Sinopse

Na cidadezinha de Campos, a jovem artista plástica Simone Marques é testemunha da briga entre Cristiano Vilhena, filho de um pobre pregador religioso, e o playboy Gastão Neves, morto no incidente. Sabendo que Cristiano é inocente, Simone encoberta o rapaz, por quem acaba se apaixonando. Receoso de seu destino, Cristiano parte para o Rio de Janeiro para trabalhar no estaleiro do tio rico, Aristides Vilhena. Simone vai também, vislumbrando um melhor futuro para sua carreira artística. Os dois se casam e vão morar na Pensão Palácio, onde já mora o malandro Miro, um sujeito carismático, mas de caráter duvidoso.

Em contato com o universo do tio, Cristiano se vê envolvido com a charmosa Fernanda, uma das acionistas do estaleiro e noiva de seu primo Caio. Dividido entre a vida simples ao lado de Simone e o poder e dinheiro com Fernanda, Cristiano se deixa levar pelas artimanhas de Miro, que lhe propõe o fim de seu relacionamento com Simone, nem que isso custe a vida da moça. Fernanda, completamente apaixonada por Cristiano, deixa Caio para se casar com ele enquanto Miro planeja a morte de Simone, viabilizando assim o casamento de Cristiano, o que o tornaria um dos principais acionistas do estaleiro.

Ao ser perseguida por Miro, Simone sofre um acidente e é dada como morta, enquanto Cristiano, sentindo-se responsável pela morte de sua mulher, não consegue se casar com Fernanda, abandonando-a no altar. Humilhada, Fernanda enlouquece e jura vingança contra Cristiano, atrapalhando-o em seus negócios no estaleiro. E Simone, que sobreviveu ao acidente, faz uma viagem e retorna disfarçada, sob a identidade da irmã falecida, Rosana Reis, consagrada como uma artista famosa. Em uma festa, Cristiano reconhece em Rosana sua mulher, mas ela nega tudo e o repudia, por responsabilizá-lo pelo seu acidente.

Enquanto isso, a polícia está no encalço de Cristiano Vilhena, acusado da morte de Gastão Neves. Simone, que odeia o marido, é a única que pode inocentá-lo. Porém, este ódio esconde o amor que ela ainda sente por ele.

Globo – 20h
de 10 de abril de 1972 a 23 de janeiro de 1973 (Rio)
de 12 de abril de 1972 a 23 de janeiro de 1973 (SP)
243 capítulos

novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho, Reynaldo Boury e Wálter Avancini
supervisão de Daniel Filho

Novela anterior no horário
O Homem que Deve Morrer

Novela posterior
Cavalo de Aço

REGINA DUARTE – Simone Marques / Rosana Reis
FRANCISCO CUOCO – Cristiano Vilhena
DINA SFAT – Fernanda Arruda Campos
CARLOS VEREZA – Miro (Argemiro Tavares)
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Caio Vilhena
GILBERTO MARTINHO – Aristides Vilhena (Tide)
ARLETE SALLES – Laura
MÁRIO LAGO – Sebastião Vilhena (Sessé)
ANA ARIEL – Berenice (Berê)
DORINHA DUVAL – Diva
EDNEY GIOVENAZZI – Jorge Moreno
HELOÍSA HELENA – Fanny
ÁLVARO AGUIAR – Mestre Pedro
ARNALDO WEISS – Seu Chico (Francisco Marques)
CÉLIA COUTINHO – Cíntia
EMILIANO QUEIRÓZ – Marcelo
LÍDIA MATTOS – Viví
NEUZA AMARAL – Walkíria
SÔNIA BRAGA – Flávia
JOÃO PAULO ADOUR – Guido
ÂNGELA LEAL – Joana / Jane
IDA GOMES – Madame Heloise Katzuki
MARIA CLÁUDIA – Kátia
HILDEGARD ANGEL – Beatriz
ROGÉRIO FRÓES – Roger Martin
SUZANA FAINI – Olga
TESSY CALLADO – Zelinha
ANTÔNIO GANZAROLLI – Pipoca
AGNES FONTOURA – Irene
JOSÉ STEIMBERG – Isaac
GERMANO FILHO – Abud
LÍCIA MAGNA – Dona Maria Amélia
LOUISE MACEDO – Clarisse
FRANCISCO DANTAS – José Neves
JUREMA PENNA – Sofia
ROBERTO BONFIM – Zé (José Ambrósio)
FRANCISCO MILANI – Hélio Sales
LÉA GARCIA – Elza
FRANCISCO SILVA – Vitório
SÉRGIO FONTA – Tonico
a menina GLÓRIA MARIA (GLÓRIA PIRES) – Fátima
e
ADRIANO LISBOA – Horácio Delgado (apresenta Rosana a Caio e Laura, envolve-se com Diva)
ALDO DELANO – Padre Jaime (da paróquia de Campos)
ANGELITO MELLO – Sampaio (advogado de Aristides)
ANTÔNIO PATIÑO – juiz no julgamento de Cristiano
ANTÔNIO VICTOR – Bartolomeu (Bartô, novo marido de Laura)
BUZA FERRAZ – Juca (amigo de Flávia, namorado de Monique)
CARLOS EDUARDO (KADU MOLITERNO) – Oswaldo (motorista de Bartolomeu, que se casa com Laura no final)
DENISE EMMER – Monique (filha de Heloise Katzuki)
DIRCEU DE MATTOS – Orestes (delegado de Petrópolis que investiga o acidente de Simone)
ELIANO DE SOUZA – Sérgio (irmão de Guido, namorado de Walkíria no início, morto por ela)
FÁBIO MÁSSIMO – Mirinho (menino de rua que Simone e Cristiano conhecem no final)
FERNANDA SIMÔES – Dona Paulina
FERNANDO VILLAR – Poli (novo marido de Laura)
GERVÁSIO MORGADO
ILKA PINHEIRO – Mariana
ISAAC BARDAVID – promotor no julgamento de Cristiano
IVAN CÂNDIDO – Pápi (novo marido de Laura)
IVAN DE ALMEIDA – caseiro na casa onde Fernanda esconde Simone
JAYME SALDANHA – Cunha
JOÃO VIEITAS – Jurandir
JORGE CALDAS – Gastão Neves (playboy que morre numa briga com Cristiano, no início)
JUAN DANIEL – Pepito (vítima da simulação de assalto feita por Miro na qual Cristiano é o salvador)
LABANCA – Pérez (ex-empresário de Fanny)
LOURDINHA BITTENCOURT – Nina
LUÍS MAGNELLI – motorista de Vivi
LUIZ ARMANDO QUEIROZ – Beto (estudante de Artes em Paris, amigo de Beatriz, interessa-se por Rosana)
MARCOS WAIMBERG – César
MARCUS TOLEDO – Carlos (médico de Fernanda)
MARY DANIEL – Dona Otávia (primeira mulher de Aristides, mãe de Caio e Cíntia)
MIGUEL CARRANO – Dr. Felipe
MIGUEL ROSENBERG – Arnaldo
MYRIAN TEREZA – Jandira (empregada de Walkíria)
NEWTON MARTINS – Padre Jaime (da paróquia de Campos)
ROGÉRIO PITANGA – Tico (menino que Cíntia e Marcelo adotam)
SAMANTHA RAINBOW – Lúcia Rangel (atriz amiga de Jorge Moreno, hospeda Simone em seu apartamento quando ela chega ao Rio)
SILVINHA PINHEIRO
SÔNIA CLARA – Sônia (amiga de Diva)
SUZY ARRUDA – enfermeira de Simone, ao final
TAMARA TAXMAN – Lena (Madalena Ribeiro, empregada de Simone, morre no acidente de carro)
TERCILIANO JÚNIOR – motorista de Cristiano
TONY FERREIRA – Delegado Lima (investiga a morte de Gastão)
URBANO LÓES – Dr. Feliciano D’Avila (advogado de Cristiano)
VINÍCIUS SALVATORI – Antonius
WÁLTER MATTESCO – Almeida (funcionário do escritório da Celmu)
WÁLTER PRADO
Araci (empregada de Laura)
Comissário Torres (da polícia de Campos, investiga a morte de Gastão)
Corina (proprietária da casa onde Fernanda manteve Simone presa)
Dr. Bernardo (advogado de Simone)
Manuel Lima (taxista que persegue Simone juntamente com Miro)
Rita (empregada de Dona Maria Amélia)

– núcleo de SIMONE MARQUES (Regina Duarte), artista plástica moradora de Campos, no interior do Rio de Janeiro. Está prestes a mudar-se para a capital quando conhece um rapaz que muda totalmente sua vida. Mais adiante, vítima de um acidente de carro, é dada como morta. Para esconder-se de todos, assume a identidade de uma falecida irmã, ROSANA REIS, e vai embora do país, até consagrar-se uma famosa artista plástica e retornar:
o pai CHICO (Arnaldo Weiss), viúvo, alfaiate em Campos, homem severo, faz o possível para proteger a filha
a amiga CLARISSE (Louise Macedo), moradora de Campos, sua confidente
a empregada LENA (Tamara Taxman), que trabalhou em sua casa em Petrópolis por um curto período de tempo. Estava com ela no desastre de carro e acabou morrendo. Simone fez com que confundissem Lena com ela.

– núcleo de CRISTIANO VILHENA (Francisco Cuoco), rapaz ambicioso. Filho de um pastor evangélico, tocava bumbo nas pregações do pai, na praça central de Campos. Numa briga com um playboy, o rapaz acabou morto, mas Simone, testemunha de tudo, acobertou Cristiano, pois sabia que ele era inocente. Os dois se apaixonaram e ela o levou consigo para o Rio de Janeiro, onde a polícia não o encontraria. Casados, foram viver numa pensão:
os pais SEBASTIÃO (Mário Lago), pastor evangélico rígido que vive uma vida muito simples, quase na miséria, e BERENICE (Ana Ariel), mulher submissa ao marido
as irmãs DIVA (Dorinha Duval), espalhafatosa e cafona, tem o sonho de morar na cidade grande, e ZELINHA (Tessy Callado), garota tímida
TONICO (Sérgio Fonta), namorado de Zelinha que ela conheceu na pensão, quando a família mudou-se para o Rio
HÉLIO SALES (Francisco Milani), homem abastado que apaixonou-se por Diva
o advogado DR. FELICIANO D´AVILLA (Urbano Lóes), que o defende da acusação de ter matado o rapaz de Campos
o mordomo VITÓRIO (Francisco Silva), vai trabalhar para ele quando enriquece.

– núcleo de ARISTIDES VILHENA (Gilberto Martinho), irmão de Sebastião, tio de Cristiano. Diferente de seu irmão pastor, prosperou na vida e é um homem rico e poderoso, acionista majoritário do estaleiro Celmu. Perdeu o contato com a família do irmão e ficou feliz quando Cristiano o procurou no Rio, contra a vontade de Sebastião, que nunca quis essa aproximação. Aristides arruma um cargo para Cristiano em seu estaleiro e ele ascende profissionalmente. Morre no decorrer da trama:
a segunda mulher, LAURA (Arlete Salles), bem mais jovem que ele, dondoca fútil só interessada em luxo, mas alegre e divertida. Com a morte do marido, casa-se outras vezes, sempre com homens mais velhos que acabam falecendo, deixando-a cada vez mais rica com os bens que herda deles
os filhos do primeiro casamento CAIO (Carlos Eduardo Dolabella), rapaz a princípio rude, não aceita a presença de Cristiano e tem ciúmes de sua ascensão dentro da empresa do pai,
e CÍNTIA (Célia Coutinho), moça de personalidade forte que tem uma difícil relação com Laura, a quem acusa de ser interesseira
MARCELO (Emiliano Queiróz), executivo do estaleiro que casa-se com Cíntia
a secretária OLGA (Suzana Faini), tem um caso com Caio no início.

– núcleo de FERNANDA ARRUDA CAMPOS (Dina Sfat), filha do falecido amigo e sócio de Aristides, é uma das acionistas do estaleiro Celmu, com ações herdadas de seu pai. Noiva de Caio, acaba apaixonando-se perdidamente por Cristiano quando o conhece. Encantado com o universo sofisticado do tio e de Fernanda, Cristiano esconde que já é casado, alimentando as esperanças dela e a antipatia de Caio pelo primo. Mais adiante, achando que Simone está morta, Cristiano marca seu casamento com Fernanda. Porém, sentindo-se culpado pela morte de sua mulher, abandona Fernanda no altar. Ela então enlouquece e passa a nutrir um ódio doentio por ele:
a mãe VIVI (Lídia Mattos), que já fora apaixonada por Aristides
a avó MARIA AMÉLIA (Lícia Magna), mãe de Vivi, mora em um sítio em Teresópolis
a amiga KÁTIA (Maria Cláudia)
a secretária ELZA (Léa Garcia).

– núcleo da Pensão Palácio, onde Cristiano e Simone vão morar quando chegam ao Rio de Janeiro:
a proprietária FANNY (Heloísa Helena), ex-vedete de teatro de revista, mulher alegre e expansiva
os moradores:
MIRO (Carlos Vereza), rapaz de caráter duvidoso mas muito carismático, torna-se amigo de Cristiano com a intenção de tirar proveito. Incentiva ele a procurar o tio rico e, mais tarde, o incita a livrar-se de Simone para casar-se com Fernanda, que é rica. É por causa dele que acontece o acidente que vitima Simone. Fica amigo de Fernanda, mas acaba morrendo no decorrer da trama
IRENE (Agnes Fontoura), viúva que vive com a filha pequena FÁTIMA (Glória Pires)
os irmãos ISAAC (José Steinberg) e ABUD (Germano Filho), de origem libanesa, disputavam a atenção e o coração de Irene
o funcionário PIPOCA (Antônio Ganzarolli), rapaz sonhador, com alma de artista, ama platonicamente Simone.

– núcleo de JORGE MORENO (Edney Giovenazzi), diretor de teatro, amigo de Simone, apaixonado por ela. É ele quem a leva para o Rio para que ela se estabeleça na cidade com sua arte:
a ex-mulher WALKÍRIA (Neuza Amaral), fútil e mundana
a filha FLÁVIA (Sônia Braga), tem problemas psicológicos, causados por um trauma na infância. A mãe a trata com indiferença
o namorado de Walkíria, SÉRGIO (Eliano de Souza), rapaz bem mais jovem, de caráter duvidoso, sustentado por ela. Walkíria presencia um momento em que Sérgio assedia Flávia, e acaba matando-o. Mas não consegue assumir o crime, fazendo com que a culpa recaia sobre a filha, com a justificativa de que ela tem problemas mentais
o irmão de Sérgio, GUIDO (João Paulo Adour), que tenta por a limpo a morte do irmão. Não acredita na culpa de Flávia e os dois acabam apaixonados.

– núcleo de MESTRE PEDRO (Álvaro Aguiar), funcionário do estaleiro que torna-se amigo de Cristiano. Viúvo, homem simplório e de princípios rígidos:
a filha JOANA (Ângela Leal), que vive em conflito com o pai, que poda sua liberdade. Sai para divertir-se usando o nome de JANE. Foi namorada de Miro, que exercia forte influência sobre ela
o colega de trabalho (Roberto Bonfim), que acabou envolvendo-se com Joana, com quem casou-se.

– núcleo dos amigos de Rosana Reis, envolvidos com o universo das artes plásticas:
a secretária BEATRIZ (Hildegard Angel)
o marchand ROGER MARTIN (Rogério Fróes)
a dona de galeria MADAME KATZUKI (Ida Gomes).

– núcleo de GASTÃO NEVES (Jorge Caldas), playboy rico de Campos que acabou morto na briga com Cristiano, no início. A polícia investiga sua morte, já que os pais acreditam que ele foi vítima de assassinato:
os pais JOSÉ NEVES (Francisco Dantas) e SOFIA (Jurema Penna).

Um grande sucesso que atingiu números de audiência aparentemente impossíveis. Durante a exibição do capítulo 152, no dia 04/10/1972 – a noite em que Simone (Regina Duarte) era desmascarada -, o índice de aparelhos sintonizados na novela na cidade do Rio de Janeiro chegou aos 100%. Não houve um único entrevistado do Ibope que revelasse estar assistindo a outro canal.
“De cada 100 lares consultados no Rio de Janeiro, das 20h30 às 20h45, 23 aparelhos de televisão estavam desligados e os demais 77 estavam ligados na novela. Enquanto TV Rio e Tupi davam “traço” (0%), a TV Globo reinava sozinha (100%).” (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)
A revista Cartaz, edição de 26/10/1972, em uma reportagem de Mariza Cardoso, citou que, assim como no Rio, na cidade de São Paulo também foi registrado 100% de audiência neste capítulo.

O ponto de partida da história foi a notícia de que um tocador de bumbo, em uma praça do interior de Pernambuco, foi ridicularizado por outro rapaz e o matou.
Entretanto, a trama central era inspirada no romance “Uma Tragédia Americana”, de Theodore Dreiser (publicado em 1925), que já havia rendido duas versões cinematográficas: o filme, com o mesmo título do romance original, de Joseph Von Sternberg (em 1931), com Sylvia Sidney, Philips Holmes e Frances Dee; e o filme Um Lugar ao Sol, de George Stevens (em 1951), com Shelley Winters, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.

Ismael Fernandes citou em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”:
“O país vivia a fase do ‘milagre brasileiro’ e com prazer se reunia à frente da televisão para assistir a vitória do bem sobre o mal, como mostrou o último capítulo. Acontecia um milagre na vida de Cristiano e Simone (Francisco Cuoco e Regina Duarte). Eles voltavam a se entender como nos duros tempos, mas não eram mais os mesmos. Agora eles se amavam envolvidos pelo dinheiro ao sabor do sucesso pessoal. Era o milagre brasileiro mesmo!”

Em agosto de 1972, a Censura Federal impediu o casamento de Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat). Ainda que Cristiano acreditasse estar viúvo de Simone, considerada morta em um desastre de carro (no que, inclusive, os demais personagens acreditavam), os obtusos censores consideraram a situação atentatória aos bons costumes da família brasileira, alegando que a personagem continuava viva e que, se Cristiano se casasse novamente, estaria incorrendo no crime de bigamia. Vinte e dois capítulos foram inutilizados e dezenas de sequências foram regravadas, a começar pela cena em que Fernanda espera o noivo na igreja.
Anos depois, Janete Clair inventou uma pequena “vingança” para Dina Sfat: na novela O Astro (de 1978, em que Dina voltou a fazer par romântico com Francisco Cuoco), foi Amanda (Dina) quem faltou ao casamento com Herculano (Cuoco). (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Em 1972, a cidade serrana de Petrópolis, no Rio de Janeiro, atraía diariamente dezenas de visitantes a dois pontos turísticos: a Rua Flávio Cavalcanti, onde se situava a mansão do popular apresentador de TV; e a estrada Rio-Petrópolis, no trecho próximo ao restaurante Belvedere, onde havia sido gravada a célebre sequência do acidente com o fusca de Simone. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Cenas marcantes:
– O acidente de carro de Simone (Regina Duarte), perseguida por Miro (Carlos Vereza). O fusca cai na ribanceira, capota e explode. Simone é dada como morta;
– Fernanda (Dina Sfat), abandonada no altar por Cristiano (Francisco Cuoco), deixa a igreja transtornada;
– Cristiano (Francisco Cuoco) reconhece Simone (Regina Duarte), apresentada como Rosana Reis em uma festa na casa de Laura (Arlete Salles). Ela finge que não o conhece;
– Simone (Regina Duarte) é desmascarada por Cristiano (Francisco Cuoco) na delegacia, não tendo mais como sustentar a farsa de Rosana Reis, sua falsa identidade;
– A morte de Miro (Carlos Vereza), atropelado;
– Fernanda (Dina Sfat), já demonstrando sinais de loucura, mantém Simone (Regina Duarte) presa no cativeiro, amarrada a uma cama, na cabana;
– Simone (Regina Duarte), debilitada, em uma cadeira de rodas, aparece no julgamento de Cristiano (Francisco Cuoco) para inocentá-lo;
– Simone (Regina Duarte) e Cristiano (Francisco Cuoco) celebram a felicidade no último capítulo, em um navio, ao som da música-tema do casal, “Rock And Roll Lullaby”. Fim da novela.

Entre as tramas paralelas, ganhou destaque a história de Walkíria (Neuza Amaral), seu amante Sérgio (Eliano de Souza) e sua filha Flávia (Sônia Braga). Walkíria não apenas assassinou o amante com ciúmes do interesse que ele começava a demonstrar por Flávia, como assistiu impassível à cena em que a filha – traumatizada a ponto de perder a fala – é responsabilizada pelo crime.

Um grande trabalho de Regina Duarte. E destaque também para Carlos Vereza e Dina Sfat, que viveram Miro e Fernanda.
O malandro Miro, um tipo de caráter duvidoso, mas extremamente carismático, lançou a gíria “amizadinha”, que ganhou popularidade fora das telas.

O diretor Daniel Filho esteve à frente da novela até o capítulo 20 quando entregou a direção a Reynaldo Boury, que por sua vez foi substituído, a partir do capítulo 90, por Wálter Avancini, que estreava na TV Globo como diretor de novelas.

A então garotinha Glória Pires fazia sua estreia como atriz em novelas – era creditada na abertura como Glória Maria. Durante a produção, Glória completou 9 anos de idade.
Foi a primeira novela na Globo de Kadu Moliterno, que assinava Carlos Eduardo na época.
Também o primeiro trabalho na televisão da atriz Tamara Taxman e dos atores Buza Ferraz, Luiz Armando Queiroz, Tony Ferreira e Sérgio Fonta (todos em pequenas participações).

Na sinopse original, a dona da galeria de arte em que Simone – sob a identidade de Rosana – expunha seus trabalhos seria uma japonesa chamada Madame Katzuki. Porém, a atriz escalada para o papel deixou o elenco em cima da hora. A personagem acabou sendo vivida por Ida Gomes que, de japonesa, nada tinha. A atriz narrou que o diretor Daniel Filho perguntou se ela sabia fazer algum sotaque. Ela respondeu que fazia o sotaque francês com perfeição. Madame Katzuki passou, então, a ser uma francesa que havia se casado com um japonês, e tudo foi resolvido. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)
Curiosamente, tampouco no remake da novela (em 1986) Katzuki foi interpretada por uma atriz com traços orientais: o papel coube a Márcia Rodrigues, uma bela morena de olhos grandes.

Por seus trabalhos em Selva de Pedra, Walter Avancini e Dina Sfat foram eleitos pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor diretor de novelas e a melhor atriz do ano de 1972.
Selva de Pedra também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1972. Francisco Cuoco e Regina Duarte levaram o prêmio de melhor ator e melhor atriz.

Em novembro de 1972, Francisco Cuoco e Regina Duarte foram eleitos os “Reis da Televisão” pelos leitores da revista Amiga. A publicação promoveu a eleição em parceria com o Programa Silvio Santos, que era, na época, transmitido pela Globo.

Selva de Pedra foi a última das oito novelas consecutivas que Janete Clair escreveu para a Globo, ininterruptamente, entre 1967 e 1972, tamanha era sua capacidade inventiva e dedicação ao trabalho. A anteriores foram Anastácia, a Mulher Sem Destino, Sangue Areia, Passo dos Ventos, Rosa Rebelde, Véu de Noiva, Irmãos Coragem e O Homem que Deve Morrer – com o agravante de Irmãos Coragem ter valido por duas: uma novela longa, ficou mais de um ano no ar. Ainda: enquanto redigia os últimos capítulos de Passo dos Ventos e os primeiros de Rosa Rebelde, Janete encontrou tempo para, escondida da Globo, escrever a novela Os Acorrentados, para a TV Rio.
Após Selva de Pedra, Janete teve um descanso e passou a revezar o horário das oito com outros novelistas. Retornou no segundo semestre de 1973, com O Semideus.

Empatada com Barriga de Aluguel (1990-1991), Selva de Pedra é (até o momento) a quarta novela mais longa da TV Globo (243 capítulos), ficando atrás de O Homem que Deve Morrer (1971-1972), com 258 capítulos, Irmãos Coragem (1970-1971), com 328, e A Grande Mentira (1968-1969), a primeira colocada, que teve 341 capítulos.

A trilha sonora nacional da novela foi inteiramente composta pelos irmãos Valle, Marcos e Paulo Sérgio, e produzida por Eustáquio Sena, com arranjos de Waltel Branco.
Na trilha internacional, o mais marcante tema romântico das telenovelas brasileiras, “Rock And Roll Lullaby”, para sempre associado à novela. A música, composta por Barry Mann e Cynthia Well, interpretada por B.J. Thomas, fez mais sucesso no Brasil do que nos Estados Unidos.
Conhecida por embalar a história de amor de Simone e Cristiano (Regina Duarte e Francisco Cuoco), a canção narra, em sua letra, a saga de uma jovem de dezesseis anos obrigada a criar sozinha o filho recém-nascido – o “cha-na-na-na-na” do refrão é a cantiga de ninar do título. Um exemplo típico de como a força de uma imagem é capaz de alterar o sentido original de uma canção – nesse caso, agravado pelo fato de o idioma original não ser compreendido pelo grande público. (*)

Na primeira tiragem do LP internacional da novela, a terceira faixa do lado B aparece erroneamente com o título “If You Want More” e o crédito da composição a Waltel Branco e Antônio Faya. Na edição seguinte, o erro foi corrigido e a canção surgiu com seu título correto – “Sleepy Shores” – e com o crédito ao devido autor, Johnny Pearson. (*)

Em 2001, a trilha sonora nacional de Selva de Pedra foi relançada, em CD, dentro da coleção “Campeões de Audiência”, da Som Livre – que jogou no mercado mais 19 trilhas nacionais de novelas campeãs de vendagem nunca antes lançadas em CD (títulos até 1988, pois no ano seguinte foram lançados os primeiros CDs de novelas).

Em 2008, chegou ao mercado a versão romanceada de Selva de Pedra, lançada dentro da coleção “Grandes Novelas”, da Editora Globo, com outras 4 adaptações de novelas em livretos, escritas por Mauro Alencar com colaboração de Eliana Pace.

Selva de Pedra foi reprisada em forma compacta (76 capítulos), entre 27/08 e 22/11/1975, como tapa-buraco, em substituição a Roque Santeiro, que foi impedida de ir ao ar pela censura do Regime Militar.
Reapresentada também em um compacto de uma hora e meia, em 20/03/1980, como atração do Festival 15 Anos da TV Globo (apresentação de Francisco Cuoco).

Aproximadamente 400 fitas de videoteipe foram utilizadas para gravar e editar os 243 capítulos de Selva de Pedra. Posteriormente, as fitas foram reaproveitadas. Nos arquivos da TV Globo, consta apenas o compacto de 76 capítulos, exibido em 1975 – sobre os quais a Globo fez a edição para o DVD da novela, lançado comercialmente em 2013. (Site Memória Globo)

Em 1986, Selva de Pedra ganhou um remake, que não conseguiu repetir o alcance da novela original. No elenco, Fernanda Torres, Tony Ramos e Christiane Torloni viveram os papéis que foram de Regina Duarte (Simone), Francisco Cuoco (Cristiano) e Dina Sfat (Fernanda) em 1972.

Em 1984, a TV Manchete levou ao ar a minissérie Viver a Vida, de Manoel Carlos (nada tem a ver com a novela homônima, de 2009), que também tinha como ponto de partida o romance “Uma Tragédia Americana”, o mesmo usado para Selva de Pedra. No elenco da produção da Manchete, o trio central foi vivido por Louise Cardoso, Paulo Castelli e Cláudia Magno.

(*) “Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”, Guilherme Bryan e Vincent Villari.

Trilha Sonora Nacional
selva72t1
01. CAPITÃO DE INDÚSTRIA – Djalma Dias (tema de Aristides)
02. MANDATO – Osmar Milito e Quarteto Forma (tema de Simone e Cristiano)
03. SIMONE – Ângela Valle e Eustáquio Sena (tema de Simone)
04. CORPO SANO EM MENTE SÃ – Ormar Milito e Quarteto Forma (tema de Fernanda)
05. SELVA DE PEDRA – Orquestra e Coral Som Livre (tema de abertura)
06. RHYTHMETRON OP 27 – Marlos Nobre
07. O BEATO – Marcos Valle (tema de Sebastião)
08. LIGAÇÃO – Orquestra e Coral Som Livre (tema de Diva)
09. AMÉRICA LATINA – Osmar Milito e Quarteto Forma
10. CORPO JOVEM – Luís Roberto
11. LONGO DE DIOR – João Luiz (tema de Laura)
12. RITUAL – Marlon Nobre

Trilha Sonora Internacional
selva72t2
01. ROCK AND ROLL LULLABY – B.J. Thomas (tema de Simone e Cristiano)
02. JESUS – Billbox Group
03. FLOY JOY – The Supremes
04. AIN’T NO SUNSHINE – Michael Jackson (tema de Fernanda)
05. SON OF MY FATHER – Giorgio
06. A TASTE OF EXCITEMENT – Carnaby Street Pop Orchestra and Choir (tema de Cristiano)
07. LA QUESTION – Françoise Hardy (tema de Flávia)
08. MARY BLIND MARY – Laurent & Mardi Gras (tema de Miro)
09. SLEEPY SHORES – Free Sound Orchestra (tema de Fernanda) *
10. FEEL THE NEED – Damon Shawn
11. LET IT RIDE – Hard Horse (tema de Caio)
12. FRIGHTENED GIRL – Silent Majority (tema de Fernanda)

ainda
DRUM DIDLEY – The Carnaby Street Pop Orchestra (tema da vinheta de “estamos apresentando”)
SNOW CREATURES – Quincy Jones (tema de suspense)

* Na primeira tiragem do disco, a terceira faixa do lado B aparece erroneamente com o título “If You Want More” e o crédito da composição a Waltel Branco e Antônio Faya. Na edição seguinte, o erro foi corrigido e a canção surgiu com seu título correto – “Sleepy Shores” – e com o crédito ao devido autor, Johnny Pearson. (“Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”, Guilherme Bryan e Vincent Villari)

Veja também

  • irmaoscoragem70_logo

Irmãos Coragem (1970)

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O Homem Que Deve Morrer

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O Semideus

  • fogosobreterra_logo

Fogo Sobre Terra

  • selvadepedra86

Selva de Pedra (1986)