Sinopse

A jovem Cláudia mudou-se para Curitiba decidida a fugir do marido violento, Geraldo, e recomeçar a vida. Devido às constantes brigas do casal, Cláudia perdeu a guarda da filha, a pequena Maria Carolina, para a cunhada Elisa. A menina é deixada pela tia impaciente em um orfanato e, durante uma fuga, Maria Carolina conhece o Sr. Mazurgski, o Tio Zé, um velhinho bondoso que se encanta com ela, a quem chama carinhosamente de Laleska. Tio Zé é um artesão que faz brinquedos de madeira e que se torna o grande protetor de Maria Carolina. A menina ainda não sabe, mas tem uma doença grave.

Cláudia vai trabalhar em uma fábrica de brinquedos, onde se envolve com os herdeiros, os irmãos Lucas, por quem se apaixona, e Jorge, que faz tudo para conquistá-la. Eles são netos de Paula Candeias de Sá, que, ao se deparar com os desentendimentos dos rapazes, vê Cláudia como uma ameaça à paz em seu lar. Dona Paula deseja que um dos netos assuma o comando da empresa: Jorge, um médico de carreira promissora, ou Lucas, um playboy boa-praça que preferiu as farras aos estudos. O intuito maior de Paula é tornar Lucas uma pessoa responsável, mas o rapaz é vítima da inveja de Jorge.

Cláudia sofre com a ausência da filha e faz o possível para recuperar sua guarda. Casa-se com Lucas e é acusada de bigamia, tendo de enfrentar um processo judicial, com risco de perder definitivamente a guarda de Maria Carolina para Geraldo. Ela passa a sofrer com a perseguição do primeiro marido e de Jorge, que, rejeitado, se revela um homem inescrupuloso e perigoso, capaz de tudo para prejudicá-la.

Revelando um caráter doentio, Jorge procura, de todas as maneiras, separar Claudia de seu irmão, além de tentar afastar a avó da direção da empresa da família. Seus problemas psicológicos se agravam quando descobre que não é um legítimo Candeias de Sá, mas que, ainda criança, foi colocado no lugar do neto morto de Paula. Sua mãe biológica é a humilde Mariana, que está decidida a aproximar-se do filho, mesmo enfrentando a oposição de Paula, que esconde este segredo a sete chaves, e a do próprio Jorge, que a despreza.

Globo – 18h
de 27 de setembro de 1993
a 14 de maio de 1994
197 capítulos

novela de Marcílio Moraes
escrita por Marcílio Moraes, Margareth Boury e Maria Adelaide Amaral
supervisão de texto de Lauro César Muniz
baseada nas novelas A Pequena Órfã e Ídolo de Pano de Teixeira Filho
direção de Reynaldo Boury, Roberto Naar e Marcelo Travesso
direção geral de Reynaldo Boury

Novela anterior no horário
Mulheres de Areia

Novela posterior
Tropicaliente

CAROLINA PAVANELLI – Maria Carolina (Laleska)

PATRÍCIA FRANÇA – Cláudia Lins
LEONARDO VIEIRA – Lucas Candeias de Sá
FÁBIO ASSUNÇÃO – Jorge Candeias de Sá / Armando de Souza Freitas
BEATRIZ SEGALL – Paula Candeias de Sá
ELIAS GLEIZER – Tio Zé (Roman Mazurgski)
DÉBORA DUARTE – Mariana de Souza
JOSÉ DE ABREU – Geraldo Vieira
NÍVEA MARIA – Elisa Vieira
CARLOS ALBERTO – Fiapo
ISABELA GARCIA – Lúcia Guerra
WALMOR CHAGAS – Dr. Afrânio Guerra
YONÁ MAGALHÃES – Magnólia Guerra
FLÁVIO GALVÃO – Dr. João Fontana
FRANÇOISE FORTON – Gilda Fontana
DANIELA CAMARGO – Francisca Fontana
ÂNGELO PAES LEME – Santiago Fontana
CRISTINA MULLINS – Márcia
JAYME PERIARD – William Ferraz
GISELA REIMAN – Alice
ERI JOHNSON – Giácomo Madureira (Jaime)
CLÁUDIA SCHER – Aída
PRISCILA CAMARGO – Polaca
MAURO MENDONÇA – Carlos
KARINA MELLO – Marília
CLÁUDIA MAGNO – Jô (Josefina)
NEWTON MARTINS – Mercadoria
LINA FRÓES – Rosa
TÂNIA LOUREIRO – Míriam
NAURA SCHNEIDER – Helena
CARLOS KROEBER – Dr. Varela
MAURO GORINI – Feriado
MARIA NATTARI (MAGUINHA) – Iracema
BERNADETE LYS – Júlia
SÉRGIO FONTA – Cunha
MARA SANDES – Flávia
ALEXANDRE LIPIANI – Luís Ortega
FLÁVIA ALESSANDRA – Inês
RENATA CASTRO BARBOSA – Carla
MARIANNE EGBERT – Irene
RUTHINÉIA DE MORAES – Alcinéia
CASTRO GONZAGA

as crianças
CARMEN CAROLINE – Ximena
EDUARDO CALDAS – Chico
BETA MADRUGA – Taboinha
FABIANO MIRANDA – Trigo (Nivaldo)
LUIZA CURVO – Aninha
MARINA THOMPSON – Clara
SÉRGIO MANNARINO – Cacá (Carlos Alberto Ferraz)

e
ABRAHÃO RIBEIRO
AGNES FONTOURA – amiga de Paula, das obras de caridade
ALFREDO MARTINS – mestre de cerimônias na festa na qual Cláudia trabalhou, no início
ANDRÉA CAVALCANTI – moça que, a mando de Jorge, passa-se por amiga de Cláudia para enganar Lucas
ANDRÉA STELZER
ANDRÉ MUCCI
ANJA BITTENCOURT – policial com Maria Coralina quando Tio Zé é preso
ANTÔNIO VIANNA
ARMINDA PINHO
BIANCA BLONDE
CÉSAR AUGUSTO – funcionário da mansão dos Candeia de Sá
CÉVIO CORDEIRO – juiz da guarda de Maria Carolina
CLÁUDIA WAGNER
CLAUDIONEY PENEDO – carcereiro quando Lucas vai preso
DARTAGNAN JÚNIOR – repórter que cobre o ecândalo da morte de Varela na clínica do Dr. Fontana
DÉBORA VIANA
DORA FERNANDES
EDUARDO CANUTO – Joel (candidato a comprar a casa de Guerra, que está tentando vendê-la)
EDUARDO PARANHOS – repórter na sala de Dr. Fontana, após Mariana assumir a culpa pela morte de Varela
ÊNIO SANTOS – juiz que interroga Guerra
FÁTIMA PATRÍCIO
FERNANDA FERRAZ
FERNANDA MUNIZ – atendente no hospital
FLÁVIO ANTÔNIO – escrivão da delegacia onde Lucas vai preso
GILBERTO PORTO – recepcionista no hotel barato onde Lucas se hospeda
GILSON MOURA – Cidão
GUILHERME CORRÊA – chefe de Cláudia na loja de sapatos, no início
HAYDÉE MIRANDA – amiga de Paula, das obras de caridade
HÉLIO RIBEIRO – delegado Juarez (atua em algumas ocorrências no decorrer da novela)
INGRID FRIEDMAN – criança no orfanato de Fiapo
JACYRA SAMPAIO – Dona Constância (amiga de Cláudia, do Rio, no primeiro capítulo)
JARBAS FONTENELE
JOÃO VIEITAS – Delegado Oscar (amigo de William, da delegacia para onde Lucas é levado após brigar em um bar)
JOMBA – velho pescador com quem Lucas faz amizade
JORGE CHERQUES – Seu Ivan (taxista que fica amigo de Cláudia)
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – pai de Irene
JULIETA WILMAR
JÚLIO BRAGA – Xará (Amadeu Costa, amigo de Madureira, esteve preso com Lucas)
JUSSARA CALMON – Raimunda (funcionária do orfanato de Fiapo)
KARLA NOGUEIRA – secretária na fábrica de brinquedos
KLEBER DRABLE – padre que realiza o casamento de Lucas e Cláudia
LAURA DE LA ROQUE
LEONARDO BORGES
LÉO WAINER – Ciro (marido de Fernanda, com quem se hospeda na casa de Fontana e Gilda)
LUCIANA CARVALHO
MANOEL THEODORO
MARCELO COUTINHO
MARIA TERESA MADEIRA – como ela mesma, pianista no concerto prestigiado por Paula e família
MÁRIO FAINI – Felipe (advogado de Tio Zé, quando ele é preso por estar com Maria Coralina)
MIGUEL ROSEMBERG – Dr. José Osvaldo (advogado dos Candeia de Sá)
MIRELA
MÍRIAN PIRES – Cecília (dona do primeiro orfanato onde estava Maria Carolina, que pegou fogo)
MIWA YANAGIZAWA – gueixa no bordel japonês para onde Lucas é levado depois de ser dopado por Zé Carlos
MOACYR ALVES
MONIQUE MARQUES
MONIQUE LAFOND – Clarisse (mãe de Irene)
MYRIAN PÉRSIA – Nilda (mulher do Dr. Varela)
NARDEL RAMOS – motorista de Cacá, quando ele convida os meninos para uma volta de carro
NEDIRA CAMPOS – Ângela (enfermeira da clínica do Dr. Fontana)
NESTOR DE MONTEMAR – chef contratado por Magnólia para a recepção do noivado de Lúcia e Lucas
ORION XIMENES – garçom que atende Lucas, que está bêbado, arranja confusão e acaba preso
OTACÍLIO COUTINHO – advogado de Guerra, quando ele se apresenta como culpado pela morte de Varela
PABLO SOBRAL – Canivete (ajudante de Gogó)
PASCHOAL VILLABOIM – porteiro do prédio de Jorge
PAULO LEITE – pai de Chico
PAULO MARRAYO
PAULO REZENDE – funcionário de William em sua casa
RAFAEL PONZI – Irineu (agiota com quem Cláudia pega dinheiro emprestado, ou vende objetos de valor)
RAIMUNDO EMERSON
REGIANA ANTONINI – policial com Maria Coralina quando Tio Zé é preso
RENATO NEVES – advogado que Tio Zé arruma para tirar Geraldo da cadeia, no início
RENATO PINHEIRO
ROBERTO LOPES – Gogó (raptor das crianças)
ROGÉRIO FRANÇA
ROSELAINE PISSAIA
RUBEM DE BEM – investigador Meireles (procura Maria Carolina quando ela foge do orfanato, no início)
SANDRA BARSOTTI – organizadora da festa na qual Cláudia trabalhou, no início
VANDA ALVES
VICENTE BARCELOS – Zé Carlos (empresário paulista, amigo de William, a pedido dele, arma uma cilada para Lucas em São Paulo)
Fernanda (mulher de Ciro, com quem se hospeda na casa de Fontana e Gilda)

– núcleo de CLÁUDIA (Patrícia França), jovem de origem humilde, batalhadora e ousada. Vítima de violência doméstica, perde a guarda da filha pequena para a cunhada, devido às constantes brigas com o ex-marido, um homem violento. Deixa o Rio de Janeiro e parte para Curitiba para mudar o rumo de sua vida:
a filha pequena MARIA CAROLINA (Carolina Pavanelli), menina esperta, de espírito aventureiro. Com a separação dos pais, foi deixada aos cuidados da tia impaciente. Ao longo da trama descobre-se que sofre de leucemia
o ex-marido GERALDO (José de Abreu), homem que fica violento quando bebe. Vive sumido, metido em confusões. Persegue a ex-mulher
a amiga e confidente ALICE (Gisela Reiman).

– núcleo de PAULA CANDEIAS DE SÁ (Beatriz Segall), matriarca de uma rica família, dona da fábrica de brinquedos Ludens, em Curitiba. Mulher generosa e de bom coração, porém autoritária. Seu maior sonho é ver os dois netos encaminhados na vida:
os netos LUCAS (Leonardo Vieira), bom rapaz, mas ingênuo, boêmio, impulsivo e inconsequente. Apaixona-se por Cláudia, mas os dois passam por vários problemas para concretizar esse amor. A avó deseja que ele gerencie a empresa da família
e JORGE (Fábio Assunção), médico sedutor, ambicioso e egocêntrico. Dissimulado, na verdade sente inveja do irmão e faz tudo para afastar ele e a avó da direção da empresa. Descobre que não é um Candeias de Sá legítimo, mas que foi adotado por Paula após a morte dos pais e do irmão de Lucas. Seduz Cláudia – a princípio para rivalizar com Lucas – e passa a ter um sentimento doentio em relação a ela
a ex-governanta da mansão Candeias de Sá MARIANA (Débora Duarte), hoje enfermeira. Revela-se a mãe biológica de Jorge. Volta a Curitiba disposta a viver perto do filho, que não a aceita. Paula a contrata para ser sua enfermeira
a secretária MÁRCIA (Cristina Mullins)
o mordomo GIÁCOMO MADUREIRA (Eri Johnson), paquerador inveterado, um tremendo cara-de-pau
as empregadas: IRACEMA (Maria Nattari)
e AÍDA (Cláudia Sher), encontra-se às escondidas com Jorge em seu quarto
o jardineiro FERIADO (Mauro Gorini).

– núcleo do ROMAN MAZURGSKI, conhecido como TIO ZÉ (Elias Gleizer), velhinho bondoso, de origem polonesa, artesão que trabalha com madeira. Torna-se amigo e protetor de Maria Carolina, a quem ele chama carinhosamente de LALESKA (“bonequinha” em polonês):
os amigos POLACA (Priscila Camargo), dona de um armazém, MERCADORIA (Newton Martins) e ROSA (Lina Fróes)
os amiguinhos de Maria Carolina: CHICO (Eduardo Caldas), XIMENA (Carmem Caroline), TABOINHA (Beta Madruga) e o cãozinho TOFE.

– núcleo de ELISA (Nívea Maria), irmã de Geraldo, tutora de Maria Carolina. Mulher amarga, impaciente, interesseira e inescrupulosa. Lucra com a mesada enviada mensalmente por Cláudia. Larga Maria Carolina em um orfanato:
o namorado FIAPO (Carlos Alberto), tão mau caráter quanto ela, administra o orfanato para onde Maria Carolina é enviada
os amiguinhos de Maria Carolina no orfanato: ANINHA (Luísa Curvo), TRIGO (Fabiano Miranda) e CLARA (Marina Thompson)
a assistente social MÍRIAM (Tânia Loureiro) e a pediatra HELENA (Naura Schneider), cuidam de Maria Carolina, quando ela está no orfanato
a funcionária do orfanato de Fiapo, RAIMUNDA (Jussara Calmon)
CECÍLIA (Míriam Pires), dona do primeiro orfanato onde Elisa deixou Maria Carolina, que pegou fogo.

– núcleo do DR. AFRÂNIO GUERRA (Walmor Chagas), médico particular de Paula, aliado de Jorge. Não tem escrúpulos em dar medicação errada à cliente, com o objetivo de afastá-la do poder:
a esposa MAGNÓLIA (Yoná Magalhães), mulher deslumbrada, interesseira, fascinada pelo consumo e pelas aparências
a filha LÚCIA (Isabela Garcia), amiga de Lucas, por quem é apaixonada. Percebe as safadezas do pai e tem com ele uma relação conflituosa.

– núcleo do DR. JOÃO FONTANA (Flávio Galvão), dono da clínica onde trabalha Jorge. Excelente médico, generoso e franco – o oposto do Dr. Guerra. A princípio, tem admiração por Jorge, considerando-o um dos melhores médicos que conhece. Durante muito tempo é envolvido por suas intrigas:
a mulher GILDA (Françoise Forton), de família tradicional, herdou considerável fortuna com a qual montou a clínica do marido, que administra. Ciumenta a ponto de contratar detetives para seguir o marido, embora ele seja o mais fiel dos homens
os filhos: FRANCISCA (Daniela Camargo), namorada de Jorge no início. Moça problemática, em busca de um rumo na vida. Até certo momento, segue a opinião da mãe, que acha que o casamento é a melhor solução para ela
e SANTIAGO (Ângelo Paes Leme), adolescente questionador, adepto de alimentação natural e meditação
a chefe de enfermagem na clínica JOSEFINA, a (Cláudia Magno)
a médica na clínica FLÁVIA (Mara Sandes)
os amigos de Santiago: MARÍLIA (Karina Mello), apaixonada por João, passa a namorar Santiago apenas para ficar perto de seu pai,
LUÍS ORTEGA (Alexandre Lipiane) e a namorada INÊS (Flávia Alessandra).

– núcleo de WILLIAM FERRAZ (Jayme Periard), homem inescrupuloso, chefe do departamento jurídico da fábrica dos Candeias de Sá, aliado de Jorge. Envolve-se com Márcia:
o filho CARLOS ALBERTO, o CACÁ (Sérgio Mannarino), um “mauricinho”
a secretária JÚLIA (Bernardete Lys), com quem tem um caso.

A base para Marcílio Moraes escrever Sonho Meu foram as tramas centrais de duas antigas novelas de sucesso de Teixeira Filho.
De A Pequena Órfã (TV Excelsior, 1968-1969), o autor retirou a história da amizade entre uma menina órfã carente e um bondoso velhinho (interpretados por Patrícia Aires e Dionísio Azevedo na versão original).
De Ídolo de Pano (TV Tupi, 1974-1975), a disputa de dois irmãos pelo amor da mesma mulher (personagens de Tony Ramos, Denis Carvalho e Elaine Cristina nos anos 1970).

Mário Lúcio Vaz, então diretor de dramaturgia da TV Globo, solicitou a Marcílio Moraes uma novela a partir dos dois textos de Teixeira Filho (A Pequena Órfã e Ídolo de Pano), cujos direitos a emissora havia adquirido.
“Li alguns capítulos das duas e tomei uma decisão dramatúrgica: a mãe da pequena órfã vai ser a mulher que os dois irmãos de Ídolo de Pano disputam. Estava feita a fusão. A partir daí, sem perder os personagens principais e algumas tramas, criei uma novela inteiramente nova, muito diferente das originais”, afirmou Marcílio em entrevista a Duh Secco para o portal RD1.
“Em momento algum pensei em fazer um remake, uma repetição ipsis litteris do que o Teixeira havia escrito. Achei que devia mais à dramaturgia, ao talento e à criatividade dele: ou seja, uma obra nova. Foi o que fiz”, concluiu.

Patrícia França e Leonardo Vieira vinham do sucesso de seus personagens na primeira fase da novela Renascer, e formaram em Sonho Meu novamente um casal romântico.

Afastando-se do eixo Rio-São Paulo-Nordeste (prática na época), a trama de Sonho Meu foi ambientada na cidade de Curitiba, o que proporcionou uma beleza extra às locações, com imagens pouco comuns ao telespectador.
No início dos anos 1990, a capital paranaense estava em evidência: o então prefeito Jaime Lerner colocou a cidade nas páginas das revistas (nacionais e estrangeiras) por causa de sua administração voltada ao urbanismo e mobilidade humana. A Globo aproveitou o hype envolvendo a cidade e momentaneamente deixou de lado os costumeiros cenários cariocas, paulistas e nordestinos. Outro bom motivo era o aniversário de 300 anos da fundação de Curitiba, completados em 1993.
A Ópera de Arame, o Jardim Botânico, o Largo da Ordem, a Rua das Flores e a Rua 24 Horas foram alguns dos pontos turísticos da capital paranaense onde os atores gravaram. A novela também deu destaque para as estações-tubo, para transporte urbano, famosas na cidade.
A cidade cenográfica, montada em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, reproduziu um pedaço de um bairro bucólico de Curitiba, destacando detalhes da arquitetura da cidade.
Já a fachada da mansão da família Candeias de Sá, um casarão em estilo neoclássico – um dos principais cenários da novela -, não ficava na capital paranaense, mas na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Mesmo com uma trama um tanto confusa no início, a novela, aos poucos, foi cativando o telespectador e registrou relevante sucesso com altos índices de audiência em sua segunda metade. Durante todo o verão de 1994, a novela das sete horas contemporânea, Olho no Olho, de Antônio Calmon, perdeu para Sonho Meu no Ibope da Grande São Paulo. A partir deste período, Olho no Olho só conseguiu superar o ibope de Sonho Meu em sua última semana, em abril de 1994.

Por pressão da audiência, a protagonista Cláudia (Patrícia França) não poderia enganar o homem que amava. Lauro César Muniz, supervisor do texto, contou que o público teve dificuldade em aceitar a bigamia de Cláudia, o que levou os autores a anteciparem a decisão da personagem em assumir seu romance com Lucas (Leonardo Vieira) e enfrentar um processo judicial. (Site Memória Globo)
O autor Marcílio Moraes comentou em entrevista a Duh Secco, para o portal RD1: “Fui constrangido a acelerar brutalmente e resolver de forma inverossímil uma trama que estava prevista na minha sinopse, onde também estava apontada a solução que daria a ela. (…) Aí vem uma interferência de cima, mal explicada, careta, hipócrita, sobrepondo uma moral abstrata, formal, à ética que a personagem estava construindo para superar o impasse e salvar-se.”

O destaque foi a menina Carolina Pavanelli (com 6 anos na época), que encantou a todos com sua personagem Maria Carolina – a Laleska -, a pequena órfã da história.

Por meio da personagem Maria Carolina (Carolina Pavanelli), que sofria de leucemia, Sonho Meu abordou o tema da doação de sangue. A doença da menina propiciou a discussão sobre a qualidade do sangue, doação voluntária e Aids. (Site Memória Globo)

José Augusto e Xuxa – que cantavam a música-tema da abertura, “Querer é Poder” – participaram do último capítulo, gravado na Ópera de Arame, em Curitiba, fazendo um show para as crianças do orfanato da trama.

O ator José de Abreu tornou público o seu descontentamento com os rumos de seu personagem, Geraldo.
“É o pior trabalho que já fiz. A trama não tem pé nem cabeça, está repleta de contradições. O próprio Geraldo é um personagem esquizofrênico. Um dia, dá porrada. No outro, chora como criança. Parece que os autores do texto não conversam entre si”, disparou o ator para o jornal Folha de São Paulo de 23/04/1994.
Lauro César Muniz, o supervisor de texto, não entendeu sua reclamação: “O Zé costumava nos ligar para elogiar o personagem. Não entendo por que mudou de opinião.”

Primeira novela do ator Ângelo Paes Leme.

Último trabalho de Cláudia Magno, que faleceu durante a exibição da novela. A atriz deixou a produção já adoentada, vindo a falecer em 05/01/1994, aos 35 anos de idade, de insuficiência respiratória aguda (em decorrência de Aids).

O primeiro título pensado para a novela foi Pega-Fogo. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A história da pequena órfã voltou à televisão em 2005, como uma das tramas da novela Prova de Amor, da Record TV, escrita por Tiago Santiago, com Rogério Fróes (o velhinho) e Júlia Magessi (a menina).

Curiosamente, apesar de ter tido boa audiência e de ser uma novela lembrada pelo público, Sonho Meu jamais foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, o que sempre fomentou muitas teorias. A mais aceita é que durante o prazo limite para a sua reexibição (meados da década de 2000), alguns dos principais profissionais nela envolvidos haviam sido contratados pela Record TV no momento em que emissora alavancava a sua dramaturgia e tirava muita gente da Globo: o casal romântico central, Patrícia França e Leonardo Vieira, e os roteiristas Marcílio Moraes, Lauro César Muniz e Margareth Boury. Ou seja: a reprise de Sonho Meu foi sendo protelada até que, no momento máximo em que poderia sair, não saiu por causa da Record. Após isso, a novela passou a ser considerada “velha” para a reprise à tarde.

Em 2021, a novela foi finalmente reprisada, no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo), a partir de 12/07/2021, às 12h30 (com repeteco do capítulo à 1h15).

Trilha Sonora Nacional

01. BHAJA SHIRI KRISHNA – Homem de Bem (tema de Santiago e Marília)
02. ANDO MEIO DESLIGADO – Roupa Nova (tema de Giácomo Madureira)
03. MELHORES DIAS – Rita de Cássia (tema de Mariana)
04. FRÁGIL – Guido Brunini (tema de Jorge)
05. TODAS AS RUAS – Orquestra Harmônicas de Curitiba (tema de locação: Curitiba)
06. QUERER É PODER – José Augusto e Xuxa (tema de abertura)
07. O PREÇO DE UMA VIDA – Selma Reis (tema de Cláudia)
08. UM POUCO MAIS – Guilherme Arantes (tema de Francisca)
09. VIESTE – Ivan Lins (tema de Lucas)
10. UM SONHO MAIOR – Danilo Caymmi (tema de Tio Zé)
11. PRIVAÇÃO DE SENTIDOS – Watusi (tema de Gilda)
12. DANÇANDO COM LÁGRIMAS NOS OLHOS – Orquestra e Coro RGE (tema de Fiapo e Elisa)

Trilha Sonora Internacional

01. WHAT IS LOVE – Haddaway (tema de Lucas)
02. UNDER THE SAME SUN – Scorpions (tema de Gilda)
03. MR. VAIN – Culture Beat (tema de Laleska)
04. RIGHT HERE (HUMAN NATURE MIX) – SWV (tema de locação: Curitiba)
05. SHOW ME LOVE – Robin S (tema de locação: Curitiba)
06. CRYIN’ – Aerosmith (tema de Giácomo e Francisca)
07. LIVING WITHOUT YOUR LOVE – Rennie Ladd (tema do Dr. Fontana)
08. FOR WHOM THE BELL TOLLS – Bee Gees (tema de Lucas e Cláudia)
09. FELICITÀ – Lucio Dalla (tema de Paula)
10. MORE AND MORE – Captain Hollywood Project (tema de Francisca)
11. WILD WORLD – Mr. Big (tema romântico geral)
12. HOUSE OF LOVE – Rupaul (tema de Ortega)
13. CON LOS AÑOS QUE ME QUEDAN – Gloria Estefan (tema de Magnólia)
14. DON’T SAY GOODBYE – Oseas (tema de Lúcia)

Tema de Abertura: QUERER É PODER – José Agusto e Xuxa

Eu posso ir aonde eu quiser
Rabiscos em algum papel
Chegar bem perto das estrelas e tocar o céu
Sonhando eu posso ser um rei
Quem sabe até um superstar
É só deixar a porta aberta pra ilusão entrar
Eu posso até falar com Deus

De noite em minha oração
E caminhar por entre nuvens feitas de algodão
Eu posso tudo que eu quiser
É só querer acreditar
Se eu fechar bem forte os olhos e quiser sonhar

Sonho meu, sonho meu
Tudo pode acontecer
É só acreditar na vida, acreditar na sorte
E tudo pode ser
Sonho meu, sonho meu
Eu posso tudo que eu sonhar
Se eu levar a vida a sério
Se eu fizer direito
Se eu acreditar…

Veja também

  • pequenaorfa_logo

A Pequena Órfã

  • idolodepano

Ídolo de Pano

  • provadeamor

Prova de Amor