Sinopse

Há muitos anos, o pobretão Aparício Varella deu o golpe do baú perfeito: deixou Rebeca, o grande amor da sua vida, no Rio de Janeiro, para casar-se com Teodora, uma ricaça paulista. A poderosa Teodora era a mais velha e menos desmiolada das três filhas do presidente das tecelagens Abdalla, membro da comunidade árabe de São Paulo. O tempo passou e as três herdeiras Abdalla – Teodora, Lucrécia e Fabíola – tornaram-se três megeras esnobes e, naturalmente, detestadas por seus respectivos maridos.

Hoje viúva, Fabíola controla a vida do único filho, Tavinho. Lucrécia casou-se com Aprígio, irmão de Aparício, e o casal tem uma filha, Camila. Teodora assumiu a presidência ao lado de Aparício, mas é ela quem dá as ordens. A extravagante Fedora é a filha do dois. Aprígio, por sua vez, envolveu a empresa da família em negociatas com uma perigosa irmandade de fanáticos de um líder conhecido por Ela. Seus seguidores agem clandestinamente, nos fundos de uma boate, mas estão prestes a ser desmascarados por Camila e Guel.

Morador de uma vila em São Paulo, Guel teve a família arrasada pelo sumiço de seu pai, Ricardo de Pádua, que saiu um dia para comprar cigarros e não mais retornou, fato que deixou sua mãe, Aldonza, traumatizada. O casal tivera quatro filhos: Jorge Miguel (Guel), Constância (Tancinha), Isabel e Juana. Aldonza trabalha na feira com as três filhas, batalhando o sustento da família e os estudos de medicina de Guel. Só que Guel nunca foi à faculdade como conta para a mãe. Ele é, na realidade, um detetive da Interpol disfarçado.

Guel e Camila descobrem a identidade secreta de Ela. Na realidade “El A”, sigla de El Achid: Achid Callux, milionário árabe escondido sob a falsa identidade de Bóris Aidan, que planeja destruir Aparício Varella. Fedora é, na realidade, filha de Teodora e Achid, fruto de um namoro da juventude. A família nunca aprovou essa relação, pois Achid tinha péssima fama. Teodora teve de deixá-lo para casar-se com Aparício, que assumiu a paternidade de Fedora. Porém, Achid nunca desistiu de pôr as mãos na fortuna de Teodora.

Em um sinistro pacto feito entre os seguidores de Ela, Aprígio introduz o bandido Leonardo Raposo no seio dos Abdalla para que se case com a sobrinha Fedora, e, depois, matá-la. Ao casar-se com Fedora, Leonardo pensa em eliminá-la de todas as formas, com olho na fortuna. Em um diabólico plano para matar a esposa, Leonardo explode o jatinho onde estava Teodora, matando a sogra por engano. Porém, quanto mais o tempo passa, menos Leonardo consegue levar adiante seu plano, já que se apaixona de verdade por Fedora.

Com a morte de Teodora, Aparício, agora viúvo e feliz, toma as rédeas da empresa da família. Livre da pressão e dos berros da mulher, ele só pensa em saçaricar e recuperar o tempo perdido no casamento fracassado. Pensa também em voltar para Rebeca, o antigo amor, recém-chegada a São Paulo. Ela havia sido contratada como estilista por Teodora e, assim, passava a trabalhar no mesmo prédio que Aparício. A aproximação não será fácil, já que a separação, no passado, deixou mágoas em Rebeca.

Viúva e voltando do exterior, Rebeca é agora uma distinta e elegante senhora, mas sem um tostão no bolso. Associa-se às novas amigas Penélope Bacellar e Leonora Lammar com o objetivo de caçar um marido milionário. Sabendo do intuito de Rebeca, Aparício deixa a presidência e finge ser um simples faxineiro da fábrica. Usando vários disfarces, ele tenta conquistar as três amigas sem que elas saibam que estão envolvidas pelo mesmo homem. Porém, logo Teodora Abdalla vem do além para atazanar o pobre viúvo.

Globo – 19h
de 9 de novembro de 1987
a 11 de junho de 1988
184 capítulos

novela de Silvio de Abreu
direção de Cecil Thiré, Lucas Bueno e Miguel Falabella
direção geral de Cecil Thiré

Novela anterior no horário
Brega e Chique

Novela posterior
Bebê a Bordo

PAULO AUTRAN – Aparício Varella
TÔNIA CARRERO – Rebeca Rocha
EVA WILMA – Penélope Bacellar
IRENE RAVACHE – Leonora Lammar
EDSON CELULARI – Guel (Jorge Miguel)
MAITÊ PROENÇA – Camila
CARLOS ZARA – Ricardo de Pádua
LOLITA RODRIGUES – Aldonza Gutierrez
CLÁUDIA RAIA – Tancinha (Constância)
MARCOS FROTA – Beto
ALEXANDRE FROTA – Apolo
CRISTINA PEREIRA – Fedora Abdalla (Fefê)
DIOGO VILELA – Leonardo Raposo (Leozinho)
JANDIRA MARTINI – Teodora Abdalla
LOURIVAL PARIZ – Achid Calux (Bóris Aidan)
LAERTE MORRONE – Aprígio
MARIA ALICE VERGUEIRO – Lucrécia
ILEANA KWASINSKY – Fabíola
ROBERTO BATTAGLIN – Tadeu
RÔMULO ARANTES – Adonis
ANGELINA MUNIZ – Isabel
DENISE MILFONT – Juana
MARCELA MUNIZ – Diana
ALEXANDRE LIPIANI – Tavinho
STELLA FREITAS – Dinalda
MARCO MIRANDA – Ariovaldo Almeida Prado
ALDINE MÜLLER – Brigitte
NEY SANT´ANNA – Nicodemus
JORGE LAFOND – Bob Bacall
BÁRBARA THIRÉ – Bia
e
ADELAIDE PALETE – Dona Ilse (feirante)
ALDO DELANO – porteiro da tecelagem
ANA ARIEL – Dona Josefa
ANA MARIA SAGRES – moradora do cortiço
ANDRÉA MARTINS – modelo da Tecelagem Abdalla
ANTÔNIO ABUJAMRA – Totó
ANTÔNIO MENDELL – advogado
ANTÔNIO PEDRO – detetive de Aparício
ARIEL COELHO – garçom
AUGUSTO OLÍMPIO – Fumacinha
BENJAMIN CATTAN – Inspector Mário Della Costa
BIA MONTEZ – funcionária do spa
CARLO DE KARLO – contador
CARLOS CAPELETTI – Ferdinando (costureiro de Fedora)
CECIL THIRÉ – São Sinfrônio (santo da devoção de Aparício, aparece no último capítulo)
CÉLIA BIAR – Dona Kiki
CÉSAR FILHO – Ciro Antônio (apresentador de um desfile da Tecelagem Abdalla)
CÉSAR MACIEIRA – advogado
DAISY TENÓRIO – Jurema (empregada dos Abdalla)
ELIETE CIGARINI – Roberta
ELY REIS – frequentador da boate
ÊNIO SANTOS – delegado que manda prender Apolo depois dele ter raptado Tancinha
EVANDRO LEANDRO – assaltante
FERNANDA MONTENEGRO como ela mesma
FERNANDO CARVALHO – detetive de Aparício
FERNANDO JOSÉ – policial que encontra Tancinha e Apolo alguns dias depois de ele a ter raptado
FRANCISCO NAGEN – locatário de uma casa
GEYSA GAMA – moradora da pensão
GUARACY VALENTE – guarda policial
GUILHERME CORRÊA – Dr. Jamal (médico de Diana)
HELDER CARNEIRO – do jóquei
HÉLIO GUERRA – oficial de justiça
HELOÍSA RASO – Kitty, the Cat
HEMÍLCIO FRÓES – milionário que flerta com Leonora
HENRIQUETA BRIEBA – falecida avó de Dinalda
HUGO CARVANA – médico de Luiz Guilherme
IRENE LIMA – professora de dança do ventre
IVAN MESQUITA – Seu Joaquim
IVAN SETTA – Azambuja
IVO CICOGNA – padre do casamento de Fedora e Leonardo
JOÃO VIEITAS – conselheiro
JORGE FERNANDO como ele mesmo, diretor da novela em que Leonora ia atuar
JORGE NAPOLEÃO – morador da pensão
KLEBER MACEDO – tia Xaribe (da família Abdalla)
LEILAH ASSUMPÇÃO como ela mesma, convida Leonora a retornar aos palcos
LEINA KRESPI – tia Labibe (da família Abdalla)
LEONOR LAMBERTINI – moradora da pensão
LUG DE PAULA – assistente de Jorge Fernando
MANOEL ELIZIÁRIO – frequentador da boate
MARCELA POLLO – modelo da Tecelagem Abdalla
MARCELO SABACK – médico de Diana
MARCO AURÉLIO – costureiro de Tancinha
MARILENA CURY – Lalume
MAURÍCIO ALVES – Maurício
MOACYR PRINA – médico
MYRIAN PÉRSIA – diretora do spa
NANI VENÂNCIO – modelo no apartamento de Camila
PAULA BURLAMAQUI – modelo no apartamento de Camila
PAULO CÉSAR GRANDE – um dos namorados de Fedora
PAULO MIRANDA – repórter
RAUL GAZOLLA – Rubinho (agente de Leonora)
RENATO NEVES – professor do spa
ROBERTO LOPES – Farnésio (policial que ajudou Guel a sair do mundo do crime para se dedicar à investigação criminal)
ROGÉRIO FRÓES – Marcos (ex-marido de Penélope)
ROSANE BILLAD – repórter
RUYTER DE CARVALHO – Josias (motorista dos Abdalla)
SANDRA LINDO – modelo da Tecelagem Abdalla
SANDRO SOLVIAT – Carabina (bandido)
SEBASTIÃO BORGES – vizinho
SÉRGIO BRITTO – Luiz Guilherme Ribeiro de Faria (banqueiro que flerta com Rebeca)
SILVIA PFEIFER – modelo da Tecelagem Abdalla
SUZY ARRUDA – frequentadora do spa
TARCÍSIO FILHO – Carlos Ronaldo
TEREZA CRISTINA – modelo da Tecelagem Abdalla
TONY RAMOS como ele mesmo, ator da novela em que Leonora ia atuar
VICTOR HEIN – repórter
YUMIKO UENO – modelo da Tecelagem Abdalla
Tia Ramide (da família Abdalla)

– núcleo da família Abdalla, da comunidade árabe de São Paulo, gente muito rica, proprietária das Tecelagens Abdalla:
APARÍCIO VARELLA (Paulo Autran), presidente da empresa ao lado da mulher, deu um golpe do baú ao casar-se com a herdeira. Submisso, aguentou a vida toda calado os desmandos da mulher megera. Com a morte dela, resolve tirar o atraso e reconquistar o tempo perdido
TEODORA ABDALLA (Jandira Martini), mulher de Aparício, a mais velha das irmãs Abdalla. Autoritária, arrogante e desagradável. Vive humilhando o marido, a quem faz de gato e sapato. Morre na explosão criminosa de um jatinho, mas seu espírito volta para atormentar a vida do viúvo
FEDORA (Cristina Pereira), filha de Aparício e Teodora, moça extravagante, perdulária e mimada. Voluntariosa como a mãe, que faz todas as suas vontades. Se acha muito bela e que tem os homens aos seus pés, quando na realidade eles só estão interessados em seu dinheiro
APRÍGIO (Laerte Morrone), irmão de Aparício, também trabalha nas empresas da família, casou-se com LUCRÉCIA (Maria Alice Vergueiro), irmã de Teodora, tão megera quanto ela. Ele desviou uma grande quantia de dinheiro da empresa e está nas mãos de um grupo criminoso que quer se apossar da fortuna dos Abdalla
CAMILA (Maitê Proença), filha de Aprígio e Lucrécia, bela e esperta, de espírito investigativo. Ao longo da trama, é revelado que ela é uma agente da Interpol e investiga o grupo criminoso que quer desfalcar sua família
FABÍOLA (Ileana Kwasinski), irmã caçula de Teodora e Lucrécia, tão megera quanto elas. Enviuvou e ocupa seus dias a vigiar o único filho, a quem domina
TAVINHO (Alexandre Lipiani), filho de Fabíola, rapaz tímido dominado pela mãe
LEONARDO RAPOSO (Diogo Vilela), um malandro que Aprígio infiltra na família Abdalla como parte de seu plano de enganá-los. Envolve Fedora, que fica caidinha por ele, se passando por um milionário árabe. Planeja a morte dela, mas o plano dá errado e Teodora é quem acaba morrendo em seu lugar. Ao longo da trama, vai apaixonar-se verdadeiramente por Fedora, formando um par divertido e tresloucado: LEOZINHO e FEFÊ
o mordomo ARIOVALDO (Marco Miranda), discreto e fiel a Aparício, sofre com as confusões da família.

– núcleo de REBECA ROCHA, (Tônia Carrero), antiga paixão de Aparício, que preferiu dar o golpe do baú em Teodora, com quem casou-se. Rebeca ressurge em sua vida após muitos anos, ao ser contratada por Teodora para trabalhar como estilista nas Tecelagens Abdalla. Nunca perdoou Aparício e agora, falida, une-se a duas amigas para encontrar um marido rico:
as amigas PENÉLOPE BACELLAR (Eva Wilma), dondoca de tradicional família mineira. Separada e sem um tostão, muda-se para São Paulo, onde mora o filho,
e LEONORA LAMMAR, atriz sem projeção que não consegue trabalho. As três são assediadas por Aparício disfarçado: Rebeca o reencontra na pele de um simples faxineiro, enquanto Penélope e Leonora o conhecem como um rico lorde inglês
a empregada DINALDA (Stela Freitas), engraçada, só não vai embora porque vive na esperança de receber seus salários atrasados quando Rebeca der o golpe do baú.

– núcleo de RICARDO DE PÁDUA (Carlos Zara), italiano que foi sócio e melhor amigo de Aparício. Está há anos desaparecido, quando saiu de casa para comprar cigarros e não mais voltou, deixando a família desamparada:
a mulher ALDONZA (Lolita Rodrigues), espanhola de sangue quente, ficou traumatizada por ter sido abandonada pelo marido. Teve que se virar para criar os quatro filhos. Feirante, vende frutas e verduras no bairro simples onde mora:
o filho GUEL (Edson Celulari), engana a família que faz curso de Medicina, mas na verdade é um detetive da Interpol que, com Camila, investiga um grupo criminoso que quer se apossar dos bens da família Abdalla. Envolve-se com Camila e com Leonora
as filhas, que ajudam Aldonza na feira: TANCINHA (Cláudia Raia), passou um bom tempo na infância com a avó italiana, por isso acabou aprendendo a falar tudo errado, como um forte sotaque italianado. Bela e sensual, desejada pelos homens, porém ingênua e romântica. De caráter bom e temperamento forte, não se deixa enganar facilmente e nem leva desaforo para casa
ISABEL (Angelina Muniz), de caráter duvidoso, interesseira e carreirista, não se conforma com a vida simples e dura que leva. Só pensa em se dar bem, nem que para isso passe por cima dos outros,
e JUANA (Denise Milfont), a caçula, garota romântica e de bom coração. A mais podada pela mãe, tem inveja da beleza e da independência das irmãs mais velhas.

– núcleo de APOLO (Alexandre Frota), caminhoneiro bronco, grosseirão, machão e intempestivo, mas de bom coração. Órfão, vive com os dois irmãos mais novos na mesma vila onde mora Aldonza. Namorado de Tancinha no início, com quem sonha e se casar e constituir família:
os irmãos ADONIS (Rômulo Arantes), caminhoneiro como ele, apaixonado por Isabel, que o despreza por ele ser pobre. Mais doce que Apolo, é alvo do amor platônico de Juana, mas nem repara nela, por ainda enxergá-la como uma criança
e DIANA (Marcela Muniz), amiga e confidente de Juana. Apaixonada por Tavinho, os dois enfrentam a oposição de Fabíola, a mãe do rapaz, que não quer ver o filho envolvido com uma moça pobre.

– núcleo de BETO, (Marcos Frota), filho de Penélope que mora em São Paulo. Publicitário independente, um yuppie. Poda a mãe, de quem sente ciúmes, por ela ainda ser muito bela. Não aceita que Penélope se envolva com outro homem além de seu pai. Mulherengo e metido a conquistador, se encanta por Tancinha quando a conhece, na feira. Enlouquecido de paixão, passa a disputá-la com Apolo, o que provoca a ira do namorado da moça. Tancinha, por sua vez, se sente “divididinha” entre seus dois pretendentes:
o melhor amigo TADEU (Roberto Bataglin), com quem trabalha. Envolve-se com Penélope sem desconfiar que ela é sua mãe. Descoberto, o casal enfrenta a oposição de Beto, que não aceita a relação da mãe, ainda mais por ser com seu companheiro de farras
a secretária BIA (Bárbara Thiré).

– núcleo de ACHID CALLUX (Lourival Pariz) milionário árabe escondido sob a falsa identidade de BÓRIS AIDAN. Foi um antigo amor de Teodora, renegado pela família dela por ser considerado um mau elemento. Fedora é, na realidade, sua filha. Arma um plano para destruir Aparício, a quem considera um rival, resgatar Fedora e se apossar da fortuna dos Abdalla. Cria uma seita chamada “Ela”, na verdade “El A”, sigla de “El Achid”. Seus seguidores agem clandestinamente nos fundos de uma boate. A seita acaba desmantelada por Camila e Guel, agentes da Interpol disfarçados:
os seguidores de Ela: NICODEMUS (Ney Sant´Anna), seu motorista,
BRIGITTE (Aldine Müller), dançarina da boate,
e BOB BACALL (Jorge Lafond), barman da boate.

Divertida novela com poucos tropeços. O mais acentuado é o fato de o início da história pouco ter a ver com sua continuação. O fio condutor, o “saçarico” de Aparício (Paulo Autran), deixou de centralizar a ação dando espaço para as loucuras de Fefê e Leozinho (Cristina Pereira e Diogo Vilela), o namoro de Camila e Guel (Maitê Proença e Edson Celulari), e Tancinha (Cláudia Raia), dividida entre Beto e Apolo (Marcos Frota e Alexandre Frota). (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Um dos pontos de partida da trama são as três amigas – Rebeca (Tônia Carrero), Penélope (Eva Wilma) e Leonora (Irene Ravache) – que resolvem sair do sufoco “caçando” um marido rico. Clara inspiração de Silvio de Abreu no filme Como Agarrar um Milionário (1953) com Lauren Bacall, Marylin Monroe e Betty Grable.

Entre os destaques de Sassaricando, Cristina Pereira e Diogo Vilela como o inesquecível casal Fefê e Leozinho. Fedora passou a novela inteira citando um casal amigo, Aníbal e Marineida, que nunca apareceu.
Silvio criou os personagens pensando em Regina Casé e Ney Latorraca para interpretá-los. Mas Regina não pôde fazer a novela. Cristina Pereira entrou em seu lugar e, com ela, um novo par: Diogo Vilela.
Com o casal, ganhou destaque sua música-tema, “Fatamorgana” (cantada em árabe pela banda alemã Dissidenten) que embalava os delírios de Fefê, em meio a tâmaras, banhos de leite de cabra e fantasias eróticas.

Mesmo com alguns exageros, Cláudia Raia, com sua exuberante Tancinha, foi a marca registrada da novela. O linguajar e sotaque paulistano italianado da personagem fez o maior sucesso. Indecisa sobre qual de seus pretendentes escolher, o publicitário Beto ou o musculoso Apolo, Tancinha falava: “me tô divididinha!”.

Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, Silvio de Abreu explicou como concebeu a Tancinha de Cláudia Raia:
“Foi inspirada numa mulher que existiu, que conheci (…) Ela falava com o filho ‘Mirton, me vem pra cá. Me estou aqui esperando e você não me aparece!’ Sempre achei engraçado esse jeito de falar. Pensei numa mulher gostosona – ela não era mas misturei as duas coisas – e meio ingênua. Queria fazer a burra gostosa, a divertida ingênua, um pouco na linha Marilyn Monroe. Uma mulher que não sabe que é gostosa, com um lado extrovertido, tipo a Sophia Loren, e falando igual à mãe do Mirton. (…) A primeira cena da Tancinha, em que ela vendia melão na feira, foi toda inspirada em Sophia Loren. (…) Eu não criei a Tancinha e depois pensei na Cláudia Raia. Criei a Tancinha para a Cláudia Raia.”

Para interpretar Tancinha e adotar um sotaque italianado, Claudia Raia fez aula de prosódia. A própria atriz inventava palavras para a personagem, que vivia falando errado. E uma vez pronunciada a palavra, como “parteleira” em vez de prateleira, ela precisava mantê-la. Não podia mais falar do jeito certo. (Site Memória Globo)

No primeiro capítulo, uma das irmãs de Tancinha disse-lhe que ela falava ainda pior que “aquele rapaz da novela que terminou no sábado” – referência a Bruno, personagem de Cássio Gabus Mendes em Brega e Chique, a novela antecessora a Sassaricando.

Outra trama mencionada na novela foi Vale Tudo: na época de sua estreia, Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) disse que não queria perder “o primeiro capítulo da nova novela de Gilberto Braga” – uma pequena homenagem de Silvio ao amigo.

Também uma referência a Cambalacho (1986, do próprio Silvio de Abreu), quando Tancinha foi apresentada a Marco Aurélio (figurinista da Globo) e pediu-lhe que fizesse um vestido de casamento igual ao de Natália do Valle no primeiro capítulo daquela novela.

O detetive que Fabíola (Ileana Kwasinsky) contratou para procurar Tavinho (Alexandre Lipiani), seu filho que estava desaparecido, foi Mário Cury, indicado pelo “Cassiano” – alusão ao atrapalhado detetive Mário Fofoca, personagem de Luiz Gustavo em Elas por Elas (1982), novela de Cassiano Gabus Mendes. Em uma cena, Aprígio (Laerte Morrone) – de má vontade e fazendo pouco caso – falou que Mário não acharia Tavinho mesmo que ele estivesse no jardim da mansão – o próprio Laerte Morrone interpretou em Elas por Elas um advogado que atrapalhava as investigações de Mário Fofoca.

Fernanda Montenegro participou em um capítulo como ela mesma, nos bastidores da peça “Dona Doida”, na qual atuava.
E Tony Ramos e Jorge Fernando eram o ator e o diretor na novela da Globo para a qual Leonora Lammar (Irene Ravache) foi chamada e na qual não ficou nem um dia, pois não conseguia decorar o texto.
Nos últimos capítulos, houve também a participação da dramaturga Leilah Assumpção, que convidou Leonora a realizar o sonho de voltar aos palcos.

O sobrenome de Leonora é uma referência à vedete de Hollywood Heddy Lammar. Já a inspiração para a megera Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) é Lucrécia Bórgia.

A então modelo Silvia Pfeifer (antes de estrear como atriz) apareceu desfilando na novela, para a Tecelagem Abdalla.

Sempre que se via em apuros, Aparício apelava para a imagem de São Sinfrônio, seu santo de devoção. O santo apareceu, humanizado, no último capítulo, na pele do diretor da novela, Cécil Thiré.

Sassaricando foi a única experiência do ator e roteirista Miguel Falabella como diretor de televisão. Porém, ele não gostou. Em depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Falabella reclamou de Paulo Autran e Tônia Carrero, que viviam os protagonistas:
“Não foi uma experiência muito agradável, por isso não repeti. A novela era bárbara, o texto do Silvio, delicioso e ágil. Mas tanto Paulo Autran quanto Tônia Carrero eram pessoas difíceis. E eu estava começando, sem experiência. Éramos o Cecil Thiré, o Lucas Bueno e eu na direção. Acabei saindo pouco antes de a novela terminar.”

O título da novela vem da famosa marchinha “Sassaricando”, composta em 1952 para a peça de teatro de revista “Eu Quero Sassaricá”, de Walter Pinto, estrelada por Virgínia Lane, que imortalizou a música tornando-a uma das marchinhas mais lembradas de todos os tempos. Rita Lee e Roberto de Carvalho a regravaram para a abertura da novela.

O logotipo apresentava uma liberdade criativa, já que a grafia correta da palavra “saçaricando” é com “ç”, e não com “ss”. Para o livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, o autor explicou:
“Foi grafado com dois esses e não com cedilha, como seria o correto, porque tanto o título da música quanto a peça encenada por Walter Pinto no teatro de revista, nos anos 1950, também foram grafadas assim.”
Também a separação por sílabas no logo – “sa-ssa-ri-can-do” – está errada, já que o correto é “sas-sa-ri-can-do”.

Por sua atuação na novela, Paulo Autran foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1987.

Primeira novela do ator Alexande Lipiani e da atriz Stella Freitas.
Primeira novela na Globo das atrizes Lolita Rodrigues, Jandira Martini, Maria Alice Vergueiro, Ileana Kwasinski e Aldine Müller.

Em janeiro de 1990, a Globo anunciou em sua programação a reprise de Sassaricando no Vale a Pena Ver de Novo. Porém, antes da data prevista para a estreia da reapresentação (22/01), novas chamadas substituíram a novela por outra, Pão-Pão Beijo-Beijo.
O repeteco de Sassaricando aconteceu na sequência: a novela estreou no Vale a Pena Ver de Novo em 09/07/1990 e e ficou no ar até 11/01/1991.

Em 2016, o novelista Daniel Ortiz inspirou-se em tramas e personagens de Sassaricando para escrever Haja Coração, com Mariana Ximenes (Tancinha), Malvino Salvador (Apolo), João Baldasserini (Beto), Tatá Werneck (Fedora), Gabriel Godoy (Leonardo), Alexandre Borges (Aparício), Malu Mader (Rebeca), Carolina Ferraz (Rebeca), Ellen Roche (Leonora) e outros.

Trilha Sonora Nacional
sassaricandot1
01. OURO – Guilherme Arantes (tema de Camila)
02. SEU CORPO – Simone (tema de Penélope e Tadeu)
03. NEM TANTO TEMPO ASSIM – Eduardo Dussek (tema de Rebeca)
04. ESTRANHA LOUCURA – Alcione (tema de Aldonza)
05. VOCÊ PERDE – Kico Zambianchi (tema de Leonardo)
06. TRAUMA – Clínica (tema de Beto)
07. SASSARICANDO – Rita Lee e Roberto de Carvalho (tema de abertura)
08. LAMBADAS III (NEGUE / TI-TI-TI / SÓ VAI DAR VOCÊ / CHEIRO NO CANGOTE / FORRÓ GOSTOSO) – Fafá de Belém (tema de Tancinha)
09. LUA DE MEL – Lulu Santos (tema de Fedora e Leonardo)
10. VEM ME PERDOAR – Moraes Moreira (tema de Tavinho e Diana)
11. CANTANDO NO TORÓ – Chico Buarque (tema de Guel)
12. TIRO AO ÁLVARO – Adoniran Barbosa (participação especial Elis Regina) (tema de Juana e Adonis)
13. SOLAMENTE UNA VEZ – Eduardo Souto Neto (tema de Aparício)
14. AS ROUPAS E O MUNDO NO CHÃO – Evandro Mesquita (tema de Leonora)
15. CHEIRO DE AMOR – Luiz Camilo (tema de Isabel)

Trilha Sonora Internacional
sassaricandot2
01. PARADISE IS HERE – Tina Turner (tema de Tancinha)
02. JUST TO SEE HER – Smokey Robinson (tema de Diana e Tavinho)
03. BREAK OUT – Swing Out Sisters (tema de locação: São Paulo)
04. LOVING YOU AGAIN – Chris Rea (tema de Aprígio)
05. GIVE ME ALL NIGHT – Carly Simon (tema de Leonora)
06. MILKY WAY – Peter Dominic (tema de Dinalda e Ariovaldo)
07. FATAMORGANA – Dissidenten (tema de Fedora)
08. WE’LL BE TOGETHER – Sting (tema de Guel)
09. (I’VE HAD) THE TIME OF MY LIFE – Bill Medley & Jennifer Warnes (tema de locação: boate de Ela)
10. CALL ME – Spagna (tema de locação: Escola Femina)
11. UNCHAIN MY HEART – Joe Cocker (tema de Camila)
12. FINITO – Rita Pavone (tema de Aldonza)
13. LOVE’S CLOSING IN – Nick Jameson (tema de locação: São Paulo)
14. ONE MORE NIGHT – Ana Rodriguez (tema de Penélope e Tadeu)

Sonoplastia: Jenny Tausz
Seleção de repertório da trilha internacional: Sérgio Motta
Produção musical: João Augusto

Tema de Abertura: SASSARICANDO – Rita Lee e Roberto de Carvalho

Sassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sassaricando
O brotinho, a viúva e a madame

Sentaram no ovo do Colombo
Foi um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó…

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