mandá-lo para São Paulo, sendo preciso parar as gravações. Além disso, é sabido que o som de externa é muito deficiente e isso fez com que a novela se ressentisse na parte técnica. Depois, faltou uma unidade de direção, pois foi dirigida por cinco pessoas, o que fez com que o ritmo se quebrasse. Além do mais, não havia direção de arte; tudo que harmoniza o visual da novela não existia. Os atores se vestiam e se maquilavam a seu bel-prazer. E o último golpe de misericórdia foi retirá-la da programação de sábado, sem que ninguém fosse consultado se devia ou não.”

O ator Rafael de Carvalho, do elenco, faleceu em 03/05/1981, aos 63 anos, vítima de enfarte, enquanto a novela estava sendo rodada. Lauro César Muniz descartou a hipótese de matar o personagem ou substituir o ator. Assim sendo, ele fez com que o personagem Edmundo Lua Nova abandonasse sua família, deixando a trama.
Na novela, ficou reservada apenas para o desfecho uma cena gravada pelo ator para o reencontro de Edmundo com a família: vestido de palhaço, membro de uma trupe circense à qual se juntara, deixando Rosa e os filhos. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Rosa Baiana teve um capítulo de “pré-estreia”, exibido no sábado anterior à estreia da novela, no dia 07/02/1981, às 20 horas.

Única novela da atriz Nancy Wanderley (primeira mulher de Chico Anysio, mãe de Lug de Paula), que viveu a protagonista Rosa.

Trilha Sonora
baianat
01. ROSA BAIANA – Xangai
02. ZANZIBAR – A Cor do Som
03. DESCI LADEIRA – Odair Cabeça de Poeta
04. LITERATURA DE CORDEL – Grupo Terra
05. ZUMBI – Grupo Agreste
06. MARACANÃ – Ponte Aérea
07. ESTRELA-GUIA – Joanna
08. HORA DE SER CRIANÇA – Délcio Carvalho
09. DESENCONTRO – Barca do Sol
10. JAÍBA – Grupo Agreste
11. A VENDINHA DA FEIRA – Zé do Baião
12. ASA BRANCA – Banda Bandeirantes

Sonoplastia: Salatiel Coelho
Coordenação de Produção: Renato Viola

Tema de Abertura: ROSA BAIANA – Xangai

Treme o chão, treme a terra
Ronca o barulho do trovão
Voz de Deus ou Diabo
Juizo Final, celebração!

Diante dos olhos passa ligeiro
Chão da Bahia, sertão inteiro
Sol derramando fogo no céu
Sangue e suor como nas Cruzadas
Reza, mandinga, o cruzar de espadas
Rosa Baiana, paixão e fé!

Enquanto corpo-flor desabrocha
O coração cede feito rocha
Às insistentes ondas do amor
E a esse encanto de amor primeiro
Que lhe desfecha o golpe certeiro
Rosa Baiana, Rosa Mulher!

Força de Deus pra criar os filhos
Não se dobrou pra fera cansaço
Morte, cangaço, faca, fuzil
Sobrevivente a tanta disputa
Vitoriosa na sua luta
Rosa Baiana, Rosa Brasil!…

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