Sinopse

São Paulo, 1922. Quando Yolanda e Martim se conhecem, ela é uma princesa do café, e ele, filho de uma família tradicional empobrecida. Estudante de Medicina, Martim simpatiza com o movimento anarquista, mas sua atividade política, mesmo clandestina, acaba lhe rendendo problemas. Quando ele e Yolanda se apaixonam, Guiomar, a mãe da moça, é terminantemente contra o namoro. Pior: ela decide casá-la com o primo Fernão, como era o desejo de seu falecido marido. A partir daí, uma série de intrigas e mal-entendidos separam Yolanda de Martim.

Com sua determinação e inteligência, Yolanda Penteado escandaliza a sociedade ao desquitar-se do marido, quando descobre sua traição. Após o casamento fracassado, ela conhece Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, dono do maior parque industrial de São Paulo e, mais tarde, fundador do Museu de Arte Moderna. Ambos manterão uma relação de admiração e respeito mútuos, além do espírito empreendedor nas artes. As aventuras amorosas de Ciccillo e o amor de Yolanda por Martim não afetam a amizade do casal.

A família Sousa Borba representa a decadência da sociedade paulista após o crack da Bolsa de Nova York, em 1929. Morador de um casarão no bairro de Campos Elíseos, o coronel Totonho é um dos donos de fazenda de café que perderam tudo. O casarão é um símbolo da transformação da cidade. Após a crise de 1929, o palacete vira um bordel e, após a década de 1930, uma pensão que recebe imigrantes de toda parte. Maria Luísa, filha mais velha de Totonho, é quem mais sofre com a intransigência e conservadorismo do pai.

Maria Luísa se apaixona por Madiano Mattei, um pintor anarquista e pobretão, filho de imigrantes italianos. Grávida de Madiano, ela o deixa partir para tentar uma vida melhor na França e esconde dele a filha que espera. Enquanto isso, Maria Luísa aceita casar-se com Samir, um libanês cristão que enriquecera com o comércio de tecidos. Essa união encontra percalços, como Sálua, mãe de Samir, contra o casamento, e o fato de Maria Luísa esconder que tivera uma filha com Madiano, agora adotada por Yolanda Penteado.

Rodolfo, o filho mais velho de Totonho, é um farrista sem escrúpulos que desperdiça o dinheiro da família no jogo. O irmão, Bernardo é seu oposto: inteligente, íntegro e sensível. Por Bernardo não seguir o modelo de masculinidade que Totonho valoriza, o coronel se envergonha do filho a ponto de contratar uma mulher para seduzi-lo: Ana Schmidt. O desprezo do coronel por Bernardo tem um motivo maior: a desconfiança da traição de sua falecida mulher. Porém, apesar de bela, Ana não desperta o desejo do rapaz.

Filha de um anarquista perseguido pela polícia e por Totonho, Ana aceita trabalhar na casa do coronel em troca da liberdade do pai. Porém, ela se torna uma obsessão para Rodolfo. A bela Ana é uma jovem humilde, mas determinada, que também é perseguida pelas críticas de conservadores por posar para pintores. Ana encontra a paixão nos braços de Joaquim, um padeiro português arrebatado pela moça. A união dos dois causa a ira de Rodolfo, que não mede esforços para ter seu objeto de desejo.

Em meio a esses dramas, os artistas da época se unem para a Semana de Arte Moderna de 1922, de onde despontam figuras importantes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, entre outros.

Globo – 23h
de 6 de janeiro a 8 de abril de 2004
54 capítulos

minissérie de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira
escrita com Lúcio Manfredi
colaboração de Rodrigo Arantes do Amaral
direção de Marcelo Travesso, Ulisses Cruz e Gustavo Fernandez
direção geral de Carlos Araújo
núcleo Carlos Manga

ANA PAULA ARÓSIO – Yolanda Penteado
EDSON CELULARI – Ciccillo Matarazzo
ERIK MARMO – Martim Paes de Almeida
TARCÍSIO MEIRA – Coronel Totonho Sousa Borba
MARCELLO ANTONY – Rodolfo
MARIA FERNANDA CÂNDIDO – Ana Schmidt
RENATO SCARPIM – Joaquim
CÁSSIA KISS – Guiomar
HERSON CAPRI – Fernão Queiróz Chaves
DANIEL DE OLIVEIRA – Bernardo
LETÍCIA SABATELLA – Maria Luisa
LEOPOLDO PACHECO – Samir Schaim
CELSO FRATESCHI – Ernesto da Silva
ANTONIO CALLONI – Chatô (Assis Chateaubriand)
JOSÉ RUBENS CHACHÁ – Oswald de Andrade
ELIANE GIARDINI – Tarsila do Amaral
MÍRIAM FREELAND – Pagu (Patricia Galvão)
PASCOAL DA CONCEIÇÃO – Mário de Andrade
BETTY GOFMAN – Anita Malfatti
CÁSSIO SCAPIN – Santos Dumont
ÂNGELO ANTÔNIO – Madiano Mattei
PAULA MANGA – Gilda
JÚLIA FELDENS – Maria Laura
MAX FERCONDINI – Candinho (João Cândido)
LEANDRA LEAL – Ucha (Úrsula)
MURILO ROSA – Frederico
HELENA RANALDI – Lidia
CARLOS VEREZA – David Rosemberg
DEBORA FALABELLA – Raquel
SELMA EGREI – Olívia Penteado
PEDRO PAULO RANGEL – Freitas Valle
TATO GABUS MENDES – Paulo Prado
TUNA DWEK – Marinette
MARCOS WINTER – Luís Martins
PAULO GOULART – Avelino
MIKA LINS – Elvira
CÁSSIO GABUS MENDES – Juvenal
CLÁUDIO FONTANA – Jayme
GABRIELA HESS – Guiomarita
NINA MORENO – Odila
FERNANDA PAES LEME – Elisa
GLÓRIA MENEZES – Camila Matarazzo
DANIELA ESCOBAR – Soledad
ARICLÊ PEREZ – Madame Claire
MAURO MENDONÇA – Coronel Bento
MILA MOREIRA – Lola Flores
SÉRGIO VIOTTI – Samuel
ETTY FRASER – Dona Ita
PAULO JOSÉ – Dr. Varela
ANA LÚCIA TORRE – Sálua
LU GRIMALDI – Frida
FERNANDA DE SOUZA – Dulce
CAIO JUNQUEIRA – Nonê
JÚLIA ALMEIDA – Adelaide
DANIEL ÁVILA – Rudá
JULIANA LOHMAN – Antônia
OMAR DOCENA – Caio
AMANDA LEE – Moema
RANIERI GONZALEZ – Menotti del Pichia
MARCELO VÁRZEA – Guilherme de Almeida
JULIANO RIGHETTO – Waldemar Belisário
DIRA PAES – Magnólia
CHICA XAVIER – Isolina
NIZO NETTO – Camilo
MAGDA GOMES – Maria José
EMILIANO QUEIRÓZ – Juca do Amaral
YONÁ MAGALHÃES – Lígia do Amaral
MARÍLIA PASSOS – Ana Maria
RENATA SAYURI – Rita
CARLOS SATO – Kazuo
MIWA YANAGIZAWA – Harumi

e
ADRIANO GARIB – Dr. Osório César
ANDRÉ CORRÊA – Jorge Andrade
ANDRÉ FRATESCHI – Flávio de Carvalho
BRÍGIDA MENEGHETTI – Tônia Carrero
BRUNA DE TÚLIO – Margarida (mulher de Totonho)
BRUNO GIORDANO – Franco Zampari
CAMILA MORGADO – Cacilda Becker
CHARLE MYARA – Raul Bopp
CHRISTIANA GUINLE – Gigi Guinle
CLARISSA FREIRE – Damiana
CLÁUDIO CAPARICA – militar batendo palmas saudando o presidente Arthur Bernardes
CLEYDE YÁCONIS
EDGAR MÜLLER – Gutierrez
EDWARD BOGGIS
ELIAS GLEIZER – padre
EMÍLIO ORCIOLLO – Cassiano Gabus Mendes
ÉRICA OLIVIERO – Antônia (criança)
EVA WILMA
FERNANDA MONTENEGRO
FERNANDA TORRES
FERNANDO ALVES PINTO – Alberto Cavalcanti
FRANCISCO MILANI – ministro
GILLES GWIZDEC – Piérre
GUILHERME CORRÊA – padre
GUSTAVO MORAES – Paulo Bomfim
IGOR ADAMOVICH – Candinho (criança)
IRVING SÃO PAULO – Ferraz
ISABELA CUNHA – Ucha (criança)
ISABEL GUÉRON – Vida Alves
JOÃO CÂNDIDO – Candinho (criança)
JOÃO VITTI – Abílio Pereira de Almeida
JOHN HERBERT
JONATHAN NOGUEIRA – Paulo Autran
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Dr. Araújo
LEONARDO CARVALHO – Camargo (do MMDC)
LUCAS MAIA – Nonê (criança)
LUIGI BARICCELLI – Wálter Forster
MARCELO ESCOREL – Vianinha
MARCELO TORREÃO – Villa-Lobos
MARCO ANTÔNIO GIMENEZ – Lorival Gomes Machado
MARCO PIGOSSI – Dráusio (do MMDC)
MARIA CLARA MATTOS – Rosa
MARIA EDUARDA MANGA – Maria Laura (criança)
MARIA LUÍSA MENDONÇA – Maria Bonomi
MARLY BUENO – Lúcia
PAULO AUTRAN
RODRIGO PENNA – Miragaia (do MMDC)
RUY REZENDE – Blaise Cendrars
STEPAN NERCESSIAN – político
TAMARA RIBEIRO – Érica (filha de Ernesto e Frida, morre pequena)
TARCIANA SAAD – amiga de Ana Maria
THADEU TORRES – Frederico (criança)
THEODORO COCHRANE – Mário Martins (do MMDC)
THIAGO DE OLIVEIRA – Alfredinho
THIAGO RODRIGUES – Archângelo
TÔNIA CARRERO
TONY CORRÊA – Miguel
VICENTINI GOMES – Graça Aranha
VIDA ALVES
VINÍCIUS MARQUEZ – Di Cavalcanti
VIVIANE ARAÚJO – Escolástica / Eglantine
ZÉLIA GATTAI

– núcleo de YOLANDA PENTEADO (Ana Paula Arósio), jovem de família tradicional da alta sociedade paulista, então dominada pela conservadora elite do café. Uma bela mulher, forte, corajosa, inteligente e grande admiradora das artes. Desperta paixões por onde passa, por sua beleza, simpatia e carisma:
a mãe GUIOMAR (Cássia Kiss), mulher forte que comanda a família Penteado com mãos de ferro desde que ficou viúva. Enérgica, é de quem Yolanda herdou a força para tocar os negócios
a tia OLÍVIA (Selma Egrei), irmã de Guiomar, grande incentivadora das artes, amiga de artistas-chave do Modernismo brasileiro. Participa ativamente de movimentos como o voto feminino e a Revolução de 1932
o primo FERNÃO (Herson Capri), com quem se casa em uma união arranjada pelas famílias. No entanto, acaba traindo Yolanda com sua melhor amiga. Quando ela descobre, pede o desquite, chocando a sociedade paulista
os irmãos: JUVENAL (Cássio Gabus Mendes), rígido, controlador e apegado às tradições,
JAYME (Cláudio Fontana), farrista inveterado, ligado ao movimento anarquista,
e GUIOMARITA (Gabriela Hess)
a cunhada ODILA (Nina Moreno), mulher de Juvenal
os amigos: SANTOS DUMONT (Cássio Scapin), o “pai da aviação”. Reservado, quase misterioso e de caráter irrepreensível, é um dos grandes admiradores de Yolanda, e muito querido por ela. Fica muito abalado com o uso bélico de sua invenção,
e ASSIS CHATEAUBRIAND (Antônio Calloni), jornalista, mecenas e político, é um magnata das comunicações. Figura polêmica e controversa, também corteja Yolanda. Alterna momentos de ações duvidosas com gestos de inesperada generosidade
a amiga ELISA (Fernanda Paes Leme), que tornou-se amante de Fernão
os empregados ISOLINA (Chica Xavier) e CAMILO (Nizo Neto).

– núcleo de CICCILLO MATARAZZO (Edson Celulari), empresário de grande talento, da família proprietária do maior parque industrial de São Paulo. Simples, direto, bem-humorado, apaixona-se por Yolanda, com quem se casa, iniciando uma relação baseada em franqueza e admiração. Ousados e amantes da artes, com inúmeras afinidades, juntos são responsáveis pela fundação do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da Bienal Internacional, entre outros empreendimentos culturais:
a cunhada CAMILA (Glória Menezes), sua amiga e confidente
a amante que sustentava antes de conhecer Yolanda, SOLEDAD (Daniela Escobar), espanhola, chega ao Brasil com uma companhia de dança.

– núcleo de MARTIM (Erik Marmo), o grande amor de Yolanda, cujo relacionamento não é aprovado pela família Penteado. Estudante do curso de Medicina no início da trama, é simpatizante da causa anarquista. Por desencontros do destino, acaba partindo sozinho para o Rio de Janeiro, onde se torna médico. Casado, porém infeliz, continua apaixonado por Yolanda:
a mulher GILDA (Paula Manga), com quem casou-se por não ter conseguido se unir a Yolanda e por gratidão ao pai dela
o filho CAIO (Omar Docena)
o sogro DR. VARELA (Paulo José), famoso médico carioca, seu mentor profissional.

– núcleo do CORONEL TOTONHO SOUSA BORBA (Tarcísio Meira), fazendeiro muito rico e viúvo. Homem extremamente duro, preconceituoso e conservador, vive em permanente antagonismo com a maioria dos filhos. Perfeito representante da República Velha Brasileira e da decadência da sociedade paulista, acaba perdendo tudo na crise mundial gerada pela quebra da bolsa de Nova York e se suicida:
os filhos: RODOLFO (Marcello Antony), jogador, mulherengo, perdulário, irresponsável e sedutor, é o único que se dá bem com o pai. Mau-caráter, tenta assumir o comando da família após sua morte para delapidar o pouco que restou do patrimônio,
MARIA LUÍSA (Letícia Sabatella), bonita, sofrida e muito reprimida pelo pai. Apaixona-se por um pintor honesto, porém pobre e anarquista. Mantém o relacionamento escondido da família, mas acaba engravidando do rapaz,
BERNARDO (Daniel de Oliveira), estudante de Direito, é culto e sensível, o que leva o pai a desconfiar de sua masculinidade e contratar uma bela governanta para seduzi-lo. Ao contrário do irmão mais velho, que não se importa com os outros, tentará reagrupar a família depois da crise financeira,
MARIA LAURA (Júlia Feldens), a narradora da trama. Culta, inteligente e de opinião própria, ganha vida após a morte do pai,
e JOÃO CÂNDIDO (Max Fercondini), o caçula
a empregada MARIA JOSÉ (Magda Gomes), muito ligada às meninas, participará ativamente de movimentos revolucionários.

– núcleo de Maria Luísa:
o pintor MADIANO (Ângelo Antônio), por quem apaixonou-se quando era jovem. Pobre, acaba partindo para tentar uma vida melhor na França sem imaginar que Maria Luísa engravidou dele
o libanês SAMIR (Leopoldo Pacheco), com quem se casa após a partida de Madiano. Enriqueceu com o comércio de tecidos. É verdadeiramente apaixonado por ela
a mãe de Samir, SÁLUA (Ana Lúcia Torre), contra o casamento de seu filho
a filha de Maria Luísa e Madiano, ANTÔNIA (Juliana Lohman), adotada por Yolanda. Posteriormente, vai morar com a mãe na casa de Samir. Envolve-se com Caio.

– núcleo do anarquista ERNESTO (Celso Frateschi), perseguido pela polícia e pelo Coronel Totonho, por sua intensa participação no movimento anarquista:
a mulher FRIDA (Lu Grimaldi), sofrida, porém resignada
os filhos: ANA (Maria Fernanda Cândido), bonita, responsável e generosa, trabalha como modelo vivo para complementar a renda da família. Ao ver seu pai ser preso, pede ajuda ao Coronel Totonho para tirá-lo da prisão. Ele aceita, caso a moça trabalhe em sua casa como governanta, para que seduza Bernardo. Torna-se alvo do desejo e do assédio de Rodolfo,
FREDERICO (Murilo Rosa), acaba apaixonando-se por uma judia refugiada no Brasil sem imaginar o obstáculo que ambos terão que enfrentar,
UCHA (Leandra Leal), que apaixona-se por João Cândido,
e ÉRICA (Tamara Ribeiro), que morre ainda pequena.

– núcleo de JOAQUIM (Renato Scarpin), padeiro português que se apaixona por Ana, com quem se casa:
o tio AVELINO (Paulo Goulart), também padeiro, o criou como um filho
a prima ELVIRA (Mika Lins), filha de Avelino. Apaixonada por ele, mas alia-se a Rodolfo contra a união dele e Ana, tornando-se sua amante e cúmplice.

– núcleo dos artistas da Semana de Arte Moderna:
o escritor OSWALD DE ANDRADE (José Rubens Chachá), inteligente e espirituoso, frequentador dos salões aristocráticos de São Paulo. Uma das figuras mais emblemáticas do Modernismo, de temperamento irreverente, polêmico e combativo
a pintora TARSILA DO AMARAL (Eliane Giardini), chega a São Paulo após uma temporada em Paris. Amiga de Olívia, foi uma das pintoras mais importantes do Brasil. Casa-se com Oswald e o relacionamento acaba tendo forte influência em sua criatividade artística. Acabam se separando
o escritor MÁRIO DE ANDRADE (Paschoal da Conceição), também um dos fundadores do Modernismo no país. O mais paulista dos escritores, praticamente criou a poesia brasileira moderna. Professor de piano de Yolanda
a pintora ANITA MALFATTI (Betty Gofman), uma das mais importantes artistas plásticas brasileiras da primeira fase do Modernismo. Apaixonada por Mário, é uma mulher discreta, que acaba sofrendo com críticas à inovação estética de suas obras, embora apoiada pelos amigos artistas que incentivam a sua produção
os escritores: MENOTTI DEL PICCHIA (Ranieri Gonzalez), forma o “Grupo dos Cinco” junto a Mário, Oswald, Anita e Tarsila, responsável pelo referencial ideológico e artístico do movimento modernista,
e GUILHERME DE ALMEIDA (Marcelo Várzea), posteriormente coroado como ‘o Príncipe dos Poetas’, também foi combatente na Revolução Constitucionalista de 1932
os mecenas: SENADOR FREITAS VALLE (Pedro Paulo Rangel), também influente na política educacional de São Paulo, promove exposições de artes e ciclos em sua chácara, que contribuem para o desenvolvimento cultural,
e PAULO PRADO (Tato Gabus), rico cafeicultor, investidor e empresário, um dos principais incentivadores do movimento modernista. Teve participação fundamental na realização da Semana de Arte Moderna e na fundação de sociedades culturais
a mulher de Paulo Prado MARINETTE (Tina Duek), francesa, sagaz e inteligente, parte dela a ideia da realização da Semana de Arte Moderna, inspirada na Semaine de Fêtes ocorrida na França.

– núcleo de Oswald:
o filho do primeiro casamento, NONÊ (Caio Junqueira)
a anarquista PAGU (Míriam Freeland), com quem casou-se depois de se separar de Tarsila. De personalidade avançada para a época, sempre com um forte batom vermelho e fumando em público, arrebata Oswald de paixão
o filho com Pagu, RUDÁ (Daniel Ávila)
a mulher de Rudá, ADELAIDE (Júlia Almeida)
FERRAZ (Irving São Paulo), que se casa com Pagu.

– núcleo de Tarsila:
a filha do primeiro casamento, DULCE (Fernanda de Souza)
os pais JUCA (Emiliano Queiróz) e LÍGIA (Yoná Magalhães)
o escritor LUÍS MARTINS (Marcos Winter), bem mais jovem, com quem se envolve
a prima ANA MARIA (Marília Passos), por quem Luís se apaixonaria.

– núcleo de LÍDIA ROSEMBERG (Helena Ranaldi), judia alemã que vem ao Brasil fugindo do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, após a suposta morte do marido. Apaixona-se por Frederico, construindo uma nova vida. Porém, inesperadamente, o marido ressurge vivo:
o marido DAVID (Carlos Vereza), que não morreu e vem ao Brasil à procura da família
a filha RACHEL (Débora Falabella), que torna-se atriz, integrando o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia. Envolve-se com Bernardo, com quem vive uma história de amor e descobertas
o sogro SAMUEL (Sérgio Viotti), pai de David, chega com ela ao Brasil quando fogem da Alemanha
a amiga DONA ITA (Etty Fraser).

– núcleo do japonês KAZUO (Carlos Sato), ex-funcionário na fazenda de Yolanda, de rígidos princípios morais. Vai abrir uma tinturaria em São Paulo:
a mulher HARUMI (Miwa Yanagizawa)
a filha RITA (Renata Sayuri), que apaixona-se por João Cândido.

– demais personagens fixos:
a cafetina MADAME CLAIRE (Ariclê Perez), influente junto aos políticos, comanda um bordel no antigo casarão do Coronel Totonho, em um negócio com Rodolfo
o fazendeiro CORONEL BENTO (Mauro Mendonça), que se casa com Claire
a modista LOLA FLORES (Mila Moreira), a mais requisitada entre a alta sociedade paulista
MOEMA (Amanda Lee), amiga de vários personagens, vai trabalhar com Ana
o pintor BELISÁRIO (Juliano Righetto), amigo de Madiano e Frederico
o casal nordestino que vai morar na pensão de Rodolfo, aberta após o encerramento do bordel: RAIMUNDO (Cláudio Jaborandy) e MAGNÓLIA (Dira Paes), que se torna amante de Rodolfo.

Com o slogan “Globo e São Paulo: Um Só Coração”, a minissérie fez parte das comemorações dos 450 anos de São Paulo e foi considerada pela emissora a sua maior contribuição para a festividade – além da série de matérias jornalísticas realizadas pelo SPTV, o show da virada e da chuva de prata na Avenida Paulista, no réveillon de 2004 e no dia 25 de janeiro (aniversário da cidade).

Um Só Coração contou a história da cidade do início da década de 1920 até o ano de 1954, na Festa do IV Centenário de São Paulo, por se tratar de um período de transformações, em que a cidade passou de potência rural a grande metrópole. A Semana de Arte Moderna, a Revolução de 1924, a crise de 1929, a Revolução de 1932, a adaptação às diretrizes da era Vargas, os ecos do nazismo e do fascismo, os refugiados da Segunda Guerra, a influência americana, a inauguração da TV no Brasil – todos estes momentos históricos foram abordados.

São Paulo também foi retratada sob o ponto de vista cultural, mostrando a importância dos movimentos artísticos para o desenvolvimento da cidade.
“A projeção de São Paulo se deve à cultura, que contribuiu na transformação dos ares provincianos em cidade industrial”, disse à época o diretor de núcleo, Carlos Manga.
“Muita coisa que temos hoje não existiria se não fosse a Semana de 22”, completou o diretor geral, Carlos Araújo.

A protagonista era Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio), uma das mais famosas damas da alta sociedade paulistana nos anos 1950, que escreveu o livro “Tudo em Cor de Rosa”, uma das bases dos autores Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira para a minissérie.

Yolanda Penteado foi fundadora do Museu de Arte Moderna, ao lado de Ciccillo Matarazzo (Edson Celulari), seu segundo marido. E conviveu com personalidades como Santos Dumont (Cássio Scapin), Assis Chateaubriand (Antônio Calloni), Mário de Andrade (Paschoal da Conceição), Anita Malfatti (Betty Gofman), Oswald de Andrade (José Rubens Chachá), Tarsila do Amaral (Eliane Giardini) e Pagu (Mírian Freeland). Yolanda fazia parte da família Penteado, uma das famosas “famílias quatrocentonas” (as mais antigas de São Paulo).

Uma curiosidade foi a data de estreia: se fosse viva, Yolanda Penteado faria aniversário exatamente em 6 de janeiro, dia em que o diretor Carlos Manga e a atriz Cássia Kiss – a mãe da protagonista na trama – também completaram mais um ano de vida.

Para compor personagens que de fato existiram, autores e atores muitas vezes contaram com a ajuda de parentes dos personagens reais, que puseram à sua disposição memórias e documentos.
“Só a filha de um dos amantes de Yolanda, um homem casado da sociedade paulistana, se recusou a ajudar”, contou a autora Maria Adelaide Amaral.

Uma sobrinha-bisneta de Yolanda Penteado, a atriz Gabriela Hess, interpretou Guiomarita Penteado, irmã de Yolanda e sua bisavó na vida real. Em um dos capítulos, Gabriela deu à luz sua tia-avó, Antonieta Penteado da Silva Prado Cintra, – que, portanto, assistiu na vida real ao seu próprio nascimento na TV.

A emissora gastou 10,5 milhões de reais na produção de Um Só Coração. A caracterização física dos personagens reais foi impecável. Atores como Paschoal da Conceição e Cássio Scapin, que interpretaram Mário de Andrade e Santos Dumont, ficaram a cara dos originais.

O esmero se repetiu em reconstituições como a da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Cerca de 300 pessoas participaram das gravações e mais de trinta obras de arte foram reproduzidas para a ocasião, de esculturas como a “Pietá”, de Victor Brecheret, a pinturas como “O Homem Amarelo”, de Anita Malfatti, e “Mulher com Chapéu”, de Di Cavalcanti.

A cena que remonta a invasão de militares insatisfeitos com políticas do governo central, em 1924, contou com cerca de 350 figurantes que ocuparam o centro histórico de Santos, local escolhido para as gravações.
Além de Santos, também Campinas e Bananal, em São Paulo, e Rio das Flores, no Rio de Janeiro, serviram como locações.

Uma atenção considerável foi dada à arquitetura na produção da minissérie. Algumas fachadas de casarões eram reais, outras foram erguidas na cidade cenográfica da Globo. Foi o caso da mansão do Coronel Totonho (Tarcísio Meira). Suntuosa no começo da minissérie, a mansão virou bordel quando a família perdeu tudo na crise econômica de 1929, passou a abrigo de imigrantes num período posterior e, finalmente, a cortiço de migrantes nordestinos nos anos 1950.
“Foi isso o que aconteceu com muitos casarões de antigos bairros nobres de São Paulo, como os Campos Elíseos”, contou o autor Alcides Nogueira.

Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira fizeram uma breve participação na minissérie. Eles estavam no meio dos figurantes que assistiam à abertura da Semana da Arte Moderna. A cena foi exibida no terceiro capítulo, no dia 08/01/2004.

Sobre a escolha do título da minissérie, falou Alcides Nogueira ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“Pensamos em pegar um verso de algum poeta tipicamente paulista que resumisse o que queríamos. Achamos a frase ‘um só coração, uma só vontade’, de um poema do Paulo Bonfim, que é São Paulo puro. A Rede Globo queria dar, e acredito que deu, um abraço carinhoso na cidade pelos seus 450 anos, e o título traduzia bem a ideia de um só coração pulsando.”
Contudo, os autores não gostaram de ver o título associado ao político Paulo Maluf, cuja campanha eleitoral na época trazia os dizeres “Maluf e São Paulo: Um Só Coração”.
“Repudiamos a tentativa de associar a figura dele ao sucesso da série”, afirmaram os autores.

A escritora Zélia Gattai, mulher do falecido escritor Jorge Amado, falecida em 2008, fez uma participação especial na minissérie. No capítulo exibido em 11/03/2004, o então jovem Jorge Amado é homenageado em um jantar no qual participa a pintora Tarsila do Amaral (Eliane Giardini). É Zélia quem levanta o brinde.

A minissérie foi prorrogada por causa do sucesso no Ibope. Ao invés de sair do ar dia 02/04/2004, como estava previsto, o último capítulo foi exibido dia 8. Na primeira semana, a atração registrou média de 38 pontos na Grande São Paulo. Na segunda e na terceira, 31 – audiência no horário considerada ótima para os padrões da época.

Até o penúltimo capítulo, personagens reais foram vividos por atores. No último capítulo, atores famosos que participaram da história nos anos 1950 viveram eles mesmos na minissérie.
Assim, Yolanda Penteado foi apresentada a Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Torres.
Na mesma ocasião estavam Cleyde Yáconis e o casal Eva Wilma e John Herbert.
A atriz Vida Alves apareceu no momento em que se transmitia o famoso capítulo do primeiro beijo na TV, na novela Sua Vida Me Pertence (exibida entre 1951 e 1952), da qual participou de fato.
E Tônia Carrero e Paulo Autran atuaram comentando uma nova dupla de jovens atores que surgia: Tônia Carrero e Paulo Autran.

A minissérie teve aberturas diferentes – pelo menos no final. Em cada uma, a chuva de fotos terminava em um lugar diferente: em quadros, porta retratos, em uma sala, etc.

Um Só Coração foi lançada em DVD ainda em 2004, ano de sua apresentação.

Reapresentada no Viva (canal de TV a cabo pertencente à Rede Globo) entre 07/01 e 19/03/2013.

Trilha Sonora

umsot
01. TOO YOUNG – Roger Henri (tema de Yolanda)
02. SOLEDAD – Roger Henri (tema de Soledad)
03. OS RIOS QUE CORREM PRO MAR – Thereza Cristina
04. FAMÍLIA ALEMÃ – Roger Henri (tema de Ana)
05. UM SÓ CORAÇÃO (adaptação da SINFONIA Nº 5 OP.64) – Roger Henri (tema de abertura)
06. TUM BALALAIKA – Gilbert (tema do núcleo judeu)
07. RAPAZIADA DO BRAZ – Jair Rodrigues
08. JOÃO DE BARRO / CABOCLA TEREZA – Trovadores Urbanos (tema de Mário de Andrade)
09. IN THE BLUE OF THE EVENING – Frank Sinatra & Tommy Dorsey (tema de Candinho e Rita)
10. CORAÇÃO SOZINHO (adaptação de APENAS UM CORAÇÃO SOLITÁRIO) – Roger Henri (tema de Madiano e Maria Luísa)
11. VIOLA QUEBRADA – Trovadores Urbanos
12. ÁRIA PAULISTANA (adaptação da SINFONIA Nº 5 OP.64) – Isabella Taviani (tema de Yolanda e Martim)

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