Sinopse

Há muitos anos, o pobretão Aparício Varela deu o golpe do baú perfeito: deixou Rebeca, o grande amor da sua vida, no Rio de Janeiro, para casar-se com Teodora, uma ricaça paulista. A poderosa Teodora era a mais velha e menos desmiolada das três filhas do presidente da Tecelagem Abdala, membro da comunidade árabe de São Paulo. O tempo passou e as três herdeiras Abdala – Teodora, Lucrécia e Fabíola – tornaram-se três megeras esnobes e, naturalmente, detestadas por seus respectivos maridos.

Hoje viúva, Fabíola controla a vida do único filho, Tavinho. Lucrécia casou-se com Aprígio, irmão de Aparício, e o casal tem uma filha, Camila. Teodora assumiu a presidência ao lado de Aparício, mas é ela quem dá as ordens. A extravagante Fedora é a filha do dois. Aprígio, por sua vez, envolveu a empresa da família em negociatas com uma perigosa irmandade de fanáticos de um líder conhecido por Ela. Seus seguidores agem clandestinamente, nos fundos de uma boate, mas estão prestes a ser desmascarados por Camila e Guel.

Morador de um cortiço em São Paulo, Guel teve a família arrasada pelo sumiço de seu pai, Ricardo de Pádua, que saiu um dia para comprar cigarros e não mais retornou, fato que deixou sua mãe, Aldonza, traumatizada. O casal tivera quatro filhos: Jorge Miguel (Guel), Constância (Tancinha), Isabel (Bel) e Juana. Aldonza trabalha na feira com as três filhas, batalhando o sustento da família e os estudos de Medicina de Guel. Só que Guel nunca foi à faculdade como contava para a mãe. Ele é, na realidade, um detetive da Interpol disfarçado.

Guel e Camila descobrem a identidade secreta de Ela. Na realidade “El A”, sigla de El Achid: Achid Callux, milionário árabe escondido sob a falsa identidade de Bóris Aidan, que planeja destruir Aparício Varela. Fedora é, na realidade, filha de Teodora e Achid, fruto de um namoro da juventude. A família nunca aprovou essa relação, pois Achid tinha péssima fama. Teodora teve de deixá-lo para casar-se com Aparício, que assumiu a paternidade de Fedora. Porém, Achid nunca desistiu de pôr as mãos na fortuna de Teodora.

Em um sinistro pacto feito entre os seguidores de Ela, Aprígio introduz o bandido Leonardo Raposo no seio dos Abdala para que se case com a sobrinha Fedora, e, depois, matá-la. Ao casar-se com Fedora, Leonardo pensa em eliminá-la de todas as formas, com olho na fortuna. Em um diabólico plano para matar a esposa, ele explode o jatinho onde estava Teodora, matando a sogra por engano. Porém, quanto mais o tempo passa, menos Leonardo consegue levar adiante seu plano, já que apaixona-se de verdade por Fedora.

Com a morte de Teodora, Aparício, agora viúvo e feliz, toma as rédeas da empresa da família. Livre da pressão e dos berros da mulher, ele só pensa em saçaricar e recuperar o tempo perdido no casamento fracassado. Pensa também em voltar para Rebeca, o antigo amor, recém-chegada a São Paulo. Ela havia sido contratada como estilista por Teodora e, assim, passava a trabalhar no mesmo prédio que Aparício. A aproximação não é fácil, já que a separação, no passado, deixou mágoas em Rebeca.

Viúva e voltando do exterior, Rebeca é agora uma distinta e elegante senhora, mas sem um tostão no bolso. Associa-se às novas amigas Penélope Bacelar e Leonora Lamarr com o objetivo de caçar um marido milionário. Sabendo do intuito de Rebeca, Aparício deixa a presidência e finge ser um simples faxineiro da fábrica. Usando vários disfarces, ele tenta conquistar as três amigas sem que elas saibam que estão envolvidas pelo mesmo homem. Porém, logo Teodora Abdala vem do além para atazanar o pobre viúvo.

Globo – 19h
de 9 de novembro de 1987
a 11 de junho de 1988
184 capítulos

novela de Silvio de Abreu
direção de Cecil Thiré, Lucas Bueno e Miguel Falabella
direção geral de Cecil Thiré

Novela anterior no horário
Brega e Chique

Novela posterior
Bebê a Bordo

PAULO AUTRAN – Aparício Varela (Cicinho)
TÔNIA CARRERO – Rebeca Rocha (Bebé)
EVA WILMA – Penélope Bacelar
IRENE RAVACHE – Leonora Lamarr
MAITÊ PROENÇA – Camila Varela
EDSON CELULARI – Guel (Jorge Miguel Gutierrez de Pádua)
CARLOS ZARA – Ricardo de Pádua
LOLITA RODRIGUES – Aldonza Gutierrez
CLÁUDIA RAIA – Tancinha (Constância Gutierrez de Pádua)
MARCOS FROTA – Beto (Carlos Alberto Bacelar)
ALEXANDRE FROTA – Apolo
CRISTINA PEREIRA – Fedora Abdala Varela (Fefê)
DIOGO VILELA – Leonardo Raposo (Leozinho)
JANDIRA MARTINI – Teodora Abdala Varela
LOURIVAL PARIZ – Achid Calux (Bóris Aidan)
LAERTE MORRONE – Aprígio Varela (Pipi)
MARIA ALICE VERGUEIRO – Lucrécia Abdala Varela
ILEANA KWASINSKY – Fabíola Abdala
ROBERTO BATAGLIN – Tadeu
ANGELINA MUNIZ – Bel (Isabel Gutierrez de Pádua)
DENISE MILFONT – Juana Gutierrez de Pádua
RÔMULO ARANTES – Adonis
MARCELA MUNIZ – Diana
ALEXANDRE LIPIANI – Tavinho (Otávio Abdala)
STELLA FREITAS – Dinalda
ALDINE MÜLLER – Brigite
NEY SANT´ANNA – Nicodemus
JORGE LAFOND – Bob Bacall (Roberto)
BÁRBARA THIRÉ – Bia
MARCO MIRANDA – Ariovaldo Almeida Prado
DAISY TENÓRIO – Jurema

e
ADELAIDE PALETTE (ADELAIDE CONCEIÇÃO) – Dona Ilse (feirante)
ALDO DELANO – porteiro da Tecelagem Abdala
ANA ARIEL – Dona Josefa
ANA MARIA SAGRES – moradora do cortiço
ANDRÉA MARTINS – modelo que desfila para a Tecelagem Abdala
ANTÔNIO ABUJAMRA – Totó
ANTÔNIO MENDELL – advogado
ANTÔNIO PEDRO – detetive de Aparício
ARIEL COELHO – garçom
AUGUSTO OLÍMPIO – Fumacinha (conhecido de Leonora, a aborda em um bar)
BENJAMIN CATTAN – Inspector Mário Della Costa
BIA MONTEZ – funcionária do Physical Spa, onde se conhecem Rebeca, Penélope e Leonora, no início
CARLO DE KARLO – contador
CARLOS CAPELETTI – Ferdinando (costureiro do vestido de noiva de Fedora, no início)
CARLO TAKESHI – Shun Zen (disfarçado de garçom, tenta matar Aparício durante a festa de casamento de Rebeca, a mando de Leonardo)
CECIL THIRÉ – São Sinfrônio (santo de devoção de Aparício, no último capítulo)
CÉLIA BIAR – Dona Kiki
CÉSAR FILHO – Ciro Antônio (apresentador na festa do jubileu da Tecelagem Abdala, primeiro e segundo capítulos)
CÉSAR MACIEIRA – advogado
DAVID LEROY – oficial de justiça que entrega uma ordem de despejo para Rebeca
DAVI PINHEIRO – Dinamite (comparsa de Leonardo na explosão do jatinho que vitimou Teodora)
DIANA BURLE – paquera de Beto
ELIETE CIGARINI – Roberta (atriz italiana paga por Ricardo para se passar de conhecida de Leonardo, provocando ciúmes em Fedora)
ELY REIS – frequentador da boate
ÊNIO SANTOS – delegado que manda prender Apolo depois de ele ter raptado Tancinha
EVANDRO LEANDRO – um dos assaltantes que surpreendem Guel e Camila, no segundo capítulo
FERNANDA MONTENEGRO como ela mesma
FERNANDO CARVALHO – detetive de Aparício
FERNANDO JOSÉ – policial que encontra Tancinha e Apolo alguns dias depois de ele a ter raptado
FRANCISCO NAGEN – locatário de uma casa
GEYSA GAMA – moradora da pensão onde vive Leonardo no início
GUARACY VALENTE – guarda de trânsito que aborda Penélope e Leonora
GUILHERME CORRÊA – Dr. Jamal (médico de Diana)
HELDER CARNEIRO – do jóquei
HÉLIO GUERRA – oficial de justiça
HELOÍSA RASO – Kitty, the Cat
HEMÍLCIO FRÓES – milionário que flerta com Leonora, no início
HENRIQUETA BRIEBA – falecida avó de Dinalda
HUGO CARVANA – médico que atesta o óbito de Luiz Guilherme
IRENE LIMA – professora de dança do ventre
IVAN MESQUITA – Seu Joaquim (português dono do boteco onde Apolo leva Leonora)
IVAN SETTA – Azambuja
IVO CICOGNA – padre do casamento de Fedora e Leonardo
JOÃO VIEITAS – conselheiro
JORGE FERNANDO como ele mesmo, diretor da novela em que Leonora ia atuar, no início
JORGE NAPOLEÃO – morador da pensão onde vive Leonardo no início
KLEBER MACEDO – tia Xaribe (da família Abdala)
LEILAH ASSUMPÇÃO como ela mesma, convida Leonora a retornar aos palcos
LEINA KRESPI – tia Labibe (da família Abdala)
LEONOR LAMBERTINI – Dona Ermelina (moradora da pensão onde vive Leonardo no início)
LUG DE PAULA – Pereira (assistente de Jorge Fernando)
MANOEL ELIZIÁRIO – frequentador da boate
MARCELA POLO – modelo que desfila para a Tecelagem Abdala
MARCELO SABACK – médico de Diana
MARCO AURÉLIO – costureiro que faz o vestido de noiva de Tancinha
MARILENA CURY – Lalume
MAURÍCIO ALVES – Maurício
MAURO GORINI – Evilásio (recepcionista no Maksoud Plaza, comparsa de Leonardo)
MOACYR PRINA – médico
MYRIAN PÉRSIA – diretora do Physical Spa, onde se conhecem Rebeca, Penélope e Leonora, no início
NANI VENÂNCIO – uma das modelos que fazem um desfile exclusivo de lingérie para Fedora, depois fotografada por Camila
PAULA BURLAMAQUI – uma das modelos fotografadas por Camila em seu no apartamento, no primeiro capítulo
PAULO CÉSAR GRANDE – um dos namorados de Fedora
PAULO MIRANDA – repórter
RAUL GAZOLA – Rubinho (agente de Leonora)
RENATO NEVES – professor do Physical Spa, com quem Leonora é pega na sauna
RICARDO FRÓES – Geraldo (feirante amigo de Aldonza)
ROBERTO LOPES – Farnésio (policial que ajudou Guel a sair do mundo do crime para se dedicar à investigação criminal)
ROGÉRIO FRÓES – Marcos (ex-marido de Penélope, pai de Beto, mora em Belo Horizonte)
ROSANE BILLAD – repórter
RUYTER DE CARVALHO – Josias (motorista dos Abdala)
SANDRA LINDO – modelo que desfila para a Tecelagem Abdala
SANDRO SOLVIAT – Carabina (matador contratado por Leonardo para matar Aparício)
SEBASTIÃO BORGES – vizinho
SÉRGIO BRITTO – Luiz Guilherme Ribeiro de Faria (banqueiro que flerta com Rebeca, no início, morre no altar antes de casar-se com ela)
SILVIA PFEIFER – modelo que desfila na festa de jubileu da Tecelagem Abdala, no segundo capítulo
SUZY ARRUDA – frequentadora do Physical Spa, denuncia o agarramento de Leonora com o professor na sauna
TARCÍSIO FILHO – Carlos Ronaldo
TERESA CRISTINA SCHMIDT – modelo que desfila na festa de jubileu da Tecelagem Abdala, no primeiro e segundo capítulos
TONY RAMOS como ele mesmo, ator da novela em que Leonora ia atuar, no início
VICTOR HEIN – repórter
WALDEMAR ROCHA – Dr. Fernando (advogado que lê o testamento de Teodora)
YUMIKO UENO – modelo que desfila na festa de jubileu da Tecelagem Abdala, no primeiro e segundo capítulos
Tia Ramide (da família Abdala)

– núcleo da família Abdala, da comunidade árabe de São Paulo, gente muito rica, proprietária da Tecelagem Abdala:
APARÍCIO VARELA (Paulo Autran), presidente da empresa ao lado da mulher. Deu o golpe do baú ao casar-se com a herdeira. Submisso, aguentou calado a vida toda os desmandos da mulher megera. Com a morte dela, resolve “saçaricar”: tirar o atraso e reconquistar o tempo perdido
TEODORA ABDALA VARELA (Jandira Martini), mulher de Aparício, a mais velha das irmãs Abdala. Autoritária, arrogante e desagradável. Vive humilhando o marido, a quem faz de gato e sapato. Morre na explosão criminosa de um jatinho, mas seu espírito volta para atormentar o viúvo
FEDORA (Cristina Pereira), filha de Aparício e Teodora, moça extravagante, perdulária e mimada. Voluntariosa como a mãe, que faz todas as suas vontades. Acha-se muito bela e que tem os homens aos seus pés, quando na realidade eles só estão interessados em seu dinheiro
APRÍGIO (Laerte Morrone), irmão de Aparício, também trabalha nas empresas da família, casado com a segunda herdeira do clã. Desviou uma grande quantia de dinheiro da empresa e está nas mãos de um grupo criminoso que quer se apossar da fortuna dos Abdala
LUCRÉCIA (Maria Alice Vergueiro), mulher de Aprígio, irmã de Teodora, tão megera quanto ela. Sempre foi apaixonada por Aparício, mas só lhe restou casar-se com o irmão dele
CAMILA (Maitê Proença), filha de Aprígio e Lucrécia. Fotógrafa bela e esperta, de espírito investigativo. Ao longo da trama, é revelado que é uma agente da Interpol e investiga o grupo criminoso que quer desfalcar sua família
FABÍOLA (Ileana Kwasinski), irmã caçula de Teodora e Lucrécia, tão megera quanto elas. O marido a abandonou no passado, sumindo com toda a parte na herança da família que lhe cabia. Mora de favor na mansão de Teodora, a quem bajula. Vive em pé de guerra com Lucrécia. Vigia o único filho, a quem tenta dominar
TAVINHO (Alexandre Lipiani), filho de Fabíola, revolta-se contra o domínio da mãe
LEONARDO RAPOSO (Diogo Vilela), um malandro que Aprígio infiltra na família Abdala como parte de seu plano de enganá-los. Passando-se por milionário, envolve Fedora, que fica caidinha por ele. Planeja a morte dela, mas o plano dá errado e Teodora é quem acaba morrendo em seu lugar. Ao longo da trama, apaixona-se verdadeiramente por Fedora, formando um par divertido e tresloucado: LEOZINHO e FEFÊ
ARIOVALDO (Marco Miranda) e JUREMA (Daisy Tenório), comandam o batalhão de empregados na mansão Abdala.

– núcleo de REBECA ROCHA, (Tônia Carrero), antiga paixão de Aparício, que preferiu dar o golpe do baú em Teodora, com quem casou-se. Rebeca ressurge em sua vida após muitos anos, ao ser contratada por Teodora para trabalhar como estilista na Tecelagem Abdala. Nunca perdoou Aparício e agora, falida, une-se a duas amigas para encontrar um marido rico:
as amigas: PENÉLOPE BACELAR (Eva Wilma), de tradicional família mineira. Mulher um tanto insegura e atrapalhada. Separada e sem um tostão, muda-se para São Paulo, onde mora o filho,
e LEONORA LAMARR (Irene Ravache), atriz sem projeção que não consegue trabalho. Desligada, não muito inteligente e ninfomaníaca
As três são assediadas por Aparício: Rebeca o reencontra na pele de um simples faxineiro; Penélope o conhece como o presidente da Tecelagem Abdala; e Leonora acha que ele é um rico lorde inglês
a empregada DINALDA (Stela Freitas), confiada e relapsa, só não vai embora porque vive na esperança de receber seus salários atrasados quando Rebeca der o golpe do baú.

– núcleo de RICARDO DE PÁDUA (Carlos Zara), italiano, amigo de Aparício desde a juventude. Está há anos desaparecido, desde que saiu de casa para comprar cigarros e não mais voltou, deixando a família desamparada. Na verdade, aceitou a proposta de Aparício de chefiar a filial da tecelagem na Itália. A família recebia mensalmente uma quantia em dinheiro por Aparício, sem saber dessa ligação dos dois:
a mulher ALDONZA (Lolita Rodrigues), espanhola de sangue quente, ficou traumatizada por ter sido abandonada pelo marido. Teve que se virar para criar os quatro filhos. Feirante, vende frutas e verduras no bairro onde mora. Acha que a família Abdala é culpada pelo desaparecimento de Ricardo:
o filho GUEL (Edson Celulari), engana a família que faz faculdade de Medicina, mas na verdade é um detetive da Interpol que, com Camila, investiga um grupo criminoso que quer se apossar dos bens da família Abdala. Envolve-se com Camila e com Leonora
as filhas, que a ajudam na feira: TANCINHA (Cláudia Raia), passou um bom tempo na infância com a avó italiana, por isso acabou aprendendo a falar tudo errado, como um forte sotaque italianado. Bela e sensual, desejada pelos homens, porém ingênua e romântica. De caráter bom e temperamento forte, não se deixa enganar facilmente e nem leva desaforo para casa,
ISABEL (Angelina Muniz), de caráter duvidoso, interesseira e carreirista, não se conforma com a vida simples e dura que leva. Só pensa em se dar bem, nem que para isso passe por cima dos outros,
e JUANA (Denise Milfont), a caçula, moça romântica e impulsiva.

– núcleo de APOLO (Alexandre Frota), um tipo bronco, grosseirão, machão e intempestivo, mas de bom coração. Ganha a vida com o irmão fazendo carreto e transporte com seu caminhão. Órfão, vive com os dois irmãos mais novos no mesmo cortiço onde mora Aldonza e sua família. Namorado de Tancinha, com quem sonha casar e constituir família:
os irmãos: ADONIS (Rômulo Arantes), apaixonado por Isabel, que o despreza por ele ser pobre. Mais doce que Apolo, é alvo do amor platônico de Juana, mas nem repara nela, por ainda enxergá-la como uma criança,
e DIANA (Marcela Muniz), amiga e confidente de Juana. Apaixonada por Tavinho, os dois enfrentam a oposição de Fabíola, a mãe do rapaz, que não quer ver o filho envolvido com uma moça pobre. Ao longo da trama, descobre que é portadora de uma doença crônica.

– núcleo de BETO, (Marcos Frota), filho de Penélope. Publicitário independente, um yuppie. Poda a mãe por não aceitar que ela se envolva com outro homem além de seu pai. Mulherengo e metido a conquistador, encanta-se por Tancinha quando a conhece na feira. Enlouquecido de paixão, passa a disputá-la com Apolo, o que provoca a ira do namorado da moça. Tancinha, por sua vez, se sente “divididinha” entre seus dois pretendentes:
o melhor amigo TADEU (Roberto Bataglin), sócio em sua agência de publicidade. Envolve-se com Penélope e o casal enfrenta a oposição de Beto, que não aceita a relação da mãe com seu companheiro de farras
a secretária BIA (Bárbara Thiré), aguenta os “pitis” do chefe.

– núcleo de ACHID CALLUX (Lourival Pariz) milionário árabe escondido sob a falsa identidade de BÓRIS AIDAN. Foi um antigo amor de Teodora, renegado pela família dela por ser considerado um mau elemento. Fedora é, na realidade, sua filha. Arma um plano para destruir Aparício, a quem considera um rival, resgatar Fedora e se apossar da fortuna dos Abdala. Cria uma seita chamada “Ela”, na verdade “El A”, sigla de “El Achid”. Seus seguidores agem clandestinamente nos fundos de uma boate. A seita acaba desmantelada por Camila e Guel, agentes da Interpol disfarçados:
os seguidores de Ela: BRIGITE (Aldine Müller), durante o dia é secretária da presidência da Tecelagem Abdala, e durante a noite, dançarina da boate. Amante de Aprígio, tem um “rolo” com Guel,
NICODEMUS (Ney Sant´Anna), motorista de Bóris Aidan/Achid Callux, um tipo sinistro,
e BOB BACALL (Jorge Lafond), barman da boate.

Divertida novela com poucos tropeços. O mais acentuado é o fato de o início da história pouco ter a ver com sua continuação. O fio condutor, o “saçarico” de Aparício (Paulo Autran), deixou de centralizar a ação dando espaço para as loucuras de Fefê e Leozinho (Cristina Pereira e Diogo Vilela), o namoro de Camila e Guel (Maitê Proença e Edson Celulari), e Tancinha (Cláudia Raia), dividida entre Beto e Apolo (Marcos Frota e Alexandre Frota). (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Um dos pontos de partida da trama são as três amigas – Rebeca (Tônia Carrero), Penélope (Eva Wilma) e Leonora (Irene Ravache) – que resolvem sair do sufoco “caçando” um marido rico. Clara inspiração de Silvio de Abreu no filme Como Agarrar um Milionário (“How to Marry a Millionaire”, de Jean Negulesco, 1953) com Lauren Bacall, Marilyn Monroe e Betty Grable.

Entre os destaques de Sassaricando, Cristina Pereira e Diogo Vilela como o inesquecível casal Fefê e Leozinho. Fedora passou a novela inteira citando um casal amigo, Marineida e Aníbal Massaini, que nunca apareceu. O produtor de cinema Aníbal Massaini Neto é amigo pessoal de Silvio de Abreu.
O autor criou Fefê e Leozinho pensando em Regina Casé e Ney Latorraca para interpretá-los. Porém, Regina não pôde fazer a novela. Cristina Pereira entrou em seu lugar e, com ela, um novo par: Diogo Vilela.
Com o casal, ganhou destaque sua música-tema, “Fatamorgana” (cantada em árabe pela banda alemã Dissidenten) que embalava os delírios de Fefê, em meio a tâmaras, banhos de leite de cabra e fantasias eróticas.

Mesmo com alguns exageros, Cláudia Raia, com sua exuberante Tancinha, foi a marca registrada da novela. O linguajar e o sotaque paulistano italianado da personagem fizeram o maior sucesso. Indecisa sobre qual de seus pretendentes escolher, o publicitário Beto ou o musculoso Apolo, Tancinha falava: “Me tô divididinha!”.

Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, Silvio de Abreu explicou como concebeu Tancinha:
“Foi inspirada numa mulher que existiu, que conheci (…) Ela falava com o filho ‘Mirton, me vem pra cá. Me estou aqui esperando e você não me aparece!’ Sempre achei engraçado esse jeito de falar. Pensei numa mulher gostosona – ela não era, mas misturei as duas coisas – e meio ingênua. Queria fazer a burra gostosa, a divertida ingênua, um pouco na linha Marilyn Monroe. Uma mulher que não sabe que é gostosa, com um lado extrovertido, tipo a Sophia Loren, e falando igual à mãe do Mirton. (…) A primeira cena da Tancinha, em que ela vendia melão na feira, foi toda inspirada em Sophia Loren. (…) Eu não criei a Tancinha e depois pensei na Cláudia Raia. Criei a Tancinha para a Cláudia Raia.”

Para interpretar Tancinha e adotar um sotaque italianado, Claudia Raia fez aula de prosódia. A própria atriz inventava palavras para a personagem, que vivia falando errado. E uma vez pronunciada a palavra, como “parteleira” em vez de prateleira, ela precisava mantê-la. Não podia mais falar do jeito certo. (Site Memória Globo)

No primeiro capítulo, Juana (Denise Milfont), uma das irmãs de Tancinha, disse-lhe que ela falava ainda pior que “aquele rapaz da novela que terminou no sábado” – referência a Bruno, personagem de Cássio Gabus Mendes em Brega e Chique, a novela anterior a Sassaricando.

Outra trama mencionada na novela foi Vale Tudo: na época de sua estreia, Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) disse que não queria perder “o primeiro capítulo da nova novela de Gilberto Braga” – uma pequena homenagem de Silvio ao amigo.

Também referências a Cambalacho (1986), do próprio Silvio de Abreu. O spa onde Rebeca, Penélope e Leonora se conhecem, no início, chama-se Physical, o mesmo de Cambalacho (ambientação também usada em Belíssima, em 2005-2006). E na fala de Tancinha quando é apresentada a Marco Aurélio (figurinista da Globo) e lhe pede que faça um vestido de casamento igual ao de Natália do Valle no primeiro capítulo de Cambalacho.

O detetive que Fabíola (Ileana Kwasinsky) contratou para procurar Tavinho (Alexandre Lipiani), seu filho que estava desaparecido, foi Mário Cury, indicado pelo “Cassiano” – alusão ao atrapalhado detetive Mário Fofoca, personagem de Luiz Gustavo em Elas por Elas (1982), novela de Cassiano Gabus Mendes. Em uma cena, Aprígio (Laerte Morrone) – de má vontade e fazendo pouco caso – falou que Mário não acharia Tavinho mesmo que ele estivesse no jardim da mansão – o próprio Laerte Morrone interpretou em Elas por Elas um advogado que atrapalhava as investigações de Mário Fofoca.

Fernanda Montenegro participou em um capítulo como ela mesma, nos bastidores da peça “Dona Doida”, na qual atuava.
E Tony Ramos e Jorge Fernando eram o ator e o diretor na novela da Globo para a qual Leonora Lamarr (Irene Ravache) foi chamada para atuar e na qual não ficou nem um dia, pois não conseguia decorar o texto.
Nos últimos capítulos, houve também a participação da dramaturga Leilah Assumpção, que convidou Leonora a realizar o sonho de voltar aos palcos.

O sobrenome de Leonora é uma referência à atriz de Hollywood Hedy Lamarr (1914-2000), assim como o Bacall de Bob Bacall (Jorge Lafond), uma referência à atriz Lauren Bacall (1924-2014). Já a inspiração para a megera Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) é Lucrécia Bórgia (1480-1519), controversa figura histórica da Renascença italiana.

A então modelo Silvia Pfeifer (antes de estrear como atriz) apareceu no segundo capítulo de Sassaricando, desfilando em uma festa da Tecelagem Abdala.

Sempre que se via em apuros, Aparício apelava para a imagem de São Sinfrônio, seu santo de devoção. O santo apareceu, humanizado, no último capítulo, na pele do diretor-geral da novela, Cecil Thiré.

Sassaricando foi a única experiência do ator e roteirista Miguel Falabella como diretor de televisão. Porém, ele não gostou. Em depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Falabella reclamou de Paulo Autran e Tônia Carrero, que viviam os protagonistas:
“Não foi uma experiência muito agradável, por isso não repeti. A novela era bárbara, o texto do Silvio, delicioso e ágil. Mas tanto Paulo Autran quanto Tônia Carrero eram pessoas difíceis. E eu estava começando, sem experiência. Éramos o Cecil Thiré, o Lucas Bueno e eu na direção. Acabei saindo pouco antes de a novela terminar.”

Uma das principais locações de Sassaricando era a mansão da família Abdala, uma imponente residência com vasto jardim situada na Estrada da Gávea Pequena, 1077, no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro.
Essa mansão ficou famosa por ter servido de fachada ou locação para várias outras novelas ao longo dos anos: foi a casa da família Newman em Brilhante (1980-1981), de Renato Villar em Roda de Fogo (1986-1987), da família de Isabela Garcia em O Sexo dos Anjos (1989-1990), dos Torremolinos em Perigosas Peruas (1992), da clínica de José Mayer em História de Amor (1995-1996), da família de Zazá em Zazá (1997), dos San Marino em Andando nas Nuvens (1999) e outras.

O título da novela vem da famosa marchinha “Sassaricando”, composta em 1952 para a peça de teatro de revista “Eu Quero Sassaricá”, de Walter Pinto, estrelada por Virgínia Lane, que imortalizou a música tornando-a uma das marchinhas mais lembradas de todos os tempos. Rita Lee e Roberto de Carvalho a regravaram para a abertura da novela.

O logotipo apresentava uma liberdade criativa, já que a grafia correta da palavra “saçaricando” é com “ç”, e não com “ss”. Para o livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Silvio de Abreu explicou:
“Foi grafado com dois esses e não com cedilha, como seria o correto, porque tanto o título da música quanto a peça encenada por Walter Pinto no teatro de revista, nos anos 1950, também foram grafadas assim.”
O autor justificou a grafia incorreta na fala de Aparício no capítulo 19, quando o personagem afirma que quer passar a vida saçaricando: “E com dois ‘esses’, que é muito mais divertido!” Aparício passou a reforçar a explicação em outras situações.
Também a separação por sílabas no logotipo da novela – “sa-ssa-ri-can-do” – está errada, já que o correto seria “sas-sa-ri-can-do”.

A palavra “saçaricar”, que estava fora de uso na época da novela, significa dançar, mexer o corpo, saracotear. Porém, a marchinha de carnaval lhe dava uma conotação maliciosa e sexual.
A abertura da novela exibia pessoas dançando enquanto eram cobertas por um tecido e que continuavam se movimentando sob esse tecido, fazendo uma analogia a coisas que – literalmente – podem ser feitas “por debaixo dos panos”. Ao final, o tecido se transformava em um trouxa, embrulhando os saçariqueiros. (colaboração André Luiz Sens, blog Televisual)

Por sua atuação na novela, Paulo Autran foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1987.

Primeira novela do ator Alexande Lipiani e da atriz Stella Freitas (apesar de já experiente na televisão).
Primeira novela na Globo das atrizes Lolita Rodrigues, Jandira Martini, Maria Alice Vergueiro, Ileana Kwasinski e Aldine Müller.

Figurinha fácil na TV brasileira desde a sua inauguração, em 1950, a atriz Lolita Rodrigues levou 38 anos para dar seu primeiro beijo na boca em cena. Após ter sido vigiada pelo marido Aírton Rodrigues, seu grande momento aconteceu em Sassaricando, em 1988, depois da separação: Lolita beijou o ator Carlos Zara. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Em janeiro de 1990, chamadas no ar anunciaram a reprise de Sassaricando no Vale a Pena Ver de Novo. Porém, antes da data prevista para a estreia da reapresentação (22/01), novas chamadas substituíram a novela por outra, Pão-Pão Beijo-Beijo.
O repeteco de Sassaricando aconteceu na sequência: a novela estreou no Vale a Pena Ver de Novo em 09/07/1990 e ficou no ar até 11/01/1991.
Reprisada também no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo) a partir de 08/09/2020, à 0h45 com reprise às 14h30.

Em 2016, o novelista Daniel Ortiz inspirou-se em tramas e personagens de Sassaricando para escrever Haja Coração, tendo no elenco Mariana Ximenes (Tancinha), Malvino Salvador (Apolo), João Baldasserini (Beto), Tatá Werneck (Fedora), Gabriel Godoy (Leonardo), Alexandre Borges (Aparício), Malu Mader (Rebeca), Carolina Ferraz (Penélope), Ellen Roche (Leonora) e outros. Quando exibida em Portugal, a novela foi chamada de Sassaricando, Haja Coração

Trilha Sonora Nacional

01. OURO – Guilherme Arantes (tema de Camila)
02. SEU CORPO – Simone (tema de Penélope e Tadeu)
03. NEM TANTO TEMPO ASSIM – Eduardo Dussek (tema de Rebeca)
04. ESTRANHA LOUCURA – Alcione (tema de Aldonza)
05. VOCÊ PERDE – Kico Zambianchi (tema de Leonardo)
06. TRAUMA – Clínica (tema de Beto)
07. SASSARICANDO – Rita Lee e Roberto de Carvalho (tema de abertura)
08. LAMBADAS III (NEGUE / TI-TI-TI / SÓ VAI DAR VOCÊ / CHEIRO NO CANGOTE / FORRÓ GOSTOSO) – Fafá de Belém (tema de Tancinha)
09. LUA DE MEL – Lulu Santos (tema de Fedora e Leonardo)
10. VEM ME PERDOAR – Moraes Moreira (tema de Tavinho e Diana)
11. CANTANDO NO TORÓ – Chico Buarque (tema de Guel)
12. TIRO AO ÁLVARO – Adoniran Barbosa (participação especial Elis Regina) (tema de Juana e Adonis)
13. SOLAMENTE UNA VEZ – Eduardo Souto Neto (tema de Aparício)
14. AS ROUPAS E O MUNDO NO CHÃO – Evandro Mesquita (tema de Leonora)
15. CHEIRO DE AMOR – Luiz Camilo (tema de Isabel)

Trilha Sonora Internacional

01. PARADISE IS HERE – Tina Turner (tema de Tancinha)
02. JUST TO SEE HER – Smokey Robinson (tema de Diana e Tavinho)
03. BREAK OUT – Swing Out Sisters (tema de locação: São Paulo)
04. LOVING YOU AGAIN – Chris Rea (tema de Aprígio)
05. GIVE ME ALL NIGHT – Carly Simon (tema de Leonora)
06. MILKY WAY – Peter Dominic (tema de Dinalda e Ariovaldo)
07. FATAMORGANA – Dissidenten (tema de Fedora)
08. WE’LL BE TOGETHER – Sting (tema de Guel)
09. (I’VE HAD) THE TIME OF MY LIFE – Bill Medley & Jennifer Warnes (tema de locação: boate de Ela)
10. CALL ME – Spagna (tema de locação: Escola Femina)
11. UNCHAIN MY HEART – Joe Cocker (tema de Camila)
12. FINITO – Rita Pavone (tema de Aldonza)
13. LOVE’S CLOSING IN – Nick Jameson (tema de locação: São Paulo)
14. ONE MORE NIGHT – Ana Rodriguez (tema de Penélope e Tadeu)

Sonoplastia: Jenny Tausz
Seleção de repertório da trilha internacional: Sérgio Motta
Produção musical: João Augusto

Tema de Abertura: SASSARICANDO – Rita Lee e Roberto de Carvalho

Sas-sas-saricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sas-sas-saricando
O brotinho, a viúva e a madame

Sentaram no ovo do Colombo
Foi um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó…

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