Sinopse

Shazan e Xerife são dois mecânicos atrapalhados que decidem percorrer o mundo – ou pelo menos o Brasil – a bordo de sua camicleta (caminhão com bicicleta) à procura de emprego e aventuras, deparando-se com as mais inusitadas situações.

A dupla está procurando uma peça mágica que fará com que eles realizem seu grande sonho: construir a bicicleta voadora. Contudo, sempre acontece algo e Shazan e Xerife são desviados de seu objetivo.

Globo – 21h e 18h
de 26 de outubro de 1972
a 1º de março de 1974
66 episódios

criação de Walther Negrão
seriado escrito por Walther Negrão, Lauro César Muniz, Adriano Stuart, Sylvan Paezzo, Eduardo Borsado e outros
direção de Adriano Stuart, Reynaldo Boury, David Grinberg, João Loredo e Gonzaga Blota
supervisão de Daniel Filho

PAULO JOSÉ – Shazan
FLÁVIO MIGLIACCIO – Xerife

alguns episódios

s.o.s. rádio jururu – escrito por Sylvan Paezzo, com Grande Otelo (Jean-Piérre), Paulo César Pereio, Heloísa Helena, Hélio Ary (Conde Jururu), Beth Barcellos, Castro Gonzaga (Camargo), Labanca, Agnes Fontoura, Célia Coutinho, Fernando Villar, Ruy Rezende, Jorge Cândido, José Steimberg, Ubirajara Viana, Betty Sady, Ademir Rocha, Gonzaga Vasconcellos, Jadilson Santana, Francisco Dantas e Cosme dos Santos (Luluzinho).

dinheiro perigoso – escrito por Eduardo Borsado, com Mauro Mendonça (Horácio Della Monica), Lúcia Alves, Cecil Thiré, Mário Gomes, Yara Côrtes, Ângela Leal, Antero de Oliveira, Cláudio Mamberti, Lícia Magna, Hélio Ary, Fábio Mássimo, Jadilson Santana, Abel Pêra, João Vieitas, Waldemar Marques, Cláudio Ayres da Mota, Nanai, Aldo Delano.

pedra maldita – escrito por Eduardo Borsado, com Ângela Leal (Isabel), Elza Gomes (Dona Júlia), Átila Iório, Flora Geny, Tamara Taxman, Nanai, Álvaro Aguiar, Gracinda Freire, Adriano Lisboa, Maria Cristina Nunes, Antônio Carlos, Ana Maria Jansen, Fernando José, Rita de Cássia, Sérgio de Oliveira, Lúcia Mello, Paulo Ramos, Agnes Fontoura, Edson Silva, Valéria Amar, Tony Ferreira, Haylton Faria e Sandoval Motta.

perigo sob a lona – escrito por Sylvan Paezzo, com Mara Rúbia (viúva), Lisa Negri (neta da viúva), Suzy Arruda, Wálter Stuart, Lutero Luiz, Paulo Ramos, Rute Marques, Marlene Costa, Míriam Muller, Buza Ferraz, Ruy Rezende, Otávio Augusto, Milton Villar, Dartagnan Mello, Haylton Faria e Antônio Victor.

a bicicleta voadora (último episódio, iniciado em 15/11/1973, 44 capítulos) – escrito por Sylvan Paezzo e Wálter Negrão, com Elizângela, Mário Lago, Susana Vieira, Rogério Fróes, Dary Reis, Wálter Stuart, Lajar Muzuris, Hélio Ary, Paulo César Pereio, Otávio Augusto, Aldo Delano, Lutero Luiz, Lídia Costa, Sônia de Paula, Pietro Mário, Jorge Cândido, Jackson de Souza, Mário Ernesto, Franklin Tomazzi, Elza Gomes, Nívea Maria e Renata Sorrah.

Os personagens Shazan e Xerife são originários da novela O Primeiro Amor (1972), de Walther Negrão. O sucesso da dupla foi tanto que eles retornaram no seriado, que tornou-se um marco na televisão brasileira. Foi a primeira vez que uma novela originou um spin-off

Antes de O Primeiro Amor sair do ar, Walther Negrão recebeu ordens de Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, então superintendente da TV Globo) para formatar o seriado e escrever os primeiros episódios. A estreia foi quase imediata: Shazan, Xerife e Companhia estreou poucos dias após terminar a novela. (*)

Na época, a Globo ia lançar o seriado A Grande Família, às quintas-feiras à noite. A emissora tinha a intenção de exibir meia hora de A Grande Família e meia hora de outro programa. Assim, Shazan, Xerife e Companhia foi lançado às 21 horas de uma quinta-feira, com A Grande Família na sequência.
Com o tempo, percebeu-se que a faixa não era a mais apropriada ao público do seriado, já que Shazan, Xerife e Companhia dirigia-se ao público infantojuvenil usando uma linguagem com elementos circenses e veiculando mensagens educativas.
A partir de abril de 1973, passou a ser exibido de segunda à sexta-feira, às 18 horas, com histórias semanais (novelinhas). A partir de janeiro de 1974, foram reapresentados alguns episódios, até o fim do programa, em março daquele ano. (livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Projeto Memória Globo)

Dias depois da estréia, Boni comunicou Negrão que ele escreveria a próxima novela das oito, para dar férias a Janete Clair (que estava no ar com Selva de Pedra). Para dar continuidade ao seriado, Negrão indicou os nomes de Adriano Stuart e Lauro César Muniz (este, estava escrevendo novelas na TV Record). Daniel Filho, então responsável pela dramaturgia da Globo, fez a negociação e contratou Lauro, que estreava na emissora. Porém, o autor não ficou muito tempo na roteirização de Shazan, Xerife e Companhia, sendo logo convocado para as novelas. Negrão escreveu, para as oito da noite, a novela Cavalo de Aço. (*)

A primeira dupla escolhida por Walther Negrão para viver Shazan e Xerife foi Paulo José e Armando Bógus – este último, com quem Negrão havia trabalho em sua novela, A Próxima Atração (1970-1971).
O autor mudou de ideia depois que Daniel Filho sugeriu o nome de Flávio Migliaccio, com quem Paulo José havia trabalhado no teatro e no cinema.
Negrão explicou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo) a justificativa do diretor: “Daniel Filho disse que eu estava cometendo um equívoco, porque os dois tinham o mesmo biótipo e que, para fazer um par, um deles não poderia ter nenhum vislumbre de galã. Realmente, eu precisava de um Sancho Pança, e não de dois iguais. Aí entrou o Flávio.”
Por seu trabalho, Flávio Migliaccio foi premiado com o Troféu Imprensa de revelação masculina na televisão em 1972.

O autor comentou que a escolha de Paulo José e Flávio Migliaccio foi muito feliz. Os dois atores, além de terem perfis complementares, desenhavam e escreviam para teatro, o que facilitava a direção. Os próprios atores decidiam sobre o estilo de interpretação, os figurinos e objetos usados pela dupla.

O macacão tipo jardineira, usado por Shazan (Paulo José), tornou-se moda nas ruas.

Os nomes Shazan e Xerife foram inspirados em apelidos de dois primos de Walther Negrão.

A “camicleta” – caminhão com bicicleta – marcou época. No primeiro projeto, ela seria uma moto com sidecar, mas resolveu-se colocar a oficina dentro do carro, e assim o veículo passou a ter um aspecto circense que lembrava o táxi maluco dos circos do interior. Além de uma variedade incrível de objetos, incluindo um chuveiro, havia uma foto de Santos Dumont como símbolo do inventor brasileiro.

Em 1998, Walther Negrão homenageou os 25 anos de criação de seus personagens com uma participação especial em sua novela Era uma Vez…. Shazan e Xerife chegavam com a camicleta à cidade de Nova Esperança, despertando a curiosidade de seus moradores. Paulo José e Flávio Migliaccio reviviam os personagens que marcaram suas carreiras.

Outros casos de personagens de uma produção que ganharam um seriado próprio (spin-off): a novela O Bem-Amado (1973) foi transformada em seriado em 1980; Dulcinéa, interpretada por Dercy Gonçalves na novela Cavalo Amarelo (1980), retornou na novela seguinte, Dulcinéa Vai à Guerra; o personagem Mário Fofoca – Luiz Gustavo na novela Elas por Elas (1982) – ganhou um seriado em 1983; e Lara, vivida por Susana Vieira na minissérie Cinquentinha (2009), voltou como protagonista na série Lara com Z, em 2011.

(*) “Biografia da Televisão Brasileira”, Flávio Ricco e José Armando Vannucci.

Tema de Abertura: HEY SHAZAN – Osmar Milito e Quarteto Forma *

Hey Shazan!
Herói de revista em quadrinhos
Hey Shazan!
Valete de espadas do amor (hey hey!)

Hey Shazan!
Aprendi a sorrir com você
Nada sei
O que sei foi você que ensinou
Escapei do milagre
Você me ajudou
Do perigo você me salvou
Hey Shazan
Meu herói é você! (hey hey!)

Hey Shazan!
É que a vida lhe fez professor
Com você é que o mundo precisa aprender
As matérias que todos deviam saber
Pois você tem diploma de amor
Hey Shazan!
Meu herói é você!

Hey hey hey!…

* O tema de abertura era uma versão instrumental da música

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