Sinopse

José Clementino, num acesso de fúria, matou a mulher num flagrante de adultério. O seu patrão, César Toledo, testemunhou o assassinato e o depoimento dele fez Clementino pagar pelo crime. O tempo passou e na prisão Clementino arquitetou um plano de vingança contra o ex-patrão.

César é um executivo que construiu um dos mais arrojados shopping centers de São Paulo, o Tropical Tower. Casado com Marta, mas com o casamento em crise, ele reencontra uma antiga paixão, a advogada Lúcia Prado. Os dois voltam a se encontrar, mas Marta fará de tudo para manter o casamento. O casal tem três filhos muito diferentes entre si: Guilherme, Henrique e Alexandre.

Guilherme é o filho problemático, arruaceiro e toxicômano. Apesar da família lutar para tirá-lo das drogas, ele só confia na amizade da protetora Clara, uma moça que há muitos anos vive de favor na mansão dos Toledo. Mas a família nem desconfia que Guilherme tem uma mulher, Celeste, e um filho pequeno em outra cidade.

Henrique, casado com a bela Vilma, é um sedutor incorrigível e desperta desejos secretos até em sua melhor amiga, Ângela Vidal, uma ambiciosa executiva da empresa de seu pai. Alexandre é um jovem advogado de carreira promissora, mas ingênuo o bastante para cair nas garras da interesseira Sandra, funcionária do shopping.

Sandrinha, como é conhecida, vê em Alexandre a oportunidade de enriquecer e sair do inferno que é a vida em sua casa. Ela mora com o avô Agenor, dono de um ferro velho, um homem rude que a despreza; a irmã, a doce Shirlei; dois tios broncos, Gustinho e Boneca; e o retardado mental Jamanta, apaixonado por ela. Seu pai, Clementino está prestes a sair da cadeia, mas Sandrinha nunca o perdoou por ele ter matado sua mãe.

Mas o alvo de Clementino agora é César Toledo. E ele começa a por em prática o plano de explodir o Tropical Towers.

Globo – 20h
de 25 de maio de 1998
a 16 de janeiro de 1999
203 capítulos

novela de Sílvio de Abreu
escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e Bosco Brasil
direção de Denise Saraceni, José Luís Villamarin, Carlos Araújo e Paulo Silvestrini
direção geral de Denise Saraceni
núcleo Carlos Manga

Novela anterior no horário
Por Amor

Novela posterior
Suave Veneno

TARCÍSIO MEIRA – César Toledo
GLÓRIA MENEZES – Marta
TONY RAMOS – José Clementino
MAITÊ PROENÇA – Clara
CLÁUDIA RAIA – Ângela Vidal
EDSON CELULARI – Henrique
LETÍCIA SABATELLA – Celeste
ADRIANA ESTEVES – Sandrinha
MARCOS PALMEIRA – Alexandre
NATÁLIA DO VALLE – Lúcia Prado
CLÁUDIA GIMENEZ – Bina Colombo
VICTOR FASANO – Edmundo Falcão
CLEYDE YÁCONIS – Dona Diolinda
JUCA DE OLIVEIRA – Agenor
STÊNIO GARCIA – Bruno
SÍLVIA PFEIFER – Leda / Leila Sampaio
CHRISTIANE TORLONI – Rafaela Katz (Neusa Maria)
MARCELLO ANTONY – Guilherme
ISADORA RIBEIRO – Vilma
KARINA BARUM – Shirlei
DANTON MELLO – Adriano
CACÁ CARVALHO – Jamanta (Ariovaldo)
OSCAR MAGRINI – Gustinho (Johnny Percebe)
ERNANI MORAES – Boneca
ETHY FRASER – Sarita
ELIANE COSTA – Luzineide
CARVALHINHO – Cláudio
LIANA DUVAL – Luísa
DUDA MAMBERTI – Carlito
FELIPE ROCHA – Dino
CLEYDE BLOTA – Josefa
MARIA SÍLVIA – Dirce
ANDRÉA CAVALCANTI – Odete
DARY REIS – Pacheco
CARLOS KROEBER – Navarro
ROBERTO LOBO – Navarrinho
CARLOS GREGÓRIO – Paulo
IRVING SÃO PAULO – Gilberto
FÁBIO JUNQUEIRA – Edgar
MARIA LÚCIA DAHL – Cecília
as crianças
FELIPE LATGÉ – Guiminha
CAIO GRACCO – Júnior
STEPHANIE NEVES – Tifanny
e
ADA CHASELIOV – Eliane Mauad
ALEXANDER SIL – engenheiro amigo de César
ALEXANDRE BORGES – Ronaldo Mendes
ALFREDO MARTINS – Marcos Monteiro
ANDRÉ SEGATTI – traficante
ANTÔNIO GONZALEZ – promotor
BAYNARD TONELLI – engenheiro amigo de César
BERTA LORAN – Sara
BETO BELINI – pedreiro
BETO SIMAS – Guga (ex-marido de Leila, dono da academia)
BETTINA VIANNY – Dina
BRUNO COSTA – Marco (amigo de Alexandre)
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Fernando Pagão
CARLOS LANDUCCI – detento
CÉLIA BIAR – Teresinha Romano
CELSO FRATESCHI – delegado
CHICO EXPEDITO – Claudionor
CLÁUDIO CAPARICA – padeiro que trabalha na fábrica de Edmundo Falcão
CLÁUDIO GUIOTRITA – bandido
DANIELA FERREIRA – recepcionista do escritório do shopping
DELANO AVELAR – Daniel Ortega
DOUGLAS SIMON – atendente na academia
ELIANE GIARDINI – Wandona
ÊNIO SANTOS – Seu Paixão
EUGÊNIO LA SALVIA – investigador
FÁTIMA CAFÉ – cantora da festa da cumeeira
FLÁVIO MIGLIACCIO – Caju
FRANCISCO CARVALHO – Ivanildo (vigia da mansão dos Toledo que conversa com José Clementino)
GILLES GWIZDEK – engenheiro amigo de César
GIULIO LOPES – manobrista
GUILHERME LINHARES – Alvinho
HAYLTON FARIAS – médico que conversa com Marta e César recomendando uma clínica de reabilitação para Guilherme
HEBE CABRAL – vizinha de Bina
JOEL REINOSO – motorista de Marta
JORGE CAETANO – recrutador do shopping que faz uma entrevista com José Clementino
JORGE CHERQUES
JORGE COUTINHO – Euclides (executivo em uma reunião com César Toledo)
JORGE FERNANDO como ele mesmo, dirige o clipe de Johnny Percebe
JORGE NAPOLEÃO – desempregado
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – médico que opera Shirley
JOSIE ANTELLO – Marieta (babá de Júnior e Tiffany)
JURANDIR DE OLIVEIRA – Edmilson
LEONARDO FRANCO – detetive
LEONARDO MIRANDA – Waldir (funcionário do night club)
LÉO WAINER – médico de Leila, quando ela leva um tiro de Guilherme
LUCAS MARGUTTI – ex-drogado
LUCIANA CARNIELLI – Dayse (auxiliar do escritório do shopping)
LUIZA BRUNET – Valentina
LUIZ MATHEUS – peão
MALU BAILO – Vera (amante de Henrique)
MANITOU FELIPE – Pedro (amigo de Alexandre)
MANOEL BOUCINHAS – bandido
MANOEL ELIZIÁRIO – churrasqueiro
MANUEL FERREIRA
MARCELO FRAZOLINI – detento
MARCOS NICOLATTO – vizinho de Bina
MARILENE SAAD – Melaine (prostituta)
MÁRIO LAGO – Padre João Luiz
MAURO PORRINO
NAIR BELLO – Carlotinha Bimbatti
NEUSA MARIA FARO – presidiária que ameaça Ângela
NIVALDO ZANARDI – atendente na academia
NORMA GERALDY – avó de Adriano
PASCHOAL VILLABOIM – advogado de defesa
PATRÍCIA GORDO – esposa de Clementino, nas cenas de flashback
PAUL SINGER – professor da faculdade
PEDRO PAULO RANGEL – Pedro (dono do bar onde Sandra trabalha, no início)
RAUL GAZOLLA – segurança do shopping
RENATO MASTER – juiz
RINALDO RINALDI – porteiro do night club
ROGÉRIO FARIA JR. – gerente da lanchonete
ROGÉRIO SCHER – peão
ROBERTO LOPES – delegado Jorge Machado
RONALDO REIS – Aquino
RÚBEM DE BEM – mestre de obras
SÉRGIO STERN – funcionário do shopping
SUELY FRANCO – mãe preconceituosa de uma das empregadas da Leila e Rafaela
TAVEIRA JÚNIOR – peão
TOM PIRES – peão
VANDA LACERDA – Eglantine
VANESSA FADUL – Vera
VIVIANE VICTORETE – Débora
VOLNEY DE ABREU
VOLNEY DE ASSIS – Paraíba (detento)
WILLIAM VORHEES – Pretão

– núcleo de CÉSAR TOLEDO (Tarcísio Meira), empresário que construiu o Tropical Tower, um shopping center explodido num atentado criminoso:
a esposa MARTA (Glória Menezes), com quem entra em crise no casamento
os filhos HENRIQUE (Edson Celulari), seu braço-direito na empresa, rapaz sedutor,
ALEXANDRE (Marcos Palmeira), advogado, metódico e certinho,
e GUILHERME (Marcello Antony), toxicômano que morre na explosão do shopping
a mulher de Henrique, VILMA (Isadora Ribeiro), assassinada no decorrer da trama
os netos JÚNIOR (Caio Gracco) e TIFFANY (Stephanie Neves), filhos de Henrique e Vilma
CLARA (Maitê Proença), agregada da família, há muitos anos vive com eles
a advogada LÚCIA PRADO (Natália do Valle), sua antiga paixão que acaba se envolvendo com Alexandre
o artista plástico BRUNO (Stênio Garcia), antigo amor de Marta, aparece na metade da trama.

– núcleo de JOSÉ CLEMENTINO (Tony Ramos), cumpriu pena pelo assassinato da mulher. Planeja a explosão do shopping center de César, por julgá-lo responsável pela sua prisão. Humaniza-se no decorrer da trama ao apaixonar-se por Clara:
o pai AGENOR (Juca de Oliveira), dono de um ferro velho, homem rude, desaparece com a explosão do shopping
as filhas SHIRLEI (Karina Barum), menina doce, tem um problema na perna que a faz mancar,
e SANDRINHA (Adriana Esteves), garota arrivista, odeia o pai pela morte de sua mãe, envolve-se Alexandre por interesse. Descobre-se ao final que ela foi a responsável pela explosão do shopping
o agregado JAMANTA (Cacá Carvalho), um retardado mental que tem fixação por Sandrinha
os irmãos BONECA (Ernani Moraes) e GUSTINHO (Oscar Magrini), que lança-se como cantor com o pseudônimo JOHNNY PERCEBE, cantando com a voz de Boneca
os pretendentes de Shirlei, ADRIANO (Danton Mello) e DINO (Felipe Rocha), que disputam o amor da garota.

– núcleo de ÂNGELA VIDAL (Cláudia Raia), mulher ambiciosa, executiva na empresa de César, melhor amiga de Henrique, esconde um amor doentio por ele:
a governanta LUÍSA (Liana Durval)
a secretária ODETE (Andréa Cavalcanti), sua aliada na empresa.

– núcleo de CELESTE (Letícia Sabatella), ex-prostituta, namorada de Guilherme com quem teve um filho. Após a morte de Guilherme, começa um romance com Henrique, despertando assim o ódio de Ângela:
o filho com Guilherme, GUIMINHA (Felipe Latgé)
a amiga DIRCE (Maria Sílvia), que lhe trai ao ajudar Ângela a prejudicá-la.

– núcleo de BINA COLOMBO (Cláudia Gimenez), amiga de Sandrinha com quem trabalhou como garçonete no shopping center. Disputada por Boneca e Gustinho. Descobre-se que é herdeira de uma grande fortuna:
a amiga LUZINEIDE (Eliana Costa), que nunca consegue falar o que pensa, sempre sendo interrompida por ela. Apaixona-se por Jamanta
a tia SARITA (Ethy Fraser).

– núcleo de EDMUNDO FALCÃO (Victor Fasano), milionário falido, ex-namorado de Lúcia. Ao descobrir que Bina é rica, passa a disputá-la com Boneca e Gustinho:
a mãe DONA DIOLINDA (Cleyde Yaconis), mulher hipocondríaca. Tivera um caso com Agenor no passado, e, ao longo da trama, descobre-se ser mãe de Boneca
o mordomo CLÁUDIO (Carvalhinho).

– núcleo de RAFAELA KATZ (Christiane Torloni), ou NEUSA MARIA, filha de Agenor, rejeitada por ele por ser lésbica:
a namorada LEILA (Silvia Pfeifer) – as duas são vítimas da explosão do shopping center
o mordomo CARLITO (Duda Mamberti)
a irmã gêmea de Leila, LEDA SAMPAIO (Silvia Pfeifer), que aparece na trama após a morte de Leila, envolve-se com César.

Torre de Babel foi lançada com o slogan “forte, verdadeira, emocionante”. Tão forte que afugentou os telespectadores, não acostumados a ver no tradicional horário das oito da Globo tanta violência e temas polêmicos, como drogas, assassinatos frios, violência dentro do lar e homossexualidade feminina.

Silvio de Abreu foi obrigado a mudar a sua história para conquistar o público que havia trocado de canal. E se saiu bem: a novela, que tinha um Ibope aquém do esperando na primeira parte, acabou por registrar ótimos índices de audiência nos últimos meses de exibição.

Perguntado se a audiência interfere no processo criativo do autor, Silvio de Abreu respondeu ao TV Folha (em janeiro de 2002), mencionando Torre de Babel:
“Interfere, porque a gente tem que atingir aquele patamar. Sei que é minha obrigação. Mas, às vezes, a novela não dá grande audiência na estreia – como Torre de Babel, que assustou o público no começo. Aí, eu deixei de lado a análise psicológica, traí minha ideia original, contei a história em tom folhetinesco, e o povo embarcou na emoção. Mas aquilo me desagradou.”

Em entrevista à revista Quem (em outubro de 2010), Silvio explicou porque Torre de Babel foi sua obra mais trabalhosa:
“Foi uma dor de cabeça… uma novela de enorme sucesso, mas com muito protesto, muita perseguição de ONGs e igrejas, pessoal da tradição, família e propriedade. E não foi só pelo casal lésbico. Era uma novela violenta. Na cena em que os traficantes invadiam a casa dos personagens de Tarcísio (Meira) e da Glória (Menezes), era a primeira vez que se mostrava a droga na classe média. Isso chocou muito as pessoas. Tinha o José Clementino (Tony Ramos) que matava a mulher, tinha o outro que morria de overdose… era tudo muito forte.”

Em 1967, Emiliano Queiróz escrevia Anastácia, a Mulher Sem Destino. A novela ia tão mal que o autor foi providencialmente substituído por Janete Clair, que criou um terremoto matando quase todos os personagens e levantando uma nova novela com os que haviam sobrado.
Em Torre de Babel, com a explosão do shopping center da novela, morreram alguns personagens que o público não havia gostado, como o violento Agenor (Juca de Oliveira) – que todos achavam que estivesse morto, mas retornou no final -, o drogado Guilherme (Marcello Antony), e o casal de lésbicas Rafaela e Leila (Christiane Torloni e Sílvia Pfeifer).

Sobre o casal homossexual de Torre de Babel, Silvio de Abreu citou A Próxima Vítima, sua novela anterior, em que o público “aceitara” o casal Jeferson e Sandrinho (Lui Mendes e André Gonçalves) porque a condição deles só foi revelada na metade da trama, quando a audiência já havia simpatizado com os personagens. Diferente de Rafaela e Leila de Torre de Babel, já apresentadas no início como um casal com uma relação assumida, que, inclusive, dividia a mesma cama.

Segundo Silvio, a morte de Rafaela estava prevista desde a sinopse. Com a morte de sua companheira, Leila se aproximaria de Marta (Glória Menezes), e as duas se tornariam grandes amigas. A partir dessa relação, o autor pretendia discutir o preconceito em relação à amizade de heterossexuais com homossexuais. No entanto, ele revelou que não conseguiu levar sua ideia adiante por conta do que foi divulgado pela imprensa logo nos capítulos iniciais da novela: que, com a morte de Rafaela, Leila teria um romance com Marta, fato que não estava previsto na história em nenhum momento. Segundo Silvio de Abreu, a repercussão dessa trama fictícia chocou o público, que não queria ver Glória Menezes e Silvia Pfeifer em cenas de intimidade. Por conta da repercussão da história, e temendo que isso prejudicasse sua novela como um todo, o autor decidiu que Leila também morreria na explosão do shopping. (*)

Alcides Nogueira, que escrevia a novela com Silvio de Abreu e Bosco Brasil, comentou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“(…) um jornal do Rio, de maneira totalmente deturpada, publicou uma matéria de página inteira, com um título que era uma obra-prima: ‘Na novela das oito, Glória Menezes é sapatão’. Destruiu tudo. Porque a Glória, assim como o Tony Ramos e o Tarcísio Meira, faz parte de um grupo de atores e atrizes que representam determinados valores do imaginário brasileiro. Quantas vez o Tony, coitado, pediu: ‘Pelo amor de Deus, criem para mim um personagem que não seja bonzinho!’ Quando tentamos criar, foi aquela confusão: José Clementino, um cara que ficava vinte anos preso, arquitetando planos de vingança (…) a rejeição foi instantânea. Alguns atores têm uma imagem tão cristalizada que, se mexermos nela, o público chia.”

O elenco estelar se arriscava em papéis pouco comuns em suas carreiras. Tony Ramos, num sensível trabalho, fugia do habitual papel de herói romântico para viver um ex-presidiário rancoroso e sombrio. O ator raspou os cabelos, emagreceu oito quilos e meio e apareceu com a barba por fazer em vários capítulos.
Claudia Raia, um dos símbolos sexuais da TV, interpretava uma empresária fria, sem sensualidade aparente, que se revelava uma assassina psicopata.
Tarcísio Meira e Glória Menezes, o grande casal da televisão brasileira, viviam marido e mulher que não se amavam e acabavam se envolvendo com outras pessoas. (*)

Adriana Esteves revelou sua verve cômica ao interpretar a interesseira Sandrinha, cheia de nuances e trejeitos (no andar, no olhar, no gestual) que fizeram o sucesso da personagem – como o hábito de puxar a calcinha presa no bumbum.

Outro destaque foi a dupla Bina Colombo e sua amiga “tagarela” Luzineide (Cláudia Gimenez e Eliane Costa). O bordão “cala a boca Luzineide!”, que Bina soltava cada vez que a amiga fazia menção de falar, foi um sucesso. Luzineide, que não falou uma palavra sequer a novela inteira, finalmente soltou a voz no último capítulo, quando o autor lhe reservou a incubência de revelar a identidade de quem havia explodido o shopping center, o grande mistério da novela.

Mistério este mantido até o final: Sandrinha era a responsável pela explosão do shopping. Os atores receberam as falas horas antes da gravação da cena, realizada no dia em que o último capítulo foi exibido.

O ator Danton Mello precisou se ausentar por dois meses das gravações da novela por ter sofrido um acidente com o helicóptero do Globo Ecologia (programa que ele apresentava enquanto atuava na novela), que caiu no Monte Roraima, na Região Norte, em setembro de 1998. Para justificar a volta de seu personagem, Adriano, em cadeira de rodas, Silvio de Abreu incluiu no enredo um acidente de automóvel. Durante a ausência de Adriano, para fazer as vezes do interesse romântico de Shirlei (Karina Barun), surgiu o personagem Dino (Felipe Rocha).
A queda do helicóptero, com cinco passageiros, vitimou o operador de áudio Ricardo Cardoso, o Cuca, e deixou os sobreviventes com ferimentos. Pela dificuldade de acesso ao local, o resgate só teve início cerca de 25 horas depois do acidente. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

A novela lançou um novo cantor pop-romântico, pelo menos na ficção: Johnny Percebe, personagem de Oscar Magrini – com direito a clipe musical dirigido pelo diretor Jorge Fernando, numa participação. Ao apresentar-se no programa da Xuxa, descobriu-se a farsa: Johnny Percebe cantava em playback e a voz era de seu irmão Boneca (Ernani Moraes). A dupla também apresentou-se no programa Domingão do Faustão.

Silvio de Abreu “ressuscitou” o personagem Jamanta, vivido por Cacá Carvalho, em uma novela posterior: Belíssima, em 2005/2006.
Luzineide (Eliane Costa) também reapareceu, no último capítulo de Belíssima. Jamanta está no altar, prestes a se casar com Regina da Glória (Lívia Falcão), quando Luzineide entra na igreja com vários filhos a tiracolo e impede o casamento. (*)

Shirlei, a moça manca e dócil vivida por Karina Barum na novela, retornou repaginada, em outra novela, de outro autor, na pele de outra intérprete. Em 2016, o novelista Daniel Ortiz, pupilo de Silvio de Abreu, trouxe a personagem para sua novela Haja Coração, desta vez em uma nova trama e interpretada pela atriz Sabrina Petráglia.

Torre de Babel teve cenas gravadas em Itaipava, no estado do Rio de Janeiro, e os interiores do shopping Iguatemi, em São Paulo, foram usados para cenas que se passavam no Tropical Tower, o shopping center da novela. (*)

Feito basicamente de esquadrilhas metálicas e vidro, o Tropical Tower ocupava uma área de 1.200m2 e levou 41 dias para ser erguido, dos quais 20 foram dedicados à construção de fundações de verdade capazes de sustentar o peso da estrutura. Foram usados 4.600m de vigas metálicas pesando 20 toneladas. Cerca de 200 operários trabalharam na construção. Dois elevadores panorâmicos foram instalados na fachada, e escadas rolantes davam acesso aos três pavimentos do shopping, onde estavam instaladas as lojas e os escritórios da direção.
Para as cenas da explosão do Tropical Tower, foram importados mais de 200 mil dólares em equipamentos de efeitos especiais. O cenógrafo Mário Monteiro construiu três maquetes idênticas ao shopping, mas com proporções diferentes: a maior era seis vezes menor do que o shopping original. A segunda era dez vezes menor, e a terceira, 20. A explosão durou cerca de seis minutos no ar. (*)

A novela contava, ainda, com mais duas cidades cenográficas e 19 cenários internos, entre eles o cortiço onde moravam Sandrinha (Adriana Esteves) e Bina (Claudia Jimenez). O cenógrafo Keller Veiga relatou que o cenário do ferro-velho de Agenor (Juca de Oliveira) foi concebido para parecer “uma ilha dentro de um ferro-velho”. O quarto da personagem Shirlei (Karina Barum), por exemplo, foi montado dentro de um trailer acoplado à sala. (*)

A fachada da penitenciária do Carandiru e o presídio do Hipódromo, em São Paulo, foram usados nas gravações das cenas de Clementino (Tony Ramos) na cadeia. A cenografia e a produção de arte reconstituíram cela, corredores, enfermaria e pátio de uma prisão. A cena em que Clementino jura vingança ao ver a imagem de César Toledo (Tarcísio Meira) na televisão do refeitório da prisão foi gravada na Febem do Pacaembu. (*)

Na fase da reformulação da novela, no início, até a música-tema da abertura foi trocada. Saiu a retumbante música instrumental e entrou a suave Pra Você, numa gravação de Gal Costa.

Por seus trabalhos na novela, Tony Ramos, Adriana Esteves e Cleyde Yáconis foram eleitos pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), respectivamente, o melhor ator, a melhor atriz e a melhor atriz coadjuvante na TV em 1998.
Torre de Babel também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1998. Tony Ramos e Adriana Esteves levaram o prêmio de melhor ator e atriz.

Reprisada no Viva (canal de assinatura da Rede Globo) entre 10/10/2016 e 03/05/2017.

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora Nacional
torret1
01. TE AMO – José Augusto (tema de Shirlei)
02. LOCA – Simone (tema de Celeste)
03. FELICIDADE, QUE SAUDADE DE VOCÊ – Zezé Di Camargo e Luciano (tema de Gustinho)
04. ETERNAMENTE – Fafá de Belém (tema de Marta)
05. SÓ NO SAPATINHO – Só no Sapatinho (tema de Sandrinha)
06. QUASE FUI LHE PROCURAR – Luiz Melodia (tema de Ângela)
07. MUITO MAIS – Roupa Nova (tema de Alexandre)
08. VAMBORA – Adriana Calcanhoto (tema de Rafaela e Leila)
09. ONDE FOI QUE ERREI – Fat Family (tema de Bina)
10. TODA VEZ – Zélia Duncan (tema de Edmundo)
11. TELEFONE – Nara Leão (tema de Edmundo e Ângela)
12. URUBU MALANDRO – Paulo Moura e Os Batutas (tema de Henrique)
13. MODA DE SANGUE – Elis Regina (tema de Clementino e Clara)
14. PRA VOCÊ – Gal Costa (tema de César e Lúcia / tema de abertura)

Trilha Sonora Internacional

torret2
01. IMMORTALITY – Celine Dion (tema de César e Marta)
02. ALL MY LIFE – K-Ci & Jo-Jo (tema de Edmundo e Bina)
03. YOU WERE THERE – Eric Clapton (tema de Ângela)
04. HIGH – Lighthouse Family (tema de locação)
05. CON TE PARTIRÒ – Andrea Bocelli (tema de Alexandre e Lúcia)
06. ADIA – Sarah McLachlan (tema da Leda)
07. LADY – Lionel Ritchie (tema de Henrique e Celeste)
08. THE AIR THAT I BREATHE – Simply Red (tema de Clementino)
09. BE ALONE NO MORE – Another Level
10. ZOOT SUIT RIOT – Cherry Poppin’ Daddies (tema de Gustinho)
11. POR ARRIBA, POR ABAJO – Ricky Martin (tema de Dino)
12. I WANT YOU TO WANT ME – D-Soul (tema de Leda)
13. HO FATTO UN SOGNO – Antonello Venditti (tema de Sandrinha)
14. THE ONE I GAVE MY HEART TO – Mya Hill
15. CORAZÓN PARTÍO – Alejandro Sanz (tema de Shirlei)
16. HABLA ME LUNA – All Jam

Sonoplastia: Jenny Tausz e Francisco Sales
Produção Musical: Alberto Rosenblit
Direção Musical: Mariozinho Rocha
Seleção Musical da Trilha Internacional: André Werneck

Tema de Abertura: PRA VOCÊ – Gal Costa

Pra você eu guardei
Um amor infinito
Pra você procurei
O lugar mais bonito
Pra você eu sonhei
O meu sonho de paz
Pra você me guardei
Demais, demais

Se você não voltar
O que faço da vida
Não sei mais procurar
A alegria perdida
Eu nem sei bem porque
Fui gostar tanto assim
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim…

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