Sinopse

Na época do Segundo Reinado, Clóvis é o senhor que oprime negros, aplica um golpe no banco de seu sogro, Mário, e tenta enlouquecer a mulher, Júlia, para se apoderar da herança dela. Além disso, prepara uma armadilha fatal contra o único homem que pode desmascará-lo: Carlos, o contador do banco que roubou. Coloca explosivos numa valise em que ele transporta dinheiro para outra agência, e o faz voar pelos ares. Após o acidente, Carlos perde a memória e esquece a mulher e os três filhos, que o julgam morto.

Dez anos depois, Carlos juntou-se à trupe mambembe de Raposo. É quando ele se recupera da amnésia e, sempre no anonimato, deflagra uma batalha para provar que Clóvis não somente tentou eliminá-lo como também é responsável por outros crimes e falcatruas. Paralelamente, Júlia continua sofrendo demais. Até porque seu marido já convenceu a quase todos de que ela perdeu o juízo. E, para mantê-la calada, Clóvis ameaça revelar que o filho deles, Maurício, não é legítimo e sim de criação.

Também a ex-amante de Carlos, Pola Renon, ganha força na história e, de forma indireta, torna-se aliada de Júlia. Convicta de que Clóvis é o culpado pelo desaparecimento do homem por quem era apaixonada, ela se empenha em reunir provas para jogá-lo atrás das grades. De seu lado está Lúcio, o filho mais velho de Carlos, que lutará para que seja abolida a escravatura e, ainda, para descobrir a verdade em relação a seu pai. Sem saber que por trás de todo o passado está Pola, a mulher a quem ama e protetora de sua família.

Excelsior – 19 e 20h
de 31 de março de 1969 a janeiro de 1970

novela de Vicente Sesso
direção de Sérgio Britto

Novela anterior no horário
Legião dos Esquecidos

FRANCISCO CUOCO – Carlos Rezende / Lúcio Rezende
NICETTE BRUNO – Clara
TÔNIA CARRERO – Pola Renon
FERNANDA MONTENEGRO – Júlia
HENRIQUE MARTINS – Clóvis Camargo
RODOLFO MAYER – Raposo
SADI CABRAL – Machado
ARMANDO BÓGUS – Maurício
ROSAMARIA MURTINHO – Viviane
MAURO MENDONÇA – Conde Giorgio de La Fontana
RITA CLEÓS – Suzana
SÉRGIO BRITTO – Tenente Alexandre Paranhos
NÍVEA MARIA – Cíntia
CARMINHA BRANDÃO – Mariana
NESTOR DE MONTEMAR – Lourenço
EDMUNDO LOPES – Dr. Mário Albuquerque Soares
ALDO DE MAIO – Juca
PEIRÃO DE CASTRO – Martinez
GERALDO LOUZANO – Artur
ELISABETH BECKER – Marisa
BEATRIZ BERGAN – Eugênia
RENATO MACHADO – Ricardo
RACHEL MARTINS – Bá (empregada de Clara)
ANTÔNIO PITANGA – José do Patrocínio
GILMARA SANCHES – Solange Deschamps
SALOMÉ PARISI – Zulmira
EDUARDO ABBAS – Pedro Cesteiro
ENIO CARVALHO – Quinzinho (Joaquim Cerdeira)
MARLENE COSTA – Carolina
MÁRIO GUIMARÃES – Praxedes
GLADYS MARIA – Bentinha
EUDÓXIA ACUÑA
RIVALDO PEREZ – Rivaldo
ZELUIZ PINHO – Inspetor Herculano
GENY PRADO – Leocádia
GILBERTO SÁLVIO – Lucas
MARCOS PAULO – Marcos
CUBEROS NETO – Tenente Arruda
SILVIO DE ABREU
LUIZ DE BITTENCOURT – Dr. Noronha
MARILENA DE CARVALHO – Totonha
RUTHNÉIA DE MORAES – Juliana
CLEDY MARISE – Clementina
SONIA DE FREITAS
SILVIO ROCHA – Targino
MARIA HELENA – Bentinha
ANA MARIA NEWMAN – Mara
JOTA FRANÇA – Conde Cerdeira
as crianças
VALDO RODRIGUES – Lúcio (criança)
AMÉRICO RODRIGUES – Ricardo (criança)
ELAINE LEICK – Cíntia (criança)
VICENTE CRUZ – Maurício (criança)
e
NATHÁLIA TIMBERG – Sarah Bernhardt
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – D. Pedro II
MÁRCIA REAL – Princesa Isabel
CARLOS ZARA – juiz
JOÃO JOSÉ POMPEO – advogado de defesa
SEBASTIÃO CAMPOS – promotor

Último grande sucesso da TV Excelsior e última novela do horário das 19 horas da emissora.

História, elenco, produção (que utilizava guarda-roupa do próprio autor, Vicente Sesso) e direção fluindo perfeitamente. O estilo era dramalhão, só que envolto num fascínio poucas vezes conseguido no gênero. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A TV Excelsior já estava em crise, mas a novela em momento algum deixou transparecer ao telespectador os problemas econômicos em que se debatia a emissora.

O personagem Lúcio (Francisco Cuoco), que movimentava a trama dos abolicionistas, provocou protestos da censura do Regime Militar, que obrigou a novela a mudar de horário, das 19 para as 20 horas.

Os militares já pressionavam a Excelsior quando a novela estreou. A emissora estava na mira do Governo, que buscava qualquer motivo para uma ação mais extremista. Um ano depois, a concessão da Excelsior foi cassada, fechando a emissora (em 30/09/1970).
Como Sangue do Meu Sangue abordava várias questões sociais, acabou despertando maior atenção dos censores, que chegaram a colocar soldados armados nos estúdios. A atriz Fernanda Montenegro chegou a ser barrada por um soldado com fuzil engatilhado quando voltava ao camarim para trocar o figurino para a próxima cena. A situação foi constrangedora para todos e o autor não pensou duas vezes ao cobrar do comandante da tropa destacada na emissora outro comportamento com os profissionais que estavam ali.
“Fernanda presenciou minha discussão e ficou branca com a minha postura. Ela temia pelo pior. Não aconteceu nada” revelou Vicente Sesso a Flávio Ricco e José Armando Vannucci, para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.

Francisco Cuoco afirmou seu potencial de ator-galã, sendo em seguida contratado pela TV Globo, onde estreou com a novela Assim na Terra Como no Céu.

No elenco estelar, destaque para Nicette Bruno, interpretando Clara.

Tônia Carrero estreou em novelas na TV Rio em 1966, com A Mulher que Amou Demais, mas numa época em que a televisão era essencialmente local. A ida da grande estrela carioca para atuar em Sangue do Meu Sangue foi bastante saudada em São Paulo. Ainda, a exemplo de Francisco Cuoco, ao final da novela Tônia também foi contratada pela Globo. Assim como Vicente Sesso, que estreou na emissora carioca com Pigmalião 70, o primeiro trabalho de Tônia na Globo.

No dia 5 de maio de 1969, a TV Excelsior exibiu um compacto das primeiras semanas da novela, no horário habitual (que então era às 19h). (Folha de São Paulo, 05/05/1969.)

Sangue do Meu Sangue ganhou um remake em 1995, produzido pelo SBT, desta vez sem sucesso. No elenco da nova versão, Jayme Pariard (Carlos), Tarcísio Filho (Lúcio), Bia Seidl (Pola Renon), Osmar Prado (Clóvis) e Lucélia Santos (Júlia) em papeis que foram de Francisco Cuoco (Carlos e Lúcio), Tônia Carrero (Pola Renon), Henrique Martins (Clóvis) e Fernanda Montenegro (Júlia) na primeira versão.

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