Sinopse

Histórias de superação, conflitos, divergências e obstáculos à realidade de educadores e alunos do ensino noturno na rotina de uma escola pública de São Paulo, em que pessoas entre 17 e 70 anos buscam uma vida melhor por meio dos estudos, depois de um dia duro de trabalho. Os professores mostram que é preciso mais do que vocação para enfrentar as dificuldades da profissão, renovar a fé no que fazem e apoiar alunos, de dramas e vivências diversas, em uma luta pela simples crença no poder transformador da Educação. Cinco mestres resistem à péssima infraestrutura da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, ao abandono institucional e à falta de reconhecimento, e renovam, dia após dia, a fé no trabalho que realizam: o diretor Jaci (Paulo Gorgulho) e os professores Lúcia (Débora Bloch), de Português, Sônia (Hermila Guedes), de História e Geografia, Eliete (Thalita Carauta), de Matemática, e Marco André (Silvio Guindane), de Artes.

Para Lúcia, a volta para a sala de aula representa um recomeço após um trauma que mudou completamente a maneira como se relaciona com os alunos. A morte de um estudante com quem mantinha uma relação difícil fez com que ela se afastasse da escola para se recuperar emocionalmente. Persistente e apaixonada pela profissão, Lúcia está disposta a prosseguir e retorna, já que seus alunos e a escola se transformam em combustível e missão de vida. Com um apurado senso de justiça e igualdade, Lúcia está sempre disposta a lutar pelos alunos e fazê-los rever preconceitos. Há momentos, porém, em que a força é sobreposta por questionamentos e a crise conjugal a leva a envolver-se emocionalmente com Jaci. Em casa, assim como Lúcia, Jaci vive uma situação parecida. Paralisados em seus respectivos casamentos, eles desenvolvem um sentimento mútuo de admiração e de paixão, mesmo que as diferenças levem, às vezes, a desacordos.

A professora Sônia resiste aos obstáculos da educação pública, apesar de seus dramas domésticos. Casada com Carlos (Otávio Müller) e mãe de dois filhos pequenos, ela sustenta a família, já que o marido não a ajuda. Ele é o estereótipo do machista, sempre disposto a depreciar a mulher. Para piorar, essa covardia muitas vezes acaba em agressões físicas, o que, ao longo do tempo, fez com que Sônia criasse medos tão profundos a ponto de não conseguir tomar uma atitude definitiva. O resultado é o arrastar da frustração de casa para a escola. Marco André, professor de Artes recém-chegado à escola, é quem tenta fazer Sônia olhar para si mesma. Por um erro da secretaria, ele é recebido no colégio como professor de Biologia e a confusão só é percebida quando entra em sala de aula e se depara com uma realidade até então pouco conhecida. Julgando ser uma disciplina dispensável para o currículo dos alunos, Jaci destitui Marco André, mas o novato insiste em ficar, convencendo o diretor.

Acostumado a um universo elitista, Marco André não se encaixa no mundo de precariedades da escola pública. Se não tivesse sido adotado por uma família com boas condições financeiras, sua situação socioeconômica não seria muito diferente de seus novos alunos. A partir desse fato e do interesse em fazer com que a arte reforce a transformação na vida das pessoas, ele se enturma com alunos e professores, especialmente com Sônia. A princípio uma amizade, esse sentimento cresce com o passar do tempo. Um contraponto à carga dramática que circula pelas salas de aula é a professora Eliete. Cheia de disposição, ela tem a cumplicidade dos alunos, já que, como eles, é moradora da comunidade que rodeia a escola. Dos professores, é quem mais entende a rotina, as alegrias e os problemas que os alunos vivem. Sempre a fim de um bom papo, também é muito próxima de Sônia e sonha em ver a amiga despertando e reconhecendo sua força interior. Para se sustentar, além de dar aulas, Eliete está sempre com sua sacola de muambas a tiracolo.

Entre os alunos, pessoas dos mais variados perfis e idades, como Natasha (Linn da Quebrada), uma transexual que luta diariamente para ser respeitada e se defender das constantes agressões verbais e físicas, inclusive dentro da escola; Gislaine (Mariana Nunes), mãe solteira que sonha em ser médica, mas trabalha como prostituta para bancar a família; Maicon Douglas (Felipe Simas), motoboy e pai de família que trabalha para sustentar a casa e encontra prazer na escola; Solange (Carol Duarte), vendedora de doces no trem que, depois de trabalhar o dia todo com a filha no colo, assiste às aulas com a criança; Dona Jurema (Teca Pereira), senhora na terceira idade que quer uma chance para aprender, mesmo mentindo ao marido que vai à igreja todas as noites; e Silvio (José Dumont), que escolheu morar na rua porque não tem dinheiro para o transporte público até a escola.

Globo – 22h30
estreia: 08/10/2019

série criada por Carla Faour, Julia Spadaccini e Jo Bilac
escrita por Carla Faour e Julia Spadaccini
colaboração de Maíra Motta, Giovana Moraes e Victor Atherino
direção de Breno Moreira, João Gomez e Ricardo Spencer
direção artística de Joana Jabace
coprodução O2 Filmes

os professores
DÉBORA BLOCH – Lúcia
PAULO GORGULHO – Jaci
THALITA CARAUTA – Eliete
HERMILA GUEDES – Sônia
SILVIO GUIDANE – Marco André
CAIO BLAT – Paulo

os alunos
LINN DA QUEBRADA – Natasha
FELIPE SIMAS – Maicon Douglas
CAROL DUARTE – Solange
NANDA COSTA – Rita
MARIANA NUNES – Gislaine
TECA PEREIRA – Dona Jurema
ZÉ DUMONT – Silvio
JOSÉ TRASSI – Giraia
GABRIEL RAFAEL DIAZ – Javier
ROSALVA CARDONA – Alejandra
VINÍCIUS DE OLIVEIRA – Pedro
SARA ANTUNES – Márcia
RAQUEL FERREIRA – Renata
INGRID GAIGHER – Aline
ARIANE SOUZA – Joelma
GEORGETTE FADEL – Valquíria
SIDNEY SANTIAGO – Gero
WILLIAM DA COSTA – Cleiton
ELZIO VIEIRA – Wallace
JÚLIO SILVÉRIO – Vitor
LEONARDO BITTENCURT – Léo

e
MARCOS WINTER – Alberto (marido de Lúcia)
OTÁVIO MÜLLER – Carlos (marido de Sônia)
ARTUR VOLPI – Marcelo (filho de Lúcia)
DUDA CARVALHO – Milena (amiga de Marcelo)
RODOLFO MESQUITA – Inspetor Russo (funcionário da escola)
MARCOS DE ANDRADE – Reginaldo (aluno que tenta estuprar Sônia)
HERALDO FIRMINO – Osmar
DÉMICK LOPES – Juarez (pai do filho de Solange)
VANDERLEI BERNARDINO – Seu Arlindo (empresário que financia um concurso de redação na escola)

A série Segunda Chamada foi criada por Carla Faour, Júlia Spadaccini e Jo Bilac e roteirizada por Carla Faour e Júlia Spadaccini. O teatro uniu Carla e Júlia não só pelas peças em que atuaram, mas pelas obras que escreveram juntas. Ambas passaram pela Conspiração Filmes, em projetos de séries. Na televisão, também juntas, foram roteiristas da série cômica Tapas e Beijos. Com a parceria profissional consolidada, a dupla desenvolveu o projeto de Segunda Chamada como um desafio e uma oportunidade de dar visibilidade a um assunto até então pouco retratado em obras de ficção: o ensino noturno para jovens e adultos.

Sobre a pesquisa para a série e a escolha de São Paulo para cenário, comentou Júlia Spadaccini no material de divulgação de Segunda Chamada:
“Fizemos muitas visitas a escolas públicas do ensino noturno e conversamos com professores e alunos. Foi um longo percurso, que começou em meados de 2017. As histórias foram livremente inspiradas em fatos reais porque a nossa preocupação sempre foi criar uma obra próxima à realidade.
O trabalho de pesquisa e referências se concentrou no eixo Rio-São Paulo, mas, para ambientar Segunda Chamada na capital paulista, tivemos que entrar mais profundamente na coloquialidade da linguagem da periferia de SP. Segunda Chamada foi ambientada em São Paulo porque é a cidade mais diversificada do país e achamos que seria o local ideal para mostrar as muitas vidas que existem dentro da escola.”

Sobre a estrutura da narrativa, comentou Júlia:
“Em Segunda Chamada, tudo se passa em uma noite, com mais ou menos três tramas de alunos em destaque, com a costura dos professores e suas histórias e, em segundo plano, os demais alunos. Temos o auge do conflito, que às vezes se soluciona em um único episódio, às vezes deixa um gancho para o próximo. Tudo isso faz com que a história tenha que acontecer em um ritmo mais acelerado.”

Logo na estreia, Segunda Chamada foi apelidada pela mídia de Sob Pressão da educação”, por seu teor realista, documental e de denúncia. A diretora artística Joana Jabace comentou sobre a proposta realista da série:
“Do ponto de vista da direção, flertei bastante com o docudrama, com um realismo muito forte: optei por gravar toda a série em locação e lutei por uma escola de verdade. Para isso, pesquisei e visitei vários espaços, até encontrar a antiga Escola do Jockey Club de São Paulo. De cara, percebi o ambiente marcado por histórias fortes e, junto com a direção de arte, decidi manter a precariedade do edifício – ele comunica a realidade, mesmo que a nossa seja uma obra de ficção.”
Sobre a escalação do elenco:
“Conversei abertamente com os atores, ouvindo e discutindo, para que, juntos, acertássemos o tom das personagens e criássemos essa ligação entre as partes de forma muito natural. A escolha dos atores não foi arbitrária. A opção por escalar figuras pouco conhecidas do grande público, em sua grande maioria, foi feita para que a interpretação e o personagem se sobressaíssem.”

A fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus tem esse nome em homenagem a uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, que foi catadora de papel e favelada e escreveu o célebre livro “Quarto de Despejo”, publicado em 1960.

A edificação que serviu para a escola da trama é uma construção histórica e simbólica para a capital paulista, erguida em 1952 para acolher a Escola do Jockey Club de São Paulo (localizada na Rua Bento Frias 233, esquina com a rua Pero Leão, no bairro de Pinheiros). Durante décadas, o prédio abrigou também outros colégios particulares (como o Colégio Equipe) e, há aproximadamente dez anos, estava desocupada.
Sem qualquer sistema hidráulico ou elétrico, a situação era tão precária que, mesmo para uma escola pública em que a infraestrutura é deficiente, o local teve que passar por uma reforma de cerca de quatro semanas, pelas mãos das equipes de arte e cenografia. No complexo de 3.390 metros quadrados, o trabalho foi feito na fachada, na entrada lateral, nos banheiros, no anfiteatro, no grande pátio interno, no terraço recreativo em cima da entrada principal, no corredor com armários de madeira, na sala do diretor, na sala de reunião dos professores e nas quatro salas de aula do primeiro andar. Nestes ambientes fechados, foram fundamentais as restaurações dos tacos de madeira do piso, da lousa, das estantes fixas e dos janelões. Carteiras, mesas dos professores, livros, cadernos, pastas e cartazes nas paredes, simbolizando o trabalho ativo dos alunos, preencheram os espaços.

Depois da recuperação das paredes, o trabalho foi de envelhecê-las um pouco e recuperar algumas pichações, refeitas por um grafiteiro. A fachada, que é tombada e de cerâmica vermelha como tijolinhos, recebeu uma limpeza especial e posterior “sujeira” do dia a dia e falta de conservação. Elementos como a arquitetura, textura, cores, objetos e paisagens foram estrategicamente articulados a fim de traduzir o percurso e as transformações dos personagens ao longo dos episódios. Depois do trabalho, a equipe de produção de arte entrou com os móveis e objetos de cena para dar vida aos ambientes. Foram inseridos livros, estantes, materiais escolares e os mais de 150 cartazes feitos a mão.

A escola em si funcionou como um personagem da história, emprestando seus principais valores à série: o realismo latente de sua pintura descascada, infiltrações, vidros estilhaçados e pichações nas paredes – tudo o que ficou de fora da reforma – e a arquitetura vazada e convidativa à entrada do entorno em que está imersa.
“Desde o começo, pensei em gravar Segunda Chamada em uma escola de verdade. Para mim, foi muito importante deixar a obra o mais próximo possível da realidade, o que uma locação como esta nos garantiu. Apesar do abandono, a construção é linda e quisemos aproveitá-la”, destacou Joana Jabace.

Ao final de cada episódio, são exibidos depoimentos (dirigidos por Breno Moreira) de professores, alunos e ex-alunos reais, relatando suas experiências no ensino público.

Segunda Chamada estreou na segunda linha de shows do horário nobre da Globo (às 23h15), no mesmo dia (08/10/2019) que a segunda temporada de Filhos da Pátria, exibida no primeiro horário (às 22h30), logo após a novela das nove, A Dona do Pedaço. Porém, a partir do segundo episódio (em 15 de outubro, Dia do Professor), o horário foi alternado: primeiro Segunda Chamada, depois Filhos da Pátria.

Tema de Abertura: COMPORTAMENTO GERAL – Elza Soares

Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: Tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabarem o teu carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre ‘muito obrigado’
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem-comportado

Você merece, você merece
Tudo legal, tudo vai mal
Cerveja, samba e amanhã seu Zé
Se acabarem o teu carnaval?

Você merece, você merece
Você merece, você merece
Tudo vai mal, tudo vai bem
Tudo vai bem, tudo vai muito mal,
Mas você merece…

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