Sinopse

Em 1880, a luta pela libertação dos escravos está no auge e a República caminha a passos largos para ser implantada.

É nesse cenário que nasce o amor entre Sinhazinha Flô e Arnaldo. Ele é um vaqueiro pobre que luta, na sua condição de mestiço (filho da escrava Zana), pelo amor de Flô, filha de seu patrão. Já a jovem vacila entre Arnaldo e um amor de infância: Jorge, um rapaz que procura sua liberdade particular. Vendendo sua fazenda ao Capitão Gervásio Campelo, Jorge vai até o Rio de Janeiro tentar a fortuna através de jogos e negócios escusos com homens do café.

Já a jovem Chiquinha, filha do Capitão Campelo e amiga de Flô, apaixona-se por Murilo, um ladrão de cavalos, contrariando toda sua formação paterna. Ela se desespera quando o pai a obriga a se casar com um homem mais velho que, sobretudo, não ama.

Globo – 18h
de 25 de outubro de 1977 a 28 de janeiro de 1978
82 capítulos

novela de Lafayette Galvão
baseada nos romances Til, A Viuvinha e O Sertanejo de José de Alencar
direção de Herval Rossano e Sérgio Mattar
direção geral de Herval Rossano

Novela anterior no horário
Dona Xepa

Novela posterior
Maria Maria

BETE MENDES – Flor (Sinhazinha Flô)
EDUARDO TORNAGHI – Arnaldo
CASTRO GONZAGA – Capitão Gervásio Campelo
ANA LÚCIA TORRE – Ermelinda
THAÍS DE ANDRADE – Chiquinha
DANTON JARDIM – Murilo
MÁRCIO DE LUCA – Jorge
HELOÍSA RASO – Clotilde
JOSÉ MARIA MONTEIRO – Juca
FREGOLENTE – Padre Teles
RUTH DE SOUZA – Justa
NEUZA BORGES – Zana
MARCUS TOLEDO – Leandro Barbalho
ÉLCIO ROMAR – André
RICARDO GARCIA – Brás
ARY COSLOV – Marcos Fragoso
ANTÔNIO PATIÑO – Moirão
GILBERTO MARTINHO – Pepe
DARTAGNAN MELLO – Rodrigo
PIETRO MÁRIO – Orvieto
ADEMILTON JOSÉ – Vicente
JOYCE DE OLIVEIRA – Gumercinda
ANGELITO MELLO – João
PAULO PINHEIRO – Manuel Abreu
FREDMAN RIBEIRO – Jó
CLEMENTINO KELÉ – Tião
PAULO TONDATO – Negrum
MARIA DAS GRAÇAS – Mariinha
ANTÔNIO GANZAROLLI – Tuniquinho
GILSON MOURA – Delegado
CLEMENTE VISCAÍNO – Dr. Gustavo
MÁRIO POLIMENO – Chico da Venda
CARLOS DUVAL – Padre Antônio
NARDEL RAMOS – Miguel
LAFAYETTE GALVÃO – Januário
MARCELO BARAUNA – Sussuarana
ANA LÚCIA GREGARY – Isabela
DARCY DE SOUZA – Terta
WALTER MORENO – Zé
SILVIA CHAMECKI BONET – Amélia
ZILCLÉIA DOS SANTOS – Maria
CATULO DE PAULA – violeiro
DAVID PINHEIRO – cigano
SIDNEY MARQUES – empregado de Fragoso
JOANA DE SOUZA – cozinheira de Campelo

– núcleo da Fazenda Paineira, de propriedade do CAPITÃO GERVÁSIO CAMPELO (Castro Gonzaga), poderoso senhor de engenho, homem bom, mas muito severo e exigente. É um dos líderes abolicionistas da cidade:
a mulher ERMELINDA (Ana Lucia Torre)
os filhos: FLOR (Bete Mendes), adotiva, quer descobrir o segredo que envolve sua origem. Rebela-se contra os padrões sociais vigentes, integrando o movimento de emancipação da mulher. É contra casamentos de conveniência impostos pelos pais
CHIQUINHA (Thaís de Andrade), a única filha legítima. Ama o capataz da fazenda, mas seus pais sonham com um casamento melhor. Aliada de Flor, luta para alcançar seus objetivos,
e BRÁS (Ricardo Garcia), adotivo, portador de um problema de saúde: apesar de seus 16 anos, pensa e age como uma criança de 10. É muito ligado a Flor
o sobrinho LEANDRO BARBALHO (Marcus Toledo), com quem o casal Campelo quer casar a filha Chiquinha
o filho de um amigo de Campelo, JORGE (Márcio de Luca), a quem o pai, antes de morrer, entregou sua tutela. Herda uma grande fortuna, mas perde tudo no jogo. É um amor de infância de Flor, por quem ela ainda se sente atraída
o vaqueiro na fazenda ARNALDO (Eduardo Tornaghi), pobre e mestiço, se apaixona por Flor e a ajuda a descobrir seus pais verdadeiros. É um justiceiro, responsável por atos heroicos
a mãe de Arnaldo, JUSTA (Ruth de Souza), foi ama de leite de Flor, por quem tem grande carinho e admiração
a ama de leite que levou Flor para a fazenda ZANA (Neuza Borges), conhece a origem dela, mas não revela a ninguém. Devido a um choque sofrido no passado, ficou traumatizada e perdeu a razão
os capatazes da fazenda AGRELA (Élcio Romar), leal ao patrão e apaixonado por Chiquinha,
e MANUEL ABREU (Paulo Pinheiro), contratado para controlar a fazenda e os escravos
os escravos (Fredman Ribeiro), amigo de Arnaldo. É acusado de um crime que não cometeu,
TIÃO (Clementino Kelé), responsável pelos cavalos,
NEGRUM (Paulo Tondato), consegue sua alforria e começa uma criação de porcos. Com o dinheiro adquirido com a venda dos porcos, compra alforria para outros negros
e MARIINHA (Maria das Graças)
a cozinheira MARIA (Zilcléia dos Santos)
o ex-empregado JOÃO (Angelito Mello), salvou Flor da morte quando ela era pequena. Vive próximo à Fazenda Paineiras.

– núcleo de CLOTILDE (Heloísa Raso), moradora da cidade, rompe com todos quando percebe que está sendo usada para afrontar outra moça. Torna-se uma das líderes do movimento abolicionista dos escravos, juntamente com Flor e Chiquinha, para o desespero de sua mãe:
a mãe GUMERCINDA (Joyce de Oliveira), escravagista ferrenha, semianalfabeta.

– núcleo dos abolicionistas, amigos do Capitão Gervásio Campelo:
JUCA (José Maria Monteiro), incentiva a criação de uma associação para a emancipação de escravos na cidade de Campos
PADRE TELES (Fregolente), pároco da igreja da cidade. Amigo e confidente de Campelo, é muito ligado à libertação dos escravos
ORVIETO (Pietro Mário), dono do cartório da cidade, é um dos líderes abolicionistas, ao lado de Campelo e Padre Teles
VICENTE (Ademilton José), acredita na libertação dos escravos por meios radicais.

– núcleo de MARCOS FRAGOSO (Ary Coslov), vizinho do Capitão Gervásio Campelo, é radicalmente contra a libertação dos escravos. Apaixonado por Flor, é capaz de tudo para conquistá-la:
o guarda-costas MOIRÃO (Antônio Patiño)
o cigano PEPE (Gilberto Martinho), trabalhou para ele e cometeu alguns crimes. Apesar de tudo, fica impune
o amigo de Pepe, RODRIGO (Dartagnan Mello).

– demais personagens:
MURILO (Danton Jardim), considerado inofensivo quando chega à cidade, se revela um perigoso ladrão de cavalos
o DELEGADO (Gilson Moura)
o médico DR. GUSTAVO (Clemente Viscaíno), diretor da Casa dos Alienados. Vai à Fazenda Paineira examinar Zana a pedido de Flor
TUNIQUINHO (Antônio Ganzarolli), mestre da banda de música da cidade, se apaixona por todas a mulheres que encontra. Dá aulas de piano para Flor e Chiquinha
CHICO DA VENDA (Mário Polimeno), dono de uma venda, sabe de todas as fofocas da cidade
PADRE ANTÔNIO (Carlos Duval), enviado à cidade a mando do bispo para fiscalizar o Padre Teles
MIGUEL (Nardel Ramos), guia turístico da cidade, leva os visitantes para jogar e perder dinheiro
JANUÁRIO (Lafayette Galvão), agiota que aproveita das fraquezas dos outros para enriquecer
SUSSUARANA (Marcelo Baraúna), matador profissional que desafia o negro João
ISABELA (Ana Lúcia Gregari), mulher que leva Jorge a perder todo o seu dinheiro.

Novela lançada no rastro das comemorações do centenário da morte do escritor José de Alencar. O perfil da protagonista Flô – vivida por Bete Mendes – misturava três personagens do romancista: Berta de “Til”, Carolina de “A Viuvinha” e Flor de “O Sertanejo”.

O processo da libertação dos escravos estava no auge nesta adaptação, que se inseria em 1880, três anos após a morte de José de Alencar.

Uma preocupação da novela foi mostrar a luta pela emancipação da mulher empreendida por três personagens: Flô, Chiquinha e Clotilde (Bete Mendes, Thaís de Andrade e Heloísa Raso, respectivamente).

A transposição dos três romances numa só novela não surtiu o resultado esperado, mais pelo excesso de situações do que pelo trabalho do autor em relação aos personagens. Ao mesmo tempo desenvolvia-se a novela de aventura com estilo capa-e-espada, os conflitos familiares na fazenda Paineira, a formação dos quilombos e as revoltas, o conflito com os ciganos, as campanhas abolicionistas, os romances da corte colonial, e as tramas paralelas de cada foco.

Por aí percebe-se que a união de um romance urbano com dois regionalistas, obras de fases distintas da extensa produção de José de Alencar, não serviu de forma satisfatória para homenagear o escritor.

A maioria das cenas externas foi gravada em Conservatória, distrito de Vassouras (RJ). A cidade – na época cercada por morros, com casas tradicionais, com janelas pintadas de azul, ao estilo colonial – era o cenário perfeito para uma história que se passava em 1880. Duas locações de Conservatória, a Fazenda Florença e a Ponte dos Arcos, se tornaram, na trama, a Fazenda da Paineira e a Garganta do Diabo.
Fonte: site Memória Globo.

O ator Lafayette Galvão, que escrevia a novela, também atuava nela, como o agiota Januário.

O tema de abertura – Fogo no Canavial, interpretado por Jorge Teles – foi reaproveitado da abertura da versão censurada de Roque Santeiro, de 1975. A letra era outra, mas a melodia era a mesma.

A novela não teve trilha sonora lançada comercialmente

Músicas tocadas na novela
FOGO NO CANAVIAL – Jorge Teles (tema de abertura)
MANHÃ PRIMEIRA – Paulo Tapajós
BATE CANELA – Clementina de Jesus
BARRIGA DA NEGA – Veludo
O MENINO E OS CARNEIROS – Geraldo Azevedo
TERRA QUE É MEU CORAÇÃO – Abílio Martins

Tema de Abertura: FOGO NO CANAVIAL – Jorge Teles

Paineira terra de engenho
Linhagem colonial
Herdeiros das caravelas
Dos idos de Portugal
Escravo, jeito e feitor
Pastagem, casa, pomar
Cobiça de mau vizinho
Caçada, flor e paixão

Vaqueiro, gado e senzala
Herança, casta e pudor
É no batente da cana
O ódio, o amor e o suor
Vaqueiro se faz vaqueiro
Índio, cigano e altar
Abolição dos escravos
Fogo no canavial

Sou vaqueiro
Canto forte o meu mote
Pra boiada escutar
Ouvi dizer
Que quem nasceu pra pataca
A vintém nao vai chegar

Vaqueiro, gado e senzala
Herança, casta e pudor
É no batente da cana
O ódio, o amor e o suor
Vaqueiro se faz vaqueiro
Índio, cigano e altar
Abolição dos escravos
Fogo no canavial…

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